2024/2025 A INFLUÊNCIA DOS MÉDIAS NO COMPORTAMENTO DOS JOVENS A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens 2024/2025 Pérola Gaspar - 12º C, 1338, Curso de ciências socioeconómicas Hillary Alfredo - 12ºC, 2180, Curso de ciências socioeconómicas 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Índice INTRODUCÃO ........................................................................................................... 3 ENQUADRAMENTO TEÓRICO ............................................................................... 4 METODOLOGIA ........................................................................................................ 8 A REVOLUÇÃO DIGITAL E OS JOVENS ............................................................... 9 SAÚDE MENTAL E REDES SOCIAIS ................................................................... 12 REPRESENTAÇÕES DE GÉNERO NOS MEDIA ................................................. 14 DESINFORMAÇÃO E FORMAÇÃO DE OPINIÕES ............................................. 17 CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE.......................................................................... 19 CULTURA DA COMPARAÇÃO .............................................................................. 21 IMPACTOS DE FILMES E SÉRIES ........................................................................ 22 ATIVISMO DIGITAL ................................................................................................. 23 CONSUMO E PUBLICIDADE ................................................................................. 25 ANÁLISE DOS DADOS RECOLHIDOS................................................................. 27 CONCLUSÕES ........................................................................................................ 38 BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................... 40 2 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens INTRODUCÃO Este trabalho tem como objetivo explorar a influência das variadas médias nos comportamentos dos jovens à nível global e também dos jovens estudantes no Colégio São Francisco de Assis, apresentando explicações para os diversos comportamentos deste grupo no meio digital, e a sua influência na vida real e no quotidiano dos mesmos. Ao explorar os diferentes aspetos da presença digital na juventude, buscamos contribuir para uma reflexão crítica sobre o impacto da média nos jovens contemporâneos e como essa influência pode ser compreendida para promover um uso mais consciente e equilibrado dessas plataformas. Este trabalho está organizado por 9 subtemas, nomeadamente: Saúde Mental e Redes Sociais, Revolução Digital e os Jovens, Representação de Género nos Media, Construção de Identidade, Impacto das Séries e Filmes, Cultura Consumista, Desinformação e Formação de Opiniões, Ativismo Digital e Cultura da Comparação. Esta divisão auxilia na organização e aprofundamento da análise, permitindo explorar de forma estruturada os diferentes aspetos da influência dos meios de comunicação no comportamento dos jovens. 3 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens ENQUADRAMENTO TEÓRICO Segundo o Instituto Arapyaú (2015), A designação Média ou Meios de Comunicação Social refere-se aos veículos através dos quais são difundidas mensagens a um público vasto e heterogéneo. Exemplos clássicos ou tradicionais incluem a rádio, os jornais, as revistas e a televisão. No entanto, com o avanço da tecnologia e a digitalização da comunicação, os meios de comunicação passaram por uma transformação significativa, expandindo-se para novas plataformas como as redes sociais, os blogs, os podcasts e os serviços de streaming. Podemos falar de uma definição ampla e de uma definição restrita dos meios de comunicação. Adotando uma definição universalista, seriam considerados média não apenas a imprensa, a rádio e a televisão, mas também todos os meios a que as pessoas recorrem para comunicar, transmitir ou conservar informação, como o cinema, o áudio e vídeo e, mais recentemente, as redes sociais, os websites, os influenciadores digitais e outras formas de media digital interativa. Ao definir o conceito de juventude, o objeto de estudo deste trabalho, é importante considerar que, embora a OMS (Organização Mundial da Saúde) a defina como a faixa etária dos 15 aos 24 anos, do ponto de vista sociológico, a juventude não é um conceito fixo. Como refere Machado Pais em Os jovens em Portugal, hoje, trata-se de uma “construção social que varia consoante o tempo e a cultura”. A juventude é um conceito que tem sido amplamente debatido na Sociologia, sobretudo à luz das transformações sociais e culturais que afetam a forma como os jovens se inserem no mundo. Tradicionalmente, a juventude era vista como uma fase homogénea da vida, caracterizada por determinadas experiências universais. No entanto, autores como José Machado Pais defendem que é fundamental desconstruir essa visão e reconhecer que existem múltiplas formas de ser jovem, influenciadas por diferentes contextos sociais, 4 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens culturais e económicos. No entanto, devido a proliferação das redes sociais a abordagem de Machado Pais ganha novas dimensões e desafios. Segundo o documento “Os jovens em Portugal”, hoje, as redes sociais e os média, ao promoverem uma conexão global instantânea, oferecem aos jovens uma plataforma para partilhar experiências e identificar-se com pares de diferentes partes do mundo, o que pode criar a ilusão de uma uniformidade nas experiências juvenis. A ascensão das redes sociais e dos meios de comunicação digitais transformou profundamente a forma como os jovens interagem, constroem a sua identidade e percebem o mundo ao seu redor. A era digital trouxe consigo uma conectividade sem precedentes, permitindo a circulação instantânea de informação e o surgimento de novas formas de sociabilidade. A juventude, sendo um período de intensa formação identitária, torna-se especialmente vulnerável às influências mediáticas. Assim, compreender os impactos dessas influências é essencial para o desenvolvimento de estratégias que promovam um uso mais crítico e consciente dos meios digitais. Portanto, o impacto dos meios de comunicação nos jovens vai muito além do entretenimento que proporcionam. As redes sociais influenciam a autoestima, os valores, os hábitos de consumo e até a forma como os jovens se envolvem em questões sociais e políticas. Por isso, é importante analisar essa influência com um olhar mais crítico e perceber que, embora os jovens estejam todos conectados, as suas experiências não são iguais. A relevância deste estudo para a Sociologia reside no facto de que os meios de comunicação não são apenas ferramentas tecnológicas, mas também instrumentos sociais que influenciam as relações interpessoais, a construção da identidade e a estruturação da sociedade. Nesse sentido, é importante analisar tanto os efeitos positivos quanto negativos dos média sobre os jovens, considerando questões como a disseminação de valores 5 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens culturais, o incentivo à participação social e os riscos de alienação, ansiedade e baixa autoestima. A partir de uma abordagem sociológica, torna-se possível compreender de que forma os média moldam normas, valores e comportamentos, bem como analisar os impactos dessa influência na coesão social, na participação política e na reprodução das desigualdades. A questão central deste trabalho é: Em que medida os meios de comunicação social influenciam o comportamento dos jovens entre os 15 e os 24 anos? Este questionamento desdobra-se em outras questões secundárias, tais como: • Como a exposição contínua às redes sociais afeta a saúde mental dos jovens? • De que forma os influenciadores digitais moldam padrões de consumo e estilos de vida? • Qual o impacto das representações mediáticas na construção da identidade juvenil? • De que maneira a desinformação influencia a formação de opiniões e crenças nos jovens? Para responder à problemática proposta, estabelecem-se os seguintes objetivos específicos: • Analisar o impacto dos média na saúde mental dos jovens. • Explorar o papel dos média na disseminação de estereótipos de género e padrões culturais, formação de comportamentos e hábitos de consumo. • Investigar a relação entre o consumo mediático e a propagação da desinformação entre os jovens. • Compreender o papel dos média em iniciativas de ativismo digital, e movimentos sociais. 6 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Tendo em conta, as informações apresentadas, estabelecem-se as seguintes hipóteses teóricas: Hipótese 1: O consumo frequente de conteúdos dos média influencia o comportamento dos jovens nas suas relações sociais. Hipótese 2: Os jovens tendem a adotar estilos de vida apresentados como ideais pelos média. Hipótese 3: O uso excessivo de redes sociais contribui para o isolamento social dos jovens Hipótese 4: A média reproduz e reforça estereótipos de género, influenciando a construção da identidade juvenil. Hipótese 5: Os jovens estão mais expostos à desinformação e têm dificuldades em distinguir notícias falsas de informações verídicas. Hipótese 6: O ativismo digital tem um impacto crescente na consciência social e política dos jovens. 7 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens METODOLOGIA Para compreender a influência dos meios de comunicação no comportamento dos jovens, optámos por utilizar o inquérito por questionário como principal técnica de recolha de dados. Esta escolha deve-se ao facto de o questionário permitir recolher informações de uma grande percentagem do grupo amostral de forma rápida e eficiente, garantindo uma maior representatividade da amostra. Além disso, esta técnica possibilita a obtenção de dados quantificáveis, facilitando a análise estatística e a identificação de padrões de comportamento e perceções sobre o impacto da mídia. A investigação foi desenvolvida em várias etapas: 1. Elaboração e validação do questionário – Foi construído um guião do inquérito com questões objetivas, visando explorar as preferências mediáticas, o impacto na autoestima, na identidade, no consumo e na perceção da realidade. 2. Aplicação do questionário – O questionário foi distribuído online, através do Google Forms, facilitando assim, o acesso à jovens entre os 15 e 24 anos de várias geografias, incluindo os estudantes do colégio São Franciso de Assis, Luanda Sul. 3. Tratamento dos dados – As respostas foram analisadas quantitativamente, utilizando gráficos para identificar tendências, e qualitativamente, para interpretar perceções mais subjetivas sobre o impacto dos media nos jovens. O universo do estudo são os jovens com idades entre os 15 e os 24 anos. Para garantir diversidade na amostra, procurámos incluir jovens de diferentes contextos socioeconómicos, géneros e hábitos de consumo mediático. Foram inquiridos jovens que estavam acessíveis e dispostos a participar no estudo. Apesar de não garantir uma representatividade estatística absoluta, esta abordagem permitiu recolher uma variedade de dados sobre o impacto dos media no quotidiano dos jovens. 8 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens O questionário foi estruturado em diferentes secções, cada uma abordando aspetos específicos da influência dos mídia: dados sociodemográficos, padrões de uso dos meios de comunicação, impacto na identidade e comportamento, perceção da desinformação e consumismo e opinião sobre os media. Estas secções permitiram explorar o perfil dos jovens, o seu consumo mediático, a influência na autoestima e hábitos, a confiança na informação e a perceção do papel dos meios de comunicação na sua vida. Este inquérito encontra-se disponível no final do relatório, em anexo. Com esta metodologia, procuramos obter um retrato fiel da forma como os meios de comunicação influenciam os jovens, contribuindo para uma análise crítica e fundamentada sobre o tema. A REVOLUÇÃO DIGITAL E OS JOVENS De acordo com o relatório do OberCom (2023) Perfis e grupos de consumidores de media em Portugal, a digitalização transformou radicalmente os meios de comunicação, alterando a forma como a informação é produzida, distribuída e consumida. Desde a imprensa tradicional até às redes sociais, a revolução digital permitiu uma maior acessibilidade à informação, mas também trouxe desafios como a desinformação e a fragmentação do público. Segundo o relatório do Instituto Arapyaú (2019) Comunicação na era digital, durante séculos, a imprensa foi o principal meio de comunicação de massas. Os jornais impressos desempenharam um papel central na difusão da informação e na construção da opinião pública. Com o avanço da tecnologia, a rádio e a televisão consolidaram-se como meios essenciais de comunicação, ampliando o alcance da informação e tornandoa mais acessível e imediata. A rádio permitiu a transmissão instantânea de notícias e debates, aproximando a população dos acontecimentos em tempo real. Já a televisão revolucionou a forma de comunicar ao combinar imagem e som, tornando a informação 9 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens mais apelativa e impactante. Juntos, estes meios moldaram a sociedade, influenciaram decisões políticas e culturais e estabeleceram os fundamentos para a era digital. O mesmo relatório destaca o impacto que a revolução digital teve na imprensa tradicional, desafiando e reduzindo as barreiras de entrada ao mercado de comunicação e quebrando o monopólio das grandes empresas de media. A internet eliminou a necessidade de infraestrutura física para distribuição de notícias, tornando obsoletas as redes de impressão e radiodifusão. Isso levou a uma crise nos jornais e na televisão, com quedas significativas nas receitas publicitárias e na circulação de exemplares físicos. A digitalização permitiu que os consumidores se tornassem também produtores de informação. Agora, qualquer pessoa com acesso à internet pode partilhar notícias, publicar vídeos ou criar blogs, o que diversificou as fontes de informação. No entanto, esta democratização do acesso à comunicação trouxe desafios, como a disseminação de fake news e a dificuldade em verificar a veracidade dos factos. (Instituto Arapyaú, 2019) A fragmentação da audiência também alterou o modelo de comunicação de massa. Em vez de um público homogéneo consumidor de conteúdos de poucos meios tradicionais, há agora múltiplas comunidades digitais com interesses específicos, promovendo uma segmentação na forma como a informação é consumida e disseminada. (Instituto Arapyaú, 2019) A revolução digital transformou profundamente a sociedade contemporânea, impactando de forma significativa as dinâmicas juvenis. Os jovens, identificados segundo a investigação realizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (Sagnier & Morell, 2021) Os Jovens em Portugal Hoje como "nativos digitais", cresceram num ambiente em que a tecnologia está integrada em quase todas as esferas da vida, desde a educação e o mercado de trabalho até à socialização e participação cívica. As redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação para muitos jovens, levando a uma mudança na forma como o público interage com as notícias. O Instagram, o Twitter e outras plataformas utilizam algoritmos que priorizam conteúdos populares, 10 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens alterando a dinâmica da informação e muitas vezes privilegiando notícias sensacionalistas ou polarizadas. (Sagnier & Morell, 2021) A noção de juventude também se redefiniu no contexto digital. Antes, as culturas juvenis estavam frequentemente associadas a grupos específicos ou subculturas que partilhavam interesses comuns. Atualmente, essas culturas estendem-se para o meio digital, onde os jovens constroem comunidades virtuais que influenciam os seus hábitos, comportamentos e até decisões de vida. (Sagnier & Morell, 2021) Conforme mencionado no relatório Os Jovens em Portugal Hoje, A revolução digital não só alterou os padrões de lazer e consumo dos jovens, como também influenciou a forma como estes participam na sociedade. As redes sociais tornaram-se plataformas essenciais para a mobilização política e social, permitindo a disseminação de ideias e a organização de movimentos ativistas. No entanto, o envolvimento cívico digital pode ser ambivalente: se por um lado permite maior participação e informação, por outro pode gerar desinformação e polarização. Além do jornalismo digital, os jovens também estão a transformar a forma como o entretenimento é consumido. A televisão tradicional perdeu audiência para serviços de streaming, como Netflix e YouTube, onde os jovens escolhem o que querem ver, quando e onde querem ver. Esse novo modelo oferece mais liberdade, mas também incentiva o consumo passivo e prolongado, o que pode afetar a concentração e os hábitos de leitura. (Sagnier & Morell, 2021) As redes sociais também influenciam a forma como os jovens constroem a sua identidade e interagem com os outros. A exposição constante a padrões idealizados pode gerar ansiedade e problemas de autoestima, especialmente entre os adolescentes. (Sagnier & Morell, 2021) 11 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens SAÚDE MENTAL E REDES SOCIAIS A crescente popularidade das redes sociais como o Instagram e TikTok trouxe uma nova dimensão às interações humanas, redefinindo a maneira como nos conectamos e compartilhamos nossas vidas. No entanto, junto dos benefícios que elas trazem consigo, surgem também preocupações sobre o impacto dessas plataformas na saúde mental, especialmente entre os jovens. (Juliana Casotti et al. [2024]). Estudos recentes indicam que o uso excessivo das redes sociais pode estar relacionado a sentimentos de ansiedade, depressão, solidão e baixa autoestima (Hunt et al., 2018). A busca por validação social por meio de curtidas e comentários, a exposição a padrões irreais de vida e o fenômeno do FOMO (Fear of Missing Out) são fatores que contribuem para um estado de constante comparação e insatisfação. Além disso, o design dessas plataformas, baseado em algoritmos que reforçam interações emocionais intensas, pode promover dependência digital e dificultar a regulação emocional. o Neurociência e o Sistema de Recompensa do cérebro As redes sociais ativam o sistema de recompensa dopaminérgico, que está relacionado ao prazer e à motivação. Quando recebemos curtidas, comentários ou compartilhamentos, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor associado a sentimentos de satisfação e prazer. Esse mecanismo é semelhante ao que ocorre com substâncias viciantes, como drogas ou açúcar, criando um ciclo de busca por validação externa. A antecipação da recompensa (esperar curtidas e reações) pode gerar ansiedade quando a validação esperada não ocorre, levando à frustração e insegurança. o FOMO (fear of missing out) e Ansiedade O "medo de estar a perder algo" (FOMO – fear of missing out) é um fenômeno amplamente estudado que está relacionado ao uso excessivo das redes sociais. Ele se manifesta na ansiedade de estar constantemente atualizado e na sensação de exclusão ao ver postagens de eventos sociais ou conquistas de amigos. Estudos apontam que pessoas com altos níveis de FOMO relatam maior uso problemático das redes sociais, além de níveis elevados de ansiedade e depressão (Elhai et al., 2018). 12 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Essa preocupação constante pode levar à hiper conectividade e à incapacidade de relaxar, prejudicando o bem-estar mental. o Cyberbullying e discurso de ódio As redes sociais também amplificam a exposição a cyberbullying e discursos de ódio, especialmente entre adolescentes. A crítica ou rejeição pública pode ter impactos severos na autoestima e contribuir para transtornos emocionais. Estudos indicam que vítimas de cyberbullying apresentam um risco significativamente maior de desenvolver depressão e ansiedade em comparação com aqueles que não são expostos a esse tipo de violência digital (Kowalski, Giumetti, Schroeder, & Lattanner, 2014). o Regulamentação Emocional e Dependência Digital A falta de controle no uso das redes sociais pode levar a sintomas de abstinência, como irritabilidade e inquietação, quando a pessoa está desconectada. Essa dependência está associada a dificuldades na regulação emocional e ao uso das médias sociais como fuga de sentimentos negativos. Um estudo da Universidade da Pensilvânia mostrou que a redução do tempo gasto em redes sociais diminuiu significativamente os sentimentos de solidão e depressão em jovens adultos (Hunt, Marx, Lipson, & Young, 2018). Dados recentes mostram que 60% dos jovens entre 16 e 18 anos passam entre duas e quatro horas por dia online, seja em sites, jogos ou redes sociais. Os piores casos observados descrevem até oito horas diárias na rotina do adolescente. As plataformas mais usadas nessa faixa etária são: Instagram, Snapchat, TikTok, WhatsApp e YouTube (Jornal Opção, 2024). o Estratégias de Mitigação Para minimizar os impactos negativos das redes sociais na saúde mental dos adolescentes, as seguintes abordagens são recomendadas: 13 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Educação Digital: Instruir os jovens sobre o uso responsável das redes sociais e os potenciais riscos associados. Limitação de Tempo de Tela: Estabelecer limites claros para o uso diário de dispositivos eletrônicos. Promoção de Atividades Offline: Incentivar a participação em atividades presenciais que promovam interações sociais saudáveis e desenvolvimento de habilidades. Apoio Psicológico: Disponibilizar recursos de saúde mental para adolescentes que apresentem sinais de sofrimento psicológico relacionado ao uso de redes sociais. REPRESENTAÇÕES DE GÉNERO NOS MEDIA Segundo o relatório do instituto Arapyaú: Comunicação na Era Digital, os media funcionam como uma janela para o mundo, determinando os assuntos que recebem, os destaques e como são apresentados. A teoria da agenda-setting, proposta por McCombs e Shaw, sugere que os media não dizem necessariamente às pessoas o que pensar, mas influenciam sobre o que pensar. Ou seja, ao selecionar os temas a serem divulgados e a forma como os enquadram, os media moldam as prioridades e o fio condutor que dirige a sociedade. (Instituto Arapyaú, 2019) Por exemplo, se um canal de televisão enfatiza casos de violência urbana, o público pode passar a ter a perceção de que a criminalidade está a aumentar, mesmo que os dados estatísticos indiquem o contrário. Da mesma forma, quando os media reforçam estereótipos de género, estes tornam-se parte da cultura dominante, condicionando comportamentos e expectativas sociais. De acordo com o relatório de Theodoro (2015): Representações de género na publicidade televisiva, A digitalização da comunicação trouxe mudanças significativas na 14 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens forma como os estereótipos de género são construídos e disseminados. Se, por um lado, as redes sociais permitem maior diversidade de vozes e representações, por outro, também intensificam padrões estereotipados e reforçam desigualdades preexistentes na sociedade contemporânea. Os media frequentemente reforçam papéis tradicionais de género, apresentando imagens e narrativas que refletem normas culturais e sociais. Segundo Souza e Mill (2015) Representações de gênero: sociedade, linguagem e mídia televisiva, a televisão, embora apresente rostos femininos nos seus programas, continua a ser dominada por discursos masculinos, que ditam os valores culturais e sociais. Na televisão e no cinema, por exemplo, os homens são frequentemente retratados como fortes, racionais e líderes, enquanto as mulheres aparecem como frágeis, emocionais e dependentes. A presença feminina na televisão e noutros meios de comunicação pode dar a ilusão de progresso em termos de igualdade de género, mas a forma como essas personagens são construídas e enquadradas demonstra que a narrativa dominante ainda privilegia perspetivas masculinas. Este tipo de representação contribui para a manutenção de desigualdades, limitando as possibilidades de homens e mulheres explorarem diferentes papéis sociais e profissionais. Na publicidade, os estereótipos de género são ainda mais evidentes. Produtos de limpeza e cuidados domésticos são frequentemente promovidos por mulheres, enquanto anúncios de tecnologia ou automóveis tendem a ser protagonizados por homens. Estas representações reforçam a divisão tradicional dos papéis de género, sugerindo que certas atividades ou responsabilidades pertencem exclusivamente a um sexo. (Souza e Mill ,2015) O Global Media Monitoring Project (GMMP) de 2020 revelou que, globalmente, apenas 27% das fontes consultadas para notícias em jornais são mulheres. Este dado evidencia uma sub-representação significativa das vozes femininas nos media, sugerindo que as mulheres são menos frequentemente citadas como especialistas ou figuras de autoridade nas notícias. 15 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Outro estudo conduzido pela Universitat Politècnica de València analisou padrões linguísticos e comportamentais nas redes sociais e concluiu que estas plataformas, ao invés de promoverem a equidade de género, muitas vezes perpetuam preconceitos e reforçam papéis tradicionais de género. A pesquisa revelou que mulheres e meninas são frequentemente alvo de agressões verbais, discurso de ódio e objetificação nas redes sociais. Esse fenómeno ocorre especialmente em ambientes onde a moderação de conteúdo é insuficiente, permitindo que comentários sexistas e misóginos se disseminem rapidamente. A análise demonstrou que figuras públicas femininas, especialmente na política, ciência e desporto, são alvos recorrentes de ataques, muitas vezes baseados em sua aparência, personalidade ou papel na sociedade. Além disso, os algoritmos das redes sociais desempenham um papel fundamental na perpetuação dos estereótipos de género. A forma como os conteúdos são distribuídos e promovidos favorece representações tradicionais, reforçando ideais ultrapassados sobre masculinidade e feminilidade. Por exemplo, análises de publicidade segmentada mostram que anúncios de produtos de beleza, moda e cuidados domésticos são direcionados principalmente para mulheres, enquanto conteúdos relacionados a tecnologia, investimentos e liderança são promovidos para homens. (Theodoro ,2015) Esse padrão reflete e reforça a desigualdade de género no ambiente digital, limitando a diversidade de interesses e oportunidades para ambos os sexos. Nos últimos anos, tem havido um esforço para desafiar estas representações tradicionais nos media. A inclusão de personagens femininas fortes e independentes em filmes e séries, bem como a crescente diversidade na publicidade, reflete uma tentativa de desconstruir estereótipos. Movimentos como o feminismo digital e o ativismo online também têm desempenhado um papel fundamental na denúncia de representações sexistas e na promoção de uma maior diversidade de género nos media. (Theodoro ,2015) 16 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Os jovens, como principais consumidores de media, são particularmente influenciados pelas imagens e narrativas de género que encontram nos meios de comunicação. DESINFORMAÇÃO E FORMAÇÃO DE OPINIÕES Na era digital, a comunicação social desempenha um papel central na construção das perceções e opiniões dos indivíduos. No entanto, o fenômeno da desinformação, impulsionado pelo rápido compartilhamento de notícias falsas, teorias da conspiração e conteúdos manipulados, tem desafiado a capacidade das sociedades de estabelecer um debate público fundamentado e crítico. O acesso a informações está cada vez mais mediado por algoritmos, redes sociais e interesses políticos e económicos. Além disso, a propagação da desinformação muitas vezes se vale de técnicas persuasivas que exploram emoções como medo e indignação, moldando comportamentos e crenças sem base em fatos verificáveis. Nos últimos anos, o estudo sobre desinformação, informações enganosas e notícias falsas tem se expandido rapidamente. A disseminação de conteúdos falsos ou imprecisos pode distorcer perceções, dificultar a aceitação do conhecimento e, consequentemente, representar sérias ameaças à saúde pública, ao bem-estar individual, a instituições e nações. (Broda e Strömbäck, 2024) o DeepFake Notícias falsas têm sido ligadas ao aumento dos transtornos psicológicos, ao aumento da descrença na ciência e à erosão da democracia e da liberdade de expressão. Ultimamente, a tecnologia deepfake tem sido usada na produção de vídeos de avatares criados por inteligência artificial (IA) que se passam por âncoras de notícias relatando notícias falsas. Deepfake é um termo utilizado para se referir a uma técnica de Inteligência Artificial que possibilita a criação de vídeos, imagens ou áudios manipulados de forma realista, a ponto de enganar os espectadores, fazendo parecer originais. 17 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens O avanço da tecnologia deepfake está a aumentar o realismo dos artefatos de notícias falsas, aumentando a dificuldade para os consumidores de notícias discernirem a desinformação das notícias reais. A IA generativa está a ser cada vez mais usada com intenções maliciosas. Os adolescentes estão em uma fase crucial de desenvolvimento cognitivo e social, tornando-os particularmente suscetíveis à influência externa. A exposição constante a informações distorcidas pode moldar suas crenças e atitudes de maneira prejudicial (Contraponto Digital, 2022). As redes sociais oferecem um fluxo constante de informações, notícias e opiniões, tornando-se uma fonte primária de conhecimento para muitos jovens. A facilidade de acesso e compartilhamento de conteúdo permite que ideias se espalhem rapidamente, criando ambientes onde as opiniões podem ser formadas e reforçadas em questão de minutos. Influenciadores digitais desempenham um papel significativo na formação de opiniões dos jovens. Seus estilos de vida, opiniões políticas e escolhas de consumo influenciam diretamente as percepções e comportamentos dos adolescentes. A natureza aspiracional desse conteúdo estimula comparações frequentes, exacerbando sentimentos de inadequação. Além disso, a disseminação de informações enviesadas ou incorretas contribui para a formação de opiniões distorcidas, agravando os impactos psicológicos. o Mecanismos de Influência Câmaras de Eco: As plataformas digitais tendem a expor os usuários a conteúdos alinhados às suas crenças pré-existentes, reforçando opiniões e criando uma percepção distorcida da realidade. Esse fenômeno, conhecido como "câmara de eco", limita a exposição a perspectivas divergentes, potencializando a polarização. Algoritmos de Recomendação: As redes sociais utilizam algoritmos que promovem conteúdos com base nas interações anteriores dos usuários. Embora isso personalize a experiência, também pode restringir a diversidade de informações, influenciando a formação de opiniões de maneira sutil e direcionada (Auletta et al., 2022). 18 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Influência de Pares e Figuras Públicas: Jovens frequentemente buscam validação e pertencimento em grupos sociais online. A opinião de amigos, influenciadores e celebridades pode exercer uma pressão significativa, moldando atitudes e crenças de acordo com as tendências predominantes nas redes (El País, 2024) CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE A identidade dos jovens é um processo dinâmico e em constante evolução, influenciado por múltiplos fatores sociais, culturais e tecnológicos. Nos dias de hoje, os media desempenham um papel central na forma como os jovens constroem e percebem a sua identidade. A partir das redes sociais e outros meios de comunicação, os jovens são expostos a padrões de comportamento, estética e valores que moldam a sua visão de si mesmos e do mundo à sua volta. (Jeyanthi ,2022) A identidade dos jovens não é fixa, mas sim um processo contínuo de experimentação e descoberta. As redes sociais permitem essa experimentação ao oferecerem espaços onde os jovens podem testar diferentes papéis, crenças e estilos de vida antes de assumirem uma identidade estável. (Jeyanthi ,2022) De acordo com o estudo de Jeyanthi (2022): Social Media and Identity Formation – The Influence of Self-Presentation and Social Comparison, as redes sociais tornaramse um dos principais espaços de socialização dos jovens. Os adolescentes e jovens adultos passam grande parte do seu tempo a interagir digitalmente, o que impacta diretamente a forma como constroem as suas identidades. 19 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Plataformas como Instagram, TikTok e Facebook permitem aos jovens criarem e projetarem a sua própria imagem, escolhendo como querem ser vistos pelos outros. Este processo de autoapresentação é um dos pilares da construção da identidade na era digital, pois permite que os indivíduos apresentem diferentes versões de si mesmos e recebam feedback social imediato através de "gostos", comentários e partilhas. (Jeyanthi ,2022) Além disso, o estudo indica que a socialização digital pode ser tanto positiva como negativa para o bem-estar psicológico dos jovens. Por um lado, as redes sociais podem aumentar a autoestima ao permitir a criação de laços sociais e o reforço da identidade pessoal; por outro, a constante exposição à vida idealizada dos outros e a pressão externa para expor uma vida dentro das expectativas alheias pode levar à comparação social e, consequentemente, a sentimentos de inadequação e baixa autoestima, prejudicando assim o senso de identidade. Os media, particularmente a televisão, o cinema e as redes sociais, funcionam como um espaço onde os jovens aprendem a criar narrativas sobre si mesmos. João Pissarra Esteves, no seu estudo Os media e a questão da identidade (1999), argumenta que os meios de comunicação moldam as subjetividades dos indivíduos ao fornecerem modelos culturais e sociais que influenciam a forma como os jovens se auto visualizam. Os media oferecem aos jovens uma variedade de representações identitárias que podem ser apropriadas e reinterpretadas. Por exemplo, conforme mencionado na secção sobre a representação de gênero nos media, a forma como a masculinidade e a feminilidade são apresentadas nos filmes, séries e influenciadores digitais impacta diretamente a construção de identidade de género dos jovens. Esse processo pode ser libertador, ao permitir a descoberta de novas formas de ser, mas também pode ser limitador, ao reforçar estereótipos e normas sociais rígidas. (Pissarra Esteves, 1999) Outro fator relevante na relação entre media e identidade juvenil é o impacto das redes sociais na perceção da autoimagem. A cultura digital incentiva a prática da 20 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens "autoedição", onde os jovens selecionam e manipulam imagens para corresponderem a padrões estéticos idealizados. (Jeyanthi ,2022) O uso excessivo das redes sociais pode levar à distorção da autoimagem, pois os jovens tendem a comparar-se com versões filtradas e editadas da realidade. Esse fenómeno pode afetar a autoestima e a saúde mental, aumentando a ansiedade e a pressão social para corresponder a determinados padrões de beleza e sucesso. (Jeyanthi ,2022) Por outro lado, as redes sociais também oferecem espaços de empoderamento, onde jovens encontram comunidades de apoio e partilham experiências sobre identidade, género, sexualidade e cultura. (Pissarra Esteves, 1999) Esteves defende que os media exercem um paradoxo identitário: por um lado, incitam os jovens a serem únicos e a diferenciarem-se dos outros; por outro, impõem normas e modelos que condicionam essa diferenciação. Esse paradoxo pode gerar angústia, pois os jovens sentem-se pressionados a criar uma identidade autêntica, mas dentro dos limites impostos pelas plataformas digitais e pelo mercado de consumo. CULTURA DA COMPARAÇÃO A Teoria da Comparação Social, proposta por Leon Festinger em 1954, sugere que os indivíduos avaliam suas habilidades, valores e autoestima comparando-se com os outros. Com a ascensão das redes sociais, essa teoria ganhou uma relevância significativa, pois essas plataformas facilitam comparações constantes com padrões idealizados. Jovens, especialmente, são vulneráveis a esses efeitos devido à busca por identidade e aceitação social. Esses efeitos também diferem de acordo com o género. As jovens são mais vulneráveis aos efeitos negativos, especialmente devido às preocupações com a imagem corporal. Os rapazes tendem a focar-se em comparações relacionadas com sucesso profissional e status social. 21 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Nas redes sociais, a comparação social ocorre de duas formas principais: 1. Comparação Ascendente: Quando jovens se comparam a influenciadores ou amigos com vidas aparentemente perfeitas, o que pode levar a sentimentos de inferioridade e insatisfação pessoal. 2. Comparação Descendente: Quando a comparação é feita com quem está em situação percebida como inferior, podendo oferecer um alívio temporário, mas sem resolver as causas profundas da baixa autoestima. o Impactos Psicológicos das Comparações O uso intensivo de redes sociais está associado a ansiedade, depressão, baixa autoestima e distúrbios de imagem corporal. Estudos mostram que jovens que passam mais tempo nas redes têm maior tendência a experimentar esses sentimentos. A necessidade de validação, através de curtidas e comentários, reforça um ciclo vicioso onde a autoestima se torna dependente de aprovações externas. A exposição a corpos perfeitos, viagens luxuosas e vidas impecáveis — muitas vezes manipuladas por filtros e edições — cria padrões inalcançáveis. IMPACTOS DE FILMES E SÉRIES Filmes e séries de televisão desempenham um papel significativo na formação da identidade e no comportamento dos jovens. Além de servirem como entretenimento, essas produções podem ampliar horizontes e introduzir novas perspetivas sobre diversos assuntos. (Influenza, 2025) Filmes e séries desempenham um papel significativo na formação das atitudes e comportamentos dos jovens, muitas vezes de maneira subconsciente. Os adolescentes frequentemente aprendem com a televisão e os filmes ao navegarem por áreas desconhecidas, como papéis de género ou comportamentos em relacionamentos. A 22 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens exposição a conteúdos que retratam relações sexuais, drogas e violência pode moldar o comportamento dos jovens, especialmente quando esses temas são apresentados sem consequências negativas. (Influenza, 2025) a proliferação de plataformas de streaming e a disponibilidade de web séries diversificadas aumentaram o acesso dos jovens a uma variedade de conteúdos. Embora isso possa enriquecer o repertório cultural e oferecer novas perspetivas, também apresenta desafios, como o potencial vício ao consumo de media, afetando interações sociais e desempenho académico. (Influenza, 2025) Além disso, conforme indicado no mesmo site, os adolescentes tendem a assistir a programas que apresentam personagens semelhantes a eles, o que auxilia na construção da sua identidade. No entanto, a sub-representação de certos grupos na mídia pode limitar as perspetivas dos jovens e afetar negativamente a sua autoimagem. Por exemplo, a falta de personagens femininas ou de minorias étnicas em papéis de destaque pode levar à interiorização de estereótipos e à sensação de exclusão. (Influenza, 2025) O experimento "Bobo Doll", conduzido por Albert Bandura na década de 1960, fornece uma compreensão adicional sobre como os jovens podem ser influenciados pelo que observam nos media. Neste estudo, crianças que observaram um adulto agindo de forma agressiva com um boneco "Bobo" eram mais propensas a imitar esse comportamento agressivo posteriormente. Este experimento destaca o poder da aprendizagem por observação, sugerindo que os jovens podem adotar comportamentos vistos em filmes e séries de televisão, especialmente quando esses comportamentos são retratados por figuras com as quais se identificam ou admiram. (Influenza, 2025) ATIVISMO DIGITAL Com o crescimento das redes sociais como plataformas de ativismo, surgem novos desafios para a saúde mental dos ativistas. O artigo da Women's Campaign 23 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens International explora como a exposição constante a conteúdos emocionalmente desgastantes, aliados à pressão para reagir rapidamente a crises, pode levar a ansiedade, burnout e fadiga emocional. As redes sociais revolucionaram a forma como o ativismo é conduzido, o ativismo digital, permitindo uma comunicação rápida e acessível. Ativismo digital é o uso de plataformas online, como redes sociais, blogs, petições virtuais e outras ferramentas digitais, para promover causas sociais, políticas ou ambientais. Esse tipo de ativismo permite mobilizar pessoas rapidamente, disseminar informações, organizar protestos e influenciar políticas públicas. Embora tenha o poder de ampliar vozes marginalizadas, o ativismo digital também enfrenta críticas por, às vezes, ser superficial ou não gerar ações concretas. No entanto, essa acessibilidade que advém desse ativismo tem um custo emocional significativo. A prática do doomscrolling, em que os usuários consomem incessantemente notícias negativas, intensifica sentimentos de impotência e estresse. Um estudo da American Psychological Association (APA, 2021) revelou que 56% dos jovens ativistas relataram sentir-se frequentemente sobrecarregados pela necessidade de estar constantemente informados e engajados nas redes sociais. Essa pressão gera um ciclo de ansiedade, onde o medo de perder informações relevantes leva a um uso compulsivo dessas plataformas. o Comparação Social e Validação Externa O desejo de aprovação nas redes sociais cria um ambiente de comparação constante. A validação externa, medida por gostos, comentários e partilhas, influencia diretamente a autoestima dos ativistas. Segundo Festinger (1954), a teoria da comparação social sugere que os indivíduos avaliam o próprio valor com base nas comparações com os outros. No ativismo digital, essa teoria aplica-se à medição do impacto das causas defendidas, o que pode gerar frustração quando os resultados parecem insuficientes. As plataformas devem adotar políticas mais rigorosas para combater discursos de ódio e desinformação. Algoritmos que priorizam conteúdos sensacionalistas precisam ser reformulados para reduzir a exposição a notícias negativas. Além disso, campanhas de 24 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens sensibilização para a saúde mental promovidas pelas próprias plataformas poderiam apoiar os ativistas na gestão emocional. CONSUMO E PUBLICIDADE O consumo e a publicidade desempenham um papel crucial na construção da identidade dos jovens, influenciando não apenas suas escolhas de produtos, mas também seus valores, comportamentos e pertencimento social. (Kieling e Santos ,2024) De acordo com o estudo de Kieling e Santos (2024) Marcas e Consumo na Identidade Jovem: Uma Perspetiva Sociocultural, os jovens não consomem apenas por necessidade, mas também como forma de expressão e integração social. As marcas tornam-se símbolos de identidade, funcionando como mediadoras de status, pertencimento e diferenciação dentro dos grupos juvenis. Muitos consumidores escolhem produtos não só pelas suas características, mas pelo simbolismo que carregam. O consumo mediático também reforça essas escolhas. Redes sociais, televisão, música e cinema influenciam o comportamento dos jovens, moldando seus desejos e perceções sobre o que é desejável e necessário. Essa influência da mídia sobre o consumo aponta que a escolha de bens e serviços reflete uma “interseção entre desejo, cultura e racionalidade.” (Kieling e Santos ,2024) A publicidade desempenha um papel determinante nas decisões de compra dos jovens. A publicidade tradicional já exercia um grande impacto sobre os consumidores, mas o ambiente digital trouxe novas formas de influência. A personalização da publicidade digital desempenha um papel crucial na forma como os jovens consomem produtos. A utilização de inteligência artificial e análise de dados permite que os anúncios sejam direcionados de forma precisa para os interesses individuais dos utilizadores, o que aumenta significativamente a eficácia da publicidade. (Bai, 2024) 25 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Com a ascensão do marketing digital, os jovens passaram a consumir mais conteúdo publicitário indireto, especialmente através de influenciadores digitais, figuras públicas ou criadores de conteúdo, que tornam o consumo algo natural e desejável. Segundo o estudo de Jiahong Guo (2022): Research on the Influence of TikTok on Teenagers, os jovens confiam mais nas recomendações de figuras populares nas redes sociais do que em anúncios tradicionais. De acordo com os dados do estudo de Nicole Kieling e Kalani Vargas Santos (2024), 28,5% dos jovens seguem marcas diretamente nas redes sociais e 28,7% acompanham influenciadores que promovem produtos. Esse fenómeno ocorre porque os jovens não são influenciados apenas pelo produto em si, mas também pelo significado que ele representa dentro de um determinado contexto social. As interações sociais moldam a perceção dos consumidores, fazendo com que determinados bens sejam valorizados não só pela sua utilidade, mas pelo status, identidade e pertencimento que proporcionam. A busca por pertencimento também se reflete na adoção de marcas específicas. Marcas como Adidas e Nike, por exemplo, são amplamente aceites entre os jovens por representarem um estilo de vida e status social, reforçando a ideia de que o consumo vai além da utilidade do produto e se estende à identidade pessoal. (Guo, 2022) Os hábitos de consumo dos jovens não são apenas individuais, mas coletivos. Assim, o consumo torna-se uma ferramenta de integração social, onde as escolhas refletem a identidade e os valores do grupo ao qual se pretende pertencer. a digitalização e a crescente influência das redes sociais alteraram profundamente a relação dos jovens com o consumo. Guo (2022) destaca que plataformas como o TikTok oferecem um espaço onde os adolescentes não só consomem conteúdos, mas também os produzem, contribuindo para a formação da sua identidade digital. Por outro lado, o consumo excessivo pode ter impactos negativos, tanto a nível financeiro como psicológico. Bai (2024) refere que o consumo virtual exagerado pode levar à construção de valores pouco saudáveis, onde os jovens deixam de perceber a relação entre dinheiro real e dinheiro digital, promovendo comportamentos impulsivos. "Se o consumo virtual se prolongar por demasiado tempo, pode influenciar 26 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens negativamente a saúde mental e física dos adolescentes, levando a dificuldades na gestão financeira e a problemas de bem-estar emocional" Por isso, é essencial que haja uma regulação mais rigorosa da publicidade voltada para este público e uma maior educação para o consumo consciente. ANÁLISE DOS DADOS RECOLHIDOS Realizamos um inquérito que foi validado no dia 24 de janeiro de 2025 pela coordenação da escola São Francisco de Assis, pelos alunos e pela professora da disciplina de Sociologia. No total, obtivemos 56 respostas, permitindo-nos recolher dados relevantes sobre a perceção dos jovens em relação ao tema abordado. Esses resultados fornecem uma base sólida para a análise e reflexão sobre as questões discutidas, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada do impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens. Analisaremos agora cada pergunta e as conclusões que podemos tirar com elas. PERGUNTA 1 Gráfico 1 - Respostas relacionadas à influência dos meios de comunicação social nas opiniões sobre questões sociais 27 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Os resultados do inquérito mostram que 66,1% dos jovens concordam que os meios de comunicação social influenciam as suas opiniões sobre questões sociais e apenas 30,4% discorda. Isso evidencia o impacto significativo que as plataformas digitais e os media tradicionais têm na forma como os jovens percebem e interpretam a realidade ao seu redor. No entanto, essa influência também levanta preocupações, especialmente quando se trata da desinformação. Com a disseminação rápida de conteúdos nas redes sociais, muitas vezes sem verificação de fontes, os jovens podem ser expostos a informações imprecisas ou manipuladas, o que pode distorcer a sua perceção sobre determinados assuntos. Esse fenómeno afeta não apenas a formação de opiniões, mas também a saúde mental, pois pode gerar ansiedade, medo e incerteza diante de temas sociais complexos. Além disso, o consumo excessivo de conteúdos polarizados pode reforçar crenças pré-existentes e dificultar o pensamento crítico, tornando os jovens mais vulneráveis à manipulação e ao stress emocional. PERGUNTA 2 Gráfico 2- Respostas dos participantes sobre a confiança nas redes sociais como um espaço seguro para a expressão de opiniões. 28 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Os resultados do inquérito mostram que 48,2% dos jovens discordam e 30,4% não concordam nem discordam que as redes sociais criam um espaço seguro para expressar as suas opiniões, apenas 21,4% concorda com a afirmação. Esses dados confirmam as conclusões do estudo feito anteriormente, que indicava que, apesar das redes sociais serem um meio de comunicação amplamente utilizado pelos jovens, elas nem sempre proporcionam um ambiente acolhedor para a partilha de ideias e opiniões. Essa perceção pode estar relacionada com o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens. O receio de julgamentos, críticas negativas e até mesmo ataques virtuais pode levar muitos jovens a evitar expressar as suas opiniões livremente. A cultura do cancelamento, o cyberbullying e a polarização dos debates online criam um ambiente onde muitos sentem que não podem falar sem sofrer consequências. Além disso, a constante comparação com os outros e a necessidade de aceitação social podem gerar ansiedade e insegurança, fazendo com que os jovens filtrem ou moderem o que dizem para evitar rejeição. PERGUNTA 3 Gráfico 3 – Respostas dos participantes sobre o seu grau de informação sobre politica proveniente das redes sociais 29 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens O inquérito realizado demonstra que 83,9% dos jovens inquiridos concordam que se sentem mais informados sobre política devido à influência das redes sociais. Este resultado comprova as pesquisas feitas anteriormente destacando o papel crescente das plataformas digitais na construção da consciência política entre os jovens. No entanto, é fundamental analisar este fenómeno tendo como base o conceito de desinformação e do impacto da formação de opiniões na saúde mental da juventude. A disseminação de informações nas redes sociais ocorre de forma rápida e descentralizada, o que, embora facilite o acesso a conteúdos políticos, também abre espaço para a propagação de desinformação e notícias falsas. A ausência de mecanismos eficazes de verificação de factos e o funcionamento dos algoritmos, que frequentemente priorizam conteúdos sensacionalistas ou polarizadores, contribuem para a formação de perceções enviesadas e, por vezes, distorcidas da realidade política. Assim, embora as redes sociais desempenhem um papel central na informação política dos jovens, torna-se importante promover o pensamento crítico como forma de mitigar os impactos negativos da desinformação e garantir uma participação política mais consciente e informada. PERGUNTA 4 30 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Gráfico 4 – Respostas dos participantes sobre a influência dos media no aumento da consciencialização sobre problemas sociais. Os resultados do inquérito mostram que 76,8% dos jovens concordam que a representação de problemas sociais nos meios de comunicação é responsável por aumentar a sua consciencialização sobre esses temas, 14,3% dos participantes mostraram-se neutros e a minoria discordou com a afirmação. Isso demonstra o papel significativo que os media desempenham na formação da perceção dos jovens sobre questões sociais, incentivando reflexões e debates sobre realidades muitas vezes distantes do seu dia a dia. Essa conclusão está diretamente relacionada com o impacto do ativismo digital, que utiliza as plataformas online para dar visibilidade a diversas causas. Através das redes sociais, campanhas e movimentos conseguem alcançar um público vasto, mobilizando jovens para se envolverem ativamente em iniciativas sociais. Assim, os media não apenas informam, mas também desempenham um papel essencial na promoção da ação coletiva, tornando o ativismo digital uma ferramenta poderosa na transformação da sociedade. PERGUNTA 5 Gráfico 5 – Respostas dos participantes sobre a influência dos media na autoestima 31 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Os resultados mostram que 32,1% dos jovens concordam que as redes sociais afetam a sua autoestima, contudo 44,6% discordam com a afirmação. Com base nesses dados, podemos concluir que uma parte da juventude sente que a sua autoimagem e confiança são influenciadas pelo conteúdo que consomem online. comprovando uma parte das preocupações mencionadas anteriormente sobre os efeitos negativos dessas plataformas no bem-estar emocional dos utilizadores. comparação e à pressão social. No entanto, os dados recolhidos mostram que, apesar do impacto reconhecido dos media, a maioria dos jovens mantém uma visão relativamente crítica e não sente que a sua autoestima, comportamento ou aparência sejam totalmente controlados por estas influências. Embora haja uma perceção generalizada de que as redes sociais têm algum impacto na autoestima, a maioria não sente que este efeito seja completamente determinante. Estes dados podem ser interpretados como uma falta de perceção pessoal por parte dos inquiridos relativamente à influência real. Muitas vezes as pessoas subestimam ou não reconhecem a influência dos média sobre elas. Isso acontece porque a influência pode ser indireta ou até inconsciente. PERGUNTA 6 32 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Gráfico 6 – Respostas dos participantes sobre como os jovens são tratados nos media condiciona o seu comportamento Os resultados do inquérito mostram que 51,8% dos jovens discordam que a forma como os jovens são retratados nos media condiciona o seu comportamento e apenas 25% dos inquiridos concorda com a afirmação. Esse dado contraria o estudo feito anteriormente, que indicava que a representação dos jovens nos meios de comunicação pode influenciar as suas atitudes, escolhas e forma de se expressarem. Mesmo quando os jovens acreditam que não são influenciados, a exposição contínua e determinadas representações podem moldar, de forma inconsciente, as suas atitudes e expectativas. essa influência pode manifestar-se de diferentes formas e uma delas é na cultura da comparação. A cultura da comparação nas redes sociais tem um grande impacto na saúde mental dos jovens. Em vez de se sentirem diretamente condicionados pela forma como são retratados nos media tradicionais, muitos jovens podem perceber que a maior influência vem das interações online e da comparação constante com padrões idealizados que veem nas redes sociais. A exposição contínua a estilos de vida aparentemente perfeitos, corpos padronizados e conquistas irreais pode afetar a autoimagem e o bem-estar emocional, muitas vezes sem que os próprios jovens reconheçam essa influência. Dessa forma, embora muitos afirmem que a representação nos media não afeta o seu comportamento, a cultura da comparação pode estar a exercer um impacto mais subtil e profundo, reforçando inseguranças e expectativas irreais que influenciam a sua forma de agir e sentir. 33 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens PERGUNTA 7 Gráfico 7- respostas dos participantes sobre como a pressão exercida pelos media influencia no seu enquadramento em determinados grupos sociais Os dados recolhidos mostram que 33,95% dos inquiridos concordam com a afirmação e 46,7% discordam, 19,6% mantêm uma posição neutra, não concordando nem discordando, o que pode sugerir que não sentem uma pressão direta ou que não refletem sobre esse impacto. Os resultados indicam que, apesar de uma parte significativa dos jovens não sentir pressão das redes sociais para se encaixar em grupos específicos, existe ainda uma fração que percebe essa influência. As redes sociais são espaços de construção identitária, onde os utilizadores tendem a seguir determinados padrões para serem aceites dentro de uma comunidade digital. A percentagem elevada de respostas neutras pode indicar que alguns jovens não percebem conscientemente a influência que as tendências podem ter sobre o seu comportamento ou podem hesitar em admitir essa pressão. 34 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Aqueles que concordam total ou parcialmente provavelmente percebem que as tendências e os padrões de consumo nas redes sociais influenciam a necessidade de pertencimento a determinados grupos sociais, como visto em Consumo e publicidade. Este fenómeno pode ser explicado pelo efeito de conformidade social, onde os indivíduos sentem necessidade de seguir normas e comportamentos populares para evitar a exclusão. Aqueles que discordam total ou parcialmente, sugerem que uma parte significativa dos jovens acredita que consegue manter a sua autenticidade e não se sente pressionada a seguir tendências para se enquadrar socialmente. No entanto, é importante considerar que a influência das redes sociais pode manifestar-se de formas subtis e nem sempre ser percebida pelos próprios indivíduos. PERGUNTA 8 Gráfico 8 – Respostas dos participantes sobre como a influência dos media no humor e bem-estar Os dados do inquérito realizado, corroboram as informações introduzidas, confirmando a forte influência que os filmes e séries exercem sobre os jovens. 35 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Quando questionados sobre a influência (positiva ou negativa) dos media no humor e bem-estar, uma maioria significativa dos jovens acredita que as informações consumidas nos media afetam o seu humor e bem-estar, com 28,6% a concordar totalmente e 21,4% a concordar parcialmente. Isso reforça a ideia, discutida nos textos analisados, de que os adolescentes absorvem emoções e comportamentos apresentados nas narrativas audiovisuais e também nas redes sociais. Isso é particularmente relevante quando se considera o impacto de temas como violência, relações interpessoais e representações sociais nos filmes, séries e nos diversos conteúdos produzidos nas plataformas digitais. PERGUNTA 9 Gráfico 9 – Respostas dos participantes sobre como a cultura da comparação influencia na mudança de aparência. Os resultados do inquérito mostram que 42,9% dos jovens concordam que a comparação com outros nos media os leva a querer mudar a sua aparência, enquanto 42,8% não concordam com essa afirmação. Estes dados revelam uma contradição aparente, sugerindo que os jovens têm perceções distintas sobre o impacto da comparação social na sua autoimagem. Essa divergência pode ser explicada pelo efeito variável da cultura da comparação na saúde mental dos jovens. As redes sociais e os meios de comunicação 36 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens frequentemente promovem padrões de beleza idealizados, levando muitos jovens a sentirem-se insatisfeitos com a própria aparência e a desejarem mudanças para se encaixarem nesses padrões. No entanto, alguns podem desenvolver uma postura mais crítica ou resiliente, rejeitando essa influência e mantendo uma visão mais positiva sobre si mesmos. Além disso, a forma como os jovens interpretam a comparação pode depender de fatores como a autoestima e o suporte social. Aqueles que têm maior confiança em si próprios ou que estão mais conscientes dos filtros e edições presentes nas redes sociais podem não sentir essa pressão da mesma forma que outros. Esses resultados mostram que, embora a cultura da comparação afete uma parte significativa dos jovens, a forma como cada um lida com essa influência varia. PERGUNTA 10 Gráfico 10 – Respostas dos participantes sobre como os influenciadores digitais impactam as suas escolhas de estilo de vida Os resultados indicam que 62,5% dos inquiridos concordam, parcial ou totalmente, que os influenciadores exercem um papel significativo nas suas decisões, enquanto 21,4% discordam e 16,1% mantêm uma posição neutra. 37 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Os dados corroboram as informações apresentadas sobre o consumo e publicidade e como estes influenciam o comportamento dos jovens. A elevada percentagem de jovens que reconhecem essa influência pode ser explicada pela constante exposição a conteúdos digitais relacionados com moda, alimentação, bem-estar e consumo. Muitos influenciadores são vistos como referências e modelos a seguir, moldando comportamentos e tendências. No entanto, um grupo significativo de inquiridos não se considera influenciado, o que pode estar relacionado com um consumo mais crítico da informação ou um estilo de vida menos dependente das redes sociais. A percentagem de jovens que se mantêm neutros pode refletir uma perceção menos consciente da influência dos influenciadores ou um impacto moderado. No geral, os dados demonstram que as redes sociais desempenham um papel relevante na construção dos hábitos e preferências dos jovens, mas nem todos se sentem igualmente afetados por essa tendência. CONCLUSÕES A presente investigação analisou a influência dos media no comportamento e na perceção dos jovens em diversos aspetos da sua vida social, cultural e política. Com base na revisão teórica e nos dados recolhidos, foi possível verificar que as hipóteses formuladas inicialmente tiveram diferentes graus de confirmação. 38 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Os resultados obtidos confirmam parcialmente a Hipótese 1, que sugeria que o consumo frequente de conteúdos dos media influencia o comportamento dos jovens nas suas relações sociais, demonstrando que o consumo frequente de conteúdos mediáticos tem um impacto significativo nas interações sociais juvenis, ainda que esse efeito varie consoante o tipo de conteúdos consumidos. Isso porque os dados demonstram uma correlação entre os padrões de consumo mediático e a forma como os jovens interagem e comunicam com os outros Além disso, a Hipótese 2, que defendia que os jovens tendem a adotar estilos de vida apresentados como ideais pelos media, também encontra suporte, uma vez que foi possível verificar que os jovens tendem a reproduzir estilos de vida idealizados pelos media, especialmente através das redes sociais. Relativamente à Hipótese 3, que indicava que o uso excessivo de redes sociais contribui para o isolamento social dos jovens, os dados que esta relação existe, mas de forma complexa. Eles sugerem que o uso excessivo das redes sociais pode contribuir para o isolamento social, mas de forma contextual e não absoluta, já que, para alguns jovens, as plataformas digitais também funcionam como meios de socialização. Assim, esta hipótese não pode ser totalmente confirmada nem rejeitada, sendo necessária uma análise mais aprofundada. No que concerne à Hipótese 4, que afirmava que os media reproduzem e reforçam estereótipos de género, influenciando a construção da identidade juvenil, os media de facto desempenham um papel na reprodução de estereótipos de género, influenciando a perceção dos jovens sobre identidade e papéis sociais. A investigação também reforça a validade da Hipótese 5, que postulava que os jovens estão mais expostos à desinformação e têm dificuldades em distinguir notícias falsas de informações verídicas, uma vez que se identificou uma vulnerabilidade dos jovens à desinformação, sobretudo na dificuldade em distinguir notícias falsas de fontes credíveis. Por fim, no que diz respeito à Hipótese 6, que defendia que o ativismo digital tem um impacto crescente na consciência social e política dos jovens, os dados confirmamna amplamente. É evidente que o ativismo digital tem um impacto crescente na 39 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens consciência social e política dos jovens, embora a sua eficácia dependa do grau de envolvimento e do contexto de mobilização. Deste modo, a investigação reforça a importância do papel dos média na formação das perceções e comportamentos dos jovens. Os resultados obtidos apontam para a necessidade de um consumo mediático crítico e consciente, bem como de estratégias educativas que promovam o pensamento reflexivo. BIBLIOGRAFIA Auletta, V., Coppola, A., & Ferraioli, D. (2022). On the Impact of Social Media Recommendations on Opinion Consensus. https://arxiv.org/abs/2204.03299 40 2024/2025 A Influência Dos Médias No Comportamento Dos Jovens Contraponto Digital. (2022). 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