O Zoneamento Rural como Instrumento para a Conservação do Solo: O Caso do Município de Tambaú-SP M.F. NOBRE (1), G.J. GARCIA (2) & S.L. ANTONELLO (3) RESUMO - Os Zoneamentos em geral tem uma finalidade principal, que é de retratar as fragilidades e potencialidades de uma região, para nortear o planejamento do uso do território, com vistas à conservação dos recursos naturais.Com o objetivo de diagnosticar as vulnerabilidades do meio físico de uma área rural e ordenar as atividades agrícolas para fins de conservação do solo e dos demais recursos naturais, realizou-se esse estudo, que é parte integrante do Plano Diretor do Município objeto do estudo, no primeiro semestre de 2006.Foram elaborados planos de Informação (PIs) temáticos da área e posteriormente cruzados pelo método de superposição de cartas.Foram gerados os PIs de: Vocação Agrícola das Terras e Áreas de Preservação Permanente que, superpostos com o PI de Uso e Ocupação, no qual detectou-se manchas do bioma Cerrado,e seguindo critérios de conservação de solos e biomas naturais, resultou no Mapa síntese do Zoneamento Rural composto por três grandes Zonas. Zona de Preservação Permanente (ZPP); Zona de Manejo Diferenciado para Conservação de Fragmentos Florestais (ZMC) e Zona de Uso Agropecuário (ZA). Introdução O solo é um dos indicadores ambientais do meio físico, mais expressivo da vulnerabilidade ambiental de uma área e um recurso natural intensamente utilizado na produção de alimentos e, por isso, pode ter sua capacidade produtiva comprometida pela erosão, através do uso e manejo inadequados. Segundo Bertoni & Lombardi Neto, 1990 [1], dentre os diversos tipos de erosão existentes tem aquele denominado erosão antrópica ou acelerada, decorrente da ação do homem no uso desordenado do solo por atividades agrícolas ou urbanas, que aceleram e intensificam os processos erosivos devido as condições induzidas ou modificadas. Kertzman et al, 1991 [2], estudando erosões na bacia do baixo médio Tietê, verificou indícios de que as atividades sócioeconômicas seriam as principais potencializadoras de erosões aceleradas. Ressaltando com isso, a importância do conhecimento das relações entre os fatores que causam as perdas de solo e os que permitem reduzi-las, para o planejamento conservacionista. Nas últimas décadas, com a crescente transformação dos usos e inovações tecnológicas na cadeia exploratória dos recursos naturais, a gestão do uso do território passou a ser um dos instrumentos de normatização indispensável para a readequação das atividades, atuando como um mecanismo disciplinador das intervenções antrópicas. Os zoneamentos retratam esse mecanismo, atuando como instrumentos norteadores do desenvolvimento sustentável de uma região. Segundo Fujihara, 2002 [3], citando Maalouf, 2000, em virtude das inúmeras definições existentes para o termo desenvolvimento sustentável, a Organização Agrícola das Nações Unidas (Council of Food and Agriculture Organization of the United Nations-FAO), adotou a seguinte definição para desenvolvimento agrícola sustentado: “é o gerenciamento e conservação da base dos recursos naturais e a orientação da mudança tecnológica e institucional, assegurando a realização e satisfação continuada das necessidades humanas para gerações presentes e futuras. Esse desenvolvimento sustentado (nos setores agrícola, florestal e pesqueiro) conserva os recursos genéticos da terra, água, vegetação e animal, não degrada o meio ambiente, é apropriado tecnicamente, viável economicamente e aceitável socialmente”. Assim sendo, esse trabalho teve como objetivo diagnosticar as principais vulnerabilidades ambientais do meio físico da região rural do município de Tambaú, com vistas à proposição de um Zoneamento Rural, ordenando assim as práticas agrícolas, com ênfase na conservação dos recursos naturais, principalmente solos e água. Palavras-Chave: Conservação. Zoneamento, Geoprocessamento, Material e métodos A. Área de estudo Segundo o documento síntese do Plano Diretor Participativo de Tambaú, 2006 [4], o município de Tambaú localiza-se na porção Nordeste do Estado de São Paulo. Pertence a Meso Região de Campinas, Região Administrativa de São João da Boa Vista. Dista 215,0 km da Capital. __________________ (1) Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente – Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. E-mail: mfnobre@gmail.com (apresentadora do trabalho) (2) Professor Titular e Pesquisador Voluntário junto ao Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506900. E-mail: gilberto@rc.unesp.br (3) Analista de Sistemas do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. Apoio financeiro: CNPq B. Procedimento metodológico Segundo alguns autores, o Zoneamento Rural segue o modelo dos demais, levando-se em conta não somente parâmetros do meio físico, mas também fatores sócio-econômicos de infra-estrutura, questão agrária, etc. Porém em virtude da ausência de elementos para uma análise conjunta, a metodologia abordada teve enfoque no meio físico, resaltando a problemática da conservação x perda de solo. O mapa de Zoneamento Rural de Tambáu foi obtido através do método de superposição de cartas, cruzando PIs temáticos que trabalhados e posteriormente superpostos compuseram as Zonas, através da ordem de prioridade dos PIs. Utilizou-se para geração dos produtos: Cartas Topográficas do IBGE 1:50.000; Carta de Solos IAC; Fotografias aéreas verticais; Software SIG ArcGIS da ESRI. Foram gerados os seguintes PIs: - Obedecendo a Lei Federal Nº 4.771, de 15 de Setembro de 1965 (Código Florestal) foi gerado o PI de Áreas de Preservação Permanente, através de geração buffer´s de faixas de preservação de matas ciliares, nascentes, topo de morros, montes, montanhas e serras, áreas de encosta ou partes destas que apresentem declividade superior a 45º, equivalente a 100%, obedecendo os limites dispostos no artigo 2º desta Lei; - O PI de Declividade foi gerado a partir da base cartográfica e de um TIN; - O PI Vocação Agrícola é um dos sub-produtos de fundamental importância no zoneamento rural, uma vez que indica, através da superposição dos PIs de solos e declividade, a vulnerabilidade dos solos a perdas por erosão, bem como o manejo adequado para cada zona; - Em virtude da observação na PI de Uso e Ocupação do Solo, da existência no município de manchas conectivas do bioma cerrado, esse PI foi retrabalhado para obtenção de um PI de fragmentos de Cerrado e Floresta de Encostas, denominado de Uso para Conservação. As Zonas que compõem o produto final (Zoneamento Rural) são resultantes da análise e junção dos elementos que compõem cada PI gerado, descrito anteriormente. Resultados e Discussão A distribuição da vocação agrícola do município pode ser observado na Fig. 01.As classes de vocação observadas foram: V1 – Sem restrição agrícola; V2 – Restrição moderada para culturas anuais. Sem restrição para demais usos agrícolas; V3 – Restrição total para culturas anuais. Sem restrição para demais usos agrícolas; V4 – Restrição total para culturas anuais. Restrição moderada para culturas perenes e pastagens; V5 – Restrição total para uso agrícola e pastagens. Sem restrição para Silvicultura; V6 – Restrição total para uso agrícola e pastagens. Restrição moderada para Silvicultura; V7 – Áreas para preservação (APPs). Na Fig. 02 observa-se o Zoneamento Rural do Município de Tambaú com as seguintes Zonas e subzonas: ZONA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (ZPP)Zona resultante da união de todas Áreas de Preservação Permanente, que foram mapeadas segmentadas no PI Áreas de Preservação Permanente. Na etapa de geração da ZPP, as diferentes Áreas de Preservação Permanente, foram unidas na tabela de atributos e receberam uma especificação única. Ressalta-se que essa Zona é fruto das especificações constantes na Lei Federal Nº 4.771, de 15 de Setembro de 1965-Código Florestal; ZONA DE MANEJO DIFERENCIADO PARA CONSERVAÇÃO DE FRAGMENTOS FLORESTAIS (ZMC) - Zona resultante da união das manchas de vegetação do tipo Floresta de Encosta com fragmentos remanescentes do bioma Cerrado, que foram mapeados em sua totalidade no PI de Uso para Conservação, e na geração da ZMC foi adotado o critério de exclusão de fragmentos com áreas inferiores a 7.000m2, á partir desse valor foram considerados fragmentos representativos para a conservação e manutenção do bioma. No caso da vegetação do tipo Floresta de Encosta a mesma compõe a ZMC porque tem entre outras, a finalidade de proteção contra perdas de solo por processo de erosão e/ou escorregamento, haja vista a alta declividade em que essa vegetação está presente. ZONA DE USO AGROPECUÁRIO (ZA)- Zona resultante da união das seis classes de vocação agrícola com a geração resultante de duas grandes classes. A união das classes de vocação agrícola I, II, III e IV gerou a sub-zona ZA1, e a união das classes de vocação agrícola V, VI e VII gerou a sub-zona ZA2.: Sub-zona ZA1: Zona predominante no município, composta por terras cultiváveis para culturas perenes e anuais, que de acordo com a declividade existente na área requerem práticas conservacionistas das mais simples às mais elaboradas; Sub-zona ZA2: Zona composta por terras cultiváveis apenas para culturas perenes, com restrição total para culturas anuais e que requerem práticas conservacionistas mais elaboradas e em algumas declividades apresenta __________________ (1) Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente – Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. E-mail: mfnobre@gmail.com (apresentadora do trabalho) (2) Professor Titular e Pesquisador Voluntário junto ao Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506900. E-mail: gilberto@rc.unesp.br (3) Analista de Sistemas do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. Apoio financeiro: CNPq restrição completa para culturas em geral.Observa-se que essas zonas ocorrem na maioria das vezes margeando a ZMC, composta provavelmente pela porção de fragmentos florestais de encostas. Conclusão Os dados obtidos nesse estudo nos faz concluir que: - O Zoneamento Rural ora apresentado para o município de Tambaú, é um instrumento para a conservação dos solos da região, uma vez que preconiza o uso racional desse recurso através da recomendação de ordenação dos cultivos e práticas a serem adotadas; - É um forte instrumento para dar subsídio a políticas públicas de preservação de áreas de interesse ecológico e de manutenção das áreas institucionais (APPs), zelando assim pela qualidade dos recursos naturais da região. Referências [1] [2] [3] [4] BERTONI, J.; LOMBARDI N. F. 1990. Conservação do Solo. São Paulo, Editora Ícone. 355p. KERTZMAN, F.F; GOUVEIA, M.I.F; MANO, V.G.T. 1991. Orientações para o combate à erosão no estado de São Paulo. IPT/DAEE, v1. São Paulo, IPT FUJIHARA, A. K. 2002. “Predição de erosão e capacidade de uso do solo numa microbacia do oeste paulista com suporte de geoprocessamento”. Piracicaba, 118p. Dissertação (Mestrado)Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz-Universidade de São Paulo. PREFEITURA MUNICIPAL DE TAMBAÚ; CEAPLA, 2006. Plano Diretor Participativo Municipal.Tambaú, SP. p.07-333. __________________ (1) Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente – Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. E-mail: mfnobre@gmail.com (apresentadora do trabalho) (2) Professor Titular e Pesquisador Voluntário junto ao Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506900. E-mail: gilberto@rc.unesp.br (3) Analista de Sistemas do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. Apoio financeiro: CNPq __________________ (1) Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente – Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. E-mail: mfnobre@gmail.com (apresentadora do trabalho) (2) Professor Titular e Pesquisador Voluntário junto ao Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506900. E-mail: gilberto@rc.unesp.br (3) Analista de Sistemas do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. Apoio financeiro: CNPq __________________ (1) Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geociências e Meio Ambiente – Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. E-mail: mfnobre@gmail.com (apresentadora do trabalho) (2) Professor Titular e Pesquisador Voluntário junto ao Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)-Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506900. E-mail: gilberto@rc.unesp.br (3) Analista de Sistemas do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (CEAPLA), do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE)Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Av. 24-A,1515, Bela Vista, Rio Claro,SP, CEP 13506-900. Apoio financeiro: CNPq
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