Contabilidade Gerencial Texto e Exercícios PROFESSOR Claudio Sameiro Rio de Janeiro 2009.1 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 1 Claudio da Silva Sameiro Contabilidade Gerencial Texto e Exercícios 1ª Edição RIO DE JANEIRO 2009.1 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 2 © 2006 by Claudio da Silva Sameiro Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito do autor. Lei nº 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. Editor: Claudio da Silva Sameiro Praça Saiqui 40, Sala 505 - Vila Valqueire Cep 21330-270 Rio de Janeiro – RJ Tel. 8859-6773 claudio@claudiosameiro.com www.claudiosameiro.com Dados Internacionais de Catalogação Sameiro, Claudio da Silva Contabilidade gerencial / Claudio da Silva Sameiro - Rio de Janeiro, 2006. 77p. 1.Contabilidade gerencial 2. Contabilidade de custos I.Título Índice para catálogo sistemático 1. Contabilidade gerencial - 2009.1 1ª Impressão Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 3 SUMÁRIO Introdução...........................................................................................................................8 ● Objetivos da disciplina Contabilidade Gerencial ●..................................................................8 ● Referências para Estudo ●..............................................................................................8 ● O Caminho das Pedras ●.................................................................................................9 ● Considerações sobre esta apostila ●...................................................................................9 CAPÍTULO 1........................................................................................................................10 A Contabilidade de Custos.......................................................................................................10 ● A Contabilidade Gerencial, a Financeira e a de Custos ●.........................................................10 Origem da Contabilidade de Custos.................................................................................10 Empresa Industrial.....................................................................................................11 A Contabilidade Financeira, a de Custos e a Gerencial..........................................................11 CAPÍTULO 2........................................................................................................................13 Terminologias de Custos.........................................................................................................13 ● Terminologia Básica ●..................................................................................................13 Gasto....................................................................................................................13 Investimento...........................................................................................................13 Custo de Produção.....................................................................................................13 Despesa ou Custo de Gestão.........................................................................................14 Desembolso.............................................................................................................14 Perda....................................................................................................................14 Preço....................................................................................................................14 Sucatas..................................................................................................................14 ● Exercícios Propostos ●.................................................................................................14 CAPÍTULO 3........................................................................................................................16 Classificação dos Custos de Produção e Despesas............................................................................16 ● Separação entre Custos de Produção e Despesas ●................................................................16 Separação entre custos de produção e despesas.................................................................16 Fronteira entre os custos de produção e as despesas............................................................16 ● Classificação dos Custos de Produção ●.............................................................................16 Quanto a forma de alocação dos custos nos Produtos...........................................................16 Custos Diretos..........................................................................................................16 Custos Indiretos........................................................................................................17 Quanto a influência da oscilação dos volumes produzidos......................................................17 Custos Variáveis........................................................................................................17 Custos Fixos............................................................................................................18 ● Classificação das Despesas ●..........................................................................................19 Quanto à oscilação das vendas......................................................................................19 Despesas Fixas.........................................................................................................19 Despesas Variáveis.....................................................................................................19 ● Elementos dos Custos de Produção ●................................................................................19 ● Materiais Diretos – MD ●...............................................................................................20 Segregação dos materiais diretos...................................................................................20 Matérias-primas........................................................................................................20 Materiais Secundários.................................................................................................20 Materiais de Embalagens.............................................................................................20 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 4 ● Mão-de-obra direta – MOD ●...........................................................................................20 Diferença entre mão-de-obra direta e indireta...................................................................21 ● Custos indiretos de fabricação – CIF ou Gastos gerais – GGF ●...................................................21 Gastos Gerais de Fabricação.........................................................................................21 ● Outras Nomenclaturas de Custos ●...................................................................................21 Custos Primários.......................................................................................................21 Custos de Transformação.............................................................................................21 ● Exercícios ●..............................................................................................................21 CAPÍTULO 4........................................................................................................................24 Contabilização dos Custos.......................................................................................................24 ● Custeio por Absorção ●.................................................................................................24 ● Etapas da alocação dos custos nos produtos ●.....................................................................24 Passo 1: Segregação dos custos e despesas. ......................................................................25 Passo 2: Apropriação dos custos diretos aos produtos...........................................................26 Passo 3: Apropriação dos custos indiretos aos produtos.........................................................26 ● Exercícios ●..............................................................................................................27 CAPÍTULO 5........................................................................................................................30 Contabilização dos Custos.......................................................................................................30 ● Departamentalização ●................................................................................................30 ● Departamentalização dos custos indiretos ●........................................................................30 Departamento..........................................................................................................30 Departamentos Produtivos...........................................................................................30 Departamentos de Serviços..........................................................................................30 Centros de Custos.....................................................................................................30 ● Etapas do custeio por absorção com departamentalização ●....................................................30 ● Esquema de Contabilização de Custos ●.............................................................................31 ● Exercícios ●..............................................................................................................33 CAPÍTULO 6........................................................................................................................38 Custeio Baseado em Atividades – ABC..........................................................................................38 ● Custeio Baseado em Atividades – ABC ●.............................................................................38 ● Etapas do custeio baseado em atividades ●........................................................................38 CAPÍTULO 7........................................................................................................................40 Demonstração de Resultados na Indústria ....................................................................................40 Custos de Produção...................................................................................................40 Custo de Produção do Período.......................................................................................40 Custo da Produção Acabada..........................................................................................40 Custo dos Produtos Vendidos........................................................................................40 ● Demonstração de Resultados numa Indústria ●....................................................................40 ● Exercícios ●..............................................................................................................41 CAPÍTULO 8........................................................................................................................42 Outros Conceitos de Custos......................................................................................................42 Custo de Oportunidade...............................................................................................42 Custos Fixos Discricionários ou Custos Programados.............................................................43 Custos Fixos Comprometidos.........................................................................................43 Custos Evitáveis e Inevitáveis........................................................................................43 CAPÍTULO 9........................................................................................................................44 Custeio Variável ou Direto.......................................................................................................44 ● Custeio Variável ●......................................................................................................44 ● Margem de Contribuição ●.............................................................................................45 Vantagens e desvantagens do uso do Custeio Variável...........................................................45 ● Decisões envolvendo custeio variável ●.............................................................................46 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 5 Considerações sobre os Custos Fixos................................................................................46 Fixação do preço de venda...........................................................................................46 Comprar ou Fabricar ?................................................................................................47 ● Exercícios ●..............................................................................................................49 ● Demonstração do Resultado pela Abordagem da Contribuição ●................................................50 ● Exercícios ●..............................................................................................................52 ● Limitação da capacidade instalada ●................................................................................54 ● Exercícios ●..............................................................................................................56 CAPÍTULO 10.......................................................................................................................57 Relação Custo-Volume-Lucro....................................................................................................57 ● Análise da relação custo-volume-lucro ●............................................................................57 Ponto de Equilíbrio....................................................................................................57 Ponto de Equilíbrio Contábil.........................................................................................58 Ponto de Equilíbrio Econômico......................................................................................58 Ponto de Equilíbrio Financeiro.......................................................................................58 Pressupostos da Análise de Custo-Volume-Lucro..................................................................58 Quadro dos efeitos das variações sobre o ponto de equilíbrio..................................................59 Gráfico Volume - Lucro...............................................................................................59 ● Exercícios ●..............................................................................................................59 ● Ponto de Equilíbrio de um Mix de Produtos ●......................................................................60 ● Receita de Equilíbrio ●.................................................................................................61 ● Margem de Segurança ●................................................................................................62 ● Grau de Alavancagem Operacional ●................................................................................62 ● Exercícios ●..............................................................................................................64 CAPÍTULO 11.......................................................................................................................64 Produção por Ordem e Contínua...............................................................................................64 ● Custeio por Ordem e por Processo ou Contínuo ●..................................................................64 ● Diferenças no tratamento contábil ●................................................................................65 Custeio por Ordem....................................................................................................65 Custeio por Processo..................................................................................................65 ● Encomendas de longo prazo de produção ●.........................................................................65 ● Exercícios ●..............................................................................................................65 ● Produção Contínua – Equivalência de Produção ●..................................................................66 ● Exercícios ●..............................................................................................................67 CAPÍTULO 12.......................................................................................................................68 Custo-Padrão.......................................................................................................................68 Conceito................................................................................................................68 ● Análise das Variações do Custo-Padrão X Custo Real ●............................................................68 ● Análise das Variações do Material Direto ●.........................................................................69 Análise da Variação da Quantidade.................................................................................69 Análise da Variação de Preço........................................................................................69 Análise da Variação Mista............................................................................................70 Prováveis causas das variações de MD..............................................................................70 ● Exercícios ●..............................................................................................................70 ● Análise das Variações da MOD ●.....................................................................................71 Variação de Eficiência................................................................................................72 Variação de Taxa......................................................................................................72 Variação Mista..........................................................................................................72 Prováveis causas das variações da MOD............................................................................73 ● Exercícios ●..............................................................................................................73 ● Análise das Variações do CIF ●........................................................................................74 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 6 Variação de Volume...................................................................................................75 Principais causas da variação do CIF................................................................................75 Variação de Custo.....................................................................................................75 Principais causas da variação do CIF................................................................................75 ● Exercícios ●..............................................................................................................76 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 7 Introdução ● Objetivos da disciplina Contabilidade Gerencial ● Ao final do curso desta disciplina, o aluno deve estar apto a: ✔ Aplicar a Contabilidade de Custos como importante ferramenta gerencial. ✔ Aplicar o Custo como instrumento de planejamento e controle, através do estabelecimento de padrões e análise de variações observadas. ✔ Criticar a implantação de sistemas de custeio. ✔ Utilizar a Contabilidade Gerencial como ferramenta para a tomada de decisões. ● Referências para Estudo ● MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2000. HORNGREN, Charles T.; Datar, Srikant M.; Foster, George. Contabilidade de Custos. Pearson-Prentice Hall, São Paulo. Volume 1 e 2, 11ª Edição. OLIVEIRA, Luis Martins; PERES Jr, José Hernandez. Contabilidade de Custos para Não-contadores. São Paulo, Atlas, 2005. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Gerencial. São Paulo, Atlas, 1998. ASSEF, Roberto. Manual de Gerenciamento de Preços: do Valores Percebido pelo Consumidor aos lucros da Empresa. Rio de Janeiro, Campus, 2002. CRC-SP. Curso de Contabilidade Gerencial. São Paulo, Atlas, 1997. MEGLIORINI, Evandir. Custos. Makron Books, São Paulo, 2002. HORNGREN, Charles T. Introdução a Contabilidade Gerencial. LTC, Rio de Janeiro, 5ª edição. Material Instrucional: apostilas, transparências, listas de exercícios, seus apontamentos de sala de aula, etc. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 8 ● O Caminho das Pedras ● Para que o aluno tenha um máximo de aproveitamento do curso, aconselha-se: ✔ Fazer a leitura prévia da matéria que será tratada na aula seguinte; ✔ Estudar pelo menos meia hora por dia. Não deixe para estudar em cima do dia da prova, isso não funciona; ✔ Fazer todos os exercícios propostos em sala de aula e em casa; ✔ Fazer leitura da bibliografia indicada; ✔ Não faltar às aulas. Além de você perder “o fio da meada”, as faltas excessivas reprovam; ✔ Assistir as aulas com a máxima atenção; ✔ Não leve dúvida para casa, pergunte sempre. O dia de se tirar dúvidas não é o da prova; ✔ Habitue-se a estudar em grupo, um aluno pode ajudar o outro; ✔ Comunique-se durante a semana com o professor por e-mail. Responderei os e-mail sempre que for possível; ✔ Dedique-se para tirar a melhor nota possível na primeira avaliação. Se você deixar para tirar aquele “Dez” na segunda avaliação, ainda que tenha estudado muito, o seu sistema emocional irá te atrapalhar. ● Considerações sobre esta apostila ● Antes de utilizar esta apostila, você deve considerar que: ✔ Esta apostila tem a finalidade apenas de orientar o estudo, ela não esgota o assunto desta disciplina; ✔ Você deve ler a bibliografia indicada no programa do curso; ✔ Algumas explicações de sala de aula não estão contidas nesta apostila, portanto, anote tudo o que for dito e escrito no quadro; ✔ Crie o hábito de fazer pesquisas paralelas em outras fontes: livros, revistas especializadas, jornais, etc. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 9 CAPÍTULO 1 A Contabilidade de Custos ● A Contabilidade Gerencial, a Financeira e a de Custos ● Origem da Contabilidade de Custos Até a Revolução Industrial1, iniciada na segunda metade do século XVIII, a Contabilidade atendia basicamente às empresas comerciais. A Contabilidade Geral, ramo da Contabilidade desenvolvido na Era Mercantilista, atendia com certa eficiência aos questionamentos da gestão comercial da época: Qual o resultado das vendas em um determinado período? Para fornecer a resposta desta indagação aos comerciantes da época, era fundamental levantar o custo das mercadorias vendidas em determinado período. Esta tarefa era bastante simples, tendo-se que aplicar a fórmula do CMV, com base no inventário periódico. CMV = EI + Compras - EF Com a criação e desenvolvimento da Industrialização, torna-se mais complexo responder àquela pergunta: Qual o resultado das vendas em um determinado período? Neste momento, a tarefa do contabilista não se baseia nos controles de aquisição e de venda destas mercadorias, mas na produção dos bens destinados à venda. Agora, o contabilista não se depara com a simples aquisição de uma mercadoria pronta, mas com as várias aquisições dos insumos utilizados na fabricação destes bens comercializados. Re volu ção Indu strial S é c. XVIII ARTESÃOS COM ÉRCIO CONSUM IDOR INDÚSTRIAS COM ÉRCIO CONSUM IDOR Diante destes novos questionamentos, a Contabilidade teve que se adaptar aos novos rumos 1 A Revolução Industrial representa o conjunto de transformações econômicas, sociais e tecnológicas que se iniciou na Inglaterra no século XVIII espalhando-se pelo mundo. A Revolução Industrial alavancou o desenvolvimento do Capitalismo, dando origem a indústria e a produção em série. Antes da Revolução Industrial, os comerciantes dominavam a produção manufatureira controlando a produção de vários artesãos. Estes artesãos trabalhavam por encomenda dos comerciantes que lhes davam a matéria-prima e as ferramentas. Como pagamento os artesãos recebiam um salário. A partir da metade do século XVIII, alguns comerciantes perceberam que havia uma vantagem em reunir os artesãos, a matériaprima e as ferramentas em um só local. Os fatores de produção, antes espalhados, agora davam início à indústria. A principal mudança ocorrida na produção foi o maior controle dos custos e da qualidade. Foi possível controlar a perda de matéria-prima e a velocidade do trabalhador. Com isso a margem de lucro e a participação de mercado aumentaram. Com o passar do tempo, os artesãos mais resistentes, se viram obrigados a aderir à nova forma de trabalho assalariado, por não poderem mais competir com a indústria. “A função do homem não é mais produzir, mas alimentar, vigiar, manter e reparar a máquina que tomou o seu lugar.” (Paul Singer, economista brasileiro. A formação da classe operária. SP, Atual, 3ªEd., 1986, p27.) Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 10 daquela economia baseada na produção de escala. Nasce a Contabilidade de Custos, que deveria ter a preocupação de determinar os custos de fabricação dos bens destinados a comercialização. Materiais Mão-de-Obra $ $ Gastos Gerais de Fabricação Qual é o lucro? Quanto Custou ? Vendas Produto Pronto $? $ Comércio Empresa Industrial Industria é a empresa que tem como atividade a venda de bens produzidos por ela, a partir da transformação de diversos insumos, e do beneficiamento, montagem e restauração de outros bens. Exemplos de indústrias: ✔ ✔ ✔ Transformação: A Suzano, fabricante do papel Report, transforma a celulose em folhas de papel; A SCJohnson, fabricante do Raid, utiliza diversos produtos químicos para a fabricação de inseticidas. A GlaxoSmithKline, fabricante do sal de fruta Eno, utiliza diversos produtos químicos para a fabricação de medicamentos. Montagem: A Fiat, fabricante de automóveis. A Philips, fabricantes de aparelhos eletrônicos como televisores. A Dell, fabricante de computadores. Montam as diversas peças e partes adquiridas das indústrias de transformação; Beneficiamento: A Parmalat, fabricante de leite, pasteuriza o leite adquirido de cooperativas de produtores. A Unilever, fabricante da Maisena, mói o amido de milho que compra de produtores. A Contabilidade Financeira, a de Custos e a Gerencial Há diferenças importantes entre a Contabilidade Financeira e a Gerencial, sobre tudo quanto às suas aplicações. A Contabilidade Financeira está mais preocupada com a demonstração dos resultados econômico-financeiros aos usuários externos, e na observância dos princípios contábeis geralmente aceitos – PCGA.2 No entanto, a Contabilidade Gerencial está voltada, internamente, para a obtenção de informações contábeis capazes de facilitar a tomada de decisão gerencial, não estando presa aos PCGA. Estas informações não são necessariamente somente financeiras, como ocorre com aquela, mas podem ser também de ordem quantitativa e qualitativa. Além do mais, a Contabilidade Gerencial está mais preocupada com o futuro (previsão e planejamento) do que com o passado (registro dos fatos ocorridos). Não devemos aqui desmerecer a Contabilidade Financeira, pois sem ela a Contabilidade Gerencial, não terá os parâmetros da realidade para o planejamento e controle. A Contabilidade de Custos também possui relevância no âmbito gerencial, pois fornece elementos importantes e necessários para a decisão gerencial, sobre tudo quanto à produção de estoques, formação dos preços de venda, e o estabelecimento de padrões orçamentários de custos. Com o desenvolvimento da Globalização, a competição nos mercados cresce cada vez mais, 2 No caso brasileiro, o Conselho Federal de Contabilidade tem se pronunciado quanto aos princípios contábeis a serem seguidos pelas entidades brasileiras, através de Normas Técnicas. Estas normas podem ser acessadas no site do conselho: www.cfc.org.br. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 11 tornando a Contabilidade de Custos a principal ferramenta do administrador, pois sabemos da atual importância dos custos na lucratividade dos negócios. No caso brasileiro, a necessidade de se ter um sistema de custeio eficiente tornou-se evidente após o advento do Plano Real, quando as empresas deixando de lucra no mercado financeiro, tiveram logo que se voltar para os custos internos do negócio, a fim de buscar lucratividade operacional com a venda de sua produção. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 12 CAPÍTULO 2 Terminologias de Custos ● Terminologia Básica ● Gasto Gasto é toda aquisição, compra, ou contratação de bens e serviços mediante promessa de pagamento, desembolso financeiro ou troca por outros bens e direitos. Os gastos realizados pela empresa possuem dois objetivos básicos: para investimento ou para consumo imediato. Gastos para investimento são aqueles cujos bens e serviços adquiridos não são imediatamente consumidos, mas o são ao longo de um período futuro. Definimos consumo imediato como aquele cujos bens e serviços são consumidos no ato da aquisição. Os bens e serviços, como veremos mais adiante, são consumidos com duas finalidades: o de fabricação de produtos e o de gestão dos negócios. Exemplos: A mão-de-obra contratada pelo supermercado Sendas para operar os caixas; ✔ Aquisição de mercadorias para revenda pela C&A Modas; ✔ A matéria-prima empregada na produção de medicamentos da Basf; ✔ Máquinas e equipamentos comprados pela Petrobras; ✔ Consumo de energia elétrica na produção de refrigeradores da Eletrolux; ✔ Aluguel das lojas das Casas Bahia. Investimento São aquisições de bens e serviços realizados pela empresa como investimentos em ativos cujos consumos se darão ao longo de períodos futuros. Estes bens ativados poderão ser consumidos na produção ou na gestão do negócio, como custo ou despesa. Exemplos: ✔ Farinha de trigo adquirida para formação de estoque de matéria-prima da Piraquê; ✔ Compra de móveis e utensílios para uso do departamento jurídico da Seguros Bradesco; ✔ Aquisição de escavadeira para uso em mineração pela Vale do Rio Doce. Custo de Produção É o consumo de bens e serviço na produção de novos bens destinados à comercialização; Este consumo pode se dar a partir de novas aquisições ou pelo simples uso de bens ora investidos no ativo, como é o caso de materiais estocados para posterior utilização pela produção. Exemplos: ✔ Peças requisitadas do estoque para consumo na linha de produção de fogões da Continental. ✔ Energia elétrica consumida pelo maquinário da Gerdau quando este é acionado; ✔ Salário do encarregado de produção da Sony Music; ✔ Manutenção das máquinas fabris da Plus Vita; Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 13 ✔ Depreciação da planta industrial da Vulcan Materiais Plásticos; Despesa ou Custo de Gestão São bens e serviços consumidos na gestão dos negócios da companhia. As despesas podem ser agrupadas em administrativas, de vendas e financeiras. Este consumo é necessário para a obtenção de receita, e pode se dar, também, pela utilização de bens antes ativados, como ocorre com os custos. Exemplos: ✔ Salários e encargos sociais com pessoal de vendas da Pimaco; ✔ Salários e encargos sociais com pessoal administrativo da White Martins; ✔ Conta de telefone, energia e água de pontos de vendas das lojas Renner; ✔ Depreciação de móveis e utensílios utilizados em escritórios da IBM. Desembolso É o efetivo pagamento de gastos mediante entrega de numerários. O desembolso pode ocorrer antes, durante ou após a realização dos gastos. ✔ Antecipado - quando a empresa, por exemplo, dá um sinal; ✔ À vista - quando o gasto é concomitante com o pagamento; ✔ Postecipado - quando a aquisição é a prazo. Perda Ocorre quando se verifica o consumo anormal e involuntário de bens e serviços durante o processo de produção ou na gestão dos negócios. A perda não deve ser considerada como custo ou despesa, pois não agrega valor ao produto e não gera receita. A sua contabilização é feita diretamente no resultado do exercício em que ocorreu o fato. Exemplos: ✔ Materiais deteriorados nos estoques devido à greve que paralisou a linha de produção; ✔ Produtos fabricados com defeitos; ✔ Sinistro de uma máquina fabril; Refugos e sobras de insumos utilizados na fabricação de bens, não são considerados perdas, pois são consumidos de forma previsível, fazendo parte do processo de produção. Exemplos: ✔ Aparas de filmes plásticos produzidos pela Vulcan, fabricante do Con-Tact; ✔ As cascas dos legumes utilizados na produção de conservas da Arisco. Preço É o valor contratado para aquisição de certo bem ou serviço. Para o vendedor este valor é chamado preço de venda, e para o comprador como preço ou custo de aquisição. Sucatas São bens imprestáveis para a empresa e que podem ser colocados à venda ou simplesmente descartados. A imprestabilidade destes bens pode ser decorrente de defeitos de fabricação, obsolescências tecnológicas, sobras e rejeitos de processos, danos e desgastes. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 14 ● Exercícios Propostos ● Questão 1: Assinale com um ‘X’ a classificação correta de cada evento como: gasto, custo, despesa, investimento, desembolso ou perda: Fato Gasto Custo Despesa Invest. Desemb. Perda 1 - Pagou a fatura do anúncio que colocou no jornal deste fim de semana. 2 - Colocou anúncio no jornal desta semana, mas só vai pagar no fim do mês. 3 - Comprou matéria-prima a prazo. 4 - Requisitou matéria-prima do almoxarifado para utilizar na produção. 5 - Apurou os cartões de ponto dos empregados da fábrica. 6 - Apurou os cartões de ponto do pessoal do escritório. 7 - Energia elétrica da fábrica consumida este mês. 8 - Parte da matéria-prima foi descartada como rejeito no processo de fabricação. 9 - Deterioração de matéria-prima em razão de greve dos operários. 10 - Obsolescência de parte dos estoques de materiais. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 15 CAPÍTULO 3 Classificação dos Custos de Produção e Despesas ● Separação entre Custos de Produção e Despesas ● Separação entre custos de produção e despesas A separação entre custos e despesas é bastante simples, bastando se compreender o processo de fabricação, identificando o seu início e término. Fronteira entre os custos de produção e as despesas Serão considerados como custos de produção todo consumo de bens e serviços durante a fabricação de certo produto, até que este esteja completamente acabado e pronto para ser vendido. Quando o produto torna-se acabado, este é armazenado no estoque de produtos acabados, onde deverá aguardar a venda. Todos os gastos consumidos na venda, logística e administração deverão ser tratados como despesas. CUSTOS DE PRODUÇÃ O DESPESA S Produtos A c abados V ENDA S ● Classificação dos Custos de Produção ● Quanto a forma de alocação dos custos nos Produtos Custos Diretos O custo é considerado direto quando sua alocação nos produtos for direta e precisa. A alocação é direta quando ocorre medição precisa das quantidades consumidas dos bens e serviços em determinado processo de fabricação. Quando a medição do consumo dos bens e serviços não for feita, os custos não serão considerados diretos, pois estes dependerão de artifícios matemáticos, estatísticos e mesmo subjetivos, para serem alocados nos produtos. Exemplos 1: ✔ Matérias-primas em geral: para garantir o padrão de qualidade dos produtos, as empresas realizam o controle de consumo; Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 16 ✔ ✔ ✔ Embalagens: geralmente são unitárias; Energia elétrica quando o consumo é controlado por medidores; Mão-de-obra dos operários das máquinas durante o período de fabricação quando há o controle das horas consumidas; Exemplos 2: Uma empresa para fabricar 1000 unidades do produto A, precisa consumir 100g de farinha de trigo por unidade de produto. Sabendo que 1Kg custa $2,00, quanto de farinha de trigo a empresa consumiu neste processo? Quantidade total consumida = 1000 unidades x 100g/ unidade = 100.000g ou 100Kg Como cada quilograma de farinha custa $2,00, temos: Consumo total de farinha de trigo = $2,00 x 100Kg = $200,00 Neste exemplo, a farinha de trigo é um custo direto porque a alocação de seu custo no produto A foi controlada de forma precisa. Custos Indiretos Os custos serão classificados como indiretos quando a alocação aos produtos ocorrer por meio de rateios e distribuições subjetivas. Exemplos: ✔ Aluguel das instalações fabris; ✔ Seguros dos equipamentos da fábrica; ✔ Depreciação das máquinas industriais; ✔ Energia elétrica consumida na produção quando não medida; Exemplos 2:Uma empresa para fabricar os produtos A, B e C, precisa alugar um galpão para sua linha de produção. Sabendo que o aluguel custa $21.000,00, quanto deverá ser alocado em cada produto? Considere o rateio em partes iguais. Rateio do aluguel = $21.000 / 3 = $7.000 por produto Cada produto irá receber $7.000 de aluguel. Quanto a influência da oscilação dos volumes produzidos Os custos podem ser classificados em fixos ou variáveis observando-se a relação destes com a oscilação da produção, vejamos: Custos Variáveis Os custo são considerados variáveis quando nota-se uma influência das variações de produção no consumo destes. Ou seja, quanto maior a fabricação de um produto maior será o consumo de custos variáveis. O inverso também se verifica, quando os níveis de produção caem, o consumo de custos variáveis também caem. A variação se dá no mesmo sentido. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 17 Custo $ Reta dos Custos Variáveis V4 V3 V2 V1 Q1 Q2 Q3 Q4 Quantidades Produzidas Exemplo: Consumo de matérias-primas, consumo de embalagens, energia elétrica utilizada pelas máquinas, mão-de-obra dos operários das máquinas. Um exemplo prático e caseiro: Imagine uma dona de casa fazendo um bolo. Quanto mais bolos ela fabricar, mais farinha, ovos, energia para a batedeira, gás de cozinha irá consumir. Imagine agora o caso da Plus Vita, que também fabrica bolos e pães, mas em larga escala. Podemos observar a mesma situação, quanto mais produzir mais custos variáveis irá consumir. Custos Fixos Os custos serão considerados fixos quando o consumo destes não depender das variações da produção. O caráter fixo não quer dizer que em todos os meses um determinado custo terá sempre o mesmo valor; não é isto. Quer dizer que estes custos não são influenciados pelas variações da produção, ou seja, seus consumos na linha de produção independem da quantidade produzida. Custo $ V1 Reta dos Custos Fixos Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Quantidades Produzidas Exemplos: O aluguel da fábrica, o seguro das máquinas, a depreciação dos equipamentos, os gastos com telefonia da fábrica, a limpeza da fábrica. Em todos estes casos se a Produção aumentar ou diminuir a quantidade fabricada de cada produto, o consumo destes custos fixos não aumentarão ou diminuirão junto. Os custos fixos podem até variar de um mês para outro, mas não em decorrência da produção. A conta telefônica, por exemplo, pode aumentar no próximo mês. No entanto, este aumento não está atrelado ao da produção, mas ao simples fato de se falar mais. A empresa pode criar artifícios para reduzir estes custos, como bloquear ligações de longa distância e para celulares, e, no entanto se verificar um aumento de volume na linha de produção. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 18 ● Classificação das Despesas ● Quanto à oscilação das vendas A classificação das despesas quanto à oscilação das vendas é semelhante à classificação dos custos quanto às variações da produção. Aqui devemos observar o comportamento das despesas quando aos volumes vendidos. Despesas Fixas Serão fixas quando o consumo não depender do quanto à empresa venda num período. A grande maioria das despesas é fixa. Exemplos: Aluguel da sede administrativa, o salário do pessoal do departamento de contas a pagar, o consumo de material de expediente da contabilidade, a conta telefônica da diretoria. Despesas $ Reta das Despesas Fixas V1 Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Quantidades Vendidas Despesas Variáveis As despesas variáveis são influenciadas pelos aumentos e diminuições das vendas. Exemplos: Comissão de vendedores, conta de telefone do “telemarketing”, combustível dos veículos de vendedores, consumo de talões de pedidos e de notas fiscais. Quanto maiores as vendas, maiores serão os consumos de despesas variáveis. Despesas $ Reta das Despesas Variáveis V4 V3 V2 V1 Q1 Q2 Q3 Q4 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro Quantidades Vendidas 19 ● Elementos dos Custos de Produção ● Os custos de produção (CP) podem ser segregados em: materiais diretos (MD), mão-de-obra direta (MOD), e gastos gerais de fabricação(GGF). A soma dos materiais diretos e da mão-de-obra direta determina os valores totais dos custos diretos da produção. Os gatos gerais de fabricação são também denominados de custos indiretos de fabricação – CIF. Sendo assim, a soma dos materiais diretos, da mão-de-obra direta e dos custos indiretos de fabricação determinam os valores totais da produção. CP = MD + MOD +CIF ou CP = custos diretos + custos indiretos ● Materiais Diretos – MD ● São os elementos materiais empregados na produção e diretamente alocados no custeio dos bens fabricados. Exemplos: na fabricação de um bolo, utilizam-se como materiais diretos: a farinha de trigo, o fermento, ovos, açúcar. Segregação dos materiais diretos Os materiais diretos podem ser segregados em: Matérias-primas Representam os materiais principais utilizados na produção de um determinado bem. Por exemplo: A editora Atlas utiliza o papel para a produção de livros, a Estrela usa resina na fabricação de brinquedos plásticos. Materiais Secundários São materiais de menor representatividade em uma produção. São empregados em menores quantidades. Exemplos: A Fiat utiliza parafusos nas montagens de algumas peças dos veículos que produz; a Philips empregada solda para afixação de componentes de uma televisão. Materiais de Embalagens São os materiais empregados na produção que possuem a finalidade de acondicionar o produto. Por exemplo: A Unilever utiliza pequenas caixas de papelão para acondicionar o sabão em pó, a Jandaia utiliza garrafas de vidro para envasilhar os sucos de frutas. Cabe salientar, que nem todas as embalagens são consideradas custos. Aquelas caixas de papelão, que são utilizadas para facilitar a locomoção dos produtos, são contabilizadas como despesas. Estas embalagens não agregam a formação do produto, sendo descartadas logo que são abertas para a retirada dos produtos no supermercado, por exemplo. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 20 ● Mão-de-obra direta – MOD ● A mão-de-obra direta compreende o esforço dos operários que trabalham diretamente na linha de produção durante a fabricação de um dado bem. Para determinação dos valores desta mão-de-obra são computados não somente o salário, mas também os encargos e benefícios do operário. Diferença entre mão-de-obra direta e indireta A parcela da mão-de-obra utilizada na produção que não pode ser medida por qualquer motivo, será considerada indireta, fazendo parte dos gastos gerais de fabricação definidos a seguir. Por exemplo: a mão-de-obra do supervisor de produção, do diretor industrial. A parcela ociosa da mão-de-obra dos operários também será considerada indireta. ● Custos indiretos de fabricação – CIF ou Gastos gerais – GGF ● Gastos Gerais de Fabricação Também são denominados comumente de CIF – custos indiretos de fabricação. São todos os custos necessários para a produção, não compreendidos nos materiais diretos e na mão-de-obra direta. Exemplos: Aluguel, depreciação, seguro, mão-de-obra indireta, materiais indiretos, energia elétrica, etc. ● Outras Nomenclaturas de Custos ● Custos Primários Representam os custos principais de fabricação. São determinados pela soma das matérias-primas com a mão-de-obra. Exemplo: na fabricação do pão são custos primários a farinha de trigo, o fermento, a água, o sal, e a mão-de-obra do padeiro. Os demais custos empregados não são considerados primários, por exemplo, a energia elétrica e o gás. Custos de Transformação Representam todos os custos necessários para a transformação dos materiais em produtos. Os materiais produzidos na própria empresa e que são utilizados na fabricação dos bens, são considerados custo de transformação por não terem sido adquiridos prontos. Exemplos: ✔ mão-de-obra ✔ energia elétrica ✔ aluguel fábrica ✔ depreciação das máquinas. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 21 ● Exercícios ● Questão 1: A empresa Esperança S.A. apresenta os seguintes dados: Gastos $ C/ D 1. Remuneração do diretor administrativo 25.000 2. Remuneração do diretor da fábrica 22.000 3. Mão de obra direta 15.000 4. Aluguel de máquinas usadas na fábrica 8.000 5. Conservação e manutenção da fábrica 7.000 6. Depreciação das máquinas industriais 15.000 7. Depreciação do edifício da sede da empresa 35.000 8. Energia da fábrica 3.000 9. ‘Despesas’ com veículos da fábrica 2.500 10. Despesas com veículos de vendas 2.000 11. Mão de obra indireta 5.000 12. Seguro dos equipamentos fabris 2.000 13. Despesas com telefone da administração 7.000 14. ‘Despesas’ com telefone e fax da fábrica 2.000 15. Aluguel da área ocupada pela fábrica 40.000 16. Despesas financeiras 5.000 17. Matéria prima consumida 50.000 F/ V D/ I MD/ MOD/ CIF Calcule e, assinale na tabela acima, os: (a) custos totais: (b)despesas totais: (c) custos fixos: (d)custos variáveis: (e) custos diretos: (f) custos indiretos: (g)custos de materiais diretos: (h)custos de mão-de-obra direta: (i) custos indiretos de fabricação: (j) despesas fixas: (k)despesas variáveis: Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 22 Questão 2: Apresentamos os gastos de um determinado mês da Empresa Palmas S.A.: Salários dos contadores: $110.000 Matéria-prima consumida na produção: $40.000 Mão-de-obra dos operários: $90.000 Comissões dos vendedores: $6.000 Frete (para entrega de produtos vendidos): $4.000 Depreciação de máquinas da fábrica: $3.500 Energia elétrica consumida na produção: $30.000 Propaganda: $25.000 Embalagens utilizadas para facilitar o transporte dos produtos: $ 3.000 Apure os seguintes totais: (a) custos de produção: (b)despesas: (c) custos diretos: (d)custos indiretos: (e) custos fixos: (f) custos variáveis: Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 23 CAPÍTULO 4 Contabilização dos Custos ● Custeio por Absorção ● Neste capítulo vamos ver como determinar o custo de fabricação de cada produto de uma indústria. Iremos tentar responder a pergunta: Quanto custou fabricar cada produto? Inicialmente vamos apresentar o método do custeio por absorção, que utiliza somente os custos de produção para os cálculos. As despesas são contabilizadas no resultado do período, para apuração do lucro ou prejuízo. Ao sair da linha de produção, o produto pronto será transferido para o estoque de produtos acabados, onde deverá aguardar a venda. No momento de sua entrada no estoque, deverá ser valorizado. Esta valorização será calculada pela contabilidade de custos por meio dos métodos de custeio. ● Etapas da alocação dos custos nos produtos ● 1º Passo: Segregar os custos das despesas. As despesas deverão ser alocadas no resultado; 2º Passo: Alocar os custos diretos aos produtos, mediante os controles e apontamento da produção; 3º Passo: Alocar os custos indiretos, mediante rateios pré-estabelecidos. 1º Passo CUSTOS CUSTOS INDIRETO RATEIO DESPESAS CUSTOS DIRETOS 2º Passo PRODUTO A 3º Passo PRODUTO B PRODUTO C CPV VENDAS RESULTADO DO EXERCÍCIO Lucro = Vendas – Despesas - CPV Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 24 Exemplo 1: Vamos supor que uma empresa industrial tenha realizado os seguintes gastos: Gastos no mês $ Comissão de vendedores 80.000 Salários da fabrica 120.000 Matéria-prima consumida 350.000 Salários da administração 90.000 Depreciação na fábrica 60.000 Seguros da fábrica 10.000 Despesas financeiras 50.000 Honorários da diretoria 40.000 Materiais diversos – fábrica 15.000 Energia elétrica da fábrica 85.000 Manutenção da fábrica 70.000 Despesas de entrega 45.000 Correios, telefones e telex 5.000 Material de consumo do escritório 5.000 Total dos gastos 1.025.000 Passo 1: Segregação dos custos e despesas. Devemos providenciar a segregação dos custos e despesas como segue. Veja: $ Custos de Produção: Salários da fabrica 120.000 Matéria-prima consumida 350.000 Depreciação na fábrica 60.000 Seguros da fábrica 10.000 Materiais diversos – fábrica 15.000 Energia elétrica da fábrica 85.000 Manutenção da fábrica 70.000 Total 710.000 Despesas Administrativas: Salários da administração 90.000 Honorários da diretoria 40.000 Correios, telefones e telex 5.000 Material de consumo do escritório 5.000 Total 140.000 Despesas de Vendas: Comissão de vendedores 80.000 Despesas de entrega 45.000 Total 125.000 Despesas Financeiras: Despesas financeiras 50.000 Total 50.000 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 25 As despesas que totalizaram $ 315.000 serão contabilizadas diretamente no resultado do mês. Ou seja, não serão alocadas aos produtos. Passo 2: Apropriação dos custos diretos aos produtos Agora vamos considerar que a empresa fabrique 3 produtos denominados: A, B e C, e que mantenha um controle preciso do consumo de custos diretos utilizados em cada produto. Sabemos que neste caso estudado, parte da mão-de-obra e da energia elétrica é direta e a outra parte indireta. Custos Produto A Produto B Produto C Salários 22.000 47.000 21.000 Matéria-prima 75.000 135.000 140.000 Indiretos Totais 30.000 120.000 350.000 Depreciação 60.000 60.000 Seguros 10.000 10.000 Materiais diversos 15.000 15.000 40.000 85.000 70.000 70.000 225.000 710.000 Energia elétrica 18.000 20.000 7.000 Manutenção Total 115.000 202.000 168.000 Perceba agora que os custos diretos já estão alocados aos produtos, mas os custos indiretos, no valor de $ 225.000, ainda necessitam ser alocados aos produtos A, B e C. Passo 3: Apropriação dos custos indiretos aos produtos Para facilitar os cálculos deste exemplo, consideremos que a alocação dos custos indiretos aos produtos será proporcional ao que cada um já recebeu de custos diretos. Veja: Produtos Custos Diretos Custos Indiretos Custo Total A 115.000 23,71% 53.351 23,71% 168.351 B 202.000 41,65% 93.711 41,65% 295.711 C 168.000 34,64% 77.938 34,64% 245.938 Totais 485.000 100,00% 225.000 100,00% 710.000 Memória de cálculo do rateio dos custos indiretos: Custo Indireto de A = $115.000 / $485.000 x $225.000 = $53.351 Custo Indireto de B = $202.000 / $485.000 x $225.000 = $93.711 Custo Indireto de C = $168.000 / $485.000 x $225.000 = $77.938 Podemos ainda, calcular os custos unitários de cada produto. Considere que as quantidades produzidas de cada produto foram: A= 10.000 unidades, B= 10.000 unidades e C= 20.000 unidades. Poderíamos montar uma planilha de custeio como segue: Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 26 A B C 115.000 202.000 168.000 485.000 Custos Diretos Total CIF 53.351 93.711 77.938 225.000 Custos Total 168.351 295.711 245.938 710.000 Quantidade Total 10.000 10.000 20.000 - Custo Unitário 16,84 29,57 12,30 - ● Exercícios ● Questão 1: Arte & Aço S.A. é uma empresa que fabrica armações em aço para a construção civil. Em agosto de 2003, a empresa apresentou as seguintes informações contábeis: Planilha de custeio dos produtos: Produto A Produto B Totais Matéria-prima AS 110.000 94.000 204.000 Matéria-prima BS 105.000 55.000 160.000 Mão-de-obra direta 20.000 15.000 35.000 Energia direta 5.000 3.500 8.500 Total C. Diretos Total CIF 700.000 Custo Total Quantidade Produzida 1.000 850 Custo Unitário - Sabendo que para produzir ‘A’ foram utilizadas 300h e para produzir ‘B’ foram utilizadas 200h, pede-se: (a) Faça o rateio dos CIF proporcionalmente as horas trabalhadas; (b)Calcule os custos unitários de cada produto; (c) Quais deverão ser os preços dos produtos caso a empresa deseje uma margem de lucro de 20% sobre os custos unitários? (d)Os fornecedores de matérias-primas comunicaram um aumento de 30% para o próximo mês. Caso sejam mantidos os atuais volumes e todas as outras variáveis e parâmetros, qual será o reajuste no preço final dos produtos? Questão 2: A empresa Delta Sete Ltda, indústria moveleira, produz dois tipos de cadeira: giratória e fixa. Apresentou em seu registro contábil em outubro de 2003, as seguintes informações: Material Direto MOD Qde Produzida Giratória 7.000 400 150 Fixa 8.000 600 200 Sabendo que os custos indiretos de produção foram $12.000, pede-se: (a) Calcule o custo total de cada produto, sabendo que o critério de rateio dos custos indiretos é Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 27 proporcional à mão-de-obra utilizada; (b)Determine os custos unitários de cada produto; (c) Sabendo que os custos unitários correspondem a 80% do preço de venda, determine o faturamento de 100 cadeiras de cada tipo; (d)Percebendo que o mercado só aceita pagar por cada produto no máximo $90,00 e $100,00, respectivamente, é um bom negócio continuar fabricá-los? Se não, qual ou quais pararia de produzir? Planilha de custeio dos produtos Giratória Fixa Totais Material Direto Mão-de-obra Direta Total de Custo Direto Total de Custos Indiretos Total de Custos de Produção Qde Produzida Custo Unitário Questão 3: Beta S/A Indústria, fabrica três tipos de refrigeradores: Ice 150, Ice 350 e Ice 450. Apresentou os seguintes custos diretos durante o mês anterior: ✔ Ice 150: $ 200.000 ✔ Ice 350: $ 700.000 ✔ Ice 450: $ 600.000 Os custos Indiretos que foram alocados aos produtos são provenientes de : ✔ Aluguel da fabrica: $ 100.000 ✔ Energia Indireta: $ 50.000 ✔ Salários da supervisão: $ 30.000 A distribuição dos CIF’s será baseada na proporção das horas utilizadas para a fabricação: ✔ Ice 150: 50 horas ✔ Ice 350: 150 horas ✔ Ice 450: 200 horas As quantidades produzidas no período foram de: ✔ Ice 150: 1.000 unidades ✔ Ice 350: 1.500 unidades ✔ Ice 450: 1.500 unidades Pede-se: (a) Elabore uma planilha de custeio; (b)Determine os custos unitários de cada produto, sabendo que o critério de rateio dos custos indiretos é proporcional às horas de fabricação utilizadas; (c) Sabendo que os custos unitários correspondem a 70% do preço de venda, determine o faturamento da metade dos refrigeradores de cada tipo; (d)Em quantos por cento, será reduzida a margem de lucro no mês, caso o proprietário do imóvel reajuste o aluguel em 50%, considerando que os preços são os mesmos e que todas as outras variáveis e parâmetros não serão alterados. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 28 Questão 4: A empresa Alfa S.A. apresentou no período passado os seguintes gastos: Gastos $ Mão-de-obra Indireta da fábrica 210.000 Energia Elétrica Indireta da fábrica Comissão sobre vendas 5.000 100.000 Seguros da fábrica 35.000 Custos Indiretos Diversos 1.000.000 Salários da administração 300.000 Sabe-se que: ✔ o volume de produção foi de: produto A – 100.000 unidades, produto B – 200.000 unidades; produto C- 300.000; ✔ o critério de rateio dos custos indiretos é a proporção de volume fabricado de cada produto. Pede-se: (a) Complete a planilha de custeio dos produtos; Produto A Matéria-prima Produto B Produto C 1.000.000 1.500.000 2.500.000 Mão-de-obra direta 98.000 147.000 245.000 Energia direta 4.000 6.000 10.000 Totais Total C. Diretos Total CIF Custo Total Quantidade Produzida Custo Unitário Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 29 CAPÍTULO 5 Contabilização dos Custos ● Departamentalização ● Neste capítulo iremos dar continuidade no estudo do custeio por absorção com a aplicação da departamentalização no rateio dos custos indiretos. Como o consumo dos custos indiretos não é controlado pela empresa durante as fases de produção, estes devem ser rateados por meio de critérios estatísticos ou subjetivos. Dependendo do critério utilizado o rateio poder estar mais ou menos próximo da realidade. A empresa pode ratear todos os custos indiretos utilizando um único critério para todos, ou para cada item um critério diferente. Quanto mais detalhado for o rateio dos custos indiretos, mais próximo da realidade estará. Uma forma de se detalhar este rateio é o da departamentalização dos custos indiretos. Este método tem como princípio alocar os custos indiretos nos vários departamentos, e em seguida, como veremos mais adiante, realizar sucessivos rateios até se chegar na alocação aos produtos. ● Departamentalização dos custos indiretos ● Departamento São setores ou unidades funcionais, onde são realizadas tarefas específicas por homens ou máquinas. Por exemplo: os departamentos de contabilidade, contas a pagar, tesouraria, manutenção, almoxarifado, corte, costura, estampagem. Para a contabilidade de custos, os departamentos são separados em: Departamentos Produtivos São os departamentos que compõem a linha de produção. Os produtos passam por estes departamentos durante as fazes da produção. Exemplo: Corte, Costura, Estamparia, Acabamento. Departamentos de Serviços Estes departamentos são unicamente de prestação de serviço a outros departamentos-cliente. Cabe salientar que os produtos não passam por eles. Por exemplo: Rh, Almoxarifado, Manutenção, Conservação, Restaurante. Centros de Custos Nos sistemas contábeis, os departamentos recebem uma codificação chamada de centro de custo, onde são alocados todos os gastos realizados em um período, para futura alocação aos produtos. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 30 ● Etapas do custeio por absorção com departamentalização ● 1º Passo: Segregação dos custos e despesas, alocando as despesas no resultado do exercício; 2º Passo: Alocação dos custos diretos aos produtos; 3º Passo: Segregar os custos indiretos entre os que são comuns a vários departamentos, e os que foram requisitados ou consumidos especificamente por um departamento. Estes últimos deverão ter seus custos indiretos alocados diretamente, sem necessidades de rateios entre departamentos; 4º Passo: Rateio dos custos indiretos comuns entre os departamentos que usufruíram seus benefícios; 5º Passo: Rateio dos custos acumulados nos departamentos de serviços e sua distribuição aos demais departamentos-cliente, de acordo com uma seqüência estabelecida; 6º Passo: Rateio e alocação dos custos indiretos acumulados nos departamentos de produção aos produtos segundo critério pré-definidos. ● Esquema de Contabilização de Custos ● Custo de Produção Despesas 1º Passo Indiretos R Diretos Comuns a vários departamentos Específico do departamento Dep Serviço 1 3º Passo R 2º Passo Dep Serviço 2 4º Passo R 5º Passo Dep Produção 1 R Produto A 6º Passo Dep Produção 2 R Produto B Estoque de Acabados CPV Vendas Resultado do Período Res = R – CPV - Despesas Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 31 Exemplo 1: A empresa Alfa S/A produz três tipos de produtos, A, B e C. Alocou aos produtos os seguintes custos diretos: Produtos Custos Diretos A 500.000 B 300.000 C 450.000 Totais 1.250.000 Deverão ser alocados os seguintes custos indiretos: Custos Indiretos $ Depreciação de equipamentos 200.000 Manutenção de equipamentos 350.000 Energia elétrica 300.000 Supervisão da fábrica 100.000 Outros custos indiretos 200.000 Total 1.150.000 Como a maior parte dos custos indiretos é relativo aos equipamentos, decidiu-se fazer a alocação dos CIFs aos produtos pelo critério das horas-máquina utilizadas em cada produto. Veja: Produtos HM % A 400 40 B 200 20 C 400 40 Total 1.000 100 Portanto o mapa de custos ficaria desta forma: A B C Totais Diretos Custos 500.000 300.000 450.000 1.250.000 Indiretos 460.000 230.000 460.000 1.150.000 Total 960.000 530.000 910.000 2.400.000 No entanto, ao se analisar com mais cuidado o processo de produção, verifica-se que existe uma disparidade no cálculo dos custos de cada produto. Esta disparidade é devido ao fato de que os gastos não são uniformes entre os setores nos quais são produzidos os produtos A, B e C; e, nem estes possuem o mesmo tratamento em cada setor por onde passam. Veja a hora-máquina de cada produto nos departamentos por onde passaram: Produtos A Corte HM % 100 33,3 Montagem HM % 50 16,7 Acabamento HM % 250 62,5 Total HM % 400 40 B 200 66,7 - - - - 200 20 C - - 250 83,3 150 37,5 400 40 Totais 300 100 300 100 400 100 1.000 100 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 32 Note que agora o critério de rateio dos CIFs será o das horas-máquina de cada departamento por onde os produtos passaram. Para este novo cálculo deverão ser considerados os custos apropriados a cada um dos setores. Veja a distribuição dos custos indiretos aos departamentos produtivos: Custos Indiretos Corte Montagem Acabamento Total Depreciação 100.000 30.000 70.000 200.000 Manutenção 200.000 30.000 120.000 350.000 Energia 60.000 40.000 200.000 300.000 Supervisão 50.000 20.000 30.000 100.000 Outros Custos Ind. 40.000 30.000 130.000 200.000 Total 450.000 150.000 550.000 1.150.000 Agora, deverá ser levada em consideração a departamento. participação de cada produto em cada Veja a nova distribuição dos custos indiretos aos produtos: Corte Produto A % $ 33,3 149.850 Montagem 16,7 25.005 - - 83,3 124.995 100 150.000 Acabamento 62,5 343.750 - - 37,5 206.250 100 550.000 - 518.605 - 300.150 - 331.245 - 1.150.000 Departamentos Total Produto B % $ 66,7 300.150 % Produto C $ - Total - % 100 $ 450.000 Note que os custos indiretos de cada produto mudaram. Veja: Critério A B C Total Sem Departamentalização 460.000 230.000 460.000 1.150.000 Com Departamentalização 518.605 300.150 331.245 1.150.000 Diferença (58.605) (70.150) 128.755 - ● Exercícios ● Questão 1: Suco Max Ltda fabrica dois produtos A e B. Os custos diretos referentes a esses produtos, em certo mês, foram: A= $20.000; B= $30.000. Os custos indiretos foram os seguintes: Aluguel: $10.000, Energia: $5.000, Outros indiretos: $20.000. Sabe-se que: O aluguel é distribuído aos departamentos de acordo com as suas áreas.; Consumo de Energia é medido por departamento; Os outros custos indiretos têm como base de rateio o número de horas de mão-de-obra total utilizada em cada departamento; O Almoxarifado e o departamento de Extração recebem cada um 25% dos custos da GGP, e 50% dos custos deste último departamento são apropriados a Engarrafagem; Os custos do Almoxarifado devem ser transferidos com base nas horas trabalhas em função dos departamentos clientes: departamento de Extração= 120h e Engarrafagem= 40h; Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 33 A distribuição dos custos dos departamentos produtivos aos produtos se dará com base nas horas de produção: a Extração trabalhou 240h para fabricar o A e 180h para fabricar o B; a Engarrafagem trabalhou 120h para fabricar o A e 60h para fabricar o B; Dados para rateios: Departamentos Área KWh Horas GGP 200 100 100 Almoxarifado 100 400 100 Extração 300 5.500 800 Engarrafagem 400 4.000 1.000 1.000 10.000 2.000 Totais Pede-se: a) Elaborar o mapa de rateio dos custos indiretos de fabricação; b) Planilha de custeio. Planilha de rateio dos custos indiretos: Custos Indiretos GGP Almoxarifado Extração Engarrafagem Total Aluguel Energia Elétrica Outros Indiretos Saldo Acumulado GGP Saldo Acumulado Almoxarifado Saldo Acumulado Produto A Produto B Planilha de custeio dos produtos: Custos A B 100.000 100.000 Total C Diretos CIF Total Quantidade - C. Unitário Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 34 Questão 2: Uma empresa produz dois produtos, X e Y, cuja produção no último período contábil foi de 6.500 e 3.500 unidades, respectivamente. Apresentou os seguintes custos diretos: X=$5.000 e Y= $2.000. Seus custos indiretos departamentais e o número de empregados foram os seguintes: Custos Indiretos Departamentos Nº de empregados Gerência Geral da Produção 1.000 5 Manutenção 2.250 7 Montagem 10.000 10 Pintura 4.250 3 Considerando que: ✔ Os custos da Gerência Geral da Produção devem ser os primeiros a serem distribuídos aos demais, e a base é o número de empregados. ✔ Em seguida, devem ser rateados os custos do departamento de Manutenção: 60% para a Pintura e o restante para a Montagem; ✔ Finalmente, distribuir os custos da Montagem e da Pintura para os produtos, proporcionalmente às horas trabalhadas: a montagem trabalhou 60h para produzir X e 140h para Y, a pintura trabalhou 100h para fabricar X e 100h para Y. Pede-se: (a) Elaborar o mapa de rateio dos CIF; (b)Elaborar uma planilha de custeio; (c) Determinar o preço de venda dos produtos para uma margem de lucro de 20% sobre o custo unitário; (d)Em quantos por cento, a empresa deverá reajustar os preços de venda caso os custos diretos aumentem 30%. Considere que todas as outras variáveis e parâmetros não serão alterados. Planilha de custeio dos produtos: Custos X Y Total Planilha de rateio dos custos indiretos: Custos Gerência de Produção Manutenção Montagem Pintura Total Total Rateio da Gerência de Produção Saldo Acumulado Rateio da manutenção Saldo Acumulado Produto X Produto Y Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 35 Questão 3: Uma empresa fabrica dois produtos: Beta 1 e Beta 2. ✔ Contabilizou os seguintes custos diretos: Beta 1 = $40.000 e Beta 2 = $70.000; ✔ As quantidades produzidas de cada produto no mês foram: Beta 1 = 1.500 unidades e Beta 2 = 2.500 unidades; ✔ Ocorreram outros gastos a seguir relacionados: ✔ Aluguel da fábrica = $20.000 ✔ Salário do pessoal administrativo = $7.000 ✔ Depreciação da fábrica = $8.000 ✔ Energia elétrica indireta = $22.000 ✔ Aluguel do prédio administrativo = $3.000 ✔ São os seguintes os departamentos da empresa: Administração da produção, Manutenção Corte, Costura; ✔ Os critérios de rateio dos custos indiretos são: Aluguel: pela área ocupada, Demais custos indiretos: pelas horas trabalhadas de cada departamento Área Ocupada em m2 Horas Trabalhadas Administra da produção 100 1.000 h Manutenção 100 1.200 h Corte 300 3.000 h Costura 500 3.800 h Os critérios de rateio dos departamentos são: ✔ Administração da produção: deverá transferir 20% de seus custos para a Manutenção, 30% para o Corte e o restante para a Costura; ✔ Manutenção: deverá transferir seus custos acumulados para seus departamentos clientes conforme as horas trabalhadas: para o Corte trabalhou 800h e para a Costura 400h; ✔ Corte e Costura: conforme as horas de fabricação de cada produto: Beta 1 Beta 2 Corte 1.500h 1.500h Costura 2.000h 1.800h Pede-se: (a) Planilha de custeio; (b)Planilha de rateio dos custos indiretos pela departamentalização; (c) Preço de venda dos produtos caso a margem de lucro seja de 25% dos custos unitários; (d)Caso o mercado só aceite pagar, respectivamente, pelos produtos Beta 1 e Beta 2, $60,00, e $40,00, será um bom negócio fabricá-los? Por que? Custos Beta 1 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro Beta 2 Total 36 Custos Administração de Produção Manutenção Corte Costura Total Total Rateio da Administr. Produção Saldo Acumulado Rateio da manutenção Saldo Acumulado Produto Beta 1 Produto Beta 2 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 37 CAPÍTULO 6 Custeio Baseado em Atividades – ABC ● Custeio Baseado em Atividades – ABC ● O Custeio Baseado em Atividades - ABC, do inglês ‘Activity-Based Costing’, é um aperfeiçoamento posterior do custeio por departamento. No ABC a base do rateio dos custos indiretos é a atividade e não o departamento. No custeio por departamentalização, atribuímos os custos aos departamentos, e depois destes aos produtos. No ABC, primeiro definimos os custos das várias atividades realizadas, e depois, atribuímos estes custos aos produtos. Podemos entender atividade como sendo um conjunto de tarefas específicas realizadas na produção. Como por exemplo: preparação de máquinas para iniciar uma produção, operação das máquinas, administração dos processos de fabricação, distribuição dos produtos. O que se pretende com o custeio baseado em atividades é alocar os custos indiretos em atividades e posteriormente aos produtos. Recursos Atividade Produtos Direcionadores de custos Veja o esquema abaixo: Um departamento de administração da produção de uma empresa realiza duas atividades: programação e controle de produção. O departamento trabalhou 20h para programar a produção do Corte e 80h da Costura. O departamento controlou 30h da produção do Corte e 70h da Costura. Faremos as alocações com base no número de horas de execução de cada atividade. Sabe-se que a atividade de programação custou no mês $10.000, e que a atividade de controle consumiu $15.000. Corte Administração da Produção Programar a produção > Controlar a produção > 200h $25.000 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 2 0h 30 $2.000 $4.500 $6.500 h 80h 70h Costura $ 8.000 $10.500 $18.500 38 ● Etapas do custeio baseado em atividades ● Devem-se seguir as seguintes etapas para um custeio baseado em atividades: Etapa 1: Alocação dos custos diretos aos produtos: Os custos diretos devem ser alocados aos produtos; Etapa 2: Definição das atividades relevantes: Identificar as atividades relevantes de cada departamento ou centro de custo; Etapa 3: Alocação dos custos específicos e diretamente ligados a certa atividade: Aloca-se os custos diretamente ligados à atividade; Etapa 4: Alocação dos custos comuns a várias atividades: Utiliza-se um direcionador de custo (cost drivers) onde se verifica uma relação de causa e efeito; Etapa 5: Alocação dos custos das atividades aos produtos: Utiliza-se um direcionador de custo onde se verifica uma relação de causa e efeito. Exemplo: Levantamento dos Direcionadores de Atividades Departamento Atividades Almoxarifado Receber materiais Movimentar materiais n° de recebimentos n° de requisições Adm. Produção Programar produção Controlar produção n° de produtos n° de lotes Corte e Costura Cortar Costurar tempo de corte tempo de costura Acabamento Acabar Despachar produtos tempo de acabamento apontamento de tempo Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro Direcionadores 39 CAPÍTULO 7 Demonstração de Resultados na Indústria Custos de Produção Podem ser separados em: Material Direto (MD), Mão-de-Obra Direta (MOD) e Fabricação (GGF). Gastos Gerais de Custo de Produção do Período Representa o somatório de todos os custos de produção realizados no período. Custo da Produção Acabada Representa o montante dos custos de todas as unidades acabadas no período. Neste montante incluemse também os custos de períodos anteriores daquelas unidades que só foram acabadas no período atual. Custo dos Produtos Vendidos É o somatório dos custos de fabricação das unidades vendidas no período. Produtos semiacabados no período Unidades completadas no período atual Iniciadas e acabadas no período atual Produtos semiacabados no período atual EFPE ● Estoque de Produtos em Elaboração Mês Atual Retorno Mês Anterior Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro Mês Seguinte Custos aplicados no período anterior Custos aplicados no período Atual 40 Demonstração de Resultados numa Indústria ● Na demonstração de resultado de uma empresa industrial, podemos detalhar a linha do custo dos produtos vendidos de acordo com as necessidades de apresentação de cada empresa. Abaixo damos uma sugestão menos detalhada, mas que podemos visualizar os saldos dos estoques e algumas etapas dos custos de produção. Receita Bruta (-) Deduções Receita Líquida (-) Custo dos Produtos Vendidos Custo de Produção do Período (+) Estoque Inicial de Produtos em Elaboração (-) Estoque Final de Produtos em Elaboração Custo da Produção Acabada no Período (+) Estoque Inicial de Produtos Acabados Custo dos Produtos Disponíveis (-) Estoque Final de Produtos Acabados Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais Lucro Operacional (+/-) Resultado Não Operacional Lucro Antes do IR (-) Provisão IR e CSLL Lucro Após o IR (-) Participações Lucro Líquido ● Exercícios ● Questão 1: Uma empresa apresentou os seguintes saldos abaixo. Elabore a demonstração do resultado do período. Custo de Produção do Período 500.000 Estoque Final de Produtos Acabados 20.000 Estoque Final de Produtos em Elaboração 30.000 Estoque Inicial de Produtos Acabados 10.000 Estoque Inicial de Produtos em Elaboração 20.000 Vendas no Período 700.000 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 41 Questão 2: Uma empresa apresentou os seguintes saldos no mês de agosto: Materiais Diretos Consumidos Depreciação de Equipamentos Administrativos Vendas Depreciação de Equipamentos de Fábrica Energia Elétrica Consumida na Fábrica Mão-de-Obra Direta Salário da Equipe de Vendas Materiais Indiretos Salário da Equipe de Administração Mão-de-Obra Indireta Seguro das Instalações Fabris 400.000 15.000 650.000 25.000 80.000 15.000 6.000 3.000 3.000 70.000 2.000 Posição dos Estoques Estoques Jul/2001 Ago/2001 Matéria-Prima 50.000 20.000 Produtos em Elaboração 40.000 20.000 Produtos Acabados 40.000 20.000 Pede-se: (a) Elabore a demonstração de resultado do período; (b)Qual deverá ser o novo resultado líquido caso haja um aumento no consumo de materiais diretos de 20%? Questão 3: Uma empresa apresentou os seguintes saldos no mês de março: Depreciação de Equipamentos Administrativos Depreciação de Equipamentos de Fábrica Energia Elétrica Consumida na Fábrica Mão-de-Obra Direta Mão-de-Obra Indireta Materiais Diretos Consumidos Materiais Indiretos Salário da Equipe de Administração Comissão da Equipe de Vendas Impostos s/ vendas Seguro das Instalações Fabris Vendas Posição dos Estoques Estoques Fev/2003 Matéria-Prima 60.000 Produtos em Elaboração 50.000 Produtos Acabados 50.000 30.000 40.000 75.000 25.000 70.000 370.000 3.000 25.000 12.000 100.000 5.000 1.000.000 Mar/2003 30.000 30.000 20.000 Pede-se: (a) Elabore a DRE. (b)Qual deverá ser o novo resultado líquido do período caso haja uma redução no preço de venda de 20%? Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 42 CAPÍTULO 8 Outros Conceitos de Custos Custo de Oportunidade É o custo de se deixar de lado um investimento ou oportunidade para se optar por outro mais rentável. Exemplo: Uma pessoa é proprietária de uma loja e deseja estabelecer neste endereço um negócio. Se fosse alugar o imóvel receberia aluguel mensal de R$2.000,00. No entanto decide iniciar o pequeno negócio esperando lucrar mais. Os R$2.000 representam um custo de oportunidade, visto que o lucro mínimo aceitável para o novo negócio deve ser de R$2.000. Senão seria melhor abandonar o negócio e alugar a loja. Custos Fixos Discricionários ou Custos Programados Os custos fixos discricionários ou programados são aqueles que não guardam alguma relação com a atividade operacional da empresa. Estes custos são os mais afetados durante um processo de redução de custos. Exemplo: Creche para as funcionárias, doações a instituições beneficentes. Custos Fixos Comprometidos Custos fixos comprometidos são aqueles que possuem estreita ligação com a atividade da empresa. Estes custos são mais difíceis de serem reduzidos em tempos de redução de custos. Exemplos: Aluguéis, depreciação, impostos sobre os imóveis, seguros das máquinas. Custos Evitáveis e Inevitáveis Custos evitáveis são aqueles que desaparecerão quando uma operação for terminada. Exemplo: Uma empresa fabrica um certo produto que deseja descontinuar. Após estudos, verifica que se a linha de produção deste produto for eliminada, o aluguel das máquinas não será mais pago. Sendo assim, o aluguel destas máquinas é um custo evitável. Quanto ao aluguel do galpão, quando a linha for eliminada, este continuará existindo, visto que ainda há outras linhas de produção funcionando. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 43 CAPÍTULO 9 Custeio Variável ou Direto ● Custeio Variável ● Diferentemente do custeio por absorção, estudado até agora, o custeio variável sugere que consideremos os custos fixos como encargos do período, sendo desta forma contabilizados diretamente no resultado. Como custo total dos produtos, consideram-se apenas os custos variáveis, que serão gerencialmente as valorizações dos estoques. Este custeio é geralmente denominado erroneamente de ‘direto’, visto que nem todos os custos variáveis são diretos. Muitos custos variáveis são indiretos, como é o caso da energia elétrica não medida em determinadas instalações durante o consumo em uma dada linha de produção. CUSTOS DE PRODUÇÃO FIXOS DESPESAS VARIÁVEIS Os custos fixos são tratados como despesas do período. FIXAS Alocação nos produtos Baixa dos estoques pela venda CPV VENDAS RESULTADO DO EXERCÍCIO Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 44 ● Margem de Contribuição ● Podemos definir a margem de contribuição como sendo a diferença entre as vendas e os custos variáveis aplicados na produção destas unidades vendidas. MC = Vendas - (Custos Variáveis + Despesas Variáveis) Exemplo: A empresa Direct S.A. fabrica um único produto. No mês de julho produziu 20.000 unidades. Neste mesmo período, vendeu 15.000 unidades, permanecendo no estoque 5.000 unidades. As seguintes informações foram obtidas: ✔ Custos variáveis: $25 por unidade ✔ Custos fixos: $150.000 por mês ✔ Preço de venda: $40 por unidade Apuração do Resultado Unitário Total Volume (Quantidade) - 15.000 Vendas 40 600.000 (-) Custos Variáveis (25) (375.000) Margem de Contribuição 15 225.000 (-) Custos Fixos (10) (150.000) (=) Resultado 5 75.000 A margem de contribuição pode ser expressa em percentual em relação a sua participação no preço de venda. %MC = MC / Vendas No exemplo anterior temos: %MC = 225.000 / 600.000 = 0,375 ou 37,5% Isto significa que a margem de contribuição representa 37,5% das vendas. Vantagens e desvantagens do uso do Custeio Variável A vantagem do uso do custeio variável está na aplicação gerencial para a tomada de decisão, tornando-a mais rápida. Como a alocação dos custos fixos depende de rateios e sua contabilização só se dá no final do mês, tomar decisões utilizando o custeio por absorção torna-se mais complicado. Há ainda o problema das distorções provocadas pelo rateio dos custos fixos quando algum produto sai de linha, como iremos estudar mais a diante. Como os princípios contábeis brasileiros não aceitam este tipo de custeio para fins de valorização dos estoques de produtos acabados e elaboração dos demonstrativos de resultado, utiliza-se o custeio por absorção. A utilização do custeio variável fica restrita ao âmbito da decisão gerencial. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 45 ● Decisões envolvendo custeio variável ● Considerações sobre os Custos Fixos Os custos fixos podem variar, de tempos em tempos, de acordo com a produção. Suponhamos que uma empresa deseja aumentar sua produção de farinha de trigo de atuais 20.000 toneladas para 40.000 toneladas mensais. Ao realizar um estudo, descobre que precisará instalar mais uma planta, expandindo, desta forma, sua produção. Sendo assim, para este novo patamar produtivo, os seus custos fixos de seguros e depreciação, por exemplo, irão aumentar. Neste momento há uma variação dos custos fixos em função da produção. No entanto, esta variação só será verificada neste instante, a partir daí, estes custos fixos continuarão sendo constantes até um momento onde haverá um novo rompimento dos limites produtivos. Observe o gráfico abaixo, o efeito escada produzido pela variação dos custos fixos do exemplo, a cada limite de produção: $ $100.000 Efeito escada $75.000 $50.000 $25.000 20.000 40.000 60.000 Toneladas (limite da produção) Este fenômeno dos custos fixos deve ser considerado quando a empresa deseja aumentar sua produção, visto que haverá conseqüências no custeio dos produtos. Fixação do preço de venda Podemos utilizar os conceitos de custeio variável de margem de contribuição para estudarmos a sensibilidade do resultado quando estimulamos o preço ou a quantidade vendida de um produto. Vejamos no exemplo proposto: A empresa Ametista SA atualmente vende por mês 2.200 unidades ao preço de $22,00, com custos e despesas variáveis de $13,00 e com custos e despesas fixos de $18.000,00/mês. O diretor da empresa, como parte do planejamento de alavancagem das vendas, encomenda uma pesquisa de mercado, onde constata: se o preço de venda for diminuído para $ 20,00 o volume de vendas estimado será de 2.600 unidades por mês. Pede-se: (a) Qual a melhor alternativa? Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 46 Hipótese 1 Situação atual Hipótese 2 Redução de preço Volume 2.200 2.600 Preço 22 20 Vendas 48.400 52.000 (-) Custos Variáveis (28.600) (33.800) Margem de Contribuição 19.800 18.200 Analisando as duas alternativas, a melhor opção é o da hipótese 1, onde a margem de contribuição é maior. Observe que se você tivesse tomado a decisão com base no aumento da quantidade vendida e no aumento do faturamento, teria escolhido a opção errada. Agora, vamos analisar o motivo pelo qual a margem de contribuição da hipóteses 2 ficou menor que o da hipótese 1. Apesar da redução de preço ter provocado um aumento na demanda e um maior faturamento, a margem de contribuição não foi a esperada. A explicação está na elasticidade da curva de demanda. A redução no preço não foi suficiente para provocar um aumento de demanda que fizesse com que a margem de contribuição fosse maior que a anterior. Veja o gráfico abaixo: $ Para que a diminuição no preço provocasse uma margem de contribuição maior, a curva de demanda deveria ser menos inclinada, como está a D2. Note que para uma variação de preço de $2, agora a variação da quantidade é de 689 unidades. Isto faz como que a nova margem de contribuição seja de $19.803,00, ou seja, maior que o da hipótese 1. $22 $20 D2 D1 2.200 2.600 2.829 Qde Comprar ou Fabricar ? O custeio variável pode ser utilizado também na decisão de se comprar ou fabricar um produto. Como vimos no início deste capítulo, há um problema de distorções provocadas pelo rateio dos custos fixos quando algum produto sai de linha. Verifica-se a sobrecarga dos custos dos produtos remanescentes que agora precisam absorver os custos fixos, antes absorvidos pelo produto fora de linha. Apesar da retirada de um produto de linha, grande parte de seus custos fixos não desaparece, pois são compartilhados por outros produtos, como é o caso do aluguel, depreciação, seguro, entre outros. Neste caso os produtos remanescentes deverão obrigatoriamente absorver os custos fixos não eliminados daquele. Devemos considerar estes problemas ao decidirmos sobre a continuidade da fabricação de um produto ou sua compra de outro fabricante. Vejamos no exemplo abaixo: Uma empresa para fabricar um produto precisa produzir um componente. Um fornecedor lhe Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 47 oferece este componente pronto por $900. Para fabricar o componente a empresa emprega $200 de custos fixos e $800 com custos variáveis. Sabendo que os demais custos do produto são $1.300 de custo fixo e $2.300 de custos variáveis, pede-se: Qual a melhor alternativa, continuar fabricando ou passar a comprar o componente pronto? Veja o custeio do componente: Custos do Componente Fabricando Custos Fixos 200 Custos Variáveis 800 Custo total do componente 1.000 Comprando Preço de aquisição 900 Diferença 100 Observe que a diferença entre o custo de fabricação e o de compra é de $100. No entanto, não podemos nos precipitar afirmando que seria melhor comprar. Devemos fazer uma outra pergunta: Ao eliminarmos o componente da linha de produção, seus custos fixos desaparecerão ou serão absorvidos pelo resto da produção? Suponhamos que os custos fixos do componente não possam ser eliminados ou reduzidos, mas sejam absorvidos integralmente no custeio do produto. Neste caso, podemos dizer que os custos fixos não se alteram com a eliminação da fabricação do componente, fazendo com que o produto continue absorvendo integralmente estes custos. Veja: Exemplo 1: Sem a eliminação dos custos fixos de fabricação do componente: Fabricando o Componente Custo do Componente Custos Variáveis Demais Custos do Produto 800 2.300 200 1.000 Custos Fixos Totais Comprando o Componente Custo Total do Produto Custo do Componente Demais Custos do Produto 900 2.300 1.300 - 1.500 3.600 900 3.800 4.600 4.700 Agora, podemos decidir pela fabricação do componente, pois neste caso, o custo total do produto será menor. O quadro abaixo mostra qual opção seria melhor caso conseguíssemos eliminar todos os custos fixos da linha de produção do componente: Exemplo 2: Com a eliminação dos custos fixos de fabricação do componente: Fabricando o Componente Custo do Componente Comprando o Componente Demais Custos do Produto Custo do Componente Demais Custos do Produto Custos Variáveis 800 2.300 900 2.300 Custos Fixos 200 1.300 - 1.300 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 48 Fabricando o Componente Custo do Componente Totais Custo Total do Produto Comprando o Componente Demais Custos do Produto 1.000 4.600 3.600 Custo do Componente Demais Custos do Produto 900 3.600 4.500 ● Exercícios ● Questão 1: A rede de lojas Moda & Estilo Ltda, está planejando ampliar seus negócios. Para isto está montando uma estratégia de vendas onde deverá reduzir o preço de seus produtos. A diretoria de marketing encomendou uma pesquisa mercadológica onde foi constatado o seguinte em relação a seu principal produto: se o preço de venda for $20,00 o volume será de 500.000 por mês, mas se o preço for $18,00 o volume aumentará para 800.000 peças por mês. Sabendo que os custos variáveis unitários são $7,00 por peça e que os custos fixos serão, na primeira hipótese, de $3.000.000,00, e na segunda, de $3.700.000,00, pede-se: (a) Elabore uma planilha comparando as duas hipóteses. Qual a melhor estratégia? Por quê? (b)Após a loja ter escolhido a melhor opção, suponha que o mercado esteja no inicio de uma recessão. A loja agora amarga uma redução de vendas de 20%. Em quanto a loja precisa reduzir seus custos fixos para ter o mesmo resultado da hipótese anteriormente escolhida? Questão 2: Uma indústria automobilística produz um motor que é utilizado como componente na montagem de seus veículos. Com a necessidade de reduzir os custos de fabricação, a diretoria industrial resolveu fazer um levantamento para decidir se continua produzindo ou passará a encomendar este componente de outro fabricante. A produção média de motores é de 5.000 unidades por mês , com custos fixos de $4.000.000,00 por mês e custos variáveis de $1.200,00 por unidade. Os demais custos de fabricação dos veículos são $30.000.000 de custos fixos mensais e $7.000 de custo variável por unidade. Sabendo que a empresa recebeu uma proposta de um fornecedor que lhe entregará o motor por $ 1.800,00 a unidade e que isto não implicará em alteração dos custos fixos da fábrica, pede-se: (a) Calcule o custo de fabricação do componente; (b)Calcule o custo do produto nas duas hipóteses; (c) Qual a opção mais viável? Por quê? (d)Se os custos fixos totais diminuírem 20% caso a empresa deixe de fabricar o componente, qual hipótese será a melhor? Questão 3: Uma metalúrgica recebeu dois pedidos: um para produzir 200 janelas de alumínio e outro para produzir 150 portas de ferro, ambos com o prazo de entrega de um mês. No entanto, a fábrica terá que escolher uma das encomendas por limitação da capacidade produtiva. Os custos orçados de produção são: Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 49 Valores Unitários Janelas Portas Matérias-prima 95,00 105,00 Mão-de-obra direta 15,00 12,00 Custos indiretos de Produção variáveis 25,00 18,00 Impostos e taxas s/ venda 12,00 14,00 Preço de venda por unidade 180,00 190,00 200 unidades 150 unidades Volume de vendas Sabendo que o tempo de fabricação das duas produções é o mesmo, pede-se: (a) Determine qual dos dois pedidos a metalúrgica deve atender? Por quê? (b)Suponha agora que os fornecedores de matérias-prima aumentarão o alumínio em 35% e o ferro em 20%. A metalúrgica deverá mudar sua escolha? Por quê? Questão 4: Uma empresa fabrica dois produtos: Alfa e Beta. Considere a planilha abaixo: Descrição Alfa Preço Beta 10 20 Quantidade 1.000 1.500 Vendas 10.000 30.000 (-) Custos variáveis (7.000) (27.750) Margem de Contribuição 3.000 2.250 (-) Custos Fixos (2.400) (2.500) 600 (250) Resultado Considerando que um dos produtos esteja apresentando prejuízo, a empresa estuda a possibilidade de eliminar sua produção. Sabendo que os custos fixos totais não serão reduzidos e que não consegue aumentar os preços ou a quantidade vendida, o que você aconselha? ● Demonstração do Resultado pela Abordagem da Contribuição ● A demonstração do resultado pode ser elaborada com base na abordagem da contribuição para fins gerenciais pela empresa. Na abordagem da contribuição, ao contrário da abordagem funcional do custeio por absorção, os custos e despesas são segregados em variáveis e fixos. Exemplo: Uma empresa apresentou as seguintes informações contábeis: • Volume de vendas: 1.000 unidades; • Preço de venda praticado: $50 /unidade; • Custos de produção: Materiais diretos: $12.000 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 50 • Mão-de-obra direta: $8.000 Energia direta: $2.000 Energia indireta fixa: $1.000 Depreciação da fábrica: $500 Salários da diretoria e gerência da fábrica: $8.000 Despesas do período: Comissão de vendas: $3.000 Aluguel de escritórios: $2.000 Depreciação de bens administrativos: $500 Diversas despesas fixas: $7.000 Elaborando a DRE pelo modo funcional (custeio por absorção) temos: Demonstração de Resultados Modo funcional Receita Bruta . Vendas (-) CPV . Materiais diretos . MOD . Energia . CIF Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais . De Vendas . De Administração Lucro Operacional $50.000 $50.000 $12.000 $8.000 $2.000 $9.500 $3.000 $9.500 $31.500 $18.500 $12.500 $6.000 Elaborando a DRE pelo modo de contribuição (custeio variável) temos: Demonstração de Resultados Modo de contribuição Receita Bruta . Vendas (-) Custos Variáveis . Materiais diretos . MOD . Energia (-) Despesas Variáveis . de Vendas Margem de Contribuição (-) Custos e Despesas Fixos . de Fabricação . de Administração Lucro Operacional Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro $50.000 $50.000 $12.000 $8.000 $2.000 $3.000 $9.500 $9.500 $22.000 $3.000 $25.000 $19.000 $6.000 51 ● Exercícios ● Questão 1: Suponha que uma empresa tenha apresentado as seguintes informações contábeis: • Volume de vendas: 2.000 unidades; • Preço de venda praticado: $65 /unidade; • Custos de produção: • Materiais diretos: $10.000 • Mão-de-obra direta: $7.500 • Energia direta: $2.500 • Energia indireta fixa: $800 • Seguros da fábrica: $450 • Salários do pessoal da administração da produção: $5.500 • Despesas do período: • Comissão de vendas: $4.000 • Aluguel de computadores: $2.500 • Depreciação de bens administrativos: $400 • Diversas despesas fixas: $6.300 Pede-se: a) Elabore a demonstração de resultados no custeio variável; b) Caso a empresa receba uma encomenda especial de 300 unidades, sendo que o preço de venda será de $35 por unidade, ela deverá atender ao pedido? Qual seria o resultado desta encomenda? Questão 2: Suponha que uma empresa tenha apresentado as seguintes informações contábeis: • Volume de vendas: 1.500 unidades; • Preço de venda praticado: $22 /unidade; • Custos de produção: • Matérias-prima: $7.000 • Mão-de-obra direta: $6.500 • Energia direta: $1.500 • Energia indireta fixa: $700 • Depreciação de máquinas: $500 • Salários da gerência da fábrica: $4.500 • Despesas do período: • Comissão de vendas: $2.500 • Salário do pessoal do escritório: $1.500 • Diversas despesas fixas: $3.300 Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 52 Pede-se: a) Elabore a demonstração de resultados no custeio variável; b) Caso a empresa receba uma encomenda especial de 200 unidades, sendo que o preço de venda será de $15 por unidade, ela deverá atender ao pedido? Qual seria o resultado desta encomenda? Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 53 ● Limitação da capacidade instalada ● Uma indústria pode estar operando abaixo ou no limite de sua capacidade produtiva. Ou ainda, por imposição de certos fatores ver sua produção limitada a certo volume. Estas limitações comumente são chamadas de gargalos, como por exemplo, fornecimento de matérias-prima limitado por um determinado fornecedor, horas de produção, espaço dos estoques, escoamento da produção, entre outras. Fator limitativo ou crítico é qualquer coisa que restringe ou limita a fabricação ou a venda de determinados produtos. Sendo assim, maximizasse os lucros, incentivando-se a produção e venda de produtos que possuam a melhor margem de contribuição por unidade de fator limitativo. Vejamos o exemplo: Consideremos uma empresa que produza três produtos: Alfa, Beta e Gama. A tabela abaixo define as margens unitárias de contribuição de cada produto: Descrição Alfa Beta Gama Preço unitário 240 400 350 Custos Variáveis unitário 200 380 340 Margem de contribuição unitária 40 20 10 Conforme podemos observar na tabela, os produtos que possuem melhor margem de contribuição são: 1º Alfa com margem de $40; 2º Beta com margem de $20; e 3º Gama com margem de contribuição unitária de apenas $10. Até aqui, é evidente que é melhor produzir o Alfa que os demais. No caso da empresa estar operando sem restrição dos fatores limitativos, poderia obedecer esta ordem sem maiores preocupações. No entanto, tendo a empresa problemas de limitações de produção, deve estudar a melhor forma de distribuir sua produção entre os produtos que oferecem melhor margem de contribuição por unidade de fator limitativo. Vejamos: Caso não houvesse fatores limitativos, a margem total da produção seria: Descrição Alfa Beta Gama Total Preço unitário 240 400 350 Custos Variáveis unitário 200 380 340 Margem de contribuição unitária 40 20 10 Demanda mensal 200 152 250 8.000 3.040 2.500 Margem de Contribuição Total 13.540 Suponha que o tempo de produção seja o fator limitativo, e que a empresa tenha capacidade de Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 54 produção de apenas 12.000 horas-máquina. Como as prioridades de produção, com base na contribuição unitária, são: primeiro o Alfa, em segundo o Beta, e depois o Gama, temos: Descrição Alfa Beta Gama Margem de contribuição unitária 40 20 10 Produção e venda - Quantidade 200 152 90 Horas-máquina por unidade Total 45 15 8 Horas totais 9.000 2.280 720 12.000 Margem de Contribuição Total 8.000 3.040 900 11.940 No entanto, a empresa pode maximizar sua lucratividade considerando a margem de contribuição por unidade de fator limitativo: Descrição Alfa Beta Gama Margem de contribuição unitária 40 20 10 Horas-máquina por unidade 45 15 8 Margem por fator limitativo 0,89 1,33 1,25 Com base na margem de contribuição unitária dividida pelo fator limitativo, que no exemplo são as horas-máquina, chegamos a uma nova conclusão: é melhor fabricar os produtos na seguinte ordem: em 1º Beta, em 2º Gama, e em 3º Alfa. Com base na demanda mensal de cada produto, e no fator limitativo, obtemos uma nova margem de contribuição total: Descrição Beta Gama Alfa Total Margem de contribuição unitária 20 10 40 Produção e venda - Quantidade 152 250 171 Horas-máquina por unidade 15 8 45 Horas totais 2.280 2.000 7.720 12.000 Margem de Contribuição Total 3.040 2.500 6.840 12.380 Vela o quadro comparativo das margens de contribuições totais: Situação Alfa Beta Gama Total Sem limitação 8.000 3.040 2.500 13.540 Com limitação – por ordem de margem unitária 8.000 3.040 900 11.940 Com limitação – por ordem de margem por fator limitativo 6.840 3.040 2.500 12.380 Concluímos que, em havendo limitação, é melhor priorizar a produção levando-se em conta a margem de contribuição dividida pelo fator limitativo de cada produto. Desta forma pode-se maximizar os lucros. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 55 ● Exercícios ● Questão 1: Uma empresa apresentou as seguintes informações sobre seus três produtos: Descrição Alfa Margem de contribuição unitária Demanda mensal Beta Gama $250 $228 $200 1.500 u 1.500 u 1.800 u 5hm 3hm 2hm Horas-máquina por unidade Considerando que a produção está limitada a 13.000 horas-máquina e que os custos fixos mensais são de $500.000, pede-se: (a)O resultado sem a limitação de produção; (b)O resultado com a limitação de produção. Questão 2: Uma empresa apresentou as seguintes informações sobre seus três produtos: Descrição Margem de contribuição unitária Demanda mensal Matéria-prima por unidade A B C $30 $40 $15 1.000 u 750 u 800 u 15Kg 16Kg 5Kg Considerando que a produção está limitada a utilização de 19.750Kg de matéria-prima por imposição do fornecedor e que os custos fixos mensais são de $25.000, pede-se: (a)O resultado sem a limitação de produção; (b)O resultado com a limitação de produção. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 56 CAPÍTULO 10 Relação Custo-Volume-Lucro ● Análise da relação custo-volume-lucro ● A análise do relacionamento custo-volume-lucro tenta verificar o comportamento da receita, do custo total e do lucro a cada volume de produção. Ponto de Equilíbrio Também chamado de Ponto de Ruptura ou 'Break-even Point', no inglês, o ponto de equilíbrio determina o momento exato da produção no qual verifica-se a quantidade de equilíbrio, onde as receitas totais são exatamente iguais aos custos totais. Neste ponto o resultado das operações é nulo. Antes do ponto de equilíbrio a empresa incorre em prejuízo, após este ponto passa a desfrutar de lucro. Exemplo: Uma empresa vende certo produto por $50 cada, sendo os custos variáveis unitários são de $10 e seus custos fixos no mês são de $3.000. Neste mês espera vender 100 unidades. Qual será seu ponto de equilíbrio? $ RT $5.000 Resultado cr o Lu CT $4.000 PE $3.750 $3.000 P zo juí e r Custo Total CF Custos Fixos 75 fórmula: Custos Variáveis RT = CT 100 Qde Para determinar a quantidade necessária para se atingir o equilíbrio vamos utilizar a seguinte Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 57 Ponto de Equilíbrio Contábil PEC = DCF ÷ MCu Onde: DCF: Despesas e Custos Fixos Mcu: Margem de Contribuição Unitária Exemplo: Com base no gráfico de equilíbrio fornecido por uma empresa acima, temos: MCu = $50 – $10 = $40 PEC = 3.000 ÷ $40 = 75 unidades Observe que: Receita no PE = 75 unidades x $50 = $3.750,00 Ponto de Equilíbrio Econômico Podemos também calcular o ponto de equilíbrio econômico que visa determinar a quantidade necessária para se obter um determinado lucro. PEE = (DCF + Lucro) ÷ MCu Ponto de Equilíbrio Financeiro O ponto de equilíbrio financeiro tem como objetivo determinar a quantidade necessária que causa equilíbrio entre o recebimento das receitas e o pagamento dos custos. Ou seja, quando o saldo de caixa é zero. Recebimentos = Pagamentos Para isto devemos expurgar do custo total os itens de custos fixos que não provocam desembolsos de caixa, como a depreciação, por exemplo: PEF = (DCF – Itens não Desem. Caixa) ÷ MCu Pressupostos da Análise de Custo-Volume-Lucro Para que a análise da relação custo-volume-lucro tenha algum sentido na tomada de decisão, devemos observar alguns pressupostos: ✔ A receita total e o custo total devem ser funções lineares; ✔ A eficiência das operações deve ser constante durante as atividades operacionais relevantes; ✔ Os custos devem ser facilmente e claramente separados em fixos e variáveis; Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 58 ✔ ✔ O mix de vendas deve ser constante; Durante o período de atividade operacional o saldo final dos estoques deve ser constante. A empresa produz para vender, e não para formar estoques. Quadro dos efeitos das variações sobre o ponto de equilíbrio O quadro abaixo indica como se comporta o ponto de equilíbrio quando variamos os custos fixos totais, os custos variáveis unitários e o preço de venda. Mudança nas variáveis Efeito no ponto de equilíbrio Custos Fixos Aumento Diminuição Aumento Diminuição Custos Variáveis unitários Aumento Diminuição Aumento Diminuição Preço de venda Aumento Diminuição Diminuição Aumento Variáveis Gráfico Volume - Lucro Abaixo apresentamos uma outra forma gráfica de representar o ponto de equilíbrio e a evolução do resultado da empresa: Resultado Com base no exemplo anterior, temos: $1.000 PE 0 75 Prejuízo Lucro 100 Quantidade ($ 3.000) Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 59 ● Exercícios ● Questão 1: Com base no gráfico que o departamento de contabilidade da empresa Microton SA forneceu abaixo, determine: (a) A partir de que volume de vendas a empresa terá lucro contábil? (b)Qual deverá ser o volume de vendas para um lucro de $25.500? (c) A cima de que quantidade vendida terá equilíbrio financeiro do caixa, sabendo que contabilizou, no mês, depreciações de $4.500? $ 250.000 RT 149.500 CT 49.500 CF 10.000 Volume Questão 2: A empresa Soltex SA planeja uma promoção de oferta de preços de seu principal produto para incrementar as vendas. Sabendo que atualmente vende por mês 7.000 unidades ao preço de $30,00, com custos e despesas variáveis de $17,00 e com custos e despesas fixos de $55.900,00/mês, ajude o diretor comercial no levantamento de informações para tomada de decisão respondendo o seguinte: (a) A cima de que quantidade vendida, a loja começará a ter lucro? (b)A cima de que quantidade vendida, a empresa terá lucro maior que $9.100? (c) Sabendo que os itens do custo fixo que não têm desembolso de caixa totalizam $3.900,00, determine o faturamento necessário para que o saldo de caixa seja nulo. Questão 3: A empresa Ametista SA deseja realizar uma grande oferta de preços de seu principal produto para incrementar as vendas. Sabendo que atualmente vende por mês 2.200 unidades ao preço de $22,00, com custos e despesas variáveis de $13,00 e com custos e despesas fixos de $18.000,00/mês, ajude o diretor comercial no levantamento de informações para tomada de decisão respondendo o seguinte: (a) A cima de que quantidade vendida, a loja começará a ter lucro? (b)A cima de que quantidade vendida, a empresa terá lucro maior que $2.700? (c) Sabendo que os itens do custo fixo que não têm desembolso de caixa totalizam $900,00, determine o faturamento necessário para que o saldo de caixa seja nulo. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 60 ● Ponto de Equilíbrio de um Mix de Produtos ● Quando se tem um mix de produtos, a obtenção do ponto de equilíbrio torna-se mais trabalhosa. Neste caso devemos considerar uma margem de contribuição média ponderada dos produtos. Vejamos: Descrição A B C Quantidade Vendida 50 60 90 Preço unitário 100 120 50 Custos Variáveis unitários 60 70 30 Margem de contribuição unitária 40 50 20 Calculando a participação de cada produto nas vendas teremos: Produtos Quantidade Vendida Participação % A 50 25% B 60 30% C 90 45% Total 200 100% Aplicando os percentuais sobre as margens de cada produto temos: Descrição A Margem de contribuição unitária B C Total 40 50 20 Participação nas vendas - % 25% 30% 45% 100% Margem média ponderada 10 15 9 34 Considerando que os custos e despesas fixos são de $8.500, o cálculo do ponto de equilíbrio seria da seguinte forma: PEC = 8.500 / 34 = 250 unidades Sendo assim, o mix de produtos que faria a empresa atingir o ponto de equilíbrio contábil seria: Produtos Quantidade Vendida Participação % Quantidade de Equilíbrio A 250 25% 62,5 B 250 30% 75,0 C 250 45% 112,5 100% - Total Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 61 ● Receita de Equilíbrio ● Podemos calcular a receita de equilíbrio através da seguinte fórmula: Receita de Equilíbrio = CDF ÷ (1 – CV Totais ÷ Vendas) No exemplo anterior temos: Descrição A Quantidade Vendida B C Total 50 60 90 - Vendas 5.000 7.200 4.500 16.700 Custos Variáveis Totais 3.000 4.200 2.700 9.900 Margem de contribuição unitária 2.000 3.000 1.800 6.800 Receita de Equilíbrio = 8.500 / (1 – 9.900/16.700) = Receita de Equilíbrio = 8.500 / 0,4072 = $20.875,00 Vamos a prova dos “nove”: Produtos Quantidade de Preço unitário Equilíbrio Receita A 62,5 100 6.250 B 75,0 120 9.000 C 112,5 50 5.625 - - 20.875 Total ● Margem de Segurança ● A margem de segurança operacional é a quantidade que excede o ponto de equilíbrio contábil. Representa o quanto pode ser diminuído de vendas sem que a empresa opere em prejuízo. MSO = Quantidade Vendida - Quantidade no PE %MSO = MSO / Quantidade Vendida Exemplo: Uma empresa apresentou as seguintes informações: Quantidade vendida: 250 unidades; Custos variáveis: $50 por unidade; Custos fixos: $3.150 por mês; Preço de venda: $65 por unidade. PEC = 3.150 / (65 – 50) = 210 unidades Margem de segurança = 250 – 210 = 40 unidades %MS = 40 / 250 = 0,16 ou 16% As vendas podem cair 16% sem que a empresa tenha prejuízo. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 62 ● Grau de Alavancagem Operacional ● É a relação entre o aumento ou diminuição das vendas com o aumento ou diminuição do lucro operacional. Exemplo: Uma empresa apresentou as seguintes informações: ✔ Quantidade vendida: 1.000 unidades; ✔ Preço de venda unitário: $10; ✔ Custos Variáveis unitários: $3; ✔ Custos fixos mensais: $2.000 Podemos elaborar o demonstrativo de resultados pelo modo de contribuição: Demonstração do Resultado Vendas 10.000 Custos Variáveis 3.000 Margem de Contribuição 7.000 Custos Fixos 2.000 Lucro Operacional 5.000 Considerando que a empresa pode apresentar duas situações, uma de redução de 100 unidades, e outra de aumento de 100 unidades, sem que haja variação dos custos fixos (por expansão da fábrica, por exemplo), podemos elaborar um demonstrativo de resultados comparativo: Demonstração do Resultado Redução de 100 unidades Situação atual Aumento de 100 unidades Vendas 9.000 10.000 11.000 Custos Variáveis 2.700 3.000 3.300 Margem de Contribuição 6.300 7.000 7.700 Custos Fixos 2.000 2.000 2.000 Lucro Operacional 4.300 5.000 5.700 Variação % das Vendas (10%) 10% Variação % do lucro (14%) 14% Percebemos, agora, que quando as vendas caíram 10%, o lucro diminuiu 14%. O contrário ocorre com o aumento das vendas. As vendas aumentaram 10%, enquanto o lucro operacional aumentou 14%. Aplicando a seguinte fórmula, temos: GAO = Variação % do lucro / Variação % das Vendas GAO = 14% / 10% = 1,40 Ou seja, o lucro operacional aumenta 1,4 vezes mais que o aumento das vendas. Ou ainda, para cada aumento de 1% das vendas, o lucro operacional aumenta 1,4%. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 63 ● Exercícios ● Questão 1: Uma empresa apresentou as seguintes informações: ✔ Quantidade vendida: 500 unidades; ✔ Custos variáveis: $10 por unidade; ✔ Custos fixos: $2.500 por mês; ✔ Preço de venda: $25 por unidade. Pede-se: (a) Calcular a margem de segurança operacional; (b)Considerando um aumento de 10% nas vendas, e que os custos fixos não se alteram neste nível de produção, determine o grau de alavancagem operacional; Questão 2: Uma empresa orçou, para o próximo período, as seguintes informações sobre seus produtos: Verde, Amarelo e Azul: ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ ✔ Quantidades vendidas: Verde – 1.800, Amarelo – 2.400, Azul – 2.400; Preços unitários: Verde - $52,00, Amarelo - $33,00, Azul - $42,00; Impostos sobre vendas: 10%; Comissões de vendas: 4%; Outras despesas sobre vendas: 2%; Custos variáveis de produção: Verde – $18.000, Amarelo - $27.000, Azul - $15.000; Custos fixos de produção: $15.000; Despesas operacionais fixas: $10.000; Sabendo que os estoques iniciais e finais são nulos, Pede-se: (a) Elaborar o orçamento de resultados pelo custeio variável; (b)Calcular a margem de contribuição unitária de cada produto; (c) Calcular a margem de contribuição média ponderada do mix de produtos; (d)Calcular o ponto de equilíbrio do mix de produtos; (e) Calcular o ponto de equilíbrio de cada produto; (f) Calcular a receita de equilíbrio do mix de produtos; (g)Determinar a margem de segurança em quantidade e em percentual; (h)Desenhar o gráfico da relação custo – volume – lucro; Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 64 CAPÍTULO 11 Produção por Ordem e Contínua ● Custeio por Ordem e por Processo ou Contínuo ● O tipo de custeio se por Ordem ou por Processo (Contínuo) é determinado por dois fatores: ✔ A forma de trabalho da empresa; ✔ E a conveniência contábil-administrativa. A cultura operacional de a empresa trabalhar irá determinar, fundamentalmente, o tipo de custeio. Se a produção da empresa é voltada para a formação de estoques, teremos o custeio por processo ou contínuo. Como exemplo poderíamos citar a produção de refrigerantes pela Coca-Cola. Caso a empresa produza bens por encomenda de seus clientes, iremos verificar o custeio por ordem. Este tipo de custeio é empregado, basicamente, por indústrias pesadas, como, por exemplo, pela construção civil na construção de prédios, pela indústria aeronáutica, na fabricação de aviões e foguetes, pela indústria naval na fabricação de navios e plataformas, pela indústria metalúrgica na fabricação de máquinas pesas. Não raramente, podemos encontrar empresas que trabalham com os dois tipos de custeio, onde parte da produção é realizada de forma contínua para a formação de estoques, e outra parte para atender pedidos específicos ou personalizado de seus clientes. ● Diferenças no tratamento contábil ● Custeio por Ordem Na produção por ordem os custos são registrados e acumulados em contas específicas daquela ordem ou projeto. Esta conta somente deixará de receber custos quando o bem estiver pronto, ainda que ultrapasse mais de um período. Cada unidade tem seu custo específico de fabricação. Custeio por Processo Os custos deverão ser acumulados em contas que representam as diversas fases de produção. Estas contas são encerradas ao final de cada período. As unidades produzidas em um período terão custos fabricação médios em função da quantidade total produzida no período. ● Encomendas de longo prazo de produção ● Nos casos em que a empresa que produz por encomenda, tem poucas unidades em processo e que necessitam de vários exercícios para a conclusão, como é o caso da fabricação de navios, esta empresa deverá adotar o custeio por ordem. Imagine que um estaleiro esteja produzindo um único navio e que o prazo de término será de Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 65 quatro anos. Passarão quatro anos sem que a empresa demonstre um resultado se quer, desta forma distorcendo sua demonstrações. Neste caso o mais correto será, ao final de cada exercício, fazer uma apuração de cada etapa concluída. Reconhece-se parte da receita no período e os custos do período são lançados no resultado, de modo que se faça a apuração do resultado do período. ● Exercícios ● Questão 1: Uma empreiteira assina um contrato de construção de casas para a classe alta encomendadas por uma incorporadora. O contrato prevê a construção de 50 casas em condomínio fechado, com prazo de encerramento de 2 anos. Os valores projetados foram: Custo global de $50.000.000 e receita total de $ 80.000.000. As condições de pagamento deverão ser de 25% a cada seis meses, sendo a primeira paga na assinatura do contrato. Sabendo, ainda, que ao final do primeiro ano já havia sido entregues 25 casas, e que a partir do segundo ano, os custos aumentaram imprevisivelmente em 20%, sendo que o contrato não prevê reajustes, pedese: (a)O custo no primeiro ano; (b)O resultado no primeiro ano; (c)O custo no segundo ano; (d)O resultado total do projeto; (e)Caso o contrato previsse o reajuste, qual seria o resultado global do projeto? ● Produção Contínua – Equivalência de Produção ● No custeio por processo para determinarmos os custos unitários de produtos fabricados em um período, dividimos os custos acumulados neste período pela quantidade total fabricada. Exemplo: Uma empresa fabrica 10.000 unidades do produto A com custo total de $1.000.000. Calculamos então: Custo unitário do produto A = $1.000.000 : 10.000 unidades = $100.000 por unidade Suponha que no segundo mês a empresa não tenha conseguido terminar todas as unidades de produto A iniciadas dentro do período, restando unidades em processo ou semi-acabadas, que deveram ser terminadas no terceiro mês. No segundo mês teríamos: Custo total do período = $1.500.000 Unidades iniciadas no período = 20.000 unidades Unidades acabadas no período = 10.000 unidades Em elaboração ao final do segundo mês = 10.000 unidades As 20.000 unidades em elaboração sofram fabricadas pela metade, não dando tempo de serem concluídas dentro do mês. Teremos, agora, uma certa dificuldade de determinar o custo médio unitário das unidades do Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 66 produto A. Ou seja, não podemos simplesmente dividir $1.500.000 por 20.000 unidades, pois 10.000 unidades ainda não foram completadas, e não podemos dividir $1.500.000 por 10.000 unidades acabadas, porque parte dos custos do período foi utilizado na fabricação das 10.000 unidades semiacabadas. O que fazer então? O caminho está em se calcular os custos médios pela Equivalência de Produção. Deste modo: Estoques Quantidade Equivalência de produção à acabada Quantidade 10.000 $ Acabadas 10.000 1.000.000 Em elaboração 10.000 5.000 500.000 Total 20.000 15.000 1.500.000 Logo: Custo médio de unidades acabadas é de $1.000.000 / 10.000 unidades = $100.0000 por unidade Custo médio de unidades em elaboração é de $ 500.000 / 10.000 unidades = $50.000 por unidade ● Exercícios ● Questão 1: Uma empresa em certo período iniciou a produção de 50.000 unidades das quais 20.000 unidades foram concluídas dentro do período. Sabendo que o custo de produção do período foi de $400.000 e que as unidades em elaboração possuem apenas 40% de acabamento, pede-se: (a)Quantidade equivalente total da produção no período; (b)Custo médio unitário da produção acabada; (c)Custo médio unitário da produção em elaboração; (d)Caso a produção semi-acabada tivesse um índice de acabamento de 70%, qual seria o custo médio da produção semi-acabada? Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 67 CAPÍTULO 12 Custo-Padrão A mais eficaz forma de controlar o Custo de uma empresa é a partir da institucionalização do CustoPadrão. Através deste podemos apontar ineficiências e defeitos na linha de produção. Com o Custo-Padrão podemos conhecer a realidade e compará-la com o que se esperava, localizando divergências e tomando medidas para sua correção. Conceito É um custo estabelecido pela empresa como meta para os produtos de sua linha de produção, levando-se em consideração as características tecnológicas do processo produtivo de cada um, a quantidade e os preços dos insumos necessários para a produção e o respectivo volume deste. ● Análise das Variações do Custo-Padrão X Custo Real ● Ao serem obtidos os valores de custo real, estes devem ser comparados com o custo-padrão, para análise das variações. Suponhamos que uma empresa tenha obtido os seguintes valores: Custo-Padrão: Custo total = $ 3.400/u Custo Real: Custo total = $ 3.850/u A diferença entre o Custo-Padrão e o Custo Real foi de $ 450. Como o Custo real foi maior que o previsto no Custo-Padrão, podemos dizer que esta diferença é desfavorável. Nosso trabalho, agora, será o de determinar as causas do não cumprimento das metas do Custo-Padrão, ou seja, desta diferença desfavorável de $ 450. Abaixo, abrimos os valores: Custo-Padrão: MD MOD CIF 1.700 950 750 3.400 Custo Real: MD MOD CIF 1.850 1.050 950 3.850 Variações Totais: MD MOD CIF 150 D 100 D 200 D 450 D Podemos verificar que a maior diferença está no CIF ($ 200) e a menor na MOD ($ 100). Temos, agora, que detalhar ainda mais estas variações. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 68 ● Análise das Variações do Material Direto ● Podemos explodir a análise da variação dos Materiais Diretos empregados da seguinte forma: Custo-Padrão: Matéria-Prima X Matéria-Prima Y Embalagens 16 Kg x $ 40,00/Kg = 5 m x $ 100,00/m = 80 fl x $ 7,00/fl = 640 500 560 1.700/u Custo Real: Matéria-Prima X Matéria-Prima Y Embalagens 19 Kg x $ 42,00/Kg = 4 m x $ 135,50/m = 75 fl x $ 6,80/fl = 798 542 510 1.850/u 158D 42D 50F 150/u D Variações Totais: Matéria-Prima X Matéria-Prima Y Embalagens Observe que cada material colaborou de forma diferente para a obtenção da variação total desfavorável de $ 150. Notamos, ainda, que se a variação das embalagens não fosse favorável, a variação total seria ainda mais desfavorável. Concluímos que o problema da variação dos Materiais diretos está nas variações das Matérias-Primas X e Y. Uma análise mais crítica da variação desfavorável da Matéria-prima X indica que o motivo de sua variação desfavorável de $ 158 está no aumento de consumo de 16Kg (Padrão) para 19Kg (Real), e no aumento do preço de aquisição de $40,00/Kg (Padrão) para $42,00/Kg (Real). preço. Podemos afirmar que a variação de $158 D é em decorrência da variação de quantidade e de Análise da Variação da Quantidade Para determinar qual a participação da variação da quantidade em relação a variação total da matériaprima de $158D, devemos pensar da seguinte forma: Se apenas tivesse havido variação de quantidade, que variação seria essa? Bem, se não houvesse variação de preço, este seria de $40,00/Kg, ou seja, o próprio custo-padrão desta matéria-prima. Então teríamos: Variação de Quantidade = Diferença de Qde x Preço Padrão VQ = 3Kg x $40,00/Kg = $120 D Análise da Variação de Preço Para sabermos qual a participação do aumento de preço da matéria-prima sobre a variação total dos materiais, podemos raciocinar de forma semelhante ao da análise da variação de quantidade. Se tivesse havido apenas a variação de preço, a quantidade consumida seria a mesma do custopadrão, 16Kg. Então teríamos: Variação de Preço = Diferença de Preço x Qde Padrão VP = $2,00/Kg x 16 Kg = $ 32,00 D Note o seguinte: se você somar as variações obtida de quantidade e de preço dá um total de Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 69 $152 D. Este valor não bate com a variação de 158D que estamos tentando explicar. Há uma diferença de $6,00. Qual será o problema? Veremos esta solução a seguir: Análise da Variação Mista De acordo com o item anterior, temos uma diferença de $6,00 ainda para explicar. Estes $6,00 é referente a parte mista da variação, ou seja, a parte que é referente a variação de quantidade e de preço ao mesmo tempo. Veja o gráfico abaixo: Preço $ 42,00 Custo Real VP $32,00 D VM $6,00 D Custo-Padrão $ 40,00 VQ $120,00 D 16Kg 19Kg Quantidades Para determinar a Variação Mista devemos aplicar o seguinte: Variação Mista = Diferença de Qde x Diferença de Preço VM= 3Kg x $2,00 /Kg = $ 6,00 D Prováveis causas das variações de MD Na Quantidade ✔ Qualidade de matéria-prima utilizada; ✔ Baixa qualidade de mão-de-obra; ✔ Máquinas mal preparadas ou mal reguladas; ✔ Problemas técnicos; No Preço ✔ Compra mal feita por deficiência do Setor de Compras; ✔ Compra mal feita por deficiência do Departamento de Controle e Produção que não a solicitou em tempo hábil, ocorrendo uma compra com preço superior ao normal; ✔ Determinação da Diretoria de comprar de outro fornecedor para não ficar na mão de um único; ✔ Variação da taxa de câmbio nos casos de materiais e serviços importados. ● Exercícios ● Questão 1: Suponha a seguinte situação apresentada pela Empresa Alvorada, referente aos Materiais Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 70 diretos empregados este mês: Custo Padrão: Matéria-prima A: 8kg x $40,00/kg = $320,00 Matéria-prima B: 2,5m X $100,00/m = $250,00 Embalagem: 40 folhas X $7,00/folha = $280,00 Custo Real : Matéria-prima A: 9,5kg X $42,00/kg = $399,00 Matéria-prima B: 2m X $135,50 = $271,00 Embalagem: 38 folhas X $6,71/folha = $254,98 Pede-se: (a) Fazer a análise das variações encontradas do material direto, demonstrando as variações na quantidade, no preço e a variação mista. (b)Apontar as possíveis causas para as variações e sugerir providências. Questão 2: No mês de Janeiro de 20X0, a Cia. Industrial Ribeiro apresentou os seguintes dados para do produto GAMA em relação ao Material Direto. Padrão Quantidade = 850 Kg Preço = $400/Kg Real Quantidade = 900 Kg Preço = $450/Kg Com base nas informações acima se pede: (a) Fazer a análise das variações do material direto, demonstrando as variações na quantidade, no preço e a variação mista. (b)Apontar as possíveis causas para as variações e sugerir providências. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 71 ● Análise das Variações da MOD ● Da mesma forma que detalhamos a análise da variação dos Materiais Diretos, devemos a análise da MOD. Veja: Custo-Padrão: Departamento A 40H x $12,00/H = 480 Departamento B 20H x $23,50/H = 470 Departamento A 46H x $12,50/H = 575 Departamento B 19H x $25,00/H = 475 950/u Custo Real: 1.050/u Variações Totais: Departamento A 95 D Departamento B 5D 100 D Observe que cada departamento colaborou de forma diferente para a obtenção da variação total desfavorável de $ 100. Sendo que o departamento A foi o principal responsável pela variação desfavorável. Uma análise mais crítica da variação desfavorável do departamento A, indica que o motivo de sua variação de $ 95 D está no aumento do consumo de horas de 40H (Padrão) para 46H (Real), e no aumento do valor da taxa que passou de $12,00/H (Padrão) para $12,50/H (Real). A análise da variação da MOD deverá ser feita da mesma forma que fizemos com o MD. Apenas há diferenças quanto às nomenclaturas. O que era preço, aqui chamaremos de taxa, e ao que era quantidade, aqui chamaremos de eficiência. Podemos afirmar, então, que a variação do departamento A de $95 D é em decorrência da variação de eficiência e de taxa. Vejamos: Variação de Eficiência Variação de Eficiência = Diferença de Eficiência x Taxa Padrão VE = 6H x $ 12,00/H = $72,00 D Variação de Taxa Variação de Taxa = Diferença de Taxa x Eficiência Padrão VT = $0,50/H x 40H = $20,00 D Note também o seguinte: se você somar as variações obtida de eficiência e de taxa dá um total de $92,00 D. Este valor não bate com a variação de 95,00D que estamos tentando explicar. Há uma diferença de $3,00. O problema e a solução são os mesmos da variação mista do MD. Veja a seguir: Variação Mista Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 72 De acordo com o item anterior, temos uma diferença de $3,00 ainda para explicar. Estes $3,00 são referentes à parte mista da variação, ou seja, a parte que é referente à variação de eficiência e de taxa ao mesmo tempo. Veja o gráfico abaixo: Taxa $ 12,50 Custo Real VM $3,00 D VT $20,00 D Custo-Padrão $ 12,00 VE $72,00 D 40H 46H Eficiência Para determinar a Variação Mista devemos aplicar o seguinte: Variação Mista = Diferença de Taxa x Diferença de Eficiência VM = 6H x $0,50/H = $3,00 D Prováveis causas das variações da MOD Eficiência ✔ Ineficiência da mão-de-obra; ✔ Uso de pessoal inadequado para a tarefa; ✔ Inexistência de pessoal treinado para substituir o pessoal em férias. Taxa ✔ Acréscimo da taxa por decisão da direção; ✔ Aumento por alteração da legislação do trabalho; ✔ Reajuste salarial por ocasião de dissídio; Contratação de pessoal com taxa acima do esperado por carência de mão-de-obra no mercado. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 73 ● Exercícios ● Questão 1: Ametista SA apresentou ainda, quanto ao custo de MOD do período, o seguinte: Custo-Padrão: Horas-máquina = 25 mim Taxa = $0,08 /mim Custo Real: Horas-máquina = 30 mim Taxa = $0,10 /mim Pede-se: (a) Calcule as variações de eficiência, de taxa e mista. (b)Determine as possíveis causas desta variação entre o Padrão e o Real. O que você faria para melhorar estes resultados? Questão 2: Microton SA apresentou ainda, quanto ao custo de MOD do período, o seguinte: Custo-Padrão: Horas-máquina = 25 mim Taxa = $0,30 /mim Custo Real: Horas-máquina = 20 mim Taxa = $0,25 /mim Pede-se: (a) Calcule as variações de eficiência, de taxa e mista. (b)Determine as possíveis causas desta variação entre o Padrão e o Real. O que você faria para melhorar estes resultados? ● Análise das Variações do CIF ● Vamos supor, que para determinar o CIF Padrão de $750/u, fizemos assim: Dados: Custo Indireto Variável Padrão = $450/u Custo Indireto Fixo Padrão = $300.000/mês Volume de Produção Padrão = 1.000 unidades/ mês Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 74 Cálculo do CIF Padrão: Custo Variável Padrão = $450/u x 1.000 u/ mês = $450.000/ mês CIF Total Padrão = $300.000 + $450.000 = $750.000 CIF Unitário Padrão = $750.000 : 1.000 u/ mês = $750/u Digamos que durante o período o que aconteceu na realidade foi o seguinte: Volume Produzido Real = 800 unidades CIF Total Real = $760.000 CIF Unitário Real = $760.000 : 800u = $950/u Notamos existe uma diferença entre o Padrão e o Real: CIF Unitário Padrão = $750/u CIF Unitário Real = $950/u Variação = $750/u - $950/u = $200/u Desfavorável Devemos analisar as causas desta variação entre o Padrão e o Real. Variação de Volume Devemos determinar qual a participação da variação do volume de produção em relação à variação total do CIF de $200 D. Para isto devemos responder a seguinte pergunta: Se apenas tivesse havido a variação de quantidade de 1.000u (Padrão) para 800u (Real), qual seria a variação total? Vejamos: Variação de Volume = CIF Padrão com Volume Padrão – CIF Padrão com Volume Real CIF Padrão com Volume Padrão: já sabemos que é $ 750/u CIF Padrão com Volume Real: Temos que calcular. Custo Indireto Fixo Padrão = $300.000/mês (Dado no enunciado) Custo Indireto Variável Padrão = $450/u x 800u = $360.000 Então, CIF Padrão com Volume Real = $300.000 + $360.000 = $660.000 CIF Padrão com Volume Real = $660.000 : 800u = $825/u Logo, VV = $750/u - $825/u = $75/u Desfavorável Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 75 Principais causas da variação do CIF Queda na demanda de Mercado Falha do Departamento de Vendas ✔ Quebra das máquinas, falta de energia ou matéria-prima. ✔ Ineficiência de pessoal da produção ✔ ✔ Variação de Custo Variação de Custo = CIF Padrão com Volume Real – CIF Real com Volume Real Teríamos: VC = $825/u - $950/u = $125/u Desfavorável Principais causas da variação do CIF Mão-de-Obra Indireta super dimensionada para o volume real ✔ Consumo de energia elétrica superior em função de falta de regulagens das máquinas ✔ Consumo de Material Indireto superior em função de mudança tecnológica introduzida em um departamento ✔ ● Exercícios ● Questão 1: O Sr. Cristiano Sousa, foi promovido a Controller da Indústria Macedo de artigos de plástico Ltda e como primeira tarefa, resolveu analisar com um maior detalhe os Custos Indiretos de Fabricação. Coletou os seguintes dados em relação ao custo padrão e aos custos efetivos do presente mês: Padrão Volume = 2.500u /mês Custo Indireto Variável = $300 /u Custo Indireto Fixo = $ 500.000/mês Real Volume = 2.350u /mês Custo Indireto Total = $ 1.327.750 Com base nos dados acima, ajude o Sr. Cristiano Sousa a determinar as variações de volume e custo. Analise-as sugerindo decisões a serem tomadas. Questão 2: Uma metalúrgica tem uma estrutura de custo conforme discriminação abaixo: Padrão: Custo indireto variável = $ 300/u Custo indireto fixo = $ 90.000 /mês Volume de produção = 600 u/mês Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 76 Real: CIF total = $ 300.000 Volume produzido = 500 u /mês Custo indireto real por unidade – $ 600 Calcule as variações de volume e custo dos CIFs. Questão 3: Uma Empresa tem um CIF padrão discriminado, assim: Padrão de custo fixo $180.000,00/mês; Padrão CIF variável $270,00/unidade; Volume padrão de produção 1.200 unidades por mês; O CIF real total foi de $532.000 e a quantidade real produzida foi de 950 unidades. Determinar o CIF padrão e o CIF real por unidade, e em seguida determinar as variações de volume e de custo. Contabilidade Financeira – Prof. Claudio Sameiro 77
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