Curso: Graduação em Engenharia Elétrica Disciplina: Análise de Sistemas Elétricos Professor: Dr. Wilker Azevedo RELATÓRIO DE PROJETO FLUXO DE POTÊNCIA JASON VALENTIM MOREIRA JOEL BEZERRA DA SILVA FILHO JOSÉ DANILO DA SILVA SANTOS MATHEUS LEITE RAMOS Garanhuns – PE 2024.2 Sumário 1. DESCRIÇÃO DO PROBLEMA E OBJETIVOS ................................................................... 4 2. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS ............................................................................. 4 2.1. Fluxo de Potência ......................................................................................................... 5 2.2. Método de gauss seidel ............................................................................................... 7 2.3. Método de Newton-Raphson ...................................................................................... 9 2.4. Aplicabilidades do Anarede para análise de fluxo................................................... 12 3. RESULTADOS E ANÁLISES .......................................................................................... 12 3.1. CARGA LEVE ................................................................................................................ 12 3.1.1. AJUSTE DE TENSÃO ................................................................................................. 15 3.1.1.1. AJUSTE DE TENSÃO NA ÁREA A .......................................................................... 15 3.1.1.2. AJUSTE DE TENSÃO NA ÁREA B .......................................................................... 16 3.1.2. Análise do cenário carga leve ................................................................................ 17 3.1.3. SAÍDA DE UM ATIVO ............................................................................................... 18 3.1.3.1. Retirada do ativo da região A ............................................................................. 18 3.1.3.2. Retirada do ativo da região B ............................................................................. 19 3.1.4. Restrição de gerações ............................................................................................ 21 3.1.4.1. Restrição da geração na região A ...................................................................... 21 3.1.4.2. Restrição da geração na região B ...................................................................... 22 3.2. Carga média ................................................................................................................ 24 3.2.1. Sobretensões: ......................................................................................................... 26 3.2.1.1. Região A: .............................................................................................................. 26 3.2.1.2. Região B: .............................................................................................................. 27 3.2.2. Ajuste de Tensão ..................................................................................................... 27 3.2.3. Saída de ativos ........................................................................................................ 29 3.2.3.1. Retirada do ativo da região A ............................................................................. 29 3.2.3.2. Retirada do ativo da região B ............................................................................. 30 3.2.4. Restrição de gerações ............................................................................................ 33 3.2.4.1. Restrição da geração na região A ...................................................................... 33 3.2.4.2. Restrição da geração na região B ...................................................................... 34 3.3. Carga Pesada .............................................................................................................. 35 3.3.1. Violações de tensões .............................................................................................. 36 3.3.2. Ajustes de tensões .................................................................................................. 38 2 / 52 3.3.2.1. Ajustes de tensões – área A................................................................................ 38 3.3.2.2. Ajustes de tensões – área B................................................................................ 39 3.3.3. Análise do cenário carga pesada ........................................................................... 40 3.3.4. Saída de ativos ........................................................................................................ 41 3.3.4.1. Saída de ativo na área A ..................................................................................... 41 3.3.4.2. Saída de ativo na área B ..................................................................................... 44 3.3.5. Restrição de geração .............................................................................................. 46 3.3.5.1. Restrição de geração no gerador da barra 915 (área A) .................................. 46 3.3.5.2. Restrição de geração no gerador da barra 810 (área B) .................................. 47 3.3.6. Aumento de carga em 15% - Cenário carga pesada ............................................ 48 3.3.6.1. Violações encontradas ........................................................................................ 49 3.3.6.2. Ações de mitigação ............................................................................................. 50 5. CONCLUSÕES .............................................................................................................. 51 6. REFERÊNCIAS............................................................................................................... 52 3 / 52 1. DESCRIÇÃO DO PROBLEMA E OBJETIVOS A análise proposta visa compreender o comportamento da rede elétrica em uma configuração inspirada no sistema da região sul, considerando diversos cenários que podem impactar a distribuição de potência e a estabilidade do sistema. O presente estudo tem como objetivos principais: • Observar as condições operacionais originais do SEP, analisando suas características técnicas e a distribuição de potência em estado normal de operação. • Comparar os diferentes cenários de fluxo de potência para a rede inspirada no sistema da região sul, levando em consideração diferentes níveis de carga e suas consequências no desempenho do sistema. • Analisar o impacto da saída de operação de linhas de transmissão em duas áreas distintas da rede (A e B), avaliando possíveis sobrecargas e alterações na distribuição do fluxo de potência. • Investigar os efeitos da restrição de geração em determinadas usinas localizadas nas áreas A e B, observando como o sistema redistribui a geração de potência para manter a estabilidade e o equilíbrio de carga. • Avaliar soluções que possam minimizar restrições operacionais decorrentes do crescimento da carga, considerando um aumento de 15% na demanda e propondo medidas para garantir a segurança e eficiência do sistema elétrico. 2. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS O Sistema Elétrico de Potência é composto por um conjunto de equipamentos responsáveis por transformar a energia de fontes naturais em eletricidade e distribuíla até os pontos de consumo. Esse sistema busca garantir a continuidade do fornecimento, manter a tensão dentro de padrões adequados e assegurar uma frequência estável. Uma das principais vantagens do SEP é a capacidade de transportar energia elétrica por longas distâncias, além da facilidade de conversão para outras formas de energia conforme necessário. Para estudar o comportamento do SEP em diferentes condições operacionais, utilizam-se ferramentas computacionais especializadas. Dentre elas, destaca-se o ANAREDE, um software desenvolvido para a análise de regime permanente em sistemas elétricos. Essa ferramenta é amplamente empregada tanto em tempo real quanto em simulações para planejamento operacional, englobando diversos tipos de estudo, como fluxo de potência, análise de contingências N-1, sensibilidade de tensão e segurança do sistema. Além disso, o ANAREDE conta com recursos de pós-processamento, como o PlotCepel, que gera curvas para avaliar a segurança de tensão e a capacidade de geração reativa das máquinas, e o FormCepel, que permite a organização e edição de tabelas 4 / 52 personalizadas para melhor interpretação dos resultados. O fluxo de potência é uma das ferramentas essenciais para compreender o comportamento do SEP. Conforme definido na literatura técnica, essa análise busca determinar a distribuição das tensões, correntes e fluxos de potência ativa e reativa em um sistema, garantindo que a operação esteja dentro dos limites estabelecidos. Para obter resultados consistentes, assume-se um sistema trifásico equilibrado, no qual variações ao longo do tempo são desprezadas, permitindo a modelagem do SEP por meio de equações algébricas. A solução dessas equações fornece informações fundamentais sobre a operação do sistema, como perdas elétricas e eficiência do transporte de energia. Normalmente, essa análise é realizada por meio de programas computacionais específicos, que utilizam métodos numéricos para resolver as equações envolvidas. No presente estudo, será realizada uma análise do comportamento elétrico de um sistema localizado em Sergipe, com foco na avaliação do fluxo de potência, identificação de contingências e sensibilidade de tensão. Um dos principais objetivos é estruturar graficamente o circuito, permitindo uma melhor visualização dos fenômenos elétricos envolvidos. 2.1. FLUXO DE POTÊNCIA A base matemática para a modelagem do fluxo de potência está fundamentada nas Leis de Kirchhof. A primeira lei estabelece que a soma das correntes que entram e saem de um nó é sempre nula, refletindo a conservação de carga elétrica. Já a segunda lei está associada à conservação de energia, garantindo que a soma das quedas de tensão em um circuito fechado seja igual à tensão aplicada. Aplicadas ao SEP, essas leis permitem a formulação do problema de fluxo de potência, definindo o estado operacional do sistema a partir de variáveis associadas às barras do circuito. Com essa abordagem, a análise proposta busca fornecer uma visão detalhada do comportamento elétrico do sistema, utilizando metodologias consolidadas para avaliar seu desempenho e segurança. • • • • Vk → Módulo da tensão na barra k; θk → Ângulo da tensão na barra k; Pk → Potência ativa gerada ou consumida na barra k; Qk → Potência reativa gerada ou consumida na barra k. Em um Sistema Elétrico de Potência, cada barra do sistema possui um conjunto específico de variáveis, sendo que duas delas são conhecidas e duas precisam ser determinadas para garantir o equilíbrio do sistema. Com base nessas características, as barras são classificadas em três categorias principais: • Barra PQ: Esse tipo de barra é geralmente associado a cargas ou a algumas unidades geradoras. Nela, os valores de potência ativa (P) e potência reativa (Q) 5 / 52 • • são previamente estabelecidos, enquanto a tensão (V) e o ângulo de fase (θ) precisam ser calculados para satisfazer o comportamento esperado do sistema. Barra PV: Comumente utilizada para representar geradores que controlam a tensão do sistema, essa barra tem a potência ativa (P) e o módulo da tensão (V) definidos. Por outro lado, a potência reativa (Q) e o ângulo de fase (θ) são variáveis desconhecidas, que devem ser ajustadas conforme as condições operacionais do sistema. Barra de Referência (Slack ou Vθ): Essa barra desempenha um papel fundamental no equilíbrio do SEP, pois é responsável por compensar as diferenças de potência ativa e reativa do sistema. Além disso, ela serve como referência para os ângulos de fase, sendo comum definir seu ângulo como zero graus (θ = 0º) e manter um valor fixo para a tensão (V). Nesse caso, as potências ativas (P) e reativa (Q) são as variáveis que precisam ser determinadas. No estudo do fluxo de potência, as Linhas de Transmissão são geralmente representadas pelo modelo pi equivalente, que é uma abordagem simplificada para modelar os efeitos da transmissão de energia elétrica. Nesse modelo, as impedâncias das linhas são convertidas para p.u, utilizando uma potência base expressa em MVA. Esse método padroniza os cálculos e facilita a análise da distribuição de potência no sistema. Figura 1: Barras do Sistema com sobretensão. Fonte: SAADAT, 1999, p. 209. A análise do fluxo de potência em um Sistema Elétrico de Potência pode ser realizada a partir das equações derivadas da Lei das Correntes de Kirchhof. Para um nó específico do sistema, a corrente injetada pode ser expressa como a soma das contribuições das demais barras conectadas. Dessa forma, temos: πΌπ = π¦π0 ⋅ ππ + π¦π2 ⋅ (ππ − π2) + β― + π¦ππ ⋅ (ππ − ππ) Reorganizando os termos, essa equação pode ser reescrita como: 6 / 52 πΌπ = (π¦π0 + π¦π1 + π¦π2 + β― + π¦ππ ) ⋅ ππ − π¦π1 ⋅ π1 − π¦π2 ⋅ π2 − β― − π¦ππ ⋅ ππ Ao simplificar os termos envolvidos, é possível relacionar as grandezas elétricas das barras. As potências ativas e reativa de uma barra podem ser expressas por: ππ ⋅ πΌπ = ππ − ππ Utilizando essa relação, a corrente injetada na barra pode ser reescrita em termos das potências e do conjugado da tensão: πΌπ = (ππ − πππ)/ππ Substituindo essa expressão na equação anterior, temos: ππ ∑ π¦ππ − ππ ∑ π¦ππ = ππ − πππ ,π ≠ π ππ Esse conjunto de equações define o fluxo de potência no SEP como um sistema algébrico de equações não lineares, exigindo métodos iterativos para a solução. A partir dessas equações, é possível determinar a distribuição das potências ativa e reativa entre as barras do sistema, levando em consideração as características das linhas de transmissão e transformadores. 2.2. MÉTODO DE GAUSS SEIDEL O método de Gauss-Seidel é amplamente reconhecido por sua simplicidade conceitual, o que o torna uma abordagem acessível para a solução de sistemas de equações não lineares, especialmente no contexto da análise de fluxo de potência em redes elétricas. No entanto, sua aplicação prática apresenta desafios devido à taxa relativamente lenta de convergência, tornando o processo mais demorado em comparação com outros métodos iterativos mais avançados. Figura 2: Modelo de Linha. Fonte: SAADAT, 1999, p. 211. 7 / 52 Apesar disso, sua simplicidade continua a ser um fator determinante para sua relevância no meio acadêmico, pois permite uma compreensão mais intuitiva dos processos iterativos. Durante sua execução, a atualização dos valores de tensão ocorre sucessivamente para cada barra do sistema, utilizando os resultados mais recentes a cada iteração. Esse procedimento é repetido até que os valores obtidos atinjam a precisão desejada. Na prática, os cálculos são considerados satisfatórios quando a variação dos módulos das tensões entre uma iteração e outra se mantém abaixo de um limite pré-definido, geralmente da ordem de 0,0001 pu. Além disso, outro critério de convergência amplamente utilizado envolve o balanço de potência em cada barra, onde a diferença entre a potência calculada e a potência especificada deve ser inferior a um determinado valor, como 0,01 MW no caso da potência ativa. Embora seja um método intuitivo, o Gauss-Seidel exige um grande número de cálculos repetitivos, o que pode torná-lo pouco eficiente para sistemas de grande porte. Entretanto, seu desempenho pode ser aprimorado ao incorporar técnicas que utilizam inversões matriciais, permitindo que ele se aproxime da eficiência dos métodos baseados no Newton-Raphson. No entanto, essa modificação só é viável em redes que não possuem barras controladas por potência reativa, o que limita sua aplicabilidade em determinadas configurações de sistemas elétricos. Dessa forma, apesar de suas limitações em termos de velocidade de convergência, o método de Gauss-Seidel permanece uma ferramenta valiosa, especialmente para fins didáticos e para a resolução de problemas em sistemas de menor complexidade. 8 / 52 2.3. MÉTODO DE NEWTON-RAPHSON O método de Newton-Raphson é uma técnica iterativa utilizada para encontrar aproximações sucessivas de raízes de uma função. Ele se baseia na expansão em série de Taylor, dada por: Se considerarmos, onde é uma constante, e uma estimativa inicial, podemos definir um pequeno desvio, de forma que: Desenvolvendo a equação acima e considerando apenas os termos de primeira ordem, obtemos a iteração básica do método: Esse método é amplamente utilizado na análise de fluxo de potência, pois permite resolver sistemas não lineares de maneira eficiente. Por exemplo, ele é frequentemente aplicado na operação do Sistema Interligado Nacional, onde a determinação precisa do fluxo de potência é essencial para garantir a estabilidade da rede elétrica. O problema de fluxo de potência em sistemas elétricos de potência é analisado assumindo que o sistema opera em equilíbrio, utilizando um modelo monofásico com impedâncias em p.u. e uma potência base comum. A matriz admitância do sistema é obtida a partir das impedâncias: 9 / 52 Figura 3: Modelo simplificado de impedâncias de um SEP. Fonte: SAADAT, 1999, p. 190. O circuito é redesenhado em termos de admitâncias e fontes de corrente equivalentes. O nó 0 (normalmente o nó terra) é usado como referência. O sistema pode ser expandido para um sistema de “n” barras, e sua representação na forma matricial é: A corrente injetada em cada barra do sistema é dada por: 10 / 52 Onde: Para grandes sistemas, como o Sistema Interligado Nacional (SIN), o método de Newton-Raphson é uma escolha eficiente, pois apresenta convergência quadrática, permitindo obter soluções precisas em poucas iterações. Tem-se então duas equações para cada barra do sistema, constituindo assim um conjunto de equações algébricas não lineares em termos de variáveis independentes, sendo a magnitude de tensão dada em p.u. e o ângulo de fase dado em radiano. Expandindo as equações em termos da série de Taylor e suprimindo os termos de ordem maior que 1, resulta em um sistema de equações algébricas lineares. Em comparação com o método de GaussSeidel, que possui convergência linear e requer um número maior de iterações, o Newton-Raphson se destaca na resolução de sistemas elétricos complexos., pois o número de iterações não cresce significativamente com o tamanho do sistema. A formulação matemática do fluxo de potência via Newton-Raphson segue a forma matricial: Assume-se que a barra 1 seja a barra referência, do tipo ππ . A matriz jacobiana traz uma relação linear entre a pequena variação no ângulo. Como os elementos do jacobiano são derivadas parciais com valores calculados, pode-se reescrever a Equação na sua forma reduzida como: 11 / 52 As matrizes H, N, M e L são matrizes das derivadas parciais, as quais compõem o jacobiano e determinam o tamanho da matriz. 2.4. APLICABILIDADES DO ANAREDE PARA ANÁLISE DE FLUXO O uso de bancos shunt de reatores e capacitores é uma das estratégias empregadas para ajustar os perfis de tensão da rede, onde os reatores são utilizados para reduzir sobretensões e os capacitores para mitigar subtensões. Os bancos shunt desempenham papel na regulação da tensão em sistemas de transmissão e é possível adicionar tanto em linha quanto em barras do sistema: • • Reatores: Consomem potência reativa, reduzindo os níveis de tensão em regiões sujeitas a sobretensão. Capacitores: Injetam potência reativa, elevando os níveis de tensão em pontos críticos do sistema. Os transformadores possuem taps ajustáveis que permitem modificar a relação de transformação e, consequentemente, regular os níveis de tensão. Durante a análise de fluxo de potência, o ajuste de taps é uma ferramenta essencial para controlar, subtensão: Aumentando o TAP para elevar a tensão; Sobretensão: Reduzindo o TAP para diminuir a tensão. Os transformadores possuem uma capacidade máxima definida para operação em regime normal. Entretanto, durante uma contingência (critério N-1), quando ocorre a perda de uma linha de transmissão, os transformadores remanescentes podem ser sobrecarregados. Isso pode ativar dispositivos de proteção, causando desligamentos e comprometendo a estabilidade do sistema. Para a realização do fluxo de potência, os geradores conectados ao sistema são modelados fixando as gerações ativas em seus valores especificados para cada ponto de operação do sistema. Suas gerações de potência reativam variaram dentro de seus limites pré-estabelecidos. Os limites de geração ativa são especificados para a realização de alguns estudos, como controle de intercâmbio entre áreas, contingências de geração/carga, redespacho de potência, entre outros. No ANAREDE, a análise de contingência permite verificar a distribuição da carga entre transformadores, risco de sobrecarga e atuação da proteção, ajustes necessários em TAPs e bancos de reatores/capacitores para mitigar impactos. 3. RESULTADOS E ANÁLISES 3.1. CARGA LEVE Para a realização do presente estudo, considera-se o sistema operando em condição de carga leve. No entanto, ao simular o fluxo de potência, verifica-se que 12 / 52 determinadas barras do sistema apresentam níveis de tensão superiores aos limites operacionais estabelecidos, caracterizando um cenário de sobretensão, conforme ilustrado na Figura X. Vale destacar que as barras que estão hachuradas estão em sobretensão. Figura 4: Barras do Sistema com sobretensão. Fonte: Os Autores. Esse fenômeno ocorre em decorrência das condições operacionais atuais do sistema, que está separada em duas áreas distintas, denominadas A e B, conforme ilustrado na Figura X. Cada uma dessas áreas possui capacidade instalada de geração suficiente para suprir a demanda total de suas respectivas cargas. No entanto, a geração na área A composta pelas usinas hidrelétricas Osório, Segredo, Santiago e Caxias, opera próximos ao seu limite, enquanto a área B, que inclui as usinas Machadinho, Munhoz e Itá, dispõe de um montante de geração superior ao da área A. Além disso, a área B apresenta um mercado consumidor relativamente pequeno, abrangendo cidades como Curitiba, Blumenau e Gravataí, o que resulta em um excedente de geração em relação à carga local. Em função desse desequilíbrio, ocorre um intercâmbio de potência da área B para a área A, ou seja, transportando o excedente de potência para o resto do sistema, o que influencia diretamente nas tensões no sistema, causando sobretensões em determinadas barras do sistema. 13 / 52 Figura 5: Regiões do Sistema. Fonte: Os Autores. Com base nisto, a seguir será apresentado uma tabela que contém os valores de sobretensões das barras da região A e B, serão apresentados os valores tensão (pu) referente as violações identificadas. Tabela 1: Barras com sobretensão na Área A. Número da Barra 960 814 938 939 955 1030 955 964 965 976 1310 Nome da Barra Curitiba-230 Bateias-230 Blumenau-500 Blumenu-500 CamposNo-500 Machadin-500 Itá-500 Caxias-500 Caxias-230 Gravataí-500 Gravataí-230 Base Intervalo de Tensão Limite de (kV) Tensão (p.u.) 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.05 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.048 230 0.950 - 1.05 500 0.950 - 1.048 230 0.950 - 1.05 Fonte: Os Autores. Tensão Operação (p.u.) 1.118 1.129 1.058 1.185 1.077 1.078 1.069 1.084 1.201 1.099 1.226 14 / 52 Tabela 2: Barras com sobretensão na Área B. Número da Barra 2458 839 898 1047 934 3.1.1. Nome da Barra Cascavel-230 Cascavel-230 FozChopi-230 SaltoOsô-230 Areia-230 Base Intervalo de Tensão Limite de Tensão (kV) (p.u.) 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 Fonte: Os Autores. Tensão Operação (p.u.) 1.063 1.061 1.073 1.077 1.153 AJUSTE DE TENSÃO Conforme foi discutido anteriormente, o sistema apresentava níveis de tensão maior aos limites operacionais estabelecidos, caracterizando um cenário de sobretensão. Então, no que diz a respeito à ajuste de tensão foi necessário desativar determinados bancos de capacitores shunt, reduzindo assim a injeção de potência reativa e, consequentemente, diminuindo a tensão nas barras afetadas. Além disso, adotou-se outra medida que consistia na mudança do tap dos transformadores em determinadas regiões da rede. 3.1.1.1. AJUSTE DE TENSÃO NA ÁREA A A área “A” possuía 11 barramentos em sobretensão, para que pudéssemos realizar o ajuste de tensão, foi necessário desativar os bancos de capacitores shunt nas barras 976, 995, 1008 e 964, que como já foi discutido anteriormente, irá diminuir a injeção de potência reativa e, consequentemente, irá diminuir a tensão. Além disso, realizou-se o ajuste dos taps dos transformadores nas interligações Caxias-500/Caxias230, Gravata-500/Gravata-230, Curitiba-500/Curitiba-230 e Bateias-500/Bateias-230. Na tabela 3, será apresento os valores de tensão após os ajustes na área A para as barras em condição de sobretensão, demonstrando que todas foram corrigidas para níveis dentro dos limites operacionais aceitáveis. 15 / 52 Tabela 3: Barras com sobretensão na Área A. Número da Barra 960 814 938 939 955 1030 955 964 965 976 1310 3.1.1.2. Nome da Barra Curitiba-230 Bateias-230 Blumenau-500 Blumenau-230 CamposNo-500 Machadin-500 Itá-500 Caxias-500 Caxias-230 Gravataí-500 Gravataí-230 Base Intervalo de Tensão Limite de (kV) Tensão (p.u.) 230 0.950 - 1.050 230 0.950 - 1.050 500 0.950 - 1.048 230 0.950 - 1.050 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.048 500 0.950 - 1.048 230 0.950 - 1.050 500 0.950 - 1.048 230 0.950 - 1.050 Fonte: Os Autores. Tensão Operação (p.u.) 0.969 0.984 1.002 1.009 1.036 1.038 1.030 1.000 0.996 1.001 0.999 AJUSTE DE TENSÃO NA ÁREA B A área B possuía 5 barramentos em sobretensão, para realizarmos o ajuste de tensão foi necessário o ajuste no tap dos transformadores nas interligações de Areia500/Areia-230, FozChopi-230/FozChopi-138 e Cascavél-230/Cascavél-138. Além disso, foi alterado a tensão na barra 919, setando para 0.97 p.u. A partir disto as tensões nas barras foram ajustadas para níveis dentro dos limites operacionais aceitáveis, conforme pode ser observado na tabela 4. Tabela 4: Tensões nas Barras após o ajuste. Número da Barra 2458 839 898 1047 934 Nome da Barra Cascavel-230 Cascavel-230 FozChopi-230 SaltoOsô-230 Areia-230 Base Intervalo de Tensão Limite de Tensão (kV) (p.u.) 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 230 0.950 - 1.05 Fonte: Os Autores. Tensão Operação (p.u.) 1.039 1.033 1.026 1.029 0.985 16 / 52 3.1.2. ANÁLISE DO CENÁRIO CARGA LEVE No cenário de carga leve do sistema base, foram identificados problemas de sobretensão tanto na área A quanto na área B. Essas violações nos níveis de tensão comprometem a qualidade do fornecimento de energia e exigem medidas corretivas para evitar impactos negativos na operação do sistema elétrico. A área A apresentou diversas barras operando acima do limite máximo aceitável, caracterizando um problema de sobretensão. Esse fenômeno ocorre devido à geração operando próxima ao limite e à baixa demanda local, o que reduz o consumo da potência gerada e contribui para a elevação da tensão. Além disso, o intercâmbio de potência da área B para a área A influencia diretamente nos níveis de tensão, pois a potência excedente precisa ser transportada, o que pode gerar desbalanceamentos na rede. Esse comportamento é especialmente crítico em barras que recebem maior fluxo de potência e que estão conectadas a transformadores operando próximos de seus limites. Por outro lado, a área B também apresentou sobretensão, mas por razões distintas. Como essa região gera mais potência ativa do que consome, há um excedente de energia que precisa ser exportado para outras regiões do sistema. No entanto, a limitação na capacidade de escoamento pode levar ao acúmulo de potência nas barras locais, resultando em tensões acima dos valores operacionais aceitáveis. Além disso, a presença de bancos de capacitores shunt pode intensificar esse problema, aumentando a injeção de potência reativa no sistema e elevando ainda mais a tensão nas barras afetadas. A principal diferença entre as duas áreas está na relação entre geração e carga. Na área A, a geração se aproxima do seu limite, e o fluxo de potência recebido da área B contribui para a elevação das tensões. Já na área B, o excesso de geração e a baixa demanda dificultam o controle da tensão, exigindo estratégias para evitar que os valores ultrapassem os limites operacionais. Para mitigar esses problemas, foram adotadas medidas como a desativação de bancos de capacitores shunt, ajuste dos taps dos transformadores e alterações nos níveis de tensão das barras PVs, buscando redistribuir a potência reativa e manter o sistema dentro dos padrões adequados de operação. 17 / 52 3.1.3. SAÍDA DE UM ATIVO Para uma análise mais abrangente do comportamento do sistema, foram desativados, individualmente, os ativos responsáveis pela transmissão de potência nas regiões A e B, a fim de avaliar seu impacto na operação da rede. Para cada saída de ativo, foram analisadas as variações nos níveis de tensão. Essa abordagem irá no possibilitar identificar a sensibilidade da rede na retirada de ativos específicos do sistema. 3.1.3.1. RETIRADA DO ATIVO DA REGIÃO A Para análise da região A, avaliou-se a retirada de um dos transformadores nas interligações das barras 956 (Curitiba-500 kV) e 960 (Curitiba-230 kV), no qual, é responsável pela a alimentação das cargas na barra 960. A retirada deste transformador resultou em uma redução da sobretensão na barra 960. No entanto, a tensão permaneceu acima dos limites operacionais estabelecidos. Esse efeito pode ser explicado devido ao aumento da impedância do trecho correspondente, uma vez que a tensão na barra é diretamente influenciada pela queda de tensão. Com o aumento da impedância, a queda de tensão no trecho também aumenta, o que justifica a redução da sobretensão observada na barra 960. As demais barras da área A não tiveram mudança significativa, após a retirada do trafo. Figura 6: Trecho (a) com (b) sem o transformador. (b) (a) Fonte: Os Autores Além disto, observou-se uma sobrecarga no transformador que interliga as barras 956 (Curitiba – 500 kV) e 960 (Curitiba – 230 kV). Isso se deve devido à alteração 18 / 52 na distribuição do fluxo de potência. Antes da retirada do ativo, a potência era compartilhada entre dois transformadores. Com a desativação de um deles, o fluxo passou a ser conduzido por um único caminho, aumentando o fluxo de potência que passava pelo o próprio, o que resultou em sua sobrecarga. A seguir serão apresentados na tabela 5 e 6, a variação na tensão e o carregamento do trafo após a retirada do ativo, respectivamente. Tabela 5: Variação de Tensão na Barra 960. Número da Barra Nome da Barra 960 Curitiba-230 Base Tensão (kV) Intervalo de Limite de Tensão (p.u.) Tensão Operação (p.u.) – Com o Trafo Tensão Operação (p.u.) – Sem o Trafo 1.118 1.092 230 0.950 - 1.05 Fonte: Os Autores. Tabela 6: Carregamento do Trafo. CARREGAMENTO DOS TRANSFORMADORES TRAFO CARREGAMENTO ANTES DEPOIS N1 54,08% 0,00% N2 53,94% 110,17% Fonte: Os Autores. 3.1.3.2. RETIRADA DO ATIVO DA REGIÃO B Para a análise da região B, avaliou-se a retirada da linha de transmissão entre as barras SaltoOsó-230 (1047) e FozChopi-230 (898), na qual ela operava com cerca de 167,1 MVA o que correspondia a 65,7% de toda a potência que passava pela a barra 1047. A saída dessa linha resultou na mitigação da sobretensão nas barras FozChopi230 (898) e Cascavel-230 (839), trazendo a tensão para valores aceitáveis no sistema. Já para as barras de carga FozChopi-138 (848), Cascavel-138 (840) e Cascavel-230 (2458) houve uma redução nos níveis de sobretensão, no entanto as tensões nas barras ainda permaneceram acima dos limites operacionais estabelecidos. Essa diminuição na tensão se deve pelo o fato que já foi comentado anteriormente, no qual a impedância irá aumentar e fará com que a queda de tensão aumente resultando na diminuição da tensão. 19 / 52 Figura 7: Trecho (a) com (b) sem a linha de transmissão. (a) (b) Houve uma variação no carregamento das linhas, contudo, para o cenário analisado, essa alteração não comprometeu a operação das mesmas. Esse comportamento pode ser atribuído ao menor nível de demanda na área B em comparação com a área A, o que resultou em uma distribuição de fluxo de potência que permaneceu dentro dos limites operativos estabelecidos. Na tabela 7, será apresentado o carregamento das linhas. Tabela 7: Carregamento das linhas. CARREGAMENTO DAS LINHAS LINHA DE CARREGAMENTO TRANSMISSÃO ANTES DEPOIS LT 104751,57% 0,00% 898 LT 104726,99% 50,65% 839 Fonte: Os autores. 20 / 52 3.1.4. RESTRIÇÃO DE GERAÇÕES Para avaliarmos o comportamento do sistema diante de condições de contingência associadas à restrição da geração ativa, foram simulados dois cenários distintos. Os quais consistia na limitação da capacidade de geração em uma unidade geradora na área A, e a retirada completa de uma unidade geradora na área B. 3.1.4.1. RESTRIÇÃO DA GERAÇÃO NA REGIÃO A Para a análise do impacto da restrição de geração na área A, a unidade geradora conectada à barra Machad-13.8 (915) foi limitada a 50% da sua capacidade. Inicialmente, essa unidade operava com uma geração de aproximadamente 800 MW e 152,8 MVar, no qual era responsável por atender as cargas na região A, que era superior ao consumo da área B. Figura 8: Trecho (A) sem (B) com restrição. (a) (b) 21 / 52 Ao restringir essa unidade geradora foi possível observar que houve uma mudança no fluxo de potência desta região, onde a potência ativa teve uma redução foi de 800 MW para 400 MW, já a potência reativa teve um aumento indo de 155.1 MVar para 178.1 MVar. Nestas condições, a injeção de potência reativa da unidade geradora da barra 904 (Itá-13.8) diminuiu e a da unidade geradora da barra 925 (SaltoS-13.8) aumentou. Além disso, houve um aumento do carregamento das linhas ligando as barras 995 e 1030 e as barras 995 e 1060. Tabela 8: carregamento das linhas em restrição de geração. CARREGAMENTO DAS LINHAS LINHA DE CARREGAMENTO TRANSMISSÃO ANTES DEPOIS LT 9957,24% 12,93% 1030 LT 99517,90% 21,69% 1060 Fonte: Os autores. Outro comportamento observado foi o aumento no despacho de potência ativa na barra de referência (GovBent-13.8), atuando como compensação para a redução da potência ativa na barra 915, variando de 1408,5 MW para 1748,6 MW. Esse ajuste reflete a resposta do sistema à variação na geração, garantindo o equilíbrio do sistema. 3.1.4.2. RESTRIÇÃO DA GERAÇÃO NA REGIÃO B Para a análise na região B, optou-se pelo o desligamento total da unidade geradora conectada à barra de SaltoSe-13.8 (810). Como consequência desse desligamento, observou-se uma redução nos níveis de tensão nas barras 856, 1060 e 897, no entanto essa variação não foi suficiente para comprometer a operação dentro dos limites de tensão estabelecidos. No que diz a respeito as tensões na barra A, observa-se que à influência sobre elas foi praticamente insignificante após a saída dessa unidade geradora. Esse comportamento pode ser atribuído ao fato de que, no cenário analisado, o fluxo de potência excedente é significativamente superior à demanda das cargas. 22 / 52 Figura 9: Trecho (a) com (b) sem unidade geradora. (a) (b) Como houve a perca total do despacho de potência proveniente da barra 810, a unidade geradora da barra de referência (GovBent-13.8) aumenta o seu despacho de potência ativa, para haver uma compensação devido a perca de potência ativa. As demais barras que contém unidade geradora na área B, aumentam a inserção de reativos no sistema para se adequar à essa retirada. Outro aspecto observado foi a variação no carregamento das linhas de transmissão responsáveis pelo intercâmbio de potência entre as áreas A e B, que tiveram mudanças significativas. Tabela 9: Carregamento das linhas após a saída do gerador. CARREGAMENTO DAS LINHAS LINHA DE CARREGAMENTO TRANSMISSÃO ANTES DEPOIS LT 933-955 11,81% 12,75% LT 959-938 36,60% 37,24% LT 856-933 40,03% 23,69% Fonte: Os Autores. 23 / 52 No entanto, observa-se uma redução no carregamento dos trechos de intercâmbio da região B para a A, em função da redução na geração da região B que impactou diretamente o fluxo de potência entre as áreas. Dessa maneira, resultando em um menor carregamento das linhas que transferem energia de B para A. 3.2. CARGA MÉDIA O caso estudado é na situação de carga média. Nesta etapa, é possível perceber que existem sobretensões em diversas partes do sistema, marcados pelas barras rachuradas em vermelho. Existem sobretensões em ambas as regiões A e B, com todas as barras em destaque com limite máximo permitido de 1,05 por unidade. O valor da potência ativa demandada por cada carga e as barras nas quais estão conectadas seguem na tabela abaixo. Tabela 10: demandas ativas em carga média. POTÊNCIAS DAS CARGAS – CARGA MÉDIA REGIÃO A REGIÃO B BARRA DEMANDA BARRA DEMANDA (MW) (MW) Bateias-230 (814) 748,0 Areia-230 (934) 258,5 Curitiba-230 (960) 869,0 FozChopi-138 (898) 99,0 Blumenau-230 (930) 1034,0 Cascavel-230 (2458) 440,0 Caxias-230 (965) 770,0 Cascavel-138 (840) 165,0 Gravataí-230 (1210) 1200,0 TOTAL 4621 TOTAL 962,5 Fonte: Autoria própria. Nota-se o que se esperava dada a contextualização do sistema apresentado. A potência ativa demandada pelas cargas é muito maior na região A do que na região B, o que se justifica devido a capacidade de geração da área A (UHE’s Osório, Segredo, Santiago, Caxias) estar próxima de seu limite, enquanto a área B possui um montante de geração (UHE’s Machadinho, Munhoz, Itá) maior que a da área A e o seu mercado consumidor é pequeno (Curitiba, Blumenau, Gravataí,...), acarretando em um excedente passível da geração para com a carga. Por essa razão, o fluxo de potência ocorre da área B para a A. O diagrama abaixo exibe o sistema inteiro, com as barras destacadas e com a delimitação das regiões A e B. 24 / 52 Figura 10: configuração do sistema em carga média. Fonte: Autoria própria. Para a avaliação dos elementos do sistema, nota-se que todos os transformadores 500/230 kV com ajuste de TAP estão setados para 0,9, onde ele pode variar de 0,9 à 1,1, com 19 steps. Os transformadores 230/130 kV estão com o TAP em 0,881, onde variam de 0,881 à 1,136, com 16 steps. Nesta análise, levando em conta que a região A está com situação de carga excessiva para a sua geração (quase no seu limite de operação), e em conta que a região B tem excedente de geração, avaliou-se as situações de sobretensões expostas na seguinte tabela. Tabela 11: sobretensões em carga média. SOBRETENSÕES NO SISTEMA – CARGA MÉDIA REGIÃO A REGIÃO B BARRA TENSÃO (PU) BARRA TENSÃO (PU) Bateias-230 (814) 1.086 Areia-230 (934) 1.128 Curitiba-230 (960) 1.072 SaltoOsó-230 1.071 (1047) Blumenau-230 1.132 FozChopi-230 1.065 (930) (898) Caxias-230 (965) 1.112 FozChopi-138 1.198 (848) Gravataí-230 1.120 Cascavel-230 1.052 (1210) (2458) Cascavel-138 1.181 (840) Fonte: Autoria própria. 25 / 52 Assim, foram avaliadas as regiões isoladamente para as conclusões. 3.2.1. SOBRETENSÕES: O sistema apresenta apenas problemas de sobretensões nas barras indicadas anteriormente. Pode-se entender que isto ocorre devido ao cenário observado de carga média, onde não existem sobrecargas dos transformadores, nas gerações e nem nas linhas de transmissão; com exceção dos transformadores da barra de GovBent13.8. Devido às demandas dentro do esperado, não existem quedas significativas de tensão nos elementos de transmissão de potência do sistema. Assim, os únicos problemas de violação existentes são relacionados com sobretensões. No entanto, devido à carga média ser superior ao carregamento leve, os problemas de sobretensões não são tão graves quanto no caso de menor demanda. Além disso, a indicação das sobretensões pode significar que pode haver excesso de potência reativa na região ou operação inadequada de compensadores. Áreas próximas a grandes usinas e barramentos principais, como Areia e Gravataí, possuem rachuras vermelhas, o que indica que podem estar recebendo mais potência reativa do que necessário. As análises das sobretensões em cada região seguem. 3.2.1.1. REGIÃO A: Neste caso, das tensões que violaram as margens limite, a menor tem um aumento de 7,2% da tensão nominal (Curitiba-230, 960), enquanto o pior caso é no aumento de 13,2% da nominal (Blumenau-230, 930); que é onde a maior carga da região A está localizada. Para a operação do sistema, somente duas das barras possuem elementos shunt com capacidade de regulação de tensão diretamente conectadas, que são a barra Blumenau-230 (930) e a barra Gravataí-230 (1210); justo as barras com as maiores cargas conectadas do sistema. Pode-se conjecturar que o motivo de recursos de regulação tão próximos está diretamente relacionado com a prioridade e com o volume das cargas que são atendidas naquela localidade. Para todas as demais, os elementos de controle de tensão estão em barras adjacentes. Além do mais, todas as barras com sobretensão da região A têm intermediação com trafos entre barras que têm regulação de TAP; o que pode se tornar uma poderosa ferramenta para a regulação dos níveis de tensão. 26 / 52 3.2.1.2. REGIÃO B: Para a região B, a menor tensão foi no valor de 5,2% acima da nominal na barra Cascavel-230 (2458), enquanto o maior valor foi 19,8% acima da tensão nominal na barra de FozChopi-230 (898). Neste caso, nenhum elemento shunt existe diretamente conectado às barras com cargas. Percebe-se também que a maior carga da região B representa cerca de 57% da menor carga da região A. Dessa forma, pode-se conjecturar que a baixa densidade de cargas da região B justifica a falta de elementos shunt. No entanto, o ajuste de tensão nestas barras pode ser encaminhado com as avaliações de mudança de TAP, dado o número elevado de transformadores na área. 3.2.2. AJUSTE DE TENSÃO Utilizando as sugestões de mitigação para avaliar o comportamento do sistema, foram feitas alterações utilizando as ferramentas e posses já disponíveis no sistema, sem adições de ativos, o que possibilita uma análise econômica favorável para as regulações de tensão. A seguir, o diagrama completo exibindo que não há nenhuma violação de tensão ou sobrecarga. Figura 11: carga média após ajuste. Fonte: Autoria própria. 27 / 52 Comparando com o caso sem alterações, os taps de todos os transformadores de 500/230 kV foram alterados para valores diferentes, mas dentro dos limites de variação de forma a reduzir os níveis de sobretensões nas barras do sistema, com ênfase nas barras onde as cargas estão conectadas. Além disso, foram desligadas 3 das 4 unidades de shunts (100 MVA cada) conectados na barra de Gravataí-230 (1210), e também a única unidade shunt conectada na barra Curitiba-500 (959) (-150 MVA). Os shunts foram desligados para que diminuíssem os reativos injetados na barra de Gravataí e os reativos consumidos na barra de Curitiba. Foi observado que estas alterações foram providenciais para o ajuste dos níveis de tensão nas barras em questão e também nas barras das vizinhanças devido a mudança da característica dos trechos do sistema, reduzindo a tensão na barra de Gravataí e a elevando na barra de Curitiba. Abaixo, estão os valores das tensões nas barras em destaque e os seus novos valores após as manobras de ajuste de tensão referentes ao caso de carga média. Tabela 12: tensões ajustadas na região A. AJUSTE DAS TENSÕES – REGIÃO A BARRA TENSÃO TENSÃO DEPOIS ANTES (PU) (PU) Bateias-230 (814) 1.086 1.002 Curitiba-230 (960) 1.072 1.004 Blumenau-230 (930) 1.132 1.001 Caxias-230 (965) 1.112 1.001 Gravataí-230 (1210) 1.120 1.003 Fonte: Autoria própria. REDUÇÃO (%) 7.73% 6.34% 11.58% 9.96% 10.45% Tabela 13: tensões ajustadas na região B. AJUSTE DAS TENSÕES – REGIÃO B BARRA TENSÃO TENSÃO DEPOIS ANTES (PU) (PU) Areia-230 (934) 1.128 1.006 SaltoOsó-230 (1047) 1.071 1.042 FozChopi-230 (898) 1.065 1.034 FozChopi-138 (848) 1.198 1.000 Cascavel-230 (2458) 1.052 1.003 Cascavel-138 (840) 1.181 1.000 Fonte: Autoria própria. REDUÇÃO (%) 10.81% 2.71% 2.91% 16.53% 4,66% 15.3% 28 / 52 Percebe-se que agora todas as barras se encontram dentro dos limites predeterminados. Além disso, as alterações sugeridas reduzem as tensões nas barras onde se localizam as cargas. A maior tensão nestas barras se encontra com um aumento de 0,4% da sua tensão nominal, enquanto existem duas que permanecem no valor correto nominal. Pode-se afirmar que as manobras de taps e shunts fez o sistema melhorar sua qualidade na entrega de energia para as cargas alimentadas. 3.2.3. SAÍDA DE ATIVOS Para a análise do comportamento do sistema, foram retirados ativos que dizem respeito a transmissão de potência nas áreas A e B. Cada ativo foi retirado de forma individual e seu impacto foi avaliado quanto aos níveis de tensão observados. 3.2.3.1. RETIRADA DO ATIVO DA REGIÃO A Para a região A, observou-se como o sistema reagiria ao se retirar um transformador que tivesse função de alimentação de uma das barras contendo cargas. Nisto, a escolha de um dos transformadores lingando as barras de Curitiba-500 e Curitiba-230 foi feita; o transformador N°1. Os dois trafos têm capacidade nominal de 672 MVA de transformação de potência, com margem de 806 MVA em casos de emergência. Ambos estavam operando no tap de 0,9 na situação padrão. A potência aparente consumida pela carga na barra de Curitiba-230 é na ordem de 941,8 MVA. Antes da retirada, o trafo N°1 estava operando com 70,1% da sua capacidade, enquanto o trafo N°2 operava com 69,9%. Os valores estão aceitáveis e dentro dos limites impostos pelo fabricante. As diferenças no rateamento da potência transmitida se devem aos valores diferentes de resistência e de reatância por unidade que cada trafo possui. 29 / 52 Figura 12: trecho (a) com e (b) sem o transformador em carga média. (a) (b) Após a retirada deste ativo, toda a potência solicitada pela carga agora deve ser transmitida pelo trafo N°2 operando isoladamente. Agora ele se encontra operando com 140,1% da sua capacidade nominal e com 116,8% da sua capacidade de emergência. Ao retirar este trafo, se percebe que a infraestrutura atual não é adequada para o critério N-1, uma vez que o transformador restante opera além dos seus limites máximos. É possível observar ainda que o problema de subtensão na barra da carga foi resolvido na retirada do trafo. Isto ocorre devido ao aumento da impedância vista entre as barras conectadas nos terminais no transformador, de forma a aumentar a queda de tensão naquele trecho e assim reduzindo os valores das tensões nos barramentos mais próximos do local em questão. Para o caso com os ajustes de tensões feitos, não houveram mudanças significativas nos valores das tensões nos barramentos do sistema, não ocorrendo qualquer sub ou sobretensão. Porém, nota-se que se repete o caso da sobrecarga do transformador isolado, operando com 123,09% da sua capacidade de emergência. Esta elevação no nível de sobrecarga no caso ajustado, comparado com o caso base, pode ser vista como consequência dos patamares mais elevados de tensão nos barramentos; muito mais próximos dos valores nominais. 3.2.3.2. RETIRADA DO ATIVO DA REGIÃO B O ativo a ser retirado referente a região B foi escolhido com a linha de transmissão entre as barras SaltoOsó-230 (1047) e FozChopi-230 (898). Esta linha faz a 30 / 52 ligação para que o trecho tratado seja em anel. A sua retirada implica em um sistema radial para atender a carga na barra de FozChopi-138 (848). Antes da retirada, ela operava com a transmissão de 169 MVA com o carregamento de 52,2% da sua capacidade. As contribuições para a o atendimento da carga vem desta linha, além de contribuir para o atendimento da carga situada na barra de Cascavel-138 (840). Considerando as perdas relacionadas às linhas que fazem as ligações até as cargas, 60% do seu carregamento corresponde a carga em FozChopi138, enquanto 40% corresponde à contribuição para a carga em Cascavel-138. Figura 13: trecho depois da retirada da LT. Fonte: Autoria própria. Ao retirar a linha em questão, agora o sistema da região B passa a ser radial. Toda a potência demandada pela carga em FozChopi-138 e as perdas no caminho passam a ser entregues pela linha entre as barras 839 e 890, com sua capacidade passando de 35,5% do carregamento para 55,3%. Apesar do aumento da potência transmitida, a linha permaneceu com apenas metade da sua capacidade máxima de transmissão. As perdas relacionadas com o atendimento desta carga também aumentaram. Pode-se observar ainda que, na sua retirada, a tensão nas barras de à montante da barra de Cascavel-138 tiveram suas tensões reduzidas, uma vez que agora não têm mais a contribuição adicional de potência que antes vinha da geração da barra SaltoO13.8. Com essa limitação imposta, a potência a ser escoada para a carga de Cascavel138 agora tem maior contribuição vinda da barra Cascavel-230. Sua potência transmitida antes da retirada era no valor de 53,3 MVA, passando a transmitir 123,9 MVA. A tabelas a seguir exibem as contribuições de potência para as cargas de cada barra, antes e depois da retirada da linha da linha. 31 / 52 Antes da retira, as perdas existentes nas transmissões à jusante e entre as barras 1047 e 2458 somavam 1,5 MW. Na sua retirada e com a concentração do fluxo em menos linhas, as perdas elevaram seu valor para 5 MW, o que compromete a entrega da energia de forma benéfica, de maneira financeira, ao mais do que triplicar as perdas observadas. Tabela 14: linhas que contribuem para a carga 1. PERCENTIL DA CONTRIBUIÇÃO - CARGA FOZCHOPI-138 BARRA CONTRIBUIÇÃO ANTES DEPOIS SALTOOSÓ-230 100% 0% CASCAVEL-230 0% 100% Fonte: Autoria própria. Tabela 15: linhas que contribuem para a carga 2. PERCENTIL DA CONTRIBUIÇÃO - CARGA CASCAVEL-138 BARRA CONTRIBUIÇÃO ANTES DEPOIS CASCAVEL-230 26,48% 61,55% FOZCHOPI-230 33,33% 0% SALTOOSÓ-230 40,19 38,45% Fonte: Autoria própria. Percebe-se que, após a sua retirada, a maior parcela da potência para a carga de Cascavel-138 vem da barra de Cascavel-230, enquanto não há contribuições da barra de FozChopi-230 que tem fluxo de potência direcionado para o atendimento da carga de FozChopi-138. Com o caso das tensões ajustadas, surgem problemas não observados anteriormente. Pelos níveis de tensão próximos do nominal, a saída da linha em questão implica em quedas de tensão maiores no trecho em análise. Há uma subtensão na barra 898 que faz a transmissão da potência integralmente para o atendimento da carga na barra FazChopi-138. Além disso, a linha que faz a ligação entre as barras 1047 e 839 que agora opera sozinha atua com 146% da sua capacidade normal. Porém, como o estado é especial devido ao critério N-1, seu carregamento é de 85% da sua capacidade de emergência. Isto indica que esta linha pode operar neste estado, mas somente por períodos muito curtos para que não haja danos aos dispositivos. 32 / 52 3.2.4. RESTRIÇÃO DE GERAÇÕES Para a avaliação do sistema em casos onde as situações de emergência se caracterizam como restrições na geração ativa de uma unidade geradora em específico ou na saída completa de uma, foram avaliados os casos com a saída da geração na região B e restrição na região A. 3.2.4.1. RESTRIÇÃO DA GERAÇÃO NA REGIÃO A Na região A, a geração escolhida foi a da barra de Machad-13.8 (915). Esta unidade contribui com uma geração de 800 MW e um fluxo de reativos de 121,5 MVAr, atendendo a região A que se encontra com cargas em excesso, levando a geração próxima aos seus limites operacionais. Ao restringir a quantidade de potência ativa que esta unidade é capaz de entregar, o fluxo de potência da região muda de característica. Figura 14: trecho com a restrição no lado A. Fonte: Autoria própria. Na situação apresentada, a potência ativa gerada caiu do valor de 800 MW para 400 MW. Nestas condições, ocorreu uma diminuição na potência reativa injetada por esta geração, sendo então suprida pela geração de Itá-13.8 e de Saltos-13.8. Além disso, a demanda de potência ativa das cargas e das perdas técnicas também foi suprida. Houve uma evolução no nível de carregamento das linhas ligando as barras 995 e 1030 e as barras 995 e 1060. Além da organização e direção dos fluxos de potência se 33 / 52 alterarem, a geração de ativos é compensada pela barra de referência de GovBent-13.8 de forma a suprir as demandas das cargas e da transmissão do sistema. Tabela 16: carregamento das linhas na restrição do gerador de Machad-13.8. . CARREGAMENTO DAS LINHAS LINHA DE CARREGAMENTO TRANSMISSÃO ANTES DEPOIS LT 995-1030 4,41% 8,16% LT 995-1060 17,69% 21,75% Fonte: Autoria própria. As perdas também podem ser avaliadas nestas situações, uma vez que um carregamento maior das linhas pode implicar em mais energia perdida para o sistema de transmissão. Percebe-se que o carregamento de potência ativa das linhas cresce para os trechos onde a potência é direcionada para as cargas. Este efeito pode ser visto que, antes da restrição, o despacho de potência ativa da barra de referência é no valor de 1968,6 MW, mas se eleva para o valor de 2372,2 MW após a restrição. Um incremento de 403,6 MW para a saída de 400 MW de geração, que pode ser associada com os requerimentos mínimos necessário para a transmissão de energia pela rede. 3.2.4.2. RESTRIÇÃO DA GERAÇÃO NA REGIÃO B Para a região B, a geração escolhida para desligamento total foi a conectada na barra de SaltoSe-13.8. Ela alimenta as cargas da sua região e contribui grandemente para o fluxo que parte da região B para a região A. Em operação normal, esta geração conta com 500 MW e 257,3 MVAr de potência gerada para despacho. Na sua saída total, o sistema se rearranja para atender as necessidades de potências constantes. Figura 15 : trecho após a saída da geração de SaltoSe-13.8 Fonte: Autoria própria. 34 / 52 Na sua saída, a geração da barra de referência é implementada para suprir as necessidades da rede. As demais gerações também aumentaram seus despachos de potências reativas para se adequar à retirada em questão. De forma similar, o carregamento das linhas que fazem o intercâmbio entre as áreas A para a B é intensificado devido ao reforço vindo da barra de referência. Isto acarreta em maiores perdas nas linhas que atuam como a ponte. Tabela 17: carregamento das linhas na saída do gerador de SaltoSe-13.8. CARREGAMENTO DAS LINHAS LINHA DE CARREGAMENTO TRANSMISSÃO ANTES DEPOIS LT 933-955 11,70% 13,16% LT 959-938 38,96% 39,62% LT 856-933 34,56% 15.89 Fonte: Autoria própria. No entanto, percebe-se um carregamento menor dos trechos de intercâmbio entre da região B para a A devido ao déficit de geração, ocasionando menores perdas nestes trechos. Percebe-se ainda um valor muito maior na diminuição deste valor do que no aumento das demais. Isto ocorre porque o excedente de geração que a região B tem disponível é despachado por este trecho, que alimenta as cargas da região A; já com suas gerações beirando os limites operacionais. 3.3. CARGA PESADA Para o caso em carga pesada, nota-se que ao abrir o arquivo e simular o fluxo de potência algumas barras do sistema apresentam problemas de sub e sobre tensão, principalmente sobretensão. Esse cenário de carga pesada possibilita as barras estarem operando em níveis de tensões perto do limite mínimo ou até mesmo abaixo desse limite, em que isso resulta em problemas que pode prejudicar a qualidade do fornecimento de energia. As barras que apresentam subtensão estão operando abaixo do limite aceitável, todas essas barras estão delimitadas na região “A”. Essas violações nos níveis de tensões podem se resumirem a dois fatores importantes que são analisados, um deles é o carregamento do sistema que pode provocar essa queda de tensão nas barras do sistema, já que a análise está sendo feita no cenário de carga pesada, em que o sistema como um todo fica sensível a nível de operação. Outro fator importante é referente ao 35 / 52 suporte reativo que está atribuído no sistema, uma margem de reativo baixa pode interferir nos níveis de tensões das barras provocando casos de sobtensões e operação abaixo do limite mínimo aceitável. Já para as barras que estão com tensões elevadas, dois motivos podem gerar esse problema. O primeiro é devido a alta geração quando comparada com os valores das cargas, em que o sistema estará com excedente de geração e as tensões das barras irão estar com seus valores altos. O outro motivo é referente ao reativo composto no sistema devido a bancos shunts de reatores que possivelmente podem estar inserindo reativos no sistema para o que interfere no aumento das tensões da região que tenha a presença desses bancos. 3.3.1. VIOLAÇÕES DE TENSÕES Analisando o comportamento do sistema e considerando que o mesmo está dividido em duas áreas (área A e área B), cada uma das áreas possui capacidade de geração instalada para suprir a demanda das suas respectivas cargas. Porém, a capacidade da área A está próxima do seu limite máximo e a área B tem uma margem de geração maior e o consumo é pequeno, possibilitando um excesso de geração que será despachado no sistema. Devido a isso, como a geração da área A está próxima do seu limite máximo, por mais que ela consiga suprir as cargas, isso significa que a carga está alta quando comparada com a geração, o que resulta em problemas nos níveis de tensões, deixando esses níveis abaixo do limite de operações em algumas barras do sistema que tenham concentração de cargas conectadas a elas. Analisando o comportamento do sistema na região B, como essa região está com excesso de geração devido a geração ser mais alta do que as cargas, algumas barras estão ultrapassando os limites máximos de tensões admissíveis, o que caracteriza sobretensão nas mesmas. A seguir está disponível uma imagem que mostra as barras que estão com os limites de tensões acima e abaixo dos limites adequados para os níveis de tensões do sistema. 36 / 52 Figura 16: carga pesada – caso base. Fonte: Cenário carga pesada A partir de cada barra que apresenta subtensão e sobretensão, abaixo encontrase duas tabelas que informam os valores das tensões (p.u.) referente às violações apresentadas. Tabela 18: Tensões abaixo dos limites mínimos. Nome da Barra Base Tensão (kV) Intervalo de Limite de Tensão (p.u.) Tensão Operação (p.u.) 938 Blumenau-500 500.0 0.950 - 1.048 0.941 964 Caxias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.924 895 Bateias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.923 959 Curitiba-500 500.0 0.950 - 1.048 0.920 976 Gravataí-500 500.0 0.950 - 1.048 0.920 Número da Barra Fonte: Autoria própria 37 / 52 Tabela 19: Tensões acima dos limites máximos. Nome da Barra Base Tensão (kV) Intervalo de Limite de Tensão (p.u.) Tensão Operação (p.u.) 934 Areia-230 230.0 0.950 - 1.050 1.088 1047 SaltoOsó-230 230.0 0.950 - 1.050 1.059 898 FozChopi-230 230.0 0.950 - 1.050 1.052 939 Blumenau-230 230.0 0.950 - 1.050 1.051 934 Areia-230 230.0 0.950 - 1.050 1.088 Número da Barra Fonte: Autoria própria 3.3.2. AJUSTES DE TENSÕES A partir do que foi comentado anteriormente sobre as violações nos limites de tensões, algumas operações podem ser realizadas afim de adequar os valores das tensões nas barras para condições aceitáveis conforme cada nível de tensão. Esses ajustes podem ser feitos através de bancos shunts de reatores e bancos shunts de capacitores, ambos têm funções distintas quando se fala em controlar as tensões. Outra operação válida é a mudança de TAP dos transformadores, é importante ressaltar que essas mudanças devem atender os limites estipulados para cada transformador. A última operação que será feita ao realizar os ajustes, é a mudança nos valores de tensões nas barras PVs para aumentar ou diminuir a margem de reativos fornecida para o sistema, de acordo com o que se deseja obter após os ajustes. 3.3.2.1. AJUSTES DE TENSÕES – ÁREA A Devido a área A apresentar vários problemas de subtensão em diferentes barras do sistema, foi necessário tirar de operação bancos shunts de reatores, com a retirada de alguns reatores principalmente nas barras com problemas de tensões ou até mesmo em barras próximas, eles não irão mais consumir reativos do sistema no que resultará um aumento das tensões nessas barras. As barras que tinham esses reatores inseridos e foram retirados de operação, foram: 959, 964, 995. Outra medida fundamental foi na alteração de alguns TAPs dos transformadores, considerando que apenas com a saída dos reatores compostos nas barras anteriormente mencionadas, não foram suficientes eliminar as sobtensões. Essa alteração de TAP foi feita em todos os transformadores da região A, mantendo 38 / 52 uma proporção entre barras que tinham mais de um trafo conectado a elas, com isso, foram eliminados todos os problemas de violações nessa região. A tabela a seguir mostra os novos valores de tensões após os ajustes realizados na área A para as barras que estavam com subtensão, onde todas as mesmas ficaram com os níveis de tensão dentro dos limites aceitáveis. Tabela 20: Tensões corrigidas dentro dos limites aceitáveis. Nome da Barra Base Tensão (kV) Intervalo de Limite de Tensão (p.u.) Tensão Operação (p.u.) 938 Blumenau-500 500.0 0.950 - 1.048 0.970 964 Caxias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.972 895 Bateias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.953 959 Curitiba-500 500.0 0.950 - 1.048 0.951 976 Gravataí-500 500.0 0.950 - 1.048 0.967 Número da Barra Fonte: Autoria própria 3.3.2.2. AJUSTES DE TENSÕES – ÁREA B Parra a área B foram apresentadas três barras com violações referentes a sobretensão, como já dito, essa região tem um alto excedente de geração ao ser comparada com as cargas no que justifica casos de sobretensões em algumas barras. O nível de tensão dessas barras é de 230 kV, onde tem geração conectada a barra 1047. Foram utilizados dois diferentes métodos para realizar a mitigação, um deles continuou sendo o ajuste de TAP, o TAP alterado foi do transformador que fica entre a barra 933 e 934 e do transformador que fica entre a barra 896 e 2458. Porém, não foi suficiente para baixar os níveis de tensões das barras e deixar dentro do dos limites de operação (pu). A partir disso foi necessário mudar a tensão da barra 919 (PV) que está sob a tensão de 13,8 kV, foi diminuída a tensão dessa barra respeitando seus limites para que ela fornecesse menos reativos para o sistema, a partir disso as tensões das barras próximas iriam diminuir resultando em níveis agradáveis e dentro do limite de operação desejado. A tabela a seguir mostra os novos valores de tensões após ajustes das barras que antes estavam com sobretensões. 39 / 52 Tabela 21: Tensões corrigidas dentro dos limites aceitáveis. Número da Barra Base Tensão Nome da Barra (kV) Intervalo de Tensão Operação Limite de (p.u.) Tensão (p.u.) 934 Areia-230 230.0 0.950 - 1.050 1.005 1047 SaltoOsó-230 230.0 0.950 - 1.050 1.035 898 FozChopi-230 230.0 0.950 - 1.050 1.022 939 Blumenau-230 230.0 0.950 - 1.050 1.038 934 Areia-230 230.0 0.950 - 1.050 1.005 Fonte: Autoria própria 3.3.3. ANÁLISE DO CENÁRIO CARGA PESADA No cenário de carga pesada do sistema base, foram identificados problemas de subtensão na área A e sobretensão na área B. Essas violações nos níveis de tensão comprometem a qualidade do fornecimento de energia e exigem medidas corretivas para evitar impactos negativos na operação do sistema elétrico. A área A apresentou diversas barras operando abaixo do limite mínimo aceitável, caracterizando um problema de subtensão. Esse fenômeno ocorre devido ao alto carregamento do sistema, que provoca quedas de tensão ao longo das linhas e transformadores, além da baixa margem de suporte reativo disponível. Como a geração nessa área já está próxima do seu limite máximo, a relação entre geração e carga se torna desfavorável, resultando em níveis de tensão reduzidos. Esse comportamento é especialmente crítico em barras que concentram grandes quantidades de carga, tornando-as vulneráveis a variações nos fluxos de potência e na distribuição de potência reativa. A área B apresentou sobretensão em algumas barras, resultado do excesso de geração em relação ao consumo. Como essa região gera mais potência ativa do que consome, há um acúmulo de potência no sistema, elevando as tensões em algumas barras críticas. Além disso, a presença de bancos shunt de reatores pode contribuir para esse aumento de tensão, pois, dependendo do ajuste, podem estar inserindo reativos em excesso no sistema. O excesso de potência na área B precisa ser exportado para outras regiões, mas a limitação na capacidade de escoamento pode levar ao acúmulo de tensão nas barras locais. A principal diferença entre as duas áreas está no equilíbrio entre carga e geração. Na área A, a alta demanda associada a uma geração próxima do limite máximo resulta em quedas de tensão. Já na área B, o excesso de geração provoca elevações nos níveis de tensão, que ultrapassam os limites operacionais aceitáveis. Esse comportamento 40 / 52 evidencia a necessidade de ajustes para manter o sistema dentro dos padrões operacionais adequados. Entre as medidas possíveis para mitigar esses problemas estão a remoção de bancos shunt de reatores na área A para reduzir o consumo de potência reativa e elevar as tensões, ajustes nos taps dos transformadores para redistribuir a potência reativa e mudanças nos níveis de tensão das barras PVs para controlar a injeção de reativos no sistema. 3.3.4. SAÍDA DE ATIVOS Nesse tópico será estudado o comportamento do sistema para a saída de ativo na região A e na região B. 3.3.4.1. • SAÍDA DE ATIVO NA ÁREA A Caso base Para fazer a análise quando o sistema estar operando em n-1 devido a saída de operação de um ativo, foi escolhido um dos transformadores que estão entre as barras 956 (Curitiba-500) e 960 (Curitiba-230). O critério utilizado foi justamente pelo fato de os transformadores estarem operando próximos da sua capacidade máxima, onde uma possível saída de operação de algum desses ativos pode causar violações que não são interessantes para o bom funcionamento do sistema. Considerando a saída do transformador para o caso base, onde o caso já estava com problemas de sobtensões em barras na área A, a saída aumentou a violação desses níveis de tensões, provocando uma diminuição ainda maior nas tensões das barras. Uma explicação para o ocorrido se resume justamente em um aumento na impedância do trecho, como a tensão em uma barra é influenciada pela queda de tensão da rede, se a impedância aumentar a queda de tensão também será maior. Além disso, como as linhas transportam potência ativa e reativa, a perda de uma linha pode impactar diretamente no fluxo de reativo fazendo com que seja diminuído e causando queda de tensões nas barras. Segue abaixo uma tabela com os dados de problemas de tensões na área A referente ao caso base sem alteração e com a saída da linha. 41 / 52 Tabela 22: Tensões abaixo dos limites aceitáveis. Nome da Barra Base Tensão (kV) Intervalo de Limite de Tensão (p.u.) Tensão Operação (p.u.) 938 Blumenau-500 500.0 0.950 - 1.048 0.941 964 Caxias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.924 895 Bateias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.923 959 Curitiba-500 500.0 0.950 - 1.048 0.920 976 Gravataí-500 500.0 0.950 - 1.048 0.920 Número da Barra Fonte: Autoria própria Tabela 04: Tensões abaixo dos limites para o caso sem o trafo N° da Barra Nome da Barra Base Tensão Intervalo de Limite Tensão Operação (kV) de Tensão (p.u.) (p.u.) 959 Curitiba-500 500.0 0.950 - 1.048 0.906 895 Bateias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.910 976 Gravataí-500 500.0 0.950 - 1.048 0.915 964 Caxias-500 500.0 0.950 - 1.048 0.919 938 Blumenau-500 500.0 0.950 - 1.048 0.929 960 Curitiba-230 230.0 0.950 - 1.050 0.943 Fonte: Autoria própria Figura 18: com o transformador. Figura 17: sem o transformador. Fonte: Autoria própria. 42 / 52 • Caso ajustado Analisando agora o comportamento das tensões para o caso ajustado, considerando que o sistema estava operando dentro dos limites de operação aceitáveis, a queda de um transformador causou subtensão em duas barras, isso significa que os ajustes antes realizados foram fundamentais para que outras barras não ficassem com problemas, considerando que o sistema estava com uma margem de reativos legal e as tensões das barras em níveis mais adequados para operação. A próxima tabela mostra as barras que apresentaram subtensões mesmo com os ajustes realizados referente ao caso base fornecido. Tabela 23: Comparação das tensões para o caso ajustado. Númer o da Barra 895 959 Nome da Barra Bateias500 Curitiba500 Base Tensão (kV) Limite de Operação (p.u.) Tensão Operação (p.u.) Ajustado Normal Tensão Operação (p.u.) - Ajustado Sem o Trafo 500.0 0.950 - 1.048 0.953 0.942 500.0 0.950 - 1.048 0.951 0.940 Fonte: Autoria própria Antes da saída de um dos transformadores, ambos estavam operando próximo do seu carregamento máximo, para o caso base em que apresentava inúmeras violações referente aos limites de operações e para o caso com essas violações mitigadas apresentaram sobrecarga no transformador devido a saída do que estava paralelo a ele, como o fluxo de potência no trecho aumentou e esse fluxo é superior a capacidade nominal e de emergência do transformador, foi ocasionada a violação. Tabela 24: Carregamento após a saída de um trafo. BARRA BARRA DE PARA 959 960 CAPACIDADE CAPACIDADE CARREGAMENTO CARREGAMENTO NORMAL EMERGÊNCIA – AJUSTADO – BASE (MVA) (MVA) (MVA) (MVA) 672 806 1188.9 1182.2 Fonte: Autoria própria 43 / 52 Tabela 25: Margem de carregamento acima da capacidade. MARGEM BASE (%) 47.5 MARGEM AJUSTADO (%) 46.7 Fonte: Autoria própria O motivo do carregamento se resulta na distribuição do fluxo de potência dividida pelos dois transformadores, onde ambos têm a mesma capacidade. A saída de operação de um dos dois irá provocar uma sobrecarga no outro, justamente devido ao fluxo passar pelo trafo que se manteve em operação. O caso ajustado teve um valor de carregamento um pouco menor devido aos ajustes que foram feitos para o controle dos níveis de tensões. 3.3.4.2. SAÍDA DE ATIVO NA ÁREA B Para a saída de um ativo na área B foi escolhido a LT 1047 (SaltoOsó-230) – 898 (FozChopi-230), o fluxo que passava por essa linha era de 229.9 MVA e quem a partir da contingência esse fluxo irá se distribuir pelas outras linhas conectadas a barra 1047. • Caso base O caso base disponibilizado já apresentavam problemas de tensões, mas devido a saída da LT o sistema teve um comportamento diferente ferente aos níveis de tensões que apresentava. A barra 898, que inicialmente estava com sobretensão, voltou a operar dentro dos limites aceitáveis após a contingência. Isso aconteceu porque, antes da falha, a geração na área B era superior à carga, fazendo com que a energia em excesso elevasse a tensão dessa barra. Com a nova redistribuição do fluxo, parte desse excesso foi deslocada para outras partes do sistema, reduzindo a injeção de potência na barra 898 e, consequentemente, diminuindo sua tensão para um nível adequado. Na barra 896 ocorreu uma subtensão, com a perda de um elemento do sistema, a potência que antes seguia um caminho foi redirecionada, aumentando a demanda em outras partes da rede. Esse novo fluxo impôs maior carregamento sobre algumas linhas e transformadores, elevando as perdas elétricas e reduzindo a tensão em determinadas barras, como a 896, que agora apresenta subtensão devido à maior retirada de potência e à menor capacidade de suporte da rede nessa nova configuração. 44 / 52 Figura 19: com a linha. Figura 20: sem a linha. Fonte: Autoria própria. • Caso ajustado O sistema base apresentava violações em diversas barras, essas violações foram ajustadas a partir TAP e bancos shunts disponíveis no sistema, onde não foi preciso fazer nenhum tipo de investimento para ter o controle dos níveis de tensões. Analisando o sistema ajustado com a queda da linha. Com a saída dessa LT, ocasionou subtensão em algumas barras. Com a geração superior à carga, a redistribuição do fluxo de potência levou a maiores quedas de tensão, especialmente em regiões com menor suporte de potência reativa. Figura 22: com a linha. Figura 21: sem a linha. Fonte: Autoria própria. A tabela a seguir mostram as barras que antes foram ajustas e com a saída da linha tiveram novos problemas. Tabela 26: Tensões corrigidas dentro dos limites aceitáveis. Número da Barra Nome da Barra Base Intervalo de Limite Tensão Operação Tensão (kV) de Tensão (p.u.) (p.u.) 896 CascDoOe-500 500.0 0.950 - 1.048 0.949 839 Calcavel-230 230.0 0.950 - 1.050 0.917 898 FozChopi-230 230.0 0.950 - 1.050 0.873 934 Areia-230 230.0 0.950 - 1.050 1.005 Fonte: Autoria própria 45 / 52 Sobrecarga do transformador ocorreu porque, com a saída da linha, houve um desvio do fluxo de potência para outros caminhos disponíveis, forçando o transformador a transportar mais potência do que sua capacidade nominal em MVA. Tabela 27: Carregamento após a saída de um trafo. BARRA DE BARRA PARA 959 960 CAPACIDADE CAPACIDADE CARREGAMENTO CARREGAMENTO NORMAL EMERGÊNCIA – AJUSTADO – BASE (MVA) (MVA) (MVA) (MVA) 600 600 695.4 668.5 Fonte: Autoria própria Tabela 28: Margem de carregamento acima da capacidade. MARGEM BASE (%) 15.90 MARGEM AJUSTADO (%) 11.42 Fonte: Autoria própria 3.3.5. RESTRIÇÃO DE GERAÇÃO 3.3.5.1. RESTRIÇÃO DE GERAÇÃO NO GERADOR DA BARRA 915 (ÁREA A) Considerando uma perda de geração do gerador conectada a barra 915, onde o despacho de potência ativa caiu pela metade, saiu de 800 MW para 400 MW, percebese que os problemas de tensões agravaram, já que a geração da área A opera perto do seu limite máximo e com a diminuição de uma delas, a carga messa área passa a ser maior do ponto de vista que as gerações enxergam. Devido a isso, como o caso base já apresentava subtensão em barras da área A, a violação nas mesmas passou a ser mais críticas. Com a diminuição dessa geração de potência ativa, o fluxo que sai desse gerador será menor, algumas linhas terão o carregamento menor considerando que o fluxo que passa por elas é o fluxo que tem o mesmo sentido da saída do gerador. Quando o despache de potência do gerador diminui, o despacho de potência ativa do gerador da barra 800 aumenta, isso acontece devido a essa barra ser a barra de referência do sistema, ela irá tentar compensar a potência que o gerador deixou de gerar e com isso aumenta seu despacho. Analisando as linhas que o fluxo de potência segue o sentido do fluxo que sai do gerador da barra de referência, é possível perceber que esse fluxo aumenta conforme o aumento de potência desse gerador. Se o gerador 46 / 52 que teve perda de potência diminuir ainda mais o seu despache, o gerador da barra de referência irá aumentar o seu despache e as linhas anteriormente citadas terão um fluxo de potência maior passando sobre elas. O aumento do despache do gerador da barra de referência causa um pequeno aumento nos níveis de tensões das barras na área B, justamente pelo fato do fluxo de potência aumentar no transformador que interliga a área A com a área B. A tabela 29, mostra as violações a partir da perda do gerador presente na área A. Tabela 29: Violações de tensões. Nome da Barra Curitiba-500 Bateias-500 Gravataí-500 Caxias-500 Blumenau-500 SaltoOsó-230 Areia-230 Número da Intervalo dos Tensão (pu) Barra Limites (pu) 959 0.950 - 1.048 0.909 895 0.950 - 1.048 0.913 976 0.950 - 1.048 0.913 964 0.950 - 1.048 0.918 938 0.950 - 1.048 0.931 1047 0.950 - 1.050 1.058 934 0.950 - 1.050 1.080 Fonte: Autoria própria Situação Abaixo Abaixo Abaixo Abaixo Abaixo Acima Acima Considerando o caso ajustado, com a diminuição da potência de despache do gerador os problemas de tensões nas barras foram bem menores, apenas a barra 959 e 895 apresentaram problemas de subtensão devido a já estarem operando perto do nível mínimo aceitável. 3.3.5.2. RESTRIÇÃO DE GERAÇÃO NO GERADOR DA BARRA 810 (ÁREA B) Com a perda total da potência ativa do gerador da barra 810, percebe-se que as barras que estavam com sobretensão (considerando o caso base), tiveram uma redução significativa nesses níveis de tensões, como a geração é menor, o excedente de geração que tinha na área B também será menor. Apesar dessa redução acontecer, não foram suficientes para as barras operarem dentro dos limites aceitáveis de operação. A perda da geração também influência as tensões das barras da área A, como a geração é maior na área B uma parcela do fluxo irá tomar direção para área A e como esse fluxo diminui, as tensões das barras da área A também diminuem, vale ressaltar que essas barras já estavam com subtensões e com isso o caso se agravou mais. 47 / 52 Como o despache de potência ativa foi completamente perdida no gerador da barra 810, o gerador da barra de referência (barra 800) aumenta, justamente para compensar a potência ativa que foi perdida. Com o aumento do despache da barra 800, o fluxo de potência das linhas que tem a mesma direção do fluxo proveniente do gerador também aumenta. Por mais que ouve aumento do fluxo saindo desse gerador, não foi suficiente para causar problemas de sobrecargas nas linhas do sistema, especialmente na área A, que é onde encontra-se a barra de referência. A tabela 30, mostra os valores das violações de tensões a partir da perda do gerador presente na área B. Nome da Barra Curitiba-500 Bateias-500 Blumenau-500 Gravataí-500 Caxias-500 Areia-230 SaltoOsó-230 Tabela 30: Violações de tensões. Número da Intervalo dos Limites Tensão (pu) Barra (pu) 959 0.950 - 1.048 0.901 895 0.950 - 1.048 0.904 938 0.950 - 1.048 0.925 976 0.950 - 1.048 0.934 964 0.950 - 1.048 0.939 934 0.950 - 1.050 1.071 1047 0.950 - 1.050 1.055 Fonte: Autoria própria Situação Abaixo Abaixo Abaixo Abaixo Abaixo Acima Acima Considerando a perda de geração para o caso ajustado em que todos as tensões das barras estavam operando dentro dos limites aceitáveis, ao perder a geração da barra 810 algumas barras entraram em subtensão justamente por estarem operando próximo dos limites mínimos. Como esse cenário a carga é alta, o excesso de geração é menor em que implica nas condições das cargas estarem com valores de potências próximas dos valores das gerações e com a perda da geração, ocorrerá subtensão em algumas barras do sistema. 3.3.6. AUMENTO DE CARGA EM 15% - CENÁRIO CARGA PESADA Para o aumento de carga de 15% considerando a potência das cargas já existentes no caso no cenário de carga pesada, foi preciso considerar o caso ajustado, visto que com o aumento de carga no sistema iria provocar mais violações nos níveis de tensões e consequentemente o caso não ia convergir e não seria possível incrementar os 15% de aumento em todas as cargas. Os ajustes das potências das cargas foram feitos uma por vez, na medida que a potência ia aumentando problemas iriam aparecendo no sistema, principalmente na 48 / 52 área A, já que a geração dessa área está próxima do seu limite máximo o que possibilita a carga ser maior do que a geração quando as cargas estiverem com suas potências alteradas, devido a isso novos problemas de subtensões foram surgindo nessa área, o que limitava o incremento do aumento das outras cargas. Foi necessário realizar ajustes para controlar os níveis de tensões e deixar os mesmos dentro dos limites aceitáveis de operação, esses ajustes foram feitos principalmente em bancos shunts de reatores para que eles passassem a não consumir reativos do sistema, outro ajuste importante foi nos TAPs dos transformadores, vale ressaltar que foi preciso alterar todos os TAPs dos mesmo composto na área A. Para cada aumento de potência em determinada carga, foram feitos ajustes para controlar as tensões, dessa forma o sistema convergia e foi feito o incremento dos 15% em todas as cargas. 3.3.6.1. VIOLAÇÕES ENCONTRADAS Apesar de conseguir aumentar a potência, não foi possível deixar o sistema operando dentro dos limites aceitáveis de tensões e carregamento, o sistema ficou sem recurso disponível para o controle das tensões em diversas barras, onde será necessário definir uma solução de mitigação dessas sobtensões que ficaram presentes. Outra violação encontrada foi no carregamento do transformador que faz conexão do barramento CascDoOe-500 (896) e Cascavel-230 (2458), essa violação foi causada justamente pelo aumento da potência da carga conectada no barramento de Cascavel230 (2458), onde o fluxo de potência foi maior do que a capacidade máxima do transformador considerando o carregamento em estado normal. A área B não ficou com violações nos níveis de tensão devido ao aumento da carga compensar a geração que tinha em excesso. A tabela 31 mostra as violações encontradas nos limites de tensões após todas as cargas estarem com suas potências alterada. Nome da Barra Blumenau-500 Curitiba-500 Bateias-500 Gravataí-500 Caxias-500 Tabela 31: Violações de tensões. Número da Limite Inferior Barra (pu) 938 0.950 959 0.950 895 0.950 976 0.950 964 0.950 Fonte: Autoria própria Tensão (pu) 0.908 0.911 0.915 0.920 0.929 49 / 52 BARRA DE BARRA PARA 896 2458 3.3.6.2. Tabela 32: Violações de tensões. CAPACIDADE CAPACIDADE EMERGÊNCIA NORMAL (MVA) (MVA) 600 600 Fonte: Autoria própria CARREGAMENTO – AJUSTADO (MVA) 709.3 AÇÕES DE MITIGAÇÃO Para mitigar os níveis de subtensões sugere-se o incremento de dois bancos de capacitores para aumentarem a margem de reativos na área A possibilitando um aumento nas tensões das barras. A conexão de um banco shunt de capacitor na barra 895 iria influenciar no aumento de tensão da barra 959 e na barra 938, todas três com subtensão no momento, barra 895 foi escolhida para a sugestão justamente pelo fluxo tomar o sentido das outras barras. A outra barra sugerida seria a 964, onde iria compor o aumento de tensão na barra 976 (ambas com subtensão) justamente devido ao sentido do fluxo. Em relação a violação no transformador, como o fluxo foi maior do que sua capacidade máxima de carregamento, sugere-se a troca do transformador para um com potência nominal de 806 MVA, potência maior do que o carregamento no momento, justamente para ter uma folga em casos de novos aumentos de carga. 50 / 52 5. CONCLUSÕES A análise dos três cenários de carga – leve, média e pesada – evidenciou diferentes desafios operacionais no sistema elétrico. No caso de carga leve, o problema predominante foi a sobretensão, especialmente na área B, onde o excesso de geração elevou os níveis de tensão em algumas barras. Para corrigir isso, foi necessário desativar bancos de capacitores shunt e ajustar os taps dos transformadores. No cenário de carga média, as sobretensões ainda estavam presentes, mas em menor intensidade, sendo necessário realizar ajustes similares para manter as tensões dentro dos limites operacionais. No cenário de carga pesada, o comportamento do sistema mudou significativamente, com a área A apresentando subtensões devido ao alto carregamento das linhas e transformadores, enquanto a área B continuou registrando sobretensões devido ao seu excedente de geração. A correção das violações exigiu a remoção de reatores shunt e novos ajustes nos taps dos transformadores. Além disso, a análise da saída de ativos mostrou que a perda de equipamentos críticos pode agravar as violações de tensão e sobrecarregar outros componentes, comprometendo a operação segura do sistema. A restrição na geração evidenciou a dependência entre as áreas do sistema, pois a limitação de potência na área A aumentou a necessidade de importação da área B, sobrecarregando algumas linhas. Por outro lado, a restrição na geração da área B reduziu o intercâmbio de potência, exigindo maior despacho da barra de referência. Esses resultados destacam a complexidade do gerenciamento do fluxo de potência e a importância de medidas corretivas rápidas para garantir a estabilidade, confiabilidade e eficiência da operação do sistema elétrico. 51 / 52 6. REFERÊNCIAS GLOVER, J. Duncan; OVERBYE, Thomas J.; SARMA, Mulukutla S. Power System Analysis & Design. 6th ed. Boston: Cengage Learning, 2017. 52 / 52
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