Guia de Leitura
ia
Lendo em boa companh
Sombra
Suzy Lee
Resenha da editora
Depois do sucesso de Onda, a premiada artista Suzy
Lee retrata as brincadeiras de uma menina com as sombras produzidas pela lâmpada de seu sótão. A aventura começa quando ela acende a lâmpada, e de repente,
um mundo novo aparece diante de seus olhos. Todos os
utensílios guardados se transformam em seres completamente diferentes: borboletas, elefantes, lobos... uma
floresta inteira! E com eles a garota dança, ri, se esconde e derrota monstros com dentes afiados. Quando ela é
chamada para o jantar, precisa apagar a lâmpada, fazendo o mundo de sombras desaparecer das páginas. Mas
ele continua guardado carinhosamente nas lembranças
da menina e do leitor. Com elementos simples e apenas
duas cores, Suzy Lee cria, neste livro-imagem, um cenário que capta perfeitamente a alegria das brincadeiras e
enaltece o poder da imaginação.
“Sombra é um elogio à potência do discurso e do silêncio das imagens. Poesia em luz e sombra.” – Renato
Moriconi
Sobre a autora
Suzy Lee nasceu em Seul, capital da Coreia do Sul. Estudou pintura na Universidade Nacional de Seul e fez mestrado
em artes do livro no Camberwell College of Arts, em Londres.
Tem livros e trabalhos artísticos publicados e exibidos ao redor do mundo inteiro, como Onda, Sombra, Espelho, Rio, o
cão preto, publicados no Brasil pela Companhia das Letrinhas.
Atualmente, Suzy vive na Coreia do Sul.
Uma conversa sobre o livro
Onde termina uma coisa e começa outra? Onde termina a realidade e começa a fantasia? E onde todas as
coisas se misturam? Em Sombra, Suzy Lee aproveita a
materialidade do objeto livro para criar um universo expandido e mostrar que a brincadeira também é um modo
da criação. Não à toa que tudo começa na experiência
com as mãos: a menina não se contenta em observar as
sombras, quer interagir com elas, mas seu pássaro-inspiração escapa ao controle, encantando todos os objetos
sombreados.
Um ponto de destaque no livro é o uso das cores,
como o amarelo que aparece tímido e vai acendendo as
sombras, dando a elas dinamismo e autonomia. Amarelo
que também não deixa de ser a representação da energia
criativa da menina, assim como em outra obra da autora,
no livro Espelho.
O que é mais interessante é perceber que tudo que
existe se expande na página-parede onde as sombras se
projetam. Por isso, vale ajudar os estudantes a perceberem o que está acontecendo na narrativa: o espaço do real,
ocupado por objetos do cotidiano, vai se esvaziando em
relação às sombras que se multiplicam até atravessarem
a margem central do livro. Aí está uma ideia essencial da
obra: a realidade, na dobra do livro, se dobra à fantasia, para
que a menina mergulhe na aventura da própria imaginação.
Guia de Leitura • Lendo em boa companhia
Assim, a cada dupla de páginas apresentadas, o educador poderá questionar quais “figuras” os estudantes
perceberam, pois nem todas são fáceis de identificar –
elas são formadas a partir da livre associação da personagem e sem compromisso em ser fiel aos objetos. Isso
pode gerar inúmeras possibilidades de novas narrativas!
Sombra
Você viu?
A dobra do livro é a responsável pela ideia de que há o
mundo ordinário “de cima” e o mundo “de baixo”, que transborda as possibilidades do primeiro e se configura como
base de sustentação para ele. Por isso, a brincadeira da menina é interrompida apenas no mundo de cima, quando é
invadido pela palavra escrita: “O jantar está pronto!”. O educador poderá conversar com os estudantes sobre esse texto verbal que, como as imagens, se espacializa parecendo
adentrar desde fora para dentro da página.
E tem mais!
Outro detalhe a ser explorado na narrativa são as páginas escuras do final do livro. A primeira delas, que precede
ao clique da menina, quando vista contra a luz, mostra a
sombra da sombra da página anterior. O educador poderá
fazer este teste com os estudantes. Com base nisso, também será possível uma nova leitura, partindo do fim para o
início, com as páginas abertas contra a luz, para que os estudantes possam associar a presença do mundo de baixo
(imaginário) invadindo o mundo de cima.
Uma dica
Um detalhe verbal importante a ser apresentado aos estudantes é o clique final, que está de baixo para cima, sugerindo uma nova leitura a partir das sombras para a realidade.
Quando estamos diante de um livro-objeto, tudo é altamente significativo e pode inspirar inúmeras interpretações.
O educador poderá brincar de teatro de
sombras, precisando para isso de luz, uma
superfície de projeção e de objetos para serem
manipulados. Há vários vídeos nas redes
sociais que ensinam a fazer isso utilizando
caixas de papelão, cartolinas, papel de seda
e palitos de sorvete. A narrativa será criada
em conjunto: educador e estudantes. Mas
antes, também poderá ser interessante fazer
uma experimentação com o próprio corpo,
já que este é um livro que incita a busca pelo
autoconhecimento. Com o suporte preparado
podem ser feitos experimentos com as mãos, ou
mesmo com o corpo todo, se houver espaço.
naescola@ataba.com.br
https://bit.ly/visitesaladoprof