Apostila TORO Academy Discotecagem Seja bem-vindo(a) à sua jornada no universo da discotecagem! Discotecar é muito mais do que apenas tocar músicas. É arte, técnica e conexão com o mundo. Nesta apostila, você encontrará os fundamentos essenciais para dominar as pistas e se expressar através da música. Seja você um iniciante dando os primeiros passos nos decks ou alguém que já toca e quer se aprofundar, este material foi desenvolvido para te acompanhar em cada fase do aprendizado. Vamos explorar desde a história e conceitos básicos, até técnicas de mixagem, construção de sets, performance ao vivo e profisisonalização, tudo com foco no universo da música eletrônica. Ser DJ exige sensibilidade, estudo e prática constante, mas acima de tudo, é sobre se divertir e fazer as pessoas sentirem. Que esta apostila seja sua aliada no caminho para se tornar um DJ cada vez mais completo. Bora discotecar! HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA ............................................... 05 GÊNEROS E SUBGÊNEROS .............................................................. 29 REPERTÓRIO MUSICAL ................................................................... 32 PESQUISA MUSICAL AQUISIÇÃO DE MÚSICAS REKORDBOX SETUP [CONEXÕES] ........................................................................ 37 SETUP [PLAYER] ............................................................................. 39 SETUP [MIXER] ................................................................................ 42 MÉTRICA MUSICAL ......................................................................... 46 BEATMATCH E PLAYMATCH .......................................................... 52 MIXAGEM ........................................................................................ 57 MIXAGEM CÁSSICA MIXAGEM RÁPIDA MIXAGER POR EQ MIXAGEM HARMÔNICA MIXAGEM POR LOOPS MIXAGEM POR ACAPELLA UTILIZANDO O FONE NA MIXAGEM EFEITOS .......................................................................................... 63 BEAT EFFECTS COLOR EFFECTS DJ SET ............................................................................................. 65 INTENÇÃO DO SET SEQUÊNCIA MUSICAL GRAVAÇÃO DE SET PROFISSIONALIZAÇÃO ................................................................... 69 NOME ARTÍSTICO / MARCA PESSOAL PRESSKIT MARKETING NETWORKING MANAGER, BOOKER E AGÊNCIA JURÍDICO E CONTÁBIL HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Música eletrônica é um gênero musical que utiliza equipamentos eletrônicos, tecnologia digital e instrumentos eletrônicos para criar, manipular e reproduzir sons. O termo também se refere a um método de produção musical, em que os sons são gerados, processados ou alterados por dispositivos eletrônicos, como sintetizadores, drum machines, sequenciadores e softwares de áudio. Esses elementos permitem uma enorme liberdade criativa, possibilitando a criação de sons que não poderiam ser produzidos por instrumentos acústicos tradicionais. A música eletrônica tem suas raízes no início do século XX, com experimentos em música concreta e o uso pioneiro de instrumentos como o theremin e o sintetizador. Ela se popularizou a partir das décadas de 1970 e 1980, com o avanço da tecnologia e o surgimento de equipamentos acessíveis, sendo explorada por diversas culturas e consequentemente determinando os seus subgêneros e consolidando-se como um dos principais pilares da música contemporânea e da cultura de festas e festivais ao redor do mundo. Mas foi entre 1753 e 1940 onde tudo começou, através de pequenas descobertas tecnológicas e sonoras. SÉCULO XVIII: OS PRIMEIROS EXPERIMENTOS Embora a música eletrônica como conhecemos hoje não existisse no século 18, o século marcou um ponto de partida para a exploração de novas possibilidades sonoras. Alguns marcos iniciais incluem o surgimento dos primeiros instrumentos eletrônicos, os sintetizadores primitivos. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Václav Prokop Diviš é um padre e inventor tcheco do século XVIII, é conhecido por ter criado o Denis D’or. O Denis D’or, também conhecido como Golden Dionysus ou Dionysius of Gold, foi inventado por Diviš em 1753. O instrumento é frequentemente considerado um dos precursores dos sintetizadores modernos, embora ele não fosse eletrônico no sentido que entendemos hoje, mas utilizava um princípio rudimentar de eletricidade para gerar sons. Características e Funcionamento: O Denis D’or é um tipo de órgão eletrostático, ou seja, um instrumento que gerava som através da eletricidade estática. O dispositivo usava cordas metálicas que vibravam, mas a característica inovadora era que o som poderia ser modificado através de descargas elétricas. Era uma tentativa de adicionar um novo tipo de controle eletrônico ao som, ainda que rudimentar para os padrões modernos. Ele se baseava na manipulação da eletricidade estática gerada por geradores mecânicos, um conceito que mais tarde inspiraria o desenvolvimento de outros instrumentos eletrônicos. Origem do nome Golden Dionysus A referência a Dionísio (ou Dionysus), o deus grego do vinho e das festividades, provavelmente remete à ideia de euforia e celebração associada à música e ao prazer sensorial, algo que a música eletrônica, especialmente a música de festas, também evoca. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA O Impacto de Diviš Embora o Denis D’or nunca tenha se tornado amplamente conhecido ou popularizado como instrumentos posteriores (como o theremin ou o sintetizador Moog), o trabalho de Diviš foi um precursor importante para a evolução dos instrumentos eletrônicos. Ele demonstrou o potencial de usar eletricidade para criar e manipular som, o que viria a se tornar uma base para o desenvolvimento da música eletrônica moderna. Em resumo, o Denis D’or de Václav Prokop Diviš é um marco na história da música eletrônica, embora seja muito distante dos instrumentos que conhecemos hoje. O nome Golden Dionysus traz consigo uma conotação de prazer e êxtase associados à música, algo que mais tarde se veria refletido nas culturas de festas eletrônicas e festivais ao longo do tempo. Ainda no século XVIII e no século XIX, os cientistas começaram a estudar mais a fundo os princípios da acústica e da ressonância, que mais tarde seriam fundamentais para a criação de sintetizadores e outros dispositivos eletrônicos. SÉCULO XIX: FONOAUTÓGRAFO, FONÓGRAFO E GRAMOFONE A habilidade de gravar sons é absolutamente necessária para a produção de música eletrônica. O primeiro precursor do fonoautógrafo foi inventado em 1857, quando Édouard-Léon Scott de Martinvillet gravou pela primeira vez impressões de som em cilindros revestidos em carbono. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Fonoautógrafo de Léon Scott. O fonoautógrafo de Léon Scott foi, então, o primeiro dispositivo capaz de registrar som, mas havia uma observação crucial: ele não conseguia reproduzir o som gravado, ao contrário do fonógrafo do americano Thomas Edison, criado 20 anos depois, em 1877. Fonógrafo de Thomas Edison. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Como funciona e qual a física envolvida nos fonoautógrafos, fonógrafos e toca-discos? Fonoautógrafo Como funciona: O som vibra uma membrana conectada a uma agulha que risca uma superfície (geralmente papel com fuligem), registrando graficamente as ondas sonoras. Física envolvida: Vibrações do ar (ondas sonoras) são convertidas em movimento mecânico da agulha. Fonógrafo Como funciona: A agulha vibra com o som e grava sulcos em um cilindro giratório. Na reprodução, outra agulha percorre os sulcos e vibra, gerando som novamente. Física envolvida: Ondas sonoras viram sulcos mecânicos; a leitura converte essas variações mecânicas de volta em som via vibração e amplificação acústica. Toca-discos (Gramofone) Como funciona: Uma agulha percorre os sulcos de um disco, vibrando conforme as irregularidades. Essas vibrações são convertidas em sinais elétricos (por cápsulas piezoelétricas ou magnéticas) e amplificadas. Física envolvida: Conversão de movimento mecânico (agulha nos sulcos) em energia elétrica (sinal de áudio), seguindo os princípios da indução eletromagnética ou piezoeletricidade. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Por muito tempo, Edison foi considerado o pai da gravação sonora. No entanto, em 2008, pesquisadores do First Sounds Project descobriram que as gravações do fonoautógrafo de Léon Scott podiam ser convertidas em áudio digital e reproduzidas. Utilizando tecnologia moderna, os cientistas conseguiram transformar os registros visuais do fonoautógrafo em som. E por isso que a discografia completa entre 1853 e 1860 de Léon Scott está disponível para nós escutarmos. Clique aqui e ouça Léon Scott Por muito tempo, as invenções de Léon Scott pareciam precursores técnicos do fonógrafo que era usado apenas para experimentos científicos. Mas as opiniões dos pesquisadores mudaram à medida que pesquisavam mais, especialmente depois de encontrarem fotocópias da patente do fonoautógrafo, que o francês havia registrado em 25 de março de 1857. Em Paris, no Escritório de Patentes da França foram encontrados dois fononautogramas, gravações de som datadas de 1860. Eram folhas de papel cobertas de fuligem, marcadas pela vibração de um fio de pêlo de javali causada por sons. Graças ao fato de terem sido submersos em um fixador, aqueles vestígios de algo que aconteceu décadas atrás permaneceram perfeitamente preservados. marcas deixadas no papel fuliginoso ainda retêm os sons HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Os pesquisadores conseguiram traduzir as ondas registradas. Um deles, o historiador de áudio Patrick Feaster, foi quem traduziu estas ondas. Patrick Feaster foi a primeira pessoa do mundo a escutar a primeira gravação de voz realizada na história. Édouard-Léon Scott de Martinville nunca a reproduziu; na verdade, ele nem tentou. A gravação mais antiga recuperada é de 1860 e contém uma pessoa cantando a canção popular francesa Au Clair De La Lune, o que torna essa a primeira gravação de som da história, embora não tenha sido reproduzida na época. Édouard-Léon Scott de Martinville morreu no anonimato. Ele foi enterrado em uma sepultura sem nome, pois sua família não tinha dinheiro para uma lápide. Em seu testamento, Scott pediu a seus filhos que se certificassem de que ele e sua invenção não fossem esquecidos. Em 2015, a Unesco, o braço da ONU para educação, inscreveu em seu Registro da Memória do Mundo "As primeiras gravações da humanidade de sua própria voz: os fonautogramas de Édouard-Léon Scott de Martinville (c.1853-1860)". “E se pudessemos ditar um sonho fugaz no meio da noite e ao acordar descobrir não apenas que ele foi escrito, mas se alegrar por estar livre da caneta, aquele instrumento com o qual se luta e que esmorece a expressão?” Esta perpectiva resultou na ideia imprudente de “fotografar a palavra", após ler um texto sobre fisiologia humana: se a fotografia podia capturar imagens fugazes com lentes que imitavam o olho, não poderia uma réplica de um ouvido captar as palavras faladas? HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Criação do fonógrafo em disco por Emile Berliner: Apesar do mecanismo de Thomas Edison ter se mantido inalterado por um tempo, Emile Berliner desenvolveu o fonógrafo em disco em 1887. Émile Berliner (1851–1929) foi um inventor alemão-americano que desempenhou um papel fundamental na história da música gravada. Ele é mais conhecido por inventar o gramofone e os discos planos, tecnologias que substituíram os cilindros utilizados no fonógrafo de Thomas Edison. Seu trabalho transformou a indústria fonográfica, tornando a gravação e reprodução de música mais prática, acessível e popular. A principal inovação do gramofone foi a substituição dos cilindros por discos planos. Esses discos eram mais fáceis de fabricar, armazenar e reproduzir, além de oferecerem melhor qualidade sonora. O gramofone usava um disco rotativo no qual as vibrações do som eram gravadas como sulcos em espiral. Uma agulha, ao percorrer esses sulcos, reproduzia o som. Gramofone de Emile Berliner. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Os discos planos criados por Berliner eram feitos inicialmente de vidro, depois de zinco, e, posteriormente, de uma mistura de goma-laca. Esses discos eram mais baratos e mais fáceis de produzir em massa em comparação aos cilindros usados no fonógrafo. Além disso, eram mais duráveis. A criação do disco plano foi um marco na história da música gravada, levando à popularização do formato de discos de vinil no século XX. Criação da indústria fonográfica: Berliner fundou a Berliner Gramophone Company nos Estados Unidos e no Canadá. Essas empresas desempenharam um papel crucial na comercialização do gramofone e dos discos. Ele também ajudou a estabelecer um padrão para a indústria, criando discos de tamanhos específicos e gravando músicas de artistas famosos para atrair consumidores. Sua invenção permitiu que a música gravada fosse distribuída em larga escala, inaugurando a era da indústria musical moderna. Émile Berliner foi um pioneiro visionário que mudou a maneira como consumimos música. Sua invenções permitiram que a música gravada fosse distribuída em larga escala, inaugurando a era da indústria musical moderna. 1. Música Popular: O gramofone de Berliner tornou a música gravada acessível às massas, permitindo que as pessoas ouvissem suas músicas favoritas em casa. 2. Indústria Musical: O modelo de negócios criado por Berliner — gravação de músicas em discos para distribuição em massa — ainda é a base da indústria fonográfica. 3. Discos de Vinil: Os discos criados por Berliner evoluíram para os discos de vinil, que dominaram a reprodução de música até o surgimento dos CDs e, mais tarde, do streaming. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Oliver Berliner, neto de Emile Berliner. Portanto, concluimos que a história da discotecagem moderna tem raízes profundas. Emile Berliner, inventor do gramofone e dos discos planos no final do século XIX, foi essencial para o surgimento da indústria fonográfica. Décadas depois, seu neto, Oliver Berliner, destacou em entrevistas como empresas como a Pioneer levaram adiante esse legado — transformando o conceito original do disco em tecnologias que revolucionaram a forma de ouvir e mixar música. Equipamentos como os toca-discos Technics e os CDJs Pioneer são, em essência, evoluções diretas do que começou com Berliner: a ideia de registrar, manipular e reproduzir som com precisão e criatividade. A discotecagem, portanto, é também uma celebração dessa história sonora em constante transformação. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA SÉCULO XX: PRÉ-SINTETIZADORES EXPERIMENTAIS Foi no século XIX, no ano de 1919 que eletrônica começou a desempenhar um papel mais direto na música, ainda que de forma experimental. Os dois principais dispositivos que marcaram esta época foram: Theremin (1919): Inventado pelo físico russo Lev Sergeyevich Termen (ou Leon Theremin) em 1919, o Theremin é um dos primeiros instrumentos eletrônicos que revolucionou a música. Ele é tocado sem contato físico, com o músico controlando o som com os movimentos das mãos em torno de duas antenas. O Theremin ficou famoso no mundo da música clássica, experimental e também em filmes de ficção científica. Lev Sergeyevich Termen, criador do Theremin. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Ondas Martenot (1928): Criado por Maurice Martenot, as Ondas Martenot também são instrumentos eletrônicos. A semelhança com o Theremin é evidente, já que ambos usam oscilações eletrônicas para produzir som, mas o instrumento de Martenot foi mais amplamente utilizado em músicas orquestrais. Maurice Martenot, criador das Ondas Martenot. Considerados pré-sintetizadores, o Theremin e as Ondas Martenot surgiram antes de 1950, junto com outros dispositivos que marcaram a era dos instrumentos eletrônicos experimentais: Telharmonium (1897) – Thaddeus Cahill Theremin (1920) – Léon Theremin Ondes Martenot (1928) – Maurice Martenot Trautonium (1930) – Friedrich Trautwein Hammond Novachord (1939) – considerado o primeiro sintetizador polifônico (com válvulas). HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA SÉCULO XX: A REVOLUÇÃO ELETRÔNICA O século 20, particularmente após a Segunda Guerra Mundial, marcou uma grande mudança na música eletrônica. A tecnologia avançou significativamente, e a eletrônica se tornou um meio vital para experimentação musical. O clima de reconstrução econômica proporcionou incentivos de várias instituições, sobretudo das emissoras de rádio, que dispunham de estúdios bem equipados. Em 1946, o ENIAC foi inventado, o primeiro computador no sentido moderno da palavra. Na mesma época, na França e na Alemanha, estabeleceram-se duas diferentes correntes na música eletroacústica: a Musique Concrète (Música Concreta em francês) e a Elektronische Musik (Música Eletrônica em alemão). Musique Concrète (Música Concreta): Pierre Schaeffer foi um compositor, engenheiro e pesquisador francês, considerado o pai da música concreta, um dos pilares da música eletrônica moderna. Ele nasceu em 1910 e desenvolveu suas ideias principalmente a partir da década de 1940, quando começou a experimentar gravações de sons do cotidiano. Em vez de usar instrumentos tradicionais, Schaeffer gravava sons como passos, motores, objetos batendo, vozes, e depois manipulava essas gravações (cortando, sobrepondo, acelerando, invertendo, etc.). Em 1948, lançou a obra Étude aux chemins de fer, feita apenas com sons de trens, um dos primeiros exemplos de música concreta. Fundou o Groupe de Recherches Musicales (GRM), um laboratório de pesquisa sonora que influenciou gerações de músicos eletrônicos e experimentais. E escreveu o livro Tratado dos Objetos Musicais, no qual desenvolve sua teoria de que qualquer som pode ser matéria-prima musical. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Pierre Schaeffer abriu caminho para a música eletrônica, experimental, ambiente, e até o sampling no hip hop e na música pop atual. Ele foi um dos primeiros a tratar o som como objeto manipulável, separando-o da sua fonte original. Uma uma ideia que ecoa fortemente nos DJs e produtores de hoje. Clique aqui e ouça Pierre Schaeffer A Musique Concrète, idealizada por Pierre Schaeffer, utilizava sons do mundo real, gravados e manipulados em fita magnética, como matéria-prima musical. Já a Elektronische Musik, desenvolvida por Herbert Eimert na Alemanha, partia da geração de sons puramente eletrônicos, como ondas senoidais e ruídos sintetizados, buscando uma abordagem mais científica e abstrata. Herbert Eimert foi o criador do primeiro estúdio dedicado à música eletrônica do mundo, o Studio für elektronische Musik da WDR (Westdeutscher Rundfunk) em Colônia, Alemanha, em 1951. Foi um defensor da composição com sons puramente eletrônicos. Herbert Eimert influenciou Karlheinz Stockhausen e estabeleceu as bases para a Elektronische Musik. Stockhausen misturava técnicas da Elektronische Musik e Musique Concrète e em 1956 lançou a obra Gesang der Jünglinge, marcando a fusão entre voz e sons eletrônicos. Clique aqui e ouça Karlheinz Stockhausen Apesar das diferenças conceituais, essas correntes acabaram influenciando profundamente a música experimental e eletrônica, que moldou a estética sonora do século XX e ecoa até hoje. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA SÉCULO XX: A FIGURA DO DJ Klaus Quirini, usando o pseudônimo Heinrich, é considerado o primeiro disc jockey moderno do mundo. Ele começou a tocar em 1959, no Aachener ScotchClub, localizado em Aachen, Alemanha Ocidental, reconhecido como a primeira discoteca da história. Klaus Quirini era originalmente jornalista, cobrindo a inauguração do ScotchClub. Como não havia banda ao vivo no dia da abertura, ele se ofereceu para colocar discos e animar o público ao microfone, imitando o estilo dos radialistas americanos. O sucesso foi tanto que ele acabou virando residente da casa, e sua performance acabou definindo o modelo moderno de DJ: alguém que seleciona, toca e interage com a pista. Ele também foi um dos fundadores da primeira associação de DJs da Alemanha, lutando para que a profissão fosse reconhecida oficialmente. Klaus Quirini a.k.a Heinrich, o primeiro DJ da história. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA SÉCULO XX: ERA DOS SINTETIZADORES A intensificação das pesquisas por laboratórios de músicas experimentais resultou em novos instrumentos, iniciando a era dos sintetizadores. O primeiro desses sintetizadores foi o Buchla, aparecido em 1963, produto do trabalho do compositor Morton Subotnick em parceira com Don Buchla. Don Buchla, em 1963. O americano Morton Subotnick é um dos grandes pioneiros da música eletrônica experimental, conhecido especialmente por ter criado a primeira obra composta inteiramente para sintetizador modular e lançada em disco: a icônica Silver Apples of the Moon, em 1967. Trabalhou com Don Buchla, engenheiro que criou um dos primeiros sintetizadores modulares do mundo, o Buchla Series 100, encomendado por Subotnick. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Diferente da Elektronische Musik alemã, Morton Subotnick focava em formas musicais abertas, gestuais e quase psicodélicas, sem se prender a estruturas acadêmicas rígidas. Silver Apples of the Moon foi encomendada pela gravadora Nonesuch Records, algo inédito para música eletrônica na época. Clique aqui e ouça Morton Subotnick Subotnick ajudou a fundar o California Institute of the Arts (CalArts), onde formou gerações de artistas sonoros e compositores. Seu trabalho abriu caminho para toda a cena de música experimental, eletrônica e ambient que viria depois. Morton Subotnick no Red Bull Music Academy Bass Camp San Francisco, em 2014. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA O avanço tecnológico dos sintetizadores durante as décadas de 1960 e 1970 tornou esses instrumentos mais acessíveis, permitindo que bandas de rock progressivo, como o Pink Floyd, incorporassem sons eletrônicos às suas composições. Pink Floyd em sua primeira composição. O Pink Floyd foi uma das bandas pioneiras no uso de sintetizadores no rock. Em álbuns como The Dark Side of the Moon (1973) e Wish You Were Here (1975), a banda utilizou sintetizadores como o EMS VCS3, ARP String Ensemble e Minimoog para criar paisagens sonoras únicas e atmosféricas. Esses instrumentos permitiram a exploração de novos timbres e efeitos, contribuindo para a identidade sonora inovadora da banda. Clique aqui e ouça Pink Floyd HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Popularização dos sintetizadores: Inicialmente, os sintetizadores eram equipamentos grandes e caros, utilizados principalmente em estúdios e por músicos experimentais. Com o tempo, surgiram modelos mais compactos e acessíveis, como o Minimoog, lançado em 1970, que permitiram a músicos de diferentes estilos explorar novas possibilidades sonoras. A exposição desses instrumentos em rádios e programas de TV contribuiu significativamente para sua popularização. Impacto na cultura musical: A combinação do avanço tecnológico, a acessibilidade dos sintetizadores e sua exposição em mídias de massa transformou a música popular. Bandas como o Pink Floyd não apenas adotaram esses instrumentos, mas também influenciaram uma geração de músicos a explorar as possibilidades da música eletrônica, moldando o som do rock progressivo e além. Influencia do movimento na música eletrônica: Foi então, na década de 1970, que o estilo eletrônico foi revolucionado pela banda alemã Kraftwerk, que fez a música eletrônica ser popularizada mundialmente. Kraftwerk é um grupo musical alemão fundado em 1970 em Düsseldorf, por Ralf Hütter e Florian Schneider. Eles são considerados pioneiros absolutos da popularização da música eletrônica, sendo uma das primeiras bandas a utilizar sintetizadores, drum machines e vocoders como base de sua sonoridade. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Kraftwerk na década de 1970. A banda introduziu uma estética futurista e minimalista, tanto no som quanto na imagem. Usaram a tecnologia não só como ferramenta, mas como temática: suas músicas abordam temas como robótica, mobilidade, comunicação e vida digital. Sua influencia foi fundamental para moldar gêneros como o Techno, Electro, Synth-pop, House, Rock Alternativo e até mesmo o hip-hop, com faixas sampleadas por Afrika Bambaataa. Álbuns icônicos: "Autobahn" (1974) – celebra a cultura automobilística alemã. "Trans-Europe Express" (1977) – referência direta ao futurismo europeu e precursor do electro. "The Man-Machine" (1978) – um marco na estética robótica da banda. "Computer World" (1981) – antecipando o impacto da era digital. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Kraftwerk não apenas criou música com máquinas, eles definiram a linguagem da música eletrônica como a conhecemos hoje. Sua influência atravessa décadas, gêneros e continentes. Clique aqui e ouça Kraftwerk No início da década de 1980 houve a substituição dos sintetizadores analógicos por versões digitais, além dos primeiros samplers. Similarmente aos samplers, a música eletrônica foi amplamente difundida a partir da década de 1980, através da popularização dos computadores pessoais. A partir de então era possível emular as funcionalidades de instrumentos musicais ou de sintetizadores através da criação, manipulação e apresentação virtual de som. Percebeu-se que diferentes equipamentos não conseguiam comunicar-se entre si devido às diferenças em suas tecnologias. Para solucionar o problema foi criado o MIDI, um protocolo de comunicação destinado à comunicação, controle e sincronização de informações de áudio entre dispositivos como teclados, sintetizadores e processadores de som. Standard MIDI Files (arquivos MIDI padrão) são um formato de arquivo digital criado para armazenar dados de performance musical, e não áudio propriamente dito. Ou seja, um arquivo MIDI não contém som, mas sim instruções sobre como a música deve ser tocada: quais notas, quando, com qual intensidade, duração, instrumento, tempo, pitch, modulação, etc. Esses dados são lidos por sintetizadores, samplers ou plugins virtuais (VSTs), que transformam essas instruções em som. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA SÉCULO XX: POPULARIZAÇÃO DA MÚSICA ELETRÔNICA A popularização da música eletrônica ao redor do mundo foi diretamente impulsionada pelo avanço tecnológico. A invenção e o desenvolvimento dos sintetizadores, sequenciadores, drum machines e os computadores pessoais tornaram a produção musical mais acessível e democrática. Com esses recursos, artistas puderam explorar sons sintéticos de forma criativa, sem depender de grandes estúdios ou orquestras, o que abriu caminho para o surgimento de gêneros completamente novos. Cada país e cultura deu sua própria contribuição para essa revolução sonora. Os principais movimentos foram: Alemanha, com o Kraftwerk e a Elektronische Musik, trouxe uma abordagem minimalista, científica e futurista. França, com a Musique Concrète, explorou a manipulação de sons reais em fita magnética. Estados Unidos, especialmente Detroit e Chicago, deram origem ao Techno e ao House, com fortes influências da cultura afro-americana, do soul e do funk. Reino Unido misturou essas influências e deu origem a cenas como Acid House, Drum’n’Bass, Jungle, Garage e mais tarde o Dubstep. Brasil, Japão, África do Sul e outras regiões também abraçaram a música eletrônica, agregando seus ritmos, línguas e tradições para criar estilos únicos. HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA A popularização da música eletrônica nos EUA foi essencial para a formação dos seus dois principais gêneros: o Techno e a House Music. The Belleville Three – Os Pais do Techno O termo The Belleville Three refere-se a Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson, três amigos afro-americanos que cresceram na cidade de Belleville, subúrbio de Detroit, e revolucionaram a música eletrônica nos anos 80. O amor por sintetizadores, funk futurista, Kraftwerk, e discos importados da Europa oroginaram as produções de batidas caseiras e começaram a tocar em festas e rádios locais. Ouça Juan Atkins Ouça Derrick May Ouça Kevin Saunderson HISTÓRIA DA MÚSICA ELETRÔNICA Frankie Knuckles – O Pai da House Music Frankie Knuckles (1955–2014) foi um DJ e produtor norte-americano, nascido no Bronx (Nova York), mas foi em Chicago, na década de 1980, que ele ajudou a moldar o som que mais tarde seria chamado de House Music. Tudo começou no The Warehouse, um clube underground em Chicago onde Knuckles era o DJ residente. Lá, ele misturava disco music, soul, funk e batidas eletrônicas. A estética era formada por linhas de baixo repetitivas e dançantes, vocais cortados com efeitos delay e drum machines como a Roland TR-909. O som inovador e dançante ficou tão marcante que o público começou a chamar aquilo de House Music, em referência ao clube Warehouse. Em 1997, Knuckles ganhou um Grammy por sua contribuição à música e em 2004, a cidade de Chicago declarou o dia 25 de agosto como o Frankie Knuckles Day. Ouça Frankie Knuckles GÊNEROS E SUBGÊNEROS GÊNERO NA MÚSICA ELETRÔNICA O gênero é a categoria ampla que agrupa diversas formas de música eletrônica, todos caracterizados pela utilização predominante de equipamentos eletrônicos (como sintetizadores, baterias eletrônicas, computadores e outros dispositivos) para criar som. Alguns exemplos de gêneros dentro da música eletrônica são: TECHNO HOUSE TRANCE AMBIENT DUBSTEP DRUM AND BASS Clique nos gêneros para ouvir um som como exemplo. GÊNEROS E SUBGÊNEROS SUBGÊNEROS NA MÚSICA ELETRÔNICA Já o subgênero é uma subdivisão mais específica dentro de um gênero. Ele pode ser moldado por diferentes influências, evolução de técnicas de produção, regiões geográficas e até mesmo períodos históricos. Dentro de um gênero eletrônico, podemos identificar vários subgêneros que têm características próprias, mas ainda pertencem ao gênero principal. TECHNO HOUSE MINIMAL TECHNO DEEP HOUSE ACID TECHNO TECH HOUSE DETROID TECHNO MICRO HOUSE TECHNO HARDCORE PROG HOUSE Clique nos subgêneros para ouvir um som como exemplo. GÊNEROS E SUBGÊNEROS A música eletrônica é um ecossistema vivo e em constante transformação. Diferente de estilos mais tradicionais, onde os gêneros podem ter limites mais bem definidos, na música eletrônica esses limites são frequentemente ultrapassados, rediscutidos e reinventados. É comum vermos artistas explorando diferentes vertentes dentro de uma mesma obra, ou até criando algo completamente novo a partir da fusão de influências distintas. Por isso, é importante entender que os gêneros e subgêneros não são categorias engessadas, mas sim pontos de referência dentro de um grande mapa sonoro. Um subgênero pode nascer da mistura entre dois ou mais gêneros ou subgêneros, como acontece com o minimal deep tech, que carrega elementos do minimal techno, do deep house e do tech house, criando uma identidade própria a partir dessa junção. O mesmo acontece com vertentes como o progressive house, o electro house, ou até movimentos mais regionais, como o minimal romeno, que desenvolveu um estilo único dentro do universo minimalista. Esse tipo de contaminação entre gêneros é parte essencial do crescimento da música eletrônica, que se alimenta da liberdade criativa, da experimentação sonora e da tecnologia. Entender essa diversidade é fundamental para qualquer DJ ou produtor. Ao invés de se prender a classificações fixas, o ideal é desenvolver uma escuta sensível e analítica, capaz de perceber nuances, texturas e intenções musicais além das etiquetas. REPERTÓRIO MUSICAL A construção do repertório é uma das etapas mais importantes na jornada de um DJ. É por meio dela que o artista desenvolve sua identidade sonora, cria conexões com o público e entrega experiências únicas na pista. Um bom repertório vai além do gosto pessoal, ele exige pesquisa, curadoria, organização e sensibilidade para entender o contexto de cada set. Plataformas Digitais para Pesquisa Musical Antes de comprar ou baixar qualquer música, é essencial conhecer o que está sendo lançado, o que está em alta nas pistas e o que se conecta com o seu estilo. A pesquisa musical é uma atividade constante e pode ser feita de forma estratégica utilizando plataformas digitais. Exemplos de plataformas para pesquisa: SoundCloud: Rede social musical onde DJs e produtores compartilham sets, faixas exclusivas, remixes e promoções. Ótimo para descobrir sons underground ou faixas ainda não lançadas oficialmente. YouTube: Canal com vasto conteúdo musical. Muitos labels, DJs e canais especializados postam sets, estreias e compilações. Bandcamp: Além de ser uma plataforma de compra, é excelente para explorar artistas independentes e selos que disponibilizam seus catálogos completos. Spotify / Apple Music / Deezer – Embora não sejam voltados para DJs (não permitem o uso em performance), são ótimos para escutar playlists, descobrir novas faixas e analisar tendências de mercado. Dica: Acompanhe playlists de artistas que você admira, podcasts de gravadoras e canais especializados em sua vertente favorita. REPERTÓRIO MUSICAL Plataformas Digitais para Aquisição de Músicas Após a pequisa musical, chegou a hora de baixar as suas faixas. Neste momento, é importante entender as principais características necessárias para que o seu repertório tenha qualidade. O que é BITRATE? Bitrate é a quantidade de dados por segundo usada para codificar o áudio. Ele é medido em kilobits por segundo (kbps). Quanto maior esse número, melhor a qualidade do som, mas também maior será o tamanho do arquivo. Quando o produtor musical lança a sua música, seja de forma independente ou através de gravadoras, ela é exportada em formatos de arquivos MP3 com 128kbps e 320kbps. Arquivos MP3 de 128kbps existem principalmente por questões de economia de espaço e acessibilidade. Eles foram muito utilizados em épocas em que a internet era mais lenta, o armazenamento nos dispositivos era limitado e o foco estava em facilitar o compartilhamento e consumo de música digital, mesmo com perda de qualidade sonora. Até hoje, plataformas de streaming e alguns sites adotam esse formato para reduzir o uso de dados móveis e acelerar o carregamento em conexões instáveis. Apesar da qualidade inferior, esses arquivos ainda são suficientes para escuta casual, mas não são recomendados para uso profissional em apresentações ao vivo. REPERTÓRIO MUSICAL Arquivos de 320kbps representam a maior qualidade possível dentro do formato MP3, oferecendo um som mais fiel ao original com compressão mínima. Eles preservam melhor os detalhes da música, como nuances de timbres, profundidade dos graves e clareza dos agudos, o que faz toda a diferença em sistemas de som profissionais. Por isso, são amplamente utilizados por DJs e produtores musicais em performances ao vivo, sendo considerados o padrão ideal quando não se utiliza arquivos em formatos sem compressão, como WAV ou AIFF. Apesar de ocuparem mais espaço, sua qualidade sonora justifica totalmente o uso em contextos onde a experiência do público é prioridade. FORMATOS E SUAS DIFERENÇAS REPERTÓRIO MUSICAL Onde baixo músicas de qualidade? Beatport: A principal referência mundial para DJs de música eletrônica. Possui uma organização por gêneros, charts de artistas e ferramentas de integração com softwares como o Rekordbox. Traxsource: Muito utilizada para gêneros como house, soulful, deep e afro. Ótima curadoria e catálogo de qualidade. Bandcamp: Além de ser uma ótima plataforma para pesquisa, também permite comprar diretamente dos artistas ou selos, com uma proposta mais justa de remuneração. Juno Download: Site tradicional com uma vasta gama de estilos e lançamentos. WhatPeoplePlay, Boomkat e Qobuz: Plataformas com foco em música eletrônica alternativa, experimental e de nicho. Bleep: Voltada para lançamentos de selos independentes, especialmente os mais voltados à música eletrônica de vanguarda e ao experimental. Catálogo com curadoria sofisticada. 7digital: Loja online com uma grande variedade de gêneros musicais, inclusive eletrônica. Oferece downloads em alta qualidade e é integrada a vários serviços de música. HDtracks: Especializada em áudio de altíssima resolução. Embora menos voltada ao universo do DJ, é ideal para quem busca fidelidade sonora extrema. Dica: Muitos artistas e selos disponibilizam faixas em free download como forma de divulgação. Fique de olho nas descrições de postagens no SoundCloud, Bandcamp ou redes sociais. Você pode encontrar verdadeiras pérolas disponíveis gratuitamente e em boa qualidade! REPERTÓRIO MUSICAL Análise, organização e playlists (Rekordbox) Após pesquisar e adquirir suas faixas, é hora de organizá-las e prepará-las para uso em seus sets. Essa etapa é essencial para garantir fluidez e eficiência durante suas apresentações. O melhor programa para isso é o Rekordbox, plataforma desenvolvida pela Pioneer DJ, uma das marcas mais influentes do mercado de equipamentos para DJs. Pincipais etapas: Análise: O software Rekordbox analisa automaticamente o BPM e a tonalidade das faixas, além de gerar os waveforms e beatgrids necessários para a sincronização. Cue Points: Marque pontos estratégicos (como intros, drops, breaks e transições) para facilitar a navegação durante o set. Tags e Comentários: Use o campo de comentários para anotar sensações da faixa, momentos de impacto, ou estilos (ex: “grooveado”, “melódico”, “intro”, “energetico”). Playlists: Crie playlists temáticas por estilo, energia, momento do set, ou evento específico. Ter um sistema de organização inteligente facilita muito nas gigs e te ajuda a ser mais versátil. Dica: mantenha sua biblioteca atualizada e bem cuidada. Um DJ bem organizado tem muito mais controle sobre seus sets e pode se concentrar totalmente na leitura da pista. SETUP [CONEXÕES] Existem diversos modelos e marcas de equipamentos para DJs disponíveis no mercado, cada um com suas particularidades. No entanto, nesta apostila vamos focar nas conexões e funcionalidades mais comuns entre os principais equipamentos profissionais e comerciais. Dessa forma, o conteúdo poderá ser aplicado de forma ampla, independentemente da marca ou modelo utilizado. SETUP [CONEXÕES] LINE: Esse sinal promove a transmissão de informações entre os equipamentos PLAYER e MIXER, através de conectores tipo RCA ou DIGITAL. PHONO: Tem a mesma função que o LINE, porém tem sensibilidade diferente e é utilizado apenas para transmitir informações de tocadiscos para o MIXER. INPUT / OUTPUT (IN / OUT): Em inglês quer dizer, respectivamente, entrada e saída. Nos equipamentos são nomes dados a conectores utilizados para interconectar equipamentos. Os nomes indicam o fluxo/direção do sinal. Emitem saída (OUT / OUTPUT) ou recebem entrada (IN / INPUT) de sinais. CHANNEL (CH): São canais de entrada de áudio presentes no MIXER onde se conecta os PLAYERS. Na parte frontal do MIXER encontramos colunas de controles com o mesmo nome, pois cada coluna corresponde a um canal da parte traseira do equipamento. A palavra canal, também tem referência os lados do estéreo (canais direito e esquerdo L / R). LEFT / RIGHT (L / R): Representa, respectivamente, o canal esquerdo e direito do estéreo. A cor vermelha dos conectores representa o lado/canal direito e o preto (ou branco), o lado/canal esquerdo. MASTER: Saída principal de áudio do tipo LINE para ser ligada a mesa de som que está conectada diretamente ao(s) processadores e amplificador(es) das caixas de som. Alguns sistemas não usam amplificadores e sim caixas amplificadas, daí esta saída é ligada diretamente aos conectores de entrada das caixas. SETUP [PLAYER] 1 2 3 4 10 11 5 6 7 12 8 9 1 - Display 2 - Eject 3 - Time Mode / Auto Cue 4 - Loop 5 - Pitch Bend / Jog 6 - Track Search 7- Search 8 - Cue 9 - Play / Pause 10 - Speed Control Range 11 - Master Tempo 12 - Pitch Control SETUP [PLAYER] 1 - DISPLAY: Os displays dos players apresentam informações relacionadas à música, como o nome, álbum, capa, dados do arquivo, banco de dados de hot cues, cues points, loops, playlists, quantização da track e configurações gerais. Lembrando que para obter essas e outras informações tão detalhadas é preciso utilizar softwares, como o Rekordbox. 2 - EJECT: Interrompe a transmissão de informações entre o pen-drive e o PLAYER, permitindo a desconexão do dispositivo. 3 - TIME MODE: Serve para mudar a forma em que o tempo da música é mostrado, em tempo crescente ou decrescente. 4 - LOOP: É o conjunto de botões utilizados para marcar o início (LOOP IN) e fim (LOOP OUT) de um trecho musical para que se repita em um ciclo de tempo desejado. Neste conjunto encontra-se também o botão EXIT/RELOOP para sair do ciclo de repetição, podendo também reiniciar novamente o último ciclo programado. 5 - PITCH BEND / JOG: A função principal deste controle é atrasar ou adiantar a música, geralmente para sincronizar as tracks a serem mixadas. 6 - TRACK SEARCH: Botões utilizados para navegar entre as tracks da biblioteca. SETUP [PLAYER] 7 - SEARCH: Parecido com o TRACK SEARCH descrito acima, porém, este permite navegar dentro da música e localizar um ponto desejado da mesma. 8 - CUE: Ao clicar uma vez na tecla, faz com que a música retorne e para em um ponto definido pelo DJ. Se esse ponto não for definido, ao clicar na tecla, a música volta para o início e para. Ao segurar a tecla, a música corre até a tecla ser solta e volta novamente ao ponto marcado. 9 - PLAY / PAUSE: Pressionando esta tecla, a música se reproduz e ao ser pressionada novamente, a música entra em pausa, porém não interrompe o envio de ondas sonoras, função esta realizada pelo CUE. 10 - SPEED CONTROL RANGE: Botão existente em alguns modelos que permite selecionar o alcance do controle de velocidade, PITCH. 11 - MASTER TEMPO: É um filtro anti-distorção de tons provocada pela alteração da velocidade da música. Quanto mais se altera a velocidade, mais fica evidente a distorção dos tons. Estando ativado, o filtro corrige as freqüências. MASTER TEMPO (batizado pela Pionner) também é conhecido por KEYLOOK e PITCHLOOK. 12 - PITCH CONTROL: Aumenta ou diminui a velocidade da música (BPM), fixando-a em uma velocidade desejada para manter o sincronismo com a música do outro PLAYER. SETUP [MIXER] 9 1 2 10 3 11 4 12 5 6 7 8 1 - Gain / Trim 2 - VU Level 3 - EQ / Equalizer 4 - Cue Channel Select 5 - Channel Volume 6 - Cue Mix 7- Volume Phone 8 - Crossfader 9 - Master Level 10 - Display 11 - Balance 12 - Booth Level SETUP [MIXER] 1 - GAIN / TRIM: Ajusta a intensidade do sinal de entrada que chega ao canal do mixer, não o volume de saída. Ele serve para normalizar sinais com diferentes níveis de origem (como faixas com masterizações distintas), garantindo que todos os canais trabalhem com uma base de sinal similar. Isso evita distorções e mantém a qualidade do som antes mesmo de controlar o volume com os faders. 2 - VU LEVEL: É um medidor que mostra o nível de sinal de áudio do canal. Ele ajuda a visualizar se o sinal está fraco, adequado ou alto demais. A sigla VU vem de Volume Unit, e embora o nome remeta a volume, ele está medindo a intensidade do sinal elétrico, não o volume final que ouvimos. Se o nível estiver constantemente no vermelho, o sinal está clipando (distorcendo). A zona ideal é geralmente a parte verde/amarela do medidor, onde o som está forte, mas ainda limpo. 🔴 🟢 3 - EQ / EQUALIZER: No caso do MIXER, o equalizador é o conjunto de controles de cada canal, que serve basicamente para compensar a mixagem e a diferença de frequências que costuma existir entre as músicas. A maioria dos MIXERS apresenta equalizadores de três bandas por canal, representando os grupos de GRAVES, MÉDIOS e AGUDOS. 4 - CUE CHANNEL SELECT: Botão que ativa no fone o som oriundo de seu respectivo canal. SETUP [MIXER] 5 - CHANNEL VOLUME: É o fader responsável por controlar a quantidade de sinal que sai do canal para o mix geral (master). Diferente do ganho, que ajusta a entrada, o volume do canal define quanto daquela faixa você quer realmente colocar na mixagem. É com ele que você faz transições, cortes e define o equilíbrio final entre as músicas durante a performance. 6 - CUE MIX: É o botão giratório que permite ao DJ escolher o que deseja ouvir no fone de ouvido. Quando girado totalmente para a esquerda, você escuta apenas os canais em CUE (pré-escuta). Quando girado totalmente para a direita, escuta apenas a saída MASTER (o que está indo para o público). Girando para o meio, é possível ouvir uma mistura dos dois, o que ajuda a alinhar as faixas com precisão durante a mixagem. 7 - VOLUME PHONE: Utilizado para controlar o volume do fone. 8 - CROSSFADER: É um controle deslizante horizontal presente na maioria dos mixers e controladoras. Ele permite transicionar o áudio entre dois canais, geralmente o Canal A (à esquerda) e o Canal B (à direita). Quando o crossfader está totalmente para um lado, apenas o canal correspondente é ouvido. Ao mover para o outro lado, o som vai sendo gradualmente substituído. É muito usado para fazer cortes rápidos, mixagens suaves ou técnicas de performance como scratching. DJs que preferem usar os faders individuais dos canais podem até deixá-lo desativado. SETUP [MIXER] 9 - MASTER LEVEL: É o controle que ajusta o nível final de saída do mixer, ou seja, define o volume que vai para o sistema de som (caixas, amplificadores ou interface de áudio). Diferente do ganho e do volume dos canais, o Master Level atua após toda a mixagem estar pronta, controlando o volume geral da apresentação. É importante mantê-lo em um nível adequado, evitando distorções (se estiver alto demais) ou perda de pressão sonora (se estiver muito baixo). 10 - DISPLAY: O display do MIXER apresenta diversas informações relacionadas à inserção de filtros, efeitos e controles de mixagem. 11 - BALANCE: Controle utilizado para balancear o volume entre os canais direito e esquerdo, equilibrando o volume entre as caixas de som. 12 - BOOTH LEVEL: É o controle que ajusta o nível de saída dos alto-falantes de monitoramento / retorno, permitindo que o DJ controle a intensidade de volume do sistema de som que está direcionado para ele, não interfirindo no volume do sitema de som direcionado para o público, nesse caso controlado pelo MASTER LEVEL. MÉTRICA MUSICAL Para entendermos o que é Métrica Musical, precisamos responder algumas perguntas e entender o raciocínio que contextualiza este assunto. Que cara o compasso tem? A forma mais crua e prática de responder isso é exemplificar com uma partitura musical. Percebemos BARRAS VERTICAIS que cruzam as 5 linhas do pentagrama. Essas barras se chamam BARRAS DE COMPASSO. E o que é o COMPASSO? O COMPASSO é o espaço entre as BARRAS DE COMPASSO, que dividem a música. Muito bem, então o compasso é uma DIVISÃO MUSICAL ou uma MEDIDA MUSICAL. BARRAS DE COMPASSO COMPASSO MÉTRICA MUSICAL Como sentimos os compassos na música? Bom, sabemos que COMPASSO é uma medida, e a própria palavra COMPASSO também se refere a um objeto de medida. E o COMPASSO mede o que? PULSOS MUSICAIS que acontecem de maneira regular. Então se eu coloco um som para tocar, automaticamente conseguimos medir os PULSOS, os Batimentos Por Minuto (BPM) da música. O legal é que são esses movimentos regulares que permitem a dança na pista, pois por conta da regularidade dos PULSOS e nossa mente pode prever movimentos e enviar ao corpo comandos com ritmo. Esse conceito se aplica quando batemos o pé ao ouvir música ou quando a gente bate palma. Os COMPASSOS são divididos, primordialmente, em COMPASSO BINÁRIOS e TERNÁRIOS e QUARTERNÁRIOS. Ouça os exemplos. A gente percebe neles a diferença nos embalos e é a assim que sentimos os COMPASSOS na música. Música 2/4 1 – 2 | 1 – 2 | 1 – 2... Música 3/4 1 – 2 – 3 | 1 – 2 – 3 | 1 – 2 – 3... Música 4/4 1 – 2 – 3 – 4 | 1 – 2 – 3 – 4 | 1 – 2 – 3 – 4... MÉTRICA MUSICAL Qual a necessidade de usar compassos? Os COMPASSOS são como CICLOS , pulsos regulares que organizam o ritmo e formam a estrutura da música. Mas a música, enquanto arte, precisa ser mais do que som: ela precisa VIVER. E o que dá VIDA à música são justamente esses CICLOS, porque nós, como seres humanos, também vivemos em CICLOS. O batimento do coração, o dia e a noite, as estações do ano — todos nos conectam ao tempo. E a música nos envolve quando conseguimos sentir esse mesmo ritmo cíclico que move a vida. É interessante notar que nem toda música segue a estrutura de COMPASSOS regulares. Um exemplo disso são os cânticos gregorianos, que surgiram na Idade Média como expressão religiosa. Neles, não há uma métrica fixa ou um período musical ordenado como conhecemos na maioria dos gêneros. Isso acontece porque os produtores desses cânticos buscam algo além da lógica terrena, é uma busca por conexões com aquilo que está fora da matéria e do tempo como conhecemos. Justamente por isso, não há necessidade de ordem rítmica ou repetição cíclica: o som flui livremente, como uma prece, uma meditação sonora. Essa ausência de métrica não é falta de organização, mas sim uma escolha artística, que rompe com os ciclos naturais para tentar acessar uma dimensão atemporal, transcendente. Na música eletrônica, a essência é criar experiência viva e terrena. Assim como os cânticos gregorianos buscam o transcendental por meio da liberdade rítmica, a música eletrônica encontra o seu poder justamente nos CICLOS. Eles hipnotizam, envolvem e, muitas vezes, transportam o ouvinte para estados de presença, catarse ou até transe. MÉTRICA MUSICAL Existe excessões aos ritmos dos pulsos? Da mesma forma que o eixo da vida, seguindo a analogia do ciclo noite/dia, nossa rotina respeita certos padrões, mas não é sempre igual. O mesmo acontece na música: embora ela siga, em grande parte, a lógica dos compassos, com um eixo principal marcando as pulsações, ela também permite variações nesse ritmo. Essas variações, que acontecem dentro da estrutura, são o que chamamos de GROOVE. Voltando à analogia do objeto compasso (o de desenhar), funciona de forma parecida: uma parte permanece fixa no papel (na música, os padrões fixos, compassos), enquanto a outra gira (na música, as variações), definindo medidas e dando vida ao desenho. Na música, quando percebemos esse ritmo, essa ordem criada pelos compassos, conseguimos sentir a música como algo vivo, algo que se conecta conosco e nos convida a dançar. MÉTRICA MUSICAL Porque existe mais de um tipo de compasso? Se considerarmos a música como uma narrativa, percebemos que para contar uma história são necessários pelo menos dois pontos. Imagine uma folha em branco: um único ponto não diz nada. Mas, a partir do momento em que esse ponto pode se mover até outro, já temos um caminho, um deslocamento e, com isso, algo pode ser contado. Surge, então, a forma mais simples de pulso: o binário (dois tempos). Quando adicionamos um terceiro ponto, conseguimos formar uma figura. Na antiguidade, o triângulo era considerado uma forma perfeita, e por isso os compassos ternários (três tempos) eram vistos como mais refinados ou nobres musicalmente. Com o triângulo e a linha, podemos formar o quadrado , e a partir dele, todas as outras formas geométricas. Por isso os compassos quaternários (quatro tempos) se tornaram a base mais estável e versátil da música moderna. Na partitura, o tipo de compasso é indicado pela fórmula de compasso, que mostra quantas pulsações existem por compasso, e como vimos, normalmente 2, 3 ou 4. E se trouxermos isso para a batida da música eletrônica, podemos representar cada pulsação do kick por uma semínima, que é uma figura rítmica equivalente a uma batida cheia. Na fórmula de compasso, a semínima é representada pelo número 4 no denominador. É por isso que a construção rítmica do techno e da house music geralmente segue a fórmula 4/4, ou seja, compassos quaternários, com quatro pulsações por compasso. MÉTRICA MUSICAL Composto de COMPASSO: PERÍODO OU FRASE MUSICAL Na música eletrônica, é muito comum e quase uma regra, que o período musical ou frase musical seja formado pela reprodução de 8 compassos, totalizando 32 tempos, quando estamos falando de compasso 4/4. Mas por que isso acontece? Essa estrutura surgiu e se consolidou porque ela equilibra repetição e evolução de forma eficiente, mantendo o ouvinte engajado. O número 8, por ser múltiplo de 2 e 4, respeita a lógica dos compassos binários e quaternários, criando blocos musicais que são fáceis de perceber, de contar e de dançar. As pessoas que não compreendem racionalmente sobre métrica musical, subconscientemente conseguem prever e sentir quando “algo vai mudar” na música, seja a entrada de um refrão em uma música cantada, ou um drop na música eletrônica. Mesmo sem pensar racionalmente sobre isso, as pessoas já estão acostumadas a ouvir esta métrica, digamos que universal. Além disso, essa organização facilita a construção em camadas: produtores podem adicionar ou remover elementos a cada 8 compassos, criando progressões naturais dentro da track. Para os DJs, frases de 8 compassos ajudam na sincronização entre músicas, facilitando as mixagens com fluidez, respeitando os pontos de entrada, viradas e transições. Esse padrão também dialoga com a ideia de que o ser humano percebe ciclos rítmicos com base em padrões regulares. Por isso, os 8 compassos se tornaram o tamanho ideal de um "bloco de sentido" dentro da música eletrônica: grande o suficiente para criar expectativa, e curto o suficiente para manter o interesse. BEATMATCH E PLAYMATCH Agora que compreendemos os pilares da métrica musical, podemos começar a entender o papel do DJ como o guardião da fluidez sonora. Mais do que apenas tocar faixas, o DJ é responsável por manter a música viva, sem interrupções ou quebras de ritmo. Para isso, ele precisa respeitar a estrutura métrica das músicas e utilizar técnicas de transição que preservem o groove. Dois dos conceitos fundamentais aqui são o BEATMATCH e o PLAYMATCH, habilidades que garantem que duas músicas se encontrem de forma precisa no tempo e no ritmo, permitindo que a troca entre elas aconteça de maneira natural e dançante. BEATMATCH - Alinhando os Batimentos O BEATMATCH é a técnica usada para fazer com que os batimentos (beats) de duas músicas fiquem sincronizados. Isso significa que o DJ ajusta a velocidade (BPM) de uma faixa para que ela combine com a outra, e assim, os kicks, claps e hi-hats de ambas fiquem no mesmo tempo. O objetivo é que, ao tocar juntas, as músicas soem como uma só, sem descompasso. Essa técnica é essencial para manter a coerência do groove e para que o ouvinte não perceba rupturas na pista. BEATMATCH E PLAYMATCH PLAYMATCH - Respeitando a Posição Certa da Frase Já o PLAYMATCH está relacionado ao momento certo de dar o PLAY. Mesmo com os BPMs alinhados, se a segunda música for iniciada fora do início do PERÍODO MUSICAL, a transição soará desorganizada e confusa. Por isso, o DJ precisa entender onde começa e termina um PERÍODO MUSICAL, para garantir que a nova música entre no momento exato da estrutura. PLAYMATCH é saber quando iniciar a nova música, respeitando a métrica. O papel do DJ vai além da técnica. Ele é o condutor de uma narrativa sonora contínua. Saber fazer BEATMATCH e PLAYMATCH com precisão é o que permite ao DJ construir sets fluidos, nos quais as músicas se conectam sem quebras de energia ou confusão rítmica. É esse domínio da estrutura que mantém a pista dançando, respeitando o fluxo natural do corpo e do tempo musical. Com a métrica como guia e a técnica como ferramenta, o DJ transforma faixas separadas em uma jornada contínua. BEATMATCH E PLAYMATCH EXEMPLOS VISUAIS PRIMEIRO PERÍODO MUSICAL Nesta primeira imagem, observamos o início de uma faixa no Rekordbox presente no DECK A, onde a estrutura rítmica é facilmente identificável pelas formas de onda. É possível perceber com clareza o primeiro PERÍODO MUSICAL da música, ou seja, os primeiros 8 COMPASSOS, em que logo eles temos a entrada do primeiro elemento grave — ondas vermelha que marcam o início de um novo PERÍODO MUSICAL. Esse padrão é comum em produções eletrônicas, onde a construção progressiva da faixa permite ao DJ planejar a entrada da próxima música de forma fluida e metricamente coerente. BEATMATCH E PLAYMATCH EXEMPLOS VISUAIS PLAYMATCH Neste imagem, vemos a música do DECK A chegando ao final de um PERÍODO MUSICAL, justamente o momento ideal para aplicar o conceito de PLAYMATCH. Fica claro o início de um novo PERÍODO MUSICAL, mesmo que não estivessesmos contando os COMPASSOS, momento que a música está transicionando de uma parte com ondas menores (brakes) para uma parte com ondas maiores (full section). Esta transição, chamada de DROP é deixa claro que ali é a entrada da nova música, exatamente nesse ponto. Ao dar o PLAY da próxima faixa no início de um novo PERÍODO MUSICAL, o DJ garante que ambas as músicas estejam sincronizadas não apenas em BPM, mas também em estrutura, respeitando a lógica musical de construção em blocos. Isso resulta numa transição fluida e coerente, onde os elementos rítmicos e melódicos das duas faixas se encaixam naturalmente. BEATMATCH E PLAYMATCH EXEMPLOS VISUAIS BEATMATCH Na terceira imagem, acompanhamos o momento em que, após respeitar o PLAYMATCH e iniciar a nova faixa no tempo correto, o DJ agora precisa garantir que ambas as músicas permaneçam sincronizadas ao longo da transição. É aqui que entra o conceito de BEATMATCH, que envolve manter os BPMs iguais e alinhar os picos das batidas para que os elementos rítmicos não se desencontrem. Mesmo com os BPMs ajustados previamente, pequenas diferenças podem surgir durante a mixagem, e é por isso que o DJ deve estar atento para realizar correções manuais usando o JOG WHEEL. Esse controle permite pequenos empurrões ou freadas na faixa em reprodução, garantindo a continuidade da sincronia entre as músicas e uma mixagem limpa e profissional. MIXAGEM MIXAGEM no DJing é o processo de transitar de uma música para outra de forma fluida, mantendo a energia e a continuidade da performance. A ideia é que o DJ consiga integrar as faixas de modo que elas se complementem, ao invés de simplesmente interromper uma música para começar a próxima. Ao fazer uma MIXAGEM bem-feita, além de respeitar os conceitos de BEATMATCH e PLAYMATCH, o DJ leva em consideração outros fatores, como a estrutura da música, (introdução, breakdown, drop) e até a harmonia (afinidade entre as tonalidades das faixas). O objetivo é garantir que a transição seja imperceptível ou, quando desejado, causar um impacto forte no público. Existem algumas técnicas para alvançar esses objetivos, e claro, a MIXAGEM não é só técnica, também é uma arte, pois envolve ler a pista, saber quando mudar a música para manter o clima ou criar um novo momento. É o coração de uma performance ao vivo de DJ, e exige prática, sensibilidade e criatividade. MIXAGEM CLÁSSICA / LINEAR / LONGA (LONG MIX) A MIXAGEM LONGA, também conhecida como MIXAGEM LINEAR, MIXAGEM CLÁSSICA ou LONG MIX, é a técnica onde o DJ faz transições suaves e progressivas entre as faixas, geralmente aproveitando os momentos mais tranquilos de cada música, como as intros e breakdowns. O objetivo é manter uma continuidade sonora na pista de dança, criando uma sensação de fluidez entre as músicas, sem que o público perceba uma mudança abrupta. A principal característica da MIXAGEM LONGA é o uso de introduções e breakdowns para fazer a transição, respeitando o desenvolvimento natural de cada música e garantindo que a música que está entrando se encaixe perfeitamente com a que está saindo. MIXAGEM MIXAGEM RÁPIDA (CUT MIX) A MIXAGEM RÁPIDA, também conhecida como CUT MIX, é a técnica onde o DJ realiza transições abruptas entre as faixas, geralmente sem sobreposições longas. Nessa abordagem, a música anterior é cortada de forma clara e direta, dando lugar à nova faixa de maneira rápida. Esse estilo de mixagem é bastante usado em gêneros como hip-hop, funk, tech house e trap, onde a energia das faixas é mais agressiva e a mudança de uma para outra pode ser feita de maneira mais impactante. A MIXAGEM RÁPIDA exige um bom timing e precisão por parte do DJ, que deve estar atento ao momento exato de cortar e lançar a nova música, sem perder a sincronia e a harmonia. Ao contrário da MIXAGEM LONGA, que utiliza transições mais suaves, a MIXAGEM RÁPIDA cria um efeito mais dramático e dinâmico na pista de dança, mantendo o público atento e engajado. MIXAGEM POR EQ (EQ MIXING) A MIXAGEM POR EQ, ou EQ MIXING, é uma técnica que se concentra no ajuste das frequências das faixas durante a transição, utilizando os controles de equalização (EQ) para suavizar ou intensificar certos elementos. O DJ utiliza o high, mid e low (agudos, médios e graves) para garantir que as faixas se encaixem de maneira harmônica, sem que os sons se sobreponham ou criem uma “muralha sonora” desconfortável. A MIXAGEM POR EQ permite ao DJ ajustar as frequências de forma inteligente para que cada faixa tenha seu espaço no espectro sonoro, garantindo uma transição fluida e sem colidir os sons. MIXAGEM MIXAGEM HARMÔNICA A MIXAGEM HARMÔNICA é uma técnica que leva em consideração a tonalidade musical das faixas para criar transições mais harmônicas. Em vez de focar apenas no ritmo e na estrutura, o DJ analisa as notas e acordes presentes nas músicas e busca combinar faixas que estejam na mesma tonalidade ou em tons compatíveis. Isso evita dissonâncias e choques harmônicos que podem causar desconforto na pista. Para facilitar esse processo, muitos DJs utilizam softwares como o Mixed in Key, que analisam as faixas e indicam a tonalidade em notação tradicional (ex: Am) ou usando a Roda Camelot (ex: 8A). Com essas ferramentas, o DJ pode planejar seu set de forma a criar transições musicais mais suaves, emocionantes e até melódicas. MIXAGEM Como funciona a Roda Camelot: A Roda Camelot é dividida em doze posições, numeradas de 1 a 12, e cada número tem uma versão A (menor) e B (maior). Por exemplo: 8A = A (LÁ) menor 8B = C (DÓ) maior A lógica da mixagem harmônica usando essa roda para que mantenha a harmonia na mixagem é: Tocar músicas com a mesma chave: a) Mesmo número, mesma letra (8A → 8B) Mudar para uma chave vizinha na roda: a) Mesmo número, outra letra (8A → 8B) b) Um número acima ou abaixo, mesma letra (8A → 7A ou 9A) Evite saltos grandes na roda (8A → 2B), pois isso geralmente causa dissonância e pode soar estranho ou desconfortável. Exemplo prático: Se você está tocando uma faixa em 8A (Lá menor), boas opções para a próxima música são: 8A (mesma tonalidade) 7A ou 9A (menor compatível) 8B (relativa maior) MIXAGEM MIXAGEM POR LOOPS A MIXAGEM POR LOOPS é uma técnica em que o DJ utiliza trechos repetitivos de uma música, os LOOPS, para estender ou preparar transições de forma mais controlada. Ao isolar e repetir um trecho específico (geralmente uma parte rítmica ou melódica), o DJ consegue criar uma ponte entre as faixas, dando mais tempo para ajustar o tempo (BPM), equalização ou até testar como a próxima música se encaixa na mix. Essa técnica é especialmente útil quando a estrutura da faixa é muito curta ou quando o DJ deseja construir tensão na pista. É comum, por exemplo, aplicar um LOOP no final da música que está tocando para manter o groove rolando enquanto se prepara a entrada da próxima faixa. A mixagem por loops também abre espaço para performances mais criativas, permitindo sobreposições, cortes e até improvisações ao vivo. No entanto, é importante lembrar que, ao ativar um LOOP, o DJ pode perder a referência visual e estrutural dos PERÍODOS MUSICAIS, o que dificulta a aplicação do PLAYMATCH. Por isso, LOOPS devem ser usados com atenção e preferencialmente com contagem mental precisa para manter a coerência da estrutura musical durante a mixagem. Com o tempo e prática, o DJ desenvolve um feeling natural da métrica musical. É como se o ouvido começasse a "sentir" quando o PERÍODO MUSICAL vai terminar, mesmo sem precisar olhar para a tela do software e realizar a contagem mental. Esse sentido rítmico vem da repetição e da escuta atenta. MIXAGEM MIXAGEM POR ACAPELLA A MIXAGEM POR ACAPELLA é uma técnica criativa onde o DJ combina uma faixa vocal (acapella) com uma faixa instrumental para criar uma nova versão ou mashup ao vivo. Essa abordagem exige maior domínio de timing e harmonia, pois é essencial que o vocal esteja perfeitamente sincronizado tanto em BPM quanto em tonalidade. O DJ pode, por exemplo, usar a base instrumental de uma track conhecida e sobrepor uma acapella de outra música, criando uma combinação única e surpreendente para o público. Essa técnica é comum em apresentações mais performáticas ou momentos em que o DJ quer personalizar a experiência. É importante, no entanto, respeitar a estrutura das frases e compassos de ambos os elementos para evitar desencontro rítmico ou harmônico. UTILIZANDO O FONE NA MIXAGEM A utilização do FONE DE OUVIDO na mixagem de DJ é a pré-escuta de uma faixa nos fones de ouvido antes de ela ser adicionada à mixagem principal que está tocando para o público. Esse recurso permite que o DJ escute e se prepare para o próximo track sem que o público ouça essa música. É essencial para ajustar o volume, equalizar a faixa, e até mesmo fazer ajustes no tempo, como a sincronização do BPM (batidas por minuto), sem que ninguém perceba e garantir que a performance do DJ seja fluída e profissional. EFEITOS Os EFEITOS são essenciais para o DJ criar transições mais dinâmicas e personalizar suas performances. 2 1 1 - Beat Effects 2 - Color Effects EFEITOS Os EFEITOS são essenciais para o DJ criar transições mais dinâmicas e personalizar suas performances. BEAT EFFECTS: São efeitos que atuam com base no tempo da música, ou seja, eles seguem o BPM da faixa. Isso significa que o efeito se alinha com a batida da música, podendo ser aplicado em compassos como 1/4, 1/2, 1, 2, 4, 8, etc. Esses efeitos geralmente são aplicados através de um botão dedicado ou uma tela no mixer, e são direcionados a um canal específico ou ao canal master (através do seletor de canal). Exemplos de Beat Effects: Echo, Delay, Reverb, Spiral, Flanger, Phaser e Roll. COLOR EFFECTS (ou Sound Color FX): São efeitos aplicados diretamente através de um knob (giratório) presente em cada canal do mixer. Eles não dependem do BPM da música, e sim da intensidade com que você gira o knob. São efeitos que alteram o timbre do som, funcionando quase como um "filtro ou cor sonora". Exemplos de Color Effects: Filter (Low/High Pass), Noise, Crush, Dub Echo e Sweep. Dica para memorizar: Beat Effects → sincronizados com o BPM, mais rítmicos. Color Effects → controlados no “feeling”, mais expressivos. DJ SET Um DJ Set é mais do que apenas tocar músicas em sequência, é uma apresentação artística onde o DJ expressa sua identidade sonora, se conecta com o público e conduz uma jornada musical. Para que essa experiência seja marcante, é essencial respeitar alguns pontos-chave, como a intenção do set, a sequência musical, o início e encerramento bem pensados, além de alguns cuidados técnicos se houver gravação. Cada detalhe influencia no impacto final do set e entender esses elementos é o que diferencia um DJ que apenas mistura faixas de um que realmente constrói uma narrativa sonora envolvente. INTENÇÃO DO SET Antes de começar a montar um SET, o DJ precisa definir qual é o objetivo dele: Clima desejado: dançante, introspectivo, agressivo, hipnótico, festivo, etc. Público e contexto: festa, warm-up, after, podcast, rádio, evento ao ar livre, etc. Mensagem artística: o que você quer transmitir com a sua apresentação? “Tocar para a pista é diferente de tocar para si. Um bom DJ sabe alinhar as duas intenções.” DJ SET SEQUÊNCIA MUSICAL A ordem das faixas é o coração de um bom SET. Aqui você pode abordar: Progressão de energia: construir tensão, liberar, respirar. Narrativa sonora: criar começo, meio e fim, como um filme. Harmonia entre faixas: não só em BPM, mas também em tom (harmonic mixing). Variedade com coerência: explorar subgêneros sem perder a identidade do set. “Tocar para a pista é diferente de tocar para si. Um bom DJ sabe alinhar as duas intenções.” A introdução é onde o DJ conquista o ouvinte: Pode ser suave, preparando o terreno, ou direta, impactando logo de cara. Evite começar com picos de energia (a não ser que o contexto peça). Use intros, ambientações, vocais falados ou efeitos para criar atmosfera. O fim do set deve deixar uma impressão marcante: Pode desacelerar a pista, ou encerrar em alta, dependendo do objetivo. Final com música significativa, vocal marcante ou faixa emocional é uma boa escolha. Evite parar abruptamente sem uma transição ou “despedida” sonora. DJ SET GRAVAÇÃO DE SET Gravar um DJ Set é uma forma poderosa de registrar sua identidade musical, praticar, criar portfólio, divulgar seu trabalho e até captar oportunidades. Mas pra garantir um resultado profissional, é importante cuidar de alguns aspectos técnicos e criativos. Abaixo, estão os principais pontos: Formas de Gravar um DJ Set: Software (Interno): muitas controladoras e mixers permitem conexão USB com o computador, permitindo a gravação através de softwares. Rekordbox, Traktor, Serato, VirtualDJ: esses softwares geralmente têm uma função de gravação embutida, permitindo capturar o áudio direto da sua controladora ou interface. Ableton Live: pode ser usado para gravar o áudio vindo de uma interface de som ou até criar sets mais elaborados com edição. Gravador externo (Físico): conecte a saída "REC OUT" ou “MASTER” em uma interface de áudio ou gravador. Zoom H1/H4, Tascam DR-05 ou similares: capturam o áudio diretamente da saída REC ou MASTER da mesa de som. Muitas controladoras e mixers permitem conexão USB com o computador ou possuem uma saída específica para gravação DJ SET Cuidados técnicos: Evite clipes: sempre cheque os níveis de ganho e volume. O áudio não deve "estourar" (passar do 0 dB). Qualidade de gravação: prefira gravar em WAV ou AIFF, que são formatos sem compressão (não use MP3 se quiser qualidade máxima). Testes antes de gravar: faça uma gravação de teste pra verificar se tudo está funcionando corretamente. Edição e pós-produção: Ajustar volumes gerais e remover picos de volume. Masterizar levemente o set com equalização, compressão e limiter. Cortar silêncios ou erros no início e fim do set. Ferramentas como Audacity (grátis), Ableton Live, FL Studio, ou Adobe Audition são boas opções para isso. Onde Publicar seus sets: SoundCloud: mais usada entre DJs. Mixcloud: aceita uploads longos e tem menos restrições de copyright. YouTube: aceita vídeos ou cenas de festas. Dica: sempre descreva seu set com informações relevantes, como tracklist, gênero, mood, local, etc. PROFISISONALIZAÇÃO Ser DJ vai muito além das pick-ups. A carreira profissional envolve posicionamento de marca, presença digital, relações de mercado e estrutura legal. Este módulo traz os pilares pra transformar sua arte em um negócio sustentável. Nome Artístico / Marca Pessoal: Seu nome é seu cartão de visitas. Pense em algo: Original e memorável. Fácil de pronunciar e escrever. Visualmente forte (pense em logotipo, identidade visual). Evite nomes já usados (faça buscas antes). Dica: sua marca é o reflexo da sua identidade musical. Seja coerente em todos os canais (redes sociais, fotos, discurso, etc). Presskit: O presskit é o material que DJs enviam para os contratantes, deve estar sempre atualizado e conter: Biografia profissional. Fotos em alta resolução. Links para sets, clipes, releases. Logotipo em PNG. Redes sociais e contatos atualizados. PROFISISONALIZAÇÃO Marketing: Sua presença online é seu palco digital. Algumas estratégias importantes: Instagram e TikTok: bastidores, trechos de set, lifestyle, dicas, etc. E-mail marketing / newsletters: pra público fiel ou contatos profissionais. Site pessoal / Linktree: centralize todos os links. Dica: poste com consistência, mas com autenticidade. Mostre quem você é além do som. Networking: A cena eletrônica é feita de pessoas. Faça parte dela. Participe de eventos, mesmo que não vá tocar. Troque sets, colabs e dicas com outros DJs. Aproxime-se de produtores de festas, coletivos, selos e escolas. Seja presente, educado e disponível. Dica: mais do que “quem você conhece”, o importante é “quem lembra de você”. PROFISISONALIZAÇÃO Manager, Booker e Agência: Conforme sua carreira cresce, pode ser hora de montar um time: Manager: cuida da sua carreira a longo prazo, imagem e estratégia. Booker: responsável por fechar shows e cachês. Agência: une ambos e oferece estrutura (agenda, produção, contratos, etc). Dica: no início, você mesmo será seu próprio manager/booker. Aprender isso é fundamental. Jurídico e contábil: Profissionalismo exige estrutura: CNPJ (MEI ou ME): facilita emissão de notas fiscais e contratos. Contrato de prestação de serviço: protege tanto o DJ quanto o contratante. Registro de marca: proteja sua identidade artística e garanta que ninguém mais use seu nome profissional no mercado. Contabilidade: pra cuidar de impostos, rendimentos e burocracias fiscais. Dica: contrate contadores e advogados que já trabalhem com artistas e eventos. FIM! Chegamos ao fim desta apostila, mas essa jornada na discotecagem está apenas começando. Esperamos que todo o conhecimento compartilhado aqui tenha contribuído para sua evolução como artista, ajudando você a entender melhor os fundamentos e técnicas que fazem a diferença nos decks. A TORO Academy está sempre à disposição para acompanhar sua trajetória, oferecendo cursos completos, workshops e o suporte de profissionais da cena eletrônica. Nosso compromisso é proporcionar a melhor experiência de aprendizado para que você possa transformar sua paixão em profissão ou hobby. Se precisar de mais conhecimento, troca de experiências ou orientação, conte com a gente! Estamos aqui para ajudar você a alcançar seus objetivos na música. Nos vemos na pista. Equipe TORO Academy.
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