O ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS PARA A APRENDIZAGEM NA INFÂNCIA RESUMO O ensino da língua inglesa na Educação Infantil tem ampliado sua presença em diferentes contextos educacionais, despertando discussões acerca das contribuições e dos desafios relacionados à aprendizagem de uma língua adicional durante a infância. O presente estudo tem como objetivo analisar as contribuições do ensino da língua inglesa na Educação Infantil, considerando as características do desenvolvimento infantil e as práticas pedagógicas utilizadas nesse processo. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo, fundamentada em livros, artigos científicos e documentos educacionais oficiais relacionados ao ensino de línguas para crianças. A análise da literatura evidencia que o contato com a língua inglesa na infância pode favorecer a ampliação do repertório linguístico e cultural, especialmente quando as experiências de aprendizagem são organizadas de forma contextualizada, interativa e adequada às especificidades das crianças. Entre as estratégias pedagógicas destacam-se músicas, histórias, jogos, brincadeiras, recursos visuais e atividades voltadas à oralidade e à interação. Os estudos também apontam desafios relacionados à formação docente, ao planejamento pedagógico e à necessidade de superar práticas centradas apenas na memorização de palavras isoladas. Conclui-se que a língua inglesa pode integrar experiências educativas significativas na infância quando sua abordagem respeita a ludicidade, as interações, as brincadeiras e as formas próprias de participação e expressão das crianças. Palavras-chave: Língua inglesa. Educação Infantil. Ensino-aprendizagem. Ludicidade. Práticas pedagógicas. ABSTRACT The teaching of English in Early Childhood Education has expanded in different educational contexts, raising discussions about the contributions and challenges related 1 to learning an additional language during childhood. This study aims to analyze the contributions of English language teaching in Early Childhood Education, considering the characteristics of child development and the pedagogical practices used in this process. This is a bibliographic study with a qualitative and exploratory-descriptive approach, based on books, scientific articles, and official educational documents related to language teaching for children. The literature indicates that contact with English during childhood can broaden children's linguistic and cultural repertoire, especially when learning experiences are contextualized, interactive, and appropriate to children's specific characteristics. Songs, stories, games, play activities, visual resources, and practices focused on oral interaction stand out among the pedagogical strategies. The studies also identify challenges related to teacher education, pedagogical planning, and the need to overcome practices centered only on memorizing isolated words. It is concluded that English can be part of meaningful educational experiences in childhood when its teaching respects playfulness, interactions, play, and children's own forms of participation and expression. Keywords: English language. Early Childhood Education. Teaching and learning. Playfulness. Pedagogical practices. 1 INTRODUÇÃO A Educação Infantil constitui a primeira etapa da Educação Básica e representa um período marcado por intensas experiências de interação, comunicação, brincadeira e construção de conhecimentos. Nessa fase, a criança amplia progressivamente suas formas de compreender o mundo e de expressar pensamentos, sentimentos e necessidades. A linguagem ocupa posição central nesse processo, pois se desenvolve nas relações sociais e nas experiências culturais vivenciadas pela criança em diferentes contextos. A crescente circulação da língua inglesa em meios digitais, produções audiovisuais, músicas, jogos e outras manifestações culturais tem ampliado o contato das crianças com esse idioma. Paralelamente, observa-se a expansão da oferta de inglês para crianças pequenas em diferentes realidades educacionais. Bortolotti e 2 Krause-Lemke (2022) demonstram que o ensino de inglês para crianças de até seis anos apresenta configurações diversas na América do Sul e no Brasil, revelando um campo em crescimento e ainda marcado por questões curriculares, políticas e formativas. No contexto da Educação Infantil, o ensino de uma língua adicional não deve reproduzir automaticamente modelos utilizados com adolescentes ou adultos. Cameron (2001) destaca que crianças aprendem de modo particular e necessitam de experiências concretas, significativas e articuladas à ação. Pinter (2017) também ressalta que o trabalho com jovens aprendizes exige atenção ao desenvolvimento infantil, ao tempo de concentração, à motivação e às formas de interação próprias dessa faixa etária. A Base Nacional Comum Curricular organiza a Educação Infantil a partir dos direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se, estruturando as experiências em cinco campos. O documento não estabelece a Língua Inglesa como componente curricular obrigatório específico nessa etapa; sua obrigatoriedade na BNCC aparece no Ensino Fundamental, a partir dos anos finais. Assim, quando ofertado na Educação Infantil, o inglês precisa dialogar com a concepção pedagógica própria da etapa, sem antecipar práticas escolarizantes centradas em exercícios gramaticais ou repetição mecânica (BRASIL, 2018). Nesse sentido, músicas, histórias, jogos, dramatizações, brincadeiras e recursos visuais podem criar situações de uso contextualizado da língua. A ludicidade, quando integrada a objetivos pedagógicos claros, favorece a participação infantil e a construção de significados. Kishimoto (2011) evidencia a importância do jogo e da brincadeira na educação da criança, enquanto Lima (2022), ao discutir a língua inglesa na Educação Infantil, aponta o potencial das práticas lúdicas para aproximar o idioma das experiências infantis. Entretanto, a inserção do inglês nessa etapa também apresenta desafios. A formação do professor, a seleção de materiais, a definição de objetivos adequados e a articulação entre conhecimentos linguísticos e conhecimentos sobre infância constituem 3 aspectos fundamentais. Aquino e Tonelli (2017) discutem as relações entre professores, alunos e materiais no ensino de inglês para crianças e destacam exigências específicas desse campo. Brossi e Tonelli (2021) reforçam a complexidade do agir docente de professoras de língua inglesa para crianças. Diante desse contexto, a pesquisa apresenta o seguinte problema: de que forma o ensino da língua inglesa pode contribuir para a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças na Educação Infantil e quais desafios estão associados à sua inserção nas práticas pedagógicas? O objetivo geral consiste em analisar as contribuições e os desafios do ensino da língua inglesa na Educação Infantil. Como objetivos específicos, busca-se compreender as particularidades da aprendizagem de uma língua adicional na infância; identificar práticas pedagógicas adequadas ao ensino de inglês para crianças pequenas; discutir as contribuições da ludicidade, da oralidade e da interação; e analisar desafios relacionados à formação docente, ao planejamento e à organização pedagógica. A realização deste estudo justifica-se pela ampliação do interesse pelo ensino de inglês para crianças e pela necessidade de discutir práticas coerentes com os princípios da Educação Infantil. A relevância do tema está na possibilidade de contribuir para uma compreensão pedagógica do ensino de línguas que respeite a criança como sujeito de direitos e participante ativa do processo educativo. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo. Foram analisados livros, artigos científicos, trabalhos acadêmicos e documentos oficiais relacionados à Educação Infantil, à aprendizagem de línguas por crianças, à ludicidade e à formação de professores. 2 O ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL 2.1 Infância, linguagem e aprendizagem A infância constitui uma etapa singular do desenvolvimento humano, na qual a aprendizagem ocorre por meio da participação da criança em experiências sociais, culturais e comunicativas. A linguagem não se limita à transmissão de informações, 4 mas participa da construção de sentidos e das relações estabelecidas com outras pessoas. Por essa razão, o trabalho pedagógico com crianças pequenas precisa considerar a interação como elemento estruturante da aprendizagem. Na Educação Infantil, a criança aprende enquanto brinca, observa, experimenta, imita, pergunta e interage. A BNCC reconhece as interações e as brincadeiras como eixos estruturantes das práticas pedagógicas da etapa (BRASIL, 2018). Essa concepção é especialmente relevante para o ensino de línguas, pois indica que o contato com o inglês deve ocorrer em situações significativas, e não apenas por meio da apresentação descontextualizada de listas de vocabulário. Cameron (2001) afirma que a aprendizagem de línguas por crianças envolve construção ativa de significados. O professor precisa transformar o conteúdo linguístico em experiências compreensíveis, recorrendo ao contexto, aos gestos, às imagens, aos objetos e às rotinas. A compreensão pode anteceder a produção oral mais elaborada, sendo necessário respeitar o tempo de participação de cada criança. A linguagem dirigida às crianças também precisa ser planejada. Repetições contextualizadas, comandos simples, expressões recorrentes e apoio visual podem favorecer a compreensão. Isso não significa empobrecer a língua, mas criar condições para que a criança estabeleça relações entre palavras, ações e situações concretas. Outro aspecto importante é o caráter afetivo da aprendizagem. Crianças que percebem o ambiente como seguro tendem a participar com maior espontaneidade. O erro, nesse contexto, deve ser compreendido como parte do processo de aprendizagem, evitando correções excessivas que possam produzir medo de falar ou reduzir a participação. Assim, compreender a relação entre infância, linguagem e aprendizagem é condição necessária para planejar o ensino de inglês na Educação Infantil. A proposta pedagógica deve reconhecer as especificidades infantis e valorizar experiências nas quais a língua seja utilizada para brincar, interagir, imaginar e construir sentidos. 5 2.2 A aprendizagem de uma língua adicional na infância O contato com uma língua adicional durante a infância pode ampliar as experiências linguísticas e culturais das crianças. Entretanto, a aprendizagem precoce não deve ser tratada como garantia automática de fluência futura. Pinter (2017) observa que fatores como qualidade da exposição, continuidade, interação e adequação metodológica influenciam diretamente o processo de aprendizagem. Cameron (2001) destaca que crianças podem demonstrar sensibilidade aos sons, ritmos e padrões da nova língua, mas necessitam de oportunidades frequentes para relacionar a linguagem a ações e significados. Dessa forma, a simples exposição ocasional a palavras em inglês apresenta alcance pedagógico limitado quando não existe continuidade ou contextualização. O ensino para crianças pequenas tende a privilegiar inicialmente a compreensão oral e a participação em interações simples. Canções com movimentos, histórias repetitivas e rotinas comunicativas possibilitam que a criança reconheça expressões antes de utilizá-las de modo autônomo. A produção linguística pode surgir gradualmente, sem pressão por respostas imediatas. Bortolotti e Krause-Lemke (2022) mostram que o ensino de inglês para crianças de até seis anos ocorre em realidades bastante diversas. Essa heterogeneidade reforça a necessidade de compreender o contexto institucional e curricular em que a língua é ofertada, evitando generalizações sobre métodos ou resultados. A aprendizagem também pode contribuir para o contato com diferentes referências culturais. O professor, contudo, precisa evitar a apresentação da língua inglesa como pertencente a uma única cultura ou como linguisticamente superior. O trabalho pedagógico pode explorar diversidade, diferentes modos de viver e variadas formas de expressão. Portanto, a aprendizagem de inglês na infância deve ser compreendida como processo gradual e situado. Mais do que antecipar conteúdos formais, o objetivo deve 6 ser proporcionar experiências positivas de contato com a língua, ampliando o repertório comunicativo e cultural das crianças. 2.3 O inglês no contexto da Educação Infantil brasileira No Brasil, a oferta de língua inglesa na Educação Infantil apresenta diferenças entre redes e instituições. Bortolotti e Krause-Lemke (2022) apontam que o ensino para crianças de até seis anos constitui um cenário heterogêneo e atravessado por questões de políticas educacionais. Essa diversidade exige cautela na elaboração de propostas pedagógicas. A BNCC define direitos de aprendizagem e campos de experiências para a Educação Infantil, mas não apresenta a Língua Inglesa como componente curricular obrigatório específico nessa etapa (BRASIL, 2018). Isso significa que sua oferta, quando existente, precisa ser articulada ao currículo da instituição e às concepções de criança e aprendizagem que orientam a Educação Infantil. Uma questão central é evitar a antecipação inadequada das práticas do Ensino Fundamental. Fichas extensas, cópias repetitivas e explicações gramaticais abstratas tendem a desconsiderar as formas próprias de participação das crianças pequenas. O inglês pode ser inserido em experiências com corpo, música, narrativa, imagens, objetos e brincadeiras. Outro ponto envolve as desigualdades de oferta. A presença do inglês desde os primeiros anos é frequentemente associada a instituições privadas ou a iniciativas específicas de redes públicas. A ausência de uma política nacional uniforme para essa etapa contribui para diferentes condições de acesso, carga horária, formação docente e continuidade do ensino. A discussão sobre o inglês na Educação Infantil também precisa considerar a formação profissional. O professor necessita de conhecimento da língua e de fundamentos pedagógicos relacionados à infância. Aquino e Tonelli (2017) evidenciam que o ensino de língua inglesa para crianças envolve demandas específicas quanto aos materiais e aos saberes docentes. 7 Dessa forma, a inserção do inglês na Educação Infantil brasileira deve ser analisada para além da expansão quantitativa da oferta. É necessário discutir a qualidade das experiências propostas, a formação dos professores e a coerência entre o ensino da língua e os princípios pedagógicos próprios da etapa. 3 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DE INGLÊS NA INFÂNCIA 3.1 Ludicidade e aprendizagem da língua inglesa A ludicidade ocupa posição relevante nas práticas pedagógicas da Educação Infantil. Brincar permite à criança experimentar papéis, estabelecer relações, elaborar situações e produzir sentidos. Kishimoto (2011) destaca o valor educativo dos jogos e das brincadeiras, desde que sua presença no contexto escolar não elimine as características de participação e envolvimento próprias da atividade lúdica. No ensino de inglês, o lúdico pode aproximar a língua de situações compreensíveis. Lima (2022) discute a ludicidade como aliada do ensino da língua inglesa na Educação Infantil e demonstra a pertinência de práticas que envolvem participação ativa das crianças. Estudos recentes também têm associado atividades lúdicas ao engajamento no processo de ensino-aprendizagem de inglês. Jogos de movimento, brincadeiras de imitação, atividades de identificação e desafios simples podem favorecer a repetição de expressões sem transformar a aula em exercício mecânico. A criança ouve e utiliza palavras porque precisa delas para participar da situação proposta. É importante, contudo, compreender que nem toda atividade divertida produz aprendizagem linguística. O professor precisa definir objetivos e selecionar a linguagem que será mobilizada. Um jogo pode ter como foco compreender comandos, reconhecer cores, nomear objetos ou participar de uma interação oral breve. A repetição é necessária na aprendizagem de línguas, mas pode ocorrer por meio de variações lúdicas. Uma mesma expressão pode aparecer em uma canção, em uma história e posteriormente em uma brincadeira. Essa recorrência favorece a familiarização sem limitar o trabalho à memorização isolada. 8 Assim, a ludicidade deve ser integrada ao planejamento pedagógico. Quando articulada à interação e a objetivos linguísticos adequados, contribui para criar experiências positivas e significativas de contato com a língua inglesa. 3.2 Música, histórias, jogos e brincadeiras As músicas constituem recursos frequentes no ensino de inglês para crianças porque articulam ritmo, repetição e oralidade. Canções acompanhadas de gestos favorecem a associação entre expressões e ações, além de possibilitarem a participação de crianças que ainda não produzem oralmente todas as palavras. As histórias também oferecem contexto para a linguagem. Cameron (2001) destaca a importância de atividades significativas e da organização do ensino em torno de usos compreensíveis da língua. Narrativas com imagens, repetições e sequências previsíveis permitem antecipar acontecimentos e reconhecer expressões recorrentes. Os jogos podem ser utilizados para desenvolver compreensão oral, atenção e interação. Atividades como encontrar objetos, responder a comandos ou associar imagens a expressões tornam a língua necessária para a realização de uma ação. O professor deve ajustar as regras à idade e evitar competição excessiva. As brincadeiras simbólicas oferecem outras possibilidades. Situações de faz de conta envolvendo mercado, animais, família ou alimentação podem introduzir expressões simples em inglês. Nesse tipo de atividade, a língua é integrada à ação e à imaginação infantil. Os recursos visuais e objetos concretos também exercem função importante. Aquino e Tonelli (2017) chamam atenção para a relação entre professores, alunos e materiais no ensino de inglês para crianças. Imagens e objetos podem apoiar a compreensão, mas precisam estar integrados a uma atividade comunicativa. A diversidade de recursos permite que o professor retome conteúdos por diferentes caminhos. Música, história, jogo e brincadeira não devem aparecer como atividades desconectadas, mas podem formar uma sequência pedagógica em torno de um tema ou experiência comum. 9 3.3 Interação, oralidade e uso contextualizado da língua A oralidade assume relevância no contato inicial com a língua inglesa na Educação Infantil. Isso não significa exigir produção oral constante, mas criar oportunidades para ouvir, compreender e participar de interações. Expressões utilizadas nas rotinas podem tornar-se familiares quando aparecem de forma recorrente. Cumprimentos, perguntas simples, comandos e expressões relacionadas às atividades do dia podem integrar o cotidiano. A linguagem ganha sentido quando a criança compreende sua função na situação. Dessa maneira, o inglês deixa de ser apenas conteúdo nomeado pelo professor e passa a participar das experiências da turma. Cameron (2001) enfatiza que a construção de significado é central na aprendizagem infantil. Por isso, gestos, entonação, imagens e contexto podem apoiar a compreensão. O professor não precisa traduzir imediatamente todas as palavras quando a situação fornece pistas suficientes. A interação entre as próprias crianças também pode ser estimulada. Pequenas atividades em duplas ou grupos favorecem participação, cooperação e repetição contextualizada. O professor atua como mediador, oferecendo modelos linguísticos e apoiando a comunicação. O respeito ao silêncio e ao tempo de cada criança é igualmente necessário. Algumas crianças podem compreender expressões antes de se sentirem seguras para utilizá-las. A pressão por repetição individual ou exposição pública pode produzir desconforto e reduzir o envolvimento. Portanto, a oralidade deve ser trabalhada de modo acolhedor e contextualizado. O foco inicial está na participação e na construção de sentidos, reconhecendo que a aprendizagem linguística ocorre gradualmente e apresenta ritmos distintos. 3.4 O papel do professor no processo de aprendizagem O professor exerce papel decisivo na organização das experiências de aprendizagem. Ensinar inglês para crianças pequenas exige mais do que domínio de 10 vocabulário e estruturas linguísticas; requer compreensão sobre desenvolvimento infantil, planejamento, interação e avaliação adequada à faixa etária. Brossi e Tonelli (2021) analisam o agir docente de professoras de língua inglesa para crianças e evidenciam a complexidade desse trabalho. O professor precisa tomar decisões sobre linguagem, materiais, tempo, organização da turma e formas de participação, frequentemente adaptando o planejamento às respostas das crianças. A seleção dos recursos deve considerar objetivos pedagógicos claros. Uma canção não deve ser utilizada apenas para preencher o tempo da aula, assim como um jogo digital não garante aprendizagem por ser tecnológico. Cabe ao professor analisar como cada recurso contribui para o contato significativo com a língua. A mediação docente também envolve observar as crianças. Interesse, participação, compreensão de comandos e formas de interação fornecem indícios importantes sobre a aprendizagem. O professor pode utilizar essas observações para reorganizar atividades e oferecer novos apoios. A formação continuada é especialmente relevante em um campo que articula conhecimentos de Educação Infantil e ensino de línguas. Aquino e Tonelli (2017) apontam exigências e desafios relacionados aos saberes docentes no ensino de inglês para crianças. A formação precisa contemplar tanto aspectos linguísticos quanto pedagógicos. Desse modo, o professor atua como organizador, mediador e observador do processo. Sua prática deve ser intencional, flexível e sensível às características das crianças, garantindo que o contato com o inglês ocorra em experiências compatíveis com a Educação Infantil. 4 CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS DO ENSINO DE INGLÊS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 4.1 Desenvolvimento linguístico e ampliação do repertório cultural O ensino de inglês na infância pode ampliar o repertório linguístico das crianças ao colocá-las em contato com novos sons, palavras e formas de expressão. Essa 11 contribuição deve ser compreendida como ampliação de experiências, e não como promessa automática de domínio futuro do idioma. Pinter (2017) ressalta que a aprendizagem de jovens aprendizes depende de múltiplos fatores. A idade, isoladamente, não determina o sucesso. Qualidade das experiências, frequência de contato, motivação e continuidade do ensino influenciam os resultados. O contato com outra língua também pode favorecer a percepção de que diferentes comunidades utilizam diferentes formas de comunicação. Essa compreensão contribui para ampliar a curiosidade sobre línguas e culturas, desde que o trabalho pedagógico evite estereótipos. Histórias, músicas e produções culturais podem apresentar diferentes contextos de uso do inglês. O professor precisa selecionar materiais de maneira crítica, reconhecendo a diversidade de falantes e evitando restringir a língua a imagens idealizadas de poucos países. A ampliação do repertório cultural dialoga com uma educação voltada ao respeito às diferenças. A criança pode perceber que existem diferentes modos de falar, brincar, cantar e organizar experiências sociais. Assim, a contribuição linguística e cultural do inglês está relacionada à qualidade das experiências proporcionadas. Um ensino contextualizado pode estimular curiosidade, abertura à diversidade e familiaridade com outras formas de expressão. 4.2 Motivação e contato inicial com a língua inglesa Experiências positivas de contato inicial podem influenciar a relação da criança com a aprendizagem de línguas. Atividades que valorizam participação, curiosidade e brincadeira tendem a construir um ambiente emocionalmente favorável. A motivação infantil apresenta forte relação com a própria atividade realizada. Crianças pequenas podem envolver-se intensamente em uma história ou brincadeira, 12 mas perder o interesse em tarefas repetitivas e pouco significativas. O planejamento precisa considerar essa característica. Canções, jogos e narrativas podem favorecer o envolvimento, mas sua utilização deve estar vinculada ao propósito linguístico. Lima (2022) demonstra a relevância da ludicidade no contexto do ensino de inglês na Educação Infantil. O contato inicial também deve evitar a construção do medo de errar. Correções constantes da pronúncia ou exigências de desempenho podem gerar insegurança. O professor pode oferecer modelos corretos por meio da reformulação natural das expressões. A valorização das pequenas formas de participação é importante. Apontar uma imagem após compreender uma instrução, realizar um gesto adequado ou completar parte de uma canção são evidências de envolvimento e compreensão. Dessa forma, a motivação não deve ser tratada apenas como entretenimento. Ela está relacionada à criação de condições para que a criança participe, atribua sentido às atividades e construa uma relação positiva com a língua. 4.3 Formação docente e planejamento pedagógico A formação docente constitui um dos principais desafios do ensino de inglês para crianças. O profissional precisa articular conhecimentos linguísticos, metodológicos e conhecimentos sobre infância. A ausência de uma dessas dimensões pode limitar a qualidade da prática. Aquino e Tonelli (2017) discutem as exigências que recaem sobre professores de língua inglesa para crianças, incluindo questões relacionadas aos materiais e aos saberes mobilizados em sala. Brossi e Tonelli (2021) evidenciam que o trabalho docente nesse campo envolve múltiplas dimensões e decisões. O planejamento deve partir de objetivos compatíveis com a faixa etária. Em vez de organizar a aula exclusivamente por listas de vocabulário, o professor pode planejar 13 experiências temáticas e situações de interação nas quais determinadas expressões sejam necessárias. A continuidade entre as atividades também favorece a aprendizagem. Uma história pode introduzir palavras e expressões, uma canção pode retomá-las e uma brincadeira pode permitir seu uso em nova situação. Essa organização cria recorrência e amplia as possibilidades de compreensão. A avaliação precisa acompanhar a concepção pedagógica adotada. Na Educação Infantil, registros de observação, portfólios e acompanhamento da participação podem oferecer informações mais coerentes do que testes formais. O foco deve estar no percurso da criança. Portanto, formação e planejamento são dimensões inseparáveis. Investir na preparação do professor significa ampliar as condições para que o inglês seja ensinado de forma pedagogicamente responsável e coerente com as especificidades da Educação Infantil. 4.4 Limites, desigualdades e desafios da inserção do inglês A expansão do ensino de inglês na infância também revela desigualdades educacionais. A oferta varia entre instituições, redes e regiões, produzindo diferentes oportunidades de contato com a língua. Bortolotti e Krause-Lemke (2022) evidenciam a diversidade de realidades existentes no Brasil e na América do Sul. A ausência de uma definição nacional que estabeleça o inglês como componente obrigatório da Educação Infantil contribui para formatos variados de oferta. Essa situação não impede iniciativas locais, mas exige clareza curricular e responsabilidade pedagógica. Outro desafio é a descontinuidade. A criança pode ter contato com inglês durante determinado período e posteriormente enfrentar interrupções ou mudanças metodológicas intensas. A falta de articulação curricular pode reduzir a continuidade das experiências de aprendizagem. 14 A disponibilidade de materiais também merece atenção. Recursos comerciais nem sempre correspondem às concepções pedagógicas da instituição ou às características da turma. Aquino e Tonelli (2017) mostram que os materiais constituem uma dimensão relevante do ensino de inglês para crianças. Há ainda o risco de transformar o ensino precoce de inglês em elemento de competição escolar ou promessa de vantagens garantidas. A inserção da língua precisa ser justificada por objetivos educacionais e não apenas por demandas mercadológicas. Enfrentar esses desafios requer políticas de formação, planejamento institucional e reflexão curricular. A ampliação da oferta precisa ser acompanhada por discussões sobre qualidade, equidade e respeito aos direitos de aprendizagem das crianças. 5 METODOLOGIA A presente pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de natureza básica, abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo. A pesquisa bibliográfica permite examinar conhecimentos já produzidos sobre determinado tema e construir uma análise fundamentada a partir do diálogo entre diferentes estudos (GIL, 2022). A escolha dessa metodologia decorreu do objetivo de analisar as contribuições e os desafios do ensino da língua inglesa na Educação Infantil. Foram considerados estudos relacionados ao ensino de inglês para crianças, à aprendizagem de línguas na infância, à ludicidade, às práticas pedagógicas e à formação docente. O levantamento bibliográfico priorizou livros acadêmicos, artigos científicos, trabalhos disponíveis em repositórios institucionais e documentos oficiais da educação brasileira. Entre as fontes centrais foram considerados a Base Nacional Comum Curricular, estudos específicos sobre o ensino de inglês para crianças de até seis anos e produções voltadas às práticas e ao trabalho docente nesse campo. Como critérios de inclusão, foram selecionadas publicações diretamente relacionadas ao objeto de estudo, disponíveis em português ou inglês e com informações bibliográficas identificáveis. Também foram incorporadas obras de 15 referência sobre ensino de línguas para crianças e ludicidade, mesmo quando publicadas anteriormente ao recorte recente, em razão de sua relevância teórica. Foram excluídos materiais sem autoria identificada, textos de caráter exclusivamente publicitário e publicações que não apresentavam relação direta com os objetivos da pesquisa. Após a seleção, realizou-se leitura exploratória, seletiva e analítica das fontes. As informações foram organizadas em categorias temáticas: infância e aprendizagem de línguas; ludicidade e práticas pedagógicas; oralidade e interação; papel e formação do professor; contribuições do contato com a língua inglesa; e desafios curriculares e institucionais. A análise ocorreu de forma qualitativa e interpretativa, buscando identificar convergências, diferenças e aspectos recorrentes entre os estudos. Os resultados foram discutidos à luz dos objetivos propostos, sem utilização de procedimentos estatísticos. Por se tratar de pesquisa bibliográfica baseada em materiais de acesso público e sem participação direta de seres humanos ou utilização de dados pessoais identificáveis, o estudo não envolveu coleta de dados com participantes. 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise da literatura evidencia que o ensino de inglês na Educação Infantil apresenta potencial pedagógico quando é organizado a partir das características da infância. Os estudos convergem na compreensão de que crianças pequenas necessitam de experiências contextualizadas, interativas e apoiadas em ações, imagens, narrativas e brincadeiras. Cameron (2001) e Pinter (2017) destacam que o ensino para jovens aprendizes exige metodologias distintas daquelas tradicionalmente utilizadas com adultos. Um dos principais resultados identificados refere-se à importância da construção de significado. O contato com palavras isoladas pode ampliar o reconhecimento de vocabulário, mas apresenta alcance limitado quando não está vinculado a situações de 16 uso. As práticas mais coerentes com a infância são aquelas em que a criança compreende a língua a partir de pistas contextuais e participa de ações comunicativas. A ludicidade aparece de forma recorrente como dimensão relevante. Kishimoto (2011) oferece fundamentos para compreender o jogo e a brincadeira no contexto educacional, enquanto Lima (2022) aproxima essa discussão do ensino de língua inglesa na Educação Infantil. Os resultados indicam que atividades lúdicas podem favorecer participação e recorrência linguística, desde que exista intencionalidade pedagógica. Músicas e histórias também se destacam por possibilitarem repetição contextualizada. A presença de ritmo, gestos, imagens e sequências previsíveis apoia a compreensão e permite diferentes formas de participação. Essas estratégias são especialmente importantes para crianças que ainda não produzem oralmente expressões completas em inglês. Outro achado relaciona-se ao papel da oralidade. O ensino na infância não deve ser reduzido à repetição coletiva de palavras. Rotinas comunicativas, comandos, perguntas simples e interações breves podem criar oportunidades mais significativas de uso da língua. A compreensão oral e a participação por gestos ou ações também precisam ser reconhecidas como parte do processo. Os estudos analisados reforçam a centralidade do professor. Aquino e Tonelli (2017) demonstram que materiais, alunos e saberes docentes se articulam no desenvolvimento das atividades. Brossi e Tonelli (2021) evidenciam a complexidade do agir docente de professoras de inglês para crianças. Esses resultados mostram que a qualidade do ensino depende de formação capaz de integrar conhecimentos linguísticos e pedagógicos. A análise também revelou que a expansão da oferta de inglês para crianças não ocorre de forma uniforme. Bortolotti e Krause-Lemke (2022) descrevem diferentes realidades de ensino para crianças de até seis anos. No contexto brasileiro, a BNCC estrutura a Educação Infantil por direitos de aprendizagem e campos de experiências, 17 sem estabelecer a Língua Inglesa como componente curricular obrigatório específico nessa etapa (BRASIL, 2018). Essa condição produz desafios curriculares. Quando ofertado, o inglês precisa ser integrado ao projeto pedagógico e às concepções da Educação Infantil. A simples antecipação de conteúdos formais do Ensino Fundamental pode gerar práticas inadequadas à faixa etária. Portanto, a presença da língua deve dialogar com interações, brincadeiras e experiências. Outro desafio identificado é a desigualdade de acesso. Diferentes instituições apresentam condições distintas de carga horária, materiais e formação profissional. A ampliação do ensino de inglês na infância precisa ser acompanhada por reflexão sobre equidade, evitando que o acesso precoce a experiências linguísticas de qualidade permaneça concentrado em determinados contextos. De modo geral, os resultados permitem afirmar que o ensino de inglês pode contribuir para ampliar repertórios linguísticos e culturais e favorecer uma relação positiva com a aprendizagem de línguas. Entretanto, tais contribuições dependem da qualidade e continuidade das experiências. A idade inicial, isoladamente, não garante aprendizagem mais efetiva. Os achados também demonstram que o lúdico não deve ser compreendido como recurso meramente recreativo. Quando planejado, pode organizar situações de compreensão e uso da língua. Da mesma forma, músicas, jogos e histórias precisam ser selecionados em função de objetivos claros e das características das crianças. Assim, a literatura analisada confirma que o principal desafio não é apenas decidir se o inglês deve estar presente na Educação Infantil, mas discutir como essa presença será pedagogicamente construída. Formação docente, planejamento, continuidade e respeito às especificidades da infância constituem condições essenciais para práticas significativas. 18 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como objetivo analisar as contribuições e os desafios do ensino da língua inglesa na Educação Infantil, considerando as características da aprendizagem na infância e as práticas pedagógicas desenvolvidas nesse contexto. A análise da literatura permitiu compreender que o ensino de uma língua adicional para crianças pequenas exige organização pedagógica específica e não deve reproduzir, de forma antecipada, modelos centrados em conteúdos gramaticais e exercícios mecânicos. Em resposta ao problema de pesquisa, verificou-se que o ensino de inglês pode contribuir para ampliar o repertório linguístico e cultural das crianças e favorecer experiências positivas de contato com outras formas de comunicação. Essas contribuições tornam-se mais evidentes quando as atividades são contextualizadas, interativas e articuladas às brincadeiras e às formas de participação próprias da Educação Infantil. Os objetivos específicos foram contemplados ao longo da pesquisa. A discussão sobre aprendizagem na infância evidenciou a importância da construção de significados, da compreensão oral e do respeito ao ritmo das crianças. A análise das práticas pedagógicas permitiu identificar músicas, histórias, jogos, brincadeiras, recursos visuais e rotinas comunicativas como estratégias relevantes quando utilizadas com intencionalidade. Também se constatou que o professor desempenha função central nesse processo. O ensino de inglês para crianças exige conhecimentos linguísticos e compreensão das especificidades da Educação Infantil. Por isso, a formação docente e o planejamento constituem aspectos decisivos para evitar práticas descontextualizadas ou a simples reprodução de modelos destinados a outras faixas etárias. Entre os principais desafios identificados estão a heterogeneidade da oferta, as desigualdades de acesso, a formação dos profissionais, a seleção de materiais e a continuidade curricular. A análise da BNCC também demonstra a necessidade de situar adequadamente o inglês na Educação Infantil, uma vez que o documento não o 19 estabelece como componente curricular obrigatório específico nessa etapa, embora as experiências com linguagens possam dialogar com os direitos de aprendizagem e os campos de experiências. Como limitação, destaca-se o caráter bibliográfico da pesquisa, que não permitiu observar diretamente práticas escolares ou acompanhar o desenvolvimento de crianças em contextos específicos de ensino. Dessa forma, os resultados expressam uma análise da literatura selecionada e não podem ser generalizados para todas as instituições. Para pesquisas futuras, sugere-se a realização de estudos de campo em instituições públicas e privadas, com observação de aulas, análise de planejamentos e investigação da formação dos professores que atuam com língua inglesa na Educação Infantil. Estudos longitudinais também podem contribuir para compreender os efeitos da continuidade do ensino ao longo da trajetória escolar. Conclui-se que o ensino da língua inglesa pode integrar experiências educativas significativas na Educação Infantil, desde que respeite a criança, a ludicidade e os princípios pedagógicos da etapa. Mais do que antecipar conteúdos, o trabalho com a língua deve ampliar possibilidades de interação, expressão e contato cultural, garantindo experiências acolhedoras e pedagogicamente fundamentadas. REFERÊNCIAS AQUINO, Aline Loyola de; TONELLI, Juliana Reichert Assunção. Ensino de língua inglesa para crianças: um olhar sobre o desenvolvimento de atividades. REVELLI, Inhumas, v. 9, n. 4, p. 58-76, dez. 2017. Disponível em: https://www.revista.ueg.br/index.php/revelli/article/view/6746. Acesso em: 9 jul. 2026. BORTOLOTTI, Fernanda Seidel; KRAUSE-LEMKE, Cibele. O ensino de inglês para crianças de até seis anos: relatos sobre a América do Sul e o Brasil. Signum: Estudos da Linguagem, Londrina, v. 25, n. 2, p. 65-77, 2022. DOI: 10.5433/22374876.2022v25n2p65. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/signum/article/view/45952. Acesso em: 9 jul. 2026. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. 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