LEGISLAÇÃO DO SUS História das Políticas de Saúde no Brasil Professora: Jhennyfer Menezes 1 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 2. Compreendendo o SUS: A História das Políticas de Saúde no Brasil.......................................... 4 2.1 A saúde na Colônia e no Império ........................................................................................... 6 2.3 República Velha (1889 até 1930) ........................................................................................... 9 2.4 Nascimento da Previdência Social....................................................................................... 11 2.5 Era Vargas (1930 a 1964).................................................................................................... 15 2.6 Autoritarismo (1964 a 1984) ............................................................................................... 18 2.7 Fim da ditadura e Nova República (1985 a 1988) ................................................................. 30 2.8 O nascimento do SUS (período pós-constituinte)............................................................ 35 3. RESUMO .................................................................................................................. 38 2 1. INTRODUÇÃO A saúde no Brasil sempre foi um tema de debates e transformações. Com o objetivo de oferecer acesso universal e igualitário à saúde para todos os cidadãos, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado. A legislação do SUS é baseada em uma série de marcos históricos que refletem a evolução da política de saúde no país. Vamos conhecer essa história? 3 2. Compreendendo o SUS: A História das Políticas de Saúde no Brasil Para entendermos o Sistema Único de Saúde (SUS) e suas dificuldades e avanços, é essencial compreender a história das políticas de saúde no Brasil. A análise da realidade atual só é possível quando consideramos o contexto histórico, político e social no qual o SUS foi concebido. Assim como somos frutos do nosso passado, o sistema de saúde também foi moldado pelas influências políticas e sociais ao longo da história do Brasil. A compreensão do SUS exige uma "viagem ao passado" para entender como as ações e serviços de saúde eram oferecidos antes da criação de um sistema universal e igualitário. A história das políticas de saúde no Brasil é fundamental para entender o cenário atual do Sistema Único de Saúde. Compreender essa história não só auxilia no conhecimento do SUS, mas também é crucial para responder corretamente questões de residência, pois as bancas costumam abordar fatos históricos, datas e períodos relevantes da saúde no Brasil. Por fim, pense que você encontrou alguém e, apenas com base na sua aparência, formou uma opinião sobre essa pessoa. Seria injusto, não é verdade? Para compreender a essência de alguém, é preciso compreender seu contexto presente e o que aconteceu no passado. O SUS é precisamente o mesmo. É impossível compreender o sistema sem entender as influências históricas que o formaram. Para analisarmos e compreendermos a história de saúde no Brasil, precisamos entender alguns princípios trazidas por Polignano (2001): 1. Evolução política e social: A saúde sempre esteve relacionada à evolução política e econômica do Brasil e aos interesses do capitalismo. 4 2. A saúde sempre foi periférica: A saúde nunca foi prioridade no governo, sendo tratada de forma secundária até que problemas graves, como epidemias, exigissem uma ação mais focada. 3. A saúde como um direito: A história da saúde no Brasil é, em grande parte, uma luta pela conquista do direito à saúde de todos os cidadãos, especialmente os mais vulneráveis. 4. A dualidade entre medicina preventiva e curativa: A saúde no Brasil sempre oscilou entre ações preventivas e curativas, sem um modelo bem definido. A Constituição de 1988 transformou a saúde no Brasil, tornando-a um direito de todos. Antes, a responsabilidade pela saúde era da União e se limitava aos trabalhadores segurados. Com a nova Constituição, todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal) passaram a ser responsáveis por garantir a saúde da população. Além disso, o conceito de saúde foi expandido para incluir não apenas tratamento médico, mas também prevenção e promoção de bem-estar. A saúde passou a ser tratada de forma integral. Uma grande inovação foi a criação de uma gestão participativa, ou seja, a participação da população e dos profissionais de saúde nas decisões. Também foram estabelecidos fundos financeiros e uma gestão única de recursos para cada nível de governo, visando melhorar a organização e o financiamento da saúde (BRASIL, 1988). Iremos embarcar nos marcos históricos da saúde, é importante você memorizar marcos significantes de cada período. Vamos nessa? 5 2.1 A saúde na Colônia e no Império Antes da chegada dos europeus ao Brasil, os povos indígenas já habitavam o território há centenas de anos e enfrentavam algumas doenças próprias. Com a colonização portuguesa, doenças comuns na Europa, que não existiam aqui, foram trazidas para o novo território, resultando na morte de milhares de indígenas. Nesse período, o cuidado com a saúde era baseado principalmente nos recursos naturais disponíveis, como plantas e ervas. Além disso, os conhecimentos empíricos de curandeiros, que desenvolviam suas habilidades na arte de curar, também desempenhavam um papel fundamental na assistência à saúde (POLIGNANO, 2020). A organização política do Império adotava um regime de governo centralizado e unitário, que não conseguia garantir a continuidade e a eficácia na transmissão e execução das ordens provenientes do poder central. Durante o período da colonização e do Império, havia uma grande escassez de profissionais médicos no Brasil (SALLES, 1971). Segundo Salles (1971), a falta de uma assistência médica organizada levou à proliferação dos Boticários (farmacêuticos) pelo país. A função dos boticários era preparar as fórmulas prescritas pelos médicos, mas na prática, eles próprios muitas vezes se encarregavam de recomendá-las, algo ainda muito comum nos dias de hoje. Em 1808, Dom João VI fundou em Salvador, na Bahia, o Colégio Médico Cirúrgico no Real Hospital Militar da cidade. No mesmo ano, em novembro, foi criada a Escola de Cirurgia no Rio de Janeiro, vinculada ao Real Hospital Militar A chegada da família real ao Brasil (1807) gerou a necessidade de criar uma estrutura sanitária básica, capaz de apoiar o novo poder instalado no Rio de Janeiro. Esse evento deu início a uma série de medidas sanitárias para atender a essa demanda. Como a sede temporária do Império Português e o principal ponto 6 de entrada e saída comercial do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro passou a ser o centro das atenções, não apenas no âmbito econômico, mas também nas ações relacionadas à saúde pública. Sua posição estratégica e importância política fizeram com que o Rio se tornasse o foco das iniciativas sanitárias, uma vez que a cidade recebia grande fluxo de pessoas e mercadorias, o que exigia medidas para controlar doenças e garantir a saúde da população. Era fundamental, portanto, estabelecer com urgência centros de formação para médicos, que até aquele momento eram praticamente inexistentes devido, em parte, à proibição do ensino superior nas colônias. Por ordem da coroa, foram criadas as academias médico-cirúrgicas no Rio de Janeiro e na Bahia, na primeira década do século XIX, as quais, em pouco tempo, se transformaram nas primeiras escolas de medicina do Brasil (POLIGNANO, 2001). ATENÇÃO! Até 1850, as atividades de saúde pública estavam restritas aos seguintes aspectos: • Transferência das responsabilidades sanitárias para as juntas municipais; • Controle de embarcações e vigilância sanitária nos portos. Verifica-se que o principal objetivo nesse período estava restrito à implementação de um controle sanitário básico na capital do Império, uma tendência que perdurou por quase um século. Durante esse tempo, não eram as necessidades de saúde da população como um todo que motivavam as ações de saúde pública, mas sim questões que estavam diretamente relacionadas a interesses econômicos. Com isso, surgiu o modelo assistencial sanitário/campanhista, que é considerado o primeiro modelo de atenção à saúde no Brasil. Esse modelo era focado em ações específicas, direcionadas a grupos determinados e com objetivos pontuais. Ou seja, não havia uma abordagem sistemática ou de longo prazo para resolver os problemas de saúde da população, mas sim medidas emergenciais e 7 focalizadas em pontos que impactavam diretamente a economia e a ordem pública, como o controle de epidemias ou doenças que podiam afetar a força de trabalho ou o comércio. Esse modelo refletia a ideia de que a saúde deveria ser gerida de acordo com a necessidade imediata e os interesses do Estado, priorizando o controle de surtos e o bem-estar dos grupos mais diretamente ligados ao crescimento econômico, como portuários e trabalhadores urbanos. QUESTÃO 1. Sobre a evolução das políticas de saúde pública no Brasil durante o período imperial, considere as afirmativas a seguir: I. Durante grande parte do período imperial, as ações de saúde pública eram restritas ao controle sanitário da capital do Império, com foco em questões econômicas, como a proteção do comércio e da força de trabalho. II. O modelo assistencial sanitário/campanhista, implementado nesse período, visava atender a toda a população de forma igualitária, com ações preventivas abrangentes. III. O modelo assistencial sanitário/campanhista focava em ações pontuais e direcionadas a grupos específicos, com o objetivo de controlar surtos de doenças que afetavam a economia do Império. Assinale a alternativa correta: a) Apenas a afirmativa I está correta. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) As afirmativas I e III estão corretas. d) As afirmativas II e III estão corretas. 8 Resposta correta: c) As afirmativas I e III estão corretas. 2.3 República Velha (1889 até 1930) A Proclamação da República, em 1889, foi marcada pela ideia de modernizar o Brasil, especialmente em relação à sua economia e sociedade. O país, que até pouco antes ainda era escravocrata, precisava se adaptar ao novo contexto de um mundo capitalista em expansão, o que levou à transformação dos trabalhadores brasileiros em um "capital humano" (RONCALLI, 2002). De acordo com esse autor, o Brasil vivia um cenário político e econômico centrado na implantação do modo de produção capitalista, com as primeiras indústrias surgindo. Porém, o modelo econômico predominante ainda era agrárioexportador, baseado principalmente na produção de café, borracha e açúcar. As condições de vida e trabalho nas cidades eram precárias, o que gerou o surgimento de movimentos operários. Estes movimentos, impulsionados pelas péssimas condições de trabalho e pela ausência de direitos trabalhistas, resultaram em duas grandes greves gerais no país, uma em 1917 e outra em 1919, que acabaram gerando as primeiras legislações trabalhistas e previdenciárias. Segundo Polignano (2001), o sistema de saúde era caótico, pois não existia um modelo de saúde pública que se preocupasse com a promoção e prevenção de doenças. Isso deixava as cidades vulneráveis a epidemias. A principal preocupação estava nas doenças transmissíveis, como febre amarela, varíola, tuberculose, sífilis e outras doenças que afetavam tanto as áreas urbanas quanto rurais. Essas doenças eram resultado das condições precárias de saneamento básico, da imigração e da formação de aglomerados populacionais. Com o objetivo de combater essas epidemias, o presidente Rodrigues Alves nomeou Oswaldo Cruz para ser o Diretor do Departamento Federal de Saúde Pública, com a missão de erradicar a febre amarela na cidade do Rio de Janeiro. 9 Para isso, criou-se uma força-tarefa de 1.500 pessoas, que realizavam atividades de desinfecção para combater o mosquito transmissor da febre. No entanto, a falta de esclarecimento à população e as atitudes autoritárias dos “guardas-sanitários” geraram revolta entre os moradores. Essa insatisfação aumentou com a implementação da Lei Federal n.º 1261, em 31 de outubro de 1904, que tornou obrigatória a vacinação contra a varíola em todo o território nacional. Essa medida gerou um grande movimento popular de resistência, conhecido como a Revolta da Vacina. Apesar das críticas e abusos, o modelo campanhista de saúde obteve vitórias significativas no controle de doenças epidêmicas, incluindo a erradicação da febre amarela no Rio de Janeiro. Esse sucesso consolidou o modelo de intervenção sanitária e o tornou predominante nas políticas de saúde pública no Brasil por várias décadas (POLIGNANO, 2001). Dica É importante observar o movimento da Revolta da Vacina e o impacto gerado pela imposição da vacinação obrigatória contra a varíola no contexto da saúde pública da época. Durante este período, Oswaldo Cruz organizou e fortaleceu a Diretoria Geral de Saúde Pública, com o objetivo de implementar mudanças significativas no sistema de saúde brasileiro. Uma das principais reformas que ele promoveu foi a inclusão de novos elementos nas ações sanitárias do país, os quais eram essenciais para o avanço da saúde pública na época. Entre esses elementos, destacam-se: • O registro demográfico, que permitiu entender melhor a composição da população e monitorar os dados vitais, como nascimentos, óbitos e outras informações essenciais para as políticas de saúde. 10 • A introdução dos laboratórios, que passaram a ser ferramentas fundamentais para o diagnóstico das doenças, ajudando a identificar as causas e os agentes responsáveis pelas epidemias. • A produção em massa de produtos profiláticos, como vacinas e medicamentos preventivos, que passaram a ser fabricados de forma organizada para serem distribuídos para a população em larga escala, ajudando no combate a doenças epidêmicas. Em 1920, o médico Carlos Chagas assumiu a reestruturação do Departamento Nacional de Saúde, que na época estava vinculado ao Ministério da Justiça. Chagas inovou o modelo de saúde pública até então estabelecido por Oswaldo Cruz ao introduzir a propaganda e a educação sanitária como práticas essenciais nas ações de saúde. Ao contrário do modelo campanhista de Oswaldo Cruz, que era focado principalmente em medidas fiscais e de controle rigoroso (com uma abordagem mais policial), Carlos Chagas incorporou uma abordagem mais educativa, visando conscientizar a população sobre a importância da prevenção e das medidas de higiene para evitar a propagação de doenças. Essa transformação no modelo de saúde pública trouxe uma mudança significativa no modo como as autoridades tratavam a população em relação à saúde, introduzindo a ideia de que, além do controle sanitário, era necessário informar e educar as pessoas para garantir a eficácia das ações de saúde pública. 2.4 Nascimento da Previdência Social O processo de industrialização no Brasil teve início com a acumulação capitalista proveniente do comércio exterior. Esse fenômeno foi particularmente concentrado no eixo Rio de Janeiro – São Paulo, que se tornou o centro industrial do país. A industrialização foi acompanhada por um crescimento urbano, com o aumento das cidades e da população, e também pela utilização de imigrantes, 11 especialmente europeus (como italianos e portugueses), que traziam consigo uma grande experiência no setor industrial, já bastante desenvolvido na Europa. Nesse contexto, os operários da época viviam em condições muito precárias, sem qualquer tipo de garantia trabalhista, como férias, jornada de trabalho definida, pensões ou aposentadorias (SOUZA, 2018). Muitos desses operários eram imigrantes, e, em particular, os italianos, muitos dos quais eram anarquistas, trouxeram consigo a história do movimento operário europeu. Esses imigrantes tinham conhecimento das conquistas trabalhistas já alcançadas pelos trabalhadores na Europa e, por isso, procuraram mobilizar e organizar a classe operária no Brasil para lutar por direitos trabalhistas. A situação de péssimas condições de trabalho e a falta de direitos trabalhistas resultaram em dois grandes movimentos grevistas no Brasil, em 1917 e 1919. Essas greves marcaram a história do país, pois foram as primeiras manifestações organizadas que exigiam a melhoria das condições de trabalho. Graças a esses movimentos, começaram a ser conquistados alguns direitos sociais para os trabalhadores. Em 24 de janeiro de 1923, foi aprovada pelo Congresso Nacional a Lei Eloy Chaves, considerada o marco inicial da previdência social no Brasil. Essa lei estabeleceu a criação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), um sistema de assistência social para os trabalhadores. A Lei Eloy Chaves representou a primeira ação do Estado em relação à proteção social dos trabalhadores, ao criar uma estrutura formal para a aposentadoria e pensões. Características das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs): • Eram formuladas por grandes empresas ou instituições. • Ofereciam aposentadorias e pensões para os trabalhadores e suas famílias. 12 • Incluíam serviços como funerários, socorro médico para a família e medicamentos a preços especiais. • Ofereciam assistência por acidente de trabalho. • O financiamento e a gestão das CAPs eram bipartites, ou seja, eram compartilhados entre o trabalhador e o empregador, sem participação direta do Estado. • As primeiras CAPs foram criadas para os ferroviários e para os marítimos. Essas CAPs, apesar de representarem um avanço para os trabalhadores, eram organizadas por grandes empresas, e o Estado não participava diretamente do financiamento, o que significava que a responsabilidade financeira era compartilhada apenas entre o trabalhador e o empregador. Esse modelo bipartite marcou o início da previdência social no Brasil, mas a participação do Estado seria ampliada em etapas posteriores. Assim, a Lei Eloy Chaves foi um passo importante na criação de um sistema de seguridade social para os trabalhadores no Brasil, influenciando o desenvolvimento da previdência social no país. De acordo com Mendes (1993), as ações de assistência médica no Brasil estiveram intimamente relacionadas ao desenvolvimento do sistema previdenciário nacional. O modelo de prestação de serviços de assistência médica começou a se formar a partir da criação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), que foram as primeiras iniciativas sistemáticas de previdência social no país. Essas Caixas surgiram em 1923, juntamente com a Lei Eloy Chaves, que é considerada por muitos estudiosos como o marco inicial da Previdência Social no Brasil. 13 As CAPs eram organizadas por empresas, especialmente grandes corporações, e eram administradas e financiadas conjuntamente por empregadores e trabalhadores. Seu objetivo era oferecer benefícios pecuniários (como aposentadoria e pensões) e serviços de saúde para os empregados de determinadas empresas, geralmente aquelas que eram estratégicas para a economia do país. Assim, essas Caixas atendiam uma parcela limitada da população trabalhadora, voltando-se, principalmente, para trabalhadores de setores específicos e essenciais. Entre 1923 e 1930, mais de 40 novas CAPs foram criadas, atendendo a mais de 140 mil beneficiários. Durante esse período, a assistência médica foi uma das principais atribuições dessas Caixas e foi considerada uma das funções centrais do sistema previdenciário nascente. A assistência à saúde foi, portanto, um dos pilares desse modelo inicial de previdência social, e houve um esforço significativo para estruturar uma rede própria de serviços de saúde, com o objetivo de garantir cuidados médicos aos trabalhadores e suas famílias. Esse modelo, embora limitado, representou os primeiros passos para a organização da previdência social no Brasil, com destaque para a assistência médica como um componente fundamental do sistema de proteção social. QUESTÃO .2. (EBSERH/BIOMÉDICO/IADES/MCO/2014) Antes da criação do SUS, o Ministério da Saúde atuava na área de assistência à saúde por meio de alguns poucos hospitais especializados, além da ação da Fundação de Serviços Especiais de Saúde Pública (FSESP), em regiões específicas do País. Nesse período, a assistência à saúde mantinha uma vinculação muito próxima com determinadas atividades e o caráter contributivo do sistema existente gerava uma divisão da população brasileira em dois grandes grupos (além da pequena parcela da 14 população que podia pagar os serviços de saúde por sua própria conta). Considerando as informações apresentadas, é correto afirmar que esses grupos são os (as): a) profissionais de saúde e a população leiga. b) previdenciários e os não previdenciários. c) anarquistas e os socialistas. d) sindicalizados e os autônomos. e) populações propensas a endemias e as populações urbanas. Exemplo de questão em que o candidato deve fazer grifos e identificar qual é a verdadeira "pergunta" de prova. Vamos analisar: ao ler esse enunciado, é importante prestar atenção ao contexto histórico e à característica do acesso à saúde. Antes da criação do SUS, o acesso aos serviços de saúde era excludente. Uma parte da população contribuía para a previdência (os trabalhadores), enquanto a maioria dependia das instituições filantrópicas. Uma pequena parte podia pagar por serviços médicos privados. Qual é o objetivo da questão? Identificar quais eram os dois grupos, ou seja, os que contribuíam – previdenciários, e os que não contribuíam – não previdenciários. Letra b. 2.5 Era Vargas (1930 a 1964) A crise do café e a crise política da Velha República foram os principais fatores que desencadearam o golpe de Estado conhecido como Revolução de 1930, que resultou na ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Com a revolução, a indústria passou a ser o principal setor responsável pelo acúmulo de capital no Brasil, sinalizando uma mudança importante na estrutura econômica do país. O primeiro governo Vargas é considerado um marco no desenvolvimento das políticas sociais no Brasil. As mudanças institucionais que ocorreram a partir de 1930 foram fundamentais para a construção do sistema de proteção social no país. Durante esse período, foram estabelecidas as bases jurídicas e materiais que 15 estruturariam o sistema de assistência social e previdência no Brasil por várias décadas, influenciando as políticas públicas até um período recente (CAMPOS, 2000). Em 1933, ocorreu a unificação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), dando origem aos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPS). Essa unificação teve como objetivo consolidar a previdência social e garantir benefícios mais amplos e assegurados aos associados, incluindo: • Aposentadoria: Garantia de um benefício para os trabalhadores após determinado tempo de contribuição. • Pensão por morte: Pagamento de benefícios aos familiares ou beneficiários em caso de falecimento do trabalhador. • Assistência médica e hospitalar: Cobertura de serviços médicos e hospitalares para os beneficiários. • Socorro farmacêutico: Reembolso das despesas com medicamentos, com custo acrescido das despesas de administração. Essas mudanças significativas no sistema de previdência social representaram um avanço importante para a proteção social no Brasil, consolidando um sistema de benefícios que passou a atender a uma parte considerável da população trabalhadora. Os IAPS surgem, da necessidade política do Estado estender a todas as categorias do operariado urbano organizado os benefícios da previdência; O primeiro IAP foi o dos MARÍTIMOS – IAPM; Seu FINANCIAMENTO era TRIPARTITE (o governo assumiu a GESTÃO financeira). Em 1941, ocorreu a I Conferência Nacional de Saúde, um evento importante para discutir a saúde pública no Brasil. Durante o contexto da Segunda Guerra Mundial, foi criado o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), em 1942, 16 como parte de um acordo firmado entre os governos brasileiro e norte-americano. O objetivo principal do SESP era combater as doenças endêmicas nas regiões mais estratégicas para a economia de guerra, como a Amazônia e o Vale do Rio Doce, áreas de produção de borracha e minério de ferro, materiais essenciais para o esforço de guerra dos Estados Unidos. De acordo com Roncali (2002), a Fundação Serviços de Saúde Pública (FSESP) teve como uma de suas principais funções o combate a surtos de malária e febre amarela, que afetavam gravemente os trabalhadores dessas regiões. Além disso, a FSESP desempenhou um papel importante na redução da mortalidade infantil causada por doenças que poderiam ser prevenidas com vacinação. Um marco importante na história da previdência social no Brasil ocorreu em 1933, com a unificação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), dando origem aos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPS). A criação dos IAPS foi um passo significativo na estruturação da previdência social, pois o governo passou a assumir a gestão financeira do sistema. Com a unificação, os benefícios passaram a ser organizados por categorias profissionais do operariado urbano, o que indicava um maior foco nas necessidades das classes trabalhadoras. No entanto, o acesso aos serviços de saúde continuava a ser contributivo e excludente, ou seja, apenas os trabalhadores que contribuíam com o sistema tinham direito a esses serviços. Além disso, o modelo sanitarista/campanhista, focado em medidas de controle de epidemias e saúde pública, ainda predominava nesse período, como destaca Souza (2018). Esses processos marcaram uma fase importante na organização da saúde pública e da previdência social no Brasil, embora muitas das limitações, como a exclusão de grandes parcelas da população, ainda persistissem. 17 Construção da Previdência Social do Brasil CAPS - 1923 IAPS - 1933 2.6 Autoritarismo (1964 a 1984) O regime militar, instaurado no Brasil a partir de 1964, foi caracterizado por ser ditatorial e repressivo. O governo militar utilizou a força policial e o exército, além de adotar atos de exceção, como lei de censura e prisões arbitrárias, para manter o controle e impor sua autoridade. As reformas institucionais implantadas durante esse período tiveram um impacto profundo na saúde pública e na medicina previdenciária. Uma das consequências imediatas do regime militar para as políticas de saúde foi o esvaziamento da participação social nas decisões sobre previdência social. Ou seja, a população e os trabalhadores perderam a capacidade de influenciar as políticas públicas relacionadas à saúde e à previdência. Por outro lado, o regime militar promoveu a centralização do poder decisório. Em 1966, foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), resultado da fusão de diversos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs). Com isso, a gestão da previdência social foi unificada, concentrando as contribuições previdenciárias e passando a administrar as aposentadorias, as pensões e a assistência médica de todos os trabalhadores formais. No entanto, os trabalhadores rurais e uma grande parte dos trabalhadores urbanos informais foram excluídos desses benefícios (POLIGNANO, 2002). Durante o período inicial da ditadura, especialmente entre 1968 e 1974, conhecido como o “milagre brasileiro”, as políticas de saúde se caracterizaram 18 por uma combinação do modelo sanitarista campanhista (que focava em campanhas de saúde pública) e o modelo de assistência médica previdenciária herdado do período populista (LUZ, 1991). Esse período foi marcado por uma síntese de práticas sanitárias e previdenciárias anteriores, sem grandes avanços no sentido de ampliar o acesso à saúde para toda a população. Além disso, o regime militar deu origem a uma estrutura mais robusta em torno da Previdência Social, vinculação diretamente aos interesses do capital nacional e internacional. Com o aumento do poder do Estado nas esferas econômica e política, o governo aumentou as alíquotas e centralizou o controle da previdência. A participação dos usuários na gestão do sistema, que existia durante a vigência das CAPs e dos IAPs, foi extinta (MENDES, 1993). Isso consolidou um sistema mais centralizado e burocrático, excluindo a sociedade do processo decisório sobre os rumos da previdência e da saúde no Brasil. O sistema de Previdência Social no Brasil, sob a gestão do INPS, foi se tornando cada vez mais complexo, tanto do ponto de vista administrativo quanto financeiro. A estrutura crescente e as demandas mais complexas levaram à criação de uma nova entidade em 1977: o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), com o objetivo de organizar e administrar os serviços de assistência médica vinculados à previdência social (POLIGNANO, 2001). De acordo com Carvalho e Goulart (1998), durante a década de 1970, foi criado o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS), no qual o INAMPS passou a fazer parte. Este sistema foi desenvolvido para integrar as políticas de previdência e assistência social no Brasil. O INAMPS, por sua vez, seguiu uma estratégia de comprar serviços de saúde do setor privado, uma prática justificada na época por ser considerada mais viável do ponto de vista 19 técnico e econômico. Contudo, esse modelo refletia uma combinação problemática de estatismo e privatismo, ou seja, o governo centralizava a gestão da saúde, mas dependia fortemente da iniciativa privada para fornecer os serviços, criando uma relação tensa entre o controle estatal e o mercado privado. Essa estratégia foi criticada por ser uma solução que não resolvia integralmente os problemas de acesso e qualidade na saúde pública, pois, ao depender do setor privado, as desigualdades no acesso aos serviços de saúde continuavam a existir. CAPS – 1923 (Eloy chaves) IAPS – 1933 (Primeiro governo de Getúlio Vargas) INPS – 1966 (Ditadura Militar) INAMPS- 1977 (Ditadura Militar) CONASP- 1981/82 (Conselho consultivo) crise) No contexto da saúde brasileira, o modelo médico privatista/curativo se tornou dominante e passou a ser o modelo hegemônico de prestação de serviços de saúde. Esse modelo tem como foco a doença e o doente, ou seja, ele se concentra em tratar as doenças já instaladas nas pessoas, sem priorizar ações preventivas ou a atenção às necessidades reais da população. Como resultado, grandes hospitais foram criados, principalmente para atender os trabalhadores formais que contribuem para o sistema de saúde, reforçando um caráter excludente dos serviços de saúde, pois apenas aqueles que contribuíam com o 20 sistema previdenciário tinham acesso a esses benefícios médicos. Este modelo, portanto, fortaleceu o sistema de saúde baseado no princípio contributivo, ou seja, quem contribuía com o sistema tinha direito a acesso aos serviços. Embora o modelo sanitarista (focado na prevenção e controle das doenças) não tenha desaparecido completamente, ele foi superado em grande parte pelo modelo curativo. Contudo, essa elitização da saúde e a inacessibilidade dos serviços médicos para a maior parte da população foram criticadas internacionalmente. Em 1978, a Conferência Internacional sobre a Atenção Primária à Saúde, realizada em Alma-Ata (Cazaquistão), destacou a saúde como um direito fundamental de todos os seres humanos, com a responsabilidade dos governos em garantir esse direito. A conferência também ressaltou que a saúde deve ser abordada de forma intersetorial, ou seja, deve envolver diversos setores da sociedade, não apenas o setor médico. Roncali (2002) aponta que, durante esse período, a população de baixa renda, já afetada pela repressão econômica e política, passou a enfrentar ainda mais dificuldades sociais, como o desemprego, o aumento das marginalidades, das favelas e da mortalidade infantil. O modelo de saúde previdenciário e curativo começou a mostrar suas limitações e falhas, incluindo: • A incapacidade de resolver problemas de saúde coletiva, como as endemias e epidemias, além de indicadores críticos, como a mortalidade infantil. • O aumento constante dos custos da medicina curativa, que passava a se concentrar em tratamentos médicos de alta complexidade e hospitalares. • A diminuição do crescimento econômico, o que afetou diretamente a arrecadação do sistema de previdência, reduzindo suas receitas. 21 • A exclusão de grande parte da população, especialmente aqueles que não tinham carteira assinada e não contribuíam para a previdência, ficando à margem do sistema de saúde. • O desvio de verbas do sistema de previdência para outras áreas do governo, além da falta de repasse de recursos do Tesouro Nacional para o sistema, o que gerou instabilidade financeira para o sistema de saúde pública. Em resposta a essas falhas, o governo criou, em 1981, o Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária (CONASP), vinculado ao INAMPS. O CONASP foi responsável por fiscalizar e melhorar a gestão dos recursos e serviços de saúde. Este órgão teve um papel importante ao começar a envolver técnicos ligados ao movimento sanitário e, assim, iniciou-se uma ruptura interna da administração do sistema, que até então era dominada por interesses burocráticos previdenciários. Parte dessa reforma incluiu um controle mais rigoroso da prestação de contas dos prestadores de serviços de saúde credenciados, com o objetivo de combater fraudes e otimizar os recursos do sistema. O CONASP foi estabelecido em 1981, com o objetivo de otimizar a eficiência, aprimorar a qualidade dos serviços de saúde e equilibrar a oferta de serviços entre as populações urbanas e rurais. Essas iniciativas estão relacionadas à criação deste conselho, que contou com a participação de técnicos vinculados ao movimento sanitário, que já começava a se organizar e se articular na época. 22 A Conferência de Alma-Ata, realizada em 1978, foi a primeira a colocar em pauta a Atenção Primária à Saúde. O impacto das suas discussões gerou uma nova perspectiva mundial sobre a oferta de serviços e ações de saúde. No Brasil, as primeiras ações descentralizadas, conhecidas como AIS (Ações Integradas em Saúde), que surgiram entre 1983 e 1984, podem ser consideradas o marco inicial da Atenção Primária à Saúde no país. QUESTÃO 3- Em janeiro de 1923, inspirado pela legislação argentina sobre a previdência social, o Deputado Eloy Chaves apresentou um projeto de lei que propunha a instituição da Caixa de Aposentadoria e Pensões para os ferroviários, em cada uma das empresas de estrada de ferro. Este projeto de lei foi aprovado pelo Congresso e sancionado pelo Presidente da República, transformando-se no Decreto nº 4.682, de 24 de janeiro de 1923, conhecido depois como “Lei Eloy Chaves”. Analise as afirmativas a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Essa Caixa de Aposentadorias e Pensões (CAPs) foi criada especificamente para os servidores públicos e organizada segundo os princípios da seguridade social, dependendo de contribuição por parte dos segurados. ( ) As CAPs eram organizadas pelas empresas e administradas e financiadas por empresas e trabalhadores, em uma espécie de seguro social. 23 ( ) Com as CAPs, uma parcela majoritária dos trabalhadores do país passava a contar com uma aposentadoria, pensão e assistência à saúde. A sequência está correta em: a) V, V, V b) V, V, F c) F, F, V d) F, V, F Nos textos históricos, os ferroviários eram comumente referidos como "servidores públicos", apesar de o Estado não fazer contribuições financeiras para as CAPs. Esse termo era utilizado devido à relevância estratégica das ferrovias e à intensa regulamentação governamental sobre o setor. Contudo, as CAPs foram especificamente criadas para os ferroviários, sendo seu financiamento composto pelas contribuições dos empregados e das empresas, sem participação do Estado. As CAPs eram organizadas pelas próprias empresas, com o envolvimento das contribuições tanto dos empregados quanto dos empregadores. O Estado não assumia o financiamento direto das CAPs, mas regulamentava sua operação e existência. Apenas uma minoria de trabalhadores, principalmente os ferroviários, tinha acesso a esses benefícios. A previdência era ainda bastante restrita e não atendia a maior parte da população trabalhadora do Brasil. CORRETA: letra B 4- (PREFEITURA DE PRESIDENTE DUTRA/MA/2012/LUDUS) Com relação ao Sistema Único de Saúde (SUS) e seus princípios, foram muitos os passos percorridos antes de chegarmos ao nível de evolução do SUS 24 atual. Sobre este assunto relacione a primeira coluna com a segunda coluna. POLÍTICAS (coluna 1) 1. SUDS 2. CONASP 3. AIS 4. VIII Conferência Nacional de Saúde 5. SUS CARACTERÍSTICAS (coluna 2) ( ) Ampla discussão sobre os rumos do sistema de saúde e sugeriu propostas para a Assembleia Constituinte. ( ) Convênios com municípios e Estados, permitindo pela primeira vez o uso de recursos da previdência para financiar serviços de saúde oferecidos a toda população. ( ) Descentralização do INAMPS e forte apoio dos governadores. ( ) Deu início a programação das atividades de assistência no âmbito do INAMPS e criou a AIH. ( ) Conjunto de ações e serviços de saúde que são oferecidos gratuitamente sem que o usuário tenha que comprovar qualquer contribuição prévia. Marque a alternativa que traz a sequência correta da segunda coluna: a) 4, 1, 3, 2, 5. b) 4, 3, 1, 2, 5. c) 3, 4, 1, 2, 5. d) 1, 3, 5, 4, 2. e) 4, 5, 3, 1, 2. 25 Na ordem da primeira coluna: A VIII foi o espaço de ampla discussão sobre os rumos da saúde; as AIS foram as primeiras ações na atenção primária no Brasil e tiveram como característica a interiorização das ações e serviços de saúde e realizaram convênios com municípios e Estados, permitindo pela primeira vez o uso de recursos da previdência para financiar serviços de saúde oferecidos a toda população; o SUDS foi a estratégia ponte entre o INAMPS e o SUS, onde toda a estrutura do extinto INAMPS passa a ser do estado; o CONASP foi instituído para tentar reverter a crise do INPS em 1981 e dentre outras ações, deu início a programação das atividades de assistência no âmbito do INAMPS e criou a AIH (Autorização de Internação Hospitalar); o SUS, Conjunto de ações e serviços de saúde que são oferecidos gratuitamente sem que o usuário tenha que comprovar qualquer contribuição prévia. Correta: Letra b. O modelo excludente de saúde implementado pelos sistemas INPS (Instituto Nacional de Previdência Social) e INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) provocou uma crescente privatização no setor de saúde. Contudo, esse modelo foi marcado pela precariedade dos serviços, não apenas na área da saúde, mas também em toda a esfera social. Isso gerou um aumento da insatisfação popular, o que comprometeu a legitimidade do regime militar da época, como afirma Roncali (2001). Apesar de um aumento nos indicadores de saúde em algumas áreas, como o Coeficiente de Mortalidade Infantil, a situação piorava drasticamente, mesmo em grandes cidades como São Paulo e Belo Horizonte. A incapacidade de atender à crescente demanda por serviços de saúde levou à intensificação de movimentos sociais e pressões internacionais por melhorias no sistema. 26 Durante o governo de Ernesto Geisel (1974-1979), houve uma tentativa de minimizar os impactos das políticas excludentes por meio da expansão da cobertura dos serviços de saúde. No entanto, essa tentativa foi dificultada por um anel técnico-burocrático que criava obstáculos ao avanço das propostas. Polignano (2002) descreve como a Federação Brasileira de Hospitais e os médicos de grupos privados (do setor médico) se opuseram a essas mudanças, pois temiam perder seu poder e status dentro do sistema de saúde. Um exemplo dessa oposição foi a derrota do projeto PREV-SAÚDE (1976), um dos modelos mais inovadores de reestruturação do sistema de saúde. Este projeto, após diversas distorções e ajustes, acabou sendo arquivado (Mendes, 1993). No final dos anos 1970, com o processo de abertura política e a crescente insatisfação popular, o movimento por políticas de saúde mais universalistas se intensificou. Profissionais da saúde e intelectuais da área de saúde coletiva ampliaram suas lutas por mudanças significativas no modelo de saúde. Esse movimento ficou conhecido como o Movimento pela Reforma Sanitária e teve apoio de lideranças políticas, sindicais, populares e parlamentares. Um dos momentos chave desse movimento ocorreu em 1979, durante o I Simpósio Nacional de Política de Saúde, organizado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Nesse evento, foi discutida uma proposta de reorganização do sistema de saúde, que foi apresentada pelo Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), representando o movimento sanitário. Essa proposta já mencionava a criação de um Sistema Único de Saúde (SUS), com caráter universal e descentralizado (Werneck, 1998). Essa movimentação e as discussões que ocorreram ao longo dos anos 1970 e 1980 foram fundamentais para a construção do SUS, que veio a ser consolidado na Constituição de 1988. 27 Devido ao agravamento da crise financeira, o sistema redescobre, quinze anos depois, a importância do setor público de saúde e a necessidade de investir nesse segmento, que operava com custos mais baixos e atendia uma grande parte da população carente de assistência. Em 1983, foi criada a AIS (Ações Integradas de Saúde), um projeto interministerial (PrevidênciaSaúde-Educação), com o objetivo de estabelecer um novo modelo assistencial que incorporasse o setor público, buscando integrar ações curativas, prev entivas e educativas simultaneamente (SOUZA, 2018). Dessa forma, a Previdência passaria a contratar e pagar pelos serviços prestados por estados, municípios, hospitais filantrópicos, públicos e universitários. Alma-Ata 1978 AIS 1983 De acordo com Souza (2018), o período de transição para a democracia no Brasil coincidiu com importantes mudanças políticas, como as eleições diretas para governadores e a vitória esmagadora da oposição em quase todos os estados nas primeiras eleições democráticas de 1982. Esse momento histórico foi marcado por uma forte pressão popular por democratização e por uma política sanitária mais universalista, que atendesse a toda a população de forma mais igualitária e acessível. Além dos movimentos populares internos que lutavam pela democratização e por uma política de saúde que atendesse a todos, o contexto mundial também indicava uma mudança nos sistemas de saúde, com ênfase na Atenção Primária à Saúde. A Atenção Primária propunha um modelo de cuidados de saúde mais próximos das comunidades, preventivos e de fácil acesso. Nesse cenário, importantes avanços foram alcançados, principalmente com a atuação dos membros do movimento sanitário dentro da estrutura do governo. Esses grupos contribuíram para a implementação de mudanças significativas no 28 modelo de saúde e conseguiram conquistar avanços importantes para a construção de um sistema de saúde mais inclusivo e eficaz (SOUZA, 2018). No entanto, a década de 1980 também foi marcada por uma profunda crise política, social e econômica. A previdência, após a fase de capitalização, enfrentava sérios problemas financeiros devido a uma política que estimulava a corrupção e o desvio de verbas. Isso resultou em uma incapacidade do sistema para atender às crescentes demandas da população. Por outro lado, o regime autoritário da época se viu diante da necessidade de buscar formas de legitimação devido à crescente insatisfação popular (RONCALI, 2001). QUESTÃO 5. (PREFEITURA DE PONTA GROSSA-PR/2011/FAFIPA) Sobre a Conferência de Alma-Ata (1978) analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s). I – Refere que os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis. II – Reconhece como necessária a união de países desenvolvidos para incremento de tecnologias duras em países pouco desenvolvidos com o intuito de fortalecer a equidade em saúde. III – Afirma que o desenvolvimento econômico e social baseado numa ordem econômica internacional é de importância fundamental para realização da meta de Saúde para Todos no Ano 2000 e para a redução da lacuna existente entre o estado de saúde dos países em desenvolvimento e o dos desenvolvidos. 29 IV – Foi realizada no Brasil e é considerada um marco na história do país, pois fomentou a discussão sobre saúde universal, sendo precursora da Constituição Federal de 1988. a) Apenas I e III estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) Apenas IV está correta. d) Apenas I, II, III e IV estão corretas. e) Apenas I, II e III estão corretas. A Declaração de Alma-Ata ocorreu na antiga URSS, no Cazaquistão, sendo a primeira conferência a adotar a atenção primária como uma estratégia de organização do sistema de saúde, considerada adequada e eficaz para atender às verdadeiras necessidades de saúde da população. Ao realizar ações na atenção primária, utiliza-se a tecnologia leve (vínculo, acolhimento, abordagem integral, uso de conhecimentos científicos e respeito à individualidade) e levedura (as mesmas ações da tecnologia leve, mas com o uso de instrumentos e equipamentos). Esses conceitos foram introduzidos por Emerson Merhy. A tecnologia dura se refere ao uso de equipamentos complexos em sua totalidade, abrangendo todos os instrumentos utilizados para tratamentos, exames e organização de informações. A assertiva III trata do que foi acordado na Conferência Internacional de Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em 1986. Correta: Letra A. 2.7 Fim da ditadura e Nova República (1985 a 1988) O movimento das DIRETAS JÁ (1985) e a eleição de Tancredo Neves marcaram o fim do regime militar no Brasil, o que gerou uma série de movimentos sociais, incluindo na área da saúde. Esse período de transição para a democracia foi crucial para a criação de diversas organizações, como as associações dos secretários de saúde estaduais (CONASS) e municipais (CONASEMS). Além disso, a mobilização social foi intensificada durante a realização da VIII Conferência Nacional de Saúde (1986), evento que foi um 30 marco para o movimento da reforma sanitária e ajudou a consolidar o conceito do SUS - Sistema Único Descentralizado de Saúde (POLIGNANO, 2001). Com o crescimento do Movimento Sanitário Brasileiro, a VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986 em Brasília, se tornou o ponto alto da luta por mudanças no sistema de saúde. O momento político era favorável, com o surgimento da Nova República após a eleição indireta de um presidente não militar, e com a expectativa de uma nova Constituição. Esses fatores ajudaram a Conferência a se tornar um marco dentro do movimento por uma reforma sanitária. A conferência contou com a participação de cerca de cinco mil pessoas, incluindo profissionais de saúde, usuários, técnicos, políticos, lideranças populares e sindicais. O evento foi fundamental para criar as bases das propostas de reestruturação do sistema de saúde brasileiro, que seriam defendidas na Assembleia Nacional Constituinte no ano seguinte. O Relatório da Conferência destacou a ampliação do conceito de saúde, que passou a ser considerado direito de todos e dever do Estado (POLIGNANO, 2001). Esses acontecimentos ocorreram simultaneamente com a eleição da Assembleia Nacional Constituinte em 1986 e a promulgação da nova Constituição em 1988, que garantiu avanços significativos na área da saúde. A VIII Conferência Nacional de Saúde e a Constituição de 1988 A VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) foi um marco importante da reforma sanitária no Brasil. No entanto, essa reforma foi mais do que apenas uma mudança no setor da saúde; ela estava inserida em um movimento mais amplo de justiça social, que buscava corrigir os danos causados pela ditadura militar e pela exclusão de amplos setores da população dos direitos básicos, incluindo o direito à saúde. 31 A Constituição de 1988, que foi promulgada após a eleição da Assembleia Nacional Constituinte, trouxe avanços significativos na área da saúde, como estabelecido no artigo 196, que diz: "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação." Esse artigo tornou claro que a saúde deveria ser tratada como um direito básico de todos os cidadãos e uma responsabilidade do Estado. Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi formalizado no artigo 198 da Constituição, que define o SUS da seguinte forma: • Descentralização, com direção única em cada esfera de governo (União, Estados, Municípios). • Atendimento integral, com ênfase nas ações preventivas, sem desconsiderar os serviços assistenciais. • Participação da comunidade, permitindo que a população tenha voz na formulação e execução das políticas de saúde. O SUS seria financiado por recursos do orçamento da seguridade social, provenientes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, além de outras fontes. Esses princípios fundamentais garantiram a construção de um sistema de saúde mais democrático, descentralizado e universal, o que representou um avanço significativo em relação aos modelos anteriores, que eram excludentes e não atendiam adequadamente às necessidades da população brasileira. 32 O que precisamos saber da VIII CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE? • Grande marco da reforma sanitária brasileira; • Participação pela primeira vez dos usuários; • Discutiu e aprovou a unificação do sistema de saúde; • Conceito ampliado de saúde; • Saúde como direito de cidadania e dever do Estado; • Instituição de um Sistema Único de Saúde; • A partir dela se modificaram as bases de organização, deliberação e representação das Conferências Nacionais de Saúde. O texto constitucional deixa claro que a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) foi baseada em um modelo de saúde voltado para as necessidades da população, buscando garantir que o Estado tivesse um compromisso efetivo com o bem-estar social, especialmente no que diz respeito à saúde coletiva. Com isso, a saúde foi consolidada como um direito da cidadania. Essa visão refletia o contexto político da época, quando a sociedade brasileira, recém-saída de uma ditadura militar, buscava garantir os direitos e valores da democracia e da cidadania na nova constituição. Durante a ditadura, a cidadania nunca foi uma prioridade para o governo, e o movimento das Diretas Já ajudou a impulsionar essa luta pela democracia e pelos direitos fundamentais (SOUZA, 2018). Antes da criação formal do SUS, houve um período conhecido como a ESTADUALIZAÇÃO DA SAÚDE ou ESTRATÉGIA PONTE, que foi uma fase preparatória para a transição para o SUS. Durante esse período, foi implantado o SUDS (Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde), que ocorreu entre 1987 e 1989 em alguns estados. O objetivo do SUDS era fortalecer 33 os estados no processo de descentralização das ações e serviços de saúde para os municípios, o que ficou conhecido como municipalização. A municipalização visava garantir que os municípios assumissem a gestão e a execução dos serviços de saúde, o que resultaria na transferência de responsabilidades para os níveis mais locais de governo, permitindo uma gestão mais próxima da população. À medida que os municípios assumiam essa gestão e começavam a integrar as ações dentro do SUS, eles eram descredenciados do SUDS. Esse processo foi uma etapa importante para a implantação do SUS, que se consolidou como um sistema mais descentralizado e com maior participação da comunidade e dos governos locais. QUESTÃO 6- (PREFEITURA DE TERESINA-PI/2011/NUCEPE) A VIII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, foi um acontecimento importante que influenciou a criação do SUS. Em relação ao Movimento pela Reforma Sanitária Brasileira, marque a alternativa CORRETA: a) A VIII Conferência Nacional de Saúde diferiu das demais porque impulsionou a realização de Conferências Estaduais e Municipais. b) O movimento pela Reforma Sanitária Brasileira teve grande participação popular e do movimento sindical, mas não houve apoio político. c) O movimento da Reforma Sanitária Brasileira criou o SUS e impulsionou a elaboração de uma nova Constituição Federal. d) A VIII Conferência Nacional de Saúde diferiu das demais pelo seu caráter democrático e pela sua dinâmica processual. e) O SUS foi criado através da Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990. 34 A VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) foi a primeira a possibilitar a participação popular e contou com o apoio do governo, visto que o contexto histórico era de recuperação das dívidas sociais. É importante destacar que a VIII CNS não criou o SUS, mas sim apresentou os ideais, a filosofia e as fundamentos para a criação de um sistema de saúde para todos. Letra d. 2.8 O nascimento do SUS (período pós-constituinte) Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha sido definido pela Constituição de 1988, ele só foi efetivamente regulamentado em 19 de setembro de 1990, com a criação da Lei nº 8.080. Essa lei foi fundamental porque estabeleceu o modelo operacional do SUS, definindo como ele seria organizado e como funcionaria na prática. A Lei nº 8.080 também trouxe uma nova definição de saúde, ampliando sua visão. De acordo com o artigo 3º da lei, a saúde passou a ser entendida como um direito relacionado a diversos fatores que influenciam o bem-estar das pessoas. Esses fatores incluem, entre outros, alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, atividade física, transporte, lazer e acesso a bens e serviços essenciais. Essa abordagem mais ampla considera que a saúde não se resume apenas a tratamentos médicos, mas envolve também as condições sociais e ambientais em que as pessoas vivem. O SUS foi concebido como um conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas em nível federal, estadual e municipal, tanto da administração direta quanto indireta, além das fundações mantidas pelo Poder Público. A iniciativa privada pode participar do SUS, mas de forma complementar, ou seja, ela pode colaborar com o sistema, mas não é responsável por sua totalidade. 35 O Sistema Único de Saúde foi garantido pela Constituição e regulamentado pela Lei nº 8.080/90, que estabelece os princípios doutrinários e organizativos do SUS. 1. Princípios doutrinários: Eles se referem às ideias filosóficas que guiam a implementação do SUS e refletem o conceito ampliado de saúde e o direito à saúde como um direito de todos. Esses princípios fundamentam a visão do sistema de saúde no Brasil. 2. Princípios organizativos: Esses princípios orientam a forma como o sistema deve funcionar na prática, sendo orientados pelos princípios doutrinários. Ou seja, a estrutura e operação do SUS devem estar alinhadas com a filosofia de garantir saúde como direito universal e integral. Portanto, a Lei nº 8.080/90 estruturou o SUS de maneira a assegurar que ele seja um sistema universal, integral e descentralizado, com a participação da comunidade e com o foco na promoção da saúde de todos os cidadãos. QUESTÃO 7- (IBFC/EBSERH-2015) Assinale a alternativa correta sobre a evolução histórica da organização do sistema de saúde no Brasil e a construção do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto à implantação da Reforma Administrativa Federal, quando ficou estabelecido que o Ministério da Saúde seria o responsável pela formulação e coordenação da Política Nacional de Saúde e ficaram as seguintes áreas de competência: política nacional de saúde; atividades médicas e paramédicas; ação preventiva em geral, vigilância sanitária de fronteiras e de portos marítimos, fluviais e aéreos; controle de drogas, medicamentos e alimentos e pesquisa médico-sanitária. 36 a) 1963. b) 1969. c) 1956. d) 1961. e) 1967. De acordo com Brasil (2017), com a implementação da Reforma Administrativa Federal, em 25 de fevereiro de 1967, foi definido que o Ministério da Saúde seria encarregado de formular e coordenar a Política Nacional de Saúde, que até aquele momento não havia sido efetivamente implementada. As seguintes áreas de responsabilidade foram estabelecidas: política nacional de saúde, atividades médicas e paramédicas, ações preventivas em geral, vigilância sanitária de fronteiras e de portos marítimos, fluviais e aéreos, controle de medicamentos, drogas e alimentos e pesquisa médico-sanitária. Letra e. 37 3. RESUMO Antes da Constituição Federal de 1988, o Brasil não possuía um sistema de saúde estruturado. Os serviços e ações de saúde eram excludentes e baseados na contribuição, ou seja, somente aqueles que podiam pagar pela medicina privada ou que contribuíam com a previdência social (INPS) tinham acesso. Para o restante da população, o atendimento era realizado nas Santas Casas de Misericórdia. Ao longo da trajetória histórica da sociedade brasileira, houve diversos momentos que também marcaram a evolução das políticas de saúde no país. Abaixo estão os principais marcos e suas respectivas datas: • 1923 – CAPs: marco inicial da previdência social no Brasil, com a criação pela Lei Eloi Chaves. Nesse momento, o Estado começa a assumir a responsabilidade pelas ações de saúde dos trabalhadores, sendo gerido pelas empresas e empregados. • 1933 – Unificação das CAPs em IAPS (Institutos de Aposentadorias e Pensões): As IAPS passaram a ser organizadas por categorias profissionais, com gestão tripartite (governo, empregadores e empregados). • 1953 – Criação do Ministério da Saúde: o foco estava em ações e programas de saúde, incluindo vacinação e controle de endemias/epidemias, com ênfase na promoção e prevenção. • 1966 – Criação do Instituto Nacional da Previdência Social (INPS): Ratifica a dicotomia entre prevenção e assistência à saúde, criando um sistema excludente, acessível apenas para trabalhadores formais (previdenciários). 38 • 1977 – Criação do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS): responsável pela assistência médica dos previdenciários. • 1978 – Primeira Conferência Internacional de Cuidados Primários em Saúde: realizada em Alma-Ata, foi um marco global para a Atenção Primária. Essa conferência impulsionou mudanças na organização do sistema de saúde no Brasil. • 1982 – Criação do CONASP: O Conselho Nacional de Administração da Saúde Previdenciária foi criado e, em 1983, implementou a política de Ações Integradas de Saúde (AIS), que desempenhou um papel crucial na descentralização da saúde. • 1983/84 – Implementação das AIS: As Ações Integradas em Saúde se tornaram uma redefinição democratizante dentro de um plano racionalizador, ganhando mais força com o avanço das lutas democráticas. • 1986 – VIII Conferência Nacional de Saúde: Primeira conferência a permitir a participação popular, sendo um marco significativo para o movimento sanitário. O relatório dessa conferência teve um papel importante na construção de um sistema de saúde para todos. • 1988 – Promulgação da Constituição de 1988: Pela primeira vez, o setor saúde foi incluído em seus artigos 196 a 200, institucionalizando o SUS. Entre 1987 e 1989, foi criado o SUDS (Sistema Único Descentralizado de Saúde), também conhecido como estratégia ponte ou estadualização da saúde, com grande impacto na descentralização das ações e serviços de saúde. • 1990 – Edição das Leis Orgânicas da Saúde: A Lei nº 8.080/1990 organizou o SUS, e a Lei nº 8.142/1990 tratou do controle social e financiamento do SUS. 39 4. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Sistema Único de Saúde / Conselho Nacional de Secretários de Saúde. – Brasília: CONASS, 2011. 291 p. (Coleção Para Entender a Gestão do SUS 2011, 1) Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/para_entender_gestao_sus_v.1.pd f. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Sistema Único de Saúde (SUS): princípios e conquistas. Ministério da Saúde, Secretaria Executiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. 44p. Il. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_principios.pdf. BRASIL. Decreto 4.628, de 24 de janeiro de 1923 (Lei Eloy Chaves). Crea, em cada uma das empresas de estradas de ferro existentes no país, uma Caixa de Aposentadoria e Pensões para os respectivos empregados. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/historicos/dpl/DPL4682-1923.htm. CAMPOS, Marco Antonio Lopes; FERREIRA, Cristiani Terezia Martins. Evolução histórica das políticas públicas de saúde no Brasil. FALLEIROS, Ialê; FRANÇA, Júlio Cesar. Saúde como direito de todos e dever do Estado. In: A Constituinte e o Sistema Único de Saúde. Disponível em: http://observatoriohistoria.coc.fiocruzbr/local/File/na-corda-bamba-cap_8.pdf. FLEURY, S. Avaliação Comparativa das Ações Integradas de Saúde. Saúde em Debate, n. 3, 1991. PAIM, Jairnilson Silva. Reforma sanitária brasileira: contribuição para a compreensão e crítica [online]. Salvador: EDUFBA. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2008. 356 p. ISBN 978-85-7541-359-3. 40 POLIGNANO, Marcus Vinícius. Histórias das Políticas de Saúde no Brasil: uma pequena revisão. Cadernos do Internato Rural. Faculdade de Medicina/UFMG. Belo Horizonte, MG. 2001. RONCALI, Angelo Giuseppe. O desenvolvimento das políticas públicas de saúde no Brasil e a construção do Sistema Único de Saúde. Disponível em: https://www.professores.uff.br/jorge/wpcontent/uploads/sites/141/2017/10/desenv_pol_pub_saude_brasil.pdf. 41
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