SAÚDE DA MULHER: PNAISM Sumário 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 3 1.1 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) ................................. 3 3. CONDUTAS........................................................................................................................... 32 3. RESUMO................................................................................................................................ 34 4. REFERÊNCIA ......................................................................................................................... 36 2 1. INTRODUÇÃO Nesta aula serão analisados assuntos teóricos imprescindíveis à compreensão da disciplina, assim como as especificidades acerca do tema Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, a fim de tornar mais fácil a assimilação do conhecimento. Desta forma, serão apresentados todos os contextos acerca do tema saúde da mulher, sendo a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher a base para o estudo da Política da Saúde das Mulheres, inclusive analisando o histórico que a precede. 1.1 POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER (PNAISM) Vamos iniciar nossos estudos sobre os Conceitos Básicos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM). As provas de residência costumam abordar a literalidade desta política, por isso, é fundamental que façamos a leitura dos tópicos que abordaremos abaixo... Primeiramente devemos saber “a quem” esta política se destina. A PNAISM foi criada em 2004 destinada a abarcar as mulheres em todos os ciclos de vida, respeitando as especificidades das diferentes faixas etárias e dos distintos grupos populacionais (mulheres negras, indígenas, residentes em áreas urbanas e rurais, residentes em locais de difícil acesso, em situação de risco, presidiárias, de orientação 3 homossexual, com deficiência, dentre outras). Basicamente, a atuação desta política busca oferecer assistência desde o planejamento familiar, passando pelos momentos da confirmação da gravidez, pré-natal, pelo parto, pelos 28 dias pós-parto, cobrindo até os dois primeiros anos de vida da criança. E toda essa assistência deve ser disponibilizada dentro do nosso Sistema Único de Saúde (SUS). A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) é considerada uma política pública essencial para o nosso Sistema Único de Saúde (SUS), sendo projetada em um arcabouço de diversos temas e defesas no que tange à saúde da mulher desde os primórdios, isto é, desde a Revolução Industrial, por exemplo. Percebe-se, assim, diversos marcos normativos/legais, que corroboram a temática desenvolvida sobre o Direito das Mulheres, sendo fundamentais para a construção de políticas públicas, sobretudo em prol da igualdade de gêneros. No Brasil, a Saúde da Mulher foi incorporada à Políticas Nacionais de Saúde nas primeiras décadas do século XX. Naquele momento histórico, qual seja, século XX, a saúde da mulher era limitada às necessidades relativas à gravidez e ao parto. Ou seja, a mulher era visualizada, tão somente, como um aparelho reprodutor (aspecto biológico reprodutivo), e, assim, deveria ser considerada apenas nas questões albergadas pela gravidez e pelo parto. Nas décadas de 30, 50 e 70 surgiram os programas materno infantis baseados na especificidade biológica da mulher: papel social de mãe e da mulher doméstica. Tínhamos então uma 4 Visão restrita: especificidade biológica e papel social, criação, educação e cuidado dos filhos e outros familiares, ou seja, tinha-se apenas a visão da mãe cuidadora. Além disso, é importante ressaltar que, paralelamente, no âmbito do movimento sanitário, existia também a implementação do Sistema Único de Saúde, conforme destacado abaixo: 1. Programa de Assistência à Saúde da Mulher: - Foi criado em 1983 no contexto da redemocratização do país e na esteira da conferência de Alma-Ata em 1978. Os movimentos sociais e os movimentos feministas, influenciaram a criação do programa. 2. Paralelamente, no âmbito do movimento sanitário, nascia o SUS. A implementação do programa nos anos de 90 foi influenciada pelas características dessa nova política de saúde: integralidade e equidade na atenção. De tal forma, percebe-se que a implementação do referido Programa nos anos 90 ocorreu justamente pela influência dessa nova política de saúde, sendo balizadas pelo princípio da integralidade e da equidade da 5 atenção. Por sua vez, o Programa de Assistência à Saúde da Mulher foi criado em 1983 no contexto da redemocratização do país, ou seja, retirando-se do período da Ditadura Militar e reiniciando o presidencialismo. Com isso, percebe-se um momento histórico precedente de violação às diversas pautas, sendo, por conseguinte, retomado pela redemocratização com a observância de direitos e deveres da sociedade em relação aos cidadãos, sendo salutar, nesse contexto, por exemplo, os movimentos feministas que influenciaram na construção do programa nesse contexto histórico. Simbolicamente, em 1983, com a normatização do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), rompe com o termo ‘materno-infantil’ - até então orientador das ações de saúde da mulher - e passa a usar o termo “integralidade”. Institucionalmente, modificou-se também a estrutura do Ministério da Saúde, em que a “área técnica materno-infantil” tornou-se “área técnica de saúde da mulher” – Hoje é a Coordenação de Atenção à Saúde da Mulher. Salientando-se, inclusive, que, a depender do Governo, pode ocorrer a modificação da sigla indicativa da referida Coordenação. O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) incorporou as ideias de descentralização, hierarquização e regionalização, bem como de equidade da atenção, sendo, inclusive, termos incorporados como reflexo aos estabelecidos pelo SUS, em virtude das balizas implementadas pela Constituição Federal de 1988, isto é, sendo salutares para a formação da política nacional. 6 O PAISM passa a trabalhar também os direitos reprodutivos, o direito à concepção e à contracepção com assistência, segurança e autonomia, como decisão da mulher sobre quando, como e quantos filhos deseja ou não ter. PAISM - Rompe com o binômio materno-infantil. Com efeito, temse pela primeira vez um programa voltado para as mulheres, no qual se tinha as próprias mulheres privilegiadas, participando organizadas ativamente do como interlocutoras seu planejamento, implantação e fiscalização. Ressaltando-se que, nesse momento histórico de rompimento com o binômio materno-infantil, diversas mulheres foram responsáveis pelas conduções das gestões impulsionadoras dessas reformulações, isto é, desta construção coletiva em prol da saúde da mulher. Percebe-se, desta forma, a necessidade de acompanhamento e cuidado com as mulheres em todos os ciclos da vida, como apresentado a seguir: 1.2 Contexto • Em 2004 (Ano da Mulher): 7 – I Conferência Nacional de Políticas Públicas para Mulheres (I CNPM). – Lançamento da PNAISM (marco histórico). A PNAISM visa à implementação dos princípios do SUS: universalidade, integralidade e equidade e incorpora uma concepção de atenção que enfatiza a promoção da saúde, ampliando o leque de ações propostas desde 1983 com o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). Inclusive, sendo responsável pela modernização de diversas pautas importantes para as mulheres. • A PNAISM considera: – Enfoque de gênero. – Recortes raciais / étnico e geracional. A vulnerabilidade feminina frente a certas doenças e causas de morte está mais relacionada com a situação de discriminação na sociedade do que com fatores biológicos. Desta forma, percebe-se que a mulher é inserida, por uma conjunção de fatores, em situações que a tornam vulneráveis ao adoecimento, como indicado abaixo: “As mulheres ganham menos, estão concentradas em profissões mais desvalorizadas, têm menor acesso aos espaços de decisão no mundo político e econômico, sofrem mais violência (doméstica, física, sexual e emocional), vivem dupla e tripla jornada de trabalho e são as mais penalizadas com o sucateamento de serviços e políticas sociais, dentre outros problemas. 8 Outros aspectos agravam a situação de desigualdade das mulheres na sociedade: classe social, raça, etnia, idade e orientação sexual”. Nesse contexto, percebe-se, por exemplo, que ao analisar os cenários que estão presentes os homens e as mulheres indígenas, há uma carga de vulnerabilidade muito maior sobre estas mulheres. Igualmente ocorre com mulheres e homens com condições financeiras muito vulneráveis. Com isso, constata-se uma carga maior de adoecimento e de enfrentamento das problemáticas sociais pela mulher, inclusive quando analisado homens que estão inseridos nas mesmas situações fáticas. Nesse sentido, ressalta-se que o Censo de 2022 do IBGE, indica que atualmente as mulheres representam seis milhões a mais do que os homens na sociedade, isto é, sendo 51,48% de mulheres e 48,52% de homens: A PNAISM consolida avanços no campo dos direitos sexuais e reprodutivos: • Considera a necessidade de melhorar a atenção obstétrica; 9 • Ampliação do acesso ao planejamento reprodutivo; • Atenção ao abortamento inseguro. Salienta-se que, atualmente, o aborto é a 4ª maior causa de morte das mulheres, sendo a maioria mulheres, pretas e pobres. – Atenção à violência doméstica e sexual / sexista (inclusive, a violência obstétrica); • Incorpora a prevenção e tratamento das IST e de mulheres vivendo com o HIV/Aids (texto original da PNAISM indica como DST). Nesse caso, faz-se necessário diferenciar quem é portadora do vírus/infectada (HIV) daquela que está doente (Aids); • Atenção às mulheres portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e cânceres ginecológicos; • Ampliação das ações para grupos historicamente alijados (mulheres negras, indígenas, trabalhadoras do campo, das florestas e das águas, mulheres em situação de prisão, mulheres lésbicas, mulheres no climatério e mulheres idosas); • Avança rumo à formulação de um modelo de atenção à saúde mental das mulheres sob o enfoque de gênero. A PNAISM considera a diversidade dos 5,570 municípios, das 27 UF, que representam diferentes níveis de desenvolvimento e de organização dos seus sistemas locais de saúde e tipos de gestão. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres é uma política de extrema importância que se integra ao Sistema Único de Saúde (SUS) dentro de um amplo conjunto de ações. Essas ações, como discutido anteriormente, são altamente progressistas, especialmente considerando o contexto de duas décadas atrás. A política é altamente inclusiva, abordando não apenas questões tradicionais, mas também temas modernos como sexualidade e planejamento reprodutivo, agora 10 centrado na decisão da mulher. Os avanços são notáveis, especialmente no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, abordando desde a melhoria da obstetrícia até questões importantes como o aborto seguro, violência de gênero e o contexto sexista enfrentado por mulheres no passado. Além disso, destaca-se a necessidade de ampliação das ações para grupos historicamente vulneráveis, como mulheres negras, indígenas, ribeirinhas, entre outras, que foram historicamente negligenciadas. Essa abordagem mais abrangente reconhece que as mulheres têm necessidades que vão além da maternidade e da saúde obstétrica. Portanto, a política visa atender às diversas necessidades das mulheres, adotando uma abordagem descentralizada, regionalizada e hierarquizada para garantir que todas as mulheres, independentemente de sua localização ou características, recebam o atendimento adequado. O Brasil, com sua vasta extensão territorial e diversidade populacional, apresenta uma gama de necessidades e características regionais distintas. Com seus 5.570 municípios e 27 unidades federativas, o país exige uma adaptação das políticas de saúde para atender a essa diversidade. Isso implica em diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas de saúde locais, o que exige uma abordagem flexível e adaptável. A questão de como garantir atendimento igualitário em meio a essa diversidade sempre foi uma preocupação do Ministério da Saúde. A implementação de políticas, programas e estratégias para abranger essa diversidade é um desafio constante, mas crucial para garantir que 11 todas as mulheres tenham acesso à saúde de qualidade, independentemente de onde vivam. Os objetivos gerais da PNAISM são: 1. Promover a melhoria das condições de vida e saúde das mulheres brasileiras, mediante a garantia de direitos legalmente constituídos e a ampliação do acesso aos meios e serviços de saúde. 2. Contribuir para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil, especialmente por causas evitáveis, em todos os ciclos de vida e nos diversos grupos populacionais. 3. Ampliar, qualificar e humanizar a atenção integral à saúde da mulher no SUS Os objetivos gerais da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres podem ser divididos em três categorias principais para facilitar a compreensão. O primeiro deles visa promover a melhoria das condições de vida e saúde das mulheres brasileiras, assegurando os direitos legalmente estabelecidos e ampliando o acesso aos meios e serviços de promoção, prevenção, assistência e recuperação da saúde em todo o território brasileiro. Esse objetivo reafirma a importância de garantir os direitos já constituídos e se concentra na promoção da saúde, 12 prevenção de doenças e aumento do acesso aos serviços terapêuticos para todas as mulheres. O segundo objetivo aborda a contribuição para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil, cuidando para não limitar-se apenas à mortalidade materna. Busca- -se reduzir as causas evitáveis em todos os ciclos de vida e grupos populacionais, sem discriminação. Isso inclui não só questões relacionadas à saúde materna, mas também o enfrentamento de feminicídios, cânceres ginecológicos e violência contra mulheres. O terceiro objetivo concentra-se em ampliar, qualificar e humanizar a atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso implica em oferecer uma atenção que considere todas as necessidades e particularidades das mulheres, indo além do foco tradicional na saúde materna. Procura-se atender as mulheres em todas as suas necessidades e particularidades, promovendo uma abordagem integral da saúde feminina. Ao abordar a saúde mental, é crucial observar tanto as necessidades físicas quanto psicológicas da mulher, verificando todo o espectro da prevenção de doenças evitáveis. É importante fornecer um atendimento integral, integrado ao contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) e das redes de atenção à saúde. Por exemplo, na atenção primária, ao realizar um rastreamento para câncer do colo do útero, pode-se identificar a necessidade de encaminhamento para um serviço psicossocial. Além disso, é possível identificar outras necessidades e vulnerabilidades que requerem encaminhamento para serviços de assistência social ou atendimento clínico. A ampliação do acesso e a 13 qualificação dos serviços são essenciais para melhorar a assistência. Isso inclui a melhoria das instalações físicas, a humanização do atendimento e a atualização profissional dos prestadores de serviço. Embora haja avanços, ainda há espaço para melhorias significativas, especialmente na garantia de um atendimento humanizado e digno para as mulheres. A conscientização sobre questões como violência obstétrica também influencia na demanda por uma qualificação mais abrangente dos profissionais de saúde, visando proporcionar uma assistência mais respeitosa e centrada na mulher. Já os objetivos específicos são: 1. Ampliar e qualificar a atenção clínico-ginecológica, inclusive para as portadoras de IST; 2. Estimular a assistência em planejamento familiar, para homens e mulheres, adultos e adolescentes; 3. Promover a atenção obstétrica e neonatal, qualificada e humanizada, incluindo a assistência ao abortamento em condições inseguras; 4. Promover a atenção às mulheres e adolescentes em situação de violência doméstica e sexual: • Promover a prevenção e o controle das IST e HIV/aids na população feminina; 14 • Implantar um modelo de atenção à saúde mental das mulheres sob o enfoque de gênero; 5. Implantar e implementar a atenção à saúde da mulher no climatério; 6. Promover a atenção à saúde da mulher na terceira idade; 7. Promover a atenção à saúde da mulher negra; 8. Promover a atenção à saúde das trabalhadoras do campo e da cidade; 9. Promover a atenção à saúde da mulher indígena; 10. Promover a atenção à saúde das mulheres em situação de prisão, incluindo a promoção das ações de prevenção e controle de IST; 11. Fortalecer a participação e o controle social na definição e implementação das políticas de atenção integral à saúde das mulheres Dentro dos objetivos específicos da política há a delimitação de ações estratégicas que elucidam tais objetivos. É importante destacar a necessidade de compreender o contexto político que motivou a elaboração desses objetivos, especialmente considerando o cenário de 15 20 anos atrás, quando a política foi estabelecida. A explanação detalhada desses objetivos visa facilitar a compreensão de sua relevância e finalidade. O primeiro objetivo específico visa ampliar e qualificar a atenção clínica ginecológica, especialmente para as portadoras de infecção pelo HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Esta atualização se deve à compreensão de que nem todas as ISTs são consideradas doenças. O foco é fortalecer a atenção básica e primária, ampliando o acesso e melhorando a qualidade dos cuidados prestados às mulheres. No segundo objetivo específico, a preocupação é com as mulheres e adolescentes em situação de violência doméstica e sexual. É proposto organizar redes integradas de atenção para essas mulheres, articulando a assistência com ações de prevenção. Além de identificar situações de risco e vulnerabilidade, são necessárias ações preventivas e um atendimento humanizado para as vítimas de violência. Isso é crucial, especialmente considerando que anteriormente as mulheres em situação de vulnerabilidade muitas vezes não eram ouvidas ou atendidas adequadamente, contribuindo para uma naturalização da violência doméstica. No entanto, o acesso à informação tem contribuído para reduzir essa realidade. No terceiro objetivo específico, o foco é estimular a implementação da assistência em planejamento familiar para homens, mulheres, adultos e adolescentes, como parte da abordagem integral à saúde. Uma reflexão interessante aqui é quanto ao termo “planejamento familiar”, que possui uma conotação conservadora. Pode ser substituído 16 por “planejamento reprodutivo” sem perda de significado. Essa mudança permite uma abordagem mais abrangente, considerando que nem todas as mulheres desejam ter filhos ou casar. O planejamento reprodutivo abrange uma gama mais ampla de escolhas, incluindo o momento ideal para ter filhos, independente do estado civil. É crucial incluir a participação masculina nesse processo de decisão, reconhecendo o homem como um parceiro importante nesse contexto. No entanto, é fundamental ressaltar que a decisão reprodutiva não depende exclusivamente da permissão masculina. Dentro desse contexto, é importante oferecer e qualificar a assistência em planejamento familiar e reprodutivo, o que vai além da simples oferta de contraceptivos. Envolve orientação, capacitação e assistência em casos de infertilidade, garantindo acesso aos métodos contraceptivos e promovendo a livre escolha da população em idade reprodutiva. Ampliar o acesso à informação sobre os métodos contraceptivos é fundamental para que as mulheres possam fazer escolhas conscientes e informadas. Permitir que experimentem diferentes métodos é essencial, assim como garantir tempo para tomada de decisão, sem interferência externa. Além disso, é importante promover a participação de homens e adolescentes nas ações de planejamento familiar, sempre que apropriado e relevante para a assistência prestada, principalmente na atenção primária à saúde. 17 O 4º objetivo específico visa promover a atenção obstétrica e neonatal, qualificada e humanizada, incluindo a assistência ao abortamento em condições inseguras, para mulheres e adolescentes: Neste ponto, discute-se a promoção da atenção obstétrica e neonatal qualificada e humanizada. Historicamente, a mulher era vista apenas como uma “produtora de filhos” para atender às necessidades de mão de obra do país. Essa perspectiva desumanizadora e limitante era extremamente prejudicial e necessita ser transformada. A assistência à saúde da mulher deve ser melhorada e humanizada, incluindo a oferta de atendimento especializado para casos que demandem cuidados além do parto eutócico (natural). É imperativo que a assistência obstétrica e neonatal se estenda a casos de nascimentos prematuros, uma vez que a mortalidade infantil é exacerbada pela prematuridade. A mortalidade infantil, especialmente a neonatal precoce, está diretamente relacionada à qualidade da assistência obstétrica e pré-natal. Um pré-natal de qualidade e uma assistência obstétrica adequada reduzem significativamente a mortalidade infantil e a prematuridade, uma das principais causas de mortalidade neonatal. A humanização da assistência obstétrica é crucial. Atendimentos apressados, desqualificados e rotineiros aumentam os riscos para a mulher e o recém-nascido. Cada mulher tem suas particularidades e necessidades específicas durante a atenção obstétrica, e é fundamental reconhecer e respeitar essas diferenças. Quanto à inclusão da assistência 18 ao abortamento em condições inseguras, é necessário contextualizar tanto os abortos legais quanto os provocados de maneira irregular. Independentemente das circunstâncias que levaram ao abortamento, é essencial proporcionar uma assistência de qualidade, sem julgamentos ou culpabilização. As mulheres precisam ser acolhidas e assistidas de maneira humanizada e profissional. Para atingir esse objetivo específico, é necessário construir parcerias com diversos atores e estabelecer um pacto nacional pela redução da mortalidade materna e neonatal. Este objetivo se diferencia do objetivo específico número 2, que trata da redução da mortalidade e morbidade feminina em termos gerais, ao focar especificamente na qualificação da atenção obstétrica e neonatal. Outras estratégias incluem a qualificação da referência obstétrica e neonatal nos estados e municípios brasileiros e a organização da rede de serviços de atenção obstétrica e neonatal. Deve-se garantir o atendimento às gestantes de alto risco e em situações de urgência e emergência, incluindo mecanismos de referência e contrarreferência para assegurar a funcionalidade da rede de atenção no âmbito do parto e nascimento. O fortalecimento do sistema de formação e capacitação de pessoal na área da assistência obstétrica e neonatal é essencial. Este fortalecimento abrange tanto a formação inicial, em faculdades, dos futuros profissionais de saúde, quanto a capacitação contínua daqueles que já estão atuando na área, atualizando seus conhecimentos e habilidades. 19 Para os profissionais em formação, é fundamental a inclusão de práticas contemporâneas e baseadas em evidências científicas. Para os profissionais já atuantes, é necessário um processo de atualização contínua que elimine práticas obsoletas. Por exemplo, já não se justifica a imobilização das pernas das mulheres durante o parto, a realização de manobras como a de Kristeller, que são consideradas ultrapassadas, ou a episiotomia de rotina, que deve ser reservada apenas para casos específicos e necessários. É importante que os profissionais de saúde compreendam que muitas práticas rotineiras e desatualizadas podem ser prejudiciais. A resistência a mudanças baseada na justificativa de que “sempre foi feito assim” precisa ser superada, pois a manutenção dessas práticas pode contribuir para a mortalidade materna e neonatal. O estudo “Nascer no Brasil” trouxe à luz o chamado paradoxo obstétrico brasileiro. Apesar do elevado número de partos hospitalares e da ampla assistência médica, a mortalidade materna e neonatal no Brasil continua elevada. Esse paradoxo revela que a simples oferta de procedimentos médicos, como cesarianas em excesso, não é suficiente para reduzir a mortalidade. Ao contrário, a medicalização excessiva e a realização de procedimentos desnecessários expõem as mulheres a maiores riscos. Este paradoxo obstétrico mostra que o aumento de leitos hospitalares e a oferta de assistência médica intensiva não garantem a redução da mortalidade. Estudos indicam que, apesar de uma tendência de redução 20 histórica da mortalidade infantil, a mortalidade materna permanece alta e difícil de diminuir. As altas taxas de mortalidade materna em pleno 2024 evidenciam a necessidade urgente de mudanças na abordagem obstétrica. O foco deve ser na promoção de uma assistência obstétrica e neonatal humanizada e qualificada, baseada em evidências científicas e práticas atualizadas. Esse enfoque deve garantir que as mulheres recebam cuidados personalizados, seguros e eficazes, diminuindo assim a morbidade e mortalidade associadas ao parto e nascimento. Além do fortalecimento da formação e capacitação profissional, que configura uma necessária atualização profissional, é importante elaborar, revisar, imprimir e distribuir material técnico-educativo. Isso se alinha com a qualificação e humanização da atenção à mulher em situação de abortamento, orientando como acolher e prestar assistência adequada a essas mulheres. É crucial lembrar que o aborto configura a quarta ou quinta causa de mortalidade materna no Brasil. As principais causas de mortalidade materna, dependendo da literatura, incluem doenças hipertensivas gestacionais e hemorragias, seguidas de infecções, incluindo aquelas decorrentes de abortamentos. Portanto, o aborto está dentro das infecções, configurando a terceira principal causa de mortalidade materna no país. A expansão de uma rede laboratorial competente é fundamental. A PNAISM, ao completar 20 anos em 2024 e, passando por atualizações 21 e modernizações, foi concebida num contexto em que os exames laboratoriais demoravam muito para serem processados. Atualmente, tem-se a capacidade de obter resultados de exames como hemogramas no mesmo dia na rede SUS, o que antes demorava meses. Melhorar a rede laboratorial visa garantir diagnósticos mais ágeis e oportunos. Garantir a oferta de ácido fólico e sulfato ferroso para todas as gestantes é outra ação crucial. Esses suplementos são essenciais: o sulfato ferroso para a prevenção de anemias e o ácido fólico para a prevenção de doenças neurológicas fetais, como espinha bífida e anencefalia, que resultam de dificuldades no fechamento do tubo neural. Dentro do objetivo específico 4, também se inclui a melhoria da informação sobre a mortalidade materna. Diversas ações podem ser alocadas dentro desse objetivo, tornando-o bastante amplo. A coleta e análise de dados precisos são essenciais para identificar tendências e ajustar políticas e práticas de saúde de forma eficaz. O 5º objetivo específico: Promover, conjuntamente com o PN-IST/AIDS, a prevenção e o controle das infecções sexualmente transmissíveis e da infecção pelo HIV/aids na população feminina: • Prevenir as IST e a infecção pelo HIV entre mulheres; • Ampliar e qualificar a atenção à saúde das mulheres vivendo com HIV e aids. O 6º objetivo específico: 22 Reduzir a morbimortalidade por câncer na população feminina: A redução da morbimortalidade por câncer, especialmente os cânceres ginecológicos, é outro objetivo crucial. Isso envolve a organização dos municípios em polos de micro- -regiões e a criação de uma rede de referência e contrarreferência para o diagnóstico e tratamento do câncer de colo do útero e de mama. Estes tipos de câncer são rastreáveis, o que permite diagnósticos precoces e, consequentemente, tratamentos mais eficazes. É imperativo garantir o cumprimento da lei federal que prevê a cirurgia de reconstrução mamária para mulheres que realizarem mastectomia, demonstrando a visão vanguardista da PNAISM. Além disso, oferecer o teste anti-HIV e de sífilis para as mulheres incluídas no programa “Viva Mulher”, especialmente aquelas com diagnóstico de IST, HPV e lesões intraepiteliais de alto grau ou câncer invasor, reforça a preocupação com as mulheres acometidas por câncer. 7º objetivo específico: Implantar um modelo de atenção à saúde mental das mulheres sob o enfoque de gênero: A implantação de um modelo de atenção à saúde mental das mulheres sob o enfoque de gênero é uma iniciativa louvável da PNAISM. Este modelo visa não apenas a saúde física, mas também a saúde mental das mulheres, reconhecendo a importância de um cuidado integral. Três ações importantes estão previstas: 23 • Melhorar a informação sobre as mulheres portadoras de transtornos alimentares no SUS. • Qualificar a atenção à saúde mental das mulheres, incluindo o enfoque de gênero e raça, devido à relevância desses fatores nos diagnósticos e tratamentos. • Promover a integração com setores não governamentais, incentivando sua participação nas definições das políticas de atenção às mulheres portadoras de transtornos mentais. 8º objetivo específico: Implantar e implementar a atenção à saúde da mulher no climatério: A implantação e implementação da atenção à saúde da mulher no climatério visa ampliar o acesso e qualificar a atenção às mulheres nessa fase da vida no âmbito do SUS. Embora o climatério não seja fatal, ele pode causar impactos significativos na qualidade de vida das mulheres. Portanto, oferecer assistência qualificada às mulheres que estão passando por esse período é essencial. 9º objetivo específico: Promover a atenção à saúde da mulher indígena: Ampliar e qualificar a atenção integral à saúde das mulheres indígenas, de acordo com as diretrizes da PNAISM, considerando a vulnerabilidade social. 10º Objetivo específico: Promover a atenção à saúde da mulher na terceira idade: A atenção à saúde da mulher na terceira idade envolve a integração das especialidades de atenção à saúde da mulher com a política de atenção 24 à saúde do idoso, já existente. É importante incorporar uma perspectiva de gênero na atenção à saúde do idoso no SUS, reconhecendo que os idosos também têm uma sexualidade que deve ser preservada e, quando necessário, estimulada. 11º Objetivo específico: Promover a atenção à saúde da mulher negra: Este objetivo é de extrema importância, pois visa melhorar o registro e a produção de dados que antes eram subnotificados. É necessário realizar um recorte de raça e cor, evidenciando os impactos diferenciados na assistência às mulheres negras e pardas. Estudos, como a pesquisa “Nascer no Brasil”, mostram que as mulheres negras são as que mais sofrem com problemas na assistência ao parto, sugerindo a presença de racismo estrutural na assistência obstétrica. Para abordar essa questão, é essencial capacitar profissionais de saúde, implementar programas de diagnóstico e tratamento de anemia falciforme, com ênfase nas especificidades das mulheres em idade fértil no ciclo grávido-puerperal. A inclusão da eletroforese de hemoglobina na Rede Cegonha é um passo importante nesse sentido. Consolidar o recorte racial e étnico nas ações de saúde da mulher no âmbito do SUS é fundamental para garantir que todas as mulheres recebam o cuidado adequado. Além disso, é necessário estimular e fortalecer a interlocução das áreas 25 de saúde da mulher nas secretarias estaduais e municipais com movimentos e entidades relacionadas à saúde da população negra. 12º objetivo específico: Promover a atenção à saúde das trabalhadoras do campo e da cidade: • implementar ações de vigilância e atenção à saúde da trabalhadora da cidade e do campo, do setor formal e informal; • introduzir nas políticas de saúde e nos movimentos sociais a noção de direitos das mulheres trabalhadoras relacionados à saúde. Obs.: é pertinente analisar o 12º objetivo específico da PNAISM, que visa promover a atenção à saúde das trabalhadoras tanto no meio rural quanto no urbano. A PNAISM sempre procurou documentar a importância de se preocupar com as pessoas em situação de vulnerabilidade, com ênfase nas mulheres que se encontram nessas condições. A política tem como foco as mulheres que, em geral, são as mais excluídas da sociedade, abrangendo tanto as áreas rurais quanto urbanas, com uma perspectiva mais ampla. Ela inclui, especificamente, as mulheres periféricas, ribeirinhas e LGBT, destacando-se como uma preocupação constante da PNAISM. No contexto da PNAISM há uma constante preocupação em implementar ações de vigilância e atenção à saúde das trabalhadoras tanto da cidade quanto do campo, abrangendo setores 26 formais e informais. É crucial introduzir políticas de saúde que reflitam a importância dos movimentos sociais, que contribuíram para a formação da PNAISM, trazendo a noção de direitos das mulheres trabalhadoras em relação à saúde. 13º objetivo específico: Promover a atenção à saúde das mulheres em situação de prisão, incluindo a promoção das ações de prevenção e controle de doenças sexualmente transmissíveis e da infecção pelo HIV/aids nessa população: • ampliar o acesso e qualificar a atenção à saúde das presidiárias. Obs.: há uma preocupação clara com as mulheres privadas de liberdade, que estão em ambientes prisionais e que necessitam de apoio na promoção da saúde e na prevenção de doenças. Essas mulheres encontram-se em situação de vulnerabilidade, especialmente em relação a questões como sexo inseguro e infecções, o que torna crucial ampliar o acesso e qualificar a atenção à saúde para as presidiárias. 14º objetivo específico: 27 Fortalecer a participação e o controle social na definição e implementação das políticas de atenção integral à saúde das mulheres: • promover a integração com o movimento de mulheres feministas no aperfeiçoamento da política de atenção integral à saúde da mulher. Obs.: o 14º objetivo específico enfatiza a importância de fortalecer a participação e o controle social na definição e implementação das políticas de atenção integral à saúde das mulheres. A partir do controle social e dos movimentos sociais, que levantam as principais bandeiras e demandas, é possível auxiliar na definição e implementação de políticas públicas voltadas para a saúde das mulheres. Esses movimentos são fundamentais para reforçar, aperfeiçoar e, quando necessário, atualizar e qualificar as políticas de saúde feminina. Com a PNAISM completando 20 anos, destacase a necessidade de incorporar críticas e reivindicações feitas ao longo dos anos. Na última Conferência Nacional de Saúde, houve uma demanda significativa por parte dos movimentos sociais, de classe e feministas, para que se atenda à saúde das mulheres que necessitam e são submetidas a abortamentos, sejam eles provocados, inseguros ou de outra natureza. Dentro desse contexto amplo, é essencial a ampliação dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, um tema que será abordado em sequência. É 28 imperativo que essas questões sejam continuamente reforçadas nas políticas que promovem a saúde das mulheres. Neste marco de 20 anos da PNAISM, surge a necessidade de modernizar alguns termos e conceitos. Por exemplo, no contexto da saúde sexual e reprodutiva, há a necessidade de atualizar a terminologia, substituindo “doença” por “infecção” em certos casos. O Ministério da Saúde está ciente dessas necessidades e está revisando a PNAISM para garantir que ela reflita as demandas e avanços contemporâneos na saúde das mulheres. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (PNAISM) aborda uma perspectiva abrangente da saúde feminina, 29 não se limitando apenas à questão reprodutiva e ao planejamento familiar. Ela engloba a atenção clínico-ginecológica, o cuidado com o climatério, a saúde da mulher na terceira idade e o apoio a mulheres adolescentes em situação de violência. Além disso, destaca-se a importância da atenção obstétrica para reduzir a mortalidade materna e infantil, especialmente a mortalidade neonatal precoce, que está intimamente ligada à qualidade do pré-natal. A melhoria da qualidade da atenção obstétrica é vista como um fator crucial para reduzir essas taxas. A PNAISM também enfatiza a importância da prevenção e tratamento dos cânceres ginecológicos, bem como a necessidade de atender às necessidades específicas de grupos vulneráveis de mulheres. Todas essas intervenções devem ser oferecidas com acolhimento e humanização, criando ambientes respeitosos e agradáveis e contando com profissionais qualificados para proporcionar a melhor assistência possível às mulheres. Essas considerações destacam a importância de uma abordagem holística e centrada na mulher para promover sua saúde e bemestar. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) Conclusões e Reflexões 30 • A PNAISM supera as políticas que compreendiam a saúde da mulher exclusivamente a partir de seu papel de mãe (reprodutora e cuidadora de filhos). • Possui caráter “integral” - diz respeito a uma forma emancipadora de compreender as mulheres e sua saúde, um cuidar que vai além do período reprodutivo e que as compreende como cidadãs, diversas e plenas de direito. • Demanda um Sistema de Saúde organizado por meio de linhas de cuidado, articulado no seu curso de vida e que não invisibilize mulheres e suas necessidades de saúde. As mulheres são as principais usuárias do SUS! • As mulheres são a maioria da população brasileira - A população brasileira é composta por 48,9% de homens e 51,1% de mulheres - 4,8 milhões de mulheres a mais que homens*. • Demanda um Sistema de Saúde organizado por meio de linhas de cuidado, articulado no seu curso de vida e que não invisibilize mulheres e suas necessidades de saúde. • A saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século XX e considerada prioritária no decorrer da história da área no Brasil. Mesmo antes da concepção do Sistema Único de Saúde (SUS), o 31 Brasil foi contemplado em 1983 com o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). Porém, apesar da priorização da saúde da mulher nas políticas brasileiras, foram preconizadas as ações materno-infantis, ou seja, a assistência era prestada fundamentalmente no período da gravidez, parto e pós-parto. 3. CONDUTAS Geralmente as condutas desta política não são muito abordadas nas provas, mas é importante conhecermos algumas delas, pois estão intimamente ligadas à prática profissional e ao manejo clínico das mulheres. Por isso, vale a leitura. As principais condutas da PNAISM são: I. Ampliar e qualificar a atenção ao planejamento familiar, incluindo a assistência à infertilidade; II. Ampliar o acesso das mulheres às informações sobre as opções de métodos anticoncepcionais; III. Garantir a oferta de ácido fólico e sulfato ferroso para todas as gestantes; IV. Ampliar e qualificar a atenção à saúde das mulheres vivendo com HIV e AIDS; V. Reduzir a morbimortalidade por câncer na população feminina; 32 VI. Garantir o cumprimento da Lei Federal que prevê a cirurgia de reconstrução mamária nas mulheres que realizaram mastectomia; VII. Implantar o Programa de Anemia Falciforme (PAF/MS), dando ênfase às especificidades das mulheres em idade fértil e no ciclo gravídico-puerperal. 33 3. RESUMO A Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher (PNAISM) foi criada com o objetivo de garantir a promoção, proteção e recuperação da saúde da mulher em todas as fases da vida, desde a infância até a velhice. A política é uma das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e busca enfrentar as desigualdades de gênero, promovendo o acesso à saúde de qualidade e a eliminação de discriminações. O PNAISM tem como princípios fundamentais a integralidade, equidade e a atenção humanizada, visando a promoção de ações que considerem as necessidades específicas das mulheres em sua saúde física, mental e social. A política prioriza o cuidado durante o ciclo de vida feminino, com ênfase em aspectos como: 1. Atenção à saúde sexual e reprodutiva: Garantindo o acesso a métodos contraceptivos, pré-natal, parto seguro e cuidados pósparto. 2. Prevenção e diagnóstico precoce de doenças: Como câncer de mama e câncer de colo de útero, além de programas para a saúde mental das mulheres. 3. Saúde da mulher no ciclo de vida: A política visa abordar a saúde das mulheres desde a adolescência até a menopausa e a velhice, com ações voltadas para as necessidades de cada faixa etária. 4. Violência de gênero: A PNAISM contempla ações para prevenir e combater a violência contra a mulher, garantindo suporte e acolhimento em casos de violência física, sexual ou psicológica. A política também enfatiza a qualificação da rede de serviços de saúde, com a capacitação de profissionais e a criação de espaços de acolhimento e suporte às mulheres. Além disso, a PNAISM busca 34 garantir o direito das mulheres à saúde, promovendo a participação social e o controle social da política pública. Em resumo, a Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher busca garantir que as mulheres recebam cuidados adequados às suas necessidades, considerando suas especificidades biológicas, sociais e culturais, e promovendo uma abordagem integral e humanizada no SUS. 35 4. REFERÊNCIA BRASIL. Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nac_atencao_mulher.pdf. 36
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