Instalações Hidráulicas e Prediais Instalações prediais de água quente Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Eduarda Pereira 1ª Edição Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Sumário Instalações prediais de água quente Para Início de Conversa... ................................................................................ 4 Objetivo .......................................................................................................... 4 1. Sistemas de produção e distribuição de água quente ..................... 5 2. Estudo de vazões e dimensionamento das instalações ................... 11 3. Tipos de aquecedores e detalhes construtivos Referências ................................ 13 ......................................................................................................... 18 Instalações Hidráulicas e Prediais 3 Para Início de Conversa... Objetivo As instalações prediais de água quente são uma derivação das instalações prediais de água fria, que fornecem o abastecimento de água em temperaturas superiores à temperatura ambiente. Representam a melhoria das condições de conforto das habitações, assim como podem atender hospitais, laboratórios, cozinhas, lavanderias e outros. ▪ Apresentar a concepção do sistema de água quente predial e sua fonte geradora. ▪ Dimensionar o consumo predial e ramais. ▪ Apresentar tipos de aquecedores e detalhes construtivos. O projeto dessas instalações deve atender aos requisitos estabelecidos pela NBR 5626 - Sistemas prediais de água fria e água quente: projeto, execução, operação e manutenção. O projetista deve especificar o tipo de aquecimento a ser utilizado, em que as principais fontes de energia são os combustíveis e a energia, seja elétrica ou solar. A partir disso, são especificados os sistemas de aquecimento. Cada sistema possui arranjos e operações específicas, sendo importante que o profissional, ao projetar essas instalações, compreenda todas as características. O tipo de aquecimento adotado depende de diversos fatores como o tipo de edificação, das características do projeto arquitetônico, do consumo de energia, dos custos e de outros aspectos. Instalações Hidráulicas e Prediais 4 1. Sistemas de produção e distribuição de água quente O fornecimento de água quente representa a melhoria nas condições de conforto e higiene das edificações. Além disso, a sua disponibilidade não está relacionada apenas ao conforto, podendo ser utilizada nas operações em hospitais, laboratórios, lavanderias, hotéis, restaurantes e outros. Como água quente, entende-se a água potável fornecida a temperaturas superiores à temperatura do ambiente, aquecida por meio artificial (ABNT, 2020). A temperatura com que a água é fornecida se deve ao tipo de uso a que se destina. Veja, na Tabela 1, as principais faixas utilizadas: Uso pessoal em banhos ou higiene 35 ºC a 50 ºC Cozinhas 60 ºC e 70 ºC Lavanderias 75 ºC a 85 ºC Finalidades médicas 100 ºC Tabela 1: Principais usos de água quente. Fonte: Carvalho Júnior (2020, p. 140). Instalações Hidráulicas e Prediais As instalações prediais de água quente são uma derivação das instalações de água fria, sendo formadas por um conjunto de tubos, reservatórios, peças de utilização, equipamentos e outros componentes destinados a produzir, eventualmente, armazenar e conduzir água quente da fonte geradora aos pontos de utilização (ABNT, 2020). O sistema de água quente é formado pelos seguintes componentes: tubulação de água fria que alimentam o sistema de água quente; aquecedores, que podem ser de passagem (ou de acumulação; dispositivos de segurança; tubulação de distribuição de água quente e as peças de utilização (CARVALHO JÚNIOR, 2020). O projeto e as especificações dessas instalações devem ser realizados com base nos requisitos estabelecidos pela NBR 5626 - Sistemas prediais de água fria e água quente: projeto, execução, operação e manutenção (ABNT, 2020), que também trata das instalações prediais de água fria. Dessa forma, os requisitos, documentações e características necessários para as instalações de água quente de água quente são os mesmos exigidos para as instalações prediais de água fria. Na elaboração do projeto das instalações prediais de água quente, deve-se utilizar uma fonte de energia compatível com a região em que será localizada a edificação, assim como utilizar soluções de custos, manutenção e operação compatíveis com o custo de instalação do sistema. As operações de aquecimento de água representam uma parte considerável do uso de energia em uma edificação, em função disso é 5 necessário que o tipo de aquecimento seja considerado no planejamento da obra para evitar desperdício de energia e consequentemente, transtornos aos usuários (CARVALHO JÚNIOR, 2020). ▪ ar quente: presente em paredes próximas a fornos industriais, onde o aquecimento da água ocorre por meio de serpentinas próximas ao forno. A produção de água quente está relacionada com a transferência das calorias necessárias para que a água atinja a temperatura desejada de uma fonte de calor. Isso pode ocorrer diretamente pelo contato do agente aquecedor com a água como nos aquecedores elétricos ou com vapor saturado, assim como indiretamente por efeito da condução térmica por meio do aquecimento de elementos que ficarão em contato com a água. A quantidade de calor necessária para que ocorra o aquecimento pode ser adquirida por diversas fontes de energia térmica como (MACYNTIRE, 2020): O abastecimento de água quente pode ocorrer por meio de três sistemas, cuja eficiência depende de diversos fatores que influenciam a produção, distribuição e uso da água (ABNT, 2020). Cabe ao projetista estudar a viabilidade da solução adotada. Podem ser utilizados os seguintes sistemas (CARVALHO JÚNIOR, 2020; VERÓL; VAZQUEZ; MIGUEZ, 2021): ▪ combustíveis sólidos: neste grupo encaixam-se o carvão vegetal, mineral e a lenha; ▪ combustíveis líquidos: com o uso de óleo combustível, óleo diesel, querosene e álcool; ▪ combustíveis gasosos: como gás de rua obtido da hulha, craqueamento de óleos ou do nafta de petróleo, gás liquefeito de petróleo-GLP, gás natural de poços e gás de biodigestores; ▪ energia elétrica: com o aquecimento de resistências elétricas; ▪ Energia solar: com o uso de aquecedores solares; ▪ vapor: com o aproveitamento do vapor de caldeira, conduzido por serpentinas imersas na água; Instalações Hidráulicas e Prediais ▪ Sistema de aquecimento individual: este tipo de sistema consiste na alimentação de apenas um ponto de utilização, como o chuveiro e a torneira elétrica, sem a necessidade de uma rede de água quente. Pode também ser local, com a alimentação de um único compartimento sanitário por meio de pequenos aquecedores elétricos ou a gás, sendo estas as principais fontes de energia utilizadas. Os aquecedores elétricos utilizam eletricidade, que é ativada pelo fluxo da água, por sua vez os aquecedores a gás possuem um queimador, acionado por uma chama-piloto quando ocorre a passagem do fluxo da água. Para esses aquecedores, a alimentação de água fria é realizada de forma conjunta com os demais aparelhos, não sendo necessária uma coluna individual. Por sua vez, para os aquecedores a gás é necessário o uso de um exaustor para os gases provenientes da combustão. 6 Dessa forma, o aparelho que gera calor está situado no próprio ponto de utilização, assim não há uma rede de distribuição de água quente. Veja, na Figura 1, o exemplo de distribuição de água fria e água quente em um banheiro. ▪ Sistema central privado: este tipo de sistema atende uma unidade habitacional, assim possui uma rede de tubulações que distribui a água aquecida para os pontos de utilização em cozinhas, banheiros ou áreas de serviço. O tipo de aquecedor mais utilizado para estes casos é o de acumulação. As principais fontes de energia utilizadas são o gás, eletricidade, óleo combustível, lenha e energia solar. A distribuição da água em um sistema central privado é realizada por meio de ramais que fazem a condução da água do equipamento de aquecimento até os pontos de utilização, o trajeto da água deve ser o mais curto possível com as tubulações devidamente isoladas. RG Entrada de AF CH Saída de AQ Aquecedor RP RP AQ AF RG BCA LV AQ LV AF AF Figura 1: Rede de distribuição de água fria e água quente em um banheiro. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 143). Sistema central coletivo: esse tipo utiliza um conjunto de aquecimento para alimentar várias unidades habitacionais ou comércios. O aquecedor é conectado a uma rede de tubulações que conduzem a água quente aos pontos de utilização nas unidades atendidas. Geralmente, são empregadas caldeiras que são equipamentos destinados a produzir e acumular vapor sob pressões superiores à atmosférica, tendo como principais fontes energéticas o gás combustível e a eletricidade. Instalações Hidráulicas e Prediais 7 É de grande importância que no referido sistema haja reserva de parte do volume de água a ser consumido em reservatório apropriado, assim gerador e reservatório podem ser localizados de forma conjunta ou não, dependendo das condições do ambiente, uma vez que são equipamentos de grande porte. Geralmente o sistema de aquecimento situa-se na parte inferior do edifício e o reservatório na parte superior (Figura 2). Reservatório superior Ventilação Pontos de consumo Barrilete superior Geradora de água quente Bomba de recirculação Figura 2: Esquema de um sistema central coletivo. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 144). Instalações Hidráulicas e Prediais A caldeira é abastecida por uma coluna exclusiva, em função da necessidade de vazão elevada. Após aquecida, a água é distribuída por um barrilete de distribuição, de onde derivam as colunas de água quente. No próximo tópico, será abordada a distribuição de água quente de edificação. Distribuição As tubulações utilizadas para a distribuição de água quente devem ser independentes das instalações de água fria, porém o traçado da rede tem os mesmos critérios destas instalações. O traçado deve prever um percurso breve das tubulações com o intuito de minimizar perdas térmicas (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Outros pontos importantes a serem considerados são a previsão de registros de gaveta no início de cada coluna de distribuição e registros de bloqueio de fluxo nos aparelhos. Além disso, o ponto de utilização de água quente deve ser convencionalmente localizado à esquerda do ponto de água fria, na vista frontal de quem irá utilizar determinado aparelho. Os sistemas de produção central de água quente utilizam uma rede de distribuição para o abastecimento dos pontos de utilização, diferentemente do sistema individual. Assim, a distribuição pode ocorrer da seguinte forma (MACYNTIRE, 2017): 8 ▪ Distribuição sem circulação: consiste em uma tubulação principal que possui uma derivação em cada pavimento para a alimentação dos aparelhos. A desvantagem desse tipo de distribuição consiste na espera em esvaziar o ramal até que se obtenha água, em função do não isolamento térmico da tubulação o que faz com que haja dissipação de calor no período em que a água não é utilizada, sendo necessário aguardar um novo aquecimento. ▪ Distribuição com circulação: consiste na circulação constante da água quente pela tubulação pelo princípio do termossifão e quando necessário com o auxílio de bombas de circulação, quando não há o bombeamento ocorre um maior gasto dos combustíveis, tendo em vista que a água deve ser aquecida em temperaturas mais elevadas. Este tipo de circulação pode ser realizada de acordo com três tipos de sistemas. 1. Sistema ascendente: neste sistema a água quente proveniente do armazenamento sobe pelas colunas e deriva para as ramificações dos aparelhos presentes em cada pavimento. Posteriormente, na cobertura da edificação é instalada uma tubulação de retorno da água quente para o armazenamento. Veja o exemplo na Figura 4. Ventosa AF Ladrão Barrilete Válv. segurança Retorno Alimentação do storage e da caldeira VR VR Vapor Caldeira Água fria Água quente Figura 4: Sistema de distribuição ascendente. Fonte: MACYNTIRE (2020, p. 194). Instalações Hidráulicas e Prediais 9 Suspiro ou ventosa Barrilete de água quente Barrilete de água fria Coluna de distribuição Recalque de água quente Aliment. de água fria p/ o storage 2. Sistema descendente ou por gravidade: neste sistema a água do armazenamento é transportada para um barrilete disposto na cobertura da edificação, a partir do qual derivam as colunas de alimentação dos pavimentos. Essas colunas agrupam-se no pavimento onde se localiza o armazenamento para abastecêlo com a água que não foi consumida. É utilizada uma bomba de circulação junto ao barrilete que fornece a energia para compensar possíveis perdas de carga e permitir a circulação contínua da água em velocidades adequadas. Esse tipo de sistema é muito empregado nos edifícios pois representa a redução de gastos com tubulações. Veja o exemplo desse sistema na Figura 5. Retorno Água quente VS s Visor de nível Storage Água quente Bomba de circulação Caldeira Tanque de expansão (pulmão) Figura 5: Sistema de distribuição descendente. Fonte: MACYNTIRE (2020, p. 195). 3. Sistema misto ou circuito fechado: neste sistema é necessário que os aparelhos de utilização estejam na mesma prumada, estes são Instalações Hidráulicas e Prediais 10 ligados em andares alternados tanto à tubulação ascendente quanto descendente. A tubulação de retorno liga-se ao tubo ascendente em uma posição um pouco abaixo da parte mais elevada da coluna, por sua vez a tubulação de retorno é ligada a um barrilete inferior que conduzirá a água não utilizada de volta para o armazenamento. Veja o exemplo deste sistema na Figura 6. Suspiro ou ventosa 2. Estudo de vazões e dimensionamento das instalações O dimensionamento das instalações prediais de água quente deve ser realizado de forma análoga às instalações prediais de água fria, considerando as vazões, pressões e diâmetros utilizados. Da mesma forma, para a determinação das vazões, é utilizado o método do consumo máximo provável, também conhecido como método dos pesos relativos, em que são determinadas as somas dos pesos de cada peça atendida por um determinado trecho de tubulação (VERÓL; VAZQUEZ; MIGUEZ, 2020). Veja na tabela abaixo a estimativa de pesos relativos de acordo com a peça de utilização. V. retenção V. segurança s Tanque de expansão Figura 6: Sistema de distribuição misto. Fonte: Adaptado de MACYNTIRE (2020, p. 195). Instalações Hidráulicas e Prediais No próximo tópico, você será apresentado ao dimensionamento das instalações de água quente. Peça de utilização Peso relativo Banheira 1,0 Bidê 0,1 Chuveiro 0,4 Lavatório 0,3 11 Pia de cozinha 0,7 Lavadora de louças ou roupas 1,0 Onde: ▪ Q: vazão estimada, em L/s; ▪ ∑P: Soma dos pesos relativos de todas as peças de utilização alimentadas pela trecho da tubulação. Tabela 2: Pesos relativos das peças de utilização Fonte: Adaptado de VERÓL; VAZQUEZ; MIGUEZ (2021); CARVALHO JÚNIOR (2020). O dimensionamento dos ramais e sub-ramais é realizado com base na soma dos pesos relativos das peças alimentadas por estas tubulações, primeiramente, pode ser utilizado o ábaco simplificado válido para somas que vão de 0 a 35. Veja a seguir: Soma dos pesos 0 ⇔ 0,6 ⇔ 2,9 ⇔ 8,2 ⇔ 18 ⇔ 35 O dimensionamento das tubulações deve ser realizado de forma cuidadosa, pois o superdimensionamento poderá ocasionar a demora da chegada de água quente aos pontos de consumo e consequentemente, o resfriamento da água (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Além disso, os diâmetros mínimos recomendados dos sub-ramais estão dispostas na tabela 4. Peças de utilização Diâmetro mínimo (mm) ∅ Soldável (mm) 15 22 28 35 42 Banheira 15 ∅ Roscável (pol.) 1/2 3/4 1 1 1/4 1 1/2 Bidê 15 Chuveiro 15 Lavatório 15 Pia de cozinha 15 Pia de despejo 20 Lavadora de roupa 20 Tabela 3: Ábaco simplificado. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 167). Para edificações de múltiplos pavimentos, é recomendado utilizar o mesmo nomograma das instalações de água fria que correlaciona as vazões e os pesos relativos para a determinação do diâmetro. Dessa forma, a vazão é determinada tal qual para instalações de água fria, de acordo com a equação a seguir: Instalações Hidráulicas e Prediais Tabela 4: diâmetro mínimo dos sub-ramais Fonte: MACYNTIRE (2020, p. 186). 12 Da mesma forma, devem ser atendidas as pressões máximas e mínimas estabelecidas pela NBR 5626 (ABNT, 2020). Sendo a pressão estática máxima de 400 kPa ou 40 m.c.a e a pressão dinâmica mínima de 10 kPa ou 1 m.c.a. Além disso, as perdas de carga assim como a velocidade de escoamento da água seguem a mesma diretriz das instalações de água fria, com a adoção de velocidades que evitem o golpe de aríete. 3. Tipos de aquecedores e detalhes construtivos O aquecedor é o equipamento responsável pelo aquecimento da água, as instalações prediais de água quente utilizam diversos tipos como os de passagem ou de acumulação que podem ser elétricos ou a gás. Em função do consumo de energia, a NBR 5626 (ABNT, 2020) recomenda que sejam utilizados na instalação aqueles que possuam nível A no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) ou níveis similares. A referida norma também recomenda que nos sistemas de produção de água quente seja previsto o tipo de aquecimento a ser utilizado. ▪ Aquecedores de passagem: esse tipo de aquecedor não exige uso de um reservatório, aquece a água quando essa passa por ele, o que reduz o consumo de combustível. O aquecimento ocorre em uma câmara, sendo o processo iniciado quando é detectada a passagem da água. Podem ser citados como exemplos o chuveiro elétrico e a torneira elétrica, em que basta abrir o aparelho e a água corre aquecida. São muito utilizados para uso residencial por serem compactos e mais econômicos que os aquecedores de acumulação. Deve-se atentar ao número de pontos que devem ser utilizados de forma simultânea, geralmente indicado pelo fabricante do equipamento. Todo aquecedor de passagem necessita da pressão para o seu funcionamento, uma vez que é acionada pela água. Assim, para se ter o máximo de aproveitamento, é recomendada uma pressão de 10 m.c.a, para que todos os pontos sejam atendidos de forma satisfatória e sem perda do conforto térmico. Veja as características dos principais tipos de aquecedores (VERÓL; VAZQUEZ; MIGUEZ, 2021; CARVALHO JÚNIOR, 2020; MACYNTIRE, 2017): Instalações Hidráulicas e Prediais 13 Alimentação da caixa-d'água Aquecedor de água a gás Aparelho sanitário Peça de utilização Vazão (L/min) Chuveiro ducha Misturador 12 Chuveiro elétrico Registro de pressão 8 Lavatório Torneira ou misturador 6 Pia Torneira ou misturador 8 Água quente Tabela 5: Vazão de peças de utilização. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 157). Alimentação da caixa-d'agua Figura 7: Instalação de um aquecedor de passagem a gás. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 147). Um dos dados mais importantes a serem especificados para os aquecedores de passagem a gás é a sua vazão, que representa a quantidade de água que o aquecedor é capaz de aquecer por minuto. Sendo este dado considerado no dimensionamento, assim como a quantidade de pontos de consumo a serem atendidos e a vazão destas peças (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Veja na tabela a seguir a vazão de algumas peças de utilização. Instalações Hidráulicas e Prediais Exemplo: Dimensionar o aquecedor de passagem a gás para alimentar um lavatório e uma pia. Solução: a. Determinação da vazão dos aparelhos (Q) ▪ Lavatório: 6 L/min; ▪ Pia: 8 L/min. b. Determinação da vazão total (Qtotal) Qtotal = 6 + 8 = 14 L/min 14 c. Determinação da vazão necessária (Qnec) Qnec = Qtotal/2 = 14/2 = 7 L Nesses aquecedores, a água quente é misturada com a água fria. Dessa forma, considera-se a vazão necessária para o aquecedor apenas como a metade da vazão total. Assim, adota-se um modelo de aquecedor de passagem a gás que suporte uma vazão de 7 litros. ▪ Aquecedores de acumulação: esse tipo de aquecedor também é chamado de boiler, e possui um reservatório no qual a água acumulada é aquecida em um processo lento e constante. São equipados com um termostato que mantém a água aquecida, pois é acionado quando a temperatura cai abaixo de determinado nível. permitam a manutenção e o mais próximo possível dos pontos de consumo. A principal desvantagem desses aquecedores é o seu tamanho, pois são maiores que os de passagem. Principalmente, quando se trata de aquecedores de acumulação a gás, o uso só é justificado para edificações que consomem grande volume de água quente de forma simultânea. Além disso, é importante detalhar a sua localização no projeto arquitetônico, pois há a necessidade de ventilação permanente. Geralmente, quando instalados em edificações de múltiplos pavimentos, são alimentados por colunas independentes que servem aos aparelhos sanitários. São constituídos de um tambor interno em chapa de cobre, um tambor externo em chapa de aço e uma camada de material isolante como lã de vidro, disposta entre os dois tambores e comercializados com a capacidade de armazenamento de 50, 80, 100, 130, 150, 180, 200, 250, 300, 400 e 500 litros. Os aquecedores elétricos de acumulação fornecem água de forma imediata nas temperaturas desejadas, em um ou vários pontos de consumo simultaneamente. Assim, não dependem da pressão para o funcionamento, devem ser instalados em locais de fácil acesso que Instalações Hidráulicas e Prediais 15 Veja, na Figura 6, o exemplo de instalação de um aquecedor de acumulação. Aquecedor de acumulação (boiler) Válvula de alívio de pressão Coluna de alimentação de água fria Registro de gaveta Alimentação dos pontos de água quente A principal vantagem dos aquecedores elétricos é o fato de serem compactos e fáceis de instalar, dispensando tubulações. As desvantagens são: custo do kW, baixa pressão e pouca vazão de água. No dimensionamento dos aquecedores de acumulação, um dos dados mais importantes é a determinação da quantidade de usuários da instalação. Em residências, geralmente, considera-se duas pessoas em cada dormitório e uma pessoa no dormitório de funcionários, caso haja. Juntamente com a estimativa de consumo em função do tipo de edificação, é possível determinar o consumo diário de água quente da edificação. Veja a estimativa de consumo de acordo com o tipo de edificação na tabela. Cavalete ou sifão Figura 8: Instalação de um aquecedor de acumulação. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 151). Os aquecedores a gás apresentam duas grandes vantagens em relação aos aquecedores elétricos: melhor pressão de água que os similares elétricos e água quente para uso imediato. Como desvantagem, apresentam o risco de vazamento, se não forem seguidas determinadas especificações. Instalações Hidráulicas e Prediais Prédio Consumo (L/dia) Alojamento provisório de obra 24/pessoa Casa popular ou rural 36/pessoa Residência- aquecedor elétrico 45/pessoa Residência - aquecedor a gás 40/pessoa Apartamento 60/pessoa Quartel 45/pessoa Escola (internato) 45/pessoa 16 Hotel (sem incluir cozinha e lavanderia) 36/hóspede Hospital 125/leito Restaurante e similares 12/refeição Lavanderia 15/kg roupa seca Tabela 6: Estimativa de consumo de água quente. Fonte: CARVALHO JÚNIOR (2020, p. 140). Além do tipo de aquecedor mais adequado para a instalação, outros detalhes construtivos importantes de serem considerados são os materiais utilizados. Podem ser utilizadas as tubulações e conexões cobre, CPVC (policloreto de vinila clorado), PPR (polipropileno copolímero random) e PEX (tubos flexíveis de polietileno reticulado). O cobre é um dos materiais mais conhecidos em função da resistência a altas temperaturas, no entanto necessitam de revestimento térmico para reduzir a troca de calor com o ambiente e manter a água aquecida (CARVALHO JÚNIOR, 2020). rápida aos pontos de consumo. Outro material bastante utilizado é o PPR, considerado um dos melhores materiais, porém necessita de mão de obra especializada, em função do processo de termofusão. Neste capítulo, você pôde compreender as finalidades das instalações prediais de água quente, os requisitos estabelecidos pela NBR 5626, as fontes de energia utilizadas para a obtenção do calor necessário para o aquecimento da água. Além disso, foram apresentadas as características dos sistemas de aquecimento utilizados, assim como os tipos de distribuição, especificando os sistemas ascendentes, descendentes e misto. Foi apresentado, ainda, o dimensionamento das instalações que seguem os princípios das instalações de água fria. Você também conheceu os tipos de aquecedores utilizados e suas características e, por fim, os tipos de materiais mais empregados. De acordo com CARVALHO JÚNIOR (2020), o CPVC configura-se como um material mais vantajoso de ser empregado pois possui as mesmas propriedades do PVC com a vantagem de conduzir líquidos sob altas pressões e temperaturas, além de dispensar o uso de isolamento térmico e mão de obra especializada, sendo mais comuns em obras de edificações de pequeno e médio porte. Nessas tubulações, ocorrem menores perdas de calor na tubulação o que faz com que a água chegue de forma mais Instalações Hidráulicas e Prediais 17 Referências ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5626: Sistemas prediais de água fria e água quente-Projeto, execução, operação e manutenção. Rio de Janeiro, 2020. CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações prediais hidráulico-sanitárias: princípios básicos para elaboração de projetos. São Paulo: Blucher, 2020. MACINTYRE, A. J. Instalações hidráulicas prediais e industriais, 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. MACINTYRE, A. J. Manual de instalações hidráulicas e sanitárias. Rio de Janeiro: LTC, 2021. VERÓL, A.; VAZQUEZ, E. L.; MIGUEZ, M. G. Sistemas prediais hidráulicos e sanitários: projetos práticos e sustentáveis. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. Instalações Hidráulicas e Prediais 18
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