Habilidades Profissionais VI
Iniciando as revisões
“Paciente do sexo masculino, em acompanhamento ambulatorial regular no HC-UFMG
desde agosto de 1983. Há cerca de seis anos tinha iniciado com quadro de poliartralgia,
calor e edema em joelhos, tornozelos e pequenas articulações dos pés, além de
esternalgia, intercostalgia, dor em cristas ilíacas e na coluna lombar. A dor era
acompanhada de rigidez matinal de 30 minutos. Apresentava, ainda, calcaneodinia e
retificação da lordose lombar; índice de Schöber de 3,5 cm e expansibilidade torácica de
5 cm. A radiografia de sacrilíacas mostrava sacroiliíte grau III bilateral13 e tinha o HLAB27 positivo. Foi feito o diagnóstico de EA e iniciado AINE e prednisona com melhora
apenas parcial. Evoluiu com hematúria microscópica intermitente sugestiva de origem
renal (cilindros hemáticos) e proteinúria. Submetido à biópsia renal em 1986:
“nefropatia por IgA”. Permaneceu com hematúria intermitente, provas inflamatórias
elevadas e doença articular ativa. Passou a ter elevação dos níveis pressóricos, aumento
gradativo da creatinina sérica com diminuição da sua depuração na urina e proteinúria
que chegou a 3 g/24 horas. Evoluiu com IRC não dialítica. Foi suspenso o AINE e prescrito
infliximabe.”
Adaptado de Nefropatia por IgA nas Espondiloartrites. Rev Bras Reumatol
2011;51(1):104-8
Rever:
1. Anamnese e exame físico de paciente com dor musculo esquelética
2. Exame físico de quadril e coluna lombar
COLUNA LOMBAR
INSPEÇÃO: (estática e dinâmica) se lesões na pele e fâneros, ossos simétricos, se deformidades,
se há escoliose (alinhamento da coluna onde a coluna sacral deve se encontrar alinhada com
C7), se lordose lombar exagerada, alinhamento e simetria OBS: L4 crista ilíaca , OBS: espinha
bífida oculta se tufo de pelos, OBS: ângulo de Talhe existente entre o tórax, cintura e braço onde
se assimetria indica escoliose.
PALPAÇÃO de estruturas ósseas: se há pontos dolorosos em processos espinhosos, crista ilíaca
(ponto anatômico), palpação do cóccix, tuberosidade isquiática
De tecidos moles: músculos para-espinhais verificando sensibilidade, espasmos, assimetria,
consistência. OBS: a região inguinal deve ser examinada à procura de possível abcesso de psoas.
Dor em região inguinal geralmente indica patologia do quadril
ARCOS DE MOVIMENTOS: Paciente em pé deve realizar os movimentos de flexão (0 – 60 graus),
extensão (0 – 20 graus), rotação esquerda e direita (15), lateralidade ou inclinação esquerda e
direita (0 – 20 graus)
EXAME NEUROLÓGICO:
- Força motora (classificação de NY): 0 ausente, 1 contração, 2 movimento no plano, 3 vence a
gravidade (não vence resistência), 4 vence alguma força e 5 normal
- alteração sensitiva:
o dermátomo de L4 cobre a face medial da perna
L5 é responsável pela face lateral do fêmur e o dorso do pé.
Dermátomo de S1 cobre o maléolo lateral e a face lateral da superfície plantar do pé
- reflexos: L3 reflexo dos adutores, músculo adutores do quadril e local região dos adutores
L4 reflexo patelar, músculo quadríceps femoral e local tendão patelar
S1 reflexo aquileu, músculo tríceps sural e local tendão de aquiles
OBS: L5 não tem reflexo
- Tônus esfincteriano (choque medular – ausência de tônus)
Testes especiais
- Teste da elevação da perna retificada (Lasègue) onde destina-se a reproduzir a dor nas costas
e das pernas, paciente deve estar em decúbito dorsal, eleve a perna segurando o pé em torno
do tornozelo, o joelho deve estar retificado, com a mão livre na face anterior do joelho impedirá
de mover-se. Se a elevação é dolorosa significa patologia do nervo ciático ou contratura dos
músculos tendinosos da coxa (onde terá dor apenas na face posterior da coxa) (ciática se
estende por toda a perna). OBS: reprodução da dor neuropática entre 35 e 70 graus devido as
raízes do nervo ciático L3-L4-L5-S1. OBS: se dor < 35 graus e ou > 70 graus indica patologia de
quadril
https://www.youtube.com/watch?v=rzndCc1HiUk&t=19s
https://www.youtube.com/watch?v=VbqLjsKaHbI
https://www.youtube.com/watch?v=D_yyQ1_nAM0
- Teste Lasègue sentado – raiz sentado (flip sign) paciente sentado no sentido de evitar
simulação
- Teste de Trendelenburg onde fundamenta-se na musculatura abdutora do quadril que
mantém a pelve nivelada, quando o paciente tira a perna esquerda do solo a musculatura
abdutora direita é testada (testo o lado que não tirei o pé do solo) e vice versa.
https://www.youtube.com/watch?v=_Q_EWQhRtec
- Teste de simulação – Hoover onde com o paciente em decúbito dorsal e o examinador segura
os calcanhares como apoio, solicitar então que o paciente eleve o membro inferior (direito ou
esquerdo) no sentido de verificar se o paciente faz força ou não, contralateral. Se não houver
força alguma o paciente está simulando.
https://www.youtube.com/watch?v=BEtLcfikzPI
- Teste de Schober
https://www.youtube.com/watch?v=OJ7IX57-AMI
QUADRIL
OBS: dor intra-articular: sinal do C
Paciente em decúbito ou em pé deve realizar movimentos – Grau de Mobilidade:
- abdução (0 a 50 graus – afasta da linha média),
- adução (0 a 30 graus – aproxima, levanta a coxa e passa por baixo ou vice-versa),
- extensão (0 a 30 graus),
- flexão (0 a 120 graus – aproxima joelho do tronco),
- rotação interna (0 a 40 graus – pé roda para dentro),
- rotação externa (0 a 50 graus – pé roda para fora)
- Teste de Patrick ou de Fabere com o paciente em Decúbito Dorsal Horizontal (DDH) com
quadril abduzido e rodado externo com pressão sendo exercida em direção ao solo, se dor no
quadril abduzido e rodado externo indica acometimento articular (mão do examinador no joelho
do paciente o que força o quadril), se dor no quadril contralateral e geralmente posterior é
sugestiva de sacroileíte (a outra mão do examinador está forçando a sacroilíaca). Diferencia
patologia intra articular de sacroileíte. OBS: depois fazer lado contralateral
- Teste de Gaenslen para dor associada apenas a sacroileíte (dor posterior) com paciente em
DDH, há extensão do quadril com o membro sustentado pelo tornozelo, com o quadril
contralateral mantido em flexão pelo próprio paciente
https://www.youtube.com/watch?v=WvmKQvBF8vI