MBA em Transição Energética Distribuição de Energia Elétrica Prof. Manoel Negrisoli Exercício de Aula Aluno: Michael D. Thies Março de 2025 2 Questão 01 Quais os valores monetários e percentuais de composição da receita anual permitida (RAP)* da distribuidora CEEE-D (Parcelas A e B)? Considerar o último reajuste ou revisão tarifária e destacar as tarifas do quadro abaixo**: Segundo a resolução ANEEL n° 3413/2024 que homologa o reajuste tarifário anual de 2024 e, conforme aba “resumo” da planilha SPARTA CEEE, a RAP total da distribuidora CEEE é de R$ 5.112.181.371,00, divididos em parcela A de R$ 3.802.377.447, correspondendo à 74,38% e parcela B de R$ 1.309.803.904,00, que corresponde a 25,62% da tarifa. A tabela abaixo representa as tarifas de aplicação, para as seguintes classes e seus respectivos percentuais entre TUSD e TE. SUBGRUPO MODALIDADE CLASSE B1 Branca Residencial Residencial SUBCLASSE Não se aplica Ponta DETALHE POSTO UNIDADE ACESSANTE Total TUSD B1 Branca Residencial Residencial Não se aplica Intermediário MWh Não se aplica 644,36 240,81 885,17 72,80% 27,20% B1 Branca Residencial Residencial Não se aplica Fora ponta MWh Não se aplica 322,32 240,81 563,13 57,24% 42,76% B1 Convencional Residencial Baixa Renda Não se aplica Não se aplica MWh Não se aplica 303,78 244,25 548,03 55,43% 44,57% B1 Convencional Residencial Residencial Não se aplica 421,01 253,03 674,04 62,46% 37,54% MWh Não se aplica Não se aplica MWh Não se aplica 966,40 Total TE 387,44 Total %Tusd %TE 1.353,84 71,38% 28,62% Questão 02 – (Valor 15 pontos) Quais os componentes das tarifas de uso do sistema de distribuição (TUSD) e das tarifas de energia (TE) e quais são as modalidades tarifárias existentes? A tarifa de uso do sistema de distribuição (TUSD) é composta pela TUSD FIO A e TUSD Fio B: A TUSD FIO A – formada por custos regulatórios pelo uso de ativos de propriedade de terceiros, compreendida por: uso dos sistemas de transmissão da rede básica, uso dos transformadores de potência da rede básica com tensão inferior a 230 kV e das DIT compartilhadas, uso dos sistemas de distribuição de outras distribuidoras e conexão às instalações de transmissão ou de distribuição. 3 A TUSD FIO B – formada por custos regulatórios pelo uso de ativos de propriedade da própria distribuidora que compõem a parcela B, compreendida por: custo anual dos ativos (CAA), custo de administração, operação e manutenção (CAOM) e também da TUSD ENCARGOS que é a parcela da TUSD que recupera os custos da Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética – P&D_EE, Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica – TFSEE, Contribuição para o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, Quota da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE, Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – PROINFA e Quota da Conta de Desenvolvimento Energético Conta COVID – CDE COVID e também a TUSD PERDAS – parcela da TUSD que recupera os custos regulatórios com: Perdas técnicas do sistema da distribuidora, Perdas não técnicas, Perdas na Rede Básica devido às perdas regulatórias da distribuidora e Receitas Irrecuperáveis. Abaixo quadro resumo da composição da TUSD. A Tarifa de Energia (TE) é composta por TE Energia. TE Encargos, TE Transporte e TE Perdas: TE ENERGIA – É a parcela da TE que recupera os custos pela compra de energia elétrica para revenda ao consumidor, incluindo: compra nos leilões do Ambiente de Contratação Regulada – ACR, quota de Itaipu, geração própria, aquisição do atual agente supridor, compra de geração distribuída. TE ENCARGOS – É a parcela da TE que recupera os custos de: Encargos de Serviços de Sistema – ESS e Encargo de Energia de Reserva –EER, Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética – P&D_EE, Contribuição sobre Uso de 4 Recursos Hídricos – CFURH e Quota da Conta de Desenvolvimento Energético Conta COVID – CDE COVID. TE TRANSPORTE – É a parcela da TE que recupera os custos de transmissão relacionados ao transporte de Itaipu e à Rede Básica de Itaipu. TE PERDAS – É a parcela da TE que recupera os custos com perdas na Rede Básica devido ao mercado de referência de energia. Abaixo quadro resumo da composição da TUSD. As modalidades tarifárias são um conjunto de tarifas aplicáveis ao consumo de energia elétrica e à demanda de potência ativa. Elas são definidas de acordo com o Grupo Tarifário, segundo as opções de contratação definidas na Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 e no Módulo 7 dos Procedimentos de Regulação Tarifária - Proret: Grupo A: Unidades consumidoras da Alta Tensão (Subgrupos A1, A2 e A3), Média Tensão (Subgrupos A3a e A4), e de sistemas subterrâneos (Subgrupo AS). Horária Azul: tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica e de demanda de potência, de acordo com as horas de utilização do dia (postos tarifários). Disponibilizada para todos os subgrupos do grupo A; e Horária Verde: tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica, de acordo com as horas de utilização do dia (postos tarifários), e de uma única tarifa de demanda de potência. Disponível para os subgrupos A3a, A4 e AS. Grupo B: Unidades consumidoras da Baixa Tensão, das Classes Residencial (Subgrupo B1), Rural (B2), Demais Classes (B3) e Iluminação Pública (B4). 5 Convencional Monômia: tarifa única de consumo de energia elétrica, independentemente das horas de utilização do dia; e Horária Branca: tarifa diferenciada de consumo de energia elétrica, de acordo com as horas de utilização do dia (postos tarifários). Não está disponível para o subgrupo B4 e para a subclasse Baixa Renda do subgrupo B1. Demais acessantes: Distribuição: tarifa aplicada às distribuidoras que acessam outras distribuidoras. Caracterizada por tarifa horária de demanda de potência e consumo de energia para o grupo A, e de tarifa de consumo de energia única para o grupo B; Geração: tarifas aplicadas às centrais geradoras que acessam os sistemas de distribuição, caracterizada por tarifa de demanda de potência única. Questão 03 – (Valor 15 pontos) Calcule a multa por ultrapassagem de demanda e energia reativas excedentes para os seguintes dados, usando as tarifas de CEEE D de 2024: Dados: 1. Uma unidade consumidora do Grupo A, com contrato de demanda de 1.000 kW, ultrapassou este valor por 2 vezes no período considerado, ambas fora do horário de ponta. 2. Nestas duas ultrapassagens ocorreram fatores de potência abaixo do regulados de 0,92. 3. As ultrapassagens foram: • 1.100 kW (com fator de potência indutivo de 0,90) e • 1.080 kW (com fator de potência indutivo 0,88). 4. A demanda contratada é de 1.000 kW e o fator de potência só foi violado nestas duas ocasiões. Cálculo ultrapassagem da demanda ativa (5%) A partir da fórmula: REN ANEEL nº 1000 Ultrapassagem Demanda Considerando Grupo A4 - Verde Posto Tarifário FP (R$/kW) 31,81 R$ DAM (p) (kW) 1100 kW DAC (p) (kW) 1000 kW VRdult (p) (R$) 31,81 R$ Custo Ultrapassagem R$ 6.362,00 Valor Parcela Demanda sem Impostos (Total Mês) R$ 41.353,00 6 Cálculo ultrapassagem de energia reativa: Cálculo Energia Elétrica Reativa Excedente - ERE EEAMt (MWh) Fr Ft (t1) VRere (R$/MWh) ERE (t1) (R$) Ultrapassagem 1 Ultrapassagem 2 1,1 EEAMt (MWh) 1,08 0,92 Fr 0,92 0,9 Ft (t2) 0,88 239,05 VRere (R$/MWh) 239,05 R$ 5,84 ERE (t2) R$) R$ 11,74 ERE Total R$ 17,58 Cálculo ultrapassagem de demanda potência reativa: Cálculo de Demanda de Potência Reativa Excedente DRE Ultrapassagem 1 Ultrapassagem 2 PAMt1 (kW) 1100 PAMt2 (kW) 1080 PAF(p) (KW 1000 PAF(p) (KW 1000 Fr 0,92 Fr 0,92 Ft (t1) 0,9 Ft (t2) 0,88 Vrdre R$/kW R$ 31,81 Vrdre R$/kW R$ 31,81 DRE(t1) R$ 3.958,58 DRE(t2) DRE(max) R$ 4.106,38 R$ 4.106,38 Questão 04 – (Valor 20 pontos) Considerando a figura abaixo representando uma Unidade Consumidora antes e pós instalação de Geração Distribuída, calcular: a) O custo mensal desta unidade consumidora na tarifa B1 - residencial convencional da distribuidora de sua região para um consumo de 600 kWh, antes da instalação da instalação da GD 7 Consumidor Sem GD Consumo Mensal kWh Valor da Tarifa B1 Residencial Tusd (R$/MWh) R$ TE (R$/MWh) R$ Total (R$/MWh) R$ 421,01 253,03 674,04 Valor Total Fatura Energia 404,42 R$ 600 b) Considerando que esta unidade consumidora instalou uma GD com os respectivos fluxos de energia, calcular o custo mensal da energia e comparar com o custo sem GD. • Energia injetada na rede de distribuição pela UC (Exportada) = 250 kWh • Energia Consumida da rede de distribuição pela UC (Importada) = 400 kWh • Consumo total da UC = 600 kWh • Total gerado pela geração distribuída = 450 kWh • Energia auto consumida = 200 kWh Observação: Considerar apenas as tarifas da ANEEL sem os impostos para unidade instalada anteriormente à Lei 14300/2022. Distribuidora CEEE D: Consumidor com GD Consumo Mensal Distribuidora kWh Energia Injetada para a Distribuidora kWh Total Gerado pela GD kWh Energia Autoconsumida kWh Valor da Tarifa B1 Residencial Tusd (R$/MWh) TE (R$/MWh) Total (R$/MWh) R$ R$ R$ 421,01 253,03 674,04 Valor Total Fatura Energia (Edist-Egd) R$ 101,11 400 250 450 200 A instalação do sistema de MMGD e a o cadastro do consumidor junto a SCEE, resultou em uma redução de aproximadamente 75% em sua conta de energia uma vez que, além de gerar energia durante o período que há consumo em sua residência (Energia Autoconsumida - isto hoje é muito vantajoso em virtude dos impostos) o saldo da energia injetado no mês corrente ainda pode ser descontado da conta mensal, resultando em uma cota mensal total de R$ 101,11. 8 Questão 05 – (Valor 20 pontos) Analise a evolução dos indicadores de continuidade DEC, FEC da Concessionária CEEE nos últimos 5 anos (2019 – 2023) e qual o valor das compensações por violação de indicadores DIC, FIC, DMIC e DICRI pagas por ela no ano de 2023. Ano DEC FEC Indicadores DEC/FEC CEEE-D 2019 2020 2021 2022 18,60 20,00 18,06 17,80 10,11 10,60 9,71 8,47 2023 17,77 7,74 Podemos verificar que os indicadores de DEC e FEC estão melhorando ao longo dos últimos anos. Talvez isto se deva ao processo de privatização da Distribuidora. No entanto, ainda superior aos seus limites anuais estabelecidos que são de DEC é de 8,72 e FEC 6,35. Ao realizarmos um comparativo com a RGE, outra distribuidora, do estado podemos afirmar que a Concessionária RGE está atendendo seus clientes com uma melhor qualidade, atendendo os limites dos indicadores conforme figura abaixo. Além de não conseguir atender os limites estipulados pela ANEEL para os indicadores DEC e FEC, a tabela abaixo mostra os valores de compensação dos indicadores Individuais DIC/FIC/DIMIC e também DICRI os quais são pagos aos consumidores em virtude de violações nos índices de qualidade dos serviços de distribuição de energia. Copensações CEEED Ano de 2023 DIC/FIF/DIMIC DICRI Quantidade 1.211.616,00 138.923,00 Valor R$ 38.408.965,31 R$ 3.043.008,16 Valor Total em Compensações R$ 41.451.973,47 9 Quantidade de DIC/FIC/DMIC CEEE-D Valores de Compensações de DIC/FIC/DMIC CEEE-D Quantidade de DICRI CEEE-D Valores de Compensações de DIC/FIC/DMIC CEEE-D 10 Questão 06 – (Valor 15 pontos) Quais os principais aspectos positivos e negativos da implantação da Geração Distribuída no Brasil sob as óticas do consumidor, da distribuidora e da diversificação da matriz energética? A implantação da Geração Distribuída (GD) no Brasil traz diversos impactos distintos para consumidores, distribuidoras e para a diversificação da matriz energética: 1 - Para o consumidor: Pontos positivos: • Redução na conta de energia: o consumidor pode gerar sua própria energia (ex.: solar fotovoltaica), reduzindo sua dependência da distribuidora. • Autonomia energética: maior controle sobre seu consumo, podendo se proteger de aumentos tarifários e crises energéticas. • Possibilidade de créditos energéticos: a energia excedente pode ser injetada na rede e transformada em créditos para uso posterior. • Sustentabilidade: uso de fontes renováveis reduz a pegada de carbono e contribui para a sustentabilidade ambiental. Pontos negativos: • Alto custo inicial: mesmo com incentivos, a instalação de painéis solares ou outras fontes de GD exige um investimento inicial considerável. • Tempo de retorno do investimento: pode levar anos para o consumidor recuperar o valor investido, dependendo da localidade e do perfil de consumo. • Complexidade regulatória: mudanças nas regras da ANEEL podem impactar os benefícios da GD, gerando incerteza para novos investimentos. 2 - Para a distribuidora de energia Pontos positivos: • Redução de perdas técnicas: a GD reduz a necessidade de transporte de eletricidade a longas distâncias, diminuindo perdas na rede. • Menor necessidade de expansão da geração centralizada: com mais consumidores gerando energia, a demanda sobre o sistema diminui. 11 Pontos negativos: • Menor receita: como os consumidores consomem menos energia da rede, as distribuidoras arrecadam menos tarifas. • Desafios operacionais: a intermitência de fontes como solar e eólica pode gerar instabilidades na rede, exigindo mais investimentos em controle e monitoramento. • Mudanças na estrutura tarifária: a necessidade de redistribuir os custos da rede entre consumidores com e sem GD pode gerar conflitos regulatórios. 3 - Diversificação da matriz energética Pontos positivos: • Maior participação de fontes renováveis: a GD favorece o uso de energia solar, eólica, biogás e outras fontes limpas. • Descentralização da geração: Reduz a dependência de grandes usinas hidrelétricas e termelétricas, tornando o sistema mais confiável. • Menor impacto ambiental: a GD reduz a necessidade de expansão de grandes usinas e linhas de transmissão, preservando áreas naturais. Pontos negativos: • Intermitência de algumas fontes: a geração solar e eólica depende de condições climáticas, exigindo soluções como baterias ou geração complementar. • Desafios de integração ao SIN: o aumento da GD exige modernização da rede elétrica para garantir estabilidade e segurança do sistema. • Desbalanceamento de incentivos: sem uma regulação adequada, a GD pode receber subsídios que geram distorções no setor elétrico, afetando a competitividade de outras fontes.
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