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unidade X
A ética
Muitas vezes tomamos conhecimento de
movimentos contra a desigualdade social.
Ficamos sabendo que, em outros países e no Brasil,
milhões de pessoas estão desempregadas e foram
prejudicadas pelas crises econômicas e pela
concentração da riqueza nas mãos de poucos.
Sentimo-nos enganados e, por isso, ficamos indignados.
John Quigley/Spectral Q
Outras vezes, movidos pela solidariedade, engajamo-nos
em campanhas contra a desigualdade social, a pobreza
e a corrupção. Esses sentimentos e as ações
desencadeadas por eles exprimem a maneira como
avaliamos nossa situação e a de nossos semelhantes.
Mas como distinguimos o certo e o errado, o justo
e o injusto? De onde se originam nossas ideias
de bem e de mal, de vício e de virtude?
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26
capítulo
A existência
ética
Integrantes do movimento social
Occupy se manifestam em praça
em Washington, capital dos
Estados Unidos, em formação que
representa o lema do movimento
(“Nós somos 99%”), em 2011.
O grupo protesta contra
os grandes conglomerados
financeiros, os governos
e os bancos envolvidos com
a crise financeira mundial,
iniciada em 2008.
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Felipe Milanez/Reuters/Latinstock
capítulo 26
A existência ética
O casal de extrativistas e ambientalistas José Cláudio Ribeiro
da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinado em
maio de 2011, em Nova Ipixuna, no Pará. As investigações
da Polícia Federal apontam que o crime foi cometido
a mando de fazendeiros. Foto de 2010.
Senso moral
Em muitas ocasiões, ficamos contentes e emocionados diante de uma pessoa cujas palavras e ações manifestam honestidade, honradez, espírito de justiça,
altruísmo. Sentimos que há grandeza e dignidade nessa
pessoa. Sentimos admiração por ela e desejamos imitá-la. Tais emoções e sentimentos exprimem nosso senso moral, isto é, a maneira como avaliamos a conduta e a ação de outras pessoas segundo ideias como as
de mérito e grandeza de alma.
Não raras vezes somos tomados pelo horror diante
da violência: chacina de seres humanos e animais, linchamentos, assassinatos brutais, estupros, genocídio e
torturas. Com frequência ficamos indignados ao saber
que um inocente foi injustamente acusado e condenado, enquanto o verdadeiro culpado permanece impune. Esses sentimentos também manifestam nosso
senso moral, ou a maneira como avaliamos as condutas alheias segundo as ideias de justiça e injustiça.
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Outras vezes convivemos com situações de extrema
aflição e angústia. Por exemplo, uma pessoa querida,
com uma doença terminal, está viva apenas porque seu
corpo está ligado a máquinas. Inconsciente, geme no
sofrimento. Não seria melhor que descansasse em paz?
Podemos desligar os aparelhos? Ou não temos o direito
de fazê-lo? Que fazer? Qual a ação correta?
Uma jovem descobre que está grávida. Sente que
seu corpo e seu espírito ainda não estão preparados
para a gravidez. Sabe que seu parceiro, mesmo que deseje apoiá-la, é tão jovem e despreparado quanto ela
para enfrentar a gestação, o parto e a criação do filho.
Ambos não sabem se poderão contar com o auxílio de
suas famílias (se as tiverem). Se ela for apenas estudante,
terá de deixar a escola para trabalhar, a fim de arcar
com as despesas da criança. Sua vida e seu futuro mudarão para sempre. Se trabalha, receia perder o emprego, porque vive numa sociedade na qual muitas empresas e instituições comerciais discriminam as mulheres
grávidas, sobretudo as solteiras. Ao mesmo tempo, porém, deseja a criança, embora tema dar-lhe uma vida de
miséria. Pode fazer um aborto? Deve fazê-lo?
Um pai de família desempregado, com vários filhos
pequenos e a esposa doente, recebe uma oferta de emprego que exige que seja desonesto e cometa irregularidades que beneficiem seu patrão. Sabe que o trabalho
lhe permitirá sustentar os filhos e pagar o tratamento
da esposa. Pode aceitar o emprego? Ou deve recusá-lo
e ver os filhos com fome e a mulher morrendo?
Uma pessoa vê, nas portas de uma escola, um jovem
vendendo droga a um outro. Essa pessoa sabe que as
ações tanto do jovem traficante como do jovem consumidor são decorrentes da atividade do crime organizado, contra o qual as forças policiais parecem impotentes. Ela deve denunciar o jovem traficante, mesmo
sabendo que com isso não atingirá as poderosas forças
que sustentam o tráfico e que poderão voltar-se contra
quem fez a denúncia? Ou deve falar com as autoridades
escolares para que tomem alguma providência com relação ao jovem consumidor? De que adiantará voltar-se
contra o consumo, se nada pode fazer contra a venda
propriamente dita? No entanto, como poderá sentir-se
em paz sabendo que há um jovem que talvez possa ser
salvo de um vício que irá destruí-lo? Que fazer?
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