INTRODUÇÃO À ECONOMIA Instituto Superior de Línguas e Administração CADERNO 1 - MICROECONOMIA Carlos Miguel Oliveira 28-01-2008 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA F IC H A T ÉC N IC A Manual de Introdução à Economia Carlos Miguel Oliveira Versão 01 ISLA de Vila Nova de Gaia Direcção Académica Depósito Legal 000 000/00 ISBN 000-00-0000-0 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 1 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Conteúdo 1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA ....................................................................................................... 4 1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA ....................................................................................................... 6 1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA ANÁLISE ECONÓMICA ...................... 7 1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA ............................................................................................... 7 1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO .......................................... 7 1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO ......................................................... 8 1.6. O MERCADO .................................................................................................................................. 11 1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO? ................................................................................. 13 1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA ..................................... 14 1.7. 2. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO ........................................................................................ 15 Procura e Oferta ............................................................................................................................... 18 2.1 A procura de mercado ................................................................................................................... 19 2.2.. A oferta de mercado .................................................................................................................... 21 3. 4. 5. ELASTICIDADES ................................................................................................................................ 24 3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed) ........................................................................... 24 3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo) ............................................................................... 28 3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA ................................................................................. 28 A ESCOLHA DO CONSUMIDOR e A PROCURA DE MERCADO ......................................................... 30 4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL .................................. 30 4.2. ORDENAÇÃO DAS PREFERÊNCIAS ......................................................................................... 34 4.3. A UTILIDADE ............................................................................................................................ 38 4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO .............................................................................. 40 TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO e CUSTOS DE PRODUÇÃO ....................................................... 47 5.1. 5.1.1 TEORIA DA PRODUÇÃO ........................................................................................................... 48 Introdução ........................................................................................................................... 48 5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável ................................................................... 51 5.1.3. Análise da Produção com dois factores variáveis ............................................................ 56 5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO .................................................................................... 64 5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS ........................................ 64 5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO ................................................................................................... 65 5.2.3. CUSTOS A LONGO PRAZO ................................................................................................... 68 6. ESTRUTURAS DE MERCADO ............................................................................................................ 72 6.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 72 6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA.......................................................................... 73 6.3. MONOPÓLIO ............................................................................................................................ 84 6.4. OLIGOPÓLIO............................................................................................................................. 90 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 2 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 6.4.1. O MODELO DE COURNOT E BERTRAND ............................................................................ 91 6.4.2. O MODELO DE EDGEWORTH.............................................................................................. 92 6.4.3. O MODELO DE CHAMBERLIN ............................................................................................. 92 6.4.4. TEORIA DE JOGOS ............................................................................................................... 93 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 3 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA 1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA A economia é uma ciência social abrangente, dedicada à compreensão da forma como a sociedade faz a afectação dos seus recursos escassos. Como disciplina académica, a economia tem dois séculos. Adam Smith publicou o seu livro pioneiro A riqueza das Nações em 1776 (ano da declaração de independência dos E.U.A1), dando um elevado contributo na análise do modo como os mercados organizavam a vida económica e geravam um rápido crescimento económico. Demonstrou que um sistema de preços e de mercado é capaz de coordenar os indivíduos e as empresas sem necessidade de qualquer direcção central. Começava a era do capitalismo, marcada pela proliferação das empresas do sector ferroviário, têxtil e outros, que estenderam a sua influência a todas as partes do mundo. Com o início da Revolução Industrial na Grã-Bretanha, desenvolveu-se paralelamente a ideologia do liberalismo clássico e do capitalismo. Estas ideias liberais eram baseadas nos fundamentos da doutrina do lassaiz-faire, segundo a qual caberia aos governos assumirem exclusivamente as funções que apoiassem e estimulassem as actividades lucrativas, e a interferência governamental era proibida nos demais assuntos económicos. O liberalismo proporcionou as bases filosóficas do sistema capitalista e criou na Inglaterra uma atmosfera favorável ao desenvolvimento do sistema fabril. Adam Smith mostrou uma preocupação com a análise das empresas, no contexto da sua situação perante o mercado, desenvolvendo as ideias do laissez-faire e mão invisível, procurando explicar a formação dos preços com base em duas teorias de organização do mercado, a saber, a concorrência perfeita e o monopólio. A primeira foi adoptada na Teoria Económica tradicional por mais de 150 anos sem contestação. Nesse sistema, a empresa tem os seus preços determinados pelo mercado, através da inter-relação entre a oferta e a procura. A flutuação dos preços determina a produção, os custos e o lucro. Para Adam Smith, o sistema de preços era infalível, pois levaria sempre ao equilíbrio de firma e da economia. Assim, resumidamente, o mercado de concorrência perfeita ou pura é concebido como organizado por um grande número de empresas, que individualmente são pequenas em relação ao todo (mercado) e não podem exercer influência perceptível no preço. O produto é homogéneo, ou seja, qualquer empresa vende um produto idêntico ao de qualquer outra e, portanto, os compradores são indiferentes ao comprarem a qualquer vendedor Observa-se a existência da livre mobilidade dos recursos, no sentido de que cada recurso pode imediatamente entrar e sair do mercado como respostas a impulsos monetários. O outro sistema de organização de mercado examinado pelos clássicos é o monopólio, definido como uma situação em que há apenas um produtor num mercado bem definido, sem a existência de rivais ou concorrentes directos. Posteriormente, com os neoclássicos, a Teoria dos Preços foi formulada em termos de uma nova teoria do valor baseada nos conceitos de “utilidade” (já desenvolvidos pelos clássicos) passou a constituir a essência do pensamento microeconómico, ou seja, da tomada de decisões. A teoria da empresa, desenvolvida sobre este prisma, passa a descrever o equilíbrio da empresa como sendo Não é uma coincidência o aparecimento destes dois documentos. O movimento pela libertação política da tirania das monarquias europeias surgiu quase simultaneamente com as tentativas de emancipação dos preços e salários da pesada regulamentação estatal. 1 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 4 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA baseada em ajustes marginais, ou seja, em termos das variações em unidades adicionais de produção (teoria da produção) e de custos (teoria dos custos). Um século depois, surge Karl Marx (1867, 1885, 1894) que com o seu trabalho “O Capital”, veio tecer uma enorme crítica ao capitalismo, condenando-o pelos seus ciclos económicos, e pelas profundas depressões que os caracterizavam. Marx defendia que estas depressões iriam criar movimentos revolucionários, conduzindo ao socialismo. A sua corrente de pensamento era oposta à neoclássica, surgindo como resposta aos elevados custos sociais e decréscimo do bem-estar, decorrentes do capitalismo e revolução industrial2. Nas décadas que se seguiram, os acontecimentos pareciam confirmar as profecias de Marx. O pânico económico e as profundas depressões dos anos 90 do século passado e dos anos 30 do actual levaram os intelectuais do século XX a questionar a viabilidade do capitalismo da empresa privada. Os socialistas começaram por aplicar o seu modelo na União Soviética em 1917 e por volta de 1980 cerca de um terço do mundo era regido por doutrinas marxistas. Em 1936, na sequência da grande depressão, John Maynard Keynes publicou “A Teoria Geral sobre o Emprego, o Juro e o Dinheiro”. Esta obra fundamental descrevia uma nova abordagem da economia que ajudaria as políticas governamentais, fiscais e monetárias a suavizar os maiores estragos dos ciclos económicos. Nos anos oitenta, as perspectivas fundamentais de Adam Smith foram redescobertas, marcadas pela capacidade do mercado para gerar rápidas mudanças tecnológicas e elevados padrões de vida. No ocidente os governos reduziram a seu papel regulamentador e liberalizaram os preços. Na Europa de leste (1989) os países socialistas abandonaram o seu aparelho de planeamento central e permitiram que as forças de mercado se desenvolvessem novamente. Definição de economia: é o estudo da forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e como os distribuem entre os seus diferentes membros. Na nossa cadeira distinguiremos entre macroeconomia, que estuda o funcionamento da economia como um todo, e microeconomia, que estuda o comportamento dos componentes individuais tais como a indústria, a empresa e o indivíduo. No início tínhamos apenas o conceito de economia. Apesar da existência simultânea dos dois “braços” económicos ao longo dos séculos, a sua divisão só começou a ser mais transparente a partir da 1ª grande depressão de 1930, em que Ragnar Frish3 (1985-1973), um economista norueguês, criou as palavras micro-dinâmica e macro-dinâmica (1933) para denotar aquilo a que hoje chamamos micro e macroeconomia. As diferenças entre os dois ramos da economia são: A microeconomia lida com as escolhas individuais enquanto a macro lida com agregados económicos (consumos totais, produção total, etc.). A distinção é contudo sujeita algumas qualificações pois mesmo em microeconomia lidamos com agregados como procura total, procura de mercado para o trabalho, oferta da indústria. Contudo a diferença reside no facto de que estes agregados são derivados das escolhas individuais (para além de na micro estudarmos agregados de produtos homogéneos; não estudamos a procura combinada entre maças e laranjas). Na macroeconomia falamos por exemplo de PNB (produto nacional bruto), que é o agregado de muitos tipos diferentes de produtos. A revolução industrial elevou a produtividade do trabalho a níveis inusitados para a época, com a multiplicação das fábricas e a ampliação da utilização da máquina, que se fez à custa do bem-estar social. 3 Conjuntamente com o economista Alemão Jan Tinbergen ganhou o Prémio Nobel da Economia. 2 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 5 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Na microeconomia, os preços relativos tem um papel fundamental na análise económica. Aqui nós estudamos a resposta dos consumidores e produtores a alterações relativas dos preços, tratando sempre a questão de uma forma homogénea. Na macroeconomia os preços têm uma importância relativa. 1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA A microeconomia é o estudo de como as pessoas fazem opções sob condições de escassez. Não devemos dar uma interpretação restritiva à escassez porque mesmo quando os recursos materiais são abundantes outros recursos importantes não o serão. Ex. O dinheiro é um recurso escasso, mas para um magnata que contraia uma doença mortal a escassez não reside no dinheiro, mas sim no tempo, na energia e na mobilidade física necessária ao desempenho das suas actividades normais. O tempo e o dinheiro não são os únicos recursos escassos. Toda a escolha envolve considerações importantes de escassez. Conviver com a escassez é a essência da condição humana. Na verdade, se não fosse o problema da escassez, a vida ficava desprovida de muito do seu sentido e dificilmente qualquer decisão teria importância para alguém com um tempo de vida infinito e recursos materiais inesgotáveis. De facto, toda a nossa vida é um complexo problema de múltipla escolha. Simultaneamente, os indivíduos e as empresas tem inúmeras escolhas e decisões a tomar (quando e como aumentar o output, produzir o output interna ou externamente; etc.), e nem todas podem revestir a característica económica (apesar de existir sempre uma possível explicação). Na nossa análise preocupar-nos-e-mos com as escolhas económicas mais convencionas, envolvendo a alocação de recursos escassos de forma eficiente. Os recursos produtivos são usualmente classificados nas seguintes categorias: - Recursos naturais: terra, água, ar, minerais e florestais; - Recursos humanos: trabalho especializado e não especializado; - Recursos de capital: máquinas, equipamentos, edificações; - Recursos organizacionais: uma categoria especial que deriva da combinação e potenciação dos recursos da instituição. Consiste na combinação dos três recursos anteriores para produção de um output. Esta acção envolve riscos, cabendo ao empresário a responsabilidade organizativa. No futuro falaremos de recursos produtivos com factores de produção e estudaremos a forma como as empresas combinarão os recursos escassos na produção de bens e serviços. Bens e serviços que também serão escassos para o consumidor, sendo as suas alocações feita (em sistema capitalista) através dos mercados. Aqui os consumidores terão que decidir, tendo em atenção que o seu poder de compra é limitado (escasso) e deve ser alocado pelos diferentes tipos de bens e serviços, que constituem o seu cabaz de compras. O nosso objecto de estudo centrar-se-á nas decisões individuais feitas pelos consumidores, empresas e governo (que de uma forma menos extensa afecta a última alocação dos recursos escassos da sociedade). Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 6 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 1.3. QUESTÕES NORMATIVAS ANÁLISE ECONÓMICA E QUESTÕES POSITIVAS NA Num sentido mais lato saber se as áreas de floresta virgem devem ser ou não protegidas, ou se o governo deveria ou não garantir o rendimento mínimo nacional são afinal questões normativas questões que envolvem os nossos valores. Uma questão normativa é urna questão sobre o que tem de ser ou deveria ser. Por si só a análise económica não consegue responder a estas questões. A análise económica pisa terrenos mais firmes quando se trata de responder a questões positivas questões acerca das consequências políticas e mecanismos institucionais específicos. Se proibirmos o abate de árvores nas florestas virgens, o que pode acontecer ao preço da madeira? Que outros materiais poderiam ser desenvolvidos e a que preço? Qual a influência do rendimento mínimo nacional no desemprego? Estas são questões económicas positivas, e as respostas são nitidamente importantes para o nosso pensamento sobre as questões normativas subjacentes. Aqui as afirmações económicas começam com pressupostos a partir dos quais se derivam conclusões (comprovadas empiricamente). A análise económica positiva não envolve valores ou opiniões, tendo as suas respostas relevância importante para a formação do nosso pensamento sobre as questões normativas subjacentes. 1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA Ser racional quer dizer tomar decisões de acordo com o critério custo-benefício, isto é, actuar se e só se os benefícios excederem os custos. Existem dois critérios de racionalidade: Baseada no egoísmo - critério segundo a qual o indivíduo racional considera somente os custos e benefícios que se referem directamente a eles. Este padrão, explicitamente, anula motivações como tentar fazer os outros felizes, tentar fazer o que esta correcto, etc. Baseado no objectivo imediato - teoria segundo a qual as pessoas racionais agem eficientemente na procura de qualquer objectivo que tenham no momento da tomada da decisão. O atractivo deste critério mais geral é o de que ele envolve motivações (dever, gostar, caridade, etc.). Por exemplo, se o desejo irresistível de um fumador é o de saborear um charuto esta conduta seria racional segundo o critério do objectivo imediato, sempre que a pessoa não pagasse mais pelo charuto do que o necessário. O facto de se arrepender posteriormente a ter fumado um cigarro, ou, inclusive isso ser causa de morte prematura, não é simplesmente relevante segundo este critério. Segundo o critério do egoísmo, pelo contrário, esta conduta seria irracional. Ambos os critérios encontram amplas aplicações na análise económica. Qualquer um dos padrões que empreguemos implica uma solução de compromisso. 1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 7 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA “The true cost of any decision includes the cost of the best forgone opportunity” “A thorough understanding of costs is fundamental to understanding economic decision making.” Muitas das opções que os economistas estudam podem ser resumidas na seguinte questão. Deverei efectuar a actividade x'? Os economistas dão resposta a estas questões, comparando os custos e benefícios da actividade em questão. A regra de decisão a usar é simples. Se: C(x) representa os custos de fazer x e B(x) os beneficios Então; se B(x)>C(x) implica fazer x . De outro modo, não. Para se aplicar esta regra, necessitamos de definir e medir os custos e benefícios. Os valores monetários são um útil denominador para este propósito, mesmo quando a actividade não tem nada a ver com o dinheiro. 1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO. Erro 1. Ignorar o custo de oportunidade Imagine que costuma ir a discoteca todas os sábados, e que para si vale 5.000u.m.. O consumo mínimo é de 3 000u.m.. contudo este não é o único custo para ir à discoteca. Deve ter também em consideração o valor da alternativa mais atractiva a que renunciará no caso de ir a discoteca. Suponha agora que se não for, ficará a trabalhar como assistente para um dos seus professores. Este trabalho rende-lhe 4.000u.m. por dia, e gosta tanto de o fazer que o faria mesmo sem ser pago. Assim, a questão que se coloca é “Devo ir à discoteca ou ficar a trabalhar como assistente?" Neste caso, o custo não é somente o custo explícito de ir á discoteca (3 000u.m.) mas também o custo de oportunidade de perder o seu salário (4.000u.m.), O total dos custos são de 7.000u.m., o que ultrapassa o benefício que é e 5.000u.m.. Devo trabalhar primeiro ou tirar antes um curso universitário? As despesas relativas a frequência num curso universitário não se limitam ao custo das propinas, alimentação, alojamento, livros e outros materiais escolares. Incluem também o custo de oportunidade dos salários perdidos enquanto se estuda. Este custo é tanto maior quanto maior for a experiência profissional, ou seja, é menor quando se começa a trabalhar depois de terminar o ensino secundário. Considerando o lado dos benefícios, uma das vantagens de um curso universitário é proporcionar salários mais elevados, e quanto mais cedo se entrar para a Universidade mais tempo poderá beneficiar desta vantagem. Um outro factor importante é o facto de que normalmente o tipo de Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 8 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA emprego que se arranja é menos desagradável, quanto mais instrução e experiência se tiver. Iniciando de imediato um curso universitário é possível evitar os trabalhos menos agradáveis. Por isso para a maioria das pessoas, faz mais sentido tirar primeiro um corso universitário e só depois começar a trabalhar. É certamente mais sensato frequentar um curso universitário com 20 anos do que com 50. Este exemplo é uma ilustração perfeita do argumento de Friedman relativamente ao modo de avaliar uma teoria. Ninguém pensa que os estudantes que terminam o ensino secundário decidem quando devem iniciar o seu curso universitário com base em cálculos que envolvem custos de oportunidade Pelo contrário, a maior parte dos estudantes vai para uma universidade assim que termina o ensino secundário porque é o que fazem todos os seus colegas. Socialmente é o que se deve fazer. Este hábito não surgiu do nada, e tem subsistido porque é talvez o mais eficiente. Porque é que os bancos pagam juros? Suponha que é banqueiro e que alguém lhe deposita 1 000 u.m. no dia 1 de Janeiro sem que você tenha que lhe pagar juros. Você pode pegar no dinheiro e comprar um bem produtivo, como por exemplo um pinhal. Suponha que todos os anos as árvores crescem em média 6% e que o preço de uma árvore é proporcional à quantidade de madeira que contém Nesta óptica poderia ao fim do ano vender o pinhal por 1060 u.m. e ganhar 60. Mas esta opção também é valida para a pessoa que depositou o dinheiro no seu banco. Esta pessoa estará disposta a deixá-lo utilizar o seu dinheiro, mas apenas se você o compensar pelo custo de oportunidade de não o ter utilizado ele próprio. Se lhe pagar 5% de juros, ele provavelmente aceitará já que não terá o trabalho de cuidar das árvores, ficando você com os restantes 1% ( 10 u.m.) por ter tratado desse assunto. O conceito de Custo de oportunidade tem tanto de simples como de importante no estudo da microeconomia. A arte de aplicar este conceito correctamente está na forma como se consegue reconhecer o maior valor alternativo que é sacrificado com o prosseguimento de uma certa actividade. Erro 2. Não ignorar os custos irrecuperáveis Frequentemente um custo de oportunidade não parece ser um custo relevante, quando na realidade o é. Outro erro comum quando se tomam decisões é considerarmos determinado custo como relevante quando na realidade não o é. Isto acontece frequentemente com os custos irrecuperáveis, custos esses que já foram incorridos no momento em que a decisão é tomada. Ao contrário dos custos de oportunidade, estes custos deverão ser ignorados. O princípio de que se devem ignorar os custos irrecuperáveis ressalta claramente, do seguinte exemplo. Você está a planear uma viagem de cerca de 400 km. À excepção do custo, é-lhe completamente indiferente entre ir no seu próprio carro ou de avião. O bilhete de avião custa 13 000u.m., e você não sabe qual será o custo de levar o seu carro. Assim, telefona para a Hertz para ter um valor estimativo. A pessoa com quem fala diz-lhe que para fazer essa estimativa deve começar por considerar os custos de um carro típico, onde se fazem, por exemplo, 17 000 Km. Assim: Seguro 130 000u.m. Juros 260 000u.m. Combustível e óleo 130 000u.m. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 9 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Manutenção 130 000u.m. Total 650 000u.m. Dividindo este valor total por 17000 Km, conclui que o preço por Km é 38u.m.20. Se usa este número para calcular a custo da viagem de carro, conclui que lhe iria custar 15 280u.m.. Dado que este valor é mais elevado do que os 13 000u.m. do bilhete do avião, decide ir de avião. Se decidir desta maneira, você comete um erro não considerar os custos irrecuperáveis. O valor do seguro e dos juros não varia conforme o número de quilómetros que efectua num ano. Ambos são custos irrecuperáveis e serão sempre os mesmos quer viaje ou não com o cano. Dos custos mencionados, o óleo, o combustível e a manutenção são os únicos que variam consoante o número de quilómetros que efectuar. Isto dá-lhe um custo de 260 000u.m. por 17 000km, ou seja, 15u.m.30/Km. Ao preço de 15u.m.30/km, a viagem só lhe custará 6120u.m.; e dado que este valor é muito mais baixo que o bilhete de avião, deve ir de automóvel. No Exemplo anterior, note o papel desempenhado pela suposição de que, exceptuando os custos, lhe era indiferente o meio de transporte utilizado. Isto permite-nos afirmar que o único factor que se devia considerar era o custo actual dos dois modos de transporte. Se preferisse um meio ao outro, tinha também de ter em consideração o peso dessa preferência. Assim, por exemplo, se estivesse disposto a pagar 7800u.m. para evitar a maçada de guiar, o custo real de guiar passaria a ser de 13 920u.m., e não 6120u.m., e neste caso deveria ir de avião. Erro 3. Focar apenas alguns custos relevantes Uma pessoa que ao tomar uma decisão seja vítima da falácia do custo irrecuperável, tem em atenção um custo que deveria ter ignorado. A falácia do custo de oportunidade é exactamente o oposto: ignorar custos que deveriam ter sido considerados. Mas o exemplo que se segue tornará claro que os custos de oportunidade não são os únicos custos que as pessoas tendem a ignorar. O impulso de muitos consumidores preocupados com a poupança de combustível seria escolher imediatamente um carro com baixo consumo de Combustível como o Opel Corsa TD. Mas provavelmente não haverá tantas Corsas TD disponíveis. Suponha que existe um total de 1000 Corsas TD e 1000 Sport 1.4 gasolina. Se alugar um Diesel em vez de um a gasolina, alguém terá de alugar um a gasolina em vez de um a Diesel. Se o meu objectivo é poupar energia só deveria alugar o Diesel se a pessoa que vai ficar com o a gasolina fizer menos quilómetros por ano do que eu. Mas quem é que pode adivinhar se é isso que vai acontecer? Se as taxas de aluguer dos dois automóveis estiverem estabelecidas no mercado e cada um escolher geralmente o carro que vai minimizar as suas despesas totais com as deslocações, podemos dizer isto: o facto de eu escolher C ( g ) = 340.000€ + 10 K × 168€ 100 um Diesel vai reduzir o consumo de energia da sociedade se, e apenas se, o TD for menos dispendioso, para mim, do que o 1.4Gasolina. Para perceber porquê, repare primeiro que, se a gasolina custar 168u.m. o litro, o custo anual do Corsa a gasolina é dado pelo cálculo em que K é o número de quilómetros que eu faço por ano e 340.000u.m. a aluguer anual do veiculo em 5 anos. O custo correspondente para o Diesel será: Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 10 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA C (d ) = 700.000$ + 6 K × 115$ 100 Estes custos serão absolutamente iguais se eu fizer exactamente 36.363 Kms por ano (para obter este número iguale as equações e resolva em ordem a K). Se eu andar mais de 36.363 quilómetros, o Diesel ficará mais barato; se eu andar menos, será o gasolina o mais barato. Assim, por exemplo, se andar 6000 quilómetros por ano, deverei escolher o a gasolina, mesmo que a poupança de energia seja a minha única preocupação. Mas como é que vou saber se a pessoa que vai ficar com o Diesel que eu poderia ter alugado ou comprado não vai fazer ainda menos quilómetros do que eu? Se todos seguirem a regra "conduzir o carro menos dispendioso" tal não acontecerá com as taxas de aluguer indicadas. (Se a gasolina ficar mais barata para mim, também será mais barato para alguém que faça menos quilómetros por ano do que eu). é o que acontece se metade dos condutores, incluindo eu, andarem 6000 quilómetros por ano enquanto todos os outros fazem 4000? Se fosse esse o Caso, então todos considerariam o gasolina mais barato com estas taxas de aluguer e ninguém ia querer alugar um a Diesel. As companhias de aluguer de automóveis iriam descobrir que podiam aumentar substancialmente os preços dos gasolina e, mesmo assim, alugá-los todos. Pela mesma ordem de ideias, teriam um forte incentivo para baixar as taxas de aluguer dos Diesel, caso não os quisessem ver ficar a ganhar pó nos parques de estacionamento. Por fim, as taxas de aluguer dos dois automóveis seriam ajustadas de modo a que os Diesel ficassem menos dispendiosos para os condutores que fazem muitos quilómetros, e os a gasolina ficassem menos dispendiosos para os que fazem poucos quilómetros. Erro 4. O problema dos custos externos de uma actividade O custo externo de uma actividade é o custo que incide sobre pessoas que não estão directamente envolvidas nessa actividade. Suponha que tem um jardim em sua casa. Levar as folhas à lixeira próxima custa-lhe 2.000u.m. e queimá-las fica em apenas 100u.m.. Se você está apenas interessado nos custos, vai certamente decidir queimar as folhas. O problema é que queimar as folhas acarreta um importante custo externo, o que significa um custo que recai sobre pessoas que não estão directamente envolvidas na decisão. Este custo externo é o prejuízo provocado pelo fumo. Esse custo não vai incidir directamente sobre o agente que toma a decisão (queimar as folhas), mas sobre as pessoas que moram na direcção do vento. Suponha que as prejuízos provocados pelo fumo montam a 2500 u.m.. O bem da comunidade exige que as folhas sejam levadas, e não queimadas. Contudo, do seu ponto de vista, será melhor queimá-las. A Teoria Económica tem como objectivo resolver o problema da escassez, ou seja, afectar os recursos escassos à utilizações alternativas da forma mais eficiente. Há sempre custos associados a qualquer escolha e a escolha existe sempre, quer no consumidor, produtor ou governo. A escolha resulta de um processo de decisão, que deve ser sempre óptimo e eficiente. A Teoria Económica pretende representar a realidade da forma mais aproximada possível, daí que seja uma ciência social dedutiva, com elevado grau de abstracção. 1.6. O MERCADO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 11 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Mercado é o mecanismo pelo qual os compradores e vendedores de uma mercadoria se confrontam para determinar o seu preço e quantidade. Num sistema de mercado tudo tem preço. O preço representa o valor de um bem em termos monetários, ou seja, representam as condições em que os indivíduos e as empresas trocam os diferentes bens. Quando concordo em comprar um telemóvel a um vendedor por 50.000u.m., isto significa que ele vale mais de 50.000u.m. para mim e menos de 50.000u.m. para o vendedor. Os preços também servem de sinais para os produtores e consumidores. Se por exemplo os consumidores quiserem mais telemóveis, a sua procura irá aumentar, mas como os vendedores estão com as suas existências reduzidas aumentam o preço do produto para racionar a oferta limitada. Por sua vez o preço mais elevado irá estimular a produção (o contrário também é verdadeiro). O que é verdade para os mercados de consumo também o é para os mercados de factores de produção, tais como o trabalho, capital, etc., Os preços coordenam as decisões dos produtores e dos consumidores num mercado. Os preços mais elevados tendem a reduzir as compras dos consumidores e estimularem a produção. Os preços mais baixos estimulam o consumo e retraem a produção. Os preços são o pêndulo do mecanismo de mercado O equilíbrio de mercado representa um equilíbrio entre todos os compradores e vendedores. Todos, consumidores e empresas pretendem comprar ou vender algumas quantidades dependendo do preço. O mercado estabelece o preço de equilíbrio que equipara os desejos dos vendedores e consumidores. O preço representa o equilíbrio entre a oferta e a procura. Os preços ajudam a equiparar o consumo e a produção (a oferta e a procura). Os três problemas económicos - O quê, como e para quem O próprio mercado tem capacidade para resolve-los, através do seu equilíbrio. O quê será produzido é determinado pela decisão de compra dos consumidores. O 1. dinheiro que deixa nas caixas das empresas vai acabar por proporcionar os salários, as rendas e os dividendos que os consumidores, como empregados, recebem como remuneração. As empresas, por seu lado, são movidas pelo desejo de maximizar os seus lucros - lucros que correspondem a diferença entre as receitas líquidas (lucro total), ou a diferença entre as vendas e os custos totais (as empresas são atraídas pelos lucros elevados da produção de bens com elevada procura. Os custos relativos também afectam a produção e o comércio entre países. O Japão produz e exporta electrónica de consumo e importa alimentos, enquanto os EUA importam electrónica de consumo e exportam alimentos. Quem toma estas decisões? É o governo ou o congresso japonês? De facto não é nenhum deles. É o sistema de preços quem toma as decisões. Dado que existe em abundância nos EUA, a terra é relativamente barata e os custos dos alimentos são relativamente baixos. Porque a terra é escassa e cara no Japão, enquanto o talento tecnológico é relativamente abundante, os custos dos alimentos são relativamente elevados enquanto os da electrónica de consumo são baixos. Analisando os sinais dos preços da terra e do trabalho, as empresas, os agricultores e os consumidores podem escolher o bem que será mais apropriado produzir, negociar e consumir. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 12 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 2. A concorrência entre os diferentes produtores é que determina como as coisas são produzidas. A melhor forma de os produtores alcançarem um preço de concorrência e maximizarem o lucro é manterem os custos no mínimo, através da adopção dos métodos de produção mais eficientes. O mais importante a apreender é o posicionamento tecnológico e a forma mais eficiente de utilizar a tecnologia ao longo do tempo. 3 - Para quem são as coisas produzidas é determinado pela oferta e procura nos mercados dos factores de produção - Os mercados determinam os salários, as rendas da terra, as taxas de juro e os lucros - passaremos a designá-los por preços dos factores de produção. Através do somatório dos rendimentos dos factores de produção, podemos calcular o rendimento da população. A repartição do rendimento entre a população é portanto determinada pelo montante possuído de factores (horas-homem, hectares de terreno, etc.) e pelos preços dos factores (níveis salariais, rendas da terra, etc.). 1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO? Os consumidores não podem, por si só, ditar quais os bens que devem ser produzidos. A procura dos consumidores tem de se encaixar com a oferta de bens e serviços pelas empresas. Os custos empresariais e as decisões de oferta, juntamente com a procura dos consumidores, ajudam a determinar o que deve ser produzido. Os mercados funcionam como um link, que reconcilia os gostos dos consumidores com as limitações tecnológicas das empresas. O lucro tem um papel muito importante no dia-a-dia do mecanismo de mercado, constituem o prémio ou castigo para as empresas, induzindo-as a produzir da forma mais eficiente possível os bens mais desejados. Uma imagem dos Preços e dos Mercados A figura abaixo representada dá-nos uma visão global de como os consumidores e produtores actuam em conjunto para determinar os preços e as quantidades, tanto de factores de produção como das produções. Em cima estão os mercados dos produtos, em baixo os mercados dos factores de produção. Os consumidores compram bens e vendem factores de produção, as empresas vendem bens e serviços e adquirem factores de produção. Os consumidores usam o seu rendimento da venda de trabalho e outros factores para adquirir bens às empresas; estas baseiam os preços dos seus bens nos custos do trabalho e do património. Os preços nos mercados de bens são estabelecidos de modo a equiparar a procura dos consumidores com a oferta das empresas; os preços no mercado de factores são estabelecidos de modo a equilibrar a oferta dos consumidores com a procura das empresas. A procura e a oferta formam uma teia de relações interdependentes que se conjugam através do mecanismo de mercado para resolver os problemas económicos. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 13 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA PROCURA Vestuário Habitação OFERTA PREÇO nos Mercados de Bens/serviço Alimentaçã Decisão de compra dos consumidores Famílias Propriedade dos factores Trabalho Terra Vestuário Habitação Alimentaçã Custos de produção O quê Empresas Como Para quem PREÇO nos Mercados de Factores Capital Salários, rendas, etc Trabalho Terra Capital OFERTA PROCURA MERCADO DE FACTORES Figura 1. O funcionamento do mercado. Fonte: Adaptado de Frank, R, 2002, Microeconomia e o Comportamento, McGrawHill. 1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA Foi Adam Smith quem proclamou o princípio da Mão Invisível. Decorrente do princípio da racionalidade egoísta, todo o indivíduo é levado por uma “mão invisível” a atingir o melhor bem possível. Num contexto de concorrência perfeita (mercado em que nenhuma empresa ou consumidor é suficientemente forte para afectar o preço de mercado) a interferência governamental seria prejudicial, pois estaria a condicionar a utilização dos recursos da forma mais eficiente. Num mercado concorrencial a afectação dos recursos é sempre eficiente, encontrando-se a economia na sua fronteira de possibilidades de produção (conceito estudado na Introdução à Economia). Contudo quando se verifica uma situação de concorrência imperfeita (por ex. Se a EDP elevar o preço da energia eléctrica para ganhar lucros extraordinários e assim criar maiores dividendos para os seus accionistas – não esquecer que foi recentemente parcialmente privatizada – estará a produzir esse bem abaixo do nível de maior eficiência, logo a afectar a economia. Neste caso os preços não são Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 14 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA determinados pelos custos de produção ou mercados, desaparecendo a propriedade da mão invisível. Em concorrência perfeita e sem falhas de mercado, os mercados conseguirão extrair tantos bens e serviços quantos os recursos disponíveis o permitam. 1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO Como sabemos, uma economia de mercado perfeitamente concorrencial não existe. As economias de mercado estão prejudicadas pelo: • • • • Monopólio; Poluição; Desemprego e inflação; Injustiça na repartição do rendimento. Em resposta às falhas de mercado (mecanismos de mercado), os países introduziram o conceito da “Mão Visível do Governo”: Substituindo o mercado ao possuírem certas actividades; • • • Regulamentado; Incentivando o Investimento, Investigação e Educação; Cobrando impostos – redistribuindo rendimento As três funções básicas que o Estado deve promover são: 1. Eficiência – As falhas de mercado levam a ineficiências: Em situações de concorrência imperfeita, o preço não é determinado pelo mecanismo de mercado. Um ex. típico é o poder monopolístico que conduz a alterações na própria estrutura de mercado. Nas últimas décadas os governos têm refreado este poder através da proibição de fixação de preços ou divisões de mercado. Dentro da economia existem Externalidades 4, que ocorrem quando as empresas, indivíduo ou estado impõe custos ou benefícios a outros que se situam fora do mercado. O governo criou regulamentação própria para externalidade como a poluição do ar, da água, sonora, detritos industriais, etc., Os Bens públicos são actividades económicas que proporcionam grandes ou pequenos benefícios para a comunidade. Estas actividades não podem ser entregues à iniciativa privada, porque não a gere da forma mais eficiente possível (ex. construção de auto-estradas, apoio a ciência e saúde). 2. Equidade – Os mercados não produzem necessariamente uma repartição do rendimento que possa ser encarada como socialmente justa ou equitativa. Uma sociedade de mercado de puro laissez-faire poderá produzir níveis de desigualdade do rendimento e do consumo que sejam inaceitáveis. O rendimento pode ser resultado de padrões aleatórios como a herança, o azar, o Existem críticos e defensores da regulamentação dos mercados e externalidades. Tudo se prende à forma como ela é efectuada. 4 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 15 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA preço dos factores, acasos tecnológicos5. Como forma de repartição do rendimento existem os impostos e/ou sistemas de transferência de rendimento (Seg. Social, subsídios, etc.) 3. Crescimento económico e estabilidade – os governos através de políticas e instrumentos macroeconómicos (políticas fiscais e monetaristas) conseguem (às vezes) influenciar os níveis de despesa, produto, inflação e desemprego. Um acaso tecnológico, como por exemplo a invenção de um robot, poderá reduzir a mão de obra em determinada actividade, transferindo o rendimento para os proprietários da tecnologia. 5 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 16 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 17 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 2. PROCURA E OFERTA A temática da economia encontra-se associada, a maior parte das vezes, a procura e oferta. A análise da procura e oferta é considerada como uma importante ferramenta exploratória e preditiva. Antes de iniciarmos o estudo em mais detalhe, e como este é um curso introdutório, procuraremos clarificar alguns do termos utilizados: - A procura é a relação entre o preço de mercado e a quantidade que os consumidores estão dispostos a adquirir de determinado produto. Quando falamos de procura estamo-nos a referir a uma quantidade “desejada”. Este pressuposto é muito importante para o entendimento de que a quantidade que os consumidores procuram de determinado bem e a determinado preço de mercado nem sempre é a quantidade que as pessoas adquirem. - A oferta traduz a relação entre o preço de mercado e a quantidade que as empresas (vendedores) estão dispostos a oferecer no mercado. A análise baseada na oferta e procura é do tipo “what if” (e se..), representando o relacionamento entre quantidades oferecidas e procuradas a determinado nível de preço do mercado. Poderemos considerar uma curva da procura do Ferrari Enzo Dino que procurará responder a quantas unidades seriam compradas se o seu preço de venda fosse de 10.000€. Com certeza a resposta seria: muitas! Esta resposta traduziria um desejo e não as quantidades reais de ferraris que seriam adquiridas no mercado, uma vez que a quantidade oferecida a este preço seria próxima ou mesmo igual a 0 (zero). O estudo da procura e da oferta permitem-nos retirar algumas conclusões sobre as alterações do comportamento dos agentes face a alterações de variáveis do meio envolvente ao mercado, à organização ou ao consumidor. Este estudo deverá ser feito antes da ocorrência das alterações, tornando-se um importante instrumento na predição das consequências de fenómenos económicos (e.g. o que acontecerá se o imposto sobre um bem aumentar 10%?). Outro conceito importante a reter é o de preço de mercado. Na nossa análise iremos tratá-lo de forma indistinta relativamente a factores como a localização, espaço de venda, qualidade do produto… Sabemos que o preço é uma variável importante para o consumidor e que o mesmo é diferenciado por loja, região e outros factores que potenciam a descriminação. Contudo vamos encara-lo como uma espécie de preço médio de mercado. De notar que nossa análise iremos relacionar duas variáveis: preço e quantidade. Do ponto de vista formal o preço poderá explicar a quantidade procurada ou oferecida, ou a quantidade procurada e/ou oferecida poderão explicar o preço a fixar no mercado. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 18 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Iremo os ver mais à frente, que q num me ercado de co oncorrência perfeita (me ercado idílico o) as empresas são pricce takers, ou seja, trabalham com base e num preço fixo pelo merrcado. Neste caso m terão o que tomar residirá na esscolha da qua antidade a prroduzir e vend der. a deccisão que as mesmas A rela ação entre a procura p e ofe erta podem se er expressa em e equações,, tabelas ou ggraficamente.. Nas aulass vamos tenttar utilizar to odos estes tip pos dando especial e relevvo à análise gráfica. Con ntudo terem mos a necessiidade de dese envolver algu um cálculo ma atemático básico. 2.1 A procura a de merccado emplo que se segue, retrata a curva de e procura porr pizzas para um grupo de e alunos (men nsal). O exe Os da ados são apre esentados na a tabela e exp pressam o co omportamentto da compra a relacionada com o preçço das pizzass. P ocura Mensal de Pro Pizza P Preço Quantidade B 10 1 C 8 4 D 6 7 E 4 1 10 F 2 1 13 Q Podem mos constata ar que na pro ocura a relaçã ão entre o pre eço e a quan ntidade procurada é negattiva ou inverssa, dizendo-n nos que à medida m que o preço dimin nui aumentara a quantid dade procura ada de pizzass. Normalmen nte uma curvva da procura (linear) é traduzida por um ma equação. A neggatividade da a relação entre o preço e quantidade e procurada é traduzida pela Lei Ge eral da Procu ura é explicad da pelos segu uintes factores: - quanto menor o preço de um produto maior m será a probabilidad de de aquisiçção do mesm mo. Se repararmos no exxemplo anterior quando o preço cai de d 10 para 4 u.m. a qua antidade proccurada aume enta de 1 para a 10 unidade es; - à medida m que o preço de um m bem dimin nui ele torna--se mais “barato” relativa amente a pro odutos simila ares. Baseand do-nos no exe emplo das pizzzas, à medid da que o seu preço vai dim minuindo o prroduto vai se e tornando mais competitiivo relativame ente a produttos similares como hambu urgers. Falam mos de um effeito de troca a provocado por p produtos substitutos. s Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 19 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA No gráfico abaixxo apresenta ado, é ilustra ado o efeito o da alteraçã ão do preço de um bem m na quantidade proccurada (ou desejada). d Q Quando o prreço cai de P2 para P3 verificamoss um desllocamento ao o longo da curva da procurra do ponto B para o ponto o C. P Q Notem m que existe uma diferençça considerávvel entre os te ermos “altera ação na quan ntidade procura” e altera ação da proccura. Enquanto que na allteração da quantidade q p procurada esstamos a fala ar de deslocação ao lon ngo da curva a da procura, quando fala amos de alte eração da prrocura estam mos a afirma a que toda a relação enttre o preço e quantidade foi alterada, logo que a ccurva sofreu uma deslocação (simples ou alteraçção do seu de eclive). ura também podem p sofrerr deslocaçõess. As curvas da procu Facto ores que afe ectam a proccura: Rendimentto médio : com o aum mento do P rend dimento médio os indivídu uos tendem a comprar maiss de quase tu udo, mesmo que q os preçoss não se alterem 2. Dimensão do mercado: medida m pela população inffluência de fo orma nítida a curva da pro ocura. Mais ind divíduos cond duzem a um maior consum mo 3. Prreços de benss relacionado os: A procura de um da ado bem ten nde a diminuir (aumenta ar) quando diminui (aumen nta) o preço de d bens subsstitutos Q 4. Prreferências: as preferrências (gostos) dos co onsumidores representam m uma varriedade de inffluências cultturais e históricas e afecta am a curva da a procura 5. Inffluências esp pecíficas: A procura p de de eterminados bens b é influe enciada por fa actores específicos co omo seja a ve enda de guard da-chuvas em m dias chuvossos Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 20 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Quando existem alterações de factores, que e não o preço o do próprio bem, b que afectam a quanttidade procu urada, designam-se por de eslocações da a curva da pro ocura. A pro ocura aumenta (ou dimin nui) quando a quantidade procurada para cada p preço de me ercado aume enta (ou dimin nui). 2.2.. A oferta a de merccado a de forma similar. Irá represe entar a relaçã ão entre o pre eço de mercado e a A oferrta deve ser analisada quanttidade ofereccida de determ minada produ uto. Vejamos um exemplo:: Relação entre preço o e quantidad de oferecida da d PizzaHub Pre eço (u.m.) Quantidad de de pizzas por p mês 4 100 6 200 8 300 10 0 400 12 2 500 P Q Facto ores que inflluenciam a curvam c da oferta: o 1. Te ecnologia: o progresso tecnológico consiste nas alterações a qu ue diminuem a quantidad de dos factores necessários para a mesma quantidade de prroduto ores de produção: quando o o preço doss factores de e produção diminui a o custo de 2. Prreço dos facto prrodução é me enor e a oferta a aumenta Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 21 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA 3. Prreços de ben ns relacionados: a oferta de um dado o bem tende a aumentar (diminuir) quando diminui (aumen nta) o preço de d bens subsstitutos olítica do govverno: os impostos e as políticas salariais podem m fazer aum mentar o custto dos 4. Po factores de pro odução levand do à contracçção da oferta pecíficas: a oferta o de detterminados bens b é influen nciada por fa actores específicos 5. Inffluências esp co omo seja o clima na agricu ultura 2.3 O equilíbrio de d mercado o O equ uilíbrio do me ercado é uma a situação em m que a qua antidade proccurada é igual à oferecid da não se altterando o pre eço (que passsamos a designar por preço de equilíbrio de merrcado). Graficcamente o eq quilíbrio ocorrre quando a curva P a curva da oferta. No da prrocura interce epta o caso abaixxo apresentad do o equilíbrio do mercad do dáse quando o pre eço é de 8 e a quanttidade transa accionada igual a 30. O preço p é visto como o pên ndulo que eq quilibra as fo orças da proccura e oferta a. Dese equilíbrios de e mercado Coloccando em ca ausa a existtência de mercado m perfeitos, existem várias ocasiões em que o preço fixado o no mercado o não revela a conjugaçã ão entre os de esejos dos consumidores e das empressas que opera am em determ minado merca ado. Situaçção A: Excessso de procura a Aqui o preço de mercado m é fixa ado abaixo do ponto de eq quilíbrio, logo o as quantida ades procura adas ou desejadas serão o superioress às quan ntidades ação é ofereccidas pelas empresas. Esta situa desiggnada por exxcesso de procura. p No gráfico abaixxo apresentado o preço de equilíbrio é de 8.u.m m. e o preço fixado f é igua al a 6. Neste caso a quanttidade procurrada ascende e as 37 unida ades e a ofereccida será ap penas igual a 20. Terem mos um excessso de procurra igual a 37-2 20= 17 unida ades Q Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 22 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Situaçção B: Excessso de oferta Aqui o preço de mercado é fixado acima do ponto o de equilííbrio, logo as quantid dades procu uradas ou desejadas serão inferiore es às quanttidades ofere ecidas pelass empresas. Esta situaçção é designa ada por exce esso de oferta a. No gráficco abaixo apresentado o preço p de equiilíbrio é de 8.u.m. 8 e o prreço fixado é igual a 12. Neste N caso a quantidad de oferecida ascende ass 50 unida ades e a procura será ap penas igual a 15. Terem mos um exce esso de ofertta igual a 50 0-15= 35 un nidades O efe eito da deslo ocação da cu urva da proccura Centrrando-nos na relação disponibilizado entre a procu ura D2 e a Offerta: o equilííbrio dá-se qu uando P=8 e Q=30. Admittindo agora uma desloca ação da curvva da procu ura para D3,, face ao prreço de equ uilíbrio anterior teremos um u desequilíb brio provocad do por um excesso e de procura de 18 unidade es. O equilííbrio de merccado só será á fixado quan ndo o preço o aumentar para 10 u.m m e a quanttidade transa accionada no n mercado se fixar em m 40 unida ades O efe eito da deslo ocação das curvas c da procura e ofe erta Centrrando-nos na relação disp ponibilizado entre e a procu ura D2 e a Oferta S2: o equilíbrio o dá-se quand do P=8 e Q=3 30. Admittindo agora uma desloccação da curva da procu ura para D3 e da curva da oferta para a S3, o novo equilíbrio de e mercado é potenciado quando q a qu uantidade tra ansaccionada a for igual a 44 unida ades e o preço o de equilíbrio a 9 u.m. mática da proccura e oferta deverá ser co onsolidada co om recurso ao caderno de e exercícios. A tem Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 23 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 3. ELASTICIDADES No estudo da procura e oferta de mercado é muito importante a medição da resposta dos consumidores às alterações dos preços dos produtos e do seu rendimento. Sabemos já que a procura é inversamente relacionado ao preço, ou seja, quanto maior o preço menor será a quantidade procurada. Sabemos ainda que, regra geral, quanto maior o rendimento maior será a quantidade procurada de determinado bem. O conceito de elasticidade permite-nos conhecer a sensibilidade da quantidade procurada face à alteração de variáveis como o preço de determinado produto, o rendimento ou o preço de produtos que de alguma forma estejam relacionados. É assim usado para medir a reacção dos consumidores face a mudanças em variáveis económicas. Por outro lado o estudo das diferentes elasticidades permitem-nos caracterizar algumas tipologias de bens como os bens normais, inferior, complementares ou substitutos. 3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed) A elasticidade preço da procura (Ed) mede a reacção dos consumidores às mudanças no preço. Essa reacção é calculada pela razão entre duas variações percentuais. A variação percentual na quantidade procurada dividida pela variação percentual no preço. Ou seja, Ed çã çã ∆% ∆% ç Exemplo: o preço do leite muda de 2,00 u.m. para 2,20 u.m.. Qual será a elasticidade preço da procura do leite se a quantidade procurada de leite é de 85 mil de litros por ano quando o preço é 2,20 e é de 100 mil de litros por ano quando o preço é 2,00 u.m.. A resposta é simples: A variação absoluta na quantidade foi de 15 mil de litros (100 – 85) e traduz uma diminuição. Em termos percentuais isso equivale a 15% pois, a quantidade era de 100 mil litros a 2,00 u.m. que era o preço inicial. Quando o preço aumentou para 2,20 u.m. houve uma queda na quantidade procurada de 15% [100(85 – 100)%/100]. A variação absoluta no preço foi de 0,20 u.m. (2,20 – 2,00) traduzindo um incremento no preço. Em termos percentuais isso equivale a 10% pois, o preço inicial era 2,00 e aumentou para 2,20 houve um aumento de 10% , 100 10% . A elasticidade desta mudança será: d ∆% % ∆% % 1,5 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 24 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Nota: dada a relação inversa entre a procura e a oferta é necessária a utilização de um módulo para obtermos um resultado positivo. Não esquecer que se a variação do preço foi negativa a variação da quantidade procurada será positivo e vice-versa. Fórmula da Elasticidade no arco: CLASSIFICANDO BENS DE ACORDO COM A SUA ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA 1. ELÁSTICOS Se a elasticidade preço do bem for maior que 1,00 diz-se que a procura desse bem é elástica. A variação percentual na quantidade excede a variação percentual do preço. Ou seja, os consumidores são bastante sensíveis a variações no preço. 2. INELÁSTICOS Se a elasticidade preço do bem for menor que 1,00 diz-se que a procura por esse bem é inelástica. A variação percentual na quantidade é menor que a variação percentual no preço. Ou seja, os consumidores são relativamente pouco sensíveis a variações no preço. 3. ELASTICIDADE UNITÁRIA Se a elasticidade preço do bem for igual a 1,00 diz-se que a procura por esse bem é de elasticidade neutra. A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual no preço. ELASTICIDADE E BENS SUBSTITUTOS A elasticidade preço da procura para um bem em particular é influenciada pela disponibilidade ou não de bens substitutos. Quanto mais bens substitutos estiverem disponíveis mais elástica é a procura, se não há bens substitutos a procura é inelástica. OUTROS DETERMINANTES DA ELASTICIDADE 1. Tempo: elasticidade de Curto Prazo e elasticidade de Longo Prazo. Quanto mais tempo os consumidores tiverem para procurar substitutos maior será a intensidade de sua reacção. 2. Espaço: a elasticidade de um mercado é diferente da elasticidade de uma única empresa. A elasticidade do mercado diz quanto a quantidade global mudará se o preço geral foi alterado, contudo se uma única empresa muda seu preço a elasticidade poderá ser outra. 3. Peso da aquisição no orçamento do consumidor: se um bem representa pouco do orçamento total do consumidor a reacção será menor a variações de preço. Exemplo: aumento de 10% no preço do lápis. Aumentou de 1,00 u.m. para 1,10 u.m.. Poucas pessoas deixaram de comprar lápis por isso. Entretanto, se o bem ocupa um peso razoável no orçamento do consumidor, Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 25 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA então as reacções serão maiores. Exemplo: O preço do automóvel subiu 10%. Aumentou de 15.000,00 u.m. para 16,500,00 u.m.. A intensidade da reacção será maior para esta mudança. A procura será mais elástica. 4. Bens necessários versos bens supérfluos: para bens essenciais como pão, arroz, feijão, etc. a procura é mais inelástica. Para bens de luxo a procura é mais elástica. Exemplos de Elasticidades Produto Sal Água Café Cigarros Calçados Habitação Automóveis Refeições em restaurantes Viagens de Avião Cinema Ed 0,1 0,2 0,3 0,3 0,7 1,0 1,2 2,3 2,4 3,7 A ELASTICIDADE DE UMA PROCURA LINEAR A elasticidade muda a cada ponto. Ela aumenta a medida que os pontos vão se movendo para a esquerda. Uma função procura pode ter várias elasticidades. De notar que a elasticidade preço da procura tem uma influência directa sobre a receita total da organização ( ) 120 100 r 80 s Preço 76 60 t 50 46 u 40 v 20 w 16 0 0 5 1012 15 20 2527 30 35 4042 45 50 55 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 26 Quantidade Procurada INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Em cada ponto as mudanças absolutas no preço é igual a 4 unidades (80-76=4; 50-46=4; 20-16 =4) os percentuais de mudança nos preços são de: do ponto r para o s queda de 4 unidades ou 5% (4*100/80); do ponto t para o u queda de 4 unidades ou 8% (4*100/50); do ponto v para o w queda de 4 unidades ou 20% (4*100/20). Essas são as mudanças nos preços. As quantidades variam da seguinte maneira: do ponto r para o s aumento de 2 unidades ou 20% (2*100/10); do ponto t para o u aumento de 2 unidades ou 8% (2*100/25); do ponto v para o w aumento de 2 unidades ou 5% (2*100/40). As elasticidades em cada mudança são de: Ed = 4,0 (de r para s); Ed = 1,0 (de t para u); Ed = 0,25 (de v para w). Teoricamente a elasticidade de uma recta vai de zero ao infinito. USANDO A ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA A elasticidade preço da procura para um bem revela-se um instrumento fundamental para se poder quantificar e predizer o quanto mais de um bem será vendido a um preço menor e vice-versa. ex.: Vamos supor que a elasticidade preço da procura de filmes num cinema é igual a 2. Imaginemos que o director do cinema decide aumentar o preço do ingresso em 10%. Se o preço inicial era igual a 5,00 u.m. e a quantidade vendida igual a 100 bilhetes por sessão ele agora deverá ter em atenção que a quantidade procurada sofrerá uma diminuição igual a 20 bilhetes por sessão, já que o preço será fixado em 5,50 u.m. Vamos verificar a implicar desta decisão nas receitas do cinema por sessão Situação Preço fixado (1) Quantidade Procurada Receita obtida (1x2) (2) Inicial 5,00 100 500 Alteração do preço 5,50 80 440 Em geral o aumento de preço do bilhete de cinema tem dois efeitos, do ponto de vista do empresário: 1. Efeito Positivo de vender a um preço mais alto. 2. Efeito Negativo de vender menor quantidade. Neste caso a decisão de aumentar o preço ou não dependerá de qual dos efeitos supera o outro. Verifica-se uma diminuição da receita total, contudo ainda não poderemos concluir nada sem conhecer as implicações na estrutura de custos da empresa e no resultado económico final da empresa. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 27 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo) A elasticidade preço da oferta (Eo) mede a reacção dos vendedores às mudanças no preço. Essa reacção também é calculada pela razão entre dois percentuais. A variação percentual na quantidade ofertada dividida pela mudança percentual no preço. Ou seja, çã çã ç ∆% ∆% Dos determinantes o tempo tem grande importância, pois a elasticidade de curto prazo será em geral diferente da de longo prazo. Assim, ao longo do tempo, quando as firmas têm possibilidade de reagir mais intensamente às variações de preço, a curva de oferta irá se tornando cada vez mais elástica. PREVENDO MUDANÇAS NO PREÇO USANDO O CONCEITO DE ELASTICIDADE Quando oferta ou procura mudam pode-se traçar um diagrama para saber a direcção da mudança do preço de equilíbrio. Esse diagrama dirá tudo sobre direcções mais quando se deseja saber o quanto o preço mudará faz-se uso das elasticidades. Sabendo-se as elasticidades de procura e oferta, a variação nos preços, resultante de um aumento na quantidade procurada será é dada pela divisão do percentual de mudança na procura pela soma das elasticidades de oferta e procura: ∆ çã ∆% ç ; isto para o preço de equilíbrio. Equivalentemente pode-se calcular variações devido a mudanças na oferta: ∆ çã 3.3. ∆% ç OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA Elasticidade rendimento da procura É utilizada para medir a reacção dos consumidores face a alterações no rendimento. ∆% çã ∆% çã Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 28 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Para bens normais há uma relação positiva entre rendimento e quantidade procurada, logo a elasticidade rendimento é positiva. Para bens inferiores há uma relação negativa entre rendimento e quantidade procurada, logo a elasticidade rendimento é negativa. Diz-se que a elasticidade rendimento da procura é elástica se a elasticidade rendimento é maior que um e inelástica se menor que um. Elasticidade preço cruzada É utilizada para medir a reacção dos consumidores às mudanças de preços de bens afins. É definida como a variação percentual na quantidade procurada de um produto em particular (X) dividida pela variação percentual no preço de um bem afim (Y): , ∆% çã ∆% çã ç Para bens substitutos há uma relação positiva entre quantidade procurada do bem e variação de preço do substituto, logo a elasticidade cruzada de bens substitutos é positiva. Para bens complementares há uma relação negativa entre quantidade procurada do bem e preço do bem complementar, logo a elasticidade cruzada é negativa. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 29 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR E A PROCURA DE MERCADO Neste capítulo vamos tentar analisar a forma como a economia procura explicar o processo de decisão referente às escolhas do consumidor. Será a base teórica para a derivação das curvas de procura de mercado. Quando pensamos nas nossas escolhas diárias e decisões de compra, somos capazes de enumerar um conjunto extenso de factores que podem afectar a nossa decisão: preço, gosto pessoal, qualidade dos produtos, (in)existência de produtos substitutos ….. . Efectivamente são vários os factores que pesam na nossa decisão. A análise explanada nas próximas páginas é muito abstracta e deverá ser entendida no contexto da sua modelização. 4.1. O CONJUNTO ORÇAMENTAL DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO Estes apontamentos são baseados no de Frank no seu livro Microeconomia e Comportamento. Para simplificar, comecemos por considerar um mundo somente com dois bens, alimentação e habitação. Um cabaz de bens é o termo usado para descrever uma combinação particular de alimentação, medida em quilos por semana, e habitação, medida em metros quadrados por semana. Assim, na Figura 2, um cabaz (cabaz A) pode consistir em 5 m2/semana de habitação e 7 kg/semana de alimentação. Para abreviar, podemos usar a notação (5; 7) que representa o cabaz A e a notação (3, 8) que caracteriza o cabaz B. De forma geral, (H0,, A0) representa o cabaz de H0 metros quadrados/semana de habitação e A0 kg/semana de alimentação. Convencionou-se que o primeiro número do par de qualquer cabaz se refere ao bem representado ao longo do eixo horizontal. Figura 4.1. Representação de cabazes de bens Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 30 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Suponha que o rendimento de um consumidor é R = 13 000u.m./semana, e que gasta tudo numa combinação de alimentação e habitação. (Note que o rendimento também varia). Suponha, ainda, que o preço da habitação e da alimentação é respectivamente: PH = 650 u.m./m2 e PA= 1.300 u.m./kg. Se o consumidor gastar todo o seu rendimento em habitação, pode comprar: R/PH = (1300u.m./semana) ÷ (650 u.m./m2 ) = 20 m2 / semana. 0 mesmo é dizer que podem comprar o cabaz de 20 m2/semana de habitação e 0 kg/semana de alimentação, denotado (20, 0). Suponha, em alternativa, que o consumidor gasta todo o seu rendimento em alimentação. Obteria, assim, o cabaz será traduzido por: R/PA = (13000u.m./semana) ÷ (1.300 u.m./Kg), o que quer dizer 10Kg de Alimentação e 0 m2 /semana de habitação, denotando (0,10). Figura 4.2 Representação da restrição orçamental do consumidor Na Figura 4.2. estes extremos estão identificados por K e L, respectivamente. 0 Consumidor será também capaz de comprar qualquer outro cabaz que se encontre ao longo da linha recta que liga Os pontos K e L. Esta linha é designada por restrição orçamental, ou conjunto de oportunidades, e está representada pela sigla B no diagrama. Recorde-se da regra de álgebra que aprendeu no liceu, segundo a qual o declive de uma linha recta é a sua "altura" sobre a sua "base" (a variação da sua posição vertical dividida pela variação, correspondente, da sua posição horizontal). Note que, aqui, o declive da restrição orçamental é a sua ordenada na origem (a altura) dividida pela sua abcissa na origem (a base correspondente): (10 kg/semana)/(20m2 /semana) = - (1/2 ou 0,5) kg/m2 . O sinal negativo significa que a restrição orçamental é decrescente, ou seja, tem um declive negativo. Em termos gerais, se R representa o rendimento semanal do consumidor, e PH e PA representam os preços de habitação e alimentação, respectivamente, a ordenada e a abcissa na origem serão dadas por (R/PH) e (R/PA), respectivamente. Assim, a fórmula geral para o declive da restrição orçamental e dada por - (R/PÁ)/ /(R/PH), que é, simplesmente, a negativa do quociente dos preços dos dois bens. Em adição à possibilidade de comprar qualquer outro cabaz que se encontre ao longo da sua restrição orçamental, o consumidor pode também adquirir qualquer cabaz que esteja incluído no triângulo orçamental formado por ele e pelos dois eixos (área colorida do triangulo). Na Figura 4.2., D é um desses cabazes. 0 cabaz D custa 8.450 u.m./semana: Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 31 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Custo o = 5x650u.m m. + 4x1.300 0u.m.; valor abaixo a do ren ndimento do consumidor que é de 13 3. 000 u.m.//semana. Os cabazes que e se encontra am dentro do triângulo orçamental o ta ambém pode em ser referidos como co onjunto viáve el ou exequíível. Os caba azes como F, F que estão o situados fo ora do triânggulo orçamen ntal, são cha amados de inviáveis ou não exequívveis. A um ccusto de 18 8. 200 u.m.//semana, E esstá, simplesm mente, foca do alcance do consumidor.. Se H e A represen ntavam as qu uantidades de habitação e alimentaçã ão, respectiva amente, a resstrição orçam mental deve ser s satisfeita pela seguinte e equação: (1) Tradu uzindo que a despesa sem manal do conssumidor em habitação h (PH H) mais a sua a despesa semanal em alimentação a ( (PA) deve ser igual ao se eu rendimentto semanal (R). ( Se quise ermos aproximar a restriçção orçamen ntal à forma geral g da recta a, basta-nos resolver r a equação (1) pa ara QH em ord dem a QA: QA = R PH − × QH . (2) PA PA A equ uação 2 é um ma outra man neira de verm mos que a ord denada na orrigem da resttrição orçame ental é dada por R/PA e o seu declive por p - (PH/PA). A equação pa ara a restriçã ão orçamental na Figura 4.2 é: Varia ação nos pre eços. d restrição orçamental o é determinada totalmente p pelo rendimento do Caso 1) o declive e a posição da consu umidor e pelo os preços do os respectivoss bens. Se alterarmos qualquer um de eles, teremoss uma nova restrição orça amental. Figura a 4.3. – O efe eito da variaçção do preço de d um bem Fonte: FranK, Microeco onomia e Compo ortamento, McGrrawHill A Figu ura 3 mostra que o efeito de um aume ento do preço de habitação o de PH1 = 65 50u.m./m2 pa ara PS2 =130 00u.m. (note-sse que o rendimento sem manal e o preço dos alime entos perman necem inalterrados), Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 32 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA não altera a ordenada na origem da restrição orçamental do consumidor, a subida do preço de habitação apenas desloca a restrição orçamental para dentro em torno da ordenada na origem, como se mostra no diagrama. Note que, na Figura 4.3. embora o preço dos alimentos não se tenha alterado, a nova restrição orçamental B2 reduz, não somente a quantidade de habitação que o consumidor pode comprar, mas também a quantidade de alimentação (este problema prende-se com uma diminuição real do poder de compra do consumidor; o seu rendimento real baixou). Exercício prático: Verifique o efeito de uma redução do preço da habitação, de 650u.m./m2 para 520u.m./m2, sobre a restrição do orçamental 1 B1 na Figura 3. Poderá constatar se representar a nova restrição orçamental que uma redução no preço da habitação deixa, mais uma vez, inalterada a ordenada na origem da restrição orçamental. Desta vez, a restrição orçamental efectua uma rotação para fora. Repare, também, como no caso 1, que embora o preço da alimentação não se altere, a nova restrição orçamental permite ao consumidor comprar um cabaz que englobe não só mais habitação, mas também mais alimentação. Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u.m./kg para 2600u.m./kg sobre a restrição orçamental B1. O exercício anterior demonstra que, quando o preço da alimentação é alterado, a restrição orçamental efectua uma rotação em torno da sua abcissa na origem. Repare ainda, que, embora o rendimento e o preço da habitação se mantenham inalterados, a nova restrição orçamental reduz não só a quantidade de alimentos que o consumidor pode comprar como também a quantidade de habitação. Quando alteramos o preço de apenas um dos bens, alteramos, necessariamente, o declive da restrição orçamental, o mesmo acontece se alterarmos ambos os preços em proporções diferentes. Mas, como poderá constatar no caso seguinte, alterar os dois preços exactamente na mesma proporção dá origem a uma nova restrição orçamental com mesmo declive da recta original. Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u.m./kg para 2600u.m./kg e de um aumento do preço da habitação de 650u.m./m2 para 1300u.m./rn sobre a restrição orçamental B1 na figura3. Repare que aqui, o efeito da duplicação dos preços da alimentação e da habitação é deslocar a restrição orçamental para dentro e paralelamente à restrição original. A lição importante a tirar deste exercício é que o declive da restrição orçamental retracta apenas preços relativos, não podendo ser referência para os níveis de preços em termos absolutos. Quando os preços da alimentação e da habitação se alteram na mesma proporção, o custo de oportunidade da habitação em termos de alimentação mantém-se como anteriormente. Alterações do rendimento. O efeito de uma alteração do rendimento é muito semelhante ao efeito de uma alteração de todos os preços em proporções iguais. Suponha, por exemplo, que o rendimento do nosso hipotético consumidor é reduzido a metade, de 13 000u.m./semana para 6500S/semana. A abcissa na origem da restrição orçamental do consumidor vai diminuir de 20 m2/semana para 10 m2/semana, e a ordenada na origem de 10 kg/semana para 5 kg/semana, como se mostra na Figura 4. Assim, o novo orçamento, B2, é paralelo ao antigo, B1, ambos com um declive de ½. Em termos de efeito Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 33 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA sobre e aquilo que o consumid dor pode comprar, a red dução do rendimento pa ara metade não é difere ente da dupliccação dos preços. Resulta a precisamen nte a mesma restrição orççamental de ambas a as altterações. Exerccício prático: Demonstre o efeito de um m aumento de d rendimentto de 13.000 0u.m./semana a para 15.60 00u.m./sema ana sobre a re estrição orçamental B1 na Figura 4.4. O exe ercício anterio or mostra que um aumento dos rendim mentos deslo oca a restriçã ão orçamenta al para fora e de forma paralela. Tal como no ca aso da redução do rend dimento, o de eclive da resstrição orçam mental manté ém-se inaltera ado. Figura a 4.4. Os exxemplos disccutidos até agora a coloca am o consum midor perantte a oportunidade de co omprar apena as dois bens diferentes. É desnecessá ário dizer que e muito pouco os consumido ores têm um leque dos consumidores de op pções tão resstrito. De um ma forma mu uito geral, os problemas orçamentais o podem m ser colocados como um ma escolha entre não ape enas dois, ma as N bens differentes, em que N pode ser um núme ero muito ele evado. Consid derando apen nas dois benss (N = 2), a re estrição orçam mental é uma linha recta a, como acab bámos de ver Consideran ndo três benss (N = 3), é um plano. Quando temoss mais de trrês bens, a restrição orççamental tran nsforma-se naquilo n a que os matem máticos cham mam hiperplano ou plano multidimenssional. A únicca dificuldad de real é a rrepresentação o geométrica deste casso multidimensional. Não o somos muitto bons na visualização v d de superfície es que apressentam mais de três dimen nsões, nem nos n preocuparemos com issso no nosso estudo. 4.2. ORDENA AÇÃO DAS S PREFER RÊNCIAS os agora tenta ar explicar co omo a econom mia lidou com m problemas de d índole subj bjectiva ligado os a Vamo situaçções pessoaiss de gosto ou u preferência por determin nado produto ou serviço Para simplificar, vamos v consid derar de novvo um mundo com apena as dois benss, a habitaçã ão e a alime entação. A orrdenação das preferência as é um sistema que pe ermite ao co onsumidor orrdenar diverssos cabazes de d bens em termos t da sua a atracção ou u preferência. Considere d dois cabazes, A e B. Para sermos s maiss concretos, suponha s que A contém 4 m2/semana de d habitação e 2 kg/sema ana de comid da, enquanto o B contém 3 m2/sema ana de habittação e 3kgg/semana de e comida. Se não conhe ecermos as preferências do consumidor não pod demos dizer qual destess conjuntos ele e irá Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 34 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA preferir A tem mais habitação, mas menos alimentação, do que B. Quem passar muito tempo em casa vai provavelmente escolher o A, enquanto uma pessoa com um metabolismo muito rápido escolherá provavelmente o B. De uma forma geral, podemos dizer que, para dois cabazes como estes, o consumidor pode fazer três escolhas: 1)A é preferido a B; 2) B é preferido a A; 3)A e B são igualmente preferidos. A ordenação da preferência permite ao consumidor ordenar os diferentes conjuntos, mas não lhe permite fazer afirmações quantitativas mais precisas sobre a sua preferência relativa. Assim, por exemplo, o consumidor poderá dizer que prefere A a B, mas não pode afirmar que A lhe dá o dobro da satisfação de B. As ordenações de preferências diferem, frequentemente, entre os consumidores. Uns gostam de Verdi, outros gostam dos Rolling Stones. No entanto, apesar destas diferenças, a maior parte das ordenações de preferências partilham algumas características importantes. Mais especificamente, os economistas assumem geralmente quatro propriedades simples. Começaremos por considerar as primeiras três dessas propriedades, o que nos fará avançar no sentido de sermos capazes de construir uma representação analítica concisa das preferências que nos são necessárias para o problema da distribuição orçamental. 1. Exaustividade. Uma ordenação de preferências está completa se permitir ao consumidor ordenar todas as combinações possíveis de bens e serviços. Tomada à letra, a exaustividade é sempre falsa, pois existem muitos bens que não são possíveis de avaliar de uma forma precisa por os desconhecermos quase completamente. E, contudo, uma suposição simples e útil para a análise das escolhas dentro dos vários cabazes de bens que são familiares aos consumidores. 2. Transitividade. Se gosta mais de bife que de hambúrguer, e mais de hambúrguer que de cachorros quentes, então provavelmente você gosta mais de bife que de cachorros quentes. Uma ordem de preferência de um consumidor é transitiva, quando para cada três cabazes A, B, e C, se ele preferir A a B, e preferir B a C, então ele vai sempre preferir A a C. A relação entre as preferências é como a relação usada para comparar alturas de pessoas. Nem todas as relações comparativas são transitivas. Uma relação não transitiva é demonstrada na relação de "derrotas do futebol". Nalgumas épocas o Porto derrota o Sporting, e o Sporting vence o Benfica, o que não quer, necessariamente, dizer que o Porto vá vencer o Benfica, “embora seja o mais provável!”. A transitividade é uma simples propriedade de coerência e aplica-se à relação "igualmente preferido a", e a qualquer combinação desta com a relação "preferido a". Por muito razoável que a transitividade nos pareça, veremos em situações posteriores exemplos de comportamentos que nos parecerão incompatíveis com ela. Mas, apesar disso, trata-se de uma descrição precisa das preferências na maior parte dos casos, e a não ser que seja especificado de outra forma, iremos adoptá-la ao longo das aulas. 3. Quanto mais, melhor. A propriedade de quanto mais, melhor, quer dizer que, sendo tudo o resto constante, maior quantidade de um bem é preferível a menos quantidade desse mesmo bem. Naturalmente, podemos pensar em exemplos onde mais de "qualquer coisa" faz-nos sentir pior que melhor (como por exemplo alguém que comeu de mais). Mas, nestes casos, há normalmente algum tipo de dificuldades práticas, como um problema de autocontrolo ou uma incapacidade de armazenar um bem para utilização futura. Desde que as pessoas possam dispor livremente dos bens que não querem, ter mais de algo não lhes pode fazer mal. Como exemplo da aplicação da suposição de quanto mais, melhor, considere dois conjuntos, A, que têm 12 m2/ semana de habitação e 10 kg/semana de comida, e B, que tem 12m2 /semana de Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 35 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA habita ação e 11 kg/ g/semana de comida. Este e princípio dizz-nos que B é preferido a A A, porque tem m mais alime entos e não te em menos ha abitação. Antess de passarmos para a quarta suposiçã ão acerca da ordenação das d preferênccias, considerremos, breve emente, algumas das imp plicações desstas três prim meiras. O ma ais importante é que ela as nos permitem efectuar um gráfico o descritivo das d preferênccias dos conssumidores. P Para vermos como, consideremos o prrimeiro cabazz A da Figura 4.5. Este cabaz tem 12 m2/se de emana habita ação e 10 kg/se emana de alime entação. A Nesta zona z todos os cabazess são preferidos supossição do quanto a A (qua anto mais mais, melhor indiicamelhor)) nos que todos os Cabazes cabazzes a norde este preteridos a A (pelo axiom ma do de A são s preferido os a “quanto mais A, e que A, por sua s melhor”) vez, é preferido a todoss os cabazess a A. sudoe este de Assim m, por exemp plo, a s suposição do quantto mais, melhor diz-no os que Z, que q tem 28 m2/sema ana de ha abitação e 12 2 kg/semana de alimentaçção, é preferiido a A e que e A, por sua vvez, é preferid do a W que te em somente 6 m2/semana de habitaçã ão e 4 kg/sem mana de alim mentação. Consiideremos, agora, o conjun nto de cabaze es dispostos ao a longo da linha que liga a W a Z. Porque Z é preferido a A, e A é preferido a W; conssequentemen nte, ao move ermos de Z para W, devvemos encon ntrar um caba az que é igua almente prefe erido a A. Seja B o cabaz que q é igualmente preferid do a A, e suponhamos que contém 1 17 m2/sema ana de habita ação e 8 Kg/ g/semana de alimentação o. (As quantia as exactas de d cada bem em B dependem, claro,, dos gostos do consumid dor, de cujass preferências estamos a falar). A sup q posição de quanto mais, melhor diz-n nos que só exxistirá um único cabaz dessses na linha recta que ligga Z a W. Os pontos p dessa a linha a nord deste a B são todos melho ores que B, e os pontos a sudoeste s de B são todos piores. p Precissamente da mesma m mane eira, podemo os encontrar outro o ponto - chamado C - que é igualmente preferido a B. C representa r o cabaz (20, 7) 7 onde as quantidades q e específicas d de C uma vezz mais ndem das prreferências do consumido or que consid derarmos. Pe ela suposição o de transitivvidade, depen sabem mos que C é também igua almente prefe erido a A (um ma vez que C é igualmente e preferido a B, B que é igua almente prefe erido a A). Podem mos repetir este processso as vezes que quiserm mos, e o re esultado finall será a currva de indife erença: Um co onjunto de to odos os cabazes que são igualmente preferidos p ao cabaz original A, e daí também t igua almente prefferidos uns aos outros.. Este grupo o é represe entado pela curva identiificada como o 1 na Figura a 3.9. É cha amada curva de indiferen nça porque o consumido or está indife erente a todoss os cabazes que se situam ao longo dela. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 36 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA As curvas de indiferença também nos permitem comparar a satisfação que está implícita nos cabazes dispostos ao longo delas com os que estão acima ou abaixo. Permite-nos, por exemplo, comparar o cabaz C (20, 7) ao cabaz K (23, 4) que tem menos alimentação e mais habitação que o C. Sabemos que C é igualmente preferido a A (25, 6) porque ambos os cabazes estão dispostos ao longo da mesma curva de indiferença. D, por sua vez, é preferido a K por causa da suposição do quanto mais, melhor: tem a mais 2 m2 habitação/semana e 2kg alimentação/semana que K. A Transitividade, diz-nos finalmente que, uma vez que C é igualmente preferido a D e D é preferido a K, C deve ser preferido a K.. Por um raciocínio análogo, podemos dizer que o cabaz L é preferido a A. Em geral os cabazes que se situam acima de uma curva de indiferença, são todos preferidos aos cabazes que se situam sobre ela. Da mesma maneira que todos os que se situam sobre uma curva de indiferença são preferidos àqueles que estão dispostos abaixo A propriedade da exaustividade implica que exista uma curva de indiferença que passa através de todos os cabazes possíveis. Assim sendo, podemos representar as preferências dos consumidores com um mapa de curvas de indiferença. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 37 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 4.3. A UTILIDADE A satisfação que deriva do consumo de um consumidor é chamada na economia por utilidade. Suponha que um consumidor consume 5 Kg de alimentação. A satisfação total que ele obtém é chamada de Utilidade Total. Suponha agora que ele consome um Kg extra de alimentação, a satisfação extra que ele irá obter é chamada Utilidade Marginal do sexto Kg de alimentação. Como temos visto neste capítulo o consumidor compara diferentes bens ou serviços, como é o caso da habitação e alimentação, e escolha sempre a combinação que maior utilidade lhe poderá trazer. Contudo o conceito de utilidade leva a muitas dúvidas e perguntas Poderemos medir a utilidade? Qual será a relação entre a utilidade de um bem e o seu Preço? Existem duas teorias que se debruçam sobre o aspecto da mensuração da utilidade: Teoria da utilidade ordinal: a utilidade não é medida como os preços e quantidades, contudo é-nos possível ordenar a utilidade dos diferentes bens, ou seja, eu posso dizer que a utilidade de um Kg de alimentação é maior, igual ou menor que de um m2 de habitação. Teoria da utilidade cardinal: que afirma que a utilidade total e marginal são mensuráveis Kg de Alimentação 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Utilidade Total Utilidade Marginal 0 20 35 45 50 53 55 56 56 55 53 20 15 10 5 3 2 1 0 -1 -2 Como podemos Identificar pelo quadro acima representado a Utilidade Total é máxima quando a Utilidade Marginal é nula. Podemos também verificar que a utilidade marginal é decrescente, ou seja, a utilidade marginal decresce à medida que vamos consumindo mais Kg de alimentação – Está é a chamada Lei da Utilidade Marginal Decrescente. Em termos matemáticos representaremos a função Utilidade como: U=U(x1, x2) Onde U é a utilidade, e x1 e x2 são quantidades consumidas dos dois produtos. A representação gráfica da função utilidade para determinado nível de utilidade não é mais do que a curva de indiferença. Uma função utilidade representa um mapa de curvas de indiferenças – diferentes curvas para diferentes níveis de utilidade. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 38 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Não se esqueça: Quanto mais à direita (da origem) uma curva de indiferença estiver maior é o seu nível de utilidade. Ao longo de uma curva de indiferença a utilidade é constante. Duas curvas de indiferença não se podem interceptar. A moderna teoria do comportamento do consumidor baseia-se na Utilidade Ordinal, usando a técnica das Curvas de indiferença. Como já referenciado, as curvas de indiferença mostram as combinações de produtos que nos dão a mesma utilidade total. Como é efectuada a maximização da utilidade através do recurso à teoria do comportamento do consumidor? Ponto de maximização da utilidade. Ponto onde a restrição orçamental intercepta a curva de indiferença como um nível de utilidade superior. Note que a restrição orçamental também intercepta uma curva de indiferença no ponto A e B, mas o nível de utilidade nesta curva é inferior ao da curva U1 Bem X A C Utilidade crescente. Curvas de indiferença à direita traduzem um nível de utilidade superior. U4 X’ U3 B U2 U1 Y’ Bem Y A teoria do comportamento do consumidor conjuga a restrição orçamental e as curvas de indiferença para determinar a escolha óptima do consumidor. Desta forma consiguimos determinar as quantidades que maximizam a decisão de compra do consumidor utilizando as seguintes variáveis: - Rendimento do consumidor; - Preço da cada bem; - Relação de escolha subjectiva patente nas preferências do consumidor. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 39 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO Já vimos até agora como as alterações nos preços e no orçamento podem alterar as nossas decisões de compra. Toda a análise e derivação das curvas de procura individual partem da maximização da utilidade do consumidor face a variações do preço de determinado produto. Nos pontos anteriores foi referenciado que existiam 3 dimensões na escolha do consumidor (análise entre dois bens, ou um bem e um cabaz): Variáveis expressas na restrição orçamental: - Rendimento disponível - Preços dos produtos - Relação de preferência entre os dois produtos. R = Px X + Py Y Relacionamento traduzido pela curva de indiferença, que traduz um determinado nível de utilidade. U=f(x,y) Analisemos o gráfico ( Fig 4.6.) abaixo apresentado: Restrição orçamental Curva de indiferença Suponha que o rendimento do consumidor é de 15 600$/semana e que o preço do bem composto é, 130$. A ordenada na origem será então de 15 600.A abcissa na origem será de 15.600/PH sendo PH o preço de habitação. A Figura 1 mostra quatro restrições orçamentais que correspondem a quatro preços diferentes de habitação, nomeadamente 3120$/m2, 1560$/m2, 780$/m2 e 520$ m2. Os melhores cabazes possíveis têm respectivamente 2,5 – 7 – 15 - e 20 m2 /semana de habitação. Se repetíssemos indefinidamente este procedimento com muitos preços, os pontos de tangencia resultantes formariam a linha identificada por CPC na Figura 1. Esta linha é designada por curva preço-consumo ou CPC. Para o consumidor individual, cujo mapa de curvas de indiferença é mostrado na Figura 1, note que, cada vez que o preço da habitação desce, a restrição orçamental roda para fora, permitindo ao consumidor, não só conseguir comprar mais habitação, como também mais bens compostos. Cada Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 40 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA vez que o preço da habitação desce, este consumidor escolhe um cabaz que contém mais habitação que o cabaz escolhido anteriormente. Note, no entanto, que a quantidade de dinheiro gasto nos bens compostos pode subir ou descer enquanto o preço da habitação desce. Assim, por exemplo, a quantia gasta em outro bem desce quando o preço da habitação desce de 3120$/m2 para 1560$/m2, mas sobe quando o preço de habitação desce de 780$/m2 para 520$/m . Mais à frente iremos ver por que é que este padrão de compra é relativamente comum. Uma curva de procura individual é, como a curva de procura do mercado, uma relação que nos indica as quantidades que o consumidor comprará a vários preços. Toda a informação que necessitamos para construir a curva de procura individual está contida na curva preço-consumo. O primeiro passo para passar da CPC para a curva de procura individual é o de anotar as combinações relevantes de preço-quantidade da CPC da Figura 1. Preço da Habitação ($m2) 3120 1560 780 520 Quantidade de habitação procurada (m2) 2.5 7 15 20 O passo seguinte consiste em representar os pares preço-quantidade do Quadro 1. colocando o preço de habitação sobre o eixo das ordenadas e a quantidade de habitação sobre o eixo das abcissas. Com um número suficiente de pares de preço-quantidade, criamos a curva de procura individual, mostrada na linha DD da Figura 2. Repare que, ao mudar da CPC para a curva de procura individual, está mudar de um gráfico cujos dois eixos medem quantidades para outro, em que um eixo mede o preço e o outro a quantidade. Neste capítulo outro conceito importante a reter é o de excedente do consumidor, que retracta o benefício (quantificado) ao comprar determinado produto a determinado preço. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 41 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Excedente do consumidor Quando uma troca se faz voluntariamente, os economistas geralmente assumem que ela beneficia os intervenientes. De outro modo, não estariam dispostos a faze-la. Esse tipo de medida é designado por excedente do consumidor. O excedente do consumidor é extremamente útil para medir os benefícios e/ou custos do consumidor. É uma quantificação da extensão do benefício que os consumidores terão ao participarem numa transacção. Este benefício pode ser traduzido pelas variações do preço de um bem ou serviço, que por sua vez são afectados por uma série de factores que já estudamos. Usualmente utilizam-se duas formas para medir o excedente do consumidor: • Baseada na curva da procura do consumidor para o produto; Se o preço do mercado para a habitação for de 390$/m2 a quantidade procurada de habitação será de 12 m2. Na compra do 1º m2 o preço a pagar será de 1820$, logo o excedente do consumidor pela compra do 1º metro quadrado será de 1820$ - 390$ = 1490$. Na compra do 2º m2 o preço a pagar será de 1690$, logo o excedente do consumidor pela compra do 2º m2 de habitação será 1690$ - 390$ = 1300. Note-se que a altura da curva de procura correspondente a qualquer quantidade mede o máximo que o consumidor está disposta a pagar por uma unidade adicional de habitação. Essa quantia menos o preço de mercado é o excedente que obtém ao consumir a última unidade. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 42 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA O excedente total do consumidor ao consumir 12m2 de habitação ao preço de 390$ é a área sombreada entre a curva da procura e o preço de mercado. Como medida do benefício podemos afirmar que sempre que existe uma perda de excedente do consumidor o preço de equilíbrio de mercado tornou-se mais elevado. Agregação das Curvas de Procura Individuais A procura de mercado é igual ao somatório das procuras individuais. n Dmercado = ∑ d i i =1 Variando o i de 1 a n consumidores. Assim a cada preço a procura de mercado será igual ao somatório das procuras individuais dos consumidores. Qd de m2/habitação pelo consumidor A 14 24 34 44 Preço 1560$ 1200$ 980$ 750$ Qd de m2/habitação pelo consumidor B 10 15 20 25 Qd de m2/habitação pelo consumidor C 22 32 42 52 Procura de mercado de habitação / m2 46 71 96 121 Podemos assim representar a curva de procura de mercado, já que temos a relação do mercado entre as quantidades procuradas a diferentes preços. Curva de Procura de Mercado para a Habitação Preço / m2 2100 1800 1500 1200 900 600 300 20 40 60 80 100 120 Quantidade Procurada A Procura de Mercado Como vimos a procura de mercado resulta da procura individual dos seus consumidores, assim Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 43 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA podemos definir a procura como a quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir num dado período de tempo. A procura como “fruto do desejo individual” representa o máximo que os consumidores podem adquirir, dado o seu rendimento e os preços no mercado. Existem inúmeras variáveis que podem afectar directamente a procura (analisadas no capítulo II). Tradicionalmente a função procura é traduzida pela seguinte forma: qid = f ( pi , p s , p c , R, G ) Função geral da procura Onde: qi d= quantidade procurada da bem i num dado período de tempo t. pi = preço do bem i/t ps = preço dos bens substitutos ou concorrentes /t pc = Preço dos bens complementares /t R = Rendimento do consumidor/t G = Gostos ou hábitos dos consumidores Relações que se estabelecem com a procura 1- Relação entre a quantidade procurada e o preço do próprio bem Traduz-se na função convencional da procura: qid =f(pi) com ps, pc, R e G constantes sendo que : Δqid <0 Δpi ,traduzindo a lei geral da procura, que nos diz que a quantidade procurada de um bem ou serviço varia na relação inversa do seu preço6. Como já vimos a curva da procura é usualmente negativamente inclinada, podendo assumir várias formas: 6 Não esquecer o efeito da substituição e rendimento. Existe uma excepção a esta regra – paradoxo de Giffen – em que por exemplo a diminuição do preço de um bem provoca também uma quebra na sua procura. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 44 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 2 – Relação entre a procura de um bem e o preço de outros bens No caso de um bem substituto, em que o consumo de um bem substitui o consumo do outro qid =f(ps) com pi, pc, R e G constantes Δqid >0 Δp s Ou seja, há uma relação directa entre, por exemplo, o consumo da Coca-cola e uma variação no preço da água mineral. Neste caso estamos normalmente perante deslocações da curva da procura. Se por exemplo o preço da água mineral aumenta-se haveria uma deslocação da curva da procura da coca-cola para a direita. No caso de um bem complementar, em os bens ou serviços são consumidos conjuntamente. Δqid <0 Δp c qid =f(pc) com pi, ps, R e G constantes Por exemplo, um aumento no preço dos automóveis deverá diminuir a procura de gasolina. O relacionamento entre a variação da quantidade procurada de determinado bem e a o preço de um produto substituto ou complementar pode ser medido através da elasticidade preço cruzada da Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 45 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA procura (atenção às aulas e ao capitulo 3.) 3 – Relação entre a procura de um bem e o rendimento do consumidor qid =f(R) com pi, ps, pc G constantes se ∆ ∆ 0, é 0, é se ∆ ∆ Para bens de primeira necessidade (bens básicos como alguns bens de alimentação, água, electricidade) a alteração do rendimento não irá afectar a sua procura. Bem Normal Bem Inferior Bem de primeira necessidade O relacionamento entre o rendimento e a quantidade procurada de determinado artigo é estudado através da elasticidade rendimento da procura (atenção às aulas..). 4 – Relação entre a procura de um bem ou serviço e hábitos do consumidor qid =f(G) com pi, ps, pc R constantes Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 46 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Os hábitos ou gostos dos consumidores podem ser manipulados pela publicidade e campanhas promocionais. Podemos ter campanhas para aumentar ou diminuir o consumo de bens, como nos exemplos a seguir: OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES Quando falamos de variações na procura referimo-nos ao deslocamento da curva da procura, devido a alterações em ps, pc, R ou G. Variações na quantidade procura são movimentos ao longo da própria curva, devido a variações no preço do próprio bem ou serviço (pi). Os sinais dos coeficientes da função procura indicam a relação entre a quantidade procurada e a variável em questão (directa ou inversamente proporcional). Por essa razão se o coeficiente de pi é negativo, o coeficiente de ps é positivo, o coeficiente de pc é negativo e o rendimento positivo. 5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO E CUSTOS DE PRODUÇÃO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 47 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Vamos iniciar a temática do estudo da empresa. A partir deste ponto vamos nos debruçar sobre o estudo da forma como as empresas tomam as suas decisões, nomeadamente ao nível da decisão quanto ao que produzir (quantidade) e ao preço de troca no mercado. 5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO Tópicos para discussão e estudo • Tecnologia da Produção • Isoquantas • Produção com um factor Variável (Trabalho) • Produção com Dois factores Variáveis • Rendimentos de Escala 5.1.1 Introdução Esta temática é voltada para a oferta de mercado. A teoria da produção procura resolver as seguintes questões: • O modo como uma firma toma decisões de produção (de forma a minimizarem o seu custo); • A forma de variação dos custos de produção são indexadas ao nível de produção; • As características da oferta de mercado; • Problemas das actividades produtivas em geral. A análise da função produção de uma organização é muito similar à análise do comportamento do consumidor e da forma como estes escolhem entre determinados bens de forma a maximizar a sua utilidade. A problemática aqui é centrada na combinação dos inputs produtivos (factores de produção) tendo em atenção o custo dos referidos inputs. Tecnologia da Produção • O Processo Produtivo Como processo produtivo vamos considerar a combinação e transformação de factores de produção ou inputs produtivos em bens e serviços Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 48 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • • Tipos de factores (factores de produção) – Trabalho – Terra – Matérias-primas – Capital – Organizacional Função de Produção: – Indica o maior nível de produção que uma firma pode atingir para cada combinação possível de factores, dado o estado da tecnologia (eficiência técnica ou tecnológica); – Mostra o que é tecnicamente viável quando a firma opera de forma eficiente (eficiência económica). No caso de dois factores a função de produção é caracterizada por: – Q = F(K,L) – Q = Produto (em unidades), K = Capital, L = Trabalho Como já visto, essa função depende do estado da tecnologia Isoquantas A representação gráfica da função produção de uma empresa é traduzida sob a forma de uma isoquanta. A isoquanta traduz a combinação de recursos de forma a produzir determinado nível de produção. • Premissas para a nossa análise: – Um produtor utiliza dois factores para a produção de determinado bem, por exemplo: alimentação: Trabalho (L) & Capital (K) – Observações: 1) Para qualquer nível de K, o produto aumenta quando L aumenta. 2) Para qualquer nível de L, o produto aumenta quando K aumenta. 3) Várias combinações de factores podem produzir a mesma quantidade de produto. – Podemos desta forma afirma que são curvas que representam todas as possíveis combinações de factores que geram a mesma quantidade de produto Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 49 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Analissemos um exxemplo prático. A figura abaixo apressentada dá-n nos diferente es combinaçõ ões de inputss produtivos para a produção de determ minado nível de output. - A azul estão assin naladas combinações que e potenciam um u nível de produção p igua al a 55 unidad des: - (K=3; L= =1); (K=1; L=3 3) - A vermelho encon ntramos com mbinações que e resultam nu um output de e 75 unidadess: - (K=5; L= =1); (K=3: L=2 2); (K=2; L=3); (K=1; L=5) - A Ve erde temos ass combinaçõe es que resulta am num outp put de 90 unid dades, a sabe er: - (K=5; L= =2); (K=3; L=3 3); (K=2;L=5)). No gráfico abaixo o apresentad do, representtam-se as re espectivas iso oquantas qu ue representa am as comb binações de capital e trabalho que potenciam de eterminado nível de produção. Note-sse que quantto mais à dire eita se localizzar uma isoqu uanta maior será s o nível de e produção d da empresa. As isoquantas representam assim a um po otencial de escolhas e parra as organizzações, que nelas conse eguem auferrir as difere entes combinações de recursos po ossíveis para a a obtençã ão de determinado nível de produção o. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 50 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • Flexibilidade no uso de factores – As isoquantas mostram de que forma diferentes combinações de factores podem ser usadas para produzir a mesma quantidade de produto. – Essa informação permite ao produtor reagir eficientemente às mudanças nos mercados de factores. • Curto Prazo versus Longo Prazo – Curto prazo: – Período de tempo no qual as quantidades de um ou mais factores não podem ser modificadas. – Tais factores são denominados factores fixos. – Longo prazo – Período de tempo necessário para tornar variáveis todos os factores. Note-se que no momento em que se fixa a quantidade a produzir e se procede à escolha da combinação optima de recursos estamos a fixar um dos inputs produtivos. Na nossa análise consideramos que fixamos o valor do Capital (provavelmente estamos a criar um custo fixo para a organização). 5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável Podemos verificar que o Capital foi fixado em 10 unidades. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 51 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA • Observações: O 1) À medida que aumenta o númerro de trabalh hadores, o prroduto (Q) au umenta, atingge um máximo (1 112( e, então o, decresce. 2) O produtto médio do trabalho (PM M), ou produtto por trabalhador, inicialmente aume enta e depois dim minui. PM = Produto Q = Trabalhoo L 3) O produtto marginal do d trabalho (P PMg), ou prod duto de um trabalhador t a adicional, aumenta rapidamente no início, depois dimin nui e se torna a negativo. PMgL = ΔProduto ΔQ = ΔTrabalho ΔL O con nceito de pro oduto margin nal, ou neste caso, produ utividade marrginal do trab balho é facilmente obtido o através da subtracção do valor do produto total à medida que q vamos acrescentando o uma unida ade adicional de factore tra abalho. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 52 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 53 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA • Observaçõ ões: – Q Quando PMg = 0, PT encon ntra-se no seu u nível máxim mo – Q Quando PMg > PM, PM é crescente c – Q Quando PMg < PM, PM é decrescente d – Q Quando PMg = PM, PM enccontra-se no seu nível máxximo A Lei dos Rendime entos Margina ais Decrescen ntes • À medida a que o uso de determin nado factor aumenta, a che ega-se a um ponto em que q as quantidad des adicionaiss de produto obtidas torna am-se menores (ou seja, o PMg diminu ui). • Quando a quantidade e utilizada do d factor trabalho é peq quena, o PM Mg é grande como consequê ência da maio or especialização. • Quando a quantidade utilizada do factor f trabalh ho é grande, o PMg decressce como resultado de ineficiê ências que affectam o próp prio processo o produtivo. • Pode serr aplicada a decisões de d longo prrazo relativass à escolha a entre diferentes configuraçções de planttas produtiva as. • Supõe-se que a qualidade do factorr variável seja a constante. • Explica a ocorrência de um PMgg decrescente e, mas não necessariam mente de um m PMg negativo • e. Supõe-se uma tecnologia constante Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 54 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Para retractar o effeito da inova ação na prod dução vamos nos socorrerr do Estudo d de Malthus so obre a Crise de Alimentoss: • Malthus previu p o alasttramento da fome em larrga escala, que q decorreria a dos rendim mentos decrescen ntes da produ ução agrícola aliados ao crescimento populacional p ccontínuo. • Por que a previsão de Malthus reve elou-se incorrecta? Ín ndice do o Consu umo Alimentar Mundia al Pe er Capitta Ano Índice 1948-1952 100 1960 115 1970 123 1980 128 1990 137 1995 135 1998 140 Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 55 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA • Os dados mostram que e o crescimen nto da produçção excedeu o crescimentto populacion nal. • O que se e verificou fo oi o facto de e Malthus nã ão ter levado o em consid deração os efeitos e potenciaiss dos avanço os tecnológico os, que perm mitiram o aum mento da ofe erta de alimentos a taxas superiores ao cre escimento da a procura. • am em excesssos de oferta a e reduções d de preços. As inovações tecnológicas resultara 5.1.3 3. Análise da Produçção com do ois factore es variáveiss • No longo prazo, K& L são s factores variáveis. v • antas descrevvem as possívveis combinações de K & L que produzzem o mesmo o nível As isoqua de produtto Taxa Marginal de Substituição S Decrescente • Interpreta ação das Isoq quantas 1) Suponha que o nível de capital seja 3 e que e o nível de trabalho t aum mente de 0 para p 1, ara 2 e finalm mente para 3. (Note que a produção au umenta a uma taxa decresscente depois pa (55, 20, 15), 1 o que ilusstra a ocorrên ncia de rendimentos decre escentes do ttrabalho no curto c e longo prazzos). 2) Suponha que o nível de trabalh ho seja 3 e que o nível de e capital aum mente de 0 para p 1, ara 2 e finalmente parra 3 (Novam mente, a pro odução aumenta a uma a taxa depois pa decrescen nte (55, 20, 15), 1 devido ao os rendimenttos decrescen ntes do capita al). Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 56 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA • Substituiçção entre facttores • O administra Os adores de um ma firma dese ejam determin nar a combin nação de factores a s utilizada. ser • D Deve-se ter em m atenção ass possibilidades de substittuição entre o os factores. • A inclinação de d cada isoq quanta indica a a possibilidade de subsstituição entre dois fa actores, dado o um nível constante de prrodução. • A taxa marginal de substitu uição técnica é dada por: TMST = Variaçção no Capita al / Variação no n Trabalho TMST = − ΔK • ΔL (daddo um nívell constante de d Q) Observaçõ ões: 1) A TMSTT cai de 2 pa ara 1/3 à med dida que a quantidade de e trabalho aumenta de 1 para p 5 unidades.. 2) Uma TMST T decresscente decorrre de rendim mentos decre escentes e implica isoqu uantas convexas.. 3) TMST e Produtividad de Marginal Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 57 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • A variação na produção resultante de uma variação na quantidade de trabalho é dada por: (PMgL)( ΔL) Isoquantas quando os factores são perfeitamente substituíveis Capital por mês A B C Q1 Q2 Q3 Trabalho por mês Substitutos Perfeitos • Observações válidas no caso de factores perfeitamente substituíveis: 1) A TMST é constante ao longo de toda a isoquanta. 2) O mesmo nível de produção pode ser obtido através de qualquer combinação de factores (A, B, ou C) Capital por mês Q3 C Q2 B K1 A L1 Q1 Trabalho por mês Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 58 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Função de Produção de Proporções Fixas • Observações válidas no caso de factores que devem ser combinados em proporções fixas: 1) Não é possível a substituição entre os factores. Cada nível de produção requer uma quantidade específica de cada factor (p.ex. trabalho e martelos pneumáticos). 2) O aumento da produção requer necessariamente mais capital e trabalho (isto é, devemos nos mover de A para B e, então, para C). Uma Função de Produção para o Trigo • Os agricultores devem escolher entre técnicas de produção intensivas em capital ou intensivas em trabalho. Isoquanta que Descreve a Produção de Trigo Capital (horas por ano) O ponto A é mais intensivo em capital, e o B é mais intensivo em trabalho. 120 A 100 90 80 B ΔK = - 10 ΔL = 260 Produção = 13.800 ton por ano 40 Trabalho 250 • 500 760 1000 (horas por ano) Observações: 1) Operando no ponto A: • 2) L = 500 horas e K = 100 horas de máquina. Operando no ponto B • L aumenta para 760 e K diminui para 90; TMST < 1: TMST = - ΔK ΔL = −(10 / 260) = 0,04 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 59 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 3) TMST < 1, portanto, o custo do trabalho deve ser menor do que o custo do capital para que o agricultor substitua capital por trabalho. 4) Se o trabalho for um recurso caro, o agricultor usará mais capital (ex. USA). 5) Se o trabalho não for caro, o agricultor usará mais trabalho (ex. Índia). Rendimentos de Escala • Medição da relação entre a escala (tamanho) de uma empresa e sua produção. 1) Rendimentos Crescentes de Escala: A produção cresce mais do que o dobro quando há duplicação dos factores: • Produção maior associada a custo mais baixo (automóveis) • Uma empresa é mais eficiente do que muitas empresas (utilidade) • As isoquantas situam-se cada vez mais próximas Rendimentos de Escala Rendimentos crescentes: As isoquantas situam-se cada vez mais próximas Capital (horas de máquina) A 4 30 20 2 10 0 5 10 Trabalho (horas) 2) Rendimentos Constantes de Escala: A produção dobra quando há duplicação dos factores • O tamanho não afeta a produtividade Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 60 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA • Afecta um grande número de produtores • As isoquantas são espaçadas igualmente Rendimentos de Escala Rendimentos constantes: as isoquantas são espaçadas igualmente Capital (horas de máquina) A 6 30 4 20 2 10 0 5 10 Trabalho (horas) 15 3) Rendimentos Decrescentes de Escala: A produção aumenta menos que o dobro quando há duplicação dos factores • Eficiência decrescente à medida que aumenta o tamanho da empresa • Redução da capacidade administrativa • As isoquantas situam-se cada vez mais afastadas Rendimentos de Escala Capital (horas de máquina) A Rendimentos decrescentes: as isoquantas situam-se cada vez mais afastadas 4 30 2 20 10 0 5 10 Trabalho (horas) Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 61 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Exemplo de um estudo de Rendimentos de Escala efectuado na Indústria Textil de um país em vias de desenvolvimento • A indústria de Textil observou crescimento significativo, com a deslocalização das empresas que operavam nos países mais desenvolvidos (a partir de 1996), bem como o surgimento de algumas empresas muito grandes. • Pergunta • • Há economias de escala? – – • • Esse crescimento pode ser explicado pela presença de economias de escala? Custos (percentagem de custo para grandes empresas) • Capital - 77% • Trabalho - 23% Custos (percentagem de custo para pequenas empresas) • Capital - 65% • Trabalho - 35% Os Grandes Fabricantes – Aumentaram o maquinário e o trabalho – A duplicação dos factores mais do que dobrou a produção – Verificam-se economias de escala para os grandes produtores Os Pequenos Fabricantes – Pequenos aumentos na escala têm pouco ou nenhum impacto na produção – Aumentos proporcionais nos factores aumentam a produção proporcionalmente – Verificam-se rendimentos constantes de escala para os pequenos produtores Podemos então concluir que os rendimentos de escala estão associados a: - Sector de actividades onde as empresas estão inseridas; - Dimensão da empresa; - Composição de capital e trabalho utilizado na sua função produção. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 62 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA IMPORTANTE A RETER SOBRE ESTA TEMÁTICA: • Uma função de produção descreve a produção máxima que uma empresa pode obter para cada combinação específica de factores. • Uma isoquanta é uma curva que mostra todas as combinações de factores que resultam em um determinado nível de produção. • O produto médio do trabalho mede a produtividade do trabalhador médio, enquanto o produto marginal do trabalho mede a produtividade do último trabalhador incluído no processo produtivo. • A lei dos rendimentos decrescentes explica que o produto marginal de um factor diminui quando a quantidade desse factor é aumentada. • As isoquantas inclinam-se sempre para baixo porque o produto marginal de todos os factores é positivo. • O padrão de vida que um país pode oferecer a seus cidadãos está intimamente relacionado a seu nível de produtividade. • Na análise de longo prazo, tendemos a enfocar a escolha da empresa em termos de escala ou dimensão de operação. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 63 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO INTRODUÇÃO A teoria da produção, vista anteriormente, prende-se exclusivamente com questões tecnológicas, físicas, entre inputs e produtos. Vejamos agora o lado dos custos de produção, que determinarão a oferta da empresa. Observaremos como a visão do economista difere da do contabilista, em particular no que se refere aos custos implícitos e custos sociais, incorporados pelos economistas em suas curvas de custos. 5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS Custos contabilísticos: envolvem dispêndio monetário. É o custo explícito, considerado na contabilidade financeira. Custos de oportunidade: são custos implícitos, que não envolvem desembolso monetário. Os custos de oportunidade privados são os valores dos inputs que pertencem à empresa e são usados no processo produtivo. Esses valores são estimados a partir do que poderia ser ganho, no melhor uso alternativo (por isso também são chamados de custos alternativos). Exemplos: a) O capital em caixa na empresa: o custo de oportunidade é o que a empresa poderia estar a ganhar, aplicando, por exemplo, no overnight; b) O custo de oportunidade de se investir na ampliação da empresa é o que se ganharia se o dinheiro fosse empregado no mercado financeiro; c) Quando a empresa tem prédio próprio, ela deve imputar um custo de oportunidade, correspondente ao que ela pagaria se tivesse que alugar instalações. Para o economista, as curvas de custos das empresas deveriam considerar, além dos custos contabilísticos, os custos de oportunidade, pois assim reflectiria a verdadeira escassez relativa do recurso utilizado. As empresas públicas, mais que as privadas, costumam utilizar a visão do economista para o cálculo das tarifas e preços públicos. AVALIAÇÃO PRIVADA E AVALIAÇÃO SOCIAL EXTERNALIDADES Avaliação privada: avaliação financeira, específica da empresa. Avaliação social: custos (e benefícios) para a sociedade como um todo, derivado da produção das empresas. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 64 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Por exemplo, quando aumenta a produção automobilística, além dos custos dessa indústria, devemos considerar também o aumento dos custos sociais, derivados do aumento da poluição sonora e ambiental (emissão de gases, ruído, etc.), além do desgaste das ruas e estradas. Quando aumenta a produção da indústria extractiva de madeira, há perdas ecológicas derivadas do desbravamento. Essa óptica é muito utilizada em avaliação de projectos de investimento, principalmente no sector público. Tomemos como exemplo um projecto de construção de uma hidroeléctrica da EDP. Pela óptica privada (da EDP), o custo a ser considerado é o seu desembolso financeiro no projecto. Isso inclui os gastos com impostos, pessoal, capital, terra, etc.. Sob a óptica social, impostos e encargos sociais com trabalhadores não são custo social, e sim transferências. Nesse caso, o custo privado é maior que o custo social. Comparando-se o custo social com o benefício ou retorno social do projecto, decide-se se o mesmo deve ou não ser implementado. A diferença entre a óptica privada e a social também pode ser chamada de externalidades (ou economias externas), que podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a sociedade. Derivadas da produção das empresas, ou então como as alterações de custos e receitas da empresa, devidas a factores externos à empresa. Nessa linha, por exemplo, os comerciantes de lustres têm externalidades positivas por se localizarem próximos um do outro; uma indústria química poluidora dos rios impõe externalidades negativas à indústria pesqueira etc. 5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO Como vimos anteriormente, a curto prazo, alguns factores são fixos, qualquer que seja o nível de produção. Normalmente, consideramos como factor fixo a planta da empresa, ou equipamentos de capital. Conceitos de custo total, custo variável total e custo fixo total Custo Variável Total (CVT): parcela do custo que varia, quando a produção varia (por exemplo, salários e matérias-primas). E a parcela dos custos da empresa que depende da quantidade produzida. CVT = f (q) Ou seja, são os gastos com factores variáveis de produção. Custo Fixo Total (CFT): parcela do custo que se mantém fixa, quando a produção varia (por exemplo, rendas das instalações). Ou seja, são os gastos com factores fixos de produção. Custo Total (CT) = CVT + CFT Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 65 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Graficcamente: O cussto total (CT) só s varia com o custo variá ável total CVT,, que depend de da quantidade produzid da. Note--se que, até certo c ponto, as a curvas CTT e CVT crescem, mas a ta axas decresccentes, para depois d crescer a taxas cre escentes. Siggnifica que, dada d certa ca apacidade insstalada, no in nício, o aumento de produ ução dá-se a custos decliinantes. Mass um aumentto maior de produção começa a "satu urar' o equip pamento de capital (supo osto fixo a curto c prazo), e os custoss começam a crescer a taxas crescentes. No fu undo, é a le ei dos rendimentos decrrescentes do o lado dos custos (aqui mais priadamente chamada c de lei dos custoss crescentes)). aprop Conce eitos de custo o médio total, custo variávvel médio e custo fixo méd dio Custo o Médio ( Cme e ou CTme) = Custos Totais / quantidad de produzida a = CT/q (Custto unitário) Custo o Variável Médio (CVMe) = CVT/q Custo o Fixo Médio (CFMe) ( = CFTT/q CTme e = Cvme + CF Fme Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 66 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA O form mato em U das curvas de e CTMe e CVM Me também se s deve à lei dos rendimentos decresccentes, ou lei dos custos crescentes. Inicialmente, os custos médios m são declinantes, d pois tem-se pouca mão-d de-obra para um grande equipamento o de capital. Até certo ponto, é vantajjoso absorver mais trabalhadores e aumentar a a produção, p po ois o custo médio m cai. Ma as chega-se a certo pontto que satura a a utilização de capittal, e a admissão de mais trabalhadores não o trará aum mentos propo orcionais de produção p (ou seja, os custtos médios co omeçam a aumentar). Conce eito de custo marginal Custo o marginal (C Cmg) = variaçção do CT/va ariação em q = ΔCT/ Δq Δ = dCT/dq . É o custo de se produ uzir uma unidade a mais do d produto Como o dCFT = O, segue s que CM Mg = (dCVT + dCFT)/dq = dCVT/dq , ou u seja, os cusstos marginais não são in nfluenciados pelos custos fixos. Relações gráficas entre o custo margin nal e os custo os médios total e variável Na figgura abaixo apresentada, a observamos que a curva de custo ma arginal corta as curvas de e custo total médio m e custo o variável mé édio no ponto o de mínimo destas. d Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 67 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Intuitivamente, se e o custo marginal (ou sejja, o custo adicional) a sup pera o médio o, é evidente que o custo o médio cresccera: assim, quando o cu usto margina al supera o custo c médio (total ou varriável), signiffica que o cu usto médio estará e crescendo. Analoga amente, se o custo margginal for inferrior ao médio o, o médio só ó pode cair. Consequentem C mente, quand do o custo marginal for igu ual ao custo médio (total ou variável), o marginal estará e cortand do o médio no o ponto de mínimo m do cussto médio. 5.2.3 3. CUSTOS S A LONGO PRAZO o foi visto, o longo prazo é um período de tempo no qual todo os os inputs são variáveiss. Não Como existe em custos fixo os: todos os custos c são va ariáveis. Deve ser observa ado que o lo ongo prazo é um horizo onte de planeamento. Na a verdade, é uma sequê ência de currtos prazos: os empresárrios têm um elenco de situações s de e curto prazo o, com difere entes escalass de produção o (tamanhos)), que eles po odem escolher. Por exemplo, antes de e fazer um in nvestimento, a empresa está e numa situação s de lo ongo prazo: o empresário o pode selecccionar qualq quer uma dass alternativass. Depois do investimento o realizado, os o recursos ssão convertidos em equip pamentos (capital fixo) e opera em cond dições de currto prazo Um aggente económ mico opera a curto prazo e planeia a lo ongo prazo. CURV VA DE CUSTO MÉDIO DE LO ONGO PRAZO O (CmeL) Suponhamos três tamanhos ou o escalas de produção: pequena, média m e grand de, e as segguintes curva as de custo médio m de curto o prazo (CMeC C): Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 68 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA • Se a empresa planeia produzir ao nível n de produ ução q1, não há dúvidas: e escolhe a esttrutura d dada pelos cu ustos CmeC1; • Se planeia produzir q3, a melhor instalação i é dada por CM MeC2, pois ga astaria meno os. Ele p pode, se quise er, produzir co om CmeC1, mas m os custoss seriam maio ores; • Se planeja produzir q2 ou o q4, existem m duas alterrnativas. Esse es pontos ficcam justamen nte na in ntersecção das d plantas. Mas, em um m planeamen nto de longo prazo, prevendo-se aum mentos fu uturos da pro ocura, o empresário deve escolher a planta de insta alação maiorr (em q2, esco olheria C CMeC 2; em q4, CmeC3). A curvva "cheia" é a curva de custo c médio de d longo prazzo (CMeL), e mostra o me enor custo unitário (CM e) e para produzir cada nívvel de produçção. Também m é chamada a de curva de planeamen nto de longo o prazo. Supondo um número ilimitado de possibilid dades, uma curva de custo o médio a lon ngo prazo pode ser m ilustrada: assim Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 69 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA O PONTO A) traduzirá a Escala óptima FORMATO DA CURVA DE CUSTO MÉDIO DE LONGO PRAZO Como vimos, as curvas de CMe de curto prazo têm a forma de U devido à lei dos rendimentos decrescentes, resultante da existência de inputs fixos a curto prazo. A longo prazo, não existem inputs fixos e a forma da curva de CMe de longo prazo (CMeL) é determinada pelas economias ou deseconomias de escala. No início, à medida que a produção se expande, a partir de níveis muito baixos, os rendimentos crescentes (economias) de escala causam o declínio da curva CMeL. Mas, à medida que a produção se torna maior, as deseconomias de escala passam a prevalecer, provocando o crescimento da curva. COMO ESCOLHER A COMBINAÇÃO ÓPTIMA DOS FACTORES DE PRODUÇÃO No curto prazo normalmente apenas um dos factores é variável, logo a variação do custo total estará intimamente ligada a variação deste factor. Contudo no longo prazo todos os factores de produção, por definição, variam livremente, temos a oportunidade de escolher qualquer combinação de inputs que a minha função produção permita. A escolha dos inputs depende dos preços relativos dos factores produtivos (normalmente e na nossa análise - capital e trabalho). Analogamente à teoria do comportamento do consumidor (conceito de restrição orçamental), temos também aqui uma restrição a nível de custos. A esta restrição vamos dar o nome de ISOCUSTO, assumindo as mesmas propriedades da restrição orçamental. Contudo agora não temos um rendimento fixo para gastar entre os dois inputs. A recta de isocusto vai variar de acordo com o nível de output, sendo a escolha óptima dos inputs produtivos ligada à minimização dos custos de produção. Vamos retratar este matéria com um exercício. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 70 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 71 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 6. ESTRUTURAS DE MERCADO 6.1. INTRODUÇÃO As empresas inserem-se em mercados que podem assumir diversas formas de funcionamento. O objectivo deste capítulo é o de estudar o comportamento das empresas e a forma como as mesmas fixam os seus preços. Tipo de estrutura de mercado CONCORRÊNCIA PERFEITA Concorrência monopolista Oligopólio Monopólio N.º de empresas que integram a oferta total Grau de substituibilidade ou diferenciação ente produtos Muitas empresas. A oferta de cada uma delas é uma parcela ínfima da oferta global. Não existe confronto directo ou rivalidade entre os produtores Cada uma delas não se preocupa com os efeitos do comportamento individual das demais. As decisões de cada empresa não alteram nem o volume das vendas globais nem o preço praticado no mercado Muitas empresas Produtos perfeitamente homogéneos. Os bens oferecidos por todas as empresas são sucedâneos perfeitos. È indiferente para o consumidor dar preferência a qualquer dos vendedores. Os bens tem características tipificadas ou standartizadas. Poucas empresas A oferta de cada empresa é significativa em relação à oferta global do mercado. As decisões de cada empresa condicionam a situação dos demais, existe rivalidade e confronto no mercado Única empresa. A oferta da empresa é a oferta do mercado. Produtos homogéneos ou diferenciados. No caso de produtos heterogéneos/diferenciado os bens oferecidos apresentam entre si alguma diferença identificável pelos compradores. Apresentam a capacidade de se substituírem na satisfação das necessidades similares Produtos sucedâneos próximos Produto sem sucedâneo próximo ou remoto O OBJECTIVO DA EMPRESA À luz da teoria neoclássica ou marginalista o objectivo da empresa é sempre maximizar o lucro total. A maximização do lucro total corresponde à produção em que: Receita Marginal (RMg) = Custo Marginal (CMg) Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 72 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA O que significa que se a empresa aumenta a produção, e a receita adicional (RMg) for maior que o custo adicional (CMg), o lucro estará aumentando, no caso contrário o lucro estará diminuindo. O equilíbrio dar-se-á quando a RMg igualar o CMg. A teoria neoclássica ainda preserva a vantagem de ser a teoria mais geral, com razoável poder preditivo e formalmente consistente, sendo bastante adequado para estruturas de mercado concorrenciais. Nota-se, contudo, um grande avanço nas teorias alternativas, que são bem mais recentes, não estando ainda perfeitamente consolidadas. 6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA Hipóteses do modelo: - Atomicidade (mercado atomizado). Infinitos compradores e vendedores (átomos). Nenhum agente isolado tem capacidade para afectar o preço de mercado. Assim o preço de mercado é um dado fixo para empresas e consumidores (são price-takers, isto é, tomadores de preços no mercado). - Homogeneidade (produto homogéneo). Todas as firmas oferecem um produto homogéneo (semelhante, não há diferenças como qualidade, embalagem, etc.) - Mobilidade de bens. Não existem custos de transporte. - Mobilidade das empresas. O mercado não tem quaisquer tipos de barreiras de entrada ou saída, tanto para compradores, como para vendedores. - Racionalidade. Todos os agentes económicos agem racionalmente, isto é, as empresas maximizam os seus lucros, os consumidores a sua utilidade. - A informação é completa. Todos os agentes conhecem tudo do mercado: preços, qualidade, custos, receitas e lucros dos concorrentes. - Não existem externalidades. - O mercado dos factores de produção também é em concorrência perfeita. Equivale a dizer que os preços dos factores de produção são fixos, dados. Ou seja, todas as firmas se deparam com idênticas curvas de custos. Todas as hipóteses anteriores, também são válidas para o mercado de factores de produção. Como podemos observar, são hipóteses "ideais", reflectindo um mercado sem barreiras, sem interferências; enfim, pouco realistas. Mas essas hipóteses representam uma base, um referencial, para a construção de modelos mais próximos da realidade. Como observa a economista inglesa Joan Robinson, é mais útil construir inicialmente modelos simples e depois preencher os detalhes, do que construir directamente modelos com todos os detalhes da realidade. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 73 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA FUNCIONAM MENTO DO MERCADO DE CONCORRÊN C CIA PERFEITA A Curvas de procura p de me ercado e da firma f individu ual P Procura Dada a hipótese da d atomicidad de, uma empresa isolada não consegue alterar o prreço de mercado (a s por exe emplo, traria uma alteraçã ão apenas inffinitesimal na a curva de oferta de merccado Si sua saída, não afectando a o preço Po). Como o P0 é preço de d venda para a empresa a, então a cu urva de procu ura é dada p para a empresa; ou seja, é horizontal. A empresa só ó pode vende er a esse preçço, pois: • se quiser vender a um m preço ma ais alto, não o venderá nada n (como os produtos são ho omogéneos, os o consumido ores comprarã ão mais bara ato das outrass empresas); • não venderá á a um preço o mais baixo. Seria irracion nal, pois, se ao a preço p0 vvende quanto o quer, or que venderr mais barato o? po Assim m, ao preço p0, a empresa vende quanto puder, depe endendo do seu s tamanho e da sua esttrutura de cu ustos. Dessa a forma, a curva c de proccura de merrcado de mercado (com a qual se de efrontam tod das as empresas) é nega ativamente in nclinada, mass a curva de procura para a a firma indiividual é horiizontal (corre esponde a dizer que a cu urva de procu ura para a empresa é inffinitamente e elástica: se ocorrer o variaçção de preço de mercado, a procura pa ara a firma é indeterminad da). Curvas de receita r da em mpresa Receita tota al (RT) : total de receita da a empresa. RT = preço o unitário de venda v x quan ntidade vendida RT= p.q Receita Média (RMe): re eceita por unid dade de prod duto vendida Rme = RT/q q Rme = p.q / q = p RMe = p Portanto, a RMe é semp pre igual ao preço unitário de venda. Po or outro lado, como o preçço P0 é a própria procura da empresa individual, a RMe é a própria curva de e procura da empresa indiividual Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 74 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA (afina al, a RMe mosstra o que o consumidor c c compra, a dad dos preços, ou seja, a próp pria procura).. Em concorrrência perfeita a, a RMe é fixxa, pois P0 é constante. c Receita Marginal (RMg): é a variação da receita to otal, quando varia v a quantidade vendida: Portanto: RMg = ΔRT R dp.q = =p Δq dq Em concorrência perfeita, a re eceita margin nal é o preço o recebido pela p unidade adicional vendida. Então o, a RMg é igu ual ao preço, e é fixa (poiss o que se gan nha de receita a adicional é dado). Curva as de custos As curvas de custo os são as messmas já vista as anteriorme ente, na teoria a dos custos de produção.. Equilííbrio da firm ma em conco orrência perrfeita (a curtto prazo) (ou maximizaçção de lucro os em conco orrência perfe eita) Supõe e-se que o em mpresário racional tenha sempre por objectivo últiimo maximiza ar lucros. Vejjamos, então o, qual a qua antidade ópttima para a firma, ou sejja, a quantid dade que ma aximiza o luccro da empresa. Mostrraremos que a regra para a firma maximizar lucros é dada por; RMg = CMg, sendo o CMg cresce ente Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 75 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Corre esponde ao po onto X do gráfico a seguir, ou seja, ao nível n de produ ução q0 Sabem mos que o empresário e ra acional semp pre aumentará a produçã ão, quando issso significa maior lucro.. Então, se: • re eceita adicio onal > custo o adicional, o lucro marrginal aumen nta e a qua antidade devve ser aume entada, pois o lucro aumen ntará; • re eceita adicion nal < custo ad dicional, a qu uantidade q não n será aumentada, pois o lucro cairá. Portanto, no equilííbrio: RMg = CMg temoss a quantidad de óptima Entretanto, existem m dois pontoss onde RMg = CMg (X e Y, no gráfico): Falta provar que a maximização o de lucros dá-se no ponto o X, com CMgg crescente. V Vamos mostra ar isso graficcamente. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 76 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Em q1 RMg = 60 0 ês pontos, com m o custo ma arginal decresscente é Nestes trê CMg = 80 0 vantajoso para ele aum mentar a prod dução, pois a RMg é constante, mas os custtos são decre escentes (enttão os Em q2 RMg = 60 0 lucros marginais são crrescentes). CMg = 60 0 Por isso, o ponto q2, em mbora a RMg = CMg, ainda a não é o máxim mo lucro. Em q3 RMg = 60 0 RMg = 30 Em q4 RMg = 60 CMg = 40 0 RMg> CMgg. O CMg é crrescente, mass ainda dá pa ara aumentarr um pouco mais a produção o até CMg=RM Mq Em q5 RMg = 60 CMg = 60 0 q5 Máximo o lucro. Não deve d aumenta ar mais a pro odução, pois o CMg é crescente (e RMg R fixa), o qu ue significa lu ucros menore es, A partir de e q5 Em q6 RMg = 60 CMg = 10 00 . Portanto, a produçção óptima pa ara a firma occorre no pontto q5, onde RM Mg = CMg, co om CMg cresccente. No ponto q2, também RM Mg = CMg, mas m o CMg é decrescente. d Mostraremoss mais adiantte que esse é um ponto de d prejuízo máximo. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 77 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Áreas de luccro total (LT),, receita total (RT) e custo total (CT) O gráfico acima mostra as áreas de e LT, RT e CTT em termos de curvas m médias e margginais. Essass áreas també ém podem se er visualizada as em termoss de curvas to otais, como a seguir se mo ostra. Curva de offerta da firma a em concorrê ência perfeita a Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 78 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Provaremoss que "a curvva de oferta da d firma em concorrência c perfeita é o ramo crescen nte da curva a de custo ma arginal, a parttir do ponto em e que o cussto marginal é maior do que o custo va ariável médio o mínimo”. Ou u seja, a curvva de oferta da firma é o CMg, a partir do ponto A,, no gráfico abaixo, a onde CVMe é mínimo. Mostraremo os primeiro por p que a curvva de oferta é o próprio ra amo crescentte do CMg. Depois, D mostrraremos por que q ela é deffinida apenass após o CVMe e mínimo. Por que é a curva de CMg? C A resp posta é que essa curva reflecte r a ressposta das firmas, f quand do o preço de d mercado aumenta, a ou seja, reflectte o aumento o de q, quan ndo p varia (isso é oferta a: variação de e q, quando p aumenta). - quando o preço é p0, a firma oferecce q0 (que ma aximiza seu lu ucro, a p0); - quando o preço é p1, a firma oferecce q1 (que ma aximiza seu lu ucro, a p1); - quando o preço é p2 a firma oferece e q2 (que maxximiza seu luccro, a p2). Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 79 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Como a firm ma maximiza lucros apena as no ramo crrescente do CMg, C então a curva de ofe erta da firma em concorrê ência perfeita é o ramo cre escente da cu urva de CMg, dado que as reacções da firma, em re elação a varia ações de preçços, dão-se ne esse trecho da d curva. Por que ap penas após o CVMe mínim mo? Porque o preço mín nimo para qu ue a firma prroduza algum ma coisa ocorrre quando: p = CVMe mínimo m Em termos totais (multip plicando ambos os membrros por q), oco orre quando: p.q=CVMe .q . RT = CVT Abaixo dessse ponto, a firma deve fechar as portas. p Para provar isso, suponhamo os três situaçções distintass, com três prreços de merrcado diferenttes. a) p >CTMe (RT> >CT) É a situação o normal, com m lucros extra aordinários. b) p < CTMe e, mas p > CV VMe (RT< CT, mas RT> CVTT) Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 80 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Nesta a situação, a firma aprese enta um preju uízo, mas ela não deve fecchar as porta as, pois assim m teria que pagar p todos os custos fixxos (renda instalações, parcelas p de compra do e equipamento o etc.). Assim m, se fecha, paga p todo CF FT. Se continuar, ela pode e pagar todo os os custos variáveis (sa alários, matérias-primas) e uma parte dos custos fixos. Como é uma situaçã ão de curto p prazo, a firma a deve esperrar por dias melhores, m com m preços maiss vantajosos. c) p = CVMe e mínimo (RT = CT) Neste caso, o prejuízo é o mesmo, fe echando a em mpresa ou co ontinuando a operar. Mas como já investiu na activvidade, tem clientes c etc., deve d continua ar, esperando o melhorar o mercado. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 81 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA d) p < CVMe e mínimo (RTT < CVT) Nessa situa ação, a firma não consegue nem pagar os custos va ariáveis. Deve e fechar as po ortas. Assim, uma a firma em co oncorrência perfeita só ope era quando o preço de me ercado superra pelo meno os os custoss variáveis (principalmen ( nte salários).. Então, a curva c de ofe erta da firm ma em conco orrência perfe eita é o ramo crescente da a curva de CM Mg, após o CV VMe mínimo. Equilíbrio de e longo prazo o de uma firm ma em concorrrência perfeitta Como sabe emos, a longgo prazo, nã ão existem custos fixos, ou seja, tod dos os custo os são variávveis (salários, rendas, etc.). Portanto: CT= CVT ou CTMe = CVM Me. Posto isto, cabe c uma differenciação entre e lucros "e extraordinário os" e lucros "n normais". Nas curvas de custos vistas até ago ora está englobada a rem muneração do o empresário. Essa remuneração pode e ser medida a pelo custo de d oportunidade, ou seja,, o que ele re eceberia se tivesse empregue seus re ecursos em ou utra actividad de. Isso é cha amado de luccro normal, o que reflecte o real custo o de oportunidade da actividade emprresarial. O qu ue exceder esse e custo é chamado de e lucro extrao ordinário: o empresário e r recebe mais do que deve eria receber,, de acordo com seu cussto de oportunidade. Como os ecconomistas consideram c ta ambém os cu ustos de oportunidades (ccustos "implíccitos"), as cu urvas de custtos vistas até é agora já têm m englobado o lucro norm mal. Nesse se entido, o lucrro que vimoss nos tópicos anteriores é o lucro extrao ordinário (LT= = RT-CT). Em concorrrência perfeita, supõe-se que q os lucross extraordinárrios a curto p prazo atraem novas empresas para essse mercado (pelas hipóte eses de transsparência de e mercado - todos sabem que o merca ado apresentta lucros extrraordinários - e livre entrada e saída de e firmas). De essa forma, a longo prazo o a tendência a é de que os lucros exxtras tendem m a zero, existindo apena as lucros normais. Graficcamente: Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 82 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA erta de merca ado aumenta, deslocando-se para a dirreita). (mais firmas entrando, a curva de ofe Quando pre eço chega a P2 cessam os lucros extrao ordinários, po ois: LT = RT - CTT no ponto (P P2, q2), RT = CT (RMe = CTMe) C e LT = 0. Esse ponto correspo onde ao mínim mo da curva a de custo mé édio de longo prazo (escala a ou tamanho o óptimo da empresa). e Resumindo: a longo prazzo, em concorrência perfe eita, só existem lucros "norrmais”. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 83 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA 6 6.3. MON NOPÓLIO Hipótteses do mo odelo a Uma única a) a empresa prroduz um produto sem sub bstitutos próxximos. b Existência b) a de barreirass à entrada de e firmas conccorrentes. Essass barreiras po odem ocorrer de várias forrmas: • Protecção o de patentess (direito único o de produzirr) • as chave; Controlo sobre s o forneccimento de matérias-prim m • Tradição, exemplo: me ercado de relógios. Os jap poneses tiverrem que inve estir durante muito te empo para ve encer a tradiçção dos relógios suíços. • Monopólio o natural, no ormalmente devido d à eficiiência da em mpresa. A empresa já exisste em g grandes dimensões, opera a com baixos custos. Seria a difícil algué ém oferecer o mesmo prod duto a u preço equivalente à em um mpresa monopolista • Monopólio o estatal, prottegido por leggislação. FUNC CIONAMENTTO DO MODE ELO DE MON NOPÓLIO Curva a de procura a do monopolista Como o se trata de uma única empresa, terremos que co onsiderar que a procura para a indússtria = procu ura para a em mpresa. Portanto: Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 84 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Assim m, se o mon nopolista ressolver ofereccer mais, o preço o diminuirá, se produ uzir menos, o preço aume entará. Nessse sentido, o monopolissta tem o contro olo do preço de mercado, que depende e de quanto ele re esolve produzzir (traduzindo o a sua capaccidade para discriminar preçoss). No gráfico podemos co onstatar que ar um preço de d 1,45 u.m. irá vender 10 0 unidades, se fixa se baixar o pre eço para 1,2 275 u.m. venderá v 11 unida ades. Curva as da Receitta Média e Marginal M A rece eita média do monopolistta é o preço do produto no n mercado: é o que o consumidor paga em cada unidade do produto. p É a própria p procura de mercad do. Rme RT Q Rme Em co oncorrência perfeita, p vimo os que RMg = Rme = p. Em monopólio, m a RMg R é diferen nte da Rme. Isso porque a quantidade adicional é vvendida a um preço mais baixo que as quantidadess anteriores. Rmg ∆RT ∆Q A: Prova-se que a RMg co orta o eixo das d abcissas na metade do corte da Rme, semprre que NOTA estive ermos perantte uma curva de procura linear No modelo de monopólio,, conforme o diagra ama a seguir, prova-se que q 0A = 0B//2, ou se eja, a receita a marginal corta c o eixo da quanttidade (abcisssa) na meta ade do corte da receitta média (Rm me). Supondo uma curvva de procura a linear, temo os: Rme = p = a - bq RT = p.q = (a – bq).q = aq – bq2 RMg = dRT/dq = a – 2bq Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 85 UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA INTRODU Saben ndo que, no diagrama d antterior, no eixo o das abcissass, o preço é iggual a zero, temos que: • Intercepçã ão da Rme no o eixo das ab bcissas 0 = a – bq1 a = bq q1 q1 = a/b a Interccepção da RM Mg no eixo das abcissas 0 = a – 2bq2 a = 2bq2 q2 = a/2b a Assim m: q1 = q2/2 ou 0A = 0B/2 2 A rela ação entre as a curvas Rm me, RMg, e RT em mon nopólio Tínha amos visto an nteriormente, quando disscutimos a elasticidade-p e preço da procura, que há á uma relaçã ão ente a receita total (RT) e a elasticid dade-preço da a procura (Ep pp): Procu ura elástica: Procu ura inelástica: se p↑ q↓ ↓ RT↓ se p↓ q↑ ↑ RT↑ se p↑ q↓ ↓ RT↑ se p↓ q↑ ↑ RT↓ Custo os de produção do mono opolista Podem mos considerar estruttura de mono opolista nã ão que a custos do difere em essên ncia daquela a observada a no mode elo de concorrência perfeitta. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 86 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA O Equ uilíbrio no currto prazo de uma empresa a monopolistta também occorre onde a RMg = CMg, como em co oncorrência perfeita. p Como o chegar ao equilíbrio? e Primeiro determ minamos o ponto onde a RMg = CMg,, que é a pro odução que maximiza m o lu ucro (q0). Depois, vemos qual o custo o de produção o para produ uzir q0 na currva de Cme e qual a rece eita quando se s vende q0, na n curva Rme e (procura de e mercado)em m termos de curvas c totaiss, o diagrama fica: Como o podemos observar, o nun nca a posição o de máximo o lucro do monopolista pode estar na a faixa inelásstica da procu ura. Isso porq que o ponto de d máximo lucro ocorre qu uando a RMg = CMg. Como CMg é sem mpre positivo, a RMg que iguala o CMgg também é positiva. p E a RMg é positivva apenas na a faixa elástica da procura a. Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 87 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA Curva a de oferta de d uma emp presa monop polista No grráfico anterio or (em termos de curvas médias e ma arginais) nota amos que nã ão há uma re elação biunívvoca entre quantidade q produzida e preço p de ven nda do produ uto. Para um ma dada prod dução, podem mos ter diferrentes preçoss, dependend do da curva da procura. Ou seja, parra determinado q0, temoss apenas um m ponto em cima da curva a da procura correspondente ao preço de venda p0. Se a procu ura fosse maior o preço se eria maior parra o mesmo q0. Então o, a empresa a monopolistta não tem curva c de ofe erta. Não tem m uma curva a que mostre e uma relaçã ão estável en ntre os preçoss de venda e a quantidade e produzida. A oferta é um m ponto único sobre a curvva da procura a. O CM Mg intercepta a a RMg no mesmo pontto A. Assim, temos uma quantidade q0 igual nass duas situaçções, mas dois preços (p0 e p1). Então, não é possível p esta abelecermos uma relação o bem definiida entre preçços e quantid dade oferecid das pelo mono opolista O equ uilíbrio de longo prazo de uma u empresa a monopolista a. Como o existem ba arreiras à enttrada de novvas empresas, o monopó ólio não será á quebrado, o que Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 88 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA permitirá a persistência de lucros extraordinários também a alongo prazo. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 89 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA 6.4. OLIGOPÓLIO Oligopólio é a organização de mercado em que há poucos vendedores de uma mercadoria. Assim, as acções de cada vendedor afectarão os outros vendedores. Como resultado, a menos que façamos alguns pressupostos específicos sobre as reacções das outras empresas as acções da empresa em estudo, não podemos construir a curva de procura desse oligopolista, com uma solução indeterminada. Para cada pressuposto de comportamento específico que fazemos, temos uma solução diferente. Assim, não temos uma teoria geral do oligopólio. Tudo o que temos são muitos modelos diferentes, a maior parte dos quais algo insatisfatórios. Definição de Oligopólio : Oligopólio é a forma de organização de mercado em que há poucos vendedores de uma mercadoria. Se houver apenas dois vendedores, teremos um duopólio. Se o produto for homogéneo, como, por exemplo, aço, cimento e cobre, teremos um oligopólio puro. Se o produto for diferenciado, como, por exemplo, carros e cigarros, teremos um oligopólio diferenciado. Para simplificar, no texto e no que se segue, tratamos principalmente de um duopólio puro. O oligopólio é a forma predominante de organização de mercado no sector industrial das economias modernas e surge por razões gerais idênticas às do monopólio, isto é, economias de escala, controle sobre as fontes de matérias-primas, patentes e licença governamental. A interdependência entre as empresas da indústria é a característica mais importante que separa o oligopólio das outras estruturas de mercado. Esta interdependência é o resultado natural do pequeno número, isto é, como há poucas empresas em uma indústria oligopolística, quando uma delas baixa seu preço, faz uma campanha de publicidade bem-sucedida ou introduz um modelo melhor, a curva de procura que os outros oligopolistas enfrentam vai se deslocar para baixo. Consequentemente, os outros oligopolistas reagem. • Há muitos padrões de reacção dos outros oligopolistas em relação as acções do primeiro e só podemos definir a curva de procura de nosso oligopolista enfrenta se e quando presumirmos um padrão específico de reacção. Desse modo, temos uma solução indeterminada. Mas mesmo se presumirmos um padrão de reacção determinada, de maneira que possamos ter uma solução determinada, esta é apenas urna das muitas soluções possíveis. • Devido à situação esboçada no ponto anterior, actualmente não existe uma teoria geral do oligopólio. Tudo o que temos são casos ou modelos específicos, alguns dos quais são aqui discutidos. Estes poucos modelos, porém, conseguem três coisas: • eles mostram claramente a natureza da interdependência oligopolística; • indicam as falhas que uma teoria satisfatória do oligopólio precisa preencher; • dão alguma indicação da grande dificuldade deste ramo da microeconomia, do tempo que talvez tenhamos de esperar para obter uma teoria geral do oligopólio. Em resumo. a teoria do oligopólio é um dos segmentos menos satisfatórios da microeconomia. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 90 INTRODU UÇÃO À ECON NOMIA – PARTTE I MICROEC CONOMIA 6.4.1 1. O MODE ELO DE COURNOT E BERTRAND B D m de Co ournot come eçamos por presumir que e existem du uas empresa as vendendo o água No modelo minerral em condiçções de custto de produçã ão zero. Porttanto o nível de maximiza ação de lucro os das venda as de cada empresa e oco orre no ponto o médio da sua s curva de e procura line ear com inclinação negattiva, em que e = 1 e RT é máxima. m 0 pre essuposto básico de comportamento feito f por Cou urnot é que cada c empressa, na tentativa de maxim mizar seus lu ucros totais, ou RT, pressume que a outra emprresa conserve e a sua produção consttante. Diante desse pressuposto, have erá diversas movimentaçõ m es e contra-m movimentações por parte das duas em mpresas, até que cada um ma delas ven nda exactamente 1/3 do montante to otal de água que seria ven ndido, se o mercado m fosse e perfeitamen nte competitivvo. EXEM MPLOS. Na Figg. acima reprresentada, D é a curva de e procura do mercado de á água mineral. Se a empresa A for a ún nica vendedo ora do mercad do, então D = dA e a emprresa A maxim miza sua RT e lucros totaiss no ponto A, em que ela vende v 600 un nidades ao prreço de 6$. Essta é a soluçã ão de monopólio. Em se eguida, vamo os supor que a empresa E entre no me ercado e que a empresa A continue a vender v 600 unidades. En ntão, a curva a de demand da da empre esa 11 é dad da pela curvva de deman nda do merca ado total D menos m 600 unidades u e é representada por dB na Fig.. F Desse m modo, a emprresa B maxim miza sua RT e lucros totais no ponto B (sobre dB) em que ela ve ende 300 uniidades ao pre eço de 3$. A empresa A agora reage e, presumin ndo que a em mpresa B con ntinue a vend der 300 unid dades, encon ntra sua novva curva de demanda, d''A, subtraindo o 300 unidades da curva de demanda do merca ado total, D. A empresa A agora maxim miza seus lucrros totais no ponto p A´ sobre dA'. A empresa B agora a reage novam mente e vend de em B' sobrre sua nova curva c de demanda, d'B. Este processo de movimentaçõ ões e contra--movimentações por parte e das duas e empresas con nverge o a empresa a B estará dia ante da curva de procura a dE e, para o ponto E. Fiinalmente, a empresa A ou Carloss Miguel Olive eira | Março de 2008 | R.0 ……………… …………………… …::………………… ……………. 91 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA assim, maximiza seus lucros totais vendendo 400 unidades ao preço de 4$ ( ponto E´). A outra empresa, então, também estará diante de dE, sua curva de procura (obtida, subtraindo 400 unidades da curva de procura do mercado total) e também estará no ponto E. Desse modo, cada empresa continuará a vender 400 unidades ao preço de 4$ e terá RT e lucros totais de l 600$. A produção de 400 unidades por parte de cada empresa representa 1/3 da produção perfeitamente competitiva de 1 200 (dada pela condição P = CMg = 0). Se, na determinação de seu nível óptimo de produção, cada empresa presumir que a outra mantém seu preço (e não sua produção) constante, teremos o modelo de Bertrand (ver exemplo à frente). 6.4.2. O MODELO DE EDGEWORTH No modelo de Edgevorth, assim como no modelo de Cournot, presumimos que EXISTEM duas empresas, A e B, vendendo uma mercadoria homogénea produzida ao custo zero. Além disso, no modelo de Edgeworth, são feitas outras suposições relacionadas a seguir: (1) cada empresa enfrenta uma curva de procura linear, idêntica para seu produto; (2) cada empresa tem capacidade de produção limitada e não pode abastecer todo o mercado sozinha; (3) cada empresa, na tentativa de maximizar sua RT ou lucro total, presume que a outra empresa mantenha seu preço constante. O resultado desses pressupostos é que haverá uma oscilação contínua do preço do produto entre o preço de monopólio e o preço de produção máxima de cada empresa Às vezes, observam-se oscilações de preço nos mercados oligopolístícos. 6.4.3. O MODELO DE CHAMBERLIN Tanto o modelo de Cournot como o de Edgeworth se baseiam no pressuposto extremamente ingénuo de que os dois oligopolistas (duopolistas) nunca reconhecem sua interdependência. Não obstante, estudamos estes modelos porque eles nos dão alguma indicação da natureza da interdependência oligopolística e também porque eles são precursores de modelos mais realistas. Um desses modelos mais realistas é o de Charnberlin. Chamberlin parte dos mesmos pressupostos básicos de Cournot. Contudo, Chamberlin ainda presume que os duopolistas reconhecem sua interdependência. O resultado é que, sem qualquer forma de acordo ou conluio, os duopolistas estabelecem preços idênticos, vendem quantidades idênticas e maximizam seus lucros conjuntos. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 92 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Exemplo: na figura acima, D é a curva de procura do mercado total para a produção combinada dos duopolistas A e B. Se a empresa A for a primeira a entrar no mercado, ela escolherá o ponto A sobre D (= dA), tendo assim o lucro de monopólio de 3 600$. A empresa B, tomando a produção da empresa A conforme dada, está diante da curva de demanda dB e, assim, decide vender 300 unidades no ponto B. (Até aqui o modelo de Chamberlin é idêntico ao de Cournot.) Todavia, os duopolistas A e B compreendem agora que o melhor que podem fazer é partilhar igualmente os lucros do monopólio de $3 600. Desse modo, cada duopolista vende 300 unidades ou metade da produção do monopólio ao preço de 6$ e obtém um lucro de 1 800$.Deve-se notar que esta solução é estável, é alcançada sem conluio e resulta em 200$ de lucros para cada empresa a mais do que na solução de Cournot 6.4.4. TEORIA DE JOGOS A teoria de jogos é uma ferramenta essencial para analisar os comportamentos estratégicos dos jogos oligopolisticos. Tal como nas outras estruturas de mercado o pressuposto das empresas continua a ser a maximização dos seus benefícios. Termos básicos utilizados na teoria de jogos: • Jogador: empresa, a qual se pretende analisar o comportamento estratégico. • Payoff: beneficio da empresa a escolher uma estratégia, dada a estratégia escolhida pelo(s) outros(s) intervenientes no jogo. • Estratégia: acção que a empresa ou jogador pode optar como uma das possíveis no jogo. • Matriz de payoff: forma de representar a informação dos diferentes payoffs. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 93 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA MATRIZ DE PAYOFF para um jogo de duas estratégias com dois jogadores. Jogador 2 Jogador 1 S1 S1 S2 10,20 S2 O jogador 1 pode optar pelas estratégias S1 ou S2, o Jogador 2 também tem as mesmas opções. Neste caso as estratégias de ambos jogadores são idênticas, contudo os jogadores podem optar por estratégias diferentes. Se ambos os jogadores optarem pela estratégia S1, recebem um payoff de 10 (jogador 1) e 20 (jogador2). REGRAS DO JOGO • É um jogo de informação completa, os jogadores conhecem as estratégias possíveis e respectivos payoffs. • Os jogadores escolhem as estratégias simultaneamente. Caso as escolhas sejam efectuadas em momentos diferentes, temos que representar o jogo através de uma árvore de decisões. • Normalmente as jogadas são simultâneas e únicas. Caso os jogadores possam fazer mais do que uma jogada temos um jogo de repetição. • No nosso estudo, utilizaremos a teoria de jogos para analisar o comportamento de empresas oligopolistas. O seu objectivo último é a maximização do seu benefício. • Os nosso modelos são de duopolio, jogos com apenas duas empresas. A introdução desta condicionante permite uma análise mais simplista e real dos comportamentos num mercado oligopolista. O JOGO DA ÁRVORE Aplica-se no caso da decisão estratégica não ser tomada em simultâneo. Num jogo entre duas empresas, a empresa 1 pode tomar a sua decisão em 1º lugar, e só então a empresa 2 reage a jogada do seu adversário. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 94 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA È representado da seguinte forma: Fazer publicidade E2 Não fazer publicidade E1 6,4 Fazer publicidade Não fazer publicidade Fazer publicidade E2 Não fazer publicidade 8,2 3,9 7,7 Neste jogo a empresa 1 pode optar por fazer publicidade ou não fazer publicidade (o nódulo mais escuro é referente ao posicionamento estratégica da empresa 1). Após e só após da decisão da empresa 1 a empresa 2 escolhe a sua estratégia. Se por exemplo a empresa 1 optar por fazer publicidade, a empresa 2 optará por faze-la também visto, obter um payoff melhor nesta situação (4). Não nos vamos debruçar sobre este tipo de jogo. CONCEITO DE ESTRATÉGIA DOMINANTE: é a melhor estratégia possível para um jogador independentemente da escolha do outro. Empresa 1 JOGO 1. Empresa 2 Baixar o Aum.Preço Preço Aum. Preço 10,10 Baixar Preço 12,6 6,12 Matriz de payoff, com 2 jogadores e com duas estratégias possíveis e idênticas para ambos os jogadores: • 7,7 • Aumentar o preço Baixar o preço Sabemos que o motiva cada um dos jogadores é a obtenção do melhor payoff possível. O resultado obtido depende da opção de cada um. Vejamos: • Se a E2 (empresa 2) optar por aumentar o seu preço, a melhor escolha possível para E1 será baixar o seu preço, pois obtém um payoff de 12 > 10. • Se E2 optar por baixar o seu preço, a E1 optará também por baixar o seu preço, uma vez que 7>6. Não obstante a escolha da empresa 2, a empresa 1 escolherá sempre baixar o seu preço, pois o beneficio obtido com esta escolha estratégica é sempre superior. BAIXAR O PREÇO É A ESTRATÉGIA DOMINANTE DA EMPRESA 1. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 95 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Vejamos agora como se comporta a empresa 2: • Se E1 opta por aumentar o seu preço, E2 optará por baixar o seu preço uma vez que assim conseguirá um payoff de 12, superior ao que conseguiria se opta-se por aumentar o seu preço – 10. • Se E1 opta por baixar o seu preço (estratégia dominante da empresa 1) a empresa 2 optará também por baixar o seu preço, pois assim fixará o seu payoff com 7, superior a 6. A EMPRESA 2 POSSUÍ TAMBÉM UMA ESTRATÉGIA DOMINANTE. NESTE CASO IDENTICA À DA EMPRESA 1 – BAIXAR O PREÇO. Uma vez que ambas as empresas tem uma estratégia dominante, o comportamento de ambas seria provavelmente o de optarem por baixar o preço, obtendo um payoff de 7 para cada uma. Podemos constar que existem uma alternativa melhor para ambas as empresas: ambas aumentaram o seu preço (10,10). Contudo sabemos que este é um jogo de decisão única, não existindo nenhum incentivo para cada empresa optar pela referida estratégia, como veremos mais adiante. Empresa 1 JOGO 2. Empresa 2 Aum.Preço Baixar o Preço Aum. Preço 9,15 4,9 Baixar Preço 14,9 8,11 A matriz acima, representa um novo jogo, similar ao visto anteriormente, mas com payoff diferentes. Vejamos se alguma empresa possuiu uma estratégia dominante: Opção da emp.2 Opção da Emp.1 Aum.preço Baixar o preço Baixar preço Baixar o preço A empresa 1 possuiu uma estratégia dominante: BAIXAR O PREÇO Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 96 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Opção da emp.1 Opção da Emp.2 Aum.preço Aum. o preço Baixar preço Baixar o preço A empresa 2 NÃO TEM ESTRATÉGIA DOMINANTE. Num jogo de decisão simultânea e única a empresa 1 iria optar pela sua estratégia dominante: Baixar o preço. A empresa 2, que conhece esta decisão (a informação é completa) iria fazer a sua opção baseada na estratégia dominante da empresa 1, ou seja, sabendo que E1 iria baixar o seu preço, escolheria aumentar o seu, fixando o seu payoff em 11. DILEMAS. Dilemas são jogos em que ambos os jogadores ficariam em melhor situação se abandonassem a sua estratégia dominante e optassem por uma estratégia mais cooperativa. Dilema do prisioneiro: JOGO 3. Manuel Maria Confessar Não Confessar Confessar 9;15 4;9 Não Confessar 14;9 8;11 Esta matriz é resultado de um problema clássico: O dilema do prisioneiro. Imaginemos que a Dra. Maria e o Dr. Manuel, altos responsáveis da EXPO 98 foram detidos por suspeita de falsificação de notas de 10.000 esc. O Chefe Arnaldo, responsável da Judiciária, sabia que tinham sido estes os responsáveis pela falsificação, contudo apenas tinha provas para uma sentença de 6 meses. Tendo consciência do estado da investigação decide chamar os dois suspeitos, coloca-os em salas separadas e a ambos faz-lhes a seguinte proposta: Detective: Senhor(a) faço-lhe a seguinte proposta: Dado que se aproxima o vigésimo quinto aniversário do 25 de Abril se confessar o crime e o seu colega não, terá a pena suspensa e o seu colega apanhará 25 anos de prisão. Se confessar o crime e o seu colega também apanharão apenas 1 ano de pena. Se nenhum de vocês confessarem, e em virtude do reduzido n.º de provas que tenho contra vocês apanharão uma pena de 6 meses de cadeia. Vamos tentar analisar a decisão a tomar pela Dra. Maria e pelo Dr. Manuel: Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 97 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Confessar é estratégia dominante para ambos os suspeitos, logo o resultado provável seria ambos confessarem o crime e obterem uma pena de um ano de prisão. Contudo eles sabem que se não confessarem podem apanhar apenas 6 meses de cadeia, sendo este o melhor alternativa possível para ambos os jogadores. Sabemos que a informação é completa, e que ambos os jogadores tem perfeito conhecimento do resultado das suas decisões. Supondo mesmo que lhes é dada autorização para discutirem o caso conjuntamente é de esperar que a sua decisão se mantenha e ambos confessem. Eles sabem que a sua decisão tem que ser simultânea e única, facto pelo qual não deverão chegar ao acordo para ambos não confessarem. Existe uma tendência para se desviarem ao acordo, por exemplo o Dr.Manuel pode perfeitamente chegar ao momento da sua decisão e confessar, ficando assim em liberdade e impondo uma pena de 25 anos à sua colega Dra. Maria. Está por sua vez tem perfeito conhecimento que isto pode acontecer, assumindo portanto a decisão menos penalizadora para ela dada as circunstancias. AMBOS CONFESSARIAM. Este exemplo é utilizado porque retracta na perfeição a noção do dilema, bem como as alternativas e comportamentos possíveis. O JOGO 1, retracta também uma situação de dilema, situação que passaremos a denominar de “Dilema Oligopolistico”. A empresa 1 e 2 sabem que se ambas optarem por um comportamento cooperativo e escolherem o aumento dos seus preços como estratégia dominante estarão a obter payoff superiores (10,10), e como tal a melhorarem consideravelmente a sua situação. Num jogo único como o que estamos a retractar é quase impossível que ambas optem por coludirem a sua decisão, uma vez que uma fuga ao acordado poderia provocar uma considerável perda de payoff. Empresa 1 JOGO 1. Empresa 2 Baixar o Aum.Preço Preço Aum. Preço Baixar Preço 10,10 12,6 6,12 Em caso de acordo de ambas optarem por aumentar os seus preços, as setas indicam as possíveis fugas ao acordado: • 7,7 Num jogo de jogada única é quase impossível a existência de comportamentos cooperativos. O dilema manter-se-á • A empresa 2 poderia baixar o seu preço e ganhar um payoff de 12, deixando a empresa 2 com 6. A empresa 2 teria a “tentação” de aumentar o seu payoff optando assim ESTRATÉGIAS DOMINADAS Nem sempre existe uma estratégia dominante para um ou ambos os jogadores. Se tal acontecer, pelo menos podemos verificar se os jogadores tem estratégias dominadas. A estratégia dominada é Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 98 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA precisamente o oposto da dominante, ou seja, existe sempre uma estratégia melhor como opção. Normalmente este conceito é utilizado quando os jogadores podem optar entre três ou mais estratégias, não existindo uma estratégia dominante que evidencie um comportamento claro a tomar. Analisemos o jogo abaixo representado: JOGO 4. Empresa 1 Aum.Preço Empresa 2 Manter Preço Baixar Preço Aum. Preço 3,4 6,3 5,5 Manter Preço 4,7 12,6 4,5 Baixar Preço 9,8 8,4 7,5 Podemos verificar que nenhuma das empresas possuí uma estratégia dominante: Se a Emp.2 opta Emp.1 opta Aum.Preço Baixar o preço Manter o preço Manter o preço Baixar o preço Baixar o preço A empresa 1 não tem estratégia dominante, mas como podemos verificar existe uma estratégia que nunca é considerada como alternativa para a sua decisão; está estratégia é a de aumentar o preço, sendo portanto uma estratégia DOMINADA para a empresa 1. Se a Emp.1 opta Emp.2 opta Aum.Preço Baixar o preço Manter o preço Aum.preço Baixar o preço Aum. Preço A empresa 2 não também não possuí uma estratégia dominante, mas possuí uma estratégia DOMINADA – Manter o preço. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 99 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Se eliminarmos estas estratégias da nossa matriz de payoffs Empresa 1 Aum.Preço 3,4 Aum. Preço Empresa 2 Manter Preço Baixar Preço 6,3 5,5 Manter Preço 4,7 12,6 4,5 Baixar Preço 9,8 8,4 7,5 Passaremos a ter uma nova matriz de payoff, em que cada empresa apenas terá duas opções Empresa 1 estratégicas, já que eliminamos aquela que nunca seria utilizada. Empresa 2 Aum.Preço Baixar o Preço Manter Preço 4,7 4,5 Baixar Preço 9,8 7,5 Podemos agora verificar que dadas as “novas alternativas” estratégicas de ambas empresas, existem estratégias dominantes: A estratégia dominante da empresa 1 é BAIXAR O PREÇO; A estratégia dominante da empresa 2 é MANTER O PREÇO. Num jogo simultâneo e de jogada única o resultado seria a escolha das empresas pela sua estratégia dominante, resultando num payoff de 9 para E1 e 8 para E2. EQUILIBRIO DE NASH. Em variadas situações podemos nos deparar com a inexistência de estratégias dominantes ou dominadas. A solução deste problema é-nos dada pelo equilíbrio de Nash. O equilíbrio7 de Nash existe sempre que um jogador toma a melhor decisão que pode, dada a acção empreendida pelo Notem que equilíbrio significa que ninguém quer alterar o seu comportamento, desde que nada se altere. Por exemplo, no equilíbrio entre a oferta e a procura, os consumidores e vendedores estão a adquirir e a vender quantidades desejadas a um certo nível de preços. Ninguém deseja ver esta situação alterada, desde que os restantes factores que a afectam permaneçam constantes. É claro que se o a procura de mercado for afectada por exemplo por um aumento do rendimento, este equilíbrio terá que se deslocar e ajustar. 7 Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 100 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA outro jogador. O resultado do equilíbrio será uma situação de payoff em que nenhum dos jogadores desejará alterar a sua posição, correndo o risco de perder benefício. JOGO 5. Empresa 1 Empresa 2 Aum.Preço Baixar Preço Aum. Preço 4,4 6,8 Baixar Preço 7,6 3,2 o As setas de deslocação podem ser uma ajuda na identificação do(s) equilíbrio(s) de Nash Estamos perante a ausência de estratégias dominantes e dominadas. Vamos tentar identificar o equilíbrio de Nash: Se a empresa 1 escolhe Aum.Preço, a empresa 2 escolherá baixa-lo. Desta escolha estratégica resulta um payoff de 6 e 8 respectivamente. Fixando está escolha vamos determinar se alguma empresa tem algum incentivo em optar por outra estratégia. Se a empresa 1 optar por baixar o seu preço ela vai ter uma redução de 3 no seu payoff, já que passa de 6 para 3, logo não terá qualquer incentivo em fugir da decisão tomada. O mesmo acontece com a empresa 2, já que se aumenta o preço, irá ver o seu payoff reduzido de 8 para 4. ESTA ESCOLHA ESTRATÉGICA É UM EQUILIBRIO DE NASH. Contudo temos também outra solução que aponta para um equilíbrio de NASH – a empresa 1 baixar o seu preço a empresa 2 aumentar o seu. Está escolha resulta num payoff de 7,6. È bastante frequente a existência de mais do que um equilíbrio de nash no mesmo jogo. Uma vez que não aprofundaremos mais está área de estudo, iremos pressupor que o melhor equilíbrio é aquele cujo somatório dos payoffs seja mais elevado. Exercício: Identifique o equilíbrio de Nash do jogo abaixo representado: JOGO 6. Empresa 1 Empresa 2 Aum.Preço Baixar Preço Aum. Preço 11,9 1,2 Baixar Preço 4,2 3,4 o Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 101 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA JOGOS COM REPETIÇÃO Temos vistos que em decisões únicas será racionalmente impossível que em situação de dilema oligopolistico os intervenientes optem por uma decisão cooperativa, que lhes permite obter um resultado melhor, do que aquele que advém da escolha das suas estratégias dominantes. Num jogo de repetição, em que existe mais do que uma jogada, já será possível que as empresas optem por uma decisão cooperativa contrária a(s) sua(s) estratégia(s) dominante(s). O comportamento cooperativo implica a colusão, ou seja, um acordo explicito entre duas ou mais partes, com vista a fixarem as estratégias a serem seguidas por cada empresa. Este tipo de acordo é ilegal, contudo ocorrem com mais frequência do que a imaginada. Empresa 1 JOGO 7. Empresa 2 Aum.Preço Baixar o Preço Aum. Preço 14,16 4,30 Baixar Preço 19,5 7,9 Neste jogo podemos verificar que se ambas as empresas optam-se pela sua estratégia dominante, a E1 receberia um payoff de 7 e a E2 de 9. Optando por uma estratégia de colusão, o resultado possível jogo seria ambas aumentarem o preço, elevando os seus payoff para 14 e 16, respectivamente. Mais uma vez é de frisar que ambas correm o risco de uma das partes fugir ao acordo e obter ganhos consideravelmente mais elevados. Contudo num sistema de jogadas repetidas o incentivo a fazer batota é diminuto uma vez que o jogador “rival” automaticamente responderia à nova decisão do jogador batoteiro. Por exemplo: 1. As empresas têm conhecimento que se optarem pela sua estratégia dominante (baixar o preço para ambas) os seus payoffs seria de 7 para E1 e 9 para E2. Decidem assim optar pela colusão e assumem a decisão conjunta de subida dos preços, passando para um nível de payoff superior. A E1 ganharia 14 (mais 5) e a E2 16 (mais 7). 2. A empresa 2, tentada pelo payoff que irá obter se baixar o preço decide quebrar o acordo e assim conseguir um lucro de 30, deixando a E1 com uma redução de 10 no seu payoff. 3. A empresa 1, constatando a quebra do compromisso, abaixa também o seu preço, levando o equilíbrio para o nível decorrente das suas estratégias dominante. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 102 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA Notem: Outra possibilidade de colusão seria a empresa 2 propor a empresa 1 que esta opta-se por aumentar o seu preço, enquanto ela (E2) aumentava o seu. O somatório dos payoffs para esta decisão seria igual a 34, valor que seria repartido pelas duas empresas 17. Factores que possibilitam a colusão e a sua manutenção: 1. Poucas empresas: quanto mais baixo for o número de partes envolvidas mais fácil é chegar a um consenso, e mais fácil é mante-lo. 2. Aspectos legais e leis Anti-trust: desvios a acordos “ilegais” implicam maior atenção por parte das entidades fiscalizados e reguladoras. 3. Custos de produção similares: sempre que existam não haverá tendência a desvios. É claro que se os custos de produção de uma das empresas forem muito baixos ela facilmente pode baixar o preço e assim ganhar quota de mercado. 4. Quotas de mercado similares: reduz o factor concorrência. Ninguém precisa de apanhar ninguém. 5. Estabilidade económica: recessões atingem directamente os lucros das empresas via RT. Existe uma tendência para a redução dos preços. Espera conseguir um aumento das receitas via aumento do volume de vendas. 6. Facilidade de observar as “batotas”: é claro que este factor depende do tipo de industria e do caminho que os produtos/serviços levam até chegar ao consumidor final. 7. Aspecto histórico da similaridade dos preços. Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 103
0
You can add this document to your study collection(s)
Sign in Available only to authorized usersYou can add this document to your saved list
Sign in Available only to authorized users(For complaints, use another form )