Ensino a Distância o sistema solar 2017 Presidente da República Michel Miguel Elias Temer Lulia Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações | MCTIC Gilberto Kassab Equipe de realização Conteúdo científico Carlos Henrique Veiga Secretário-Executivo do MCTIC Editoração Elton Santa Fé Zacarias Vanessa Araújo Santos Diretor do Observatório Nacional Web Design João Carlos Costa dos Anjos Observatório Nacional/MCTI (Site: www.on.br) Rua General José Cristino, 77 São Cristóvão, Rio de Janeiro - RJ CEP: 20921-400 Caio Siqueira da Silva Rodrigo Cassaro Resende Revisão Geral Ney Avelino Barbosa Seixas Criação, Produção e Desenvolvimento (Email: daed@on.br) Carlos Henrique Veiga Cosme Ferreira da Ponte Neto Rodrigo Cassaro Resende Silvia da Cunha Lima Vanessa Araújo Santos Caio Siqueira da Silva Manoela Anastácia Rodrigues de Carvalho O projeto gráfico tem motivação no TCC/2014 apresentado por Marcela Nogueira Andrade na Escola de Belas Artes/UFRJ. Sob o título "EaD 2013 - Astrofísica Geral - Redesign de Material Didático", o trabalho se baseou no curso a distância oferecido pelo Observatório Nacional. Esta publicação é uma homenagem a Antares Cleber Crijó (1948 - 2009) que dedicou boa parte da sua carreira científica à divulgação e popularização da ciência astronômica. © 2017 Todos os direitos reservados ao Observatório Nacional/MCTIC. Ensino a Distância o sistema solar 2017 OBSERVATÓRIO NACIONAL Conjunto Cúpula-Luneta montado em 1922 no campus do Observatório Nacional. Campus do Observatório Nacional com seus instrumentos científicos e a natureza do seu espaço bucólico, patrimônio histórico e cultural do país. 6 Módulo 1 · Introdução O Observatório Nacional (ON), instituto de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), atua em três grandes áreas do conhecimento – Astronomia, Geofísica e Metrologia em Tempo e Frequência, nas quais realiza pesquisa, desenvolvimento e inovação, com reconhecimento nacional e projeção internacional. Fundado pelo Imperador D. Pedro I em 15 de outubro de 1827, o Observatório Nacional é uma das mais antigas instituições dedicadas à ciência no Brasil. No campus que ocupa desde a década de 1920, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro/RJ, o passado e o presente se encontram. O ON preserva o seu patrimônio histórico e mantém modernas instalações de pesquisa com equipamentos de última geração que acompanham a evolução tecnológica de suas áreas. O conjunto arquitetônico, assim como o seu acervo documental e de instrumentos científicos são tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A biblioteca do ON conserva obras raras de riqueza inestimável, com publicações dos séculos XVIII e XIX, além de uma coleção de documentos, fotografias e iconografias de importância histórica para a ciência brasileira. Além da estrutura de sua sede, o ON mantém em funcionamento regular os Observatórios Magnéticos de Vassouras/RJ (1915), de Tatuoca/PA (1957) e do Pantanal/MT (2012). Também mantém em operação o Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica, instalado em Itacuruba/PE. O Observatório Nacional tem reconhecida tradição no campo da Astronomia e Astrofísica, com destaque nas subáreas de astronomia fundamental, ciências planetárias, astrofísica estelar, astrofísica galáctica, astrofísica extragaláctica e cosmologia. A trajetória do ON acompanha a evolução teórica e instrumental da astronomia, buscando sempre a cooperação científica na fronteira do conhecimento. Na área de geofísica, a atuação da instituição se estende às diversas especialidades, como da geofísica da Terra sólida, geofísica aplicada e ambiental, com a realização de pesquisa básica e prestação de serviços técnico-científicos. Na cooperação com o setor produtivo, para execução de projetos de pesquisa e desenvolvimento, destacam-se os levantamentos na área de petróleo e gás. Designado pelo Inmetro como Laboratório Primário de Tempo e Frequência, o Observatório Nacional é responsável pela geração, distribuição e conservação da Hora Legal Brasileira (HLB), popularmente conhecida como “Horário de Brasília”. O Observatório Nacional, por meio da sua Divisão de Atividades Educacionais, promove regularmente ações que despertem o interesse da sociedade para as ciências, utilizando elementos visuais e interativos, de forma a simplificar e esclarecer conceitos científicos. Uma de suas principais atividades são os cursos a distância, que desde 2003 tem atraído milhares de jovens e adultos de todas as classes sociais. O seu principal objetivo é socializar o conhecimento científico por meio de um veículo eletrônico que hoje é amplamente utilizado, a internet. Levar à sociedade as razões pelas quais a ciência deve ser uma prioridade, esclarecendo o público de que modo o investimento governamental em ciência reverte a seu favor sob forma de cultura e tecnologia. Mostrar de que modo a ciência faz parte do nosso dia a dia e como a utilizamos para melhorar nossas condições de vida. A Grande Luneta Equatorial de 46cm tem importância inegável para a Astronomia brasileira. A partir da sua instalação, em 16 de fevereiro de 1922, muitos projetos foram realizados, permitindo ao Brasil ingressar nos programas internacionais de observação de estrelas duplas visuais, planetas, asteroides, cometas, eclipses solares e lunares. A Grande Luneta Equatorial, símbolo que representa uma importante parte da história da astronomia do Observatório Nacional. Ao longo dos seus 93 anos, a velha Luneta viu passar por suas lentes imagens de muitos fenômenos celestes e as registrou com precisão, ajudando a preparar e formar bons observadores. Foi o seu legado. Cumpriu a sua missão. Detalhe do conjunto de lentes da Grande Luneta Equatorial de 46cm Conheça em detalhes as dependências do Observatório Nacional Esta imagem é uma panorâmica da Grande Luneta Equatorial, símbolo que representa uma importante parte da história da astronomia do Observatório Nacional. O Sistema Solar 7 O CURSO A DISTÂNCIA DO OBSERVATÓRIO NACIONAL Generalidades Ensino a Distância o sistema solar 2017 Logotipo do curso a distância 2017. Tratando-se de um curso em nível de divulgação científica, não é necessário qualquer conhecimento prévio para acompanhá-lo a distância, uma vez que ele está voltado para um público não especializado em ciências exatas. Nosso objetivo é difundir, atualizar e socializar o conhecimento científico para todos os interessados em ciências. Devido à sua característica abrangente, durante o curso serão abordados assuntos muito básicos, o que não deve ser entendido pelos professores participantes ou por aqueles que já possuem conhecimento prévio (científico ou técnico) como um demérito à sua competência. O compromisso deste curso é transformar um assunto científico complexo em uma linguagem simples e compreensível, mas sem abrir mão do rigor das ciências exatas, estabelecendo uma conexão entre a pesquisa científica e o público. É a oportunidade de uma instituição federal de pesquisa colocar a serviço da sociedade os conhecimentos que são produzidos por seus pesquisadores, democratizando assim o seu acesso. Não disponibilizamos qualquer material impresso, mesmo para os participantes inscritos, e não poderemos atender a qualquer solicitação de envio de imagens, animações ou vídeos. Como estudar a distância Uma das grandes vantagens de um curso à distância é permitir a cada participante definir o seu ritmo de estudo, avaliando o seu tempo disponível, programando assim a sua dedicação ao curso. Para obter o certificado, o participante terá que fazer provas durante o curso e, certamente, se esforçar bem mais que os outros participantes. O curso não tem custos Os cursos a distância, oferecidos pelo Observatório Nacional, são inteiramente grátis. Nenhuma taxa é cobrada aos participantes. O material produzido, disponibilizado no site, pode ser copiado (download) e impresso, desde que não seja publicado em outros meios ou vendido, o que caracteriza crime de propriedade intelectual. O participante que receber qualquer mensagem ou sugestão que indique custos, deve enviar imediatamente uma cópia para daed@on.br para tomarmos as providências cabíveis. Duração do curso O curso "O Sistema Solar" terá duração de 04 (quatro) meses, sendo iniciado no dia 03 de julho de 2017 e encerrado no dia 13 de novembro de 2017. O curso é constituído de 03 (três) módulos. O curso tem carga horária equivalente ou estimada a 120 horas (não há registro do número de horas durante o acesso ao site do curso, ou seja, lista de presença). Inscrição Neste curso teremos uma nova forma de inscrição e emissão de certificados. As inscrições serão abertas no dia 04 de maio de 2017 e permanecerão abertas até o final do último dia de prova (13/11/2017). 8 Módulo 1 · Introdução IMPORTANTE: O aluno pode se inscrever a qualquer momento. Se perder um módulo ou uma prova, não há problema, pode participar da fase seguinte. No entanto, as provas seguintes poderão abordar a matéria dos módulos anteriores. Onde as aulas são apresentadas Os assuntos das aulas são apresentados em módulos no endereço: http:// www.on.br/index.php/pt-br/atividades-educacionais/programas-de-educacao-cientifica.html. As provas As questões das provas sempre terão um conteúdo genérico. Não será exigido conhecimento de fórmulas, cálculos e gráficos. Lembre-se que este curso é de informação e divulgação científica, apesar da necessidade da apresentação de algumas equações. Serão realizadas 03 (três) provas durante o curso. As provas terão duração de 4 (quatro) dias, sempre iniciando numa SextaFeira às 0h e terminando na Segunda-Feira à meia-noite. Durante este período o aluno poderá consultar previamente a prova, sem precisar fazê-la. INÍCIO DE CADA MÓDULO Módulo 1 - 03 de julho Módulo 2 - 15 de agosto Módulo 3 - 03 de outubro CRONOGRAMA DE PROVAS Prova 1 - de 11 a 14 de agosto Prova 2 - de 29 de setembro a 2 de outubro Prova 3 - de 10 a 13 de novembro A rede e o sistema de energia do Observatório Nacional são redundantes (duplicados), ou seja, o risco de falhas é bastante minimizado. Também recomendamos que os alunos evitem realizar a prova no último dia, pois o sistema poderá ficar lento ao acesso à prova, aumentando assim os riscos de falhas (rede, energia elétrica, etc). Quando o aluno terminar a prova, deve, obrigatoriamente, clicar nos botões CONCLUIR e ENTREGAR PROVA, para que o sistema dê por encerrado o evento com sucesso. Não haverá, em hipótese alguma, segunda chamada. IMPORTANTE: SOMENTE no período de provas o aluno utilizará, obrigatoriamente, o LOGIN e a SENHA. Caso esses dados sejam extraviados, o aluno poderá recuperá-los, sendo acessados pelo botão "Esqueci minha senha". Certificado do curso Ao final do curso o certificado será emitido e disponibilizado na página do Observatório Nacional, sem qualquer custo. Não será emitido ou enviado certificado impresso ou declarações. A divulgação das notas e o acesso ao certificado são restritos ao aluno. Cada módulo corresponde a 12 40 horas de curso. No final do curso o certificado será emitido multiplicando-se o número de módulos por prova realizada, com nota média mínima igual a 6,0(seis), por 40 12 horas. Assim, o aluno que tiver feito todas as quatro três provas, tendo obtido a nota mínima em cada uma delas, terá um certificado de 120 horas. Imagem ilustrativa do certificado do curso a distância 2017. ATENÇÃO: O Observatório Nacional se reserva o direito de cancelar, a qualquer momento que julgar conveniente, qualquer um dos cursos do seu programa “Ensino a Distância” sem que isto possa ser entendido como uma violação de qualquer direito dos participantes. O Sistema Solar 9 Ensino a Distância o sistema solar 2017 Módulo 1 Introdução Capa do Módulo 1: Concepção artística do Sistema Solar. Crédito: National Aeronautics and Space Administration (NASA) Ensino a Distância o sistema solar 2017 Módulo 1 Introdução CONHECENDO O SISTEMA SOLAR Nos últimos 30 anos foi possível aprender mais sobre o sistema solar do que sobre a maioria das outras áreas da Astronomia. Isto se deve não somente à melhoria dos telescópios e detectores atualmente utilizados nos observatórios terrestres, mas, principalmente, às várias sondas espaciais, fotografando e realizando experiências científicas ao longo das últimas décadas. O aumento do número de sondas permitiu que os astrônomos conhecessem cada vez mais detalhes da estrutura dos demais planetas no sistema solar. Algumas penetraram as atmosferas de Vênus, de Marte e de Júpiter. Outras pousaram nas superfícies de Vênus, de Marte, da Lua e do asteroide Eros. Algumas missões colheram material da Lua e do cometa P/Wild2 para posteriores análises em laboratórios. Até o presente, sondas espaciais investigaram todos os planetas. Além disso, vários sistemas de satélites e de anéis foram descobertos e estudados por elas, assim como alguns asteroides e cometas. Todas as missões espaciais foram automáticas, isto é, não tripuladas. Simultaneamente ao lançamento das sondas, uma série de missões espaciais tripuladas foi realizada pelos Estados Unidos, denominadas missões Apollo, tendo como um dos ápices o extraordinário feito do astronauta norte-americano Neil A. Armstrong, o primeiro humano que pisou em outro corpo celeste, a Lua, em 20 de julho de 1969(*). Novas missões espaciais estão sendo desenvolvidas para complementar e melhorar o conhecimento dos objetos do sistema solar. O conhecimento atual é muito superior ao que existia há menos de 50 anos. Informações reveladas pelas sondas mudaram totalmente sua compreensão. As perguntas feitas atualmente sobre a origem, formação e evolução são bem diferentes das que eram feitas há algum tempo. Um exemplo simples é a questão dos anéis planetários. Até 1978 considerava-se que Saturno era o único planeta que tinha anéis. A pergunta feita até então era: porque apenas Saturno tem anéis? Hoje, 39 anos depois, sabe-se que todos os planetas gigantes possuem anéis e muitas pesquisas visam entender quais processos físicos determinaram essa característica. Os chamados planetas gigantes são Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Algumas sondas espaciais e suas missões: 01 Conhecendo o Sistema Solar (*) Veja todas as missões Apollo nas págs 42 e 43. O Sistema Solar 15 16 Módulo 1 · Introdução O Sistema Solar 17 Outros programas de sondas espaciais podem ser encontrados nas páginas 90 até 102 18 Módulo 1 · Introdução UM INVENTÁRIO DO SISTEMA SOLAR O estudo começará fazendo um rápido “inventário” do Sistema Solar. Seu maior corpo é o Sol. Sob o ponto de vista da astrofísica, o Sol é uma estrela relativamente comum, podendo ser descrita como uma enorme “bola de gás incandescente” com 1,4 milhões de quilômetros de diâmetro. A temperatura superficial atinge cerca de 6000 Kelvins, enquanto a temperatura central supera alguns milhões Kelvins. O que foi chamado “bola de gás incandescente” é, na verdade, uma “bola de plasma”. O plasma é um gás ionizado. Sob elevadas condições de temperatura e pressão a estrutura atômica é desfeita, isto é, em cada átomo os elétrons são dissociados de seus respectivos núcleos, formando os íons. O Sol e todas as estrelas existentes no universo são plasmas e o plasma é considerado o quarto estado da matéria. Os outros três são sólido, líquido e gasoso, mais familiares no cotidiano. Contudo, existem plasmas naturais e artificiais também na Terra. Um exemplo de criação de plasma natural ocorre na passagem súbita de uma descarga elétrica (um raio) pela massa gasosa da atmosfera terrestre, ionizando-a e formando um plasma durante instantes. Plasmas artificiais são produzidos em condições controladas de laboratório. Atualmente existem plasmas até em dispositivos caseiros, como aparelhos de televisão. Apesar de ser uma “estrela comum" no universo, o Sol é o maior corpo do sistema solar, contendo mais de 99% de toda a sua massa e com uma luminosidade 400 milhões de vezes maior do que a de Júpiter da Lua cheia. Desse ponto de vista, pode-se considerar que o sistema solar seja formado pelo Sol e por algum "resíduo". No entanto, nesse "resíduo" existe uma imensa variedade de corpos. Começando uma longa viagem a partir do Sol e afastando-se cada vez mais dele, atinge-se distâncias inacreditáveis, onde são encontrados os seguintes planetas: Além desses corpos maiores, também existe uma grande quantidade de objetos menores que também orbitam o Sol, tais como: Asteroides e Cometas 02 Um inventário do Sistema Solar Detalhe da superfície do Sol. Representação do Sistema Solar. O Sistema Solar 19 03 Espalhados por todo o sistema solar existem pequeníssimos grãos de poeira, resquícios de sua formação. Essa matéria é chamada poeira interplanetária. Por fim, em órbita de todos os maiores planetas, e também de alguns menores, são encontrados pequenos corpos denominados satélites e anéis. A seguir será apresentada uma rápida visão das principais características do sistema solar, além de uma descrição comparativa dos corpos e processos físicos presentes. Propriedades Planetárias O que é a temperatura Kelvin? Na astronomia e astrofísica as temperaturas são medidas na escala termométrica Kelvin. No cotidiano elas são usualmente expressas na escala Celsius (ou Fahrenheit, em alguns países ex-colônias britânicas). Para a física é importante uma escala termométrica independente das propriedades da substância utilizada, o que não ocorre com a escala Celsius. A escala Kelvin relaciona-se com a escala Celsius da seguinte maneira: ESCALAS CELSIUS KELVIN ponto de vapor (é a temperatura na qual o vapor d'água e a água líquida estão em equilíbrio, sob a pressão de uma atmosfera) 100,00oC 373,15 K ponto de fusão do gelo (é a temperatura na qual o gelo e a água saturada com ar estão em equilíbrio, sob a pressão de uma atmosfera) 0,00oC 273,15 K A unidade de temperatura na escala Kelvin é chamada simplesmente de “Kelvin” e tem como símbolo “K”. Nessa escala não é correto é usar a nomenclatura “graus Kelvin”, como é feito nas outras escalas termométricas. A escala Kelvin define um ponto especial de temperatura, chamado zero absoluto, com sendo a temperatura correspondente a 0 K. A relação matemática para converter a temperatura de graus Celsius para Kelvin é: t (o C) = T (K) - 273,15. PROPRIEDADES PLANETÁRIAS A distribuição dos corpos no Sistema Solar O Sistema Solar é o conjunto dos corpos celestes, independente do tamanho, estado físico ou propriedades, que estão gravitacionalmente ligados ao Sol, orbitando-o. Entre eles estão os planetas, satélites, asteroides, cometas e partículas de gás e poeira interplanetárias que se espalham por todo o sistema. Para melhor descrevê-lo, os astrônomos dividem-no em partes que abrigam corpos com características semelhantes. Além do Sol, planetas e seus satélites, existem três regiões que possuem não apenas um corpo celeste, mas milhares ou milhões de pequenos corpos que também orbitam o Sol. As regiões são: 20 Módulo 1 · Introdução • Cinturão de Asteroides Localiza-se entre os planetas Marte e Júpiter. Os asteroides mais conhecidos estão nessa região. • Cinturão Transnetuniano ou Cinturão de Kuiper Possui uma forma de disco e situa-se após a órbita de Netuno. É o local de origem de vários cometas que percorrem o sistema solar. • Nuvem de Oort Situada muito além de Plutão, é a região mais longínqua. Constituída por “restos” de sua formação, estima-se que possua milhões de objetos. A Nuvem de Oort tem a forma de uma imensa esfera que envolve todo o sistema. A figura abaixo mostra as três regiões. Uma classificação feita para estudar o sistema solar leva em consideração as distâncias entre o Sol e os diversos corpos pertencentes ao sistema, considerando o Sol como origem para o cálculo de distâncias. AS DIMENSÕES DO SISTEMA SOLAR (EM QUILÔMETROS) OBJETO CELESTE DISTÂNCIA MÉDIA EM RELAÇÃO AO SOL mercúrio 57 900 000 vênus 108 200 000 Terra 149 600 000 Marte 227 900 000 Cinturão de Asteroides (mínima) 330 000 000 Cinturão de Asteroides (máxima) 500 000 000 Júpiter 778 300 000 Saturno 1 427 000 000 Urano 2 869 600 000 Netuno 4 496 600 000 Plutão 5 900 100 000 Cinturão de Kuiper (mínima) 4 488 000 000 Cinturão de Kuiper (máxima) 7.480.000.000 Nuvem de Oort (interna) de 44 880 000 000 a 1 496 000000 000 Nuvem de Oort (externa) de 1 496 000 000 000 a 14 960 000 000 000 O Sistema Solar 21 04 Algumas unidades de medida de distância usadas na astronomia Importante! O ano-luz e seus submúltiplos (hora-luz, minuto-luz e segundo-luz) são unidades de medida de distância e não de tempo. Exemplo: “Uma viagem de 250 anos-luz.” “Uma viagem durante 250 anos-luz.” ALGUMAS UNIDADES DE MEDIDA DE DISTÂNCIA USADAS NA ASTRONOMIA Devido ao fato de trabalhar com distâncias e tamanhos muito grandes, a astronomia utiliza algumas unidades específicas de medida. Para não referirse constantemente a distâncias em de milhões de quilômetros, são utilizadas outras unidades de medida: o ano-luz, o parsec e a unidade astronômica. Ano-luz É a distância que uma partícula de luz, chamada fóton, viaja em um ano no vácuo. A abreviação é a.l. e seu valor é obtido da seguinte forma: basta calcular o número de segundos que existem em um ano e multiplicar o resultado pelo valor exato da velocidade da luz no vácuo, que é 299 792 458 metros por segundo. Segundo critérios estabelecidos pela União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês), o ano-luz corresponde a 946 073 047 258,08 km. Usando a notação científica, tem-se que 1 ano-luz=9,46073 x1012 km. NOTAÇÃO CIENTÍFICA Escrevendo números muito grandes e muito pequenos: a notação científica Desafio para o leitor: ler o seguinte texto em voz alta e em menos de 30 segundos: "...como o sistema solar pode ter um diâmetro aproximado de 100000000000 de metros? E isso é muito pequeno se comparado com o tamanho da galáxia, com seus incríveis 100000000 000000000000 de metros de diâmetro. No entanto, estima-se que o universo visível tenha cerca de 100000000000000000000000000 de metros de diâmetro. Esses tamanhos assombrosos fazem parte do estudo de astronomia. Então alguém pode pensar: é melhor estudar biologia. A molécula do DNA tem apenas 0,0000001 metros, muito mais fácil de lidar. O problema é que a astronomia não é uma profissão perigosa, enquanto a biologia... Os biólogos têm a coragem de lidar com vírus que medem apenas 0,000000001 de metro, mas são terrivelmente letais. E se, por acidente, o recipiente com um destes vírus cair no chão do laboratório, quebrar e os vírus se espalharem? Nunca mais serão encontrados!...." 22 Módulo 1 · Introdução Difícil ler estes números, não é? É possível melhorar o texto para o leitor fazendo algumas modificações. Leia novamente em voz alta e em menos de 30 segundos: "...como o Sistema Solar pode ter um diâmetro aproximado de 100 bilhões de metros? E isso é muito pequeno se comparado com o tamanho da galáxia, com seus incríveis 100 milhões de trilhões de metros de diâmetro. No entanto, estima-se que o universo visível tenha cerca de 100 milhões de bilhões de bilhões de metros de diâmetro. Esses tamanhos assombrosos fazem parte do estudo de astronomia. Então alguém pode pensar: é melhor estudar biologia. A molécula do DNA tem apenas 1 décimo milionésimo do metro, muito mais fácil de lidar. O problema é que a astronomia não é uma profissão perigosa enquanto que a biologia... Os biólogos têm a coragem de lidar com vírus que medem apenas 1 décimo bilionésimo de metro, mas são terrivelmente letais. E se, por acidente, o recipiente com um destes vírus cair no chão do laboratório, quebrar e os vírus se espalharem? Nunca mais serão encontrados!...." Melhorou um pouco. Mesmo assim ainda é difícil comparar números com tantos zeros à direita ou à esquerda, isto é, com diferentes ordens de grandeza. Para simplificar, a ciência usa uma forma compacta de escrever números muito grandes ou muito pequenos, a chamada notação científica ou notação exponencial. Ela evita erros quando se lida com números muito grandes ou muito pequenos e facilita a comparação entre eles. Além disso, aparecem frequentemente na astronomia e na física. Como é a notação científica? A notação científica é uma forma de escrever qualquer número, seja muito grande ou muito pequeno, como se estivesse multiplicado por uma potência de 10. Todos os números, muito grandes ou muito pequenos, estarão multiplicados por um fator do tipo: 10? No caso de números muito grandes, o expoente "?" é um número positivo No caso de números muito pequenos, o expoente "?" é um número negativo Exemplos: 1a regra: Para escrever com a notação científica qualquer número seguido de muitos zeros, basta contar somente o número de zeros e colocar este valor como expoente de 10. O Sistema Solar 23 Os números agora são lidos facilmente. Por exemplo, 1027 é lido como "dez elevado a 27" ou simplesmente "10 a 27". Vale lembrar que 100 = 1. Qualquer número elevado a zero é igual a 1. E se o número for, por exemplo, 17400? Seguindo a regra, escreve-se o número 17400 como 174 x 102. No entanto, é possível escrevê-lo de diversas formas usando as potências de 10. 2a regra: A notação científica pode separar um número em duas partes: uma fração decimal, usualmente entre 1 e 10, e uma potencia de 10. No número a ser escrito, coloca-se a vírgula onde for mais conveniente. O número de algarismos à direita da vírgula será o expoente de 10. Deste modo é possível escrever o número de diferentes formas. Exemplo: 17400 = 174 x 102 ou 17400 = 17,4 x 103 ou 17400 = 1,74 x 104 Essas diferentes formas significam que o número 174 x 102 também pode ser escrito como 1,74 x 104. Na última notação existem dois algarismos à direita da vírgula (o sete e o quatro) e, consequentemente, foi acrescentado o valor "dois" ao expoente anterior de 10, que passou a ser quatro. O número 1,74 x 104 significa 1,74 vezes 10 elevado à quarta potência, ou seja, 1,74 x 10 x 10 x 10 x 10 =17400. 3a regra: Para representar números muito pequenos, a notação científica usa expoentes negativos. Um sinal negativo no expoente significa que o número é, na verdade, 1 dividido pelo valor que ele teria considerando-se o expoente positivo. Assim: 10-2 = 1/102 10-28 = 1/1028 Para escrever um número muito pequeno usando a notação científica, conta-se o número de algarismos situados no lado direito da vírgula, sejam eles zeros ou não. Este será o valor do expoente de 10 antecedido por um sinal negativo. 24 Módulo 1 · Introdução E para escrever um número qualquer, por exemplo, 0,0000000478?. Existem 10 algarismos à direita da vírgula. Então, ele pode ser escrito como 478 x 10-10. É possível também escrever este número de outras formas, colocando sua parte significativa (no exemplo acima, 478) em uma forma fracionária. Para determinar o valor do expoente negativo, coloca-se uma vírgula imaginária na posição desejada e conta-se o número de algarismos entre as duas vírgulas. Este será o expoente negativo de 10. Existem outras duas regras também muito fáceis: 1ª) Cada vez que a vírgula se desloca uma casa para a direita, o expoente de 10 aumenta uma unidade (sem considerar o sinal). 0,000478 = 0,00478 x 10-1 0,000478 = 0,0478 x 10-2 0,000478 = 0,478 x 10-3 0,000478 = 4,78 x 10-4 0,000478 = 47,8 x 10-5 0,000478 = 478 x 10-6 etc. 2ª) Cada vez que a vírgula se desloca uma casa para a esquerda, o expoente de 10 diminui uma unidade (sem considerar o sinal). 0,000478 = 478 x 10-6 0,000478 = 47,8 x 10-5 0,000478 = 4,78 x 10-4 0,000478 = 0,478 x 10-3 0,000478 = 0,0478 x 10-2 0,000478 = 0,00478 x 10-1 etc. Comparando potências de 10 Se os expoentes são positivos, o maior número será o que tiver o maior expoente. 1075 é menor do que 1076 (porque 75 é menor do que 76). Se os expoentes são negativos, o maior número será aquele com o menor valor numérico como expoente (sem considerar o sinal). Exemplo: 10-75 é maior do que 10-7. O expoente negativo menor significa que o número tem menos zeros depois da vírgula. Agora o texto inicial será relido, desta vez escrito com a notação científica: O Sistema Solar 25 "...como, por exemplo, o sistema solar pode ter um diâmetro aproximado de 1011 metros? E isto é muito pequeno se comparado com o tamanho da galáxia, com seus incríveis 1020 metros de diâmetro. No entanto, estimase que o universo visível deve ter cerca de 1026 metros de diâmetro. Esses tamanhos assombrosos fazem parte do estudo de astronomia. Então alguém pode pensar: é melhor estudar biologia. A molécula do DNA tem apenas 10-7 metros, muito mais fácil de lidar. O problema é que a astronomia não é uma profissão perigosa, enquanto que a biologia... Os biólogos têm a coragem de lidar com vírus que medem apenas 10-7 metros, mas são terrivelmente letais. E se, por acidente, o recipiente com um destes vírus cair no chão do laboratório, quebrar e os vírus se espalharem? Nunca mais serão encontrados!...." Bem mais simples. Muito provavelmente o leitor conseguiu em menos de 30 segundos e teve mais facilidade em comparar os tamanhos. Basta comparar os expoentes de 10. Um ano-luz equivale, aproximadamente, a 946 053 000 000 km ou a 9,5 bilhões de quilômetros. Comumente o resultado é aproximado mais ainda, ou seja, um ano-luz é equivalente a 1013 km. Também são usados submúltiplos do ano-luz tais como a hora-luz, o minuto-luz e o segundo-luz. Uma hora-luz é a distância percorrida pela luz em uma hora, correspondente a 1 079 252 820 km. Um minuto-luz é a distância percorrida pela luz em um minuto, sendo igual a 17 987 547 km. Um segundo-luz é a distância percorrida pela luz em um segundo, equivalente a 299 792 km. AS DIMENSÕES DO SISTEMA SOLAR EM SUBMÚLTIPLOS DE ANO-LUZ 26 OBJETO CELESTE DISTÂNCIA MÉDIA EM RELAÇÃO AO SOL mercúrio 3,21 minutos-luz vênus 6,01 minutos-luz Terra 8,30 minutos-luz Marte 12,67 minutos-luz Cinturão de Asteroides (mínima) 18,29 minutos-luz Cinturão de Asteroides (máxima) 27,44 minutos-luz Júpiter 43,27 minutos-luz Saturno 1,32 horas-luz Urano 2,66 horas-luz Netuno 4,17 horas-luz Plutão 5.47 horas-luz Cinturão de Kuiper (mínima) 4,15 horas-luz Cinturão de Kuiper (máxima) 6,93 horas-luz Nuvem de Oort (interna) de 41,58 a 1386,14 horas-luz Nuvem de Oort (externa) de 1386,14 a 13861,44 horas-luz Módulo 1 · Introdução Parsec É uma unidade de distância utilizada para definir ou representar distâncias estelares. É representado pelo símbolo (pc). 1pc= 30.857×1012 km ou 1pc= 206.26×103 AU A palavra parsec é uma contração de “paralax” (paralaxe) e “second” (segundo). Unidade Astronômica A unidade astronômica é definida como a distância média entre a Terra e o Sol. Sua abreviação é U.A. (sempre em letras maiúsculas). Uma unidade astronômica equivale a 149 597 870,69 km. Em geral, é válida a aproximação de 150 milhões de quilômetros. Uma unidade astronômica equivale a aproximadamente 499 segundos-luz. Um feixe de luz leva aproximadamente 8,3 minutos para viajar uma unidade astronômica. Isso significa que uma partícula de luz, ou fóton, depois que deixa o Sol leva 8,3 minutos para alcançar a Terra. DISTÂNCIA MÉDIA EM RELAÇÃO AO SOL OBJETO CELESTE EM QUILÔMETROS (VALORES APROXIMADOS) EM UNIDADES ASTRONÔMICAS (UA) mercúrio 57 900 000 0,387 vênus 108 200 000 0,723 Terra 149 600 000 1 Marte 227 900 000 1,524 Cinturão de Asteroides (mínima) 330 000 000 2,206 Cinturão de Asteroides (máxima) 500 000 000 3,342 Júpiter 778 300 000 5,203 Saturno 1 427 000 000 9,539 Urano 2 869 600 000 19,182 Netuno 4 496 600 000 30,058 Plutão 5 900 100 000 39,44 Cinturão de Kuiper (mínima) 4 488 000 000 30 Cinturão de Kuiper (máxima) 7.480.000.000 ~ 50 Nuvem de Oort (interna) de 44 880 000 000 a 1 496 000000 000 de 300 a 10 000 Nuvem de Oort (externa) de 1 496 000 000 000 a 14 960 000 000 000 de 10 000 a 100 000 O Sistema Solar 27 05 Utilizando unidades astronômicas, o sistema solar pode ser representado da seguinte forma: A “lei de TitiusBode” Titius (1729-1796). Escala de distância no Sistema Solar. A “LEI DE TITIUS-BODE” A primeira característica do sistema solar que os astrônomos observaram, e os intrigou bastante, foi o espaçamento que havia entre os planetas. Desde a antigüidade, todos que se dedicaram a entender o universo sempre procuraram por regularidades no espaçamento entre os planetas. Os astrônomos antigos (século XVIII) notaram que enquanto planetas mais próximos do Sol possuem distâncias pequenas entre si, ela aumenta entre os planetas gigantes. Além disso, parecia haver um “vazio” entre Marte e Júpiter. Vale lembrar que nessa época os astrônomos desconheciam a existência do cinturão de ssteróides, situado entre Marte e Júpiter. Em 1766 o astrônomo prussiano Johann Daniel Tietz (1729 - 1796), mais conhecido como Titius, (imagem à esquerda) analisando as distâncias entre os planetas desenvolveu uma equação que parecia permitir o cálculo do afastamento desses corpos em relação ao Sol. Titius definiu a distância do Sol a Saturno como sendo de 100 unidades. Assim, 28 Módulo 1 · Introdução Mercúrio estaria a quatro unidades do Sol, Vênus a 4 + 3, Terra a 4 + 6, Marte a 4 + 12. Faltava um corpo a 4 + 24 (Júpiter) a 4 + 48 e, por fim, Saturno a 4 + 96 = 100. Essa progressão pode ser calculada através da relação: Yi = 0,4 + 0,3 (2n) onde Y representa a distância de um planeta qualquer i até o Sol. Como apenas seis planetas eram conhecidos na época de Titius, i variava de 1 até 6. A letra n representava numericamente a ordenação dos planetas então conhecidos em relação ao Sol. Assim, n assumia o valor “menos infinito” para Mercúrio, zero para Vênus, um para a Terra, dois para Marte, três para um lugar onde deveria existir um planeta ainda não observado, quatro para Júpiter e cinco para Saturno. Baseado nos cálculos realizados com essa relação matemática, Titius propôs a existência de um planeta entre Marte e Júpiter, ou seja, com n = 3. Em 1781 a fórmula obtida por Titius passou por uma confirmação estrondosa: o astrônomo William Herschel e sua irmã Caroline Herschel descobriram no dia 13 de março de 1781 um novo planeta, Urano, situado a uma distância do Sol equivalente a 4 + 192 unidades. Este fato foi utilizado por outro astrônomo, Johann Elert Bode (1747 -1826), para divulgar a idéia de que estaria faltando um planeta na região equivalente a cerca de 28 unidades. De fato, alguns anos mais tarde foi descoberto o primeiro asteroide, Ceres, a exatamente 2,8 unidades astronômicas. Esta descoberta passou a ser vista como a confirmação definitiva da validade da regra das distâncias planetárias descrita acima, passando a ser conhecida como “lei de Titius-Bode”. Para obter a série de Titius-Bode para o Sistema Solar, começamos com 0,4 unidades astronômicas, e então forma-se uma série adicionando 0,0, 0,3, 0,6, 1,2, 2,4, etc., e dobrando sempre esses valores. Os resultados que ela prevê são: PLANETAS “LEI” DE TITIUS-BODE DISTÂNCIAS CALCULADAS mercúrio 0,4 U.A. 0,3871 U.A. vênus 0,7 U.A. 0,7233 U.A. Terra 1,0 U.A. 1,0000 U.A. Marte 1,6 U.A. 1,5237 U.A. Cinturão de Asteroides 2,8 U.A. -- U.A. Júpiter 5,2 U.A. 5,2026 U.A. Saturno 10,0 U.A. 19,6 U.A. Urano 19,6 U.A. 19,2181 U.A. Netuno 38,8 U.A. 30,1096 U.A. Plutão-caronte 77,2 U.A. 39,4387 U.A. No entanto, observações astronômicas constataram que existia não apenas um corpo entre Marte e Júpiter, mas uma grande quantidade de pequenos objetos. Os defensores da “lei” procuraram se adaptar à nova descoberta e propuseram que o que estavam vendo agora seriam os restos de um planeta que havia existido nesse local, entre Marte e Júpiter, e que teria explodido. Contudo, a descoberta de Netuno e Plutão pôs fim à validade da “lei”, que falha completamente na previsão das posições desses dois planetas. Além disto, estudos mostraram que a diversidade de órbitas e composições encontrados entre os asteroides também não são compatíveis com a hipótese de fragmenO Sistema Solar 29 06 As propriedades dos corpos do Sistema Solar tação de um único corpo. A “lei de Titius-Bode” é apenas uma regra numérica empírica e não fornece nenhuma explicação fisicamente fundamentada de porque as distâncias planetárias deveriam obedecer tal regra. Atualmente ela tornou-se apenas uma referência histórica. AS PROPRIEDADES DOS CORPOS DO SISTEMA SOLAR Uma segunda característica importante é a de que todos os planetas giram em torno do Sol na mesma direção. Um observador imaginário colocado no pólo norte do Sol veria os planetas se deslocando da direita para a esquerda, ou seja, num sentido anti-horário. As órbitas dos planetas são quase circulares e aproximadamente coplanares. As únicas exceções são Mercúrio e Plutão que, embora girem na mesma direção dos demais, seguem órbitas ligeiramente excêntricas e inclinadas. É importante conhecer algumas propriedades comumente citadas na descrição das órbitas dos corpos celestes. Propriedades físicas das órbitas Excentricidade Representação das órbitas dos corpos do Sistema Solar. Ilustração das excentricidades. É o valor que indica o quanto a órbita descrita pelo corpo celeste difere de uma circunferência. A excentricidade pode assumir valores que vão de 0, quando a órbita é uma circunferência perfeita, até 1, quando a órbita pode ser representada aproximadamente por uma elipse “completamente achatada”, ou seja, um segmento de reta. A imagem abaixo mostra a excentricidade das órbitas dos planetas. Nota-se que praticamente não há diferenças entre elas. No entanto, essas órbitas não são circulares e sim elípticas. As órbitas dos cometas, que possuem uma excentricidade bem maior, diferem mais de um círculo. Inclinação É o valor que indica o ângulo entre a órbita descrita pelo corpo celeste e um plano de referência que, por convenção, é adotado como sendo o plano da órbita da Terra. O plano imaginário sobre o qual a Terra descreve sua órbita em torno do Sol é denominado eclíptica. 30 Módulo 1 · Introdução Semi-eixo maior É a distância média do corpo celeste ao Sol. Período de revolução É o intervalo de tempo gasto por um corpo celeste para descrever um movimento completo em torno de um outro. Na tabela 1 abaixo são listadas, para cada planeta, as características básicas de suas órbitas. TABELA 1 PERÍODO DE REVOLUÇÃO PLANETA SEMI-EIXO MAIOR (EM U.A.) EXCENTRICIDADE INCLINAÇÃO DO PLANO DA ÓRBITA DO PLANETA EM RELAÇÃO À ECLÍPTICA (EM GRAUS E MINUTOS) mercúrio 0,871 0,206 7o 00’ 87,969 dias-ano 115,9 dias vênus 0,7233 0,007 3o 24’ 224,701 dias 1 ano e 218,7 dias Terra 1 365,256 dias - 0,017 0o PERÍODO SIDERAL PERÍODO SINÓDICO O Sistema Solar 31 Marte 1,5237 0,093 1o 51’ 1 ano 321,73 dias 2 anos e 49,5 dias Júpiter 5,2026 0,048 1o 19’ 11 anos 314,84 dias 1 ano e 33,6 dias Saturno 9,5547 0,056 2o 30’ 29 anos 167,0 dias 1 ano e 12,8 dias Urano 19,2181 0,046 0o 46’ 84 anos 7,4 dias 1 ano e 4,4 dias Netuno 30,1096 0,009 1o 47’ 164 anos 280,3 dias 1 ano e 2,2 dias Plutão 39,4387 0,246 17o 10’ 247 anos 249,0 dias 1 ano e 1,5 dias Observação: Na tabela acima o “ano” equivale a um ano terrestre, ou seja, 365,256 dias. Algumas definições básicas sobre as configurações planetárias no céu Planetas inferiores São os planetas cujas órbitas estão localizadas entre a da Terra e do Sol. Eles são Mercúrio e Vênus. Os planetas inferiores podem ter duas configurações geométricas características no céu, formadas pela Terra, o planeta e o Sol: a conjunção inferior e a conjunção superior. Conjunção inferior Ocorre quando Mercúrio ou Vênus está alinhado entre a Terra e o Sol, visto por um observador na Terra. O alinhamento na conjunção inferior é Terra - planeta - Sol. Conjunção superior Ocorre quando Mercúrio ou Vênus está no lado oposto ao Sol, visto por um observador na Terra. O alinhamento na conjunção superior é Terra - Sol - planeta. Elongação É o ângulo entre o Sol e um planeta inferior, determinado por um observador na Terra. Existem duas elongações características: a elongação máxima a oeste e a elongação máxima a leste. Elongação máxima a oeste Ocorre quando Mercúrio ou Vênus está mais a oeste possível em relação ao Sol. Nesse caso o planeta “nasce” antes do Sol como uma “estrela matutina”. Elongação máxima a leste Ocorre quando Mercúrio ou Vênus está mais a leste possível em relação ao Sol. Nesse caso o planeta aparece acima do horizonte a oeste, depois do por do Sol, como se fosse uma “estrela vespertina”. Planetas superiores São os planetas cujas órbitas estão localizadas após a órbita da Terra. Eles são Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. 32 Módulo 1 · Introdução Os planetas superiores podem ter duas configurações geométricas no céu, formadas pela Terra, o planeta e o Sol: a conjunção e a oposição. Conjunção Ocorre quando o planeta superior está localizado “atrás” do Sol, visto por um observador na Terra. O alinhamento na conjunção é Terra - Sol - planeta superior. Oposição Ocorre quando o planeta superior está localizado de modo que a Terra está entre ele e o Sol, visto por um observador na Terra. O alinhamento na oposição é Sol - Terra - planeta superior. Período sinódico É o intervalo de tempo que separa duas configurações idênticas e sucessivas do sistema planeta-Sol-Terra como ocorre, por exemplo, entre duas oposições ou entre duas conjunções. O período sinódico de um planeta pode ser determinado observando-se o céu. Período sideral É o verdadeiro período orbital de um planeta, isto é, o intervalo de tempo que o planeta leva para realizar uma órbita completa em torno do Sol. O período sideral é obtido somente através de cálculos matemáticos. A rotação dos planetas do Sistema Solar Além do movimento de translação (ou órbita) que cada corpo descreve em torno do Sol, existe outro movimento, de rotação, que é realizado por todos esses corpos individualmente. Cada planeta e satélite natural gira em torno de O Sistema Solar 33 um eixo imaginário que os atravessa. Na maioria dos casos, o sentido da rotação é o mesmo descrito pelo corpo celeste ao realizar o seu movimento de translação em torno do Sol. A exceção é Vênus, que gira muito lentamente em direção contrária ao seu movimento de translação. Esse movimento é chamado de rotação retrógrada. TABELA 2 PLANETA PERÍODO DE ROTAÇÃO mercúrio 58,646 dias vênus 243 dias (MOVIMENTO RETRÓGRADO) Terra 23 horas 56 minutos 04 segundos Marte 24 horas 37 minutos 23 segundos Júpiter de 9 horas 50 minutos a 9 horas 56 minutos Saturno de 10 horas 14 minutos a 10 horas 39 minutos Urano 17 horas 06 minutos Netuno 15 horas 48 minutos Plutão 6 dias 9 horas 18 minutos A inclinação do eixo de rotação dos planetas Todos os planetas realizam seu movimento de rotação em torno de um eixo que não é perpendicular ao plano de sua órbita. A inclinação do eixo de rotação é definida como sendo o ângulo da inclinação do equador do planeta em relação ao plano de sua própria órbita. TABELA 3 PLANETA INCLINAÇÃO DO EIXO DE ROTAÇÃO mercúrio 0o vênus 2o 07’ Terra 23o 26’ Marte 23o 59’ Júpiter 3o 04’ Saturno 26o 44’ Urano 98o Netuno 29o Plutão ? Vale notar que os eixos de rotação Urano e Plutão são muito inclinados. Na verdade, eles estão quase situados nos planos de suas órbitas ao invés de serem perpendiculares a estes. Isso faz com que os dois planetas pareçam ter rotação retrógrada, semelhante a Vênus. No entanto, não é verdade. Os planetas Urano e Plutão não possuem rotação retrógrada. 34 Módulo 1 · Introdução A massa dos corpos do Sistema Solar Uma característica fundamental do sistema solar é o fato de que o Sol é o objeto com maior massa. Quanto mais massa tem um corpo, mais forte é a atração gravitacional que ele exerce sobre outros corpos. Em termos matemáticos, a atração gravitacional entre dois corpos é dada pela lei da gravitação universal, enunciada pelo físico inglês Isaac Newton: F = (G M1 M2)/(D2) onde M1 e M2 são as massas dos corpos e D é a medida da separação, ou distância, entre eles. O número representado por G é chamado de constante da gravitação. A tabela 4 mostra o percentual de massa dos corpos no Sistema Solar. TABELA 4 OBJETO PERCENTAGEMDA MASSA TOTAL NO SISTEMA SOLAR sol 99,80 Júpiter 0,10 Todos os cometas 0,05 todos os demais plantetas 0,04 satélites e anéis 0,00005 Asteroides 0,000002 Poeira cósmica 0,0000001 O Sistema Solar 35 Mais de 99% de toda a massa do Sistema Solar se concentra no Sol e quase todo o restante em um único planeta, Júpiter. A soma das massas dos outros oito planetas representa apenas 40% da massa de Júpiter. Portanto, o movimento de qualquer corpo no sistema é regido pela atração gravitacional do Sol, sendo perturbado em menor proporção pelos demais corpos. A massa dos planetas do é mostrada na tabela abaixo. TABELA 5 PLANETA MASSA (EM QUILOGRAMAS) MASSA EM RELAÇÃO À MASSA DA TERRA mercúrio 3,300 x 1023 0,055 vênus 4,870 x 1024 0,815 Terra 5,976 x 1024 1 Marte 6,420 x 1023 0,107 Júpiter 1,900 x 1027 317,80 Saturno 5,690 x 1026 95,1 Urano 8,680 x 1025 14,6 Netuno 1,020 x 1026 17,2 Plutão 1,290 x 1022 0,002 A massa de cada planeta em relação à massa da Terra é obtida dividindo-se o valor da massa do planeta pelo valor da massa da Terra (5,976 x 1024 kg), indicando se o planeta tem mais massa, ou não, que a Terra. 36 Módulo 1 · Introdução A gravidade superficial Um corpo com massa exerce atração gravitacional sobre outros corpos próximos dele. A massa de um corpo cria ao seu redor um campo gravitacional e todos os outros corpos que estejam dentro do campo sentem sua ação, exercida por intermédio de uma força chamada força gravitacional. Dessa forma, o Sol, planetas, satélites, etc. exercem atração gravitacional sobre os demais corpos celestes ou sobre objetos que estejam na sua superfície. Para que qualquer corpo possa deixar a superfície de um planeta ou satélite é necessário que ele possua uma velocidade suficientemente grande para vencer a atração gravitacional. Essa velocidade é chamada velocidade de escape. Esse é o motivo pelo qual um objeto lançado para cima retorna à superfície do planeta ou satélite. Nesse caso, a velocidade atingida por ele não foi suficiente para superar a atração gravitacional da Terra, ou seja, sua velocidade foi menor do que a velocidade de escape. A tabela a seguir mostra a gravidade superficial e a velocidade de escape em cada planeta. TABELA 6 PLANETA GRAVIDADE SUPERFICIAL (EM METROS/SEGUNDO2) mercúrio 3,78 vênus 8,60 Terra 9,78 Marte 3,72 VELOCIDADE DE ESCAPE (EM KM/SEGUNDO) 4,25 10,36 11,18 5,02 24,8 59,64 Saturno 10,5 35,41 Urano 8,5 21,41 Netuno 10,8 23,52 Plutão ? ? Júpiter A densidade e composição química dos corpos do sistema solar A densidade é outro aspecto fundamental que caracteriza os planetas. A densidade de um corpo estabelece uma relação entre sua massa e seu volume. Ela definida da seguinte forma: sua massa dividida pelo seu volume. densidade= massa/ volume A densidade de um corpo é diretamente proporcional à sua massa e inversamente proporcional ao seu volume, ou seja, para um mesmo valor de massa, quanto menor for o corpo mais denso ele será. O Sistema Solar 37 A tabela 7 apresenta a densidade média dos planetas. TABELA 7 38 PLANETA DENSIDADE MÉDIA (G/CM3) mercúrio 5,44 vênus 5,25 Terra 5,52 Marte 3,94 Júpiter 1,24 Saturno 0,63 Urano 1,21 Netuno 1,67 Plutão ? Módulo 1 · Introdução O gráfico acima mostra as densidades de substâncias e elementos químicos comparadas com as densidades planetárias. Vale notar, por exemplo, que a densidade da pedra-pomes e de Saturno são menores que a da água, significando que tanto a pedra-pomes como o gigantesco planeta flutuariam se colocados num recipiente com água (haja recipiente para colocar Saturno!). Já o aço e Mercúrio afundariam, pois suas densidades são maiores que a da água. As densidades dos planetas permitem separá-los em dois tipos básicos: os que apresentam densidade em torno de 5 g/cm3, como a Terra, e os com densidades muito menores, em torno de 1 g/cm3, como Júpiter. Os elementos químicos que compõem o Sistema Solar e suas vizinhanças A densidade de um corpo é função direta de sua composição. Uma maneira conveniente de expressar as abundâncias relativas dos diferentes elementos químicos presentes no sistema solar e adjacências é estimar quantos átomos de um determinado elemento são encontrados para cada milhão, bilhão ou trilhão de átomos de hidrogênio, o elemento químico mais abundante no universo. Os elementos mais abundantes no sistema solar são hidrogênio e hélio. Há também quantidades menores de oxigênio e carbono, além de pequenas porções de neônio, nitrogênio, magnésio, silício e ferro, dentre outros, conforme mostra a tabela 8. TABELA 8 ELEMENTO SÍMBOLO NÚMERO DE ÁTOMOS DO ELEMENTO QUÍMICOPOR MILHÃO DE ÁTOMOS DE H hidrogênio H 1 000 000 helio He 68 000 oxigênio O 690 carbono C 420 neônio Ne 98 nitrogênio N 87 magnésio Mg 40 silício 10,8 38 ferro ? ? enxofre Fe 34 argônio S 19 alumínio Al 3 calcio Ca 2 níquel Ni 2 Nessa tabela constata-se, por exemplo, que para cada milhão de átomos de hidrogênio são encontrados 68000 átomos de hélio, 690 de oxigênio, etc. O gráfico abaixo mostra as abundâncias dos 30 elementos químicos mais leves (do hidrogênio ao zinco) comparados com um valor de 1012 átomos de O Sistema Solar 39 hidrogênio (ou seja, um trilhão de átomos de hidrogênio). Por exemplo, para cada trilhão de átomos de hidrogênio existentes no espaço, existem cerca de 70 bilhões de átomos de hélio. Todos os elementos mais pesados que o zinco possuem abundâncias menores do que 1000 átomos por trilhão de átomos de hidrogênio. Os outros elementos químicos são muito mais raros. Por exemplo, para cada trilhão de átomos de hidrogênio existem apenas seis átomos de ouro. A presença dos vários elementos e compostos no sistema solar não é homogênea. Os metais são mais abundantes na região mais próxima ao Sol. Os silicatos e o material rochoso estão presentes até uma distância de aproximadamente 5 U.A., enquanto gelo tende a se concentrar na parte mais externa. A temperatura dos planetas A distribuição dos elementos químicos que formam os corpos do sistema solar é função direta da temperatura, incluindo a existência de uma região favorável à ocorrência de vida (todas as formas, atuais ou extintas, conhecidas na Terra). Quanto mais longe do Sol, mais frio ele será. As superfícies dos planetas são aquecidas primordialmente pela radiação do Sol e sua intensidade diminui com o quadrado da distância. Mercúrio tem uma temperatura superficial de até 230º.C. No outro extremo, a temperatura na superfície de Plutão não passa dos -220º.C. A existência de uma densa atmosfera também é um fator determinante na temperatura de um planeta ou satélite, podendo aumentá-la significantemente, como será visto com mais detalhes adiante. As temperaturas são expressas na escala de Kelvin (simbolizada por K) e nela não é utilizada a nomenclatura “graus kelvin”. A correlação entre Kelvin e grau Celsius é: 0 K = -273,15º.C. Plutão se encontra a cerca de 30 U.A. do Sol. Isso equivale a 100 vezes à distância de Mercúrio (0,3 U.A.). Logo, a temperatura na superfície de Plutão será 10 vezes menor que a de Mercúrio (porque 102 = 100). Então, se em Mercúrio for estimado 500 K, em Plutão a temperatura será 50 K. 40 Módulo 1 · Introdução Muitas estrelas podem ter planetas orbitantes com condições favoráveis à existência de vida, dentro das chamadas “zonas habitáveis”. Essas regiões são determinadas pela distância da estrela ao planeta. Ela estende-se do ponto em que a água ferveria (próximo demais da estrela) ao ponto em que a água congelaria (distante demais da estrela). Há também outros aspectos interessantes (e intrigantes) sobre o surgimento e evolução da vida na Terra. Sabe-se atualmente que existem microrganismos surgidos há bilhões de anos que se originaram obtendo energia diretamente de substâncias químicas inorgânicas no ambiente em que vivem (ou viveram, no caso dos fósseis). Seu habitat natural é a água muito quente, fontes hidrotermais encontradas em grandes profundidades oceânicas junto a vulcões submarinos, cuja base repousa no assoalho oceânico e o topo fica muito abaixo da superfície do mar. Nesses locais a profundidade, pressão e temperatura são extremas. A luz solar e a energia térmica transmitida por ela não alcança tais regiões. Mesmo sendo um ambiente completamente inóspito na própria Terra, existe vida. O Sistema Solar 41 AS MISSÕES APOLLO DESTINO: LUA MISSÃO Apollo 8 POUSO NA LUA Não pousou na Lua. Seu lançamento foi no dia 21 de dezembro de 1968 ASTRONAUTAS FEITO Frank Borman, James A. Lovell, Jr, William A. Anders Foi a primeira missão orbital tripulada a contornar a Lua, na véspera de Natal, 24 de dezembro. Os astronautas realizaram transmissões de televisão ao vivo além de fotografias da Terra e da Lua. Thomas P. Stafford, John W. Young, Eugene A. Cernan Essa missão também não pousou na Lua . A nave Apollo descreveu órbitas em torno da Lua. O "Módulo Lunar" desceu a uma distância de apenas 14,5 quilômetros da superfície do nosso satélite. Neil A. Armstrong, Michael Collins, Edwin E. "Buzz" Aldrin Pela primeira vez o ser humano pisa na Lua. O módulo lunar pousou na superfície da Lua quando restava apenas 30 segundos de combustível. Colheram amostras da superfície lunar. Charles "Pete" Conrad, Richard F. Gordon, Jr, Alan L. Bean Segundo pouso lunar. Reuniram e trouxeram de volta à Terra restos da sonda não tripulada Surveyor 3 que havia pousado na Lua em abril de 1967. James A. Lovell, Jr, Fred W. Haise, Jr., John L. Sweigert, Jr. Não houve pouso na superfície da Lua. A explosão de um tanque de oxigênio obrigou os astronautas a abortarem o pouso lunar. O "Lunar Module" levou-os em uma trajetória que contornou o nosso satélite e permitiu o retorno dos astronautas à Terra. Apollo 10 Não pousou na Lua. Seu lançamento foi no dia 18 de maio de 1969 Apollo 11 20 de julho de 1969 apollo 12 18 de novembro de 1969 apollo 13 Lançamento: 11 de abril de 1970 42 Módulo 1 · Introdução IMAGEM Alan B. Shepard, Jr., Stuart A. Roosa, Edgar D. Mitchell Pousaram na Lua na região de Fra Mauro. Foram realizadas amplas experiências científicas. Duas atividades extraveiculares (caminhadas na superfície da Lua) totalizaram 9 horas e 25 minutos. Os astronautas quase se perderam quando a paisagem da superfície da Lua os desorientou. Um carrinho de mão foi usado pela primeira vez para transportar rochas. David R. Scott, James B. Irwin, Alfred M. Worden Pousaram na Lua na região Hadley-Apennine. Pela primeira vez foi usado um veículo motorizado na superfície da Lua, o "Lunar Roving Vehicle". Os astronautas dirigiram por mais de 27 quilômetros. Também foi realizada a primeira caminhada espacial da Apollo. John W. Young, Thomas K. Mattingly II, Charles M. Duke, Jr O mau funcionamento quase cancela o pouso na Lua. Pousaram no Descartes Highlands, o que permitiu, pela primeira vez, o estudo de uma área com essa geologia. Permaneceram 3 dias na superfície da Lua e usaram, pela segunda vez, o "Lunar Roving Vehicle". Eles dirigiram o "Lunar Rover" a quase 18 km/ hora. Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans, Harrison H. Schmitt Schmitt tornou-se o primeiro cientistaastronauta a pousar na Lua. O "Lunar Roving Vehicle" foi usado pela terceira (e última) vez. Este foi o último vôo tripulado à Lua. apollo 14 3 de fevereiro de 1971 apollo 15 30 de julho de 1971 apollo 16 20 de abril de 1972 apollo 17 11 de dezembro de 1972 Todas as imagens e logos apresentados acima são copyright NASA. O Sistema Solar 43 PLANETOLOGIA COMPARADA A necessidade de compreender os planetas é uma das principais motivações para estudar o sistema solar. Até poucas décadas atrás, área científicas como geologia e meteorologia tratavam apenas de fenômenos associados à Terra. Hoje elas abrangem um contexto muito mais amplo, sendo aplicadas a todos os planetas e satélites. Com o acúmulo de dados coletados e analisados, a planetologia comparada se estabeleceu como uma área de estudo na astronomia. Seu principal objetivo é investigar os processos físicos que ocorrem (ou ocorreram) nos planetas e como funcionam nas diferentes condições existentes em cada um deles. Classificando e comparando os planetas Os planetas são classificados em duas grandes categorias: • Planetas Internos ou Terrestres Os quatro planetas mais próximos do Sol (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) são denominados planetas internos ou planetas terrestres. São relativamente pequenos, aquecidos devido à sua proximidade com a estrela e compostos basicamente por rochas e metais. Todos têm superfícies sólidas que guardam evidências de processos geológicos ocorridos em seus passados, que resultaram na formação de crateras, montanhas, vulcões, etc. • planetas externos ou gigantes Os quatro planetas seguintes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) são bem maiores que os internos. No entanto, são formados por materiais bem mais leves, como gases, gelo e líquidos. Situados após a órbita de Marte, são denominados planetas externos ou planetas gigantes. • e Plutão? Nos confins do sistema solar existe o pequeno Plutão. Desde 2006 ele não é mais considerado um planeta e também não é classificado como terrestre e nem gigante. Plutão é bastante parecido com os maiores satélites dos planetas gigantes. A tabela a seguir mostra as principais características dos planetas terrestre e gigantes. TABELA 9 44 MERCÚRIO VÊNUS TERRA MARTE distância ao sol (em unidades astronômicas - ua) 0,4 0,7 1,0 1,5 Período de translação em torno do Sol (em anos terrestres) 0,2 0,6 1,0 1,9 diâmetro equatorial (km) 4878 12102 12756 6790 massa (em comparação com a massa da Terra) 0,055 0,8 1,0 0,1 densidade (g/cm3) 5,4 5,3 5,5 3,9 Rotação em torno do seu eixo (em unidades de tempo terrestres: d= dias; h=horas) 58,6d -243d 23,9h 24,6h Inclinação do eixo de rotação (em graus) 0 2 23 24 Módulo 1 · Introdução JÚPITER SATURNO URANO NETUNO distância ao sol (em unidades astronômicas - ua) 5,2 9,5 19,2 30,1 Período de translação em torno do Sol (em anos terrestres) 11,9 29,5 84,1 164,8 diâmetro equatorial (km) 142800 120540 51200 49500 massa (em comparação com a massa da Terra) 318 95 14 17 densidade (g/cm3) 1,4 0,7 1,2 1,6 Rotação em torno do seu eixo (em unidades de tempo terrestres: d= dias; h=horas) 9,9 10,7 17,2 16,1 Inclinação do eixo de rotação (em graus) 3 27 98 29 O Sistema Solar 45 As figuras mostradas a seguir comparam o tamanho do Sol com os dos planetas. COMPARANDO TAMANHOS NO SISTEMA SOLAR CORPO CELESTE DIÂMETRO EQUATORIAL (EM KM) Diâmetro do Sistema Solar 15 000 000 000 000 Sol 1 390 000 Júpiter 142 400 Saturno 120 000 Urano 50 800 Netuno 48 600 Terra 12756 venus 46 12104 marte 6794 ganimedes (satélite de júpiter) 5262 Titã (satélite de saturno) 5140 Mercúrio 4878 Calisto (satélite de Júpiter) 4800 Io (satélite de júpiter) 3632 tritão (satélite de netuno) entre 3750 e 3250 Módulo 1 · Introdução lua (satélite da Terra) 3476 europa (satélite de Júpiter) 3138 plutão entre 2320 e 3000 Caronte (satélite(?) de Plutão) 1270 Sedna (possível objeto da Nuvem de Oort interna) 1000 - 1700 2004 DW (objeto do cinturão trans-netuniano) ~ 1500 Quaoar (objeto do cinturão trans-netuniano) ~ 1250 Ixion (objeto do cinturão trans-netuniano) 1065 (± 165) Ceres (asteroide) 1032 Varuna (objeto do cinturão trans-netuniano) 900 (+125/-145) 2002 AW197 890 ± 120 (outros milhões de objetos) ? Vale notar que satélites de alguns planetas são maiores que outros planetas, conforme mostrado na figura abaixo. O Sistema Solar 47 Composição e estrutura interna • Planetas Terrestres: São compostos por rochas e metais, uma composição bem distinta da apresentada pelos planetas gigantes. No entanto, vale notar que esses elementos estão entre os menos abundantes no universo, conforme mostra na tabela 8 da introdução. As rochas mais abundantes, chamadas silicatos, são compostas de silício e de oxigênio. Entre os metais encontra-se principalmente o ferro. Revendo a tabela 7 da introdução, constata-se que Mercúrio possui, proporcionalmente, mais metais na sua composição. A Terra, Vênus e Marte possuem aproximadamente a mesma composição, apresentando 2/3 de silicatos e 1/3 de metais. Dentre os metais destacam-se ferro e níquel. Devido à pouca quantidade de hidrogênio, estes planetas exibem uma expressiva variedade de compostos de oxigênio. Os materiais mais densos (metais) estão situados na parte central. Essa estrutura, chamada diferenciada, indica que em algum momento estes corpos foram aquecidos até o ponto fusão. Quando isso aconteceu os materiais mais pesados foram para a região central e os mais leves ficaram na superfície. É um processo similar ao experimento onde são colocados em uma vasilha azeite e vinagre. O azeite fica no fundo enquanto o vinagre flutua acima dele. No caso dos planetas, a estrutura diferenciada foi sendo preservada desde o momento em que começaram a esfriar, até atingir a conformação atual. A estrutura diferenciada indica que em algum momento chegaram a ter temperaturas superiores a 1300 K. • 48 Módulo 1 · Introdução Planetas Gigantes: Os dois maiores (Júpiter e Saturno) têm aproximadamente a mesma composição que o Sol, consistindo basicamente de hidrogênio (H) e hélio (He), numa proporção de 75% de H e 25% de He. Por isso também são conhecidos como “planetas gasosos”. Isso não é rigorosamente correto. Devido aos seus tamanhos, o gás no interior é comprimido tão fortemente que o hidrogênio passa do estado gasoso para o estado líquido. Em planetas líquidos ou gasosos, os elementos mais pesados tendem a se deslocar na direção de seu centro devido à força da gravidade. É o que ocorre tanto em Júpiter quanto em Saturno, que possuem núcleos compostos de rochas, metais e gelos. Urano e Netuno, apesar de serem bem menores, também têm núcleos compostos de rocha, metal e gelo. Um aspecto interessante é tamanho quase igual do núcleo nos quatro planetas gigantes, cerca de dez vezes o tamanho da Terra. Isso parece indicar que começaram a ser formados de modo semelhante e posteriormente capturaram hidrogênio e hélio para formar suas atmosferas. Neste caso, Urano e Netuno não foram tão “eficientes” em capturar gás quanto Júpiter e Saturno, e ficaram com tamanhos menores. Do ponto de vista químico, têm uma composição dominada por hidrogênio. Todo o oxigênio disponível se combina quimicamente com o hidrogênio para formar água (H2O). Uma composição química deste tipo é dita reduzida. Os demais compostos presentes nos planetas gigantes são: • metano (CH4) • amônio (NH3) • hidrocarbonetos ▶▶ etano (C2H6) ▶▶ acetileno (C2H2) ▶▶ etc. As nuvens superiores das atmosferas de Júpiter e Saturno são formadas por cristais de amônio, e em Urano por metano. Esse é o fator responsável pela sua coloração azulada. Planetas terrestres: a atividade geológica A principal característica dos planetas terrestres é a atividade geológica. Suas superfícies têm sido modificadas ao longo do tempo devido à ação de forças internas e externas. Todos os planetas terrestres têm sido bombardeados por corpos provenientes do espaço que deixam as superfícies cobertas de crateras. Embora existam provas de que o bombardeamento foi muito mais intenso nos primórdios do sistema solar, eles acontecem até hoje. Uma espetacular ocorrência recente foi a colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter, em meados de 1994, evento que foi acompanhado detalhadamente por astrônomos de todo o mundo. Por outro lado, forças internas também têm modelado as superfícies planetárias formando montanhas, erupção de vulcões, violentos terremotos e maremotos. Todos esses eventos ocorrem devido ao que é chama atividade geológica (ou tectônica) do planeta. Entre os que têm ou tiveram num passado recente o maior nível de atividade geológica estão a Terra, Vênus e Io (um dos satélites de Júpiter). Já a Lua, Marte e Mercúrio estão há muito tempo desprovidos de atividades tectônicas significativas. A imagem ao lado mostra a erupção de um vulcão em Io. Os diferentes graus de atividade geológica resultam do fato de que certos planetas possuem um interior quente. Os vulcões, por exemplo, são decorrência do calor que escapa do interior de um planeta. Este calor interno foi obtido durante o processo de formação. Entretanto, quanto menor for um planeta mais facilmente ele perde o calor interno e logo se torna inativo. Isso foi, provavelmente, o que aconteceu com Mercúrio e a Lua. Embora Marte também apresente evidências de ter possuído uma considerável atividade interna, ela cessou quase completamente. Do ponto de vista da astronomia, o grau de bombardeamento sofrido por um planeta é um parâmetro usado para reconstituir seu nível da atividade interna. Na Terra, por exemplo, apenas os impactos mais recentes (poucos milhões de anos) não foram apagados pela atividade geotectônica. Entretanto, em Marte ou na Lua, a superfície guarda registro de bilhões de anos de impactos e isto permite estimar sua idade. A datação de uma superfície planetária é feita a partir da quantidade e distribuição dos tamanhos das crateras existentes. As regiões mais jovens têm um número inferior de crateras, indicando que alguma atividade geológica interveio para apagá-las, deixando um menor número de crateras quando comparados com regiões mais velhas, onde são encontradas mais crateras. Imagem da superfície da Lua. Esse enorme conjunto de crateras é o resultado de milhares de impactos de asteroides e cometas ao longo de milhões de anos, certo? Parcialmente certo. A superfície esburacada foi formada desse modo, mas a imagem não é da Lua. É a superfície de Mercúrio, mostrando o resultado de milhões de anos de violentos impactos. O Sistema Solar 49 Planetas gigantes: energia interna Os planetas gigantes são caracterizados pela sua energia interna. Júpiter, por exemplo, irradia para o espaço circunvizinho uma quantidade de energia produzida no seu interior equivalente à que ele recebe do Sol. A energia interna emitida pelo planeta foi adquirida durante sua formação. Saturno também gera energia interna devido ao processo de diferenciação, que consiste na separação de hélio e do hidrogênio. Como o hélio é mais pesado, pequenas gotículas vão caindo na direção do núcleo e nesse processo geram calor. Netuno também tem uma pequena energia interna, mas o mesmo não ocorre em Urano. Como conseqüência, os dois planetas têm a mesma temperatura superficial, mesmo Netuno estando a uma maior distância do Sol. Os pequenos corpos Satélites Além dos planetas, o sistema solar também é formado por um grande número de pequenos corpos. Todos os planetas, com exceção de Mercúrio e Vênus, possuem um ou mais satélites com tamanhos variados. Alguns se assemelham a pequenos planetas enquanto outros possuem apenas alguns metros de diâmetro. Entre os maiores satélites destacam-se a Lua (satélite da Terra), Io, Europa, Ganimedes e Calisto (os quatro maiores satélites de Júpiter, chamados coletivamente de satélites Galileanos), Titã (satélite de Saturno), e Tritão (satélite de Netuno). Até o presente existem cerca de 100 satélites catalogados. Mas muitos outros, bem pequenos, continuarão sendo descobertos. Apenas a Lua é quimicamente e estruturalmente similar à Terra, enquanto a maioria dos satélites dos planetas externos têm composição similar ao núcleo do planeta que orbitam. Os três maiores satélites, Ganimedes, Calisto e Titã, são compostos por metade gelo e metade rochas e metais. As imagens abaixo mostram as superfícies de Ganimedes e Calisto. Ganimedes e Calisto Calisto, Ganimedes e Titã se diferenciaram nos primórdios da formação planetária porque precisaram atingir apenas a temperatura de derretimento do gelo e não a das rochas, como nos planetas terrestres. Atualmente eles têm densas superfícies de gelo muito duro e um interior composto de rochas e de metais. Anéis Cada um dos planetas gigantes também possui um sistema de anéis compostos por um imenso número de pequenos corpos, cujos tamanhos variam desde um grão de areia até o de uma montanha. Estes corpos seguem órbitas independentes ao redor do planeta. O sistema de anéis mais brilhante é o de Saturno, que também foi o primeiro a ser descoberto. A imagem abaixo mostra os finos anéis que circundam Júpiter, uma descoberta que surpreendeu os astrônomos. Asteroides e cometas Existem também outros pequenos corpos: asteroides e cometas. Os asteroides estão situados na parte interna do sistema solar, a maioria localizada entre as órbitas de Marte e de Júpiter no chamado cinturão de asteroides. Uma parte dos cometas é encontrada nos confins do sistema solar, o cinturão Trans-Netuniano (ou Cinturão de Kuiper). Está localizado em região muito afastada do Sol, indo de 30 a 50 U.A., começando próximo da órbita de Plutão. Devido às melhorias das técnicas observacionais, muitos objetos do 50 Módulo 1 · Introdução Cinturão Trans-Netuniano passaram a ser conhecidos. Alguns desses objetos são mostrados na figura abaixo. Outra parte dos cometas está localizada além de 50000 U.A. de distância do Sol, numa região denominada Nuvem de Oort. Os cometas são compostos de gelo, dióxido de carbono e monóxido de carbono. De tempos em tempos, perturbações retiram cometas da Nuvem de Oort, direcionando-os para o sistema solar interior. Quando se aproximam do Sol, seu gelo é volatilizado e tem início a formação das magníficas comas e caudas, que tanto tem impressionado as pessoas desde a antiguidade. A imagem ao lado, do cometa Halle-Bopp, mostra a beleza desses corpos celestes. Como asteroides e cometas são os menores corpos do sistema solar, provavelmente nunca foram aquecidos até o ponto de derretimento total dos materiais. Isto faz com que tenham preservado de modo praticamente inalterado seus componentes e a sua estrutura original. Por isso, asteroides e cometas são chamados de objetos primordiais. Seu estudo pode revelar dados fundamentais sobre os processos de formação e a subseqüente evolução do sistema solar, conforme será abordado mais adiante. O Sistema Solar 51 ATMOSFERAS PLANETÁRIAS Todos os planetas do sistema solar, e alguns de seus satélites, têm atmosfera. Seus envoltórios gasosos apresentam uma notável diversidade, causada tanto pelas variações nas condições iniciais da formação desses corpos quanto pelas condições sob as quais evoluíram. As atmosferas planetárias se diferenciam em sua composição química. Na tabela abaixo são dados, em percentagem, os principais elementos presentes nas atmosferas dos planetas terrestres e gigantes. TABELA 10 ELEMENTO SÍMBOLO MERCÚRIO (%) VÊNUS (%) TERRA (%) MARTE (%) dióxido de carbono CO2 - 96 0,03 95,3 nitrogênio N2 - 3,5 78,1 2,7 argônio Ar - 0,006 0,93 1,6 oxigênio O2 - 0,003 21,0 0,15 neônio Ne - 0,001 0,002 0,0003 ELEMENTO SÍMBOLO JÚPITER (%) SATURNO (%) URANO (%) NETUNO (%) hidrogênio H2 86,1 92,4 84 84? hélio He 13,8 7,4 14 ? metano CH4 0,09 0,2 2 amônio NH3 0,02 0,02 - - vapor de água H2O 0,008 - - - 2-3 As principais camadas da atmosfera são denominadas de troposfera, estratosfera, mesosfera e ionosfera, conforme ilustrado na figura ao lado. A temperatura, densidade e pressão diminuem com o aumento da altitude, isto é, das camadas inferiores para as superiores. Na Terra, a temperatura da troposfera vai diminuindo, de aproximadamente 300 K na superfície até próximo de 230 K na altitude entre 12-14 km. Nesse ponto ela começa a aumentar lentamente até atingir a altitude de aproximadamente 45 km. Então ocorre uma inversão de temperatura, diminuindo até atingir valores menores que 200 K, a 80 km de altitude. Por fim, a última inversão acontece quando a temperatura começa a aumentar muito lentamente, atingindo cerca de 200 K na altitude de 200 km. As estruturas das atmosferas dos demais planetas são bastante similares a essa. As atmosferas dos corpos celestes interagem de formas distintas com as respectivas superfícies, variando conforme a composição e estrutura. A Terra e Vênus são um bom exemplo, pois ambos são muito próximos e similares em tamanho. No caso da Terra, a atmosfera atua protegendo a superfície do calor e frio excessivos, de meteoros e também dos perigosos raios ultravioleta provenientes do Sol. Isso ocorre porque na troposfera existe uma camada de nuvens de vapor de água e uma pequena camada de dióxido de carbono. A luz proveniente do Sol atravessa essas camadas e chega à superfície, aquecendo-a. O calor é então reemitido pela superfície na forma de radiação infravermelha. Entretanto, a camada de dióxido de carbono reflete a maior parte dessa ra- 52 Módulo 1 · Introdução diação infravermelha de volta para o solo. Apenas uma pequena parte escapa para o espaço. A radiação que incide novamente no solo gera um aquecimento. Este processo, chamado efeito estufa, aumenta a temperatura média na superfície da Terra em aproximadamente 23o C. Sem ele a temperatura na superfície do planeta seria abaixo de zero e a Terra ficaria presa numa era glacial. O efeito estufa que ocorre na Terra é necessário para a vida no planeta. Contudo, o mesmo não pode ser dito sobre Vênus. 96% da sua atmosfera é composta por dióxido de carbono, ou seja, a espessa camada deste gás impede a radiação infravermelha proveniente do solo venusiano atravessar a atmosfera e escapar para o espaço. O que é espectro eletromagnético? E radiação infravermelha? A radiação emitida ou refletida pelos corpos celestes A luz emitida pelas estrelas é um tipo de radiação resultante da energia produzida no seu interior, que se propaga pelo espaço sob a forma de uma onda eletromagnética. Os planetas, seus satélites, asteroides e cometas que integram o sistema solar só são vistos porque refletem a luz solar incidente sobre eles. Para estudar a radiação emitida ou refletida pelos corpos celestes é necessário definir algumas grandezas básicas do movimento ondulatório. Uma onda possui as seguintes propriedades (ou características): • Comprimento de Onda: é a distância entre dois máximos consecutivos da onda. • Frequência: é o número de máximos da onda que passam por segundo num determinado ponto. PROPRIEDADE SÍMBOLO UNIDADE DE MEDIDA frequência ν Hertz (Hz) = ciclos/segundo λ centímetro (cm) ou Ångstroms (Å) = 10-8 cm ou nanometros (nm) = 10-9 m = 10-7 cm = 10Å comprimento de onda A velocidade de propagação de uma onda eletromagnética é representada pela letra c e corresponde, no vácuo, a c = 3 x 1010 cm/seg Se ν máximos da onda passam por um determinado ponto a cada segundo, cada um deles separados por λ cm, a velocidade de propagação da radiação eletromagnética é dada por: velocidade de propagação da radiação eletromagnética = c c = ν x λ = frequência x comprimento de onda A frequência e o comprimento de onda se relacionam através das expressões: ν = c/λ O Sistema Solar 53 ou λ = c/ ν A radiação eletromagnética Luz visível, ondas de rádio, microondas, raios X, etc. são formas diferentes da radiação eletromagnética. Cada uma delas está definida num intervalo de comprimentos de onda e energia. O conjunto de todos os valores da radiação eletromagnética é denominado espectro eletromagnético. Os diversos intervalos do espectro eletromagnético são: INTERVALO COMPRIMENTO DE ONDA CARACTERÍSTICAS raios gama abaixo de 0,1 Å é a frequência mais alta, o comprimento de onda mais curto e a radiação que possui maior energia raios X 0,1 Å - 100 Å - ultravioleta 100 Å -- 3000 Å - luz visível 3000 Å a 10000 Å = 1 µm (1 micrometro ou micron) é a única radiação eletromagnética que os olhos humanos podem perceber. infravermelho 1 µm - 1 mm - ondas rádio acima de 1 mm é a frequência mais baixa, ou o comprimento de onda mais longo. É também a energia mais baixa. Na imagem a seguir, ao passar o cursor sobre a representação da onda eletromagnética (na parte de baixo da figura) tem-se uma demonstração de como o universo aparece em cada região do espectro eletromagnético. O espectro eletromagnético com maior detalhamento O conjunto completo das radiações eletromagnéticas é denominado espectro eletromagnético. A tabela abaixo mostra a classificação da energia em ordem decrescente e comprimento de onda em ordem crescente: 54 Módulo 1 · Introdução REGIÃO DO ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO (EM ORDEM DECRESCENTE DE ENERGIA) COMPRIMENTO DE ONDA raios gama menos que 0,1 Å (Ångstrom) raios X 0,1 a 200 Å raios ultravioleta 200 a 4000 Å luz visível 4000 a 7000 Å infravermelho ondas de rádio infravermelho próximo 7000 Å a 10 microns infravermelho médio 10 microns a 60 microns infravermelho longínquo 60 microns a 300 microns sub milimétrico 300 microns a 1 milímetro rádio milimétrico 1 milímetro a 1 centímetro microondas rádio 1 milímetro a vários centímetros Qualquer objeto com temperatura superior a zero grau emite energia, chamada de radiação térmica. A relação entre a quantidade de energia emitida por um corpo, o comprimento de onda (ou frequência) desta radiação e a temperatura do corpo é conhecida como equação de Planck, em homenagem ao físico alemão Max Planck (1858-1947) que primeiro a descobriu. A lei de Planck é dada por: E=hν onde h = 6,625 x 10-27 erg x seg é a constante de Planck. Logo, uma onda também é caracterizada pela sua energia E. Definição: erg é uma unidade de medida de energia dada pela relação (grama x centímetro2)/(segundo2). Como ν = c/λ, tem-se que: E = hc/λ A equação acima permite uma conclusão imediata: quanto maior for o comprimento de onda λ menor será a energia que a onda transporta, tornando-se, portanto, mais difícil detectá-la. As equações do eletromagnetismo, conhecidas como equações de Maxwell, não estabelecem qualquer limite sobre os possíveis comprimentos de onda. Os corpos celestes emitem radiação eletromagnética com todos os comprimentos de onda, e ao mesmo tempo. No entanto, os olhos humanos só conseguem perceber parte do espectro, chamado espectro visível. A astrofísica moderna possui detectores especiais capazes de realizar observações e medições em todas as regiões do espectro eletromagnético. Deste modo é possível ter uma descrição completa de toda a energia irradiada por um corpo celeste com qualquer comprimento de onda. Mais adiante será mostrado que alguns planetas emitem grandes quantidades de radiação fora do espectro visível, como por exemplo, Júpiter. A radiação infravermelha é refletida para o solo, sendo aquecido novamente num processo que se repete continuamente. No caso de Vênus, portanto, o efeito estufa faz com que a temperatura da superfície aumente sempre, atingindo cerca de 730 K. Sua pesada atmosfera também faz com que a pressão na superfície seja quase noventa vezes maior que a da Terra. O Sistema Solar 55 Detalhes da atmosfera de Jupiter. Atmosfera de Jupiter. Estruturas de Saturno. 56 Módulo 1 · Introdução Marte, por outro lado, tem uma atmosfera muito tênue, com uma pressão superficial cerca de 150 vezes menor que a da Terra. Apesar da atmosfera marciana ser 95% formada por dióxido de carbono, não acontece o efeito estufa devido à falta de uma atmosfera espessa. Consequentemente, a temperatura da superfície é cerca de 50 K menor que a da Terra. Júpiter e Saturno têm uma atmosfera cuja aparência é caracterizada por faixas (ou bandas) de nuvens com cores distintas, como pode ser visto na imagem de Júpiter (ao lado). As nuvens são compostas basicamente por cristais de amônio que se condensam devido às baixas temperaturas. Essas camadas de nuvens definem a separação entre a troposfera e a estratosfera do planeta. As cores marrom, amarelo e vermelho das faixas são geradas por processos químicos complexos, envolvendo compostos de sulfetos e de fosfatos. As faixas são regiões de alta pressão criadas pela ascensão de material quente, alternadas com regiões de baixa pressão formadas pela descida de material frio. Sua estrutura é muito dependente de um vento estável que se propaga na direção leste-oeste. Este vento tem velocidade máxima da ordem de 500 km/h em Júpiter e 1300 km/h em Saturno. As velocidades são relativas ao equador desses planetas, desaparecendo completamente nos pólos. Em Urano e Netuno, devido às temperaturas muito baixas, não existe amônio nas camadas superiores de suas atmosferas. Elas são formadas apenas por metano, que absorve comprimentos de onda longos. Isso é a causa da cor azulada da atmosfera destes planetas. No caso de Urano, a sonda Voyager revelou a existência de algumas nuvens claras, provavelmente na baixa atmosfera, que se moviam com velocidades da ordem de 200 a 400 km/h. Em Netuno a Voyager também observou algumas nuvens claras com velocidades próximas a 2000 km/h. Além da circulação atmosférica gerada por processos descritos acima, existem planetas com muitas estruturas locais, sendo as mais proeminentes as grandes regiões de alta pressão com forma ovalada. A mais conhecida situa-se em no hemisfério sul de Júpiter, chamada de “grande mancha vermelha”, com diâmetro de aproximadamente 30000 km. Observada pela primeira vez há cerca de 300 anos, a grande mancha tem mudado de tamanho, mas nunca desapareceu. Sua rotação anti-horária (para um observador colocado nela e olhando para o equador do planeta) tem um período de cerca de 6 dias, assemelhando-se a um tufão. Três estruturas semelhantes à grande mancha, com diâmetro de aproximadamente 10000 km, são observadas bem perto dela desde 1940. Embora pouco se saiba sobre o mecanismo de formação dessas estruturas, é fácil entender como podem durar tanto tempo. Na Terra os tufões duram algumas semanas (ou menos) devido à fricção com o solo que dissipa sua energia. Em Júpiter não existe superfície sólida. Portanto, não há dissipação e uma estrutura do tamanho da grande mancha pode durar séculos. Ovais menores também são observados em Saturno como mostra a imagem ao lado As imagens de Netuno obtidas pela sonda Voyager 2 em 1989 também mostraram uma grande mancha escura, muito similar às ovais de Júpiter e Saturno. Essa estrutura, com um diâmetro de aproximadamente 10000 km, foi denominada de “grande mancha escura” (imagem ao lado) em contraposição à grande mancha vermelha de Júpiter. Entretanto, para surpresa dos pesquisadores, imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble, em 1999, mostraram que a grande mancha escura havia desaparecido da superfície de Netuno. Até hoje os astrônomos têm dúvidas sobre o que seria a mancha escura presente nas várias imagens obtidas pela Voyager (imagem na página seguinte). Foram detectadas atmosferas também em Plutão e em dois satélites, Titã e Tritão (de Saturno e Netuno, respectivamente). Nos três casos a atmosfera é quase totalmente composta por nitrogênio, assim como a da Terra. Entretanto, a atmosfera terrestre tem sido profundamente afetada ao longo do tempo pela presença dos organismos vivos que controlam cerca de 20% da presença de O2, mantendo-a longe do equilíbrio termoquímico. Isso não ocorre em outros corpos. Em Plutão e Tritão a atmosfera é muito tênue, diferente de Titã, onde é muito espessa. Acredita-se ser similar àquela que a Terra teve antes da vida surgir. A combinação com o metano presente na superfície de Titã, provavelmente na forma líquida, pode levar à formação de longas cadeias de hidrocarbonetos, moléculas orgânicas e nitratos. Por ser tão interessante devido à formação de compostos orgânicos (que podem, ou não, levar à existência de formas de vida) a sonda Cassini foi equipada para atravessar a densa atmosfera do satélite e enviar dados para a Terra. A ESTRUTURA INTERNA DOS PLANETAS Mesmo com todos os avanços tecnológicos ainda é pequeno o conhecimento sobre os interiores planetários, quase sempre obtidos através de métodos indiretos. Essa realidade aplica-se, em menor escala, à própria Terra. O conhecimento direto de sua estrutura interna restringe-se a alguns quilômetros de profundidade na crosta. Portanto, o conhecimento da estrutura interna da Terra também depende de métodos indiretos, onde se destaca como uma das principais áreas de estudo a sismologia. Com instrumentos apropriados, denominados sismógrafos, a sismologia estuda a propagação dos diferentes tipos de ondas geradas num terremoto (ondas sísmicas) capazes de atravessar todas as regiões internas do planeta. Após minuciosa análise e interpretação dos registros, detalhes dessa estrutura vão sendo revelados. Cada terremoto gera, a partir de seu epicentro, ondas sísmicas que se deslocam através do interior da Terra e podem ser registradas em vários pontos da superfície utilizando sismógrafos. Elas possuem tipos distintos e se propagam conforme as propriedades do meio por onde passam. Portanto, o estudo da propagação das ondas no interior da Terra permite determinar diferenças estruturais dos materiais constituintes. Por exemplo, ao constatarem que em regiões opostas ao epicentro de um terremoto não eram registradas alguns tipos de ondas, os sismólogos concluíram corretamente que uma parte do núcleo da Terra deve ser formada por material viscoso. Certos tipos de ondas não se propagam nesses meios porque são ondas cisalhantes e o cisalhamento só pode ocorrer em meios sólidos. Outra evidência para o conhecimento da estrutura interna dos planetas é a densidade. Conforme mostrado na tabela 7 da introdução, a densidade total da Terra é de 5,5 g/cm3. Entretanto, a densidade das rochas superficiais terrestres varia entre 2,6 e 3,0 g/cm3. Assim, pode-se deduzir que o interior da Terra é muito mais denso do que a superfície, atingindo em seu núcleo valores tão altos como 10 g/cm3. Outro dado indireto é obtido a partir de grutas e minas. Quanto mais fundo, mais quente o ambiente se torna. Então, é razoável supor que o interior da Terra deve ser mais quente do que a superfície. As propriedades das rochas encontradas na superfície da Terra também fornecem importantes indícios sobre a estrutura do planeta. Certas rochas são formadas pelo derretimento de outras rochas e algumas são oriundas de profundidades com até 200 km. Isto indica que as camadas inferiores devem estar derretidas e que existem grandes pressões e temperaturas em regiões profundas. O Sistema Solar 57 Ilustração do núcleo interno. 58 Módulo 1 · Introdução Um dos fatos mais relevantes oriundo de estudos sismológicos é que o núcleo da Terra possui uma parte sólida, chamada núcleo interno e outra formada por um material altamente viscoso, turbulento e que se move lentamente, o núcleo externo. A teoria mais aceita sobre a origem do campo magnético da Terra, chamada geodínamo, está relacionada com processos físicos que ocorrem no núcleo externo. A partir dessas informações é possível ter uma visão confiável da estrutura interna da Terra. Abaixo da atmosfera existe uma camada com uma espessura entre 5 e 50 km, denominada crosta. A parte da crosta que fica abaixo dos oceanos tem uma espessura típica entre 5 e 10 km e é composta por rochas vulcânicas conhecidas como basaltos. A parte da crosta continental, que tem entre 30 e 50 km de espessura é composta por rochas também de origem vulcânica, chamadas granitos. Abaixo da crosta há uma espessa camada, o manto, que chega até cerca de 2900 km de profundidade e possui duas regiões com características distintas: o manto superior e manto inferior. No manto, devido ao calor e às pressões existentes, as rochas são deformadas e se tornam um material dúctil e denso chamado magma. A densidade no manto aumenta com a profundidade, resultado da compressão causada pelo peso do material e varia de 3,5 g/cm3 até mais de 5 g/cm3. A partir de 2900 km encontra-se o denso núcleo metálico do planeta, com um raio de cerca de 3500 km, maior do que o raio do planeta Mercúrio. A parte externa, ou núcleo externo, é formada por um material altamente viscoso que se move lentamente, enquanto a interna, ou núcleo interno, com um raio de cerca de 1300 km, é extremamente densa e sólida. Tanto o núcleo externo como o interno são formados essencialmente por ferro e níquel. Mercúrio tem o interior dominado por um núcleo metálico que chega a conter cerca de 60% de toda a massa do planeta. Esse núcleo tem um raio de aproximadamente 1750 km e acima dele existe uma camada de rochas com uma espessura de cerca de 700 km. Mercúrio tem um campo magnético fraco (comparado com o da Terra), um indício de que pelo menos parte do seu núcleo também deve ser composta por materiais viscosos. O conhecimento do interior de Vênus e de Marte ainda é pequeno. No caso de Vênus sabe-se que seu interior deve ser quente (ou ter sido, num passado distante) devido aos traços de intensa atividade vulcânica observados na su- perfície do planeta. Vênus deve ter um núcleo rico em metais, mas não tem magnetosfera, ou seja, não possui campo magnético no espaço que o circunda. Marte também não tem magnetosfera e possui muito pouco metal, sendo que o seu núcleo metálico tem o tamanho de apenas 40% de seu diâmetro. A estrutura do interior dos planetas gigantes é dominada pela pressão. No caso de Júpiter, em seu centro a pressão deve chegar a 100 x 106 bar atingindo o material ai localizado a fantástica densidade de 31 g/cm3. Vale considerar, para fins de comparação, que no centro da Terra a pressão é 4 x 106 bar e a densidade 10 g/cm3. A estrutura dos planetas gigantes é bem similar entre si. Em todos existem nuvens superficiais formadas por hidrogênio e hélio. A medida que a profundidade aumenta as pressões se tornam muito fortes e o hidrogênio passa ao estado líquido, denominado hidrogênio metálico. Devido à alta compressão muitos elétrons se tornam livres, passando a ter um comportamento de metal. Por fim, existe um pequeno núcleo composto de rochas, basicamente formadas por ferro, silício, oxigênio, gelo de carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio. É importante ressaltar que os quatro planetas gigantes têm núcleos aproximadamente do mesmo tamanho, entre 14000 e 20000 quilômetros de raio. O que os faz diferirem é o tamanho das camadas superiores. No caso de Júpiter a camada de hidrogênio metálico atinge 45000 quilômetros de espessura e 24000 quilômetros em Saturno. Esta camada de hidrogênio metálico não existe em Urano e Netuno que possuem uma camada de hidrogênio com raio de cerca de 25000 quilômetros. Em Saturno a camada de hidrogênio tem uma espessura de 30000 quilômetros e em Júpiter 20000 quilômetros. Entre os pequenos corpos os cometas são agregados homogêneos de gelo de água e poeira com pouca coesão, podendo ser facilmente destruídos. Os satélites pequenos e os asteroides também têm interiores basicamente homogêneos, isto é, poucos diferenciados. Os satélites maiores têm interiores basicamente compostos de gelos e rochas. A única exceção é Io, satélite de Júpiter, que é o objeto com maior atividade vulcânica de todo o Sistema Solar. Esta intensa atividade vulcânica é devida ao interior líquido deste corpo e é causada pela atração gravitacional de Júpiter. Io está a uma distância de Júpiter aproximadamente igual à distância Terra-Lua. Entretanto, Júpiter tem 300 vezes mais massa do que a Terra e sua intensa força gravitacional distorce o satélite, fazendo-o assumir uma forma elongada. Essa “maré” se extende por vários quilômetros na direção de Júpiter. Se Io mantivesse sempre a mesma face voltada para Júpiter a distorção não produziria calor. Entretanto, Io sofre perturbações produzidas por outros satélites de Júpiter, principalmente Europa e Ganimede, fazendo com que ele desenvolva uma órbita ligeiramente excêntrica. À medida que Io se aproxima e se afasta de Júpiter, as forças de atrito vão aquecendo o interior do satélite, gerando o intenso vulcanismo observado nele. Depois de bilhões de anos de flexão e torção, o interior de Io se tornou completamente derretido e sua crosta é constantemente refeita pela ação do vulcanismo. A estrutura do interior dos planetas gigantes é dominada pela pressão. Em Júpiter a pressão pode chegar a 108 bar no seu centro e uma densidade na ordem de 31 g/cm3. Para fins de comparação, no centro da Terra a pressão é cerca de 4 x 106 bar e a densidade 10 g/cm3. A estrutura dos planetas gigantes é bastante similar entre si. Neles existem nuvens superficiais formadas por hidrogênio e hélio em estado gasoso. À medida que a profundidade aumenta as pressões se tornam muito fortes e o hidrogênio muda para o estado líquido, também chamado hidrogênio metálico. Por fim, encontra-se um pequeno núcleo composto de rochas, basicamente formadas por ferro, silício, oxigênio, gelo de carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio. Ilustração do núcleo interno. O Sistema Solar 59 É importante ressaltar que os quatro planetas gigantes têm núcleos cujos raios variam entre 14000 e 20000 km. O fator que os diferencia é o tamanho das camadas superiores. No caso de Júpiter a camada de hidrogênio metálico atinge 45000 km de espessura contra 24000 km em Saturno. A camada de hidrogênio metálico não existe em Urano e Netuno, que possuem apenas uma camada de hidrogênio molecular com raio de aproximadamente 25000 km. Em Saturno a camada de hidrogênio molecular tem espessura de 30000 lm e em Júpiter cerca de 20000 km. Algumas unidades de medida de pressão A pressão atmosférica em um determinado ponto é igual ao peso de uma coluna de ar com seção reta unitária, cuja altura se estende desse ponto até o ponto mais alto da atmosfera. Portanto, a pressão atmosférica diminui com a altitude. Há variações da pressão atmosférica de dia para dia, porque ela não é estática. A pressão ao nível do mar varia ligeiramente, em função de mudanças nas condições meteorológicas. A pressão exercida por uma coluna de mercúrio com 76 centímetros, a 0o Celsius e sob condição normal da gravidade (g= 980,665 cm/seg2) é chamada de uma atmosfera, sendo representada pelo símbolo atm. Existem outras unidades de medida de pressão comumente usadas em meteorologia, que são o bar e o milibar. A palavra bar significa peso em grego. Um bar = 103 milibar. TRANSFORMANDO UNIDADES DE MEDIDA DE PRESSÃO 1 atmosfera = 1,013 bar 1 bar = 0,9869 atmosfera Conforme mostra a tabela acima a unidade de medida de pressão, “atmosfera”, é aproximadamente igual à pressão atmosférica no nível do mar. Os pequenos corpos Os cometas são agregados de gelo de água e poeira com pouca coesão. Os pequenos satélites e os asteroides têm interiores homogêneos e pouco diferenciados entre si. Os satélites maiores têm interiores compostos de gelos e rochas, onde a única exceção é Io, satélite de Júpiter, o objeto com maior atividade vulcânica em todo o sistema solar. A intensa atividade vulcânica devese ao seu interior líquido e a atração gravitacional de Júpiter. Ele está a uma distância aproximadamente igual à distância entre a Lua e a Terra. Entretanto, Júpiter tem 300 vezes mais massa que a Terra. A intensa força gravitacional distorce o satélite, fazendo-o assumir uma forma elongada e produzindo uma “maré” que se estende por vários quilômetros na direção do planeta. Se Io mantivesse sempre a mesma face voltada para Júpiter, a distorção não produziria calor. Entretanto, sofre perturbações produzidas pelos outros satélites de Júpiter, principalmente Europa e Ganimede, fazendo com que possua uma órbita ligeiramente excêntrica. Enquanto Io se aproxima e se afasta de Júpiter, as forças de atrito vão aquecendo o interior do satélite, gerando o intenso vulcanismo. Depois de bilhões de anos de flexões e torções, o interior de Io foi completamente derretido e sua crosta é constantemente refeita pela própria ação do vulcanismo. 60 Módulo 1 · Introdução SUPERFÍCIES PLANETÁRIAS As superfícies dos corpos do sistema solar apresentam marcas de diferentes processos que nelas ocorrem como, por exemplo, formação de crateras, vulcanismo, atividade tectônica, formação de fraturas e canais. A seguir será feita a descrição desses processos e suas causas. Formação de crateras (craterização) A característica mais marcante observada nas superfícies dos corpos planetários são as crateras. Até fins do século XIX acreditava-se que as grandes estruturas observadas na Lua eram de origem vulcânica, já que na Terra as estruturas similares conhecidas são vulcânicas. Em 1890 o geólogo Grove Karl Gilbert (1843-1918), do U.S. Geological Survey, observou que as estruturas presentes na Lua estavam aproximadamente no mesmo nível da região à sua volta, ao contrário do que ocorria com os vulcões da Terra. A partir dessa constatação Gilbert propôs que elas deveriam ser de origem meteorítica, ou seja, produzidas por pequenos corpos que teriam colidido com o satélite. A explicação, entretanto, encontrou restrições no meio científico. Para explicar a forma arredondada das estruturas observadas na Lua a hipótese da origem meteorítica precisava de condições muito particulares de impacto. Para que as crateras fossem formadas seria necessário que o objeto causador do impacto colidisse sempre perpendicularmente à superfície. De fato, o simples experimento de jogar uma pedra na areia mostra que a forma da “cratera” resultante dependerá do ângulo de incidência da pedra na areia. Crateras redondas somente serão obtidas quando a pedra incide perpendicularmente. Anos mais tarde, com a constatação de que os impactos na superfície da Lua eram processos físicos que ocorriam em alta velocidade, o problema foi resolvido. Os cientistas notaram que para um corpo atingir a superfície de um planeta deveria ter uma velocidade pelo menos igual à velocidade de escape do planeta. A esta velocidade deve ser adicionada a velocidade que o corpo tinha antes do impacto, geralmente da ordem de dezenas de quilômetros por segundo. Conforme mostrado na tabela 6 da introdução, as velocidades de escape são 4,3 km/s para Mercúrio, 10,4 km/s para Vênus, 11,2 km/s para a Terra, 5,0 km/s para Marte e 2,4 km/s para a Lua. Portanto, devido à alta velocidade do impacto, o que ocorre é uma explosão, semelhante a uma bomba explodindo na Terra. A cratera é resultante dessa explosão e não da entrada do corpo na superfície do planeta ou satélite. A explosão elimina todos os traços do ângulo de incidência e faz com que a cratera sempre tenha a forma circular. Embora o processo de formação de crateras seja o mesmo em todos os planetas, cada um possui suas peculiaridades. Mercúrio, por exemplo, apresenta uma superfície totalmente craterizada, muito similar à da Lua. As principais características são as crateras duplas. A maior cratera de Mercúrio, chamada Caloris Basin (imagem ao lado), tem uma largura de aproximadamente 1400 km e é rodeada por montanha com alturas de até 3 km. Outra cratera importante nesse planeta, a cratera Bach, tem um anel exterior com um diâmetro de aproximadamente 100 km. No caso de Vênus, devido à espessa atmosfera que o encobre, somente é possível observar a superfície através de radares. Dados sobre a superfície foram obtidos principalmente por sondas espaciais tais como a Pioneer 12, as Venera 15 e 16 e, mais recentemente, a Magellan. Contrariamente ao observado em Mercúrio, a superfície de Vênus é pouco craterizada. A maior cratera, Mead, tem 275 km de diâmetro. Seria razoável supor que a falta de crateras em Vênus fosse devido à presença da densa atmosfera do planeta, que desintegraria completamente qualquer objeto que nela penetrasse. Na realidade, isso é verdade apenas no caso de pequenos corpos. Superfície de Mercúrio. observação: Nomes de artistas, escritores, compositores e outros personagens ligados às artes foram dados a todas as estruturas observadas na superfície de Mercúrio. O Sistema Solar 61 Cratera Barringer. Dimensão da cratera Barringer. Cratera Yuty de Marte. 62 Módulo 1 · Introdução A ausência de crateras com diâmetro inferior a 10 km de diâmetro indica que todo corpo menor do que 1 km foi desintegrado na atmosfera antes de atingir o solo. A maioria das crateras com diâmetro entre 10 e 30 km sugerem que o objeto impactante foi quebrado e explodiu na atmosfera antes de atingir o solo, uma hipótese fundamentada no fato de que existem muitas crateras múltiplas. A falta de crateras maiores é atribuída à intensa atividade geológica que ocorreu no planeta, há algumas centenas de milhões de anos. A Terra também guarda bem poucos registros de impactos. Isso é causado por vários fatores: atividade tectônica, erosão provocada pela chuva e ventos e a presença humana. Uma das crateras melhor conservadas é a cratera do meteoro (ou cratera Barringer), localizada no estado do Arizona (EUA), mostrada na figura abaixo. Ela tem um diâmetro de 1,2 km e profundidade de cerca de 0,2 km. Sua idade é estimada em 50000 anos e acredita-se que foi formada por um corpo ferroso com cerca de 50 m de diâmetro. A falta de mais crateras na superfície da Terra não significa que colisões importantes não tenham acontecido num passado remoto. Vale lembrar o caso da extinção dos dinossauros, ocorrida há cerca de 65 milhões de anos. A hipótese mais aceita é a queda de um asteroide com aproximadamente 5 km de diâmetro na atual península do Yucatan (México). Alguns pesquisadores estimam seu tamanho como sendo igual ao do monte Everest, ou seja, quase o dobro da estimativa anterior. Marte também tem crateras bem características. Talvez a mais impressionante seja a Yuty (imagem ao lado) que tem um diâmetro de 18 km. Ela apresenta uma estrutura parecida com a que seria encontrada se o impacto tivesse ocorrido em um terreno “pastoso”. A este tipo de cratera foi dado o nome de “splash”. Não são apenas os planetas terrestres que possuem superfícies recobertas por crateras. A superfície da maioria dos corpos menores no sistema solar também apresenta essa característica. Crateras de diversos tamanhos são observadas em vários satélites planetários. Phobos (a esquerda) e Mimas (a direita), satélites de Marte e de Saturno, respectivamente, têm crateras cujo tamanho está no limite de fratura do próprio corpo. Estudos indicam que se as colisões em Phobos e Mimas fossem causadas por corpos ligeiramente maiores, os satélites teriam sido completamente destruídos. Calisto, um dos satélites de Júpiter, apresenta cadeias de crateras que devem ter sido produzidas pela queda em sequência de fragmentos de um objeto celeste, possivelmente fragmentado pela força gravitacional de Júpiter. Por fim, os poucos asteroides que foram fotografadas por sondas espaciais também apresentam superfícies recobertas por crateras de diversos tamanhos e formatos. Mesmo na falta de uma superfície sólida existem crateras. No entanto, são apagadas rapidamente. Isto ficou evidente em julho de 1994, quando ocorreu a colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter. O cometa foi quebrado pela força gravitacional de Júpiter e seus diversos fragmentos foram impactando e criando manchas escuras na superfície. Tais manchas não eram esféricas, e sim oblíquas, indicando exatamente o ângulo de entrada dos fragmentos. Ao longo dos dias seguintes à queda as manchas foram desaparecendo devido à rotação da atmosfera de Júpiter. Após um ano, não havia qualquer vestígio visível da colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com o planeta gigante. Craterização em satélites. Aproximação do cometa Shoemaker-Levy 9 antes da colisão. Vulcanismo O vulcanismo é outra característica das superfícies planetárias. É resultado da ejeção de lava quente, tanto de forma violenta como através de um lento e contínuo derramamento. A figura abaixo mostra o continuo derramamento de lava feito por um vulcão terrestre. O mesmo fenômeno ocorreu, e ainda ocorre, em alguns objetos do sistema solar. Esse material fluido provém das regiões interiores, gerado sob altas temperaturas dentro do manto. Traços de vulcanismo estão presentes na superfície de todos os planetas terrestre, da Lua, de Io (satélite de Júpiter) e em dezenas de asteroides. Vênus apresenta estruturas vulcânicas, inativas no presente, mas que moldaram grande parte da superfície. Enormes derramamentos de lava muito fluida cobrem suas planícies, eliminando todos os vestígios de crateras. Existem também vulcões individuais. Os dois maiores são o Sif Mons (vide imagem) e o Gula Mons. O primeiro tem uma base com um diâmetro de 500 km, altura de 3 km e caldeira (boca do vulcão) da ordem de 40 km. O segundo tem uma altura de 4 km e uma caldeira de 100 km de diâmetro. O vulcanismo também é responsável pela formação de estruturas circulares, mais parecidas com panquecas, com diâmetro em torno de 25 km e 2 km de altura. Essas estruturas se formam pela subida de lava viscosa e homogênea. Outro tipo de estrutura, a coronae, também é gerado pela subida de material quente que não chega a ser expelido, mas provoca a fratura com uma forma circular na superfície do planeta. A maior estrutura desse tipo é Aine, com um diâmetro estimado em 300 km. Formação vulcanica. O Sistema Solar 63 Atividade vulcânica. Olimpo é 3 vezes mais alto do que o Everest (o maior monte ou montanha do planeta Terra) Superfície lunar. 64 Módulo 1 · Introdução A Terra também tem uma superfície rica em diversos tipos de vulcões e derramamento de lava. A imagem acima mostra a erupção do vulcão The Barren Island, na India. O melhor exemplo é o fundo dos oceanos, em particular a região central do Atlântico, constantemente refeita pela subida de lava fluida em fraturas que existem entre as placas tectônicas. Entre os diversos tipos de vulcões destacam-se os do tipo escudo, similares aos existentes no Havaí, com formas arredondadas devido ao derramamento de lava muito fluida, os estrato-vulcões, com forma caracterizada pelo acúmulo continuo de material ejetado em erupções violentas e os vulcões do tipo cônico, normalmente menores, que também expelem lava mais fluida. O Monte Olympus, situado em Marte, com 25 km de altura e 700 km de largura é o maior vulcão de todo o sistema solar (figura abaixo). Vários vulcões menores, todos extintos e do tipo escudo, se encontram na região denominada de Tharsis Elysium, em Marte. No hemisfério norte do planeta também existe enormes planícies vulcânicas. No tocante à atividade vulcânica, não pode deixar de ser citado o satélite Io, de Júpiter. Esse pequeno corpo com apenas 3600 km de diâmetro é o objeto mais ativo do sistema solar. O vulcanismo no satélite foi descoberto pelas sondas espaciais Voyager 1 e 2, que através de fotos espetaculares mostravam imensas ejeções de matéria estendendo-se a alturas de até 100 km. O material ejetado não é lava basáltica ou vapor de dióxido de carbono como nos vulcões da Terra, mas enxofre e dióxido de enxofre. À medida que o material esfria, o enxofre e o dióxido condensam como partículas sólidas e caem na superfície, similar a flocos de neve, atingindo distâncias de até mil quilômetros do local de ejeção. A Lua, por outro lado, apresenta derramamentos de lava escura, os chamados Mare (mar), e são as estruturas mais visíveis na superfície do satélite. No passado acreditava-se que a Lua tinha continentes e oceanos, uma hipótese já descartada. As regiões mais escuras passaram a ser chamadas Mare Tranquillitatis (ao lado), Mare Nubium, etc. Estas planícies escuras de forma arredondada cobrem cerca de 17% da superfície da Lua e foram formadas por erupções de lava muito fluida, há bilhões de anos. São compostas de basalto, muito similar à crosta oceânica da Terra. A existência de atividade vulcânica na superfície de alguns asteroides começou a ser descoberta no final da década de 80, quando foi detectada a pre- sença de material basáltico na superfície do asteroide 4 Vesta. Até o presente são conhecidos cerca de 50 pequenos asteroides com a mesma característica, cuja comprovação é obtida através da análise de espectros de reflexão. A interação da radiação eletromagnética com minerais distintos produz bandas (ou faixas) de absorção específicas para cada material. A presença de basalto na superfície de um corpo é então facilmente identificada pela posição e profundidade de algumas dessas bandas. Movimentos tectônicos Algumas superfícies planetárias também são modificadas por movimentos tectônicos, ou seja, movimentos que ocorrem na crosta do planeta. A crosta da Terra, por exemplo, é dividida em grandes placas que se encaixam como peças de um quebra-cabeça. Devido à ocorrência de convecção no manto, as placas se movem lentamente, umas em relação às outras. Processos de transporte de energia Existem três maneiras através das quais a energia térmica pode ser transportada de um ponto a outro, seja num mesmo corpo ou no espaço: • condução • convecção • radiação Condução A condução de calor é o processo de transferência de energia entre partes adjacentes de um corpo como uma consequência da diferença entre suas temperaturas. A capacidade de um corpo para conduzir calor depende das substâncias que o formam. Cada substância é caracterizada por uma propriedade chamada condutividade térmica. Uma substância com grande condutividade térmica é um bom condutor de calor (e vice-versa). O fenômeno da condução de calor mostra que os conceitos físicos de calor e temperatura são diferentes. O calor é energia térmica transferida como consequência da diferença de temperaturas. Ele é sempre transmitido de um corpo com temperatura mais alta para outro com temperatura mais baixa. Um exemplo diário de condução de energia se dá quando uma colher de metal é colocada dentro de uma xícara de café quente. Em pouco tempo a colher estará totalmente aquecida porque o metal é um bom condutor de calor. Convecção Quando uma diferença de temperatura é estabelecida no interior de um fluido, as partes mais aquecidas se deslocam na direção da sua superfície, enquanto as mais frias se deslocam na direção da fonte de calor. Estabelece-se no interior do fluido uma troca continua de calor, com regiões mais quentes ascendendo e regiões mais frias submergindo. Esse é o processo que acontece em uma panela com água que está sendo aquecida. Bolhas quentes ascendem e estouram na superfície da água enquanto as regiões frias se deslocam para o fundo da panela, formando um fluxo térmico até atingir uma temperatura de equilíbrio. Portanto, num processo convectivo acontece necessariamente transporte de massa no meio onde ele ocorre. Radiação É um processo de propagação de energia, seja por intermédio de fenômenos ondulatórios ou partículas dotadas de energia cinética (fótons), diretamente ligado à própria estrutura atômica da matéria. O Sistema Solar 65 A imagem mostra uma excitação atômica causada pela absorção de um fóton e uma desexcitação causada pela emissão de outro fóton. Características da superfície planetária. 66 Módulo 1 · Introdução Quando um átomo absorve energia seus elétrons passam momentaneamente para níveis mais energéticos. Em seguida voltam aos níveis iniciais de energia, emitindo a energia absorvida na forma de fótons. Cada fóton, absorvido ou emitido, possui uma quantidade de energia igual à diferença de energia entre os dois níveis que foram ocupados pelo elétron. Num átomo existem níveis de energia que o elétron pode ocupar desde que possua energia suficiente para isso. A diferença de energia entre cada um dos possíveis níveis e aquela onde está o elétron pode ser calculada. Quando certa quantidade de energia externa incide sobre o elétron de um átomo, ele absorverá um dos fótons incidentes. Ao absorver essa energia, o elétron realiza um salto quântico para um nível mais alto de energia. Assim, a diferença entre níveis de energia de um elétron num átomo corresponde exatamente a um comprimento de onda específico da radiação incidente. Por exemplo, um elétron está no segundo nível quântico e sujeito à incidência de radiação com diferentes comprimentos de onda. Entre estes comprimentos de onda, existirá um que corresponde à diferença de energia entre o nível quântico 5 e o nível 2, onde está o elétron. O elétron absorve este fóton e passa para o nível 5, ocupando agora um estado de maior excitação, se comparado ao que possuía anteriormente. Quando o átomo encontra um fóton com um comprimento de onda específico, correspondente a diferença de energia entre níveis quânticos, o fóton será absorvido pelo átomo e o elétron saltará do nível de energia mais baixa para o nível de energia mais alta. O elétron em seu novo nível de energia está num estado excitado. No entanto, todos os elétrons que estão em estados excitados tendem naturalmente a retornar para seu nível de energia original, mais baixa. Ao realizar isso o elétron libera um fóton que transporta o excesso de energia e retorna para um nível original, de menor energia. Esse processo é denominado desexcitação. Então, quando o elétron cai de um nível de maior energia para um de menor energia, emite um fóton cuja energia é igual a diferença de energia existente entre estes dois níveis. Os processos de excitação ou desexcitação obedecem a princípios definidos pela mecânica quântica. Em cada caso, o comprimento de onda da radiação emitida ou absorvida deve ser exatamente igual à diferença de energia entre os níveis de energia envolvidos no processo. Assim, um átomo só pode absorver ou emitir comprimentos de onda específicos. Em outras palavras, somente certos fótons podem ser absorvidos ou emitidos pelos elétrons de um átomo. A convecção é responsável pelo escapamento de calor do interior da Terra, resultando na subida de material quente oriundo do manto e descida de material mais frio da superfície. Em algumas regiões as placas se afastam e em outras geram grandes tensões devido à aproximação mútua. Esse processo é responsável pela lenta movimentação dos continentes e pela formação de montanhas, além da formação de outras estruturas geológicas e fenômenos como os grandes terremotos. Imagens da superfície de Vênus obtidas por radares mostram que sua crosta foi também dominada por tensões tectônicas. Assim como na Terra, processos convectivos originaram fraturas e canyons (desfiladeiros). Acredita-se que as altas montanhas venusianas, denominadas Maxwell (em homenagem ao formulador da teoria do eletromagnetismo) tenham sido formadas pela colisão de duas placas tectônicas. Em Marte as estruturas tectônicas mais proeminentes são a grande fratura Valles Marineris e o planalto Tharsis. O Valles Marineris tem cerca de 5000 km de extensão, 7 km de profundidade e 100 km de largura. Entretanto, ao contrário do Grand Canyon (Arizona, Estados Unidos), esta fratura não foi moldada pela força da água corrente. Foi formada a partir de tensões que abriram a grande falha e levantaram a crosta, criando o planalto Tharsis (imagem ao lado) onde há três vulcões extintos, do tipo escudo. A sonda espacial Galileu confirmou a existência de estruturas tectônicas em Europa, um dos satélites de Júpiter. Neste caso, as estruturas são devidas à presença de um oceano líquido abaixo da crosta gelada. Devido às tensões causadas pela forte atração gravitacional do planeta e também pela perturbação dos demais satélites, a crosta de Europa abre pequenas falhas. A água das camadas inferiores, por ser mais quente, sobe até a superfície. Ao chegar na superfície começa a congelar imediatamente e a falha se fecha de novo. Estes movimentos fazem com que a superfície do satélite Europa seja totalmente recoberta por tais estruturas, como mostram as imagens abaixo. Detalhes da superfície planetária. Água e a formação de canais A água no estado líquido não é responsável apenas pelas estruturas visíveis na superfície do satélite Europa. Ela gerou sensacionalismo em relação aos canais de Marte que tanto suscitaram a imaginação do público, chegando a supor ser uma “prova” da presença de vida inteligente no planeta vermelho. A história dos canais marcianos começou por volta de 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910) (imagem ao lado) anunciou que tinha observado longas e fracas linhas retas na superfície de Marte. Ele chamou as estruturas de canali, que significa “canais” em italiano. O termo foi erroneamente traduzido para o inglês como canals, que nesse idioma sugere serem canais com origens artificiais, ao contrário de “channels”. Como os astrônomos já tinham observado as brilhantes calotas polares formadas por gelo, pareceu “razoável supor” que os canais tinham sido construídos para levar água das regiões polares para as áridas regiões equatoriais. Percival Lowell (1865-1916), um astrônomo norte-americano, decidiu construir um observatório (o até hoje conhecido Lowell Observatory) apenas com o intuito de continuar o trabalho de Schiaparelli e resolver o mistério dos canais de Marte. Tanto ele quanto seus assistentes conseguiram enxergar uma complexa rede de canais, oásis e reservatórios de água na superfície do planeta vermelho (imagem a esquerda). Ninguém mais conseguiu observar essas estruturas artificiais em Marte. Com a construção de telescópios maiores e o surgimento das missões espaciais, ficou evidente que Lowell tinha sofrido uma “ilusão de óptica” resultante da tendência da mente humana organizar estruturas que são vislumbradas no limite da capacidade da visão. Em outras palavras: Lowell viu o que a sua mente fértil queria ver. As observações de Lowell aguçaram a imaginação do público e inspiraram inúmeros romances e filmes, sendo o mais conhecido “a guerra dos mundos”, de 1897, do britânico H.G. Wells (1866-1946). Nesse romance, os sedentos Redes de canais em Marte. O Sistema Solar 67 07 habitantes do árido planeta Marte invadem a Terra em busca de água. Os recentes resultados obtidos por várias sondas espaciais mostraram de forma bastante convincente que o romance de Wells baseava-se apenas numa criativa imaginação romântica. Usando sofisticados instrumentos a bordo de sondas espaciais os cientistas notaram indícios de enormes quantidades de água existentes abaixo da árida superfície do planeta vermelho. As sondas identificaram duas regiões próximas aos pólos de Marte. Pequenos corpos do Sistema Solar PEQUENOS CORPOS DO SISTEMA SOLAR O sistema solar não é formado apenas por planetas. Existe uma grande quantidade de corpos menores orbitando planetas ou localizados em outras regiões. A maioria dos planetas tem um ou mais satélites descrevendo órbitas ao seu redor. Alguns planetas gigantes possuem vários satélites e também sistemas de anéis, compostos por milhões de partículas com tamanhos que variam de mícrons a alguns metros. Os asteroides e cometas são pequenos corpos que, assim como os planetas, também orbitam o Sol. Ambos se caracterizam por sua localização em regiões específicas e por possuírem tamanhos muito inferiores aos planetas. A seguir serão descritas algumas das principais propriedades desses objetos. SATÉLITES Eles podem ser classificados em função de suas propriedades físicas ou dinâmicas. A característica física usada para classificar satélites é o tamanho. CLASSIFICAÇÃO DOS SATÉLITES classificação GRANDES INTERMEDIÁRIOS PEQUENOS quando seu raio é superior a 1500 km quando seu raio varia entre 400 e 1500 km todos aqueles cujos raios são inferiores a 400 km Europa Titânia Deimos (satélite de Júpiter com 1569 km de raio) (satélite de Urano com 805 km de raio) (satélite de Marte com 6,5 km de raio) exemplos Os satélites também podem ser classificados em função das especificidades de suas órbitas, ou seja, o semi-eixo maior, a excentricidade e a inclinação (definidas na introdução). As análises desses parâmetros revelam órbitas com o semi-eixo maior moderado, além de excentricidades e inclinações pequenas. Os satélites deste grupo são denominados regulares, por reproduzirem as caracte- 68 Módulo 1 · Introdução rísticas dinâmicas básicas do sistema planetário. Um segundo grupo tem o semi-eixo maior de sua órbita muito grande ou muito pequeno, além de apresentar excentricidades e/ou inclinações grandes. São denominados satélites irregulares. A separação observada entre satélites regulares e irregulares permite obter informações sobre o processo físico que levou à sua formação. Os regulares foram formados na mesma época que o planeta e os irregulares não. Ao contrário, foram capturados pelo campo gravitacional do planeta posteriormente à formação. Os planetas terrestres têm poucos satélites, enquanto os planetas gigantes são rodeados por um grande número deles. Mercúrio e Vênus não têm satélites e a Terra apenas um, a Lua. Marte tem dois, Phobos e Deimos (imagem acima), ambos com diâmetros menores que 30 km e formas bem irregulares. Possivelmente Phobos e Deimos são asteroides que foram capturados pelo campo gravitacional do planeta. Júpiter possui 4 satélites regulares: Io, Europa, Ganymede e Callisto, descobertos por Galileu em 1610. São denominados satélites Galileanos em sua homenagem. Eles têm diâmetro que variam de 3100 a 5200 km, forma esférica e órbitas bem regulares. Desde 1892 até a passagem da sonda espacial Voyager 1, em 1979, foram descobertos mais de 12 pequenos satélites, todos com formas e órbitas bastante irregulares, situados tanto a pequenas como grandes distâncias de Júpiter. Atualmente são conhecidos mais de 60 satélites orbitando o planeta. Saturno tem apenas um satélite grande com um diâmetro de cerca de 5000 km, Titã, que descreve uma órbita regular. Outros três (Iapetus, Réia e Dione) têm tamanho intermediário e órbitas regulares. Diferentemente de Réia e Dione, Iapetus tem órbita bastante inclinada. Além destes existem mais de quinze satélites pequenos, todos com formas e órbitas irregulares. Urano tem 5 satélites regulares de tamanho intermediário e órbita regular: Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon. Quando a sonda Voyager 2 passou por Urano foram descobertos mais 10 satélites pequenos em órbitas muito próximas a ele. Recentemente, foram descobertos outros pequenos satélites a grandes distâncias do planeta. Satélites Phobos e Deimos. Satélites Galileanos. O Sistema Solar 69 Até a passagem da Voyager 2, conhecia-se apenas dois satélites de Netuno: Tritão, com cerca de 4000 km de diâmetro, e Nereida, com diâmetro em torno de 300 km, ambos descrevendo órbitas irregulares. A sonda descobriu mais um pequeno satélite e outros vêm sendo descobertos nos últimos anos, situados a grandes distâncias de Netuno. A Terra e o gélido Plutão tem uma característica em comum: ambos têm apenas um satélite que, por sua vez, tem um tamanho proporcional ao do planeta. O diâmetro da Lua é cerca de 3400 km, ou seja, um quarto do diâmetro da Terra. Caronte, satélite de Plutão, tem aproximadamente 1200 km de diâmetro, quase a metade do diâmetro do planeta. Os sistemas Terra-Lua e Plutão-Caronte podem ser considerados quase sistemas binários, cuja origem ainda é um problema em aberto. No caso da Lua acredita-se que foi originada através da colisão de um grande corpo com a Terra, nos estágios finais da formação do planeta. Um fato que intriga os pesquisadores é a Lua ter uma composição ligeiramente diferente da Terra. Faltam ferro, metais, água e materiais voláteis. Isso levou os cientistas a supor uma colisão rasante, que teria arrancado apenas parte da crosta e do manto superior, não atingindo o núcleo, que é composto por metais. O material arrancado da Terra teria se reagrupado em órbita da Terra e formado a Lua. Isso explicaria a diferença de composição entre a Terra e o seu satélite. Outra característica importante nos satélites são os efeitos das chamadas forças de maré. A atração gravitacional exercida pelos satélites não são exatamente iguais em todos os pontos dos planetas. As forças de atração exercida pelos satélites em pontos distintos, chamadas forças diferenciais, produzem distorções nas formas dos planetas. No caso da Terra e da Lua o efeito produz as marés altas (ou marés cheias). O Sol também influencia as marés oceânicas na Terra. Portanto, as marés oceânicas na Terra resultam da ação conjunta dos efeitos gravitacionais produzidos pela Lua e pelo Sol. A figura abaixo mostra os efeitos das forças de marés exercidas pela Lua e o Sol sobre a Terra. Quando ambos “puxam” a Terra fazendo ângulos retos um com o outro, as marés são menores do que quando “puxam” a Terra estando do mesmo lado, ou em lados diametralmente opostos. A fricção das águas oceânicas sobre a crosta da Terra envolve uma enorme quantidade de energia, que diminui infinitesimalmente a rotação da Terra. Como conseqüência, os dias tornam-se mais longos, aumentando cerca de 0,002 segundos a cada século. Assim, daqui a bilhões de anos, tanto o dia terrestre quanto o período de rotação da Lua deveriam ser iguais e a Lua permanecerá num ponto fixo do céu, não havendo mais marés. 70 Módulo 1 · Introdução A diminuição do movimento de rotação da Terra combinado com o princípio físico da conservação do momento angular faz com que a Lua se afaste da Terra e gire em torno desta cada vez mais lentamente. Esse efeito, denominado rotação síncrona, faz com que a Lua gire em torno de seu eixo exatamente no mesmo intervalo de tempo em que completa uma volta em torno da Terra, sendo o motivo de sempre manter a mesma face voltada para a Terra. A maioria dos satélites planetários possui rotação síncrona com o planeta em torno do qual orbitam. O momento angular dos corpos celestes Sempre que corpos descrevem movimento de rotação em torno de um ponto fixo, sejam planetas ou qualquer outro objeto, deve ser levada em conta uma grandeza física chamada momento angular. O momento angular de um corpo, representado por L, é definido como o produto de três quantidades: • a massa (m) do corpo que está em rotação. • a velocidade (v) do corpo. • a distância (r) entre o corpo e o ponto fixo em torno do qual ele está girando. O momento angular é definido através da equação: L=mvr Devido à translação em torno do Sol, os planetas possuem momento angular. Se as três quantidades acima permanecem constantes, ou seja, se o movimento de rotação ocorre a uma velocidade constante e a uma distância fixa do centro de rotação, então o momento angular também será constante. Nessa condição, diz-se que o momento angular foi conservado. O momento angular de qualquer sistema em rotação é conservado quando não esteja atuando nenhuma força externa nele. O exemplo mais clássico de conservação do momento angular é um planeta orbitando o Sol, como mostra a segunda lei de Kepler, um conjunto de três leis sobre o movimento planetário: • as órbitas dos planetas são elipses, onde o Sol ocupa um dos focos (primeira lei) • os planetas percorrem áreas iguais da sua órbita em intervalos de tempos iguais (segunda lei) • o quadrado do período orbital é proporcional ao cubo das distâncias planetárias, medidas a partir do Sol (terceira lei) Quando um planeta se aproximando do Sol a velocidade aumenta, mas o produto distância (que diminuiu) x velocidade (que aumentou) x massa (que permaneceu constante) permanece com o mesmo valor, ou seja, o momento angular permanece constante. Quando está mais longe do Sol a distância aumenta mas a velocidade diminui, e o momento angular também permanece constante. ASTEROIDES Imagem de um asteroide. São pequenos corpos rochosos ou metálicos que se espalham numa região localizada entre 2 e 5 U.A. do Sol. O Sistema Solar 71 Ilustração da localização da população de asteroides. Os asteroides estão distribuídos em três regiões principais: • Cinturão Principal É a região formada pelos asteroides que estão localizados entre Marte e Júpiter. • Objetos próximos à Terra Estão localizados em órbitas que cruzam as órbitas dos planetas interiores. • Troianos São os asteroides que descrevem uma órbita igual à de Júpiter. O que é ressonância? O movimento dos planetas ao redor do Sol ocorre em intervalos de tempo diferentes. Enquanto um planeta interior pode descrever várias órbitas, um exterior descreverá uma quantidade menor. No movimento planetário, entende-se como ressonância a condição em que o numerador e o denominador da razão (divisão) entre as velocidades médias de dois corpos é a mais próxima possível de dois números inteiros. A ressonância também pode ser interpretada como a razão (divisão) entre dois períodos orbitais. Exemplo (página seguinte): Netuno e Plutão estão numa condição de ressonância 3:2 (três para dois). Significa que enquanto Netuno dá três voltas em torno do Sol, Plutão dá duas voltas. 72 Módulo 1 · Introdução A distribuição dos asteroides no cinturão principal não é homogênea. Ela foi descoberta em 1866 pelo astrônomo norte-americano Daniel Kirkwood (1814-1895) (imagem à esquerda), quando foram identificados 78 asteroides. As lacunas existentes são chamadas lacunas de Kirkwood, em sua homenagem. Existem outras estruturas no cinturão principal, visíveis apenas através de recursos que eliminam os efeitos das perturbações causadas pelos campos gravitacionais dos planetas. Essas concentrações são resultantes da fragmentação de algum corpo devido à colisão com outro. São chamadas de famílias, para diferenciá-las dos agrupamentos formados por outros processos dinâmicos. Atualmente mais de 44 mil asteroides possuem uma órbita bem determinada. A população dos asteroides maiores e mais brilhantes pode ser considerada completamente conhecida e os estudos das suas distribuições por tamanhos são bem representativos da população. Entretanto, os menores são apenas parcialmente conhecidos e qualquer estatística sobre esta população ainda está longe de ser representativa. Ceres (ao lado) é um objeto aproximadamente esférico e pode ser um corpo primordial, isto é, originado ao mesmo tempo que os outros objetos do sistema solar. Os pequenos asteroides, entretanto, são resultantes de colisões, possuindo formas bastante irregulares. A imagem à esquerda mostra a forma irregular dos asteroides Mathilda, Gaspra e Ida. Os asteroides não possuem luz própria. São detectados pela reflexão da luz solar que neles incidente. As observações do brilho dos asteroides permitem obter informações sobre tamanho, forma, propriedades rotacionais e composição superficial. O que é uma curva de luz? Chama-se curva de luz de um objeto a variação de sua luminosidade ao longo de um intervalo de tempo. Devido à forma irregular apresentada pelos pequenos corpos do sistema solar, ou seja, asteroides e cometas, na medida em que giram em torno do seu eixo torna-se possível ver partes diferentes da superfície. A figura esquemática abaixo mostra o que acontece quando, por exemplo, um asteroide com forma de um charuto está sendo observado. Na extremidade esquerda ele é visto de frente, exibindo sua maior área. Nesse caso, a quantidade de luz refletida também é máxima. Enquanto gira, a superfície refletora vai diminuindo de tamanho. Consequentemente, a curva de luz diminui gradualmente de valor até atingir um mínimo, quando o asteroide está de perfil para o observador. Como continua a girar, logo começa a mostrar de novo uma área superficial maior e a curva de luz começa a aumentar, até atingir o valor máximo novamente. Asteroide Ceres. O Sistema Solar 73 As observações são medidas instantâneas, isto é, pontos que ao serem dispostos em um gráfico mostram a variação da luminosidade do corpo durante o tempo total de observação. Abaixo é mostrada a curva de luz real para o asteroide 621 Werdandi. Sabe-se que a maioria gira em torno de seus eixos com um período de 9 a 10 horas. A composição química e mineralógica da superfície é obtida através da análise de seu espectro de reflexão, nos diferentes comprimentos de onda, e comparando com os espectros de meteoritos e minerais analisados em laboratório. Espectro de reflexão Quando a luz ao atravessa um prisma é decomposta em suas sete cores fundamentais, como mostra a figura abaixo: 74 Módulo 1 · Introdução Dependendo do modo como a luz refletida pelos corpos celestes chega ao observador, os espectros podem ser classificados como: • Espectro contínuo Mostrado na figura abaixo. • Espectro de emissão A figura mostra como é formado um espectro de emissão. • Espectro de absorção Este é o processo de formação de um espectro de absorção. O Sistema Solar 75 Os corpos celestes que não possuem luz própria são vistos porque refletem a luz solar incidente neles, que por sua vez é registrada pelos detectores acoplados aos telescópios. Nesse caso, como se trata da luz refletida, é chamado espectro de reflexão. Exemplo: após analisar o espectro de reflexão de um asteroide ou cometa, subtrai-se dele o espectro correspondente ao de uma estrela análoga ao Sol e, em seguida, examina-se as informações contidas no espectro resultante, determinando a composição química do corpo estudado, como mostram os três gráficos abaixo para o caso de um asteroide. 76 Módulo 1 · Introdução Com base no estudo de como os componentes da superfície interagem com a luz solar incidente é possível identificar a presença (ou ausência) de minerais como piroxênios, olivinas, feldspatos, metais, filosilicatos, além de hidrocarbonetos e água. CONHECENDO UM POUCO DE GEOLOGIA piroxênios É um mineral petrograficamente importante, que apresenta uma cor variando entre quase preta e verde escura, com brilho vítreo. Sua composição é variável, podendo apresentar Ca, Mn, Na, K, Mg, Fe e Al. olivinas Também chamados de peridotos, as olivinas são minerais muito refratários, com uma cor que varia entre verde a verdeescura, castanha ou opaca. Seu brilho é vítreo e as quantidades de magnésio e ferro são variáveis. feldspatos São os mais importantes de constituintes das rochas, representando cerca de 60% da totalidade dos minerais. Os feldspatos pertencem ao grupo de minerais compostos por silicato de alumínio e potássio e/ou sódio e/ou cálcio. São translúcidos ou opacos e podem apresentar cristais de feldspato potássico, sódico ou cálcico. metais Designação comum aos elementos químicos eletropositivos, em geral sólidos, brilhantes, bons condutores de calor e eletricidade. filosilicatos É uma subclasse dos silicatos, que inclui o talco e as micas. hidrocarbonetos Compostos constituídos apenas por carbono e hidrogênio. Entre eles encontram-se o petróleo cru, os derivados e a nafta. A distribuição dos asteroides com diferentes composições químicas no cinturão principal ainda é objeto de estudo. De forma geral, os que possuem superfície de piroxênio, olivina e feldspatos se concentram na parte mais interna do cinturão. Aqueles cuja superfície é composta por filosilicatos, hidrocarbonetos e água situam-se na parte mais externa da região. O estudo destes corpos baseia-se em observações astronômicas feitas a partir da Terra e nas análises de meteoritos em laboratório. Estas duas técnicas são distintas e se complementam na obtenção de importantes informações sobre a origem do sistema solar. O Sistema Solar 77 NOMES DIFERENTES PARA OBJETOS QUASE IGUAIS asteroides Localizam-se principalmente (mas não exclusivamente) na região do sistema solar entre as órbitas de Marte e Júpiter. Os asteroides também são chamados de planetas menores ou planetesimais. meteoroides São objetos sólidos, pedaços de rochas ou de metal, que se deslocam pelo espaço interplanetário e possuem dimensões menores do que um asteroide e maiores do que a poeira interplanetária, variando entre 1 mícron e uma dezena de metros. Se entrarem na atmosfera terrestre, podem dar origem a um meteoro ou um bólido. meteoros É o fenômeno luminoso resultante da entrada de um corpo sólido na atmosfera terrestre. Um meteoro é um meteoróide que penetra a atmosfera e queima completamente devido ao atrito com sua superfície. Normalmente o meteoro deixa um rápido rasto de luz que é visto no céu noturno na medida em que atravessa a atmosfera. Frequentemente os meteoróides (na maioria das vezes apenas um pouco maiores do que poeira interplanetária) queimam quando cruzam a atmosfera superior. São popularmente chamados de “estrelas cadentes”, embora não possuam absolutamente nenhuma relação com estrelas. A maioria é destruída antes de atingir a superfície. bólido É um meteoro particularmente brilhante que, em geral, explode no final de sua trajetória. A União Astronômica Internacional considera que um bólido deve ter luminosidade cuja magnitude é, no mínimo, -3. meteoritos São rochas de origem extra-terrestre encontradas na superfície da Terra. Um meteorito é uma parte residual de um meteoróide. É um fragmento de rocha proveniente do espaço que não foi destruído na queda. Os meteoritos podem ser formados por rocha, ferro ou ferro-rochoso. Em geral, recebem o nome do local onde caem. em sítese: • meteoróide: são objetos que vagam pelo espaço, podendo (ou não) entrar na atmosfera da Terra. • meteoro: quando penetra na atmosfera entra em combustão devido ao atrito, provocando um fenômeno luminoso. • bólido (ou bólide): se entra na atmosfera, explode de modo brilhante. • meteorito: se sobrevive ao atrito com a atmosfera e colide com a superfície, forma uma cratera deixando resíduos. Reprodução de uma antiga gravura em madeira que registra a queda de um meteorito perto de Ensisheim, na França, em 1492. O texto em alemão diz: “Da pedra-trovão que caiu no ano XCII nas imediações de Ensisheim”. 78 Módulo 1 · Introdução É muito difícil estabelecer a relação entre um meteorito específico e o asteroide de onde ele veio. Consequentemente, é incerta a determinação da origem e evolução dos meteoritos. Embora as observações dos asteroides forneçam informações importantes sobre variações de brilho, propriedades rotacionais, formas aproximadas e composição superficial, elas pouco informam sobre a estrutura interna desses objetos. Os asteroides que descrevem órbitas próximas à Terra representam um grupo especial de objetos, pois sua fragmentação contribui significativamente para a coleção de meteoritos recolhidos. A principal desvantagem é que, assim como os meteoritos, estes corpos devem ter perdido quase toda as informações relacionadas às regiões onde se encontravam antes de serem levados a descrever órbitas que os fizeram ficar próximos à Terra. A possibilidade de que parte destes corpos provenha de cometas e não de asteroides traz ainda mais complicações, ainda não resolvidas. Outro problema é o dos asteroides cujas órbitas cruzam a órbita da Terra, o que equivale a dizer que a Terra e alguns desses objetos podem se encontrar no mesmo ponto do espaço, resultando numa colisão. Todos os dias centenas de corpos atingem a Terra, mas devido aos seus pequenos tamanhos acabam sendo desintegrados na passagem pela atmosfera. Contudo, se o corpo tiver um tamanho maior (cerca de alguns quilômetros) parte dele suportará o atrito. Dependendo do tamanho, a queda pode causar danos de dimensões locais, regionais ou globais. A gravidade das conseqüências não é apenas função do tamanho do objeto, mas também de sua estrutura interna. Se o corpo for altamente coeso, resistirá quase intacto à travessia pela atmosfera. Se for apenas um agregado de pequenos pedaços, suas forças de coesão são pequenas e o corpo será facilmente desintegrado. Para quantificar corretamente o perigo que tais objetos podem causar é necessário conhecer bem sua estrutura interna. Ainda não é conhecida a quantidade total de objetos em órbitas potencialmente perigosas para a Terra. Esse é o motivo de entidades governamentais dos EUA e Europa se empenharem em providenciar a infra-estrutura necessária para descobrir todos os objetos que possam vir algum dia ameaçar a Terra. COMETAS Cometas são corpos escuros formados por uma mistura de partículas refratárias, grãos de CHON (carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio), e gelo (predominantemente de água). Perturbações originadas pela interação com outros corpos próximos à nuvem de Oort fazem com que alguns acabem saindo desta região e se desloquem para as partes internas do sistema solar. Nesses casos, o aquecimento produzido pelo Sol provoca o aparecimento da coma e da cauda, tão características nas imagens desses objetos. Imagem do movimento de um cometa. O Sistema Solar 79 A existência de uma nuvem esférica de cometas envolvendo todo o sistema solar foi proposta em 1950, a partir da análise da distribuição dos semi-eixos maiores dos cometas conhecidos na época. Um ano mais tarde foi proposto que deveria existir uma região achatada (cinturão) depois de Plutão. O primeiro objeto desse cinturão foi descoberto em 1993 e atualmente são conhecidos mais de 800 objetos, alguns com diâmetro superior ao do asteroide Ceres. Os cometas tornam-se mais notáveis quando se aproximam do Sol, produzindo uma coma de gás e poeira. Entretanto, ela obscurece o núcleo, impedindo sua observação. Conseqüentemente, o conhecimento das propriedades dos cometas vem dos compostos químicos detectados nas comas e das hipóteses plausíveis sobre processos físicos e químicos. Estas observações, aliadas aos dados das missões espaciais enviadas ao cometa Halley, têm permitido definir a composição molecular dos cometas. Cerca de 80% é gelo de água. Os 20% restantes são constituídos por moléculas como CO, CO2, CH4, e NH3, comuns no sistema solar exterior, além de moléculas mais complexas, como o H2CO, HCN, C2H2 e, talvez até de longas cadeias de hidrocarbonetos, indicadores da complexidade química existente na nebulosa solar primordial que deu origem ao sistema solar. O conhecimento das abundâncias de todas as formas de gelos presentes nos cometas ainda é bastante incipiente. Estudos recentes, na região infravermelha do espectro eletromagnético, indicam que os cometas podem conter mais poeira do que substâncias voláteis. Isto implica num novo conceito de cometa, considerados agora como bolas-de-poeira congelada, substituindo o antigo conceito de bola-de-neve suja, proposto por F. Whipple em 1950. Determinar precisamente a quantidade de poeira e de voláteis presentes nos cometas, assim como a abundância de seus componentes moleculares, é fundamental para entender melhor os estágios iniciais da formação do sistema solar. Nuvens moleculares O sistema solar é apenas a ínfima parte de uma galáxia, a Via Láctea, um sistema complexo formado por inúmeros objetos tais como estrelas, nebulosas gasosas, nebulosas planetárias, etc. Estima-se que existam 1013 estrelas na Via Láctea, quase todas possuindo sistemas planetários. Alguns já foram descobertos e, certamente, muitos ainda serão. Os astrônomos sempre perguntaram como teriam surgido as estrelas que compõem não só a Via Láctea, mas todas as outras galáxias, bilhões delas, que formam o universo. No meio interestelar (o espaço existente entre as estrelas) existem grandes quantidades de gás e poeira. Em certas regiões esse gás é mais concentrado, formando as chamadas nebulosas. Algumas são gigantescas, estendendo-se por vários anos-luz e formadas por imensas nuvens de gás molecular e grãos de poeira. Existem nuvens onde a concentração de poeira é anormalmente grande e por isso apresentam regiões mais escuras do que as regiões que as envolvem. No interior das regiões escuras, onde a temperatura atinge 50 K, são formadas moléculas de diversos compostos, alguns orgânicos, tais como monóxido de carbono (CO), amônia (NH3), formaldeído (H2CO), ácido fórmico (HCOOH), álcool metílico (CH3OH), etc. Essas nuvens se caracterizam por serem imensas, por apresentarem um grande número de moléculas nas regiões mais internas e mais frias e serem formadas principalmente por hidrogênio molecular (H2), sendo então denominadas nuvens moleculares. Além disso, por serem realmente imensas, também são chamadas nuvens moleculares gigantes. Suas massas são cerca de 105 a 2 x 106 vezes maior que a massa do Sol. A imagem a seguir mostra nuvens 80 Módulo 1 · Introdução moleculares gigantes na região do Orion, que formam a nebulosa Orion, também conhecida como M42. As estrelas são formadas no interior das nuvens moleculares. Quando uma nuvem molecular colapsa devido à força gravitacional que atua entre suas partículas, tem inicio um processo que culminará na formação de estrelas. A imagem abaixo mostra a nebulosa Águia. O telescópio espacial Hubble observou incríveis pilares gasosos, nuvens moleculares gigantes, onde está acontecendo um contínuo processo de formação de estrelas. Portanto, pode-se afirmar que onde hoje existe o sistema solar havia anteriormente uma nuvem molecular gigante que ao colapsar deu origem ao Sol e, posteriormente, ao conjunto de corpos celestes que formam o sistema. Detalhe da nuvem molecular. Imagem da nebulosa Águia. O Sistema Solar 81 Anéis Planetários Quando Galileu observou Saturno pela primeira vez com o seu recém inventado telescópio (1610), notou que ele tinha uma forma irregular. Ele supôs que essa forma fosse devido à presença de dois satélites localizados simetricamente em lados opostos do planeta. Saturno e seus aneis. Urano e seus aneis. 82 Módulo 1 · Introdução A explicação correta viria em 1654, quando Huygens sugeriu que a forma de Saturno poderia ser explicada pela presença de um disco rígido situado no plano do equador do planeta. Em 1675, Cassini descobriu que esse “disco” não era uniforme, mas formado por dois anéis intercalados por uma divisão, passando a ser denominada divisão Cassini. Um terceiro anel, mais interno, foi descoberto em 1850. Havia, entretanto, um problema: alguns anos antes o filósofo, astrônomo e matemático francês Pierre Simon Laplace tinha demonstrado que um disco rígido não poderia ser estável devido às poderosas forças gravitacionais exercidas pelo planeta. O físico inglês James Clerk Maxwell solucionou o problema, sugerindo que os anéis eram formados por grãos individuais que estavam em rotação em torno dele. Isso foi confirmado anos mais tarde através de observações com telescópios aprimorados. Estudos detalhados ocorreram a partir das imagens obtidas pelas sondas Voyager 1 e 2. O conjunto total dos anéis de Saturno tem a altura de algumas centenas de metros e a largura de aproximadamente 200000 km, ou seja, é um sistema extremamente achatado. Em 1977, mais de 300 anos após a descoberta dos anéis de Saturno, foi descoberto um sistema similar em torno de Urano. Através de uma técnica chamada de ocultação estelar. Ela consiste em registrar as variações no brilho de uma estrela quando um determinado planeta cruza a linha de visada entre o observador terrestre e a estrela. O brilho da estrela permanece constante até que o planeta entra na linha de visada. Primeiramente, é observada apenas uma pequena diminuição no brilho da estrela devido à passagem de sua luz pela atmosfera do planeta. O brilho desaparece completamente quando o disco planetário fica exatamente na linha de visada observador-estela. Enquanto o planeta “passa”, o brilho começa novamente a aparecer até se manter constante, novamente. A medida do tempo transcorrido entre os momentos em que o brilho da estrela começa diminuir, desaparece completamente e aumenta posteriormente, permite obter dados precisos sobre a atmosfera do planeta e a forma que ele possui. Para surpresa dos pesquisadores, quando a técnica foi aplicada a Urano, o brilho da estrela sofreu pequenas, mas perceptíveis, diminuições antes e depois da sua ocultação. Isso foi interpretado como sendo produzido por um sistema de anéis em órbita em torno de Urano. Quando a sonda Voyager passou próxima ao planeta, as imagens obtidas comprovaram que esta era, de fato, a explicação correta. Atualmente sabe-se que o sistema de anéis de Urano é formado por um conjunto de nove, possuindo altura de dezenas de metros e uma largura de apenas 10 km. A mesma técnica de ocultação estelar também permitiu a detecção de anéis em torno de Netuno, em 1985. Entretanto, apenas a sonda espacial Voyager 1 conseguiu descobrir o sistema de anéis que Júpiter possui. Em todos esses casos os anéis são estruturas largas e muito finas, compostas por partículas de gelo de água com tamanhos que variam entre um grão de areia dezenas de metros. Cada partícula tem uma órbita própria em torno do planeta. As partículas internas se movem mais rapidamente que as externas e a alta concentração no disco faz com que interações gravitacionais mútuas produzam movimentos ondulatórios. Existem basicamente duas teorias que explicam a formação dos anéis planetários. A primeira sugere que seriam os remanescentes da fragmentação de um satélite. A segunda, que parte de outra premissa, estabelece que existia um anel de partículas que não conseguiram se aglutinar para formar um satélite. Vale Lembrar que próximo ao planeta as forças de maré tendem a destruir qualquer corpo rígido, ou a fazer com que partículas não se aglutinem. Teoricamente, existe um limite chamado de limite de Roche, dentro do qual a força de maré é superior à força de coesão de um corpo. É importante lembrar que todos os anéis planetários, com exceção de um dos anéis de Netuno, estão dentro deste limite. As imagens obtidas pelas sondas Voyager mostraram que dentro dos anéis existem vários tipos de estruturas complexas. Estudos têm demonstrado que a maioria delas é devida à presença de satélites nessas regiões. Se não existissem os satélites, os anéis seriam chatos e sem estruturas. Mais precisamente, se não existissem os satélites as partículas se espalhariam no espaço e se dissipariam com o tempo. Detalhe dos aneis. O Sistema Solar 83 08 A formação do Sistema Solar Até esse ponto do curso, o que foi apresentado sobre o sistema solar se ateve a uma descrição das propriedades dos corpos que o compõe. Em momento algum foram apresentadas questões do tipo: porque é assim? Sempre foi assim? Como tudo isso se formou? Antes de iniciar uma análise mais detalhada dos corpos planetários, serão discutidas hipóteses de como o sistema solar se formou. A FORMAÇÃO DO SISTEMA SOLAR São muitas as teorias sobre a formação do sistema solar. Como os planetas e a Lua são os objetos mais brilhantes no céu noturno em qualquer época do ano, os povos antigos sempre criaram mitologias para explicar como esses objetos se formaram. Obviamente, eles desconheciam a existência de um sistema planetário que girava em torno do Sol, mas a simples presença desses objetos brilhantes chamou a atenção de pensadores daquelas épocas, que se empenharam em elaborar seus conceitos sobre o que era observado. Mesopotâmios, egípcios, gregos, maias, astecas e povos indígenas brasileiros têm concepções próprias sobre a formação dos corpos celestes. Embora as mitologias sejam bonitas, a ciência precisa mais do que mitos para explicar os fenômenos e a existência dos objetos que observa. Foi o acúmulo de observações realizadas pelos astrônomos que levou às modernas teorias sobre a formação do sistema solar. Sempre que surgem indagações sobre a formação do sistema solar, duas perguntas destacam-se naturalmente: • Os planetas foram formados a partir de que tipo de matéria? Teriam sido formados por “matéria fria”, ou seja, formados desde o início como planetas ou tiveram como origem “matéria quente”, isto é, seriam o resíduo de uma estrela que foi “apagando” e se transformou num planeta? • René Descartes (1596-1650). Os planetas foram formados junto com o Sol ou eram astros errantes que vagavam pelo espaço e foram capturados por ele através da força gravitacional? A procura por uma resposta para estas perguntas foi responsável pelo surgimento de mais de 50 teorias científicas nos últimos 300 anos, que de forma geral podem ser classificadas em três grupos: • turbulentas • catastróficas • nebulares As teorias turbulentas A primeira teoria (quase) científica sobre a formação do sistema solar foi elaborada por René Descartes em meados do século XVII e publicadas no seu livro “Discours de la Mèthode”. O filósofo e matemático francês postulou que deve ter existido, em algum momento, um sistema de vórtices totalmente preenchido por um meio chamado “éter”. Os vórtices teriam dado origem ao Sol e aos planetas que o orbitam. As teorias catastróficas George Louis Leclerc (1707-1788). 84 Módulo 1 · Introdução Foi inicialmente formulada por George Louis Leclerc, conde de Buffon, em 1765. Ele propôs que a colisão de um cometa com o Sol teria arrancado parte de sua matéria. Posteriormente, a matéria teria se condensado, reagrupado e formado os planetas. A teoria é compatível com os conhecimentos astronô- micos de sua época, quando imaginava-se que os cometas eram corpos com muita massa. Entretanto, as observações mostraram que eles são os menores objetos do sistema solar. Hoje sabe-se que a queda de cometas no Sol é um fenômeno comum e, ao contrário do que essa teoria afirmava, novos sistemas planetários não estão sendo formados. O filme abaixo, feito pela sonda espacial SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) em órbita ao redor dos pólos do Sol, mostra o momento em que dois cometas rumam em sua direção. A SOHO é um projeto conjunto entre a NASA e a Agência Espacial Européia (European Space Agency - ESA). Veja aqui o filme feito pela sonda espacial SOHO da NASA/ESA mostrando a queda de dois cometas no Sol (Para visualização é necessário QuickTime) A teoria foi revista por James Hopwood Jeans e Harold Jeffreys em 1916, propondo que a colisão não teria sido com um cometa, mas com uma outra estrela. Segundo ela, nem precisaria ter ocorrido uma colisão entre o Sol e outra estrela. Uma grande aproximação entre os dois astros seria suficiente para “arrancar” uma grande quantidade de matéria do Sol. No entanto, a teoria tinha uma falha: a aproximação entre estrelas produziria um gás muito quente. Devido à alta temperatura, o gás se expandiria muito rapidamente não permitindo a posterior condensação, ou seja, formação de corpos celestes. O Sistema Solar 85 As teorias nebulares Ilustração de uma nebulosa proto-solar. Uma terceira teoria, chamada teoria nebular, foi proposta inicialmente pelo filósofo alemão Immanuel Kant em 1755, e aprimorada pelo matemático e astrônomo francês Pierre Simon, marquês de Laplace, em 1796. É a teoria mais próxima das concepções modernas sobre a formação do sistema solar, conhecida como a hipótese de Kant-Laplace. Segundo ala, teria existido no espaço atualmente ocupado pelo sistema solar uma enorme nuvem difusa formada por gás e poeira. A nuvem, que girava lentamente, foi chamada de nebulosa proto-solar. A força gravitacional que as partículas da nuvem exerciam umas sobre as outras teria iniciado um processo gradual de contração. Na medida em que a nuvem se contraia, sua velocidade de rotação aumentava gradualmente e a força centrífuga fazia com que a nuvem ejetasse porções de matéria. Posteriormente, as porções foram se condensando, levando finalmente à formação dos planetas. A teoria foi refinada ao longo dos anos por eminentes pesquisadores como Safronov (1969), Cameron (1969) e Hayashi (1970), passando a ser a mais aceita, sendo atualmente conhecida como “modelo padrão”. É essa teoria que será discutida a seguir. Os dados observacionais O primeiro dado observacional é a rotação dos corpos do sistema solar. Todos os planetas giram em torno do Sol que, por sua vez, gira em torno de seu eixo de rotação na mesma direção do movimento de translação dos planetas. Também é sabido que todos os planetas (com exceção de Vênus) giram em torno de seu eixo no mesmo sentido da rotação do Sol. Portanto, essas evidências observacionais indicam que no sistema solar tanto o Sol como os planetas originaram-se de “algo que estava em rotação”. 86 Módulo 1 · Introdução As órbitas planetárias constituem outro dado observacional. Elas são quase circulares e possuem pequenas inclinações. Isso indica que o sistema solar se formou a partir de “algo que era inicialmente achatado”, semelhante a um disco. A análise da composição química é mais uma evidência observacional. Existem variações na composição química dos planetas que, por sua vez, são dependentes das distâncias ao Sol. No entanto, apresentam certas similaridades sugestivas de que suas formações ocorreram a partir de uma mistura única de elementos. O fato de existirem planetas terrestres, com uma composição dominada por oxigênio e planetas gigantes, com composição dominada por hidrogênio, é explicado pela forma diferenciada de como esses corpos foram aquecidos. Diferentes testes de datação em sistemas planetários também têm indicado que todo o conjunto foi formado aproximadamente ao mesmo tempo, cerca de 4,5 bilhões de anos. Por fim, sabe-se que cerca de 99,8% de toda a massa do sistema solar se concentra no Sol, que gira em torno do seu eixo muito lentamente, enquanto os planetas (especialmente os gigantes) giram mais rápido. Em outras palavras, embora a massa esteja concentrada no corpo central, o momento angular está concentrado nos planetas, mais precisamente, em Júpiter. Em resumo, qualquer modelo de formação do sistema solar deve estar fundamentado nas seguintes evidências observacionais: 1. sentido único de rotação 2. órbitas coplanares e quase circulares 3. composição química similar 4. mesma idade para todo o sistema planetário (cerca de 4,55 bilhões de anos) 5. massa concentrada no Sol e momento angular concentrado nos planetas A teoria que satisfaz a todos esses requisitos é denominada “modelo padrão”. O “modelo padrão” Segundo a teoria nebular de Kant-Laplace, o sistema solar teria se formado a partir do colapso de uma nuvem primordial em rotação, constituída de gás e poeira. O sistema assim criado possui uma rotação única, composição única e também idade única, satisfazendo, portanto, os quesitos (1), (3) e (4) acima. À medida que a nuvem colapsa, passa a girar cada vez mais rápido até o ponto em que começa a expelir matéria, formando em seguida os planetas. Contudo, o processo de ejeção de matéria não obriga todos os planetas estarem situados num mesmo plano. Além disso, com base nesse argumento, o Sol deveria girar mais rápido que os planetas, o que não é verdade. Logo, a teoria nebular de Kant-Laplace falha nos requisitos (2) e (5). O segundo, quando analisado separadamente, fornece parte da solução do problema. Órbitas co-planares implicam necessariamente na existência de uma estrutura fina como um disco. É possível então introduzir a seguinte modificação no modelo original de Kant-Laplace: à medida que a nuvem proto-solar colapsa, a matéria vai se distribuindo num disco fino. Ao longo desse disco a massa vai sendo transferida para o centro ao mesmo tempo em que o momento angular é transferido para a periferia. Assim, o quinto requisito também é satisfeito. O Sistema Solar 87 A formação de um disco fino a partir do colapso de uma nuvem de gás e poeira permite que o modelo de Kant-Laplace satisfaça todos os fatos constatados pela observação instrumental. Resta agora explicar melhor como os planetas foram formados a partir do disco. Existem duas formas: quebrando o disco em nove pedaços ou construindo nove corpos a partir da junção de pedaços menores que formavam inicialmente o disco. Isso deu origem a teorias distintas, envolvendo diferentes processos físicos: instabilidades gravitacionais ou condensação e aglutinação. As teorias de instabilidades gravitacionais Uma das mais aceitas propõe que instabilidades gravitacionais foram se formando em um disco cuja massa seria da ordem da massa do Sol. Estas instabilidades teriam dado origem a protoplanetas, que foram capturando cada vez mais matéria até se tornarem os planetas atuais. O modelo, desenvolvido por Cameron em 1969, passou a ser conhecido como o “modelo de grande massa”, já que para iniciar as instabilidades gravitacionais é necessário que o disco tenha muita massa. Entretanto, ela apresenta um problema: a massa de todos os planetas juntos não passa de 0,01% da massa do Sol. Então, para onde foi o restante da massa que estava inicialmente no disco? Para solucioná-lo surgiu a proposição de que, em um momento do estágio final da formação do Sol, ocorreu a um forte vento que teria “limpado” o disco. Algumas estrelas ao se formarem passam por uma fase chamada “T-Tauri”. Durante esse estágio, são capazes de ejetar muita matéria, o chamado “processo de perda de massa”. Contudo, ainda não foi observada nenhuma estrela 88 Módulo 1 · Introdução cuja perda de massa seja tão intensa quanto a que deveria ter acontecido no Sol para realizar essa “limpeza” espacial. As teorias de condensação e aglutinação A outra teoria, formulada por Safronov também em 1969, propõe que os planetas foram formados a partir da condensação do gás com os grãos de poeira existentes no disco. Durante esse processo, corpos cujos tamanhos variavam de alguns microns a poucos centímetros, foram sendo formados. Posteriormente estes corpos se aglutinaram formando corpos maiores, chamados planetesimais, cujos tamanhos variavam desde alguns metros a quilômetros. A aglutinação se deu a partir de suaves colisões entre planetesimais que estavam em rotação no disco, conforme mostrado. O modelo ao lado difere do proposto por Cameron não apenas na hipótese do processo de formação dos planetas, mas, principalmente, no valor atribuído à massa do disco. Com base nele é possível formar os planetas a partir de um disco com massa aproximadamente igual a 10-2 da massa do Sol, satisfazendo assim todos os requisitos fundamentados na observação. O modelo proposto por Safronov é o que melhor descreve a formação do sistema solar, sendo denominado modelo padrão. Muitos aspectos desse modelo ainda precisam de estudos mais detalhados. Entretanto, os processos básicos principais são coerentes com as observações. É importante lembrar que um modelo científico deve satisfazer os dados observacionais conhecidos e também ser submetido a novas observações, para comprovar que ele está correto. O modelo padrão faz isso, a partir de uma hipótese fundamental: o processo pelo qual o sistema solar se formou é um processo comum de formação estelar. É exatamente o que vem sendo constatado nos últimos anos. Na Nebulosa Orion (imagem a seguir) tem sido observada a formação de estrelas a partir do colapso de pequenas nuvens. Logo, o modelo está correto quanto à possibilidade de encontrar outros sistemas planetários, além de muitos objetos nos estágios intermediários de formação. O Sistema Solar 89 Nela, o telescópio espacial Hubble conseguiu observar objetos ovais que têm em seu centro uma estrela em formação e gás e poeira ao redor. Imagem da Nebulosa Orion. A descoberta do disco de poeira de ß-Pictoris e, mais recentemente, de discos de poeira em torno de outras estrelas também comprovam a existência dessa fase na formação planetária. No caso de ß-Pictoris, acredita-se que um sistema planetário esteja em adiantado estágio de formação. Portanto, o modelo padrão representa bem o que é observado no sistema solar e é bem sucedido quando propõe o que pode ser esperado. Outros programas de sondas espaciais DATA DE LANÇAMENTO SONDA ESPACIAL PAÍS MISSÃO CIENTÍFICA Estados Unidos Descobriu a existência de cinturões de radiação envolvendo a Terra, hoje chamados de Cinturões Van Allen. União Soviética Foi o primeiro objeto feito pelo ser humano a impactar sobre o solo lunar, na região chamada "Palus Putredinis". Explorer 1 31 de janeiro de 1958 Luna 2 13 de setembro de 1959 90 Módulo 1 · Introdução Luna 3 4 de outubro de 1959 União Soviética Foi o primeiro objeto feito pelo ser humano a contornar a Lua. Obteve as primeiras imagens do "lado escuro" da Lua. Estados Unidos Foi a primeira sonda espacial a passar, com sucesso, próxima a outro planeta do Sistema Solar, o planeta Vênus. Estados Unidos Primeira transmissão de imagens próximas da superfície da Lua. Colidiu com o nosso satélite. Estados Unidos Foi a primeira sonda espacial a passar por Marte e a primeira a enviar para a Terra imagens detalhadas da superfície marciana. Estados Unidos Passou por Vênus e mostrou que esse planeta não tem campo magnético. União Soviética Foi a primeira espaçonave a pousar em outro planeta, Vênus. Mariner 2 27 de agosto de 1962 Ranger 7 28 de julho de 1964 Mariner 4 28 de novembro de 1964 Mariner 5 14 de junho de 1965 Venera 3 16 de novembro de 1965 O Sistema Solar 91 Luna 9 3 de fevereiro de 1966 União Soviética Foi o primeiro objeto construído pelo ser humano a pousar suavemente sobre a superfície da Lua, no "Oceanus Procellarum". A sonda enviou para a Terra várias imagens da superfície lunar. União Soviética Foi o primeiro satélite artificial a entrar em órbita em torno de um outro corpo do Sistema Solar, a Lua. Estados Unidos Primeiro veículo a entrar em órbita da Lua com o objetivo de realizar levantamentos de dados. União Soviética Primeira espaçonave a enviar para a Terra dados estando dentro da atmosfera de Vênus. Estados Unidos Passou por Marte e foi a primeira espaçonave a enviar imagens de alta resolução da superfície marciana. União Soviética Primeira espaçonave a enviar para a Terra dados estando na superfície de Vênus. Ela entrou na atmosfera de Vênus e liberou uma cápsula de pouso que foi o primeiro objeto feito pelo ser humano a retornar dados após ter pousado sobre a superfície de um outro planeta. Luna 10 31 de março de 1966 Lunar Orbiter 1 10 de agosto de 1966 Venera 4 12 de junho de 1967 Mariner 6 24 de fevereiro de 1969 Venera 7 17 de agosto de 1970 92 Módulo 1 · Introdução Luna 16 12 de setembro de 1970 União Soviética Obteve as primeiras amostras de solo lunar, sem a participação humana, após pousar suavemente na superfície da Lua, na região chamada "Mar da Fecundidade". União Soviética Pousou sobre a superfície da Lua, no "Mar Imbrium". Sua carga incluia o primeiro "rover" lunar, um carrinho-robô não tripulado chamado "Lunokhod 1". Levou também equipamento de televisão. Estados Unidos Entrou em órbita emdo planeta Marte e realizou o primeiro mapeamento global desse planeta. União Soviética Realizou a primeira análise química da superfície de Vênus. Estados Unidos Atravessou o Cinturão de Asteroides e se tornou a primeira espaçonave a sobrevoar Júpiter. Em 1983 a Pioneer 10 se tornou a primeira espaçonave a deixar o Sistema Solar. Levará mais de 2 milhões de anos até que a Pioneer 10 ultrapasse a estrela Aldebaran, a mais próxima ao longo da trajetória seguida pela espaçonave. Luna 17 17 de novembro de 1970 Mariner 9 30 de maio de 1971 Venera 8 26 de março de 1972 Pioneer 10 2 de maio de 1972 O Sistema Solar 93 Pioneer 11 Estados Unidos Passou pelo Cinturão de Asteroides no dia 19 de abril de 1974 e ultrapassou Júpiter em 2 de dezembro de 1974. Este foi o segundo sobrevôo de Júpiter por uma espaçonave. No dia 1 de setembro de 1979, a Pioneer 11 cruzou a órbita de Saturno obtendo as primeiras imagens detalhadas de Saturno. Este foi o primeiro sobrevôo de Saturno por uma espaçonave. As espaçonaves Pioneer 10 e Pioneer 11 foram as primeiras espaçonaves a estudar diretamente Júpiter e Saturno. Estados Unidos Primeira espaçonave a sobrevoar Mercúrio. No caminho para esse planeta a espaçonave obteve dados sobre Vênus. União Soviética Pousou na vizinhança de uma região vulcânica conhecida como "Beta Regio" enviando imagens da superfície de Vênus durante 53 minutos. Esta foi a primeira cosmonave (e não uma sonda) a pousar na superfície de outro planeta. Estados Unidos O módulo orbital da sonda Viking 1 terminou suas operações no dia 7 de agosto de 1980. O módulo de pouso da sonda Viking 1 realizou o primeiro pouso suave sobre a superfície de Marte de um objeto construído pelo ser humano. O módulo de pouso terminou as suas operações no dia 1 de fevereiro de 1983. Estados Unidos O módulo orbital da sonda Viking 2 terminou suas operações no dia 24 de julho de 1978 após ter realizado 1489 órbitas em torno de Marte. O módulo de pouso da sonda Viking 2, o segundo objeto artificial a pousar suavemente sobre a superfície de Marte, cessou suas comunicações com os operadores na Terra no dia 12 de abril de 1980. 5 de abril de 1973 Mariner 10 3 de novembro de 1973 Venera 9 8 de junho de 1975 Viking 1 20 de agosto de 1975 Viking 2 9 de setembro de 1975 94 Módulo 1 · Introdução Voyager 2 20 de agosto de 1977 Estados Unidos Realizou uma jornada de 5 anos aos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. As sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2 foram as primeiras espaçonaves a explorar os planetas exteriores. Em setembro de 2003, a Voyager 2 estava a uma distância aproximada de 11 trilhões de quilometros do Sol. Estados Unidos Realizou uma jornada de 5 anos aos planetas Júpiter, Saturno e o satélite Titã. A Voyager 1 está a mais de 40 anos no espaço e, a partir de 1998, tornou-se a espaçonave que mais se distanciou do Sol. Estados Unidos Mapeou a superfície de Vênus, utilizando um radar. União Soviética Detectou a existência de descargas elétricas na atmosfera de Vênus. União Soviética Enquanto permanecia em órbita de Vênus, realizou o mapeamento topográfico da superfície desse planeta usando um radar. Voyager 1 5 de setembro de 1977 Pioneer Venus Orbiter 20 de maio de 1978 Venera 13 30 de outubro de 1981 Venera 15 2 de junho de 1983 O Sistema Solar 95 Vega 1 15 de dezembro de 1984 União Soviética Passou por Vênus lançando um módulo de teste na direção da superfície do planeta. Passou através da coma do cometa Halley. Japão Mediu a interação do vento solar com o cometa Halley. European Space Agency (ESA) Realizou a maior aproximação de uma espaçonave ao cometa Halley. Obteve as primeiras imagens muito próximas do núcleo de um cometa. Japão Obteve imagens na faixa espectral do ultravioleta da coroa de hidrogênio do cometa Halley. Realizou várias medidas do plasma do cometa. Estados Unidos Mapeou 99% da superfície de Vênus durante 4 anos de observação. Suas imagens tinham uma precisão (resolução) de 100 metros. No dia 11 de outubro de 1994 mergulhou na direção de Vênus colidindo com a sua superfície. Sakigake 8 de janeiro de 1985 Giotto 2 de julho de 1985 Suisei 18 de agosto de 1985 Magellan 4 de maio de 1989 96 Módulo 1 · Introdução Galileu 18 de outubro de 1989 Estados Unidos Foi a primeira espaçonave a se encontrar com um asteroide, fotografando um satélite de um asteroide. Usou uma sonda para fazer medições dentro da atmosfera de Júpiter, de sua magnetosfera e de seus satélites. Ela também foi a única espaçonave que realizou observações de mais de 20 fragmentos do cometa Shoemaker-Levy à medida que eles mergulhavam na atmosfera de Júpiter durante 6 dias em julho de 1994. No dia 21 de setembro de 2003 a Galileu mergulhou na atmosfera de Júpiter sendo, então, destruída. Estados Unidos/ European Space Agency (ESA) Primeira sonda espacial a permanecer em órbita dos polos do Sol. Estados Unidos Obteve evidências de água na região do polo sul da Lua. Estados Unidos Foi a primeira espaçonave a entrar em órbita de um asteroide, o 433 Eros. Também foi a primeira espaçonave a pousar suavemente na superfície de um asteroide. Essa espaçonave também obteve excelentes imagens do asteroide Mathilde. Estados Unidos Enviou um grande volume de dados sobre Marte, mais do que todas as missões anteriores juntas. Fotografou canais que sugerem ter havido correntes de água líquida na superfície do planeta. Ulysses 6 de outubro de 1990 Clementine 25 de janeiro de 1994 NEAR-Shoemaker 17 de fevereiro de 1996 Mars Global Surveyor 7 de outubro de 1996 O Sistema Solar 97 Mars Pathfinder 4 de dezembro de 1996 Estados Unidos Formada por um módulo de pouso e um pequeno carrinho-robô, o Sojourner Rover, essa missão explorou as planícies do hemisfério norte de Marte conhecidas como "Ares Valles". Cassini-Huygens Estados Unidos- o módulo de pouso Huygens descerá -European Space sobre a superfície de Titã, satélite de Agency (ESA)/Itália Saturno. 15 de outubro de 1997 Lunar Prospector 7 de janeiro de 1998 Estados Unidos Colidiu propositalmente com a Lua na tentativa de determinar a existência de água no seu subsolo. Estados Unidos Sobrevoou o asteroide 1992 KD, próximo à Terra, em 20 de julho de 1999. Em setembro de 2001 a espaçonave encontrou o cometa Borrelly, registrando imagens excepcionais. Estados Unidos Fotografou o núcleo do cometa Wid 2. Colheu material da coma desse cometa. Estados Unidos Estudou a composição da atmosfera marciana e detectou a presença de água e gelo enterrado no subsolo do planeta. Deep Space 1 24 de outubro de 1998 Stardust 7 de fevereiro de 1999 2001 Mars Odyssey 7 de abril de 2001 98 Módulo 1 · Introdução Hayabusa (MUSES-C) 9 de maio de 2003 Japão Esta missão teve como objetivo trazer para a Terra amostras do solo do asteróide Itokawa. European Space Agency (ESA) Lançou um módulo de pouso, Beagle 2, na direção da superfície marciana. O módulo orbital continua a realizar pesquisas sobre a possibilidade de existir água em Marte. Estados Unidos Dois pequenos robôs, o Spirit e o Opportunity, foram colocados sobre a superfície de Marte com a missão de explorar cerca de 40 metros de distância por dia. European Space Agency (ESA) Sua longa missão levou essa sonda espacial ao encontro do cometa 67P/ Churyunov-Gerasimenko. Estados Unidos (NASA) Estudou o interior do cometa 9P/ Tempel Estados Unidos (NASA) Orbitar Marte para reconhecer sua superfície, auxiliando no planejamento de outras missões. Mars Express 2 de junho de 2003 Mars Exploration Rovers 10 de junho de 2003 7 de julho de 2003 Rosetta 2 de março de 2004 Deep Impact 12 de janeiro de 2005 Mars Reconnaissance Orbiter 12 de agosto de 2005 O Sistema Solar 99 Venus Express 9 de novembro de 2005 European Space Agency (ESA) Estudar os efeitos atmosféricos e magnéticos de Vênus. Também faz imagens planetárias. Estados Unidos (NASA) Sonda interplanetária enviada para coletar dados de Júpiter e Plutão. Capturou a primeira imagem nítida de Plutão. Estados Unidos (NASA) Duas sondas enviadas para o Sol, STEREO A e STEREO B, com o objetivo de fazer imagens das ejeções de massa coronal e outros fenômenos solares. Estados Unidos (NASA) Coletar amostras do solo marciano perto do polo norte do planeta. Estados Unidos (NASA) Sonda espacial que coletou dados sobre os asteróides Vesta e Ceres. New Horizons 19 de janeiro de 2006 STEREO 26 de outubro de 2006 Phoenix 4 de agosto de 2007 Dawn 27 de setembro de 2007 100 Módulo 1 · Introdução Kepler 7 de março de 2009 Estados Unidos (NASA) Observatório espacial que orbita a Terra, cuja missão é procurar de planetas extrasolares. European Space Agency (ESA) Tratava-se de um observatório espacial que funcionou de 2009 a 2013 enquanto orbitava a Terra. Registrou imagens na faixa do espectro infravermelho. Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA) Estudar a atmosfera de Vênus. Japan Aerospace Exploration Agency (JAXA) IKAROS é a primeira sonda a demonstrar os efeitos de velas solares no sistema solar. Estados Unidos (NASA) Investigar a habitabilidade de Marte, realizando análises climáticas e geológicas. Herschel Space Observatory 14 de março de 2009 Akatsuki 20 de maio de 2010 IKAROS 20 de maio de 2010 Mars Science Laboratory (Curiosity) 26 de novembro de 2011 O Sistema Solar 101 Mars Orbiter Mission 5 de novembro de 2013 Indian Space Research Organisation (ISRO) Demonstrar tecnologias para desenho, planejamento, gerência e operações de uma missão interplanetária. Estados Unidos (NASA) Estudar a atmosfera de Marte. Estados Unidos (NOAA) Observar os ventos solares e a ejeção de massa coronal do Sol. Também mapear o clima da Terra. European Space Agency (ESA) e Russian Federal Space Agency (RKA) Monitorar os gases da superfície de Marte e auxiliar na comunicação de outras sondas com a Terra. MAVEN 18 de novembro de 2013 Deep Space Climate Observatory 11 de fevereiro de 2015 ExoMars Trace Gas Orbiter 14 de março de 2016 102 Módulo 1 · Introdução
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