Índice Capítulo 1 ................................................................................................... 4 Contabilidade .......................................................................................... 4 Finanças .................................................................................................. 4 Objetivos da Gestão Financeira................................................................. 4 Características da Informação Financeira ................................................. 4 Contabilidade de gestão ..............................................................................5 Contabilidade financeira ..............................................................................5 Alterações contabilísticas recentes ..............................................................5 Burocracia ............................................................................................... 5 Capítulo 2.1 - Estimar e reportar a posição financeira .................................... 7 Principais Fontes de Receita nos Clubes.......................................................7 Demonstrações Financeiras ..................................................................... 7 Balanço (Statement of Financial Position) .....................................................7 Ativos ..........................................................................................................8 Créditos ......................................................................................................9 Imparidade ..................................................................................................9 Perdas de existências...................................................................................9 O Balanço, a Demonstração de Resultados e o Mapa de Fluxos de Caixa ...10 Demonstração da Posição Financeira (Balanço) revela o valor da empresa? ...............................................................................................................10 Capítulo 2.2 - Estimar e reportar o desempenho financeiro ...........................12 DR ..........................................................................................................12 Receita ...................................................................................................... 12 Despesa .................................................................................................... 12 DR vs Mapa Fluxos de Caixa .....................................................................12 Cálculos DR ............................................................................................13 Depreciação ...........................................................................................14 Custos dos Inventários ............................................................................15 Convenção de Prudência ........................................................................... 15 Convenção de Coerência ........................................................................... 16 Provisão..................................................................................................16 Capítulo 2.3 - Sistema contabilístico em dupla-entrada ...............................17 Balancear as contas ................................................................................18 Gonçalo Santos Silva, 2025 1 Balancete ...............................................................................................18 Capítulo 2.4. Contabilidade para organizações desportivas ..........................20 Capital Próprio ........................................................................................20 Ações ........................................................................................................ 21 Diferença entre Ações Ordinárias e Preferenciais .....................................21 Reservas de resultados .............................................................................. 22 Reservas de Capital ................................................................................... 22 Obtenção de capital social ......................................................................22 Retirada de capital próprio ......................................................................22 Contabilização para grupos de empresas .................................................22 Goodwill .................................................................................................... 23 Razões para as Regras Contabilísticas .....................................................24 Exercício Resumo - Exemplo 5.1 ................................................................. 25 Resolução ................................................................................................. 25 Auditores ................................................................................................... 25 Demonstrações Financeiras ....................................................................... 26 Relatórios Narrativos .................................................................................. 28 Governo das sociedades ............................................................................ 29 Contabilidade criativa ................................................................................ 29 Capítulo 2.5. - Medir e reportar os fluxos monetários ....................................30 A Demonstração dos Fluxos de Caixa .......................................................30 Equivalentes de Caixa ................................................................................ 30 Ciclo Operacional ...................................................................................30 Método direto ............................................................................................ 30 Método indireto ......................................................................................... 31 Ciclo de Investimento..............................................................................31 Ciclo de Financiamento ...........................................................................31 Exercício .................................................................................................... 32 Resposta ................................................................................................... 32 2.6. - Analisar e Interpretar as Demonstrações Financeiras ..........................33 Rácios de Resultados/Rendibilidade ........................................................33 Rácios de Eficiência (atividade)................................................................34 Rácios de Liquidez ..................................................................................36 Rácios de Endividamento Financeiro (Gearing) .........................................38 Gonçalo Santos Silva, 2025 2 Alavancagem Financeira ............................................................................ 38 Rácios de investimento ...........................................................................39 Resumo Rácios de Investimento (Podes pôr no Formulário Luís) ...............41 Previsão do fracasso financeiro ...............................................................42 Rácios Para Avaliar a Saúde Financeira e Risco de Fracasso ........................ 42 Limitações da análise de rácios ...............................................................42 Capítulo 3.1. - Decisões de Investimento de Capital .....................................43 Métodos de avaliação dos investimentos .................................................43 Período de retorno (Payback) ...................................................................... 43 Valor Atual Líquido (VAL ou NPV) ................................................................ 44 Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) ............................................................. 44 Modelo para a tomada de decisões de investimento ................................... 45 Capítulo 3.2. - Financiar organizações desportivas .......................................46 Fontes Internas - Própria empresa (donos, CP) .........................................46 Financiamento a longo prazo ...................................................................... 46 Financiamento a Curto Prazo...................................................................... 46 Exercício (15.2) – Gestão das componentes ................................................ 47 Resolução e Formulas................................................................................ 47 Fontes Externas - Terceiros (Bancos, etc, Passivo) ....................................48 Financiamento a Longo Prazo ..................................................................... 48 Financiamento a Curto Prazo...................................................................... 50 Financiamento a Longo Prazo VS Curto Prazo ...........................................51 Alavancagem Financeira e Decisão de Financiamento ..............................51 Emissão de ações (Financiamento a Longo Prazo) .....................................52 Capítulo 3.3. - Fundo de maneio e sua gestão ...............................................53 Fundo Maneio ............................................................................................ 53 As depreciações contribuem para o fundo de maneio? .............................54 Gestão de Inventários ................................................................................ 54 Orçamentação da procura futura ................................................................ 54 Rácios financeiros ..................................................................................... 54 Sistemas de gravação e reordenação .......................................................... 55 Gonçalo Santos Silva, 2025 3 Capítulo 1 Contabilidade A contabilidade tem como função principal recolher, analisar e comunicar informação financeira e não financeira. O objetivo final da contabilidade é melhorar a qualidade das decisões tomadas pelos utilizadores dessa informação. Embora produzir relatórios financeiros seja uma atividade típica dos contabilistas, essa não é a finalidade em si, mas sim um meio para apoiar a tomada de decisões. Finanças A gestão financeira, tal como a contabilidade, existe para apoiar a tomada de decisões. Foca-se em como obter (financiar) e como aplicar (investir) os fundos dentro de uma empresa. A atividade empresarial assenta na captação de fundos de investidores e credores e na sua aplicação em ativos (como equipamentos, instalações, inventários) com o objetivo de gerar riqueza. Objetivos da Gestão Financeira 1. Identificar as principais fontes de financiamento disponíveis. 2. Avaliar os custos, benefícios e riscos de cada forma de financiamento. 3. Compreender o papel dos mercados financeiros no fornecimento de capital. 4. Analisar os riscos e retornos associados aos investimentos. Características da Informação Financeira A. Qualidades Fundamentais 1. Relevância 2. Representação Fiável B. Qualidades para potencializar 1. Comparabilidade – Permite que os utilizadores comparem o desempenho da empresa ao longo do tempo ou em relação a outras empresas. Requer tratamento consistente dos itens semelhantes e políticas contabilísticas claras. Gonçalo Santos Silva, 2025 4 2. Verificabilidade – Garante que a informação representa fielmente a realidade, uma vez que especialistas independentes devem ser capazes de chegar às mesmas conclusões. Objetividade. 3. Oportunidade (Timeliness) – Refere-se à produção da informação em tempo útil para a tomada de decisões. A utilidade da informação diminui quanto mais tarde for disponibilizada. 4. Compreensibilidade – A informação deve ser clara, concisa e estruturada de modo a ser compreendida pelo público a quem se destina. Contabilidade de gestão Contabilidade produzida internamente para suportar necessidades específicas das atividades de gestão para a organização. Contabilidade financeira Contabilidade produzida para relatórios externos fora da organização. Alterações contabilísticas recentes • • • • • • • a crescente sofisticação dos clientes; a disponibilidade de formas rápidas e sofisticadas de informação e comunicação (como a Internet); o desenvolvimento de uma economia global em que as fronteiras nacionais se tornem menos importantes; a rápida evolução tecnológica; a desregulamentação dos mercados internos (por exemplo, privatização da eletricidade, da água e do gás); aumento da pressão dos investidores (acionistas) para obter retornos económicos competitivos; maior volatilidade dos mercados financeiros. Burocracia Vantagens • • • • Permite um alto nível de realização. Os trabalhadores sabem quem é responsável porquê e se têm autoridade para tomar uma determinada decisão. Facilita a integração vertical, permitindo o controle do desenvolvimento, fabricação e distribuição de produtos. Evita o problema de os trabalhadores não terem direção suficiente. Gonçalo Santos Silva, 2025 5 Desvantagens • • • • Podem ser rígidos no tratamento das pessoas e dos problemas. As regras e os regulamentos podem levar à ineficiência, como a obtenção de aprovações. Eventual frustração causada pela burocracia (procedimentos rígidos que devem ser seguidos). Tomada de decisões mais lenta devido ao facto de serem necessários vários níveis de aprovação. Downsizing – reduzir os níveis hierárquicos A contabilidade de gestão foi descrita como "os olhos e os ouvidos da gestão". O que pensa que esta expressão significa? A maioria das empresas são demasiado grandes e complexas para que os gestores consigam ver e avaliar tudo o que se passa nas suas áreas de responsabilidade apenas através da observação direta. Os gestores necessitam de informação sobre todos os aspetos que estão sob o seu controlo. Os relatórios de contabilidade de gestão podem fornecer-lhes essa informação, em maior ou menor grau. Estes relatórios podem, assim, ser vistos como os olhos e os ouvidos dos gestores, proporcionando-lhes perceções que, de outra forma, poderiam não ser evidentes. As demonstrações de contabilidade financeira tendem a refletir acontecimentos passados. Tendo isto em conta, de que forma podem ser úteis na tomada de decisões, quando as decisões, pela sua própria natureza, só podem ser tomadas relativamente a ações futuras? Uma vez que nunca podemos ter a certeza sobre o que acontecerá no futuro, o melhor que muitas vezes conseguimos fazer é formular julgamentos com base na experiência passada. Assim, a informação relativa aos fluxos de caixa e de riqueza no passado recente pode constituir uma fonte útil para fundamentar juízos sobre possíveis resultados futuros. Gonçalo Santos Silva, 2025 6 Capítulo 2.1 - Estimar e reportar a posição financeira Principais Fontes de Receita nos Clubes 1. Broadcasting (Direitos de TV) 2. Merchadising (ou Comercial) 3. Matchday (Bilhetes, Comida, Prémios Financeiros, etc…) Demonstrações Financeiras Balanço (Statement of Financial Position ou Balance Sheet) Qual é a riqueza acumulada do negócio no final do período e que forma assume. Estabelece o património de uma organização, por um lado, e os créditos sobre a organização, por outro, representando quem financia a organização. Demonstração de Resultados (Income statement) Variação Patrimonial - Quanta riqueza foi gerada. Perceber se houve ganhos ou perdas Patrimoniais. Mapa de Fluxos de Caixa (Statement of Cash Flows) Que movimentos de dinheiro ocorreram. Existem várias operações que podem ↑ ou ↓ o patrimônio da organização. Estes são relatados tanto no balanço como na DR. Se uma operação financeira não alterar o património da organização (i.e. não existe criação ou perda de riqueza) esta é apenas reportada no balanço. Ativos (fim do período) = CP (início do período) + Ganhos (ou – Perdas) do Período + Passivos (fim do período) Balanço (Statement of Financial Position) Gonçalo Santos Silva, 2025 7 1. Fornece informações sobre como a empresa é financiada e como seus fundos são aplicados. 2. Oferece uma base para avaliar o valor do negócio. 3. As relações entre ativos e créditos podem ser avaliadas. 4. O desempenho pode ser avaliado. 5. Pode ajudar a avaliar a solidez financeira global Ativos – Situação Patrimonial da Organização Capital Próprio – Fontes dos Donos Passivo – Fontes dos Investidores Ativos = CP + Passivo Ativos Um ativo é essencialmente um recurso detido por uma empresa. Para se qualificar como um ativo para inclusão na demonstração da posição financeira. Os ativos que têm uma substância física e podem ser tocados (como inventários) são referidos como ativos tangíveis. Os ativos que não têm substância física, mas que, no entanto, proporcionam benefícios futuros (como patentes) são referidos como ativos intangíveis. Exemplos: • • • • • • • propriedade (terrenos e edifícios); instalações e equipamento; luminárias e acessórios; patentes e marcas; créditos comerciais (devedores); investimentos fora do negócio. Stocks e mercantilização Gonçalo Santos Silva, 2025 8 Os ativos correntes são basicamente ativos que são mantidos para o curto prazo (até um ano). Os ativos não correntes (também chamados de ativos fixos) são simplesmente ativos que não se enquadram na definição de ativo circulante. Eles tendem a ser mantidos para operações de longo prazo. Os ativos não correntes têm vidas úteis finitas ou indefinidas. Créditos Responsabilidade de uma organização, é uma obrigação da empresa de fornecer dinheiro, ou alguma outra forma de benefício, a uma parte externa. 1. Capital Próprio (= Equity) (crédito do proprietário) Isto representa a reivindicação do(s) proprietário(s) contra a empresa. Esta reivindicação é por vezes referida como o capital do proprietário. 2. Passivo (créditos de terceiros) Estas responsabilidades representam os créditos de outras partes, com exceção do(s) proprietário(s). Envolvem a obrigação de transferir recursos económicos (normalmente numerário) em resultado de transações ou acontecimentos passados. Continuam a ser um passivo até à sua liquidação. Passivo Corrente são, basicamente, montantes devidos para liquidação a curto prazo. Passivos não correntes representam montantes devidos que não correspondem à definição de passivo corrente. Trata-se, essencialmente, de passivos a mais longo prazo Imparidade Todos os tipos de ativos não correntes correm o risco de sofrer uma queda significativa de valor. Isso pode ser causado por mudanças nas condições de mercado, obsolescência tecnológica e assim por diante. A imparidade regista esta perda de valor. Este tipo de imparidade de valor não deve ser confundido com a depreciação rotineira de ativos com vidas finitas. A depreciação de rotina decorre do "desgaste" do ativo e/ou da passagem do tempo. Uma perda por imparidade resulta de algo fora do normal, como uma mudança fundamental nas condições de mercado ou obsolescência tecnológica. Perdas de existências Gonçalo Santos Silva, 2025 9 Não são apenas os ativos não correntes que correm o risco de uma queda significativa de valor. Os inventários de uma empresa também podem sofrer esse destino. Isso pode ser resultado de mudanças no gosto do mercado, obsolescência, deterioração, danos e assim por diante. Sempre que uma depreciação signifique que o montante suscetível de ser recuperado com a venda das existências será inferior ao seu custo, essa perda deve refletir-se na demonstração da situação financeira. Assim, se o valor realizável líquido (isto é, o preço de venda menos quaisquer custos de venda) for inferior ao custo histórico das existências detidas, o primeiro deve ser utilizado como base de avaliação. O Balanço, a Demonstração de Resultados e o Mapa de Fluxos de Caixa O Balanço, também designado por demonstração da posição financeira, apresenta a situação patrimonial da entidade num determinado momento, evidenciando os ativos (bens e direitos), os passivos (obrigações) e o capital próprio. A Demonstração de Resultados mostra o desempenho da organização ao longo de um período, identificando as receitas, os gastos e o resultado líquido (lucro ou prejuízo). Por sua vez, o Mapa de Fluxos de Caixa evidencia os movimentos de entrada e saída de dinheiro durante esse mesmo período, divididos em três atividades: operacionais, de investimento e de financiamento. Estes três estão interligados. O resultado líquido apurado na demonstração de resultados influencia o capital próprio no balanço. O mapa de fluxos de caixa explica as variações da rubrica “caixa e equivalentes de caixa” entre dois balanços consecutivos. Além disso, quando elaborado pelo método indireto, o mapa de fluxos de caixa parte do resultado líquido da demonstração de resultados. Assim, em conjunto, estas demonstrações oferecem uma visão completa da situação financeira, do desempenho e da liquidez da organização, sendo fundamentais para a tomada de decisões e a análise da sustentabilidade económica da entidade Demonstração da Posição Financeira (Balanço) revela o valor da empresa? Uma demonstração da posição financeira (balanço) não revela o valor real de uma empresa, por duas razões principais: 1. Apenas os elementos que podem ser mensurados de forma fiável em termos monetários são incluídos na demonstração da posição financeira. Assim, valores intangíveis como a reputação pela qualidade dos produtos, as Gonçalo Santos Silva, 2025 10 competências dos colaboradores, entre outros, normalmente não são refletidos neste documento. 2. A convenção do custo histórico faz com que os ativos sejam frequentemente registados pelo valor de aquisição e não pelo seu valor atual. Para determinados ativos, a diferença entre o custo histórico e o valor corrente pode ser bastante significativa. Gonçalo Santos Silva, 2025 11 Capítulo 2.2 - Estimar e reportar o desempenho financeiro DR A demonstração de resultados mede e relata quanto resultado patrimonial uma empresa gerou (ou perdeu) durante um período. A demonstração de resultados reporta receitas (proveitos) e despesas (custos). Esses itens têm consequências patrimoniais porque aumentam e diminuem a riqueza da organização. • • • • Quão eficaz o negócio tem sido na geração de riqueza? Como foi obtido o resultado? Que recursos foram utilizados? Que tipo de custos a organização tem? Receita A receita é uma medida do influxo de benefícios econômicos decorrentes das operações normais de uma organização. Estes benefícios resultam num aumento dos ativos (tais como dinheiro ou montantes devidos à empresa pelos seus clientes) ou numa diminuição dos passivos. Exemplos: vendas de bens (por exemplo, por um fabricante); honorários por serviços (por exemplo, de um advogado); subscrições (por exemplo, de um clube); e ainda juros recebidos (por exemplo, sobre um fundo de investimento). Despesa A despesa é realmente o oposto da receita. Representa a perda de benefícios económicos decorrentes das operações de uma organização. Esta saída resulta numa diminuição dos ativos (como o caixa) ou num aumento dos passivos (como os montantes devidos a fornecedores). Exemplos: o custo de compra ou fabrico dos bens vendidos durante o período em causa (conhecido como custo de vendas ou custo dos bens vendidos); vencimentos e ordenados; aluguel; despesas de circulação de veículos automóveis; seguros; impressão e papelaria; publicidade; calor e luz; e ainda telefone e portes. DR vs Mapa Fluxos de Caixa Gonçalo Santos Silva, 2025 12 Vimos que, normalmente, para um determinado período de relatório, a receita total não é igual ao total de caixa recebido e as despesas totais não são iguais ao total de caixa pago. Como resultado, o lucro do período (ou seja, a receita total menos as despesas totais) normalmente não representará o caixa líquido gerado durante esse período. Cálculos DR 𝑪𝒖𝒔𝒕𝒐 𝒅𝒂𝒔 𝑽𝒆𝒏𝒅𝒂𝒔 = 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝐼𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 + 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎𝑠 – 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑙 Margem Bruta (Gross Profit) É o lucro da compra e venda de bens, sem levar em conta quaisquer outras receitas ou despesas associadas ao negócio além dos custos dos bens vendidos. 𝑴𝒂𝒓𝒈𝒆𝒎 𝑩𝒓𝒖𝒕𝒂 = 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 − 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 Resultado Operacional (Operating Profit) As despesas operacionais (despesas gerais) incorridas na gestão da empresa (salários e salários, aluguel, seguros, etc.) são deduzidas do lucro bruto. O valor resultante é conhecido como resultado operacional. Isto representa a riqueza gerada durante o período a partir das atividades normais da empresa. 𝑹𝒆𝒔𝒖𝒍𝒕𝒂𝒅𝒐 𝑶𝒑𝒆𝒓𝒂𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 = Margem Bruta – Despesas operacionais = 𝑹𝑶 Resultado Antes de Impostos do período (RAI) Uma vez estabelecido o lucro operacional, adicionamos qualquer rendimento não operacional (como juros a receber) e deduzimos quaisquer juros a pagar sobre empréstimos contraídos para chegar ao resultado antes de impostos do período Gonçalo Santos Silva, 2025 13 𝑹𝑨𝑰 = 𝑅𝑂 + Juros a receber − Juros a pagar Resultado Líquido (RL) Depois de impostos, a medida final da riqueza gerada representa o montante atribuível ao(s) proprietário(s) e será adicionada ao valor do capital próprio na demonstração da situação financeira. 𝑹𝒆𝒔𝒖𝒍𝒕𝒂𝒅𝒐 𝑳í𝒒𝒖𝒊𝒅𝒐 = RAI × (1 − IRC) Depreciação Depreciação é uma tentativa de medir a parte do custo (ou “justo valor”) de um ativo não corrente que foi esgotada na geração da receita reconhecida durante um determinado período. No caso dos intangiveis, a despesa é geralmente referida como amortização e não depreciação. Para calcular uma despesa de depreciação para um período, quatro fatores devem ser considerados: • • • • o custo (ou justo valor) do ativo; a vida útil do ativo; o valor residual do ativo; o método da amortização. Método linear Este método simplesmente aloca o montante a ser depreciado uniformemente ao longo da vida útil do ativo. Em outras palavras, há uma despesa de depreciação igual para cada ano em que o ativo é detido. Exemplo Método de taxas progressivas (ou quotas decrescentes) Este método aplica uma taxa percentual fixa de depreciação à quantia escriturada do ativo em cada ano. O efeito disso serão despesas de depreciação anual elevadas nos primeiros anos e despesas menores nos anos posteriores. Gonçalo Santos Silva, 2025 14 Exemplo Usando uma percentagem fixa de 60% da quantia escriturada para determinar a despesa anual de depreciação, o efeito será reduzir a quantia escriturada para €2.000 após quatro anos. Custos dos Inventários Para calcular o custo dos estoques, deve-se fazer uma suposição sobre o fluxo físico dos estoques através do negócio. Essa suposição não precisa ter nada a ver com a forma como os estoques realmente fluem através do negócio. Preocupa-se apenas em fornecer medidas úteis de desempenho e posição. 1. FIFO (First In, First Out) Onde os inventários são calculados como se os inventários mais antigos adquiridos detidos fossem os primeiros a ser usados. 2. LIFO (Last In, First Out) Os inventários são calculados como se os últimos inventários adquiridos detidos fossem os primeiros a ser utilizados. 3. CMP (Custo Médio Ponderado, ou AVCO em inglês) Os inventários são calculados como se os inventários adquiridos perdessem a sua identidade separada e entrassem num «pool». Quaisquer emissões de inventários deste agrupamento refletirão o custo médio ponderado das existências detidas. Convenção de Prudência A Convenção de prudência exige que as existências sejam avaliadas pelo valor mais baixo entre o custo e o valor realizável líquido no mercado. Gonçalo Santos Silva, 2025 15 O Valor Realizável Líquido (VRL) das existências é o preço de venda estimado, deduzidos quaisquer custos adicionais necessários para completar os bens e quaisquer custos envolvidos na sua venda e distribuição. Convenção de Coerência Estabelece que, uma vez selecionado um determinado método contabilístico, este deve ser aplicado de forma coerente ao longo do tempo. Não seria aceitável mudar, por exemplo, do FIFO para o AVCO entre períodos (a menos que circunstâncias excecionais o justifiquem). Provisão A empresa deve tentar determinar o montante de recebíveis comerciais que, no final do período, são duvidosos (ou seja, podem revelar-se irrecuperáveis). Este montante pode ser obtido examinando contas individuais de créditos comerciais ou tomando uma proporção (geralmente com base na experiência passada) do total de créditos comerciais pendentes. Uma vez obtido um montante, deve ser criada uma provisão para créditos comerciais. Esta provisão será mostrada como uma despesa na demonstração de resultados e deduzida do valor total de recebíveis comerciais na demonstração da posição financeira. Gonçalo Santos Silva, 2025 16 Capítulo 2.3 - Sistema contabilístico em duplaentrada Uma conta é simplesmente um registo de uma ou mais transações relacionadas com um determinado item de ativo, crédito, receita ou despesa Em cada operação existem duas entradas (portanto, dupla entrada), uma em Débito e outra em Crédito. Uma conta para um ativo, como dinheiro no banco, mostrará aumentos no lado esquerdo (débito) da conta e diminuições no lado direito (crédito). No entanto, para os créditos (isto é, capital próprio e passivos) é o contrário. Exemplo Gonçalo Santos Silva, 2025 17 Balancear as contas O saldo transportado para baixo (normalmente abreviado para “s/t” , ou C/d de Carried Down) no final de um período torna-se o saldo inicial (“s/i”, ou ) no início do seguinte. Para resumir ou ‘balancear’ uma conta, basta somar a coluna com o valor mais elevado e colocar esse total em ambos os lados da conta. Em seguida, regista-se, no lado do crédito (neste caso), o valor necessário para que esse lado também some o total que aparece nos dois lados da conta (ou seja, colocar o Carried Down). Para manter o princípio da partida dobrada, é necessário também transportar este valor para o período seguinte. Ou seja, Carried Down (c/d) = Saldo Final (s/f) = Lado que ficou a “dever” Brought Down (b/d)= Saldo Inicial (s/i) = Utilizado no próximo período na conta Balancete Esta listagem é conhecida como balancete. O facto de os totais de cada coluna concordarem dá alguma indicação de que não cometemos quaisquer erros de contabilidade. Gonçalo Santos Silva, 2025 18 Fornecendo os totais do balancete concordando e não estamos cientes de quaisquer erros no registo, a próxima etapa é preparar a demonstração de resultados (DR) e demonstração da posição financeira (Balanço). Balanço DR 1 O dono investiu €5.000 em caixa como capital próprio. 2 Compra de inventários por €600, pagos a dinheiro. 3 Pag de €900 em rendas, referentes aos meses de jan, fev e mar 4 Venda a crédito de inventários que custaram €200, por €300. 5 Compra de inventários a crédito no valor de €800. 6 Compra de mobiliário de escritório por €600, pago a dinheiro. 7 Venda a crédito de inventários que custaram €600, por €900. 8 Recebimento de €800 de clientes (contas a receber). 9 Pagamento a fornecedores no valor de €500. 10 Pagamento de salários do mês no valor de €400. Gonçalo Santos Silva, 2025 19 11 Compra de inventários a crédito no valor de €800. 12 Eletricidade sem pagamento de 110 (só se paga 3 em 3 meses) 13 Dep. do Equipamento a 20% p/ ano. Capítulo 2.4. Contabilidade para organizações desportivas Capitulo 4 - Accounting for limited companies (1) Mercado primário A sua função é permitir que as empresas públicas obtenham novos financiamentos. Mercado secundário A sua função é permitir que os investidores vendam os seus títulos (incluindo ações e notas de empréstimo) com facilidade. Assim, proporciona um mercado «em segunda mão» onde as ações e notas de empréstimo já em emissão podem ser compradas e vendidas. Fontes de Financiamento • • • Aumento de Capital Dividas (empréstimos) Lucro/Resultado Retido Capital Próprio Para as empresas, o Capital Próprio é dividido entre ações (por exemplo, o investimento original), por um lado, e reservas (ou seja, lucros e ganhos subsequentes), por outro. É perfeitamente possível que existam diferentes tipos de ações e reservas (outras subdivisões). Gonçalo Santos Silva, 2025 20 As Reservas são lucros e ganhos que uma empresa realizou e que ainda fazem parte do patrimônio líquido. As reservas são classificadas como reservas de resultados ou reservas de capital. Cada ano que uma empresa tem lucro, ela deve decidir qual parte vai para: A. Reinvestimento B. Dividendos Ações a) Ações Ordinárias Representar as unidades básicas de propriedade de uma empresa. São emitidos por todas as empresas baseadas em ações e são muitas vezes conhecidos como ações. Os acionistas ordinários são os principais responsáveis pela assunção de riscos, uma vez que só participam nos lucros da empresa depois de satisfeitos outros créditos. b) Ações Preferenciais Emitidas apenas por algumas empresas. Garantir um pagamento de dividendos mesmo quando a empresa não tem lucros. Diferença entre Ações Ordinárias e Preferenciais Ações Ordinárias (ou comuns): • Dão direito de voto nas assembleias de acionistas (por exemplo, na eleição da administração). • Têm dividendo variável — só recebem dividendos depois das ações preferenciais, e apenas se houver lucros distribuíveis. • Participam no crescimento da empresa — se a empresa crescer, o valor da ação ordinária pode subir bastante. • Em caso de falência, estão em último lugar na hierarquia de reembolso (atrás de credores e acionistas preferenciais). Ações Preferenciais: • Não dão direito de voto (ou têm voto muito limitado). • Têm dividendo fixo e prioritário — recebem dividendos antes dos acionistas ordinários. • Mais estáveis, mas com menor potencial de valorização no mercado. Gonçalo Santos Silva, 2025 21 • Em caso de liquidação, têm prioridade sobre os ordinários no reembolso de capital. Reservas de resultados Representa os lucros comerciais retidos da empresa, bem como os ganhos na alienação de ativos não correntes. Os lucros retidos, como são mais frequentemente chamados, representam esmagadoramente a maior fonte de novo financiamento para muitas empresas. Reservas de Capital Surgem por duas razões principais: 1. emissão de ações acima do seu valor nominal (por exemplo, emissão de ações de 1 Euros a 1,50 Euros); 2. reavaliação (em alta) dos ativos não correntes. Obtenção de capital social Após uma primeira emissão de ações, uma sociedade pode decidir efetuar novas emissões de novas ações a fim de financiar as suas operações. Estas novas emissões de ações podem ser efetuadas de várias formas. • • • Emissões públicas – emissões dirigidas ao público investidor em geral; Colocações Privadas – emissões feitas a indivíduos ou instituições selecionados que são normalmente abordados e questionados sobre se estariam interessados em adquirir novas ações Emissão de direitos – emissões efetuadas a acionistas existentes, proporcionalmente à sua participação acionista existente; Retirada de capital próprio O pagamento de dividendos é a forma mais usual de permitir que os acionistas retirem parte do seu capital próprio. Uma alternativa é a empresa comprar as suas próprias ações (Recompra) aos acionistas que pretendam vendê-las. Isso é geralmente conhecido como uma recompra de ações. A sociedade anularia normalmente as ações em causa. As recompras de ações envolvem normalmente apenas uma pequena parte dos acionistas, ao contrário de um dividendo que envolve todos eles. Contabilização para grupos de empresas Gonçalo Santos Silva, 2025 22 Uma estrutura de grupo surge quando uma sociedade (sociedade-mãe ou holding) controla uma ou mais filiais. O controlo é geralmente obtido através da detenção de mais de 50 por cento das ações da filial. Razões para adotar esta estrutura: • • • o desejo de que cada unidade operacional tenha responsabilidade limitada. conceder a cada unidade operacional de uma empresa um certo grau de independência e autonomia; criar ou perpetuar uma imagem de marketing de uma unidade operacional como uma empresa independente de menor dimensão. A lei exige que a sociedade-mãe elabore demonstrações financeiras do grupo (também conhecidas como demonstrações financeiras consolidadas). Estas demonstrações financeiras do grupo tratam o grupo como se fosse uma única entidade económica. Goodwill Isto ocorre quando uma empresa-mãe adquire uma subsidiária e paga mais do que o justo valor do total de ativos relatados pela subsidiária (líquido de passivos). O goodwill resultante da consolidação aparecerá como um ativo não corrente intangível na demonstração da posição financeira do grupo. 𝑮𝒐𝒐𝒅𝒘𝒊𝒍𝒍 = 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑝𝑎𝑔𝑜 – ( 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑏𝑖𝑙í𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜 𝑑𝑜 𝐶𝑃 × % 𝑑𝑜 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙) Exemplo: 75 M comprou 75% do CP da minor, cujo Capital se avalia em 80 M. 𝑮𝒐𝒐𝒅𝒘𝒊𝒍𝒍 = 75 – ( 80 × 75%) = 75 − 60 = 𝟏𝟓 O goodwill é simplesmente o excesso do que a Major pagou pelas ações sobre o seu justo valor. Gonçalo Santos Silva, 2025 23 Como fica o Balanço de uma Major, após a aquisição da subsidiária: Razões para as Regras Contabilísticas a. Prevenir fraudes e outros crimes de discricionariedade b. Comparabilidade c. Transparência d. Maior confiança na integridade das demonstrações financeiras e. Tornar mais fácil para uma empresa angariar fundos junto de investidores e ganhar a confiança de clientes e fornecedores Gonçalo Santos Silva, 2025 24 Exercício Resumo - Exemplo 5.1 Resolução Auditores O principal dever dos auditores é informar se, na sua opinião, as demonstrações financeiras mostram uma imagem verdadeira e apropriada do desempenho financeiro, posição e fluxos de caixa da empresa. Para formar essa opinião, os auditores devem buscar uma garantia razoável de que as declarações estão livres de qualquer distorção material. Gonçalo Santos Silva, 2025 25 Demonstrações Financeiras 1. Demonstração da Situação Financeira (Balanço) 2. Declaração de Comphreensive Income Esta demonstração estende a demonstração de resultados convencional para incluir outros ganhos e perdas que afetam o patrimônio líquido. Pode ser apresentado na forma de uma única declaração ou como duas demonstrações separadas, compreendendo uma demonstração de resultados (como consideramos até agora) e uma demonstração de resultados abrangentes. Exemplo Gonçalo Santos Silva, 2025 26 3. Demonstração das variações do capital próprio Revela as variações do capital social e das reservas ocorridas durante o período abrangido pelo relatório. Concilia os valores relativos a estas rubricas no início do período com os valores no final. Isso envolve mostrar o efeito do lucro integral total, juntamente com quaisquer emissões e resgates de ações, para o período sobre o capital social e as reservas de abertura. O efeito dos dividendos durante o período também pode ser mostrado nesta declaração, embora eles possam ser mostrados nas notas 4. Demonstração dos fluxos de caixa A demonstração dos fluxos de caixa foi concebida para ajudar os utilizadores a avaliar a capacidade de uma empresa para gerar caixa e avaliar as suas necessidades de caixa (IAS 7 Demonstração dos Fluxos de Caixa). 5. Convenções contabilísticas Juntamente com outras, a norma fornece suporte para três convenções contábeis fundamentais na preparação das demonstrações financeiras. Estes são (ver classes anteriores): • • • a convenção sobre a continuidade da atividade; a Convenção de Acréscimo (exceto para a demonstração dos fluxos de caixa); e ainda Convenção sobre a Coerência 6. Relatórios financeiros segmentados Gonçalo Santos Silva, 2025 27 Detalhamento das informações financeiras de acordo com cada tipo de operação de negócio, ou segmento operacional. Eles podem ser usados para avaliar os riscos e a rentabilidade de cada segmento, melhorar as comparações com outros negócios e com outros segmentos operacionais ou monitorar tendências. A norma IASB (IFRS 8 Segmentos Operacionais) exige que as empresas cotadas divulguem informações sobre os seus vários segmentos operacionais. Definir um segmento operacional, no entanto, pode levar a muitas complicações. O IASB optou por uma definição baseada numa «abordagem de gestão». (definido de acordo com a forma como os gestores segmentaram o seu negócio específico para efeitos de reporte interno). Relatórios Narrativos 1. Relatório da Direção É prescrito por lei e inclui tópicos variados, como desempenho e posição do ano em curso, perspetivas futuras do negócio e aspetos sociais. Além de divulgar as informações acima mencionadas, o relatório dos administradores deve conter uma declaração de que os administradores não têm conhecimento de quaisquer outras informações de que os auditores possam necessitar para preparar o seu relatório de auditoria. 2. Relatório Estratégico Fornecer contexto às demonstrações financeiras Gonçalo Santos Silva, 2025 28 Governo das sociedades Este termo é utilizado para descrever as formas como as empresas são dirigidas e controladas. Para evitar estes problemas, a maioria das economias de mercado competitivas dispõe de um quadro de regras que ajudam a acompanhar e controlar o comportamento dos administradores. 1. Divulgação A apresentação atempada de informações está no cerne de um bom governo das sociedades. Uma divulgação adequada e atempada pode ajudar os acionistas a avaliar o desempenho dos administradores. Quando o desempenho for considerado insatisfatório, poderá refletir-se no preço das ações. 2. Prestação de contas As funções dos administradores devem ser claramente definidas e devem ser instalados procedimentos de controlo adequados, bem como a realização de auditorias. 3. Equidade Os administradores não devem poder beneficiar do acesso a informação “privilegiada” que não esteja disponível para os acionistas e outras partes interessadas para obter ganhos pessoais a expensas da organização. Contabilidade criativa ocorre quando os diretores aplicam políticas contábeis específicas, ou estruturam transações específicas, de forma a retratar uma imagem da saúde financeira que está de acordo com o que eles querem que os usuários vejam, em vez do que é uma visão verdadeira e justa da posição e desempenho financeiros. Deturpar o desempenho e a posição de uma empresa desta forma é muitas vezes chamado de contabilidade criativa e representa um grande problema para os criadores de regras contábeis e para a sociedade em geral. Gonçalo Santos Silva, 2025 29 Capítulo 2.5. - Medir e reportar os fluxos monetários A Demonstração dos Fluxos de Caixa A demonstração dos fluxos de caixa descreve as entradas e saídas monetárias para a organização. Diz como a empresa gerou caixa durante o período e como esse caixa foi usado. O lucro (ou prejuízo), que representa a diferença entre as receitas e despesas do período, pode ter pouca ou nenhuma relação com o caixa gerado durante o período Equivalentes de Caixa São investimentos de curto prazo e de elevada liquidez que podem ser facilmente convertíveis em montantes conhecidos de caixa. Estão também sujeitas a um risco insignificante de variações de valor. Ciclo Operacional Estes representam as entradas e saídas de caixa decorrentes da negociação normal do dia-a-dia, tendo em conta os impostos pagos e os custos de financiamento (relativos a capitais próprios e empréstimos) relacionados com os mesmos. Entradas • Montantes recebidos de créditos comerciais (clientes de crédito que liquidam as suas contas) • valores recebidos de vendas à vista no período. Saídas • os montantes pagos pelas existências • despesas operacionais (como aluguel e salários) • impostos Note-se que são as entradas e saídas de caixa durante um período que aparecem na demonstração dos fluxos de caixa, não as receitas e despesas desse período. Da mesma forma, no ciclo financeiro, os impostos e dividendos que aparecem na demonstração dos fluxos de caixa são aqueles efetivamente pagos durante o período. Método direto Gonçalo Santos Silva, 2025 30 Envolve uma análise dos registos de caixa do negócio para o período, identificando todos os pagamentos e recebimentos relacionados às atividades operacionais. Método indireto Usa a Demonstração De Resultados (DR) como um ponto de partida para calcular os fluxos de caixa operacionais. As informações nele contidas podem ser usadas como ponto de partida para deduzir os fluxos de caixa das atividades operacionais. Nota : Se tivéssemos feito o exercício com o resultado líquido em vez do resultado antes de imposto não era preciso subtrair o imposto sobre o rendimento pois essa operação já tinha sido feita para chegar ao resultado líquido. Ciclo de Investimento Estes incluem saídas de caixa para adquirir ativos não correntes e entradas de caixa provenientes da sua alienação. Além de itens, como ativos fixos tangíveis, os ativos não correntes podem incluir investimentos financeiros feitos em empréstimos ou ações de outra empresa. Esta secção da demonstração dos fluxos de caixa também inclui as entradas de caixa decorrentes de aplicações financeiras (empréstimos e ações). Ciclo de Financiamento Estes representam entradas e saídas de caixa relacionadas com o financiamento a longo prazo da empresa. Seja qual for o tratamento escolhido para os juros e dividendos (pagos e recebidos), este deve ser aplicado de forma coerente. Não é permitido mudar de classificação de ano para ano. Gonçalo Santos Silva, 2025 31 Exercício Resposta Gonçalo Santos Silva, 2025 32 2.6. - Analisar e Interpretar as Demonstrações Financeiras Rácios de Resultados/Rendibilidade Os rácios de rendibilidade fornecem alguma indicação do grau de sucesso na obtenção de lucros. Estes rácios expressam o lucro obtido em relação a outros índices das demonstrações financeiras ou a algum recurso empresarial. Rendibilidade dos Fundos dos Acionistas Ordinários (RFAO, ou ROSF) 𝑹𝑭𝑨𝑶 = 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝐿𝑖𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝐿𝑖𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 × 100 = × 100 𝐶𝑃𝑛 + 𝐶𝑃𝑛+1 𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝐶𝑃 𝑑𝑜𝑠 2 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜𝑠 2 Mede quanto lucro líquido é gerado para os acionistas por cada euro que investiram no capital próprio. • • • • • ≈ 100% : Excelente. Cada euro investido gerou um euro de lucro ≈ 50% : Muito bom. Metade do investimento dos acionistas foi retornado em lucro ≈ 10% : Retorno baixo. O investimento dos acionistas gerou pouco lucro. ≈ 0% : Nenhum retorno. O capital investido não está a gerar lucros. < 0% : Prejuízo. Os ativos estão a gerar perdas. Rendibilidade do Ativo (ROA) 𝑹𝑶𝑨 = 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 × 100 𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑑𝑜𝑠 2 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜𝑠 Expressa a relação entre o lucro operacional gerado durante um período e o ativo (ou capital total). Mede quanto lucro operacional é gerado por cada euro investido no ativo. • • • • • ≈ 100% : Excelente. Quase todo o ativo está a gerar lucro. Uso extremamente eficiente. ≈ 50% : Muito bom. Metade do investimento em ativos está a gerar retorno direto. ≈ 10% : Fraco retorno. Grande parte dos ativos está a gerar pouco lucro. ≈ 0% : Quase nenhum retorno. Ativos estão a ser usados de forma ineficaz. < 0% : Prejuízo. Os acionistas estão a perder dinheiro. Rendibilidade do Capital a Longo Prazo (RCLP, ou ROCE) Gonçalo Santos Silva, 2025 33 𝑹𝑪𝑳𝑷 = 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 × 100 𝑀é𝑑𝑖𝑎 (𝐶𝑃 + 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜𝑠 Ñ 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒) 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 = × 100 𝑀é𝑑𝑖𝑎 (𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑠𝑜𝑐𝑖𝑎𝑙 + 𝑅𝑒𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑠 + 𝑃 Ñ 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒) Mede quanto lucro operacional é gerado por cada euro investido a longo prazo (capital próprio + passivos não correntes). • • • • • ≈ 100% : Excelente. Cada euro investido a longo prazo gerou um euro de lucro operacional. ≈ 50% : Muito bom. Metade do capital a longo prazo gerou lucro. ≈ 10% : Retorno baixo. O capital a longo prazo está a gerar pouco lucro. ≈ 0% : Nenhum retorno. Investimentos a longo prazo não estão a ser rentáveis. < 0% : Prejuízo. O capital investido está a gerar perdas. Margem de Lucro Operacional (ou só Margem Operacional) 𝑴𝒂𝒓𝒈𝒆𝒎 𝑶𝒑𝒆𝒓𝒂𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 = 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 × 100 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑡𝑎çã𝑜 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 Mede quanto do valor das vendas se transforma em lucro operacional. • • • • • ≈ 100% : Excelente. Todo o valor das vendas vira lucro operacional. ≈ 50% : Muito bom. Metade das vendas gera lucro direto. ≈ 10% : Rentabilidade baixa. A maior parte das vendas é consumida por custos operacionais. ≈ 0% : Nenhum lucro. As vendas mal cobrem os custos operacionais. < 0% : Prejuízo. As operações estão a gerar perdas Margem de Lucro Bruto 𝑴𝒂𝒓𝒈𝒆𝒎 𝒅𝒆 𝑳𝒖𝒄𝒓𝒐 𝑩𝒓𝒖𝒕𝒐 = = 𝑀𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝐵𝑟𝑢𝑡𝑎 × 100 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑡𝑎çã𝑜 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 (𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑡𝑎çã𝑜 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 − 𝐶𝑀𝑉𝑀𝐶 ) × 100 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑡𝑎çã𝑜 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 Mede quanto do valor das vendas sobra após pagar o custo das mercadorias vendidas (CMVMC). • • • • • ≈100% : Excelente. As vendas quase não têm custos diretos. ≈50% : Muito bom. Metade da receita sobra após pagar os custos dos produtos. ≈10% : Rentabilidade muito baixa. Quase tudo vai para pagar CMVMC . ≈0% : Nenhum lucro bruto. As vendas apenas cobrem os custos. (break-even) <0% : Prejuízo bruto. Os produtos são vendidos por menos do que custam. Rácios de Eficiência (atividade) Gonçalo Santos Silva, 2025 34 Os rácios podem ser utilizados para medir a eficiência com que determinados recursos, tais como inventários ou empregados, foram utilizados na empresa. Rácio Período Médio de Rotação de Existências 𝑷. 𝑴é𝒅𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝑹𝒐𝒕𝒂çã𝒐 𝒅𝒆 𝑰𝒏𝒗. (𝑬𝒙𝒊𝒔𝒕ê𝒏𝒄𝒊𝒂𝒔) = 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝑀é𝑑𝑖𝑜 × 365 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝐼𝑛𝑣𝑛 + 𝐼𝑛𝑣𝑛−1 2 = × 365 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 Mede quantos dias, em média, as existências permanecem em stock antes de serem vendidas ou usadas. • • • • ≈ 0 dias : Altíssima rotação. Os produtos saem quase imediatamente. Pode haver risco de rutura de stock. 10-30 dias : Boa eficiência. Existências vendidas rapidamente, armazém bem gerido. 60-90 dias : Razoável. Inventário permanece algum tempo, mas sem ser excessivo. > 100 dias : Fraco. Os produtos estão demasiado tempo em stock → risco de obsolescência ou custos de armazenagem. Rácio de Período Médio de Recebimento dos Clientes 𝑷. 𝑴é𝒅𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝑹𝒆𝒄𝒆𝒃𝒊𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐 = ( 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑀é𝑑𝑖𝑜 ) × 365 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑎 𝑐𝑟é𝑑𝑖𝑡𝑜 Indica quanto tempo, em média, os clientes de crédito demoram a pagar os montantes que devem à empresa. • • • • ≈ 0 dias : Recebimento imediato. A empresa vende maioritariamente a pronto pagamento. 10 - 30 dias : Boa gestão de crédito. Os clientes pagam dentro de prazos razoáveis 60 - 90 dias : Atenção. Os pagamentos estão a demorar, pode afetar a tesouraria. > 100 dias : Fraco controlo de crédito. Risco elevado de atrasos ou incobrabilidade Rácio de Prazo de Pagamento Médio aos Fornecedores 𝑷. 𝑴é𝒅𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝑷𝒂𝒈𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐 = ( 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑃𝑎𝑔𝑎𝑟 𝑀é𝑑𝑖𝑜 ) × 365 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎𝑠 𝑎 𝑐𝑟é𝑑𝑖𝑡𝑜 Indica o tempo que, em média, a empresa demora a pagar àqueles que forneceram bens e serviços a crédito. Gonçalo Santos Silva, 2025 35 • • • • ≈ 0 dias : Pagamento imediato. A empresa não aproveita prazos de pagamento. 10 - 30 dias : Boa relação com fornecedores. Pagamentos atempados. 60 - 90 dias : Empresa está a adiar pagamentos. Pode ser estratégico, mas afeta a relação com fornecedores. > 100 dias : Possível problema de liquidez. Risco de perder crédito comercial. Rácio Rotação Líquida de Ativos Receitas das vendas para o capital de longo prazo utilizado 𝑺𝒂𝒍𝒆𝒔 𝒓𝒆𝒗𝒆𝒏𝒖𝒆 𝒕𝒐 𝒄𝒂𝒑𝒊𝒕𝒂𝒍 𝒆𝒎𝒑𝒍𝒐𝒚𝒆𝒅 = 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 𝑀é𝑑𝑖𝑎 (𝐶𝑃 + 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 Ñ 𝐶) Mede quanto volume de vendas é gerado por cada euro investido a longo prazo (capital próprio + passivo não corrente). • • • • ≈ 2 ou mais : Muito eficiente. Cada euro investido gera múltiplas vezes em vendas. ≈ 1 : Razoável. O capital investido gera o equivalente em vendas. ≈ 0,5 : Pouca rotação. O capital investido gera metade em vendas. ≈ 0 : Ineficiente. O capital investido está a gerar quase nenhuma receita. Receita de Vendas por Funcionário 𝑺𝒂𝒍𝒆𝒔 𝒓𝒆𝒗𝒆𝒏𝒖𝒆 𝒑𝒆𝒓 𝒆𝒎𝒑𝒍𝒐𝒚𝒆𝒆 = 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 𝑁º 𝑇𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑎𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 (𝑚é𝑑𝑖𝑎 𝑎𝑛𝑢𝑎𝑙) Mede quanto valor de vendas é gerado por cada trabalhador, em média por ano. Fornece uma medida da produtividade da força de trabalho. • • • • Muito alto : Alta produtividade. Cada funcionário gera elevado volume de receita. Moderado : Produtividade média. Cada colaborador gera receita suficiente. Baixo : Baixa produtividade. A força de trabalho está a gerar pouco retorno em vendas. Muito baixo : Ineficiência. Pode indicar excesso de pessoal ou vendas fracas. Rácios de Liquidez Os recursos líquidos (que podem ser utilizados para pagar) devem estar disponíveis para cumprir as obrigações vincendas (ou seja, montantes devidos que devem ser pagos num futuro próximo). Os rácios de liquidez examinam a relação entre os recursos líquidos, ou caixa gerado, e os montantes a pagar num futuro próximo. Resultado é em “Vezes”. Exemplo, Liquidez Corrente = 1.4 vezes Gonçalo Santos Silva, 2025 36 Rácio de Liquidez Corrente (Geral) 𝑳𝒊𝒒𝒖𝒊𝒅𝒆𝒛 𝑪𝒐𝒓𝒓𝒆𝒏𝒕𝒆/𝑮𝒆𝒓𝒂𝒍 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 Mede a capacidade de a empresa pagar as suas dívidas de curto prazo com os seus ativos correntes. • • • • > 2 : Muito confortável. Os ativos correntes cobrem amplamente as dívidas de curto prazo. ≈ 1,5 – 2 : Boa liquidez. Consegue pagar as suas obrigações com folga. ≈ 1 : Ativos correntes igualam passivos → equilíbrio, mas sem margem de segurança. < 1 : Risco de liquidez. A empresa pode ter dificuldades em pagar as dívidas a curto prazo. Rácio de Liquidez Imediato (Acid Test) 𝑳𝒊𝒒𝒖𝒊𝒅𝒆𝒛 𝑰𝒎𝒆𝒅𝒊𝒂𝒕𝒂 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑒𝑥𝑐𝑙𝑢𝑖𝑛𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜𝑠) 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 Mede a capacidade da empresa de pagar as suas dívidas de curto prazo sem depender do stock. • • • > 1 : Forte liquidez imediata. A empresa pode pagar as dívidas sem vender inventário. ≈ 1 : Equilíbrio. As dívidas de curto prazo estão cobertas, mas com pouca margem. < 1 : A empresa depende da venda de inventário para pagar dívidas, pode haver risco se não vender a tempo. Rácio de Caixa Gerada pelas Operações para Obrigações Vincendas 𝑪𝒂𝒊𝒙𝒂 𝑮𝒆𝒓𝒂𝒅𝒂 𝒑𝒆𝒍𝒂𝒔 𝑶𝒑 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝑶𝒃𝒓𝒊𝒈. = 𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑎𝑠 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎çõ𝑒𝑠 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 Mede a capacidade de a empresa pagar as suas dívidas de curto prazo com o dinheiro gerado pelas suas operações. • • • > 1 : Forte liquidez imediata. A empresa pode pagar as dívidas sem vender inventário. ≈ 1 : Equilíbrio. As dívidas de curto prazo estão cobertas, mas com pouca margem. < 1 : A empresa depende da venda de inventário para pagar dívidas, pode haver risco se não vender a tempo. Gonçalo Santos Silva, 2025 37 Rácios de Endividamento Financeiro (Gearing) Alavancagem Financeira Alavancagem financeira ocorre quando uma empresa é financiada, pelo menos em parte, através de empréstimos, em vez de apenas por capitais próprios dos proprietários. O grau de alavancagem de uma empresa (isto é, o montante de financiamento obtido por via de dívida) é um fator importante na avaliação do risco. Contrair empréstimos implica assumir o compromisso de pagar juros e de reembolsar o capital em dívida. Quando o nível de endividamento é elevado, isso pode representar um encargo financeiro significativo, aumentando o risco de a empresa se tornar insolvente. Apesar desse risco acrescido, a alavancagem financeira pode parecer vantajosa para os acionistas, pois as taxas de juro tendem a ser mais baixas do que os retornos que a empresa pode obter com os seus investimentos. Para além disso, os encargos com juros são fiscalmente dedutíveis, o que reduz o custo efetivo do financiamento por dívida. No entanto, esta vantagem é debatida. O aumento do risco suportado pelos acionistas representa um custo oculto que, segundo muitos autores, anula os benefícios esperados, tornando o ganho líquido irrelevante. Assim, os benefícios da alavancagem podem ser ilusórios do ponto de vista do retorno, embora os efeitos fiscais positivos, como a dedução dos juros, sejam reais e concretos. Rácio de Estrutura de Capitais (ou Endividamento/Alavancagem) 𝑬𝒔𝒕𝒓𝒖𝒕𝒖𝒓𝒂 𝒅𝒆 𝒄𝒂𝒑𝒊𝒕𝒂𝒊𝒔 = 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 = 𝐶𝑃 + 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 (Vezes) Mede a contribuição dos credores para a estrutura de capital de uma organização. Quanto mais elevado, maior a pressão para cumprir obrigações financeiras e maior o risco em períodos de instabilidade. Por isso, é crucial para analisar a sustentabilidade da estrutura financeira de uma organização. Estrutura de Capital de Longo Prazo (Gearing Ratio) 𝑮𝒆𝒂𝒓𝒊𝒏𝒈 𝒓𝒂𝒕𝒊𝒐 = 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜𝑠 Ñ 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 × 100 𝐶𝑃 + 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜𝑠 Ñ 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 (%) Mede a proporção de capital de longo prazo que é financiada por dívida em vez de capital próprio. Este rácio é fundamental para avaliar o nível de risco financeiro de uma empresa e a sua autonomia face a credores. Um valor mais Gonçalo Santos Silva, 2025 38 elevado indica maior alavancagem e, portanto, maior vulnerabilidade em situações adversas. Rácio de Cobertura de Juros 𝑹á𝒄𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝑪𝒐𝒃𝒆𝒓𝒕𝒖𝒓𝒂 𝒅𝒆 𝑱𝒖𝒓𝒐𝒔 = 𝑅𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝐽𝑢𝑟𝑜𝑠 𝑎 𝑝𝑎𝑔𝑎𝑟 (vezes) Mede a capacidade da empresa de pagar os encargos com juros através dos seus lucros operacionais. Este rácio é fundamental para avaliar o risco financeiro associado ao endividamento. Um valor mais baixo indica maior vulnerabilidade, especialmente em períodos de baixa rentabilidade. • > 5 : Muito sólido. A empresa gera lucros suficientes para pagar os juros com larga margem. • ≈ 2 a 5 : Estável. Os lucros cobrem confortavelmente os encargos com juros. • ≈ 1 a 2 : A empresa consegue pagar os juros, mas com pouca margem. • < 1 : A empresa não gera lucro suficiente para pagar os juros: risco elevado de incumprimento. Rácios de investimento Certos rácios podem ser utilizados por investidores/acionistas/proprietários, que não estão envolvidos na gestão da empresa, para avaliar os retornos (tais como lucros ou dividendos) do seu investimento. Rácio de Distribuição de Dividendos (Dividend Payout Ratio) 𝑷𝒂𝒚𝒐𝒖𝒕 𝑹𝒂𝒕𝒊𝒐 = 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑛𝑢𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑎𝑛𝑜 × 100 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑑𝑖𝑠𝑝𝑜𝑛𝑖𝑣𝑒𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑑𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 Mede a percentagem dos lucros do período que foi distribuída aos acionistas sob a forma de dividendos. • • • • > 100% : Dividendos pagos excedem os lucros — situação insustentável. ≈100% : Toda a margem de lucro foi distribuída — sem retenção de lucros para reinvestimento. ≈30–70% : Políticas equilibradas — parte distribuída, parte reinvestida. < 30% : Política conservadora — a maior parte dos lucros é retida. Rácio de Cobertura de Dividendos (Dividend Cover Ratio) 𝑪𝒐𝒗𝒆𝒓 𝑹𝒂𝒕𝒊𝒐 = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑑𝑖𝑠𝑝𝑜𝑛𝑖𝑣𝑒𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑑𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 1 = 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑛𝑢𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑎𝑛𝑜 𝑷𝒂𝒚𝒐𝒖𝒕 𝑹𝒂𝒕𝒊𝒐 (𝒅𝒆𝒄𝒊𝒎𝒂𝒍) Gonçalo Santos Silva, 2025 39 (vezes) Mede quantas vezes os lucros do exercício cobrem os dividendos anunciados. Avalia a sustentabilidade da política de distribuição de dividendos. • • • > 2 : Muito seguro. A empresa tem lucros suficientes para pagar os dividendos e ainda reter parte. ≈ 1 : Frágil. A totalidade do lucro é distribuída em dividendos. < 1 : Insustentável. A empresa distribui mais do que lucrou - risco de não manter o dividendo no futuro. Rácio de Rentabilidade dos Dividendos (Dividend Yield Ratio) 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝐴çã𝑜 × 100 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑚𝑒𝑟𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝐴çã𝑜 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝐴𝑛𝑢𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑜𝑛𝑑𝑒, 𝑫𝒊𝒗𝒊𝒅𝒆𝒏𝒅𝒐 𝒑𝒐𝒓 𝑨çã𝒐 = 𝑁º 𝐴çõ𝑒𝑠 𝑂𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝐶𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑫𝒊𝒗𝒊𝒅𝒆𝒏𝒅 𝒀𝒊𝒆𝒍𝒅 = Indica quantas vezes o lucro do exercício cobre os dividendos anunciados. É o inverso do payout ratio. • • • > 6% : Muito atrativo. Elevado retorno em dividendos. ≈ 3 – 5% : Rendimento estável. Boa remuneração para investidores. < 2% : Baixo rendimento. Pode indicar política conservadora de dividendos ou empresa em crescimento Lucros Por Ação (LPS ou EPS) 𝑬𝒂𝒓𝒏𝒊𝒏𝒈 𝑷𝒆𝒓 𝑺𝒉𝒂𝒓𝒆 (𝑬𝑷𝑺) = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑑𝑖𝑠𝑝 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜𝑠 𝐴𝑐𝑖𝑜𝑛𝑖𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑂𝑟𝑑𝑖𝑛𝑎𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑁º 𝐴çõ𝑒𝑠 𝑂𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝐶𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎çã𝑜 Mede quanto lucro líquido está disponível para cada ação ordinária. É um dos indicadores mais usados para avaliar a rentabilidade de uma empresa por ação. Para os acionistas (ordinários), o montante disponível será representado pelo lucro do exercício (lucro após tributação) menos qualquer dividendo preferencial, quando aplicável. Quanto maior o EPS, maior o lucro por ação, o que pode indicar uma empresa mais rentável. • • • Comparar a rentabilidade entre empresas; Apoiar decisões de compra ou venda de ações; Calcular o rácio preço/lucro (PER). Dinheiro Gerado a Partir de Operações por Ação 𝑫𝒊𝒏𝒉𝒆𝒊𝒓𝒐 𝒈𝒆𝒓𝒂𝒅𝒐 𝒑𝒐𝒓 𝒂çã𝒐 = Gonçalo Santos Silva, 2025 𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑎𝑠 𝑜𝑝. – 𝐷𝑖𝑣. 𝑝𝑟𝑒𝑓 (𝑠𝑒 ℎ𝑜𝑢𝑣𝑒𝑟) 𝑁º 𝐴çõ𝑒𝑠 𝑂𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝐶𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎çã𝑜 40 Este rácio mostra quanto dinheiro efetivamente gerado pelas atividades operacionais está disponível por cada ação ordinária. • • • Capacidade real da empresa em gerar liquidez com a sua atividade principal, por ação. É útil para perceber se o lucro por ação (EPS) é suportado por caixa real, e não apenas por registos contabilísticos. Um valor mais elevado é sinal de boa saúde financeira operacional e capacidade de manter dividendos ou reinvestimentos. Preço/Lucro (P/E) 𝑷/𝑬 𝑹𝒂𝒕𝒊𝒐 = 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑚𝑒𝑟𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑝/ 𝑎çã𝑜 𝐸𝑃𝑆 Mede quantas vezes o lucro por ação está incluído no preço de mercado da ação. Indica o número de anos que um investidor levaria a recuperar o investimento, assumindo que os lucros se mantêm constantes. É um dos rácios mais usados pelos investidores para avaliar se uma ação está “cara” ou “barata” face ao seu lucro. • > 20: espera-se crescimento sobrevalorizadas. (P/E alto) dos lucros. Pode indicar ações 1. ≈ 10 – 20: Expectativas moderadas. Avaliação estável da empresa.(P/E médio) • < 10: Pode indicar ações subvalorizadas ou baixas expectativas de crescimento. Resumo Rácios de Investimento (Podes pôr no Formulário Luís) Rácios de investimento Rácio Formula O que mede Interpretação EPS 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑑𝑖𝑠𝑝𝑜𝑛í𝑣𝑒𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑖𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑜𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑁º 𝑑𝑒 𝑎çõ𝑒𝑠 𝑜𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎çã𝑜 (€) Lucro atribuído a cada ação ordinária Quanto maior, melhor. Indica a rentabilidade individual por ação. Dividendo p Ação 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑜𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑁º 𝑑𝑒 𝑎çõ𝑒𝑠 𝑜𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑒𝑚 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎çã𝑜 (€) Valor do dividendo pago por cada ação Indica a remuneração direta do acionista. 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝑎çã𝑜 × 100 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑚𝑒𝑟𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝑎çã𝑜 (%) Rentabilidade % do dividendo face ao preço de mercado 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑛𝑢𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜𝑠 × 100 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐷𝑖𝑠𝑝𝑜𝑛𝑖𝑣𝑒𝑖𝑠 % dos lucros distribuída em dividendos >6% = elevado (muito bom) 3–5% = estável <2% = baixo rendimento. >100% = insustentável ≈30–70% = política equilibrada. <30% = Conservadora (retém mais para reinvestir) Dividend Cover 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜𝑠 𝑑𝑖𝑠𝑝𝑜𝑛í𝑣𝑒𝑖𝑠 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑛𝑢𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜𝑠 (Vezes) Quantas vezes o lucro cobre os dividendos >2 = forte cobertura <1 = risco de corte. Caixa por Ação 𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑙𝑎𝑠 𝑜𝑝 − 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑃𝑟𝑒𝑓 𝑁º 𝑑𝑒 𝐴çõ𝑒𝑠 𝑂𝑟𝑑𝑖𝑛á𝑟𝑖𝑎𝑠 (€) Fluxo de caixa operacional gerado por cada ação Mede a liquidez real gerada por ação – útil para avaliar sustentabilidade de dividendos e reinvestimentos. Rendimento dos Dividendos Distribuição de Dividendos Gonçalo Santos Silva, 2025 41 P/E Ratio 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑀𝑒𝑟𝑐𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝑎çã𝑜 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝑎çã𝑜 (𝐸𝑃𝑆) (Vezes) Quantas vezes o lucro está incluído no preço da ação >20 = expectativas de crescimento; <10 = possível subvalorização. Previsão do fracasso financeiro Por fracasso financeiro, entende-se uma empresa que é forçada a encerrar as suas atividades ou que é gravemente afetada negativamente pela sua incapacidade de cumprir as suas obrigações financeiras. É muitas vezes referido como "falir" ou "ir à falência". Esta é, naturalmente, uma área de preocupação para todos os que estão ligados ao negócio. Rácios Para Avaliar a Saúde Financeira e Risco de Fracasso Rácio O que mede Fluxo de Caixa / Dívida Total Capacidade de gerar caixa suficiente para pagar a dívida total. Lucro Líquido / Total do Ativo Total da Dívida / Total do Ativo Rentabilidade dos ativos — quão eficaz é a empresa a gerar lucro com os recursos que possui. Peso do endividamento no total dos recursos da empresa — mede o grau de alavancagem. Fundo de Maneio / Ativo Total Proporção de ativos de curto prazo disponíveis para financiar operações. Liquidez Corrente Capacidade de pagar as dívidas de curto prazo com ativos correntes. Período de Intervalo de Crédito Tempo que a empresa consegue manter-se operacional com base no fluxo de caixa antes de pagar dívidas. Limitações da análise de rácios Dependem da qualidade das demonstrações financeiras Se os dados contabilísticos forem incompletos ou manipulados, os rácios também o serão. Não consideram recursos intangíveis não contabilizados Como marcas ou boa reputação interna, o que afeta rácios como o ROCE ou ROSF. Perspetiva limitada Focam-se em relações numéricas sem considerar o contexto total ou variações absolutas entre empresas. Dificuldade em comparar com outras empresas Diferenças de setor, dimensão, métodos contabilísticos ou estrutura financeira dificultam benchmarks úteis. Influência da inflação Pode distorcer os valores históricos e afetar a utilidade dos rácios. Baseados num “momento no tempo” Rácios como os de liquidez refletem apenas uma data, o que pode não representar a realidade anual da empresa. Gonçalo Santos Silva, 2025 42 Capítulo 3.1. - Decisões de Investimento de Capital O tempo é um fator essencial nas decisões de investimento As decisões de investimento tendem a ser de profunda importância para o negócio porque: A. Estão frequentemente envolvidos grandes quantidades de recursos. B. Trata-se de prazos relativamente longos. C. É muitas vezes difícil e/ou dispendioso resgatar um investimento depois de este ter sido realizado. Métodos de avaliação dos investimentos Período de retorno (Payback) Este é o tempo necessário para que um investimento inicial seja reembolsado com as entradas líquidas de caixa de um projeto. Ou seja, quando "compensa" 𝑷𝒂𝒚𝒃𝒂𝒄𝒌 = (𝑛 − 1) + (−) 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝐴𝑐𝑢𝑚𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜𝑛−1 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎𝑛 𝒏 = 1º 𝑃𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝐴𝑐𝑢𝑚𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜 𝑃𝑜𝑠𝑖𝑡𝑖𝑣𝑜, Ano (n) 0 1 2 3 4 5 6 Fluxos de Caixa (-100) 20 40 60 60 20 20 Fluxo Acumulado (-100) (-80) (-40) 20 80 100 120 Contas Investimen to -100 + 20 -80 + 40 -40 + 60 Primeiro positivo 20 + 60 80 + 20 100 + 20 𝑷𝒂𝒚𝒃𝒂𝒄𝒌 = (3 − 1) + (−) 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝐴𝑐𝑢𝑚𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜3−1 − (−40) =2 + ≈ 𝟐, 𝟔𝟔𝟔𝟕 𝒂𝒏𝒐𝒔 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎3 60 Um projeto só é considerado aceitável se o seu período de payback for igual ou inferior ao limite máximo definido pela empresa. Se houver dois ou mais projetos viáveis, todos com períodos de payback dentro do limite: • Deve-se escolher o que tiver o menor (ou mais curto) período de recuperação. Gonçalo Santos Silva, 2025 43 Valor Atual Líquido (VAL ou NPV) Também conhecido como Método do Fluxo de Caixa Atualizado (DCF) O Valor Atual Líquido (VAL) mede o valor total gerado por um projeto, atualizando os fluxos de caixa futuros ao valor presente. É uma das ferramentas mais utilizadas na avaliação de investimentos. 𝑽𝑨𝑳 = ∑ = 𝐶𝐹𝑡 −𝐼 (1 + 𝑟 )𝑡 𝐶𝐹1 𝐶𝐹2 𝐶𝐹𝑛 + + ⋯+ −𝐼 1 2 (1 + 𝑟 ) (1 + 𝑟 ) (1 + 𝑟 )𝑛 𝐶𝐹𝑡 = 𝐹𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜 𝑡 𝑟 = 𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑠𝑐𝑜𝑛𝑡𝑜 (𝑜𝑢 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 ) 𝑛 = 𝑁𝑟º 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑑𝑜𝑠 𝐼 = 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝐼𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 Critério de decisão: • VAL > 0 → Aceita-se o projeto (cria valor para a empresa). • VAL < 0 → Rejeita-se o projeto (destrói valor). Se houver vários projetos com VAL positivo, escolhe-se o de maior VAL. Limitações do VAL Este método depende das projeções de fluxos monetários futuros e taxas de desconto. Estas projeções podem tornar-se especulativas. Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) A Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) é a taxa de desconto que torna o VAL igual a zero. Representa a rentabilidade percentual do projeto. 𝑻𝑰𝑹 → 𝑉𝐴𝐿 = 0, 0=∑ 𝑟 =? 𝐶𝐹𝑡 −𝐼 (1 + 𝑻𝑰𝑹)𝑡 Critério de decisão: • • • TIR > custo de capital (hurdle rate) → Aceita-se o projeto. TIR < custo de capital → Rejeita-se o projeto. Entre vários projetos viáveis, escolhe-se o que tiver a TIR mais elevada. Limitações TIR Gonçalo Santos Silva, 2025 44 1. Pode haver múltiplas TIRs - Quando os fluxos de caixa mudam de sinal (ex: positivos e negativos intercalados), podem existir vários valores de TIR, o que gera confusão. 2. Não funciona bem com projetos mutuamente exclusivos 3. Ignora a dimensão absoluta do projeto Modelo para a tomada de decisões de investimento 1. Determinar os fundos disponíveis Quanto a empresa pode investir? 2. Identificar oportunidades rentáveis Procurar projetos com potencial de lucro. 3. Avaliar o projeto proposto Análise financeira (VAL, TIR, Payback, etc.). 4. Aprovar o projeto Decisão formal de avançar com o investimento. 5. Monitorizar e controlar o projeto Acompanhar o desempenho e tomar medidas corretivas, se necessário. Gonçalo Santos Silva, 2025 45 Capítulo 3.2. - Financiar organizações desportivas Fontes Internas - Própria empresa (donos, CP) Financiamento a longo prazo Resultados retidos (desenvolvido mais tarde) Os resultados retidos dentro da organização, em vez de distribuídos aos acionistas geralmente sob a forma de dividendos, representam a fonte mais importante de novo financiamento para muitas empresas em termos de valor dos fundos angariados. Dividend policy Os administradores de empresas rentáveis podem decidir o montante dos dividendos a pagar aos acionistas. Isto levanta a questão de quão grande deve ser o dividendo de cada ano. Financiamento a Curto Prazo Controlo de crédito mais rigoroso Ao exercer um controlo mais apertado sobre os montantes devidos pelos clientes de crédito, uma empresa pode ser capaz de reduzir os fundos bloqueados. No entanto, é importante ponderar os benefícios de um controlo do crédito mais rigoroso em relação aos custos prováveis sob a forma de perda de goodwill por parte dos clientes, que conduzem a uma perda de vendas. Redução dos níveis de inventários Esta fonte interna de financiamento pode revelar-se atrativa para uma empresa. No entanto, é necessário garantir que existem inventários suficientes disponíveis para satisfazer a provável produção e procura de vendas futuras. O não cumprimento deste requisito pode resultar numa disrupção dispendiosa da produção, perda da confiança dos clientes e/ou perda de receitas de vendas. Atrasar o pagamento para contas a pagar Ao conceder um período de crédito, os fornecedores estão, de facto, a oferecer aos seus clientes empréstimos sem juros. Atrasar o pagamento é uma forma de financiamento. Isso pode ser de grande benefício para um negócio, embora nem sempre seja o caso. Se uma empresa não pagar dentro do período de crédito acordado, pode haver custos significativos e danos à reputação. Gonçalo Santos Silva, 2025 46 Exercício (15.2) – Gestão das componentes Este exercício analisa os benefícios de tesouraria (cash flow) que a empresa pode obter se gerir melhor os componentes do capital circulante. Ou seja, reduzir o capital circulante para os níveis médios de empresas semelhantes, libertando liquidez. Ou seja, Vendas = 14.6; CMV = Compras = 7.3 Resolução e Formulas 𝑫𝒊𝒏𝒉𝒆𝒊𝒓𝒐 𝑬𝒎𝒑𝒂𝒕𝒂𝒅𝒐 = 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜𝑠 + 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑅𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 – 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑃𝑎𝑔𝑎𝑟 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝑹𝒐𝒕𝒂çã𝒐 𝒅𝒆 𝑰𝒏𝒗𝒆𝒏𝒕á𝒓𝒊𝒐 = × 365 𝐶𝑀𝑉 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑷𝑴𝑹 𝒂 𝒓𝒆𝒄𝒆𝒃𝒆𝒓 = × 365 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑷𝑴𝑹 𝒂 𝒑𝒂𝒈𝒂𝒓 = 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑝𝑎𝑔𝑎𝑟 × 365 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎𝑠 (𝑎 𝑐𝑟é𝑑𝑖𝑡𝑜) 𝑴é𝒅𝒊𝒂 𝑰𝒏𝒅ú𝒔𝒕𝒓𝒊𝒂: 𝐹𝑎𝑧𝑒𝑟 𝑜 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠, 𝑡𝑒𝑛𝑡𝑎𝑛𝑡𝑜 𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 𝑜 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜, 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑜𝑢 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑃𝑎𝑔𝑎𝑟 𝑫𝒊𝒏𝒉𝒆𝒊𝒓𝒐 𝑳𝒊𝒃𝒆𝒓𝒕𝒐 = 𝐷𝑖𝑓𝑒𝑟𝑒𝑛ç𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜 𝑎𝑡𝑢𝑎𝑙 𝑒 𝑎 𝑚é𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝐼𝑛𝑑𝑢𝑠𝑡𝑟𝑖𝑎 Inventários Média Indústria = 𝑅𝑜𝑡𝑎çã𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜𝑠 (𝐼𝑛𝑑ú𝑠𝑡𝑟𝑖𝑎) 365 22 × 𝐶𝑀𝑉 = 356 × 7.3 = 0.4 Dinheiro Liberto = 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜 – 𝑂𝑏𝑗𝑒𝑡𝑖𝑣𝑜 = 1.5 − 0.4 = 1.1 Contas a Receber Média Indústria = PMR a receber (𝐼𝑛𝑑ú𝑠𝑡𝑟𝑖𝑎) 365 57 × 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜𝑠 = 365 ∗ 14.6 = 2.3 Dinheiro Liberto = 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 – 𝑂𝑏𝑗𝑒𝑡𝑖𝑣𝑜 = 3.8 − 2.3 = 1.5 Contas a Pagar Média Indústria = PMR a pagar (𝐼𝑛𝑑ú𝑠𝑡𝑟𝑖𝑎) 365 55 × 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎𝑠 𝑎 𝑐𝑟é𝑑𝑖𝑡𝑜 = 365 ∗ 7.3 = 1.1 Dinheiro Liberto = 𝑂𝑏𝑗𝑒𝑡𝑖𝑣𝑜 − 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑝𝑎𝑔𝑎𝑟 = 1.1 − 0.7 = 0.4 𝑫𝒊𝒏𝒉𝒆𝒊𝒓𝒐 𝑳𝒊𝒃𝒆𝒓𝒕𝒐 𝑻𝒐𝒕𝒂𝒍 = 1.1 + 1.5 + 0.4 = 3 Embora a empresa seja lenta a pagar, a atividade 15.2 mostra que a verdadeira melhoria viria de uma gestão mais equilibrada de todos os elementos do capital circulante, não só atrasando pagamentos, mas também acelerando recebimentos e reduzindo excessos de stock, o que pode gerar 3 milhões de € em caixa. Gonçalo Santos Silva, 2025 47 Fontes Externas - Terceiros (Bancos, etc, Passivo) Financiamento a Longo Prazo 1. Ações ordinárias (capital próprio) As ações ordinárias representam o capital de risco da empresa e são a base da sua estrutura financeira. Os seus titulares são os últimos a receber em caso de liquidação, mas têm direito de voto e, por isso, poder de controlo sobre as decisões da empresa. Os dividendos são variáveis e só são pagos se houver lucros e após satisfazer outras obrigações. Apesar do maior risco, os acionistas ordinários têm potencial para maior retorno e influência na gestão. 2. Ações preferenciais As ações preferenciais oferecem um nível de risco mais baixo do que as ordinárias. Pagam um dividendo fixo, mesmo que a empresa tenha lucros limitados, o que lhes dá uma característica semelhante à dívida. Os titulares não têm, normalmente, direito de voto, mas têm prioridade no recebimento de dividendos e em caso de liquidação da empresa. São ideais para investidores que preferem rendimento estável a controlo. 3. Contração de Empréstimos A contração de empréstimos é uma das formas mais utilizadas pelas empresas para se financiarem, complementando o capital próprio. Este financiamento pode assumir várias formas, com diferentes condições associadas, como taxas de juro fixas ou variáveis, e a exigência de garantias. Além disso, os contratos de empréstimo podem incluir cláusulas específicas, conhecidas como obrigações contratuais, que impõem restrições ao comportamento financeiro da empresa. Um empréstimo a prazo é uma forma flexível de crédito concedido por bancos e outras instituições financeiras. Pode ser ajustado às necessidades da empresa, sendo negociáveis o montante, o prazo, as condições de reembolso e a taxa de juro. As obrigações (também chamadas de notas de empréstimo) são títulos de dívida emitidos em unidades, que os investidores podem adquirir conforme pretendam. Estes títulos podem ser resgatáveis (com prazo de vencimento) ou irremediáveis (sem vencimento fixo), e são muitas vezes negociados na bolsa de valores. As euro-obrigações são semelhantes, mas são emitidas numa moeda diferente da moeda nacional da empresa emissora, permitindo angariar financiamento em Gonçalo Santos Silva, 2025 48 mercados internacionais. São comuns entre empresas de grande dimensão, incluindo multinacionais cotadas em bolsa. Por fim, uma hipoteca é um empréstimo garantido por um ativo, geralmente um imóvel ou terreno. Este tipo de financiamento é atrativo para instituições como bancos, companhias de seguros e fundos de pensões, e pode ter um prazo longo, frequentemente superior a 20 anos. 4. Locações Financeiras (incluindo acordos de sale and leaseback) Uma locação financeira é uma forma de financiamento em que uma empresa, em vez de comprar diretamente um ativo (como equipamento), recorre a uma instituição financeira que o adquire e, depois, o aluga à empresa. A instituição que compra o ativo é a locadora, e a empresa que o utiliza é a locatária. Este tipo de contrato é semelhante a um empréstimo: se a empresa pedisse o dinheiro emprestado e comprasse o ativo, o efeito seria praticamente o mesmo. Distingue-se da locação operacional, que é normalmente de curto prazo e em que os riscos e benefícios da posse permanecem com o proprietário. Um exemplo típico de locação operacional é o aluguer de maquinaria por uma semana para um projeto específico. 5. Acordo de sale-and-leaseback O acordo de sale-and-leaseback permite à empresa obter financiamento ao vender um ativo a uma instituição financeira e, em seguida, arrendá-lo de volta. Assim, a empresa continua a utilizar o ativo enquanto liberta capital. Os pagamentos de aluguer são considerados despesas dedutíveis para efeitos fiscais. 6. Locação Financeira com Acordo de Compra A locação financeira com acordo de compra (ou hire purchase – HP) é uma forma de crédito usada para adquirir um ativo. O cliente paga o valor do ativo em prestações periódicas, ao longo de um prazo acordado. No final, torna-se proprietário do ativo, desde que todos os pagamentos tenham sido feitos. É uma alternativa ao financiamento tradicional por empréstimo. Gonçalo Santos Silva, 2025 49 7. Titularização A titularização é um método de financiamento que consiste em agrupar ativos ilíquidos (como empréstimos ou hipotecas) para servir de garantia numa emissão de obrigações. Estes ativos, apesar de não poderem ser facilmente vendidos, geram fluxos de caixa futuros (como juros), que são usados para reembolsar os investidores. Este processo foi inicialmente usado por bancos nos EUA, que agruparam empréstimos hipotecários residenciais para emitir obrigações. Atualmente, a titularização aplica-se a vários tipos de ativos e é uma forma eficaz de transformar créditos em liquidez para a empresa. Financiamento a Curto Prazo 1. Empréstimos de Curto Prazo São financiamentos com duração inferior a um ano, obtidos junto de bancos ou através da emissão de títulos, como o papel comercial. Servem para cobrir necessidades imediatas de liquidez. 2. Descoberto Bancário (Bank Overdraft) Permitem que uma empresa opere com saldo negativo na conta bancária. São uma forma muito flexível de financiamento, podendo ser ajustados rapidamente, mas costumam implicar taxas de juro elevadas. 3. Factoring de Dívidas É um serviço prestado por empresas financeiras que compram os créditos de clientes de uma empresa. O fator antecipa parte do valor das faturas e assume a cobrança. Pode também oferecer apoio na análise de crédito e proteção contra incobráveis. Existem duas formas: com recurso (o risco continua com a empresa) e sem recurso (o fator assume o risco). 4. Desconto na Fatura Permite à empresa obter adiantamentos com base nas suas faturas a receber, sem transferir a responsabilidade da cobrança. É uma alternativa semelhante ao factoring, mas com menor envolvimento da instituição financeira. Gonçalo Santos Silva, 2025 50 Financiamento a Longo Prazo VS Curto Prazo 1. Correspondência temporal (matching): Empresas devem alinhar o tipo de financiamento à duração dos ativos. Ativos permanentes e parte dos ativos correntes devem ser financiados com empréstimos a longo prazo, enquanto flutuações sazonais podem ser cobertas com dívida de curto prazo. 2. Flexibilidade: Empréstimos a curto prazo são mais flexíveis, podendo ser usados como solução temporária ou para adiar compromissos de financiamento a longo prazo. 3. Risco de refinanciamento: O financiamento a curto prazo exige renovações mais frequentes, o que pode ser problemático em situações de crise ou falta de liquidez. 4. Taxas de juro: Em geral, os juros do financiamento a longo prazo são mais elevados, pois os mutuantes exigem compensação pelo tempo em que os seus fundos ficam indisponíveis. Contudo, os empréstimos de curto prazo podem ter custos adicionais elevados. Alavancagem Financeira e Decisão de Financiamento A alavancagem financeira (ou “gearing”) refere-se ao grau em que uma empresa é financiada por empréstimos em vez de capital próprio. Quanto maior o endividamento, maior o risco financeiro, mas também maior pode ser a rentabilidade para os acionistas, desde que os lucros sejam elevados. Exemplo No exemplo apresentado, são comparadas duas opções de financiamento: uma baseada apenas em ações ordinárias (“all-equity option”) e outra que combina ações com empréstimos bancários (“geared option”). No A, Ativo = CP = 300M€. Enquanto no B: CP = Passivo = 150M€. Com isto, o RAI (Profit Before Tax) é alterado, pela existência da taxa de divida/financiamento. A análise mostra que a opção com dívida gera maior sensibilidade do lucro por ação (EPS) a variações no lucro operacional. Gonçalo Santos Silva, 2025 51 Por exemplo, um aumento de 10 milhões no lucro operacional aumenta o EPS em 40% na opção com dívida, mas apenas 25% na opção sem dívida. No entanto, essa mesma sensibilidade implica maior risco: se o lucro baixar, o EPS também cai de forma mais acentuada. Quando a rentabilidade esperada (lucro operacional/investimento) é superior à taxa de juro da dívida, a alavancagem beneficia os acionistas, pois gera ganhos adicionais. Se for inferior, o efeito será o oposto. Importa ainda distinguir entre Alavancagem Operacional (relação entre custos fixos e variáveis) e Alavancagem Financeira (relação entre capital próprio e dívida). Se ambos os tipos forem elevados, o negócio torna-se altamente sensível a variações nas receitas, o que aumenta o risco, mas também pode ampliar os retornos. Emissão de ações (Financiamento a Longo Prazo) A emissão de ações é uma forma comum de financiamento a longo prazo para empresas, frequentemente realizada através da Bolsa de Valores. Esta desempenha um papel central tanto no mercado primário, onde as empresas obtêm novos financiamentos com a emissão inicial de ações, quanto no mercado secundário, onde os títulos são negociados após a emissão. As principais vantagens de financiar-se através da bolsa incluem: • • • + Liquidez, pois as ações podem ser facilmente negociadas. Notoriedade e publicidade, que aumentam a visibilidade da empresa. Acesso a fontes de financiamento alargadas, atingindo um número maior de investidores. Contudo, também há desvantagens, como: • • • • Obrigação de divulgar informações, incluindo relatórios trimestrais. Pressão de curto prazo sobre a performance da empresa. Tempo e recursos exigidos para manter o cumprimento regulatório. Custos relacionados ao processo de listagem e manutenção. Para pequenas empresas ou start-ups, o acesso às bolsas pode ser difícil, levando-as a procurar formas alternativas de financiamento, como o capital de risco. • • • • • Public issue (emissão pública); Offer for sale (oferta pública secundária); Placing (colocação privada); Rights issue (emissão de direitos); Bonus issue (emissão gratuita, que não gera entrada de fundos). Gonçalo Santos Silva, 2025 52 Capítulo 3.3. - Fundo de maneio e sua gestão Fundo Maneio 𝑭𝒖𝒏𝒅𝒐 𝑴𝒂𝒏𝒆𝒊𝒐 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 − 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝐶𝑃 − 𝑃Ñ𝐶 O Fundo de Maneio representa os recursos financeiros de curto prazo disponíveis para financiar as operações do dia a dia da empresa (compra de mercadorias, pagamento de salários, etc.). Fundo Maneio > 0 A empresa tem mais ativos líquidos do que dívidas que vencem num curto prazo. A empresa tem recursos suficientes para cobrir suas obrigações de curto prazo. Situação saudável Fundo Maneio < 0 Desequilíbrio Patrimonial. A empresa não tem recursos suficientes para cobrir suas obrigações de curto prazo. Pode enfrentar dificuldades de liquidez. Implica tomar medidas para aumentar o ativo corrente, por exemplo, vendendo imobilizado, aumentando o capital ou contraindo um empréstimo a longo prazo. Porque as pequenas empresas tendem a ter excesso de fundo de maneio (working capital) em comparação com empresas maiores? 1. Gestão menos eficiente Empresas pequenas, por norma, têm menos recursos e experiência na gestão financeira. Isso pode levá-las a manter níveis mais altos de inventário ou contas a receber, por precaução ou por falta de planeamento eficaz. 2. Economias de escala Negócios maiores conseguem operar de forma mais eficiente. Por exemplo, mesmo com o dobro das vendas, uma empresa grande não precisa necessariamente de ter o dobro dos inventários, graças à otimização de processos. Gonçalo Santos Silva, 2025 53 As depreciações contribuem para o fundo de maneio? (PERGUNTAR PROFESSOR!!!!) Não, as depreciações não contribuem diretamente para o fundo de maneio. A depreciação é uma despesa contabilística, ou seja, representa a perda de valor de um ativo ao longo do tempo, mas não envolve saída real de dinheiro. Por isso, embora reduza o lucro contabilístico, não afeta o caixa da empresa. No entanto, como a depreciação não representa um desembolso efetivo, ela pode aumentar o fluxo de caixa operacional (já que o lucro líquido é ajustado ao somar de volta a depreciação). Esse maior fluxo de caixa pode indiretamente fortalecer o fundo de maneio, se for usado, por exemplo, para aumentar ativos correntes ou reduzir passivos correntes. Resumo: A depreciação não é parte do fundo de maneio, mas pode ajudar a gerar liquidez que, se bem gerida, pode melhorar o fundo de maneio da empresa. Gestão de Inventários A gestão de inventários, dentro da gestão do fundo de maneio, procura equilibrar a necessidade de ter stock suficiente para responder à procura diária com o custo de manter esses inventários. Manter stock em excesso pode gerar custos significativos como: • Armazenamento e manuseio • Financiamento do capital • Riscos de obsolescência ou furtos • Perda de oportunidades por capital imobilizado Empresas procuram minimizar esses custos mantendo apenas o inventário necessário para operar com eficiência. Orçamentação da procura futura Preparar orçamentos adequados é uma das melhores maneiras de garantir que os estoques estarão disponíveis para atender às necessidades futuras de produção e vendas. Os orçamentos podem ser obtidos de várias formas. Podem ser desenvolvidos utilizando técnicas estatísticas, como a análise de séries cronológicas, ou podem basear-se na apreciação do pessoal de vendas e marketing Rácios financeiros Gonçalo Santos Silva, 2025 54 𝑷. 𝑴é𝒅𝒊𝒐 𝒅𝒆 𝑹𝒐𝒕𝒂çã𝒐 𝒅𝒆 𝑰𝒏𝒗. (𝑬𝒙𝒊𝒔𝒕ê𝒏𝒄𝒊𝒂𝒔) = 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑛𝑡á𝑟𝑖𝑜 𝑀é𝑑𝑖𝑜 × 365 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 (referido anteriormente) Sistemas de gravação e reordenação Um sistema sonoro de registo dos movimentos dos inventários é um elementochave na gestão dos inventários. Devem existir procedimentos adequados para registar as existências, compras e utilizações. Devem ser efetuados controlos periódicos para assegurar que a quantidade de inventários físicos mantidos corresponde ao indicado pelos registos dos inventários Gonçalo Santos Silva, 2025 55
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