ESTUDOS E TÉCNICAS DE ENSAIOS PARA A AVALIAÇÃO DO ISOLAMENTO EM MOTORES ELÉTRICOS DE INDUÇÃO TRIFÁSICOS DE BAIXA TENSÃO Jonattas Henrique Alves Fragoso - jonattas17@hotmail.com Gestão em engenharia da sistemas elétricos Instituto de Pós-Graduação - IPOG Recife, PE, 21/04/2025 Resumo A contextualização temática deste trabalho objetivou mostrar a importância da manutenção preventiva e preditiva na detecção de falhas no isolamento de motores elétricos de baixa tensão, com base nos eixos teóricos dos comportamentos das correntes elétrica na aplicação de uma fonte continua, as análises realizadas através das leituras dos índices de absorção relativa e polarização nos tipos de isolantes feito nos enrolamentos estáticos das maquinas elétricas, as características das medições com medição da corrente de descarga e como os efeitos da umidade e temperatura afeta na degradação da isolação da máquina referente a sua massa (carcaça). O objetivo desta pesquisa foi mostrar as técnicas off-line para avaliação do isolamento dos MIT´s de BT, com fatores e mecanismos que colaboram para os estresses do material de isolação do ME, os dados para analises realizadas através dos ensaios baseia-se na norma IEEE Standard 43 de 2013 com fundamentação teórica que fornece a base de sustentação desta pesquisa. Com base para análise de cada motor elétrico de diferentes potencias, esse trabalho foi realizado na empresa Arlanxeo Performance Elastomers que fica localizada no cabo de santo agostinho, onde cerca de 70% do seu processo da fabricação é acionado por motores elétricos de baixa tensão. Palavras-chave: Motores elétricos, Isolamento, Ensaio off-line, Analise. 1. Introdução A utilização de acionamentos elétricos com o motor de indução vem crescendo de forma acentuada na indústria de processo, sobretudo pelo aumento da confiabilidade e da flexibilidade na operação destes equipamentos. A robustez da sua construção e os baixos requisitos de manutenção conferem ao Motor de Indução Trifásico (MIT), atualmente, seu uso nos processos mais críticos de uma planta, substituindo os acionamentos antes realizados por turbinas a vapor (P. Pieters and J. Rikomem,2010). Apesar do seu alto tempo médio entre falhas (MTBF - Mean Time Between Failures), fatores associados ao acoplamento à carga, ambientais, operacionais e da qualidade de energia, podem levar à sua indisponibilidade prematura (P. Pieters and J. Rikomem,2010). Essa, por sua vez, acarreta inúmeros prejuízos que podem variar da parada imediata e não programada de uma unidade operacional, levando ao lucro cessante da ordem de dezenas a centenas de milhões de reais por dia, ou à sua manutenção corretiva como a troca de rolamentos e mancais, núcleo magnético e ré enrolamento, que muitas vezes, levam dias ou meses de intervenção (A.S.Guedes,2011). Visando detectar de forma preditiva as falhas prematuras nos MITs, alguns estudos e técnicas vêm sendo desenvolvidos de modo que a parada para a manutenção destas máquinas seja feita de forma programada, minimizando os impactos como as perdas de produção ou a sua manutenção corretiva. Neste contexto, as falhas elétricas do isolamento, responsáveis por cerca de 30% das falhas em MITs, tornam-se um importante problema a ser investigado do ponto de vista preditivo. Assim, o acompanhamento desse tipo de defeito evitará falhas no isolamento que podem acarretar na indisponibilidade total da máquina (R. K. Mobley, Maintenance Engineering Handbook, 8th Edition, McGraw-Hill, 2014). Na existência de uma grande variedade de Motores de indução trifásico de várias marcas e como em média eles são responsáveis por 70% dos acionamentos de um processo industrial, se faz necessário obter uma sistemática de manutenção preventiva e preditiva afim diminuir a zero a perca de produção como a parada desses equipamentos indevidamente, seja, por quebra ou mau funcionamento, visando assim a importância dos ensaios na detecção de possíveis falhas futuras e acompanhamento do indicie envelhecimento das bobinas mediante ao regime de trabalho das rotativas e suas respectivas alternâncias quando o sistema tem redundância. Com base nos ensaios de resistência de isolamento podemos obter dados e realizar comparativos com os dados fornecidos pelo fabricante fazendo assim um levantamento alimentando um banco de dados para acompanhamento dos índices do motor. Muitas pessoas que lidam com a manutenção têm a opinião que equipamentos elétricos são diferentes das outras máquinas e operarão em quaisquer condições. O oposto é verdadeiro. Equipamentos elétricos podem ser deteriorados mais rapidamente devido às condições operacionais que qualquer outro equipamento. Água, poeira, calor, frio, umidade, atmosfera corrosiva, resíduos químicos, vibrações e inúmeras outras condições podem afetar a confiabilidade operacional e a vida útil de equipamentos elétricos. Estas condições desfavoráveis, combinadas com negligência e descuido na manutenção do equipamento resultam em falha prematura desnecessária e, em muitos casos, na sua completa destruição. Custos de reparos podem ser evitados implantando- se as recomendações de manutenção fornecidas pelo fabricante (PCO, CST. Técnicas de inspeção e procedimentos de testes, 2005). Essas técnicas de ensaios offline em MIT´s baseiam-se em otimizar perdas de ativo, visando determinar valores de resistência ôhmica com aplicação de tensão e corrente estacionarias, eliminando as reatâncias do circuito equivalente do MIT´s e analisando a resistência do circuito equivalente, os valores se alteram com a umidade e com a sujeira alterações da capacitância do isolamento, da resistência total, das perdas superficiais e da temperatura do material constituindo-se em uma boa indicação da deterioração dos equipamentos elétricos provocada por estas 2. Desenvolvimento 2.1 Resistência de Isolamento A Resistência de Isolamento de um enrolamento de máquina rotativo é função do tipo e condição dos materiais isolantes utilizados, bem como as técnicas utilizadas para aplicá-los. Em geral, a resistência de isolamento varia proporcionalmente à espessura do isolamento e inversamente proporcionalmente à área de superfície do condutor. Por definição, a resistência de isolamento é o quociente da tensão corrente continua aplicada através do isolamento dividido pela corrente resultante total num dado momento. A corrente resultante total (IT) é a soma de quatro correntes: Fugas superficiais (IL), Capacitância geométrica (IC), Condutância ou de condução (IG) e Absorção (IA). Um circuito equivalente para as várias correntes em um teste de resistência de isolamento é mostrado na Figura 2.1. Figura 1- Circuito equivalente mostrando as quatros correntes monitorada durante a medição de Resistência de Isolamento. A corrente de capacitância geométrica (IC) normalmente não afeta as medidas porque desaparece pelo tempo em que a primeira leitura é feita em 1 minuto. A corrente de absorção (IA) ou a corrente de polarização decai a uma taxa decrescente. A corrente de absorção tem dois componentes. O primeiro componente é devido à polarização dos materiais impregnantes porque as moléculas orgânicas, tais como epóxi, poliéster e asfalto, tendem a mudar a orientação na presença de um campo elétrico. Uma vez que estas moléculas têm a força contra a atração de outras moléculas, normalmente demora vários minutos após a aplicação do campo elétrico para as moléculas serem reorientadas e, portanto, para que a energia de polarização fornecida pela corrente seja reduzida a quase zero. Um segundo componente da corrente de absorção é devido à orientação gradual de elétrons e íons pela maioria dos materiais orgânicos. Esses elétrons e íons orientam-se até tornarem preso na superfície dos sistemas de isolamento de máquina rotativa. Normalmente, para isolamento da máquina rotativa limpa e seca, a resistência de isolamento está entorno de 30 s e alguns minutos é primariamente determinada pela corrente de absorção. A corrente de condução (IG) em sistemas de isolamento de poliéster e epóxi-mica bem consolidados é essencialmente zero, a menos que o isolamento tenha ficado saturado com umidade. Sistemas de isolamento mais antigos, como a mica-asfálto ou shellac mica-folium podem ter uma corrente de condução natural e maior devido à condutividade das fitas que ancora a mica. A corrente de fuga superficial (IL) é constante ao longo do tempo. Uma corrente de fuga superficial elevada, isto é, resistência de isolamento baixo, normalmente é causada pela umidade ou algum outro tipo de contaminação parcialmente condutora. A figura 2.2 mostra graficamente os comportamentos das correntes no tempo dos ensaios na utilização do Megger. Figura 2- Decomposição da corrente It durante o ensaio para a medição de Ri. 2.1.1 Característica da Medição em tensão e Corrente Contínua Comparando a alteração na resistência de isolamento ou a corrente total com a duração da aplicação da tensão de teste pode ser usual na avaliação da limpeza e se está seco o enrolamento. Se os enrolamentos estiverem contaminados ou úmidos, a corrente total (IT) será aproximadamente constante com o tempo, IL e/ou IG ser muito maior que a corrente de absorção (IA). Se os enrolamentos estiverem limpos e secos, a corrente total (IT) normalmente diminuirá com o tempo como mostrado na figura 2.2 acima, uma vez que a corrente total é dominada pela corrente de absorção (i.e., polarização) IA. Na aplicação do ensaio offline de corrente continua se pegarmos na tenção Vp e substituir por uma tensão continua Vcc, todos os indutores viram um curto circuito em corrente continua, então o circuito simplifica para R1 desse modo tem-se que R1 = I1/ Vcc, conforme mostra a Figura 2.4 Figura 3 - Circuito equivalente em uma fase de um MIT. Figura 4 - Circuito equivalente a uma tensão aplicada Vcc. 2.2 Leituras de Resistência de Isolamento A medição da resistência de isolamento é obtida pelo ensaio de tensão corrente contínua e deve ser limitada a um valor adequado à tensão nominal do enrolamento e à condição básica de isolamento. Isto é particularmente importante no caso de máquinas pequenas, de baixa tensão ou enrolamentos úmidos. Se a tensão de teste for muito alta a tensão de teste pode sobrestressar o isolamento, levando a falha. Os ensaios de resistência de isolamento são geralmente conduzidos a tensões contínuas constantes de 500-10.000 V com polaridade negativa. A polaridade negativa é preferida para acomodar o fenómeno da electroendosmose. Diretrizes para tensões de teste são apresentados na Tabela 2. As leituras de resistência de isolamento são tomadas após a tensão corrente continua de teste ser aplicada durante 1 minuto. Tabela 1 – Guia para aplicação de tensão cc para o teste de medição de isolamento. Tabela 2 – Valores mínimos de RI para 40°C. 2.3 Leituras de Índice de Polarização A resistência de isolamento medida geralmente aumentará rapidamente quando a tensão for aplicada pela primeira vez e, então, quando aproximar-se gradualmente do valor relativamente constante à medida que o tempo passa. As leituras de um enrolamento seco em boas condições podem continuar a aumentar durante horas com uma tensão de teste constante aplicada continuamente. Para tipos mais antigos de isolamento, um valor razoavelmente estável é normalmente atingido em 10-15 minutos. Tipos modernos de fios revestidos com filmes bem como enrolamentos de estator isolados com epóxi-mica ou poliéster-mica, podem aproximar-se de um valor da resistência de isolamento em 4 minutos ou menos. Se o enrolamento estiver úmido ou sujo, um baixo valor ser atingido 1 minutos ou 2 minutos após a aplicação da tensão de teste. O índice de polarização é normalmente definido pela relação entre o valor da resistência de 10 min (RI10) para o valor da resistência 1 min (RI1). (A norma sugere no anexo A para a utilização de outros valores.) O índice de polarização é indicativo da inclinação da curva característica (figura 2.6 IEEE 43:2000) e pode ser utilizado para avaliar a condição de isolamento. Para proporcionar uma maior precisão em torno do ponto de um minuto e permitir que os dados sejam plotados no papel de registro, também é comum tomar leituras em outros intervalos, tais como 15 s, 30 s, 45 s, 1 min, 1,5 min, 2 min, 3 min, 4 min, ..., e 10 min. Figura 5 - Medições de resistência de isolamento típicas para três máquinas diferentes. 2.4 Corrente de Descarga Após a retirada da tensão contínua aplicada, deve ser fornecido um circuito de descarga adequado, veja figura 6. A corrente de descarga se manifesta em dois componentes: Figura 6 - corrente típica para isolamento de Epóxi-mica. a) Um componente de corrente de descarga capacitiva que decai quase instantaneamente dependendo da resistência à descarga. b) A corrente de descarga de absorção, que decai de um valor inicialmente elevado para quase zero com as mesmas características que a corrente de carga inicial, mas com a polaridade oposta. Este decaimento pode levar mais de 30 min dependendo do tipo de isolamento e o tamanho da máquina sob teste. Figura 7 - Medição de RI corrente de carga. Figura 8 – Medição de RI corrente de descarga. 2.5 - Efeito da umidade Independentemente da limpeza da superfície do enrolamento, se a temperatura do enrolamento estiver no ou abaixo do ponto de orvalho do ar ambiente, uma película de umidade pode se formar na superfície de isolamento, o que pode diminuir a resistência de isolamento ou o índice de polarização. O efeito é mais pronunciado se a superfície também estiver contaminada ou se houver rachaduras no isolamento. Observe que os efeitos da contaminação por umidade em um enrolamento saudável não devem impedir a obtenção de leituras aceitáveis. Alguns tipos de sistemas de isolamento de enrolamento mais antigos são higroscópicos (absorvem água facilmente) e a umidade pode ser puxada para o corpo do isolamento a partir da umidade do ar ambiente. Isso é particularmente verdadeiro para os materiais isolantes de mica asfáltica e goma-laca mais antigos, bem como para algumas tiras de isolamento usadas entre condutores de cobre não isolados em grandes rotores de gerador de turbina. A umidade absorvida aumenta a corrente de condução (IG) e reduz significativamente a resistência de isolamento. As máquinas em serviço geralmente estão a uma temperatura acima do ponto de orvalho. Quando os testes devem ser conduzidos em uma máquina que está em serviço, os testes devem ser feitos antes que a temperatura do enrolamento da máquina caia abaixo do ponto de orvalho. As máquinas que estão fora de serviço (sem aquecedores de ambiente) são frequentemente testadas quando a temperatura do enrolamento está abaixo do ponto de condensação e podem ter resistência de isolamento e leituras de índice de polarização significativamente mais baixas do que o esperado devido à contaminação por umidade. Pode ser necessário secar essas máquinas para obter leituras aceitáveis antes de colocá-las novamente em serviço ou realizar testes de alta tensão. Para procedimentos de secagem apropriados, consulte o fabricante do equipamento. O histórico da máquina, inspeções visuais e outros resultados de teste podem ajudar a avaliar o risco potencial de retornar ao serviço uma máquina com baixa resistência de isolamento e / ou leituras de índice de polarização devido à contaminação por umidade. Recomenda-se que uma máquina com baixo P.I. e as leituras de IR1 não serão submetidas a mais testes de alta tensão. 2.6 - Efeito da temperatura O valor da resistência de isolamento para um determinado sistema, em qualquer ponto do tempo, varia inversamente, em uma base exponencial, com a temperatura do enrolamento. Há um contraste entre a dependência da resistividade com a temperatura em metais e materiais não metálicos, especialmente em bons isoladores. Nos metais, onde existem numerosos elétrons livres, a temperatura mais alta introduz uma maior agitação térmica, o que reduz o caminho livre médio do movimento do elétron com a consequente redução da mobilidade do elétron e aumento da resistividade. No entanto, em isoladores, um aumento na temperatura fornece energia térmica, o que libera portadores de carga adicionais e reduz a resistividade. Esta variação de temperatura afeta todos os componentes de corrente identificados em 2.1, exceto para a corrente capacitiva geométrica. O valor da resistência de isolamento de um enrolamento depende da temperatura do enrolamento e do tempo decorrido desde a aplicação da tensão. A massa térmica da máquina que está sendo testada é geralmente tão grande que o diferencial de temperatura do enrolamento entre as leituras de 1 min e 10 min da resistência de isolamento é desprezível, exceto para medições durante uma secagem na corrente nominal. Para evitar os efeitos da temperatura na análise de tendência, testes subsequentes devem ser conduzidos quando o enrolamento estiver próximo da mesma temperatura do teste anterior. No entanto, se o enrolamento a temperatura não pode ser controlado de um tempo de teste para outro, é recomendado que todos os valores de teste de isolamento sejam corrigidos para uma temperatura base comum de 40 ° C usando a Equação (1). Embora o valor corrigido seja uma aproximação, isso permite uma comparação mais significativa dos valores de resistência de isolamento obtidos em diferentes temperaturas. A correção pode ser feita usando a Equação (1): Rc = KTxRT Onde: Rc - é a resistência de isolamento (MΩ) corrigida para 40°C, KT - é o coeficiente de temperatura da RI na temperatura T°C, RT - é medida a resistência de isolamento (MΩ) na temperatura T°C. Para temperaturas de enrolamento abaixo do ponto de orvalho, é difícil prever o efeito da condensação de umidade na superfície, portanto, uma tentativa de corrigir para 40°C para análise de tendência introduziria um erro inaceitável. Nesses casos, é recomendável que o histórico da máquina testada em condições semelhantes seja o fator predominante na determinação da adequação para retorno ao serviço. No entanto, uma vez que a contaminação por umidade normalmente reduz a resistência de isolamento e / ou leituras de índice de polarização, é possível corrigir para 40 ° C para comparação com os critérios de aceitação. As equações (1.1) a (1.2) mostram como calcular a RI corrigida para a temperatura de referência. O valor de KT (T) é determinado conforme o tipo de material que compõe o isolamento, onde a temperatura T é dada em (0C). RI−Corrigida(400C) = RI−MedidaKT (T) ( 1.1 ) Para materiais termoplásticos, como isolamentos a base de mica asfáltica, ou enrolamentos fabricados antes de 1970, o valor de KT (T) pode ser determinado por (IEEE Standard 43, IEEE, 2013). KT (T) = 0, 5(40−T)/10 (1.2) No caso de isolamentos mais novos, fabricados após 1970, constituídos de materiais termofixos como epóxi e poliéster, o valor de KT (T) pode ser determinado de acordo com as equações (1.3) a (1.4). (IEEE Standard 43, IEEE, 2013). KT (T) = e−1245(1T+273− 1313) para, 100C < T < 400C ( 1.3) KT (T) = e−4230(1T+273− 1313) para, 400C < T < 850C (1.4 ) A resistência de isolamento corrigida a 40 °C pode ser feita efetuando medições a várias temperaturas, todas acima do ponto de orvalho, e colocando-as em um gráfico. Quando uma escala logarítmica for utilizada para a resistência de isolamento e uma escala linear para a temperatura, os valores obtidos no ensaio devem cair aproximadamente em uma linha reta que indica o valor a 40°C. Para qualquer temperatura, K t 40 °C pode ser determinado a partir deste gráfico. Um valor aproximado para o fator de correção K t 40°C pode ser obtido, utilizando-se a Figura 9, que é baseada em dobrar a resistência de isolamento para cada 10°C de redução na temperatura (acima do ponto de orvalho), a qual tem sido considerada típica para alguns enrolamentos novos. Quando o índice de polarização for utilizado para determinar o estado da isolação, não é necessário fazer a correção da temperatura para 40 °C. efeito da temperatura sobre o índice de polarização é geralmente pequeno, se a temperatura do motor não mudar apreciavelmente entre as leituras de 1 min e 10 min; mas, quando a temperatura é elevada, as características de temperatura do sistema de isolação podem indicar um índice de polarização reduzido e, neste caso, recomenda-se a medição abaixo de 40 °C para verificar o estado real da isolação. Figura 9 - Variação aproximada da resistência de isolamento com a temperatura para máquinas elétricas girantes. 2.7 – Tipos, Isolamento e conexão de enrolamentos para teste de RI Os enrolamentos de motores de baixa tensão, são respectivamente, construídos por bobinas do tipo random (aleatórias) e form (pré-formadas). As Figuras 2.10 e 2.11 ilustram os dois tipos de bobinas montadas em estatores de MITs de BT as bobinas do tipo form são mais usuais para motores acima de 1KV devido o tipo de descarga parciais que venham acontecer nas curvas dos seus enrolamentos com o rompimento da resistência de Ar no seu interior. As bobinas do tipo random são utilizados em motores de baixa tensão (< 1000V) e potência até 100kW. As bobinas do tipo form são utilizadas em motores de baixa e média tensão (> 1000V) com potência superior a 100kW (G. C. Stone, E. A. Boutler, I. Culbert, H. Dhirani,2004). Figura 10 - Foto de uma bobina random montada no estator de um MIT de BT. Figura 11 - Foto de uma bobina form montada no estator de um MIT de MT. A Figura 10 mostra a montagem em corte de uma bobina random na ranhura do estator de um MIT de BT. Nos enrolamentos construídos por este tipo de bobinado, o isolamento entre espiras é formado por um verniz a base de poliesterimida que suporta altas temperaturas (até 1800C). Na sua montagem no núcleo, é colocado um filme isolante a base de poliéster e aramida entre as bobinas, formando o “isolamento entre bobinas”. Um papel a base de mica com alto poder de absorção da resina epóxi forma o isolamento principal, ou “groundwall”, que envolve um conjunto de bobinas, isolando- as do núcleo. Um filme isolante pode ser colocado na parte superior da bobina para evitar espaços vazios durante a montagem da cunha. Essa, por sua vez, fornece rigidez mecânica à bobina dentro da ranhura para o processo de impregnação (A. L. M. Rodrigues, Estudo Comparativo de Sistemas de Isolação em Motores de MT,2010). 12 Figura 12 – Sistema de isolamento de uma bobina do tipo random. Após a montagem das bobinas no núcleo do estator, é realizada a impregnação por imersão e cura do isolamento em estufa. O objetivo desse processo é possibilitar que o verniz preencha os espaços vazios entre as camadas isolantes, assegurando aderência entre os condutores e o núcleo, evitando que movimentações internas ou vibrações danifiquem o isolamento. A Figura 13 ilustra um conjunto de estatores de MITs de BT sendo imersos em um tanque com resina epóxi. 13 Figura 13 - Processo de impregnação por imersão de MITs de BT construídos por bobinas random. Recomenda-se, quando viável, que cada fase seja isolada e testada separadamente. Testes separados permitem comparações a serem feitas entre as fases. Quando uma fase é testada, as outras duas fases devem ser aterradas ao mesmo aterramento que o núcleo do estator ou corpo do rotor. Ao testar todas as fases simultaneamente, apenas o isolamento para aterramento é testado e nenhum teste é feito do isolamento fase-fase. O isolamento fase-fase é testado apenas quando uma fase está energizada e o outras fases são aterradas. Os cabos de conexão, aparelhamento de escova, cabos, interruptores, capacitores, para-raios, transformadores de tensão e outro equipamento externo pode influenciar muito a leitura da resistência de isolamento. É recomendado que as medições da resistência de isolamento devem ser feitas com todos os equipamentos externos desconectados e aterrados. Em todos os casos, um terreno comum deve ser usado para evitar quaisquer efeitos indesejáveis nos resultados do teste devido à dispersão perdas no circuito de aterramento. 2.8 Desenvolvimento de Técnicas Off-Line para Avaliação do isolamento Descrevendo a circulação de corrente no isolamento quando aplicado uma tensão cc os modelos apresentam a decomposição das componentes de corrente que circulam no material, permitindo identificar e compreender o comportamento dos fatores de estresse que acarretam a falha do isolamento de MITs de BT. Também, são descritos os fatores de estresse que acarretam a degradação do isolamento, bem como as principais causas geradoras para estas falhas. A partir da análise do banco de dados de teste da Petrobras-REDUC (Gerência de Manutenção Elétrica REDUC,2015), são propostos projetos de classificadores baseados em RNAs para a avaliação off-line do isolamento de MITs. O classificador off-line é projetado a partir do agrupamento das curvas de Perfil da Resistência de Isolamento (PRI) utilizando o algoritmo K-means. 2.8.1 Fatores de Estresse e Mecanismos de Degradação do Isolamento A redução da RI, normalmente, está associada a algum fator de estresse que está agindo sobre o isolamento, alterando a estrutura física ou química do material. Esses fatores disparam algum mecanismo de degradação que causam redução gradativa da sua capacidade dielétrica. Stone et al. Relaciona os fatores térmico, elétrico, mecânico e ambiental, cujos os autores denominam como "Team Stress ", como sendo os mais relevantes no processo de degradação do isolamento. (G. C. Stone, E. A. Boutler, I. Culbert, H. Dhirani,2004). O gráfico da Figura 3.1 mostra o estudo realizado por O’Donnell com o levantamento dos fatores de estresse e as suas respectivas causas. A estatística foi realizada com 483 motores em indústrias do setor de óleo e gás dos Estados Unidos, mostrando que o estresse térmico é o fator que mais causa falhas no isolamento do estator de MITs. Os fatores de estresse podem agir de forma constante ao longo do tempo ou atuar de forma transiente. Quando a ação do fator é constante, o tempo de falha será proporcional ao número de horas de operação do motor. Por outro lado, uma ação transiente de um fator de estresse acarreta num tempo de falha proporcional à magnitude e ao número de transientes ao qual a máquina foi submetida (G. C. Stone, E. A. Boutler, I. Culbert, H. Dhirani,2004). 14 Figura 14 – Estatística dos fatores de estresse e causas de falhas no isolamento do estator de grandes MITs (P. O’Donnell,1985). 2.8.2 Estresse térmico O estresse térmico é o fator que desencadeia a maior parcela de falhas em isolamentos. Segundo estudos realizados de (P. O’Donnell,1985). O estresse térmico representa cerca de 43% das falhas no isolamento elétrico do estator de MITs de MT e AT, podendo ser superior a 50% em MITs de BT. A origem de temperaturas elevadas no isolamento, superior à sua classe térmica, está associada a condições operacionais, fatores ambientais, defeitos no sistema de proteção e problemas de qualidade na alimentação do motor. Dentre algumas dessas causas pode-se citar (G. C. Stone, E. A. Boutler, I. Culbert, H. Dhirani,2004): -Sobrecargas mecânicas: elevação da temperatura devido ao aumento da carga no eixo do motor. Associado a esse fato, normalmente, a proteção térmica ou de sobrecargaestá com o ajuste superior ao recomendado; - Defeitos em relés térmicos: perda da calibração permitindo que o motor opere com sobrecarga; - deficiência ou perda do sistema de refrigeração do motor: quebra de ventoinhas, obstrução dos trocadores de calor, baixa vazão dos fluidos de resfriamento (água, ar), etc; - Ciclos de partidas excessivas: o motor opera em regime de trabalho diferente da sua especificação, sendo demandadas várias partidas em curtos intervalos de tempo, acarretando em ciclos de aquecimento e resfriamento que ocasionam a delaminação acelerada do isolamento; - Desequilíbrio de tensões: aumentam a magnitude das correntes de sequência negativa no estator, contribuindo para a elevação de temperatura e torque pulsante na carga; 15 - Distorção harmônica na tensão de alimentação: harmônicas de sequência negativa na tensão de alimentação também ocasionam a circulação de correntes de sequência negativa no enrolamento do estator. As causas relacionadas acima acarretam a elevação da temperatura do isolamento acima da temperatura especificada pela sua classe térmica. De acordo com o limite de trabalho dos materiais empregados no isolamento, a norma IEC 60034-1 (IEC 60034-1,2017) relaciona as classes observadas na Tabela 3: Tabela 4 – Classe térmica do isolamento. Quando o isolamento é submetido a temperaturas acima da sua classe térmica, ocorre uma reação de oxidação no material dielétrico, ocasionando degradações como o ressecamento, a formação de fissuras (rachaduras) e a delaminação do isolamento. A delaminação é o processo de separação do material em camadas devido à perda da força de coesão da resina de impregnação. O tempo de vida do isolamento em função do estresse térmico pode ser aproximado pela Lei de Arrhenius (K. Tshiloz, A. C. Smith, S. Djurovic,2016). ditado na equação 1.5. (1.5) Onde: - L: tempo de vida restante do isolamento (horas); - Ln: tempo de vida nominal do isolamento (horas); - Tn: temperatura de nominal do isolamento de acordo com sua classe (0C); - ∆T: elevação da temperatura do isolamento (K); 16 - K: constante que depende do material isolante. Para o isolamento a base epóximica k ≈ 2011, 1 0C −1 Segundo a equação (1.5), para cada incremento de ∆T = 10°C na temperatura nominal do isolamento, a vida útil do isolamento é reduzida pela metade. Nota-se, então, a criticidade para se identificar algum processo de degradação do isolamento ocasionado pelo estresse térmico. O isolamento submetido a algum mecanismo de degradação térmica apresenta alterações em suas propriedades físico-químicas (densidade, dureza, tensão superficial, energia de polarização, etc) e elétricas. Ocorre o aumento da condutividade (σ) do isolamento com a redução da capacitância (CI). Nesse último caso, a delaminação e o ressecamento aumenta a quantidade de espaços vazios no isolamento que serão preenchidos com ar, que possui permissividade menor que a do material dielétrico (G. C. Stone, E. A. Boutler, I. Culbert, H. Dhirani,2004). 2.8.3 Fatores Ambientais Os fatores ambientais estão relacionados à absorção de umidade, ou à contaminação do material dielétrico por óleo/graxa e sujeira com presença de partículas condutoras ou agentes químicos. Em conjunto, os fatores ambientais correspondem a falhas do isolamento do estator de MITs de BT com este percentual podendo chegar a quase 40% (O. V. Thorsen, M. Dalva,1999). 2.8.3.1 Absorção de umidade Para MITs de BT a absorção de umidade representa um percentual que ultrapassa os 30%. A característica higroscópica do material dielétrico faz com que a umidade seja absorvida, ocorrendo o preenchimento dos espaços vazios entre as moléculas do material dielétrico pelas moléculas de água. Isto ocorre porque a pressão de vapor da água no isolante, normalmente, é menor que a sua pressão de vapor no ar (G. C. Stone, E. A. Boutler,2004). Os sais dissolvidos na água são absorvidos pelo isolamento aumentando a sua condutividade. Também, ocorre aumento da capacitância, pois a permissividade da água é maior que a do dielétrico. O mecanismo de degradação do isolamento pela absorção de umidade ocorre pela redução acentuada da resistência do isolamento, ocasionando elevadas correntes de fuga com maiores perdas dielétricas. Esse processo, muitas vezes, acarreta a elevação de temperatura localizada num ponto do isolamento, culminando em sua falha (O. D. Perez, M. P. Alonso,2005). Normalmente, a absorção de umidade está associada a problemas de vedação nas caixas de ligação do motor, ou de furos em tubos internos do sistema de refrigeração, no caso de o motor possuir sistema de resfriamento por água (A. S. Guedes, S. M. Silva, B. J. C. Filho,2016). A água presente no interior do motor é absorvida pelo isolamento ocasionando rápida redução da RI e aumento da CI. O acréscimo relativo de 1% na umidade do isolamento, acarreta um aumento de quase 100 vezes da sua condutividade, e de até 50 vezes da sua capacitância (M. A. R. M. Fernando,2013). 17 Motores mantidos desenergizados por longos períodos podem apresentar redução da resistência do isolamento pela absorção de umidade ambiente. Isso ocorre, principalmente, pelo fato de a resistência de aquecimento do motor estar desenergizada, ou da sua ausência no MIT. Motores operando continuamente com temperaturas inferiores a 800C também podem ter o seu isolamento afetado pela absorção de umidade (O. D. Perez, M. P. Alonso,2005). 3. Conclusão Neste trabalho foi apresentado técnicas e estudos para a avaliação do isolamento de MITs de BT. Com testes realizados na Arlanxeo Elastomeros, bem como, referências relevantes sobre o tema mostram que o maior percentual de falhas elétricas em MITs é a baixa resistência do isolamento do estator para a carcaça. As bibliografias sobre o tema mostram que as ferramentas preditivas off-line para a avaliação do estado do isolamento estão concentradas na MCC e que os ensaios para de diagnósticos em MITs de BT são, em sua preditiva, aplicadas somente na parada do equipamento (off-line), onde os critérios para a determinação dos fatores de estresse que levam à degradação do isolamento não são identificados. Como os resultados obtidos os ensaios off-line de resistência de isolamento não podem ser considerados um critério exato de avaliação das condições do isolamento do MIT. Os valores medidos podem ser usados como uma orientação sobre o seu estado, baseando-se na avaliação do histórico do equipamento, assim, esta pesquisa deixa brecha para elencar propostas de continuidade para trabalhos futuros. Com a fundamentação teórica que fornece a base de sustentação desta pesquisa. Os tipos de bobinas e isolamentos empregados em motores de baixa tensão com as diferenças de construção e processo de fabricação dos enrolamentos do tipo random e form para MITs de BT. Em ambos, os materiais empregados no isolamento para terra, atualmente, são os mesmos. A dedução das equações para os cálculos do IP e do IA para análise do isolamento permitem associar a variação destas grandezas, obtidas a partir do ensaio off-line do motor (com aplicação de Vcc), com um determinado fator de estresse agindo sobre o isolamento. Referências P. PIETERS AND J. 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