INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação Claretiano – Centro Universitário Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo – Batatais SP – CEP 14.300-000 cead@claretiano.edu.br Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006 claretiano.edu.br/batatais Olá! Meu nome é Aline Brito. Sou graduada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mestre em Engenharia de Produção com ênfase em informação estratégica e empresarial pela Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP). Doutora em Ciência, Tecnologia e Sociedade com ênfase em Informação Científica e Tecnológica também pela UFSCar. Atualmente, sou coordenadora, professora e tutora do curso de Biblioteconomia (EaD) do Claretiano. Minha formação e experiências profissionais sempre estiveram ligadas ao ensino e à pesquisa na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, além da atuação como bibliotecária no Sesi-SP. E-mail: aline.brito@claretiano.edu.br Aline Grasiele Cardoso de Brito INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA Batatais Claretiano 2018 © Ação Educacional Claretiana, 2017 – Batatais (SP) Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana. CORPO TÉCNICO EDITORIAL DO MATERIAL DIDÁTICO MEDIACIONAL Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves Preparação: Aline de Fátima Guedes • Camila Maria Nardi Matos • Carolina de Andrade Baviera • Cátia Aparecida Ribeiro • Dandara Louise Vieira Matavelli • Elaine Aparecida de Lima Moraes • Josiane Marchiori Martins • Lidiane Maria Magalini • Luciana A. Mani Adami • Luciana dos Santos Sançana de Melo • Patrícia Alves Veronez Montera • Raquel Baptista Meneses Frata • Simone Rodrigues de Oliveira Revisão: Eduardo Henrique Marinheiro • Filipi Andrade de Deus Silveira • Rafael Antonio Morotti • Rodrigo Ferreira Daverni • Vanessa Vergani Machado Projeto gráfico, diagramação e capa: Bruno do Carmo Bulgarelli • Joice Cristina Micai • Lúcia Maria de Sousa Ferrão • Luis Antônio Guimarães Toloi • Raphael Fantacini de Oliveira • Tamires Botta Murakami Videoaula: André Luís Menari Pereira • Bruna Giovanaz • Marilene Baviera • Renan de Omote Cardoso Bibliotecária: Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11 DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 020 B875i Brito, Aline Grasiele Cardoso de Introdução à Biblioteconomia / Aline Grasiele Cardoso de Brito – Batatais, SP : Claretiano, 2018. 122 p. ISBN: 978-85-8377-549-2 1. Biblioteconomia. 2. Ciência da Informação. 3. Bibliotecário. 4. Unidades de informação. 5. Profissional da informação. 6. Informação. 7. Conhecimento. I. Introdução à Biblioteconomia. CDD 020 INFORMAÇÕES GERAIS Cursos: Graduação Título: Introdução à Biblioteconomia Versão: fev./2018 Formato: 15x21 cm Páginas: 122 páginas SUMÁRIO CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 1. 2. 3. 4. 5. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 9 GLOSSÁRIO DE CONCEITOS............................................................................. 11 ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE................................................................ 14 E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 16 Unidade 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA 1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 19 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 19 2.1. ORIGENS DO CONHECIMENTO EM BIBLIOTECONOMIA....................... 19 2.2. AS CORRENTES DO PENSAMENTO FILOSÓFICO EM BIBLIOTECONOMIA................................................................................... 23 2.3. A BIBLIOTECONOMIA E A DOCUMENTAÇÃO......................................... 29 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 32 3.4. EPISTEMOLOGIA...................................................................................... 32 3.5. CONHECIMENTO EM BIBLIOTECONOMIA.............................................. 33 3.6. PENSAMENTOS EM BIBLIOTECONOMIA................................................ 34 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 34 5. CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 36 6. E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 37 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 38 Unidade 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 41 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 41 2.1. O CAMPO CIENTÍFICO EM BIBLIOTECONOMIA..................................... 41 2.2. ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO................ 49 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 63 3.1. BIBLIOTECÁRIO......................................................................................... 63 3.2. BIBLIOTECA ESCOLAR.............................................................................. 64 4. 5. 6. 7. 3.3. BIBLIOTECÁRIO GESTOR.......................................................................... 64 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 65 CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 67 E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 68 Unidade 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 71 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 71 2.1. INFORMAÇÃO........................................................................................... 71 2.2. A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E SEUS PARADIGMAS.............................. 74 2.3. A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO................................................................... 79 2.4. MUSEOLOGIA E ARQUIVOLOGIA NO BRASIL......................................... 81 3. 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR............................................................ 86 3.1. PARADIGMA.............................................................................................. 86 3.2. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO...................................................................... 87 3.3. ARQUIVOLOGIA E MUSEOLOGIA............................................................ 88 4. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS................................................................... 89 5. 5. CONSIDERAÇÕES......................................................................................... 91 6. 6. E-REFERÊNCIAS............................................................................................ 91 7. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................. 92 Unidade 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 1. INTRODUÇÃO.................................................................................................... 97 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA.............................................................. 97 2.1. CONSELHOS, ASSOCIAÇÕES E SINDICATOS DA CLASSE........................ 98 2.2. IDENTIDADE PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO E SEU CAMPO DE ATUAÇÃO................................................................................................... 105 2.3. A ÉTICA DO BIBLIOTECÁRIO.................................................................... 108 2.4. TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL E NO MUNDO..................................................................................................... 111 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR................................................................. 115 3.1. LEGISLAÇÃO DE BIBLIOTECOMONIA...................................................... 115 3.2. ÉTICA PROFISSIONAL............................................................................... 116 3.3. RUMOS DA BIBLIOTECONOMIA.............................................................. 116 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS........................................................................ 117 5. CONSIDERAÇÕES.............................................................................................. 119 6. E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 119 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................... 121 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 121 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO CONTEÚDO INTRODUTÓRIO Conteúdo Apresentação dos elementos fundamentais da biblioteconomia no que se refere aos seus pressupostos filosóficos e epistemológicos. A construção sócio-histórica da biblioteconomia como campo científico e profissional. Introdução às teorias e ao pensamento sobre a ciência da Informação. Evolução da biblioteconomia e sua relação com áreas afins: arquivologia, museologia. Perspectivas e tendências no Brasil e no mundo. Introdução à Sociologia das profissões: identidade profissional do bibliotecário e seu campo de atuação. Bibliografia Básica BRIQUET DE LEMOS, A. A. De bibliotecas e biblioteconomias: percursos. Brasília: Briquet de Lemos, 2015. OLIVEIRA, M. (Org.). Ciência da informação e Biblioteconomia: novos conteúdos espaços de atuação. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2005. SILVA, F. C. C. Bibliotecários especialistas. Brasília: Thesaurus, 2005. 7 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO Bibliografia Complementar BORGES, M. A. G. O profissional da informação: somatório de formações, competências e habilidades. In: BAPTISTA, S. G.; MUELLER, S. P. M. Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília: Thesaurus, 2004. p. 55-69. FONSECA, E. N. Introdução à Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2007. RANGANATHAN, S. R. Cinco leis da Biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009. RUSSO, M. Fundamentos de Biblioteconomia e ciência da informação. Rio de Janeiro: E-Papers, 2010. (Coleção Biblioteconomia e gestão de unidades de informação, Série didáticos, v. 1) VIEIRA, R. Introdução à teoria geral da Biblioteconomia. Rio de Janeiro: Interciência, 2014. É importante saber Esta obra está dividida, para fins didáticos, em duas partes: Conteúdo Básico de Referência (CBR): é o referencial teórico e prático que deverá ser assimilado para aquisição das competências, habilidades e atitudes necessárias à prática profissional. Portanto, no CBR, estão condensados os principais conceitos, os princípios, os postulados, as teses, as regras, os procedimentos e o fundamento ontológico (o que é?) e etiológico (qual sua origem?) referentes a um campo de saber. Conteúdo Digital Integrador (CDI): são conteúdos preexistentes, previamente selecionados nas Bibliotecas Virtuais Universitárias conveniadas ou disponibilizados em sites acadêmicos confiáveis. É chamado "Conteúdo Digital Integrador" porque é imprescindível para o aprofundamento do Conteúdo Básico de Referência. Juntos, não apenas privilegiam a convergência de mídias (vídeos complementares) e a leitura de "navegação" (hipertexto), como também garantem a abrangência, a densidade e a profundidade dos temas estudados. Portanto, são conteúdos de estudo obrigatórios, para efeito de avaliação. 8 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 1. INTRODUÇÃO Estimado aluno e futuro bibliotecário, seja bem-vindo! Neste momento, iniciamos o estudo de Introdução à Biblioteconomia, por meio do qual você obterá as informações necessárias para o embasamento teórico da sua futura profissão e para as atividades que virão posteriormente. Este material traz fundamentos para o posicionamento crítico de um futuro bibliotecário, cujo trabalho deverá levar em consideração as demandas dos diversos atores sociais que interagem nos múltiplos espaços da profissão. O que é Biblioteconomia? Inicialmente, devemos refletir: o que você entende por Biblioteconomia? O público comum geralmente responderá com outras perguntas, como: Tem a ver com economia dos livros? Tem a ver com bibliotecas? É a gestão de bibliotecas? Neste momento não se preocupe com isso, pois juntos responderemos a essa pergunta com propriedade ao longo de nossos estudos. Veremos que o conceito é muito mais abrangente do que o senso comum afirma. O termo "biblioteconomia" é derivado do termo "biblioteca", que é composto por dois vocábulos do latim, biblio (livro) e theke (caixa), e refere-se à ideia da biblioteca como depositária de livros. Embora seja uma das profissões mais antigas do mundo, a palavra "biblioteconomia" só começou a aparecer na metade do século 20, com o início dos cursos na área. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 9 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO Assim, a relação entre as bibliotecas e a Biblioteconomia era bem marcante e com traços de sentidos e significados evidentes, pois tanto o espaço físico (biblioteca) como a área de atuação (Biblioteconomia) eram reconhecidos como preservadoras de livros e de conhecimentos. Segundo Shera (1977) a biblioteconomia é considerada uma profissão que oferece serviços, assim as características de seus diversos ramos de atuação resultam da natureza e das particularidades (ou necessidades) do grupo que se beneficia desses serviços. Ou seja, vamos imaginar um bibliotecário inserido em um ambiente escolar, por exemplo. Este deverá atuar em sintonia com as expectativas e necessidades desse grupo específico, composto pelos alunos, professores, pais de alunos, coordenadores e diretores da escola, dentre outros. Essa afirmação nos leva a identificar a importância de uma atuação atenta e flexível no oferecimento de produtos e serviços de informação. Em termos gerais, o termo biblioteconomia relaciona-se com a sistematização dos serviços de bibliotecas, consideradas como instituições sociais. Nesse sentido, estudaremos na Unidade 1 os pressupostos filosóficos e epistemológicos fundamentais da Biblioteconomia, para que possamos estabelecer sua origem, influências e principais contribuições para a sociedade. Quando abordamos a construção sócio-histórica da Biblioteconomia como campo científico e profissional, percebemos que há uma significativa atuação profissional em relação ao trabalho científico. Essa discussão será apresentada na Unidade 2. 10 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO No Brasil, entendemos que a Biblioteconomia faz parte de uma área maior denominada Ciência da Informação. Na Unidade 3, estudaremos as teorias, pensamentos e relações da Biblioteconomia com a Ciência da Informação. Veremos também a evolução da Biblioteconomia e sua relação com áreas afins, como Arquivologia e Museologia. Por fim, na Unidade 4, trataremos das perspectivas e tendências da Biblioteconomia no Brasil e no mundo, mediante estudos introdutórios sobre a sociologia das profissões, abordando a identidade profissional do bibliotecário e seu campo de atuação. 2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS O Glossário de Conceitos permite uma consulta rápida e precisa das definições conceituais, possibilitando um bom domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de conhecimento dos temas tratados. Vejamos: 1) Arquivologia: é a disciplina que estuda as funções básicas, princípios e técnicas específicas para arquivar, conservar, organizar e guardar documentos de forma que sejam fáceis de encontrar. 2) Bibliotecário: é o supremo "ligador do tempo", e o seu trabalho é o mais interdisciplinar de todos, pois lida com a ordenação, relação e estruturação do conhecimento e dos conceitos (SHERA, 1977). 3) Biblioteca: instituição social responsável por preservar, tratar, disseminar e divulgar informação e conhecimento. Contribui para o sistema total de comunicação na sociedade. Embora as bibliotecas tenham sido criadas como instrumentos para maximizar a utilização © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 11 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO dos registros gráficos em benefício da sociedade, elas atingem sua meta trabalhando com os indivíduos e por meio deles, atingem a sociedade (SHERA, 1977). 4) Biblioteconomia: o objetivo da biblioteconomia é aumentar a utilidade social dos registros gráficos, independentemente do nível intelectual em que operar, atendendo desde uma criança analfabeta distraída em seu primeiro livro de gravuras até um erudito interessado em alguma indagação esotérica. Fundamentalmente, a biblioteconomia é a gerência do conhecimento (SHERA, 1977). 5) Ciência da Informação (CI): disciplina que investiga as propriedades e o comportamento da informação, as forças que governam seu fluxo e os meios de processá-la para aperfeiçoar sua acessibilidade e uso. A CI está ligada ao corpo de conhecimentos relativos à origem, coleta, organização, estocagem, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e uso de informação. Ela tem tanto um componente de ciência pura, associado à pesquisa dos fundamentos sem atentar para sua aplicação, quanto um componente de ciência aplicada, ao desenvolver produtos e serviços (BORKO, 1968). 6) Conhecimento: produto da apropriação pelo indivíduo de informações e da estruturação particular destas, sendo forçosamente individual e subjetiva. "(...) A produção dos estoques de informação não possui um compromisso direto e final com a produção do conhecimento" (BARRETO, 1994, p. 4), ou seja, o conhecimento deve ser a informação em ação. 12 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 7) Epistemologia: corpo de conhecimento sobre o próprio conhecimento. O estudo da forma pela qual o conhecimento desenvolveu-se e tem se desenvolvido. Tem sido há muito tempo objeto de muitos estudos em todas as áreas do conhecimento. 8) Filosofia: de modo geral, conceituado como o amor à sabedoria. Consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. 9) Informação: no contexto da Ciência da Informação, a informação é registrada e institucionalizada (intencionada e contextualizada). Para poder cumprir sua missão, as configurações informacionais devem, além de selecionar, organizar e disponibilizar a informação – atribuindo-lhe um selo de qualidade –, fornecer explicações acerca dos procedimentos adotados de modo que o usuário possa exercer um papel ativo com condições para avaliar o selo de qualidade da informação à qual teve acesso (SMIT, 2012). 10) Museologia: é o campo que estuda os museus e sua interação com a realidade humana, por meio da relação entre o ser humano, os aspectos culturais e a natureza, nas mais variadas formas de conceber o real. 11) Tecnologia: em sentido amplo, o imperativo tecnológico está impondo a transformação da sociedade moderna em sociedade da informação, era da informação ou sociedade pós-industrial (SARACEVIC, 1996). © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 13 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE O Esquema a seguir possibilita uma visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo. Figura 1 Esquema de conceitos-chave de introdução à Biblioteconomia. 14 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 4. E-REFERÊNCIAS ALVARENGA, L. D. Representação do conhecimento na perspectiva da ciência da informação em tempo e espaço digitais. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 8, n. 15, p. 18-40, 2003. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/a/1331>. Acesso em: 29 out. 2017. BARRETO, A. A. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva, v. 8, n. 4, p. 3-8, 1994. Disponível em: <https://bibliotextos.files.wordpress.com/2012/03/a-questaoda-informac3a7c3a3o.pdf>. Acesso em: 29 out. 2017. BORKO, H. Information Science: What is it?. American Documentation, v. 19, n. 1, p. 3-5, jan. 1968. (tradução livre). Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile. php/2532327/mod_resource/content/1/Oque%C3%A9CI.pdf> . Acesso em: 29 out. 2017. FLORIDI, L. Biblioteconomia e ciência da informação (BCI) como filosofia da informação aplicada: uma reavaliação. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 1, n. 2, 2010. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/a/16788>. Acesso em: 29 out. 2017. MOSTAFA, S. P. Epistemologia ou filosofia da Ciência da Informação? Informação & Sociedade: Estudos, v. 20, n. 3, p. 65-73, 2010. Disponível em: <http://www.brapci. ufpr.br/brapci/v/a/9585>. Acesso em: 29 out. 2017. ORTEGA, C. D. Relações históricas entre Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação. DataGramaZero, v. 5, n. 5, p. A03, 2004. Disponível em: <http://basessibi. c3sl.ufpr.br/brapci/v/a/2048>. Acesso em: 29 out. 2017. SHERA, J. Epistemologia social, semântica geral e Biblioteconomia. Ciência da Informação, v. 6, n. 1, p. 9-12, 1977. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/ brapci/v/a/1360>. Acesso em: 29 out. 2017. SILVA, J. L. C.; FREIRE, G. H. A. Um olhar sobre a origem da ciência da informação: indícios embrionários para sua caracterização identitária. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 17, n. 33, p. 1-29, jan./abr. 2012. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/147/14723067002/>. Acesso em: 29 out. 2017. WILSON, T. D. A dimensão epistemológica da Ciência da Informação e seu impacto sobre o ensino em Arquivologia e Biblioteconomia. Brazilian Journal of Information Science, v. 2, n. 1, p. 1-15, 2008. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/brapci/ v/a/8761>. Acesso em: 29 out. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 15 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SARACEVIC, T. Ciência da informação: origem, evolução e relações. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 1, n. 1, p. 41-62, jan./jun. 1996. SMIT, J. W. A informação na Ciência da Informação. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 3, n. 2, p. 84-101, jul./dez. 2012. VIEIRA, R. Introdução à teoria geral da biblioteconomia. Rio de Janeiro: Interciência, 2014. 16 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA Objetivos • Conhecer as origens e os pressupostos históricos, filosóficos e epistemológicos da Biblioteconomia. • Analisar a Biblioteconomia como uma das áreas do conhecimento humano. Conteúdos • Origens e introdução à Biblioteconomia. • Pressupostos históricos, filosóficos e epistemológicos da Biblioteconomia. • Biblioteconomia e Documentação. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referência de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresentados; siga a linha gradativa dos assuntos para observar a evolução do estudo dos pressupostos históricos, filosóficos e epistemológicos da Biblioteconomia. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no Conteúdo Digital Integrador. 17 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA 1. INTRODUÇÃO Vamos começar nossa primeira unidade de estudo, você está preparado? Nesta unidade, estudaremos o início do universo da Biblioteconomia até os dias atuais. Introdução à Biblioteconomia almeja apresentar a Biblioteconomia e os seus pressupostos filosóficos, situando-os no universo do conhecimento, da comunicação e da informação, apresentando seus principais conceitos e correntes de pensamento. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador. 2.1. ORIGENS DO CONHECIMENTO EM BIBLIOTECONOMIA A história das bibliotecas e consequentemente de suas práticas é milenar. Contudo, a construção da autonomia dessa área como um campo de conhecimento vem se processando nos últimos quinhentos anos. Podemos considerar ainda que a sua consolidação como uma disciplina científica deu-se no final do século 19. Depois disso, desenvolveram-se diversos estudos, práticas e reflexões, constituindo diferentes correntes de estudo, que resultaram na riqueza e pluralidade que estabelece o campo da Biblioteconomia. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 19 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA Vamos apresentar aqui uma possível organização dessa produção científica diversa, mediante algumas correntes de pensamento que percorrem as ciências sociais e humanas (nas quais a Biblioteconomia insere-se). O objetivo será construir uma reflexão acerca da história e da filosofia das ciências, pois a Biblioteconomia está totalmente relacionada com o desenvolvimento do conhecimento humano, não só do científico, propagador do progresso e da geração de riquezas entre as nações. O mais importante neste estudo é que você conheça as possíveis relações da Biblioteconomia com algumas correntes de pensamento. Ainda assim não será possível esgotar aqui essa reflexão. Portanto, de acordo com seu interesse e necessidade, é fundamental que você se aprofunde em textos que trazem outras contribuições para este tema: epistemologia, história e filosofia em Biblioteconomia. Vale destacar que, durante o século 20, houve uma intensa aproximação entre os campos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação (a Biblioteconomia promoveu estudos sobre os fenômenos informacionais, e a Ciência da Informação, sobre os fenômenos da Biblioteconomia). No entanto, nesta unidade, nosso foco será apenas para as produções teóricas específicas da Biblioteconomia. Assim: Com a invenção da escrita e o estabelecimento das primeiras cidades, no início dos processos de sedentarização das coletividades, apareceram as primeiras manifestações de espaços específicos (que serão, séculos depois, as "bibliotecas") voltados para a guarda e a preservação desses registros de conhecimento, sendo a Biblioteca de Alexandria considerada uma instituição paradigmática nesse sentido (ARAÚJO, 2013, p. 42). 20 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA No Egito Antigo, na Grécia Clássica, no Império Romano e nos mundos árabe e chinês, do primeiro milênio à Idade Média na Europa, ergueram-se e consolidaram-se bibliotecas relacionadas com os mais diversos acervos – religiosos, literários, científicos, políticos, entre outros. Entretanto, foi só após o Renascimento, a partir do século 15, que começaram a surgir as primeiras formas tangíveis do que se poderia chamar de um conhecimento teórico específico em Biblioteconomia. Dessa maneira, podemos dizer que, com o Renascimento, ressurgiu o interesse pela produção humana, pelas obras artísticas, filosóficas e científicas – tanto as da Antiguidade Greco-Romana como aquelas que se desenvolviam naquele momento. Assim, o interesse pelo culto das obras, por sua guarda e por sua preservação foi ressaltado. Surgiram muitos tratados e manuais a partir do século 17. Eles foram pensados para: • as regras de procedimentos nas instituições responsáveis pela guarda dessas obras; • as regras de preservação e conservação física dos materiais; • as estratégias de descrição formal das peças e dos documentos. Com a Revolução Francesa e as demais revoluções burguesas na Europa, que marcaram a transição do Antigo Regime para a Modernidade, ocorreu uma profunda transformação em todas as dimensões da vida humana – inclusive nas bibliotecas. Surgiu aí o conceito moderno de "Biblioteca Nacional", que tem no seu caráter público sua marca distintiva. São formadas as grandes coleções, são realizados amplos processos de aquisição e acumulação de acervos – o que reforçou a natureza custodial destas instituições. A necessidade de se ter pessoal qualificado para as nascentes instituições modernas levou à formação dos primeiros cursos profissionalizantes voltados para regras de administração das rotinas de- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 21 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA stas instituições. Um exemplo desse tipo de produção é o Manuel du bibliothécaire, accompagné de notes critiques, historiques et littéraires, de Jean Pie Namur, publicado em 1834. Por fim, com a consolidação da ciência moderna como forma de produção de conhecimento, também o campo das humanidades viu-se convocado a se constituir como ciência. Surgiram no século XIX aqueles que seriam os precursores do estabelecimento do projeto de constituição científica da Biblioteconomia: a consolidação de teorias e regras de catalogação (como as de Panizzi, de 1841, e de Jewett, de 1852) e dos sistemas de classificação bibliográfica (sendo o mais importante deles o de Dewey, de 1876) (ARAÚJO, 2013, p. 43). É importante mencionar Advis pour dresser une bibliothèque, de autoria de Gabriel Naudé, publicada em 1627. A obra foi traduzida para o português como Conselhos para formar uma biblioteca, pela editora Briquet de Lemos, em 2016. Ela é considerada um marco dessa transição da Biblioteconomia empírica (conhecimento do dia a dia sem comprovação científica) para a moderna prática bibliotecária (FONSECA, 1979, p. 11). O modelo de ciência então dominante, oriundo das ciências exatas e naturais, voltado para a busca de regularidades, estabelecimento de leis, ideal matemático e intervenção na natureza por meio de processos técnicos e tecnológicos, se expandiu para as ciências sociais e humanas através do Positivismo. Esse é o modelo que inspirou as pioneiras conformações científicas da Biblioteconomia, que privilegiou os procedimentos técnicos de intervenção: a catalogação e a classificação. Mais do que oposições, os três movimentos acima destacados se somaram, constituindo um grande modelo ou "paradigma". A perspectiva patrimonialista voltou-se para os "tesouros" que devem ser custodiados, ressaltando a importância da produção simbólica humana. A entrada na Modernidade enfatizou as especificidades da instituição biblioteca, que devia ter estruturas organizadas e rotinas estabelecidas para o exercício da custódia. E a fundamentação positivista priorizou as técnicas particulares da Biblioteconomia a serem utilizadas para o correto tratamento do material custodiado (ARAÚJO, 2013, p. 43). 22 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA Com as leituras propostas no Tópico 3. 1, você vai acompanhar as definições da palavra "epistemologia". Em seguida é esperado que você saiba situá-la dentro do contexto de nossa disciplina. Antes de prosseguir para o próximo assunto, aprecie as leituras e vídeos indicados, procurando dessa forma assimilar o conteúdo estudado. 2.2. AS CORRENTES DO PENSAMENTO FILOSÓFICO EM BIBLIOTECONOMIA Veremos a partir daqui que a Biblioteconomia tem fortes vínculos com o Funcionalismo, o Positivismo e o Construtivismo. As necessidades sociais e a corrente funcionalista O pensamento funcionalista mais marcante na Biblioteconomia é encontrado na obra do espanhol Lasso de la veja (18921990). Em seu tratado, o autor alega que, inicialmente, as bibliotecas eram instituições voltadas unicamente para a conservação dos livros e que, naquele momento (década de 1950), estavam passando a constituir-se como instituições pedagógicas ativas, verdadeiras, algo que ele chamou de "universidades populares" (LASSO DE LA VEGA, 1952). Lasso de la Vega apresenta uma mudança no entendimento da profissão de bibliotecário, não mais como um conservador que se limita a ver os usuários lendo, mas como um agente propulsor e mediador de cultura. Ele situa essa mudança de postura em meados do século 19, com os movimentos pela biblioteca pública na Inglaterra. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 23 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA Essa transformação do entendimento da função das bibliotecas é social e cultural, marca épocas ou paradigmas. Atualmente não é nada trivial pensarmos uma biblioteca que tenha como principal missão a mera guarda e preservação do acervo. Vejamos agora uma explicação sobre o que é o Funcionalismo: O Funcionalismo representa uma forma de se estudar a realidade humana baseada essencialmente numa analogia entre a lógica social e a lógica biológica, daí resultando em modelos "organísmicos" de compreensão: a existência de um todo composto por "órgãos", cada um deles desempenhando suas funções. Tal abordagem surgiu nos campos da Sociologia com Durkheim, da Antropologia com Malinowski e na Psicologia com Watson [...] (ARAÚJO, 2013, p. 44). Shera (1977) fez uma análise funcionalista do significado da biblioteca, para quem cada sociedade forma e utiliza suas coleções de registros materiais de conhecimento de um modo particular. Isso significa que os movimentos culturais exercem um papel determinante na configuração da instituição biblioteca, influenciando a natureza de sua coleção, os serviços oferecidos e as formas de ser administrada. Para Shera, o fundamento (função) da biblioteca exprimese no fato de existir para atender certas necessidades sociais. Dessa maneira, as funções de uma biblioteca variam de acordo com as necessidades das diferentes sociedades nas diferentes épocas. Assim, a biblioteca deve ser mais do que "truques para encontrar determinado livro", deve atender à sociedade em todas as suas potencialidades e, por que não, em suas necessidades. Outro significativo autor com contribuições funcionalistas, foi o indiano Ranganathan (1892-1972), um nome muito importante da Biblioteconomia. 24 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA Ranganathan teorizou sobre diversos assuntos de natureza funcionalista. Entre eles, está a teoria da classificação facetada (possivelmente você estudará essa teoria em outra disciplina). Além dessa contribuição, merece destaque seu livro Five Laws of Library Science (1931). Traduzido para o português pela Editora Briquet de Lemos como As cinco leis da Biblioteconomia. As leis são: 1) os livros são para uso; 2) a cada leitor, seu livro; 3) a cada livro, seu leitor; 4) poupe o tempo do leitor; 5) a biblioteca é um organismo em crescimento. Por trás da aparente simplicidade de seus enunciados, cada lei revela uma problematização que enfatiza a importância do efetivo uso (função) da biblioteca e de seus recursos, de modo a atender às necessidades da sociedade, mediante o atendimento de cada um de seus componentes. Essa reflexão de Ranganathan foi bastante difundida no Ocidente e aproximou a Biblioteconomia e a Teoria Sistêmica. Ambas as teorias aceitam a metáfora das organizações vistas como organismos vivos, ou sistemas compostos por subsistemas. Assim, diversos estudos posteriores analisaram a biblioteca como um sistema, composto por: Subsistemas de entrada: 1) Seleção e aquisição. 2) Descrição e representação. 3) Organização. 4) Armazenamento. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 25 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA Subsistemas de saída: 1) Análise de questionamentos. 2) Busca e recuperação. 3) Disseminação. 4) Avaliação. A Teoria Sistêmica originou-se nos trabalhos do biólogo austríaco Bertalanffy (1901-1972) e converteu-se num método geral de análise utilizado por diversas disciplinas científicas. Seu pressuposto básico é o primado do todo sobre as partes, isto é, algo só pode ser estudado a partir da identificação de seus elementos constituintes e da inter-relação entre eles. A abordagem funcionalista é, desse modo, um tipo específico de estudo sistêmico. A perspectiva crítica – Positivismo A perspectiva crítica na Biblioteconomia manifestou-se bastante vinculada aos processos de redemocratização logo após as ditaduras militares, nas quais houve forte censura à circulação de determinados livros. Em um primeiro momento, desenhou-se um conjunto de práticas voltadas para as populações excluídas ou marginalizadas. Abriu-se espaço para a extensão bibliotecária com carrosbiblioteca e serviços de caixa-estante, por exemplo. Esses serviços buscavam alargar o acesso físico aos livros por meio da proximidade espacial. Em muitos casos, tais práticas passaram a ser descritas como de "ação cultural" ou "animação cultural". 26 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA A corrente crítica opôs-se ao Positivismo, que tem no Funcionalismo sua forte expressão. Vejamos uma caracterização do Positivismo: O Positivismo consiste na aplicação de métodos e princípios das ciências exatas e biológicas aos fenômenos humanos e sociais. Uma de suas principais expressões é, justamente, o Funcionalismo. A perspectiva crítica nasceu como sua oposição, propondo uma especificidade das ciências humanas e sociais. Sua origem está vinculada ao Marxismo no campo da Sociologia, à Psicanálise no campo da Psicologia e à Antropologia Cultural no campo da Antropologia (ARAÚJO, 2013, p. 45). Uma das mais completas sistematizações que aproximam ação cultural e Biblioteconomia é o trabalho de Flusser (1983). O autor apresenta duas possíveis ideias de cultura: • Um conjunto de objetos, artefatos; portanto, um acervo, estoque, ou seja, preservar é suficiente; • Um conjunto de representações, visões de mundo, práticas sociais (cultura como "contexto" em oposição a "acervo"). Essas duas definições correspondem a duas compreensões sobre como deve ser o contato com a cultura (com a herança cultural): uma que a entende como uma herança universal, acumulada pela humanidade, um conjunto unitário, e outra que a vê como produto de experiências de tensões e lutas políticas. É justamente aí que se insere o trabalho do bibliotecário e da biblioteca como instrumentos de ação cultural. Expressões concretas dessa linha de pensamento redefinem o conceito de biblioteca como "centro de cultura" (MILANESI, 1997). Outros trabalhos de natureza prática, com essa inspiração, buscavam substituir o "depósito silencioso de livros" que © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 27 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA era a biblioteca "tradicional" por instituições sociais, dinâmicas e vivas, em que o povo participe. Foi retomada dessa forma a expressão "biblioteca pública" (também muitas vezes entendida como um tipo especial de biblioteca pública, a "biblioteca popular"), mas com um sentido bastante diferente do modelo funcionalista – embora as designações "viva" e "dinâmica" apareçam em ambos os modelos. Talvez a principal diferença entre a biblioteca "viva" e "dinâmica" crítica e funcionalista esteja relacionada à quem as bibliotecas servem: nobres e cientistas ou o cidadão comum? Essa reflexão remete-nos à próxima subseção, que abordará a visão de biblioteca para múltiplos usuários. Estudos na perspectiva dos sujeitos ativos – Construtivismo Tanto a visão crítica como a visão dos estudos funcionalistas de certo modo "enxergavam" a sociedade e os indivíduos como seres passivos, meros receptáculos de informação. Reformulando o papel da sociedade e dos indivíduos, agora como sujeitos ativos, e estudando as apropriações de conhecimentos, a partir de suas diferentes necessidades e usos, desenvolveuse uma nova perspectiva – os estudos de usuários de bibliotecas. O estudo efetivo dos usuários só ocorreu no início do século 20, quando houve um grande interesse em se saber como e o que as pessoas liam, e qual o uso feito das bibliotecas em geral (FIGUEIREDO, 1994). Entre os estudos contemporâneos sobre essa visão, destaca-se a abordagem construtivista de Carol Kuhlthau (2004), que atuou principalmente no âmbito das bibliotecas escolares. 28 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA De forma empírica, a autora empreendeu diversas pesquisas sobre como os usuários estudam, buscam e usam os recursos disponíveis na biblioteca, bem como as habilidades e barreiras que interferem nesse processo. Dessa maneira, o Construtivismo: [...] é uma forma de análise dos fenômenos humanos e sociais que destaca o fato de que a realidade não tem uma existência nela mesma – é, antes, produto da interação entre aspectos objetivos e a ação do sujeito que conhece. Sua origem remonta, na Psicologia, aos trabalhos de Jean Piaget e, na Sociologia, a autores como Schutz, Berger e Luckmann (ARAÚJO, 2013, p. 45). As leituras indicadas no Tópico 3. 2 tratam do conhecimento já produzido em Biblioteconomia. Neste momento, você deve ler esses textos para aprofundar o tema abordado. 2.3. A BIBLIOTECONOMIA E A DOCUMENTAÇÃO A Documentação, posterior à Biblioteconomia, voltou-se ao desenvolvimento de técnicas e princípios de organização e recuperação informacional, voltada ao tratamento documental. Essas ações projetaram-se independentemente do tipo de documento ou de suporte, permitindo enxergar o documento sem seu contexto de aplicação (ORTEGA, 2010). A Biblioteconomia, a Documentação e a custódia dos arquivos eram tratadas de forma única. No entanto, interesses particulares começaram a dividir essas atividades em grupos separados, que passaram a adotar atitudes de intolerância entre si. Por mais de quatro séculos, a Biblioteconomia foi quase sinônimo de Bibliografia. Considerando a Bibliografia como o © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 29 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA princípio da Documentação, pode-se dizer que esta esteve unida à Biblioteconomia desde o século 15 até fins do século 19, quando Otlet e La Fontaine sistematizaram e desenvolveram a Documentação como uma disciplina distinta da Biblioteconomia. Os europeus deram continuidade a esses estudos e aplicações. A Segunda Guerra Mundial acentuou esses avanços devido às necessidades específicas dos países envolvidos de recuperar conteúdos de tipos diversos de documentos, inclusive com tentativas primárias de recuperação mecânica da informação. Otlet vem sendo considerado precursor e fundador da Documentação e da própria Ciência da Informação. A atualidade da obra de Otlet revela-se nos estudos realizados hoje por pesquisadores da Ciência da Informação (tais como: autores, copistas, impressores, editores, livreiros, bibliotecários, documentadores, bibliógrafos, críticos, analistas, compiladores, leitores, pesquisadores e trabalhadores intelectuais), nos quais verifica-se que as operações documentárias acompanham o documento desde o instante em que ele surge da pena do autor até o momento em que impressiona o cérebro do leitor. A sistematização realizada por Otlet culminou na publicação, em 1934, do Traité de Documentation. Mesmo trabalhando ativamente na otimização de processos e técnicas documentárias, servindo realmente para a Ciência da Informação, a Documentação foi praticamente excluída dos estudos anglo-saxões e simplesmente substituída pela Ciência da Informação. No cenário brasileiro da década de 1950, a inserção da Bibliografia e a ampliação pela Documentação já representaram uma visível insuficiência da formação biblioteconômica no que concerne ao tratamento do conteúdo dos documentos e ao uso das então novas tecnologias de documentação. Isso apresenta30 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA va-se como um entrave ao desenvolvimento de atividades relacionadas à Documentação Científica. Atualmente, alguns autores anglo-saxões, como Rayward e Buckland, escreveram trabalhos resgatando o aporte teórico da Documentação difundida na Europa, especialmente as obras de Otlet e de seus discípulos, como Briet. No entanto, uma das obras-chave para área, o Tratado de Documentação (1934), ainda não teve uma tradução para o inglês. Tais indícios revelam que a Documentação ainda não tem seu devido reconhecimento, mesmo que tenha dado "insumos" tanto para a Ciência da Informação, em sua constituição científica, como para a Biblioteconomia, na adequação de processos e práticas documentais,. Antes de realizar as questões autoavalitivas propostas no Tópico 4, você deve fazer as leituras propostas no Tópico 3. 3 para compreender um pouco mais sobre os pensamentos filosóficos em Biblioteconomia. DICA: Visite o site da Biblioteca Nacional do Brasil e de um outro país. Quando tiver oportunidade, visite-as pessoalmente. Vídeo complementar –––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso Graduação, a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo (Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão "Vídeos" e selecione: Introdução à Bibilioteconomia – Vídeos Complementares – Complementar 1. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 31 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.4. EPISTEMOLOGIA Epistemologia é uma palavra pouco utilizada em nosso dia a dia, mas tem a ver com praticamente tudo o que sabemos. Por isso, vale a pena tentarmos compreendê-la um pouco mais, primeiramente em um contexto geral e em seguida relacionando com nossa área, a Biblioteconomia. • SCIFILO. O que é epistemologia (teoria do conhecimento)? (vídeo). Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=QIFR6hx1X0s>. Acesso em: 29 out. 2017. • TESSER, G. J. Principais linhas epistemológicas contemporâneas. Educar em Revista, n. 10, p. 91-98, jan./dez. 1994. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40601994000100012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 29 out. 2017. • SHERA, J. Epistemologia social, semântica geral e biblioteconomia. Ciência da Informação, v. 6, n. 1, p. 9-12, 1977. Disponível em: <http://basessibi.c3sl.ufpr.br/brapci/_ repositorio/2010/04/pdf_dde99ac1c9_0009749.pdf>. Acesso em: 29 out. 2017. 32 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA 3.5. CONHECIMENTO EM BIBLIOTECONOMIA A evolução da tecnologia e o progresso do conhecimento humano estão totalmente atrelados ao surgimento das bibliotecas no passado. Considerando que vivenciamos a Era da Informação e do Conhecimento, tornou-se essencial revermos técnicas, atitudes e desdobramentos da Biblioteconomia no presente e no futuro. Os textos a seguir apresentam essa linha de pensamento, que acompanha e, de certa forma, influencia as transformações necessárias à área. Além de ler o artigo de Siqueira (2010), assista aos dois vídeos indicados. "A Biblioteca de Alexandria" apresenta essa famosa biblioteca considerada um marco histórico para os estudos sobre o início da Biblioteconomia. Já o vídeo institucional da Biblioteca Nacional do Brasil, conta um pouco de sua história e de sua função. Confiram! • SIQUEIRA, J. C. Biblioteconomia, documentação e ciência da informação: história, sociedade, tecnologia e pós-modernidade. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 15, n. 3, p. 52-66, set./dez 2010. Disponível em: <http:// portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/ view/1124/771>. Acesso em: 29 out. 2017. • DOCUMENTARIOSCIENCIA. A Biblioteca de Alexandria – Documentário (1996) (vídeo). Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=TK5zppZzUy4>. Acesso em: 29 out. 2017. • BNDIGITAL. Biblioteca nacional (Brasil) (vídeo). Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=9kml6RIq5UQ>. Acesso em: 29 out. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 33 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA 3.6. PENSAMENTOS EM BIBLIOTECONOMIA Recomendamos que você leia o artigo de Floridi (2010), que reflete sobre a Filosofia da Informação, e o artigo de Araújo (2013), que reforça os tópicos desta primeira unidade. Em seguida, assista ao filme O homem que queria classificar o mundo, e saiba um pouco mais sobre a vida de Paul Otlet, considerado o pai da Documentação e precursor da Ciência da Informação. Você perceberá diversas relações entre Biblioteconomia, Bibliografia e Documentação, além da criação da Internet. Bom filme e boas leituras! • FLORIDI, L. Biblioteconomia e ciência da informação (BCI) como filosofia da informação aplicada: uma reavaliação. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 1, n. 2, 2010. Disponível em: <http://www.brapci. ufpr.br/brapci/v/a/16788>. Acesso em: 29 out. 2017. • IPTV/USP. O homem que queria classificar o mundo (vídeo). Disponível em: <http://iptv.usp.br/portal/video. action?idItem=5941>. Acesso em: 29 out. 2017. • ARAÚJO, C. A. A. Correntes teóricas da Biblioteconomia. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 9, n. 1, p. 41-58, jan./dez. 2013. Disponível em: <https://rbbd.febab. org.br/rbbd/article/view/247>. Acesso em: 29 out. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação é uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 34 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA 1) O termo "biblioteconomia" é derivado do termo "biblioteca" composto por dois vocábulos do latim, biblio (livro) e theke (caixa), refere-se à ideia da biblioteca como: a) Depositária de livros. b) Depósito de caixas. c) Disseminadora de livros. d) Museus de livros. e) Coleção de caixas. 2) Advis pour dresser une bibliothèque, é uma significativa obra de autoria de Gabriel Naudé, publicada em 1627. A tradução deste título em português seria: a) "Conselhos de um bibliotecário". b) "Conselhos para formar uma biblioteca". c) "Advertências para um bibliotecário". d) "Endereço de uma biblioteca". e) "Formação de Bibliotecas". 3) Ranganathan publicou o famoso livro Five Laws of Library Science em 1931. Traduzido para o português como As cinco leis da Biblioteconomia. Essas leis são: a) Os livros são para uso; A cada leitor, seu livro; A cada livro, seu leitor; Poupe o tempo do leitor; A biblioteca é um organismo em crescimento. b) Os livros são para guardar; A cada leitor, seu bibliotecário; A cada livro, sua biblioteca; Poupe o tempo do bibliotecário; A biblioteca é um organismo estático. c) Os livros são para uso; A cada leitor, seu livro; A cada livro, seu leitor; Poupe o uso da biblioteca; Evite o crescimento. d) Os livros não são para uso; A cada leitor, sua biblioteca; A cada livro, seu leitor; Poupe o tempo do leitor; A biblioteca não é um organismo em crescimento. e) Poupe o tempo do leitor; A biblioteca é um organismo em crescimento; Utilize livros antigos; Biblioteca não é museu; Evite o crescimento. 4) Como vimos, a corrente crítica opôs-se ao Positivismo, que tem uma forte expressão no: a) Existencialismo. b) Construtivismo. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 35 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA c) Criticismo. d) Funcionalismo. e) Expressionismo. 5) Por mais de quatro séculos, a Biblioteconomia foi quase sinônimo de Bibliografia. Considerando a Bibliografia como o princípio da Documentação, pode-se dizer que esta esteve unida à Biblioteconomia desde o século 15 até fins do século 19, quando dois pesquisadores sistematizaram e desenvolveram a Documentação enquanto disciplina distinta da Biblioteconomia. São eles: a) Smit e Araújo. b) Shera e Borko. c) Otlet e La Fontaine. d) Shera e La Fontaine. e) Seracevic e Otlet. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões autoavaliativas propostas: 1) a. 2) b. 3) a. 4) d. 5) c. 5. CONSIDERAÇÕES Chegamos ao final da primeira unidade, na qual você teve a oportunidade de discutir uma Biblioteconomia que se mostra, por um lado, consolidada em suas escolhas e princípios já secu36 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA lares e, por outro, dinâmica e flexível em direção a novas abordagens e capaz de adaptar-se às condições históricas, culturais, epistemológicas e tecnológicas contemporâneas. Veja agora o Conteúdo Digital Integrador que ampliará seu conhecimento sobre o assunto. Na próxima unidade, você aprenderá as características da Biblioteconomia como campo científico e profissional. 6. E-REFERÊNCIAS ARAÚJO, C. A. A. Correntes teóricas da Biblioteconomia. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. São Paulo, v. 9, n.1, p. 41-58, jan./dez. 2013. Disponível em: <https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/247>. Acesso em: 29 out. 2017. BIBLIOO. Briquet de Lemos – Biblioteconomia: passado e futuro (vídeo). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7_pOPyLExkA>. Acesso em: 29 out. 2017. BIBLIOTECA NACIONAL. Apresentação. Disponível em: <http://www.bn.gov.br/sobrebn/apresentacao>. Acesso em: 29 out. 2017. ______. Histórico. Disponível em: <http://www.bn.gov.br/sobre-bn/historico>. Acesso em: 29 out. 2017. BNDIGITAL. Biblioteca nacional (Brasil) (vídeo). Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=9kml6RIq5UQ>. Acesso em: 29 out. 2017. FLORIDI, L. Biblioteconomia e ciência da informação (BCI) como filosofia da informação aplicada: uma reavaliação. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 1, n. 2, 2010. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/brapci/v/a/16788>. Acesso em: 29 out. 2017. MOSTAFA, S. P. Epistemologia ou filosofia da Ciência da Informação? Informação & Sociedade: Estudos, v. 20, n. 3, p. 65-73, 2010. Disponível em: <http://www.brapci. ufpr.br/brapci/v/a/9585> . Acesso em: 29 out. 2017. ORTEGA, C. D., LARA, M. L. G. A noção de documento: de Otlet aos dias de hoje. DataGramaZero, v. 11, n. 2, 2010. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/brapci/ index.php/article/view/0000008400/cca9a49474077340b069f1222c313618>. Acesso em: 29 out. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 37 UNIDADE 1 – PRESSUPOSTOS DA BIBLIOTECONOMIA SHERA, J. Epistemologia social, semântica geral e biblioteconomia. Ciência da Informação, v. 6, n. 1, p. 9-12, 1977. Disponível em: <http://basessibi.c3sl.ufpr.br/ brapci/_repositorio/2010/04/pdf_dde99ac1c9_0009749.pdf>. Acesso em: 29 out. 2017. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FIGUEIREDO, N. M. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília: IBICT, 1994. FLUSSER, V. A biblioteca como um instrumento de ação cultural. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, v. 12, n.2, p. 145-169, set. 1983. FONSECA, E. N. A biblioteconomia brasileira no contexto mundial. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1979. KUHLTHAU, C. C. Seeking meaning: a process approach to library and information services. Londres: Libraries Unlimited, 2004. LASSO DE LA VEGA, J. Manual de biblioteconomia: organización tecnica y cientifica de las bibliotecas. Madri: Mayfe, 1952. MILANESI, L. A casa da invenção. São Paulo: Ateliê, 1997. 38 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Objetivos • Compreender as especificidades da Biblioteconomia como campo científico. • Compreender as especificidades da Biblioteconomia como campo profissional. Conteúdos • Panorama e conceito do campo científico da área. • Panorama e conceito do campo profissional da área. • Atuação nas unidades de informação e suas características. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referência de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresentados. 3) Recorra aos materiais complementares descritos no Conteúdo Digital Integrador. 39 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 1. INTRODUÇÃO Vamos começar nossa segunda unidade de estudo. Nela vamos abordar a revolução técnica e científica da Biblioteconomia, que resultou na necessidade de estudos mais avançados sobre as técnicas empregadas em bibliotecas e centros de documentação. O progresso técnico e científico ampliou a capacidade humana em todas as direções, resultando em um grande acúmulo de informação. Esse grande volume de informação, por conseguinte, ampliou as funções, as atividades e as responsabilidades do bibliotecário profissional. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador. 2.1. O CAMPO CIENTÍFICO EM BIBLIOTECONOMIA No Brasil, o primeiro bibliotecário foi o jesuíta português Antônio Gonçalves, que em 1604 passou a trabalhar na biblioteca do Colégio da Bahia (FONSECA, 1979). Naquele período, e até o início do século 20, não havia cursos de formação de bibliotecários no Brasil. O ensino de Biblioteconomia surgiu a partir do Decreto no 8.835, de 11 de julho de 1911, que definiu a criação do primeiro curso de Biblioteconomia na Biblioteca Nacional. Tal fato ocorreu devido ao empenho do pernambucano Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956), diretor da Biblioteca Nacional na época. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 41 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Entretanto, as aulas só tiveram início em abril de 1915 devido a desistência dos inscritos (RUSSO, 1966; CASTRO, 2000). O exame de admissão neste primeiro curso era composto de prova escrita de português e provas orais de geografia, literatura, história universal e línguas (francês, inglês e latim). Era pré-requisito para ser bibliotecário possuir cultura geral. O ensino da Biblioteca Nacional era influenciado pela escola francesa École National des Chartes, com forte característica humanística e voltada para os funcionários daquela biblioteca. Em 1936 também foi oferecido um curso de Biblioteconomia em São Paulo, que em sua criação era mantido pela Prefeitura do Município de São Paulo. Em 1940, o curso foi incorporado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Nos primeiros anos de criação, diferentes visões guiaram as escolas do Rio de Janeiro e de São Paulo. A primeira mantinha suas raízes humanísticas, enquanto a segunda era basicamente técnica. Consequentemente, os bibliotecários formados passavam a defender a abordagem tecnicista ou humanística, de acordo com a escola em que haviam estudado. Considera-se que a polêmica entre Rio e São Paulo foi marcante quanto às questões técnicas da área. No entanto, com o movimento de americanização do Brasil e devido às exigências do mercado de trabalho, a Biblioteca Nacional em 1944 modificou seu currículo com o acréscimo de disciplinas técnicas, tais como: Catalogação, Classificação, Bibliografia e Referência (CASTRO, 2000). Contudo, não deixou de lado sua influência humanística. O ensino de Biblioteconomia no Rio de Janeiro e em São Paulo apresentavam diferenças, inclusive relacionadas a controvérsias da prática de técnicas e de disciplinas cursadas (CASTRO, 2000). 42 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL O Quadro 1 apresenta as disciplinas que compunham o curso em Biblioteconomia entre 1915 e 1962. Nota-se que, embora tivessem perfis diferentes, havia sintonias entre as formações de São Paulo e do Rio de Janeiro. Quadro 1 O início do ensino de Biblioteconomia no Brasil. Fonte: Castro (2000). Agora, no Quadro 2, veja a grade de disciplinas do curso de Biblioteconomia no Claretiano. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 43 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Quadro 2 Disciplinas do curso de Biblioteconomia no Claretiano. Comunicação e Linguagem Fontes de Informação e Competência Informacional Fundamentos da Educação Introdução à Biblioteconomia Ação Cultural: Projetos Culturais e Atuação do Bibliotecário Estudos de Usuários Introdução à Biblioterapia Projeto - Representação Descritiva: Catalogação Representação Descritiva: Catalogação Metodologia da Pesquisa Científica Optativa de Formação I Projeto - Representação Temática: Classificação Representação Temática: Classificação Sistemas de Informação Automação e Informatização de Unidades de Informação Linguagens Documentárias Planejamento de Unidade de Informação Projeto - Automação e Informatização de Unidades de Informação Projeto – Linguagens Documentárias Serviços de Referência e Recuperação da Informação Arquitetura da Informação e Usabilidade Biblioteca Escolar Optativa de Formação II Preservação, Conservação de Documentos e Tratamento de Obras Raras Administração Antropologia, Ética e Cultura Estágio Curricular Supervisionado Estudos Linguísticos e Literários aplicados à Biblioteconomia Pesquisa Bibliográfica e Normalização Atividades Complementares Fonte: Claretiano (2017). 44 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Depois de observar os dois quadros, tente responder às seguintes questões: 1) O que foi acrescentado? 2) O que foi modificado? 3) O que permaneceu? 4) Em sua opinião, os desafios de hoje são maiores do que os do passado? Percebemos que a Biblioteconomia brasileira é assumida quase que diretamente como origem e subárea da Ciência da Informação. O fato é que houve um processo de acomodação entre as duas áreas: • de um lado, definiu-se a Biblioteconomia como estudo formativo vinculado às diretrizes curriculares nacionais, com seus aspectos legais, com o intuito de graduar; • do outro, definiu-se, como espaço para a Ciência da Informação, o campo de estudos e pesquisas avançados em cursos e programas de pós-graduação. Todo campo científico necessita de uma literatura especializada e atualizada. No Brasil alguns dos principais periódicos que tratam temas da Biblioteconomia e Ciência da Informação são: 1) DataGramaZero: Revista de Ciência da Informação (1999-). 2) Perspectivas em Ciência da Informação (1996-). 3) Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação (1996-). 4) Morpheu: Revista Eletrônica em Ciências Humanas – Conhecimento e Sociedade (2002-). © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 45 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 5) RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação (2003-). 6) Em Questão: Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) (2003-). Você conhece esses periódicos? A leitura de seus artigos vão ajudar muito em seu aprendizado. Consideramos que a Biblioteconomia não se constitui como uma área científica, mesmo com a incorporação de novos equipamentos tecnológicos à sua rotina, alterando serviços básicos como a catalogação (utilização das redes colaborativas) e o atendimento ao usuário (serviço de referência virtual). Segundo Pinheiro (1999), a Biblioteconomia precisaria de uma "ciência" para lhe dar respeitabilidade acadêmica. Para ele, mesmo com a disseminação e uso de equipamentos e procedimentos físicos no âmbito digital, a área ainda não conseguiu relacioná-los efetivamente com base na produção que realiza e com o uso da informação em um contexto específico. Agora vamos ver algumas características da Biblioteconomia na Europa e nos Estados Unidos. Europa e EUA A partir da primeira metade do século 20, a Europa inovou em termos de pesquisa e experimentos de processos de organização da informação. Contudo, devido ao patamar tecnológico da época e das dificuldades políticas e econômicas daquele momento, essas pesquisas e experimentos não foram disseminados e implantados (Buckland, 1991). 46 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL No mesmo período, os Estados Unidos estavam preocupados em aumentar o número de bibliotecas. Estas eram vistas como equipamentos culturais e educacionais, capazes de garantir acesso universal aos seus acervos. Apesar de haver alguma pesquisa e experimentação de tecnologias no país, elas ainda não eram técnicas e modelos aplicados para processos de bibliotecas, não sendo, assim, significativas. Foi só durante e após a Segunda Guerra Mundial que o espírito pragmático e o apoio em pesquisa tecnológica dos Estados Unidos levou a um grande avanço, permitindo várias implantações. No período, a Europa estava devastada pela Guerra e não acompanhou o avanço dos Estados Unidos, recebendo, entretanto, suas influências. Surgia uma nova concepção de bibliotecas, diante da necessidade de mudança do conceito elitista desse ambiente. A biblioteca até então encarada como depósito de conservação de livros raramente lidos ou de acesso reservado apenas para determinado público: Fechadas em si mesmas, solenes e pouco convidativas, dificultando muitas vezes o acesso à informação, com fundos que pouco ou nada têm a ver com os interesses da generalidade da população (NUNES, 1996, p. 57). Uma nova perspectiva, em oposição ao espírito de conservação das bibliotecas, fez com que a divulgação, o acolhimento dos usuários e a função de referência aos poucos deixassem de ser consideradas secundárias. Essa transformação começou na Inglaterra, onde a ideia da verdadeira biblioteca pública surgiu no começo do século 19, com o movimento liderado por Horace Mann (1796-1859) e © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 47 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Henry Barnard (1811-1900), em favor da educação para todos os segmentos da sociedade (FONSECA, 1992). Assim, os Movimentos pela Biblioteca Pública (Public Library Movements) destacaram-se: • por um lado, devido à importância de se atingir todos os indivíduos da sociedade, propondo uma reformulação do conceito de biblioteca (passando a entendê-las como agentes ativos no processo democrático); • por outro lado, devido ao surgimento de diversas inovações práticas nas bibliotecas para aumentar a acessibilidade física e intelectual (priorizando os serviços de referência, adequando os acervos, criando instrumentos mais fáceis para a busca, entre outros). O salto teórico-conceitual dessa abordagem pelo usuário ocorreu a partir de um grupo de pesquisadores da Graduate Library School da Universidade de Chicago. Nessa instituição foi criado o primeiro programa de doutoramento em Biblioteconomia. O grupo de Chicago é considerado fundamental para a passagem de uma Biblioteconomia de orientação meramente profissionalista para uma científica. Nesta mesma época, no Brasil, ainda estávamos revendo influências e organizando nossos primeiros cursos de graduação. Com as leituras propostas no Tópico 3. 1, você vai acompanhar a lei que regulamenta a profissão do bibliotecário e refletir sobre a trajetória da Biblioteconomia até os dias atuais. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. 48 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 2.2. ATUAÇÃO PROFISSIONAL EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO Com o entendimento de que as bibliotecas possuem um papel social e que devem mediar a formação do cidadão comum, presenciamos recentemente bibliotecários atuando em múltiplos contextos. Embora haja consenso de que as bibliotecas sejam relevantes, hoje temos vários tipos ou ramificações dessa ideia, em espaços que podem ser físicos ou digitais. Nesse sentido é mais compreensível utilizarmos o termo "unidade de informação" no lugar de biblioteca, pois o bibliotecário pode aplicar as técnicas da Biblioteconomia em outros espaços, como empresas, livrarias, bancos e assessorias. Veremos a seguir algumas possibilidades de atuação profissional e algumas das especialidades existentes (bibliotecário de referência, de processamento técnico, de aquisição, periódicos etc.), bem como suas competências (Vieira, 2014). Bibliotecário de referência O bibliotecário de referência normalmente é encontrado em bibliotecas universitárias ou especializadas. Ele é responsável por ajudar o usuário a encontrar a informação, direcionando e orientando sua pesquisa pelo contato direto ou por outros meios, até que seja sanada sua necessidade informacional. Ele também é responsável por dar suporte ao pesquisador/usuário na normalização de trabalhos científicos de acordo com as normas da ABNT ou outras, como a APA. O campo de atuação é vasto: pesquisador ou consultor em pesquisas das universidades, empresas públicas ou privadas, centros de documentação etc. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 49 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL São atividades exigidas desta atuação: 1) manter-se informado sobre atualidades gerais e sobre as novidades do acervo; 2) utilizar todos os recursos tecnológicos e mídias na orientação do usuário; 3) conhecer seu acervo, assim como as melhores fontes de pesquisa on-line ou por meio do Comut (comutação bibliográfica); 4) manter uma boa comunicação oral e escrita com os usuários, sempre de forma clara; 5) ser agente cultural por meio da promoção de ações e eventos culturais em sua unidade ou pela cidade. Bibliotecário escolar Pode ser considerado o maior responsável pela formação do hábito de leitura entre jovens estudantes, sendo um elo entre os jovens e os livros. Esse profissional é responsável por incentivar a leitura e a pesquisa, e, em muitos casos, apresenta à criança o mundo da pesquisa em seu início de vida cultural. Na biblioteca escolar, o bibliotecário é um mediador que auxilia as crianças e os jovens a desenvolverem competências necessárias para: aprender, estimular o senso crítico, argumentar e instigar a criatividade e o interesse por novos conhecimentos. São suas funções: 1) treinar e formar para a utilização dos recursos da biblioteca e de tecnologia de informação; 2) formar competências e conhecimento da informação; 3) promover programas de leitura e eventos culturais, como a hora do conto; 50 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 4) participar de atividades relacionadas à gestão do currículo escolar; 5) participar da preparação, promoção e avaliação de atividades de aprendizagem; 6) preparar e administrar os orçamentos e a formação da equipe; 7) promover políticas para desenvolver os serviços de acordo com as necessidades da comunidade escolar (VIEIRA, 2014). Com as leituras propostas no Tópico 3. 2, você se informará um pouco mais sobre a Biblioteca Escolar. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. Bibliotecário de processamento técnico O bibliotecário de processamento técnico é responsável por tratar a informação, atuando nos processos de catalogar, classificar e indexar, ou seja, fazer uma descrição e identificação do conteúdo do item, de forma que facilite o acesso do usuário à informação. É necessário conhecer as atividades da biblioteca e seus instrumentos de trabalho – como códigos e tabelas de catalogação, linguagens documentárias, tesauros e vocabulários controlados – necessários para a análise e processamento técnico dos documentos da unidade, que habitualmente são divididos em três etapas: © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 51 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Catalogação Catalogar significa registrar todo material que chega à biblioteca utilizando técnicas biblioteconômicas que possibilitem e facilitem o acesso às informações. Os instrumentos utilizados para a catalogação são: o AACR2, utilizado mundialmente para padronizar e descrever os documentos; e algum formato específico (o mais utilizado é o formato MARC 21). Classificação Classificar significa reunir coisas, informações etc., no caso do bibliotecário classificador, por grupo e conforme suas características. Para isso, durante o processamento técnico, é necessário utilizar um sistema de classificação (CDD, CDU etc.) por meio do qual se reúnam os assuntos pertinentes devidamente codificados. Indexação Indexar é incluir o registro de um documento em um índice ou repositório de informações, que deve formar o catálogo de uma biblioteca. Os registros são compostos por diversos dados e informações que descrevem o documento, objetivando localizá-lo no acervo. Na descrição dos documentos é necessário incluir o cabeçalho (informações básicas) sobre o autor, título, assunto etc. Os índices podem ser encabeçados por assuntos, autores, títulos, editoras etc. No entanto, normalmente, ao buscar o documento, a recuperação dá-se pelo assunto. Para a boa indexação de um item de qualquer tipo de unidade de informação, é de suma importância determinar o assunto e inclui-lo em um vocabulário controlado. Isso pode evitar o 52 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL silêncio ou ruído durante a pesquisa, uma vez que toda recuperação da informação desejada terá sucesso ou não a partir desse ponto. A indexação consiste em duas fases: • identificar e representar o conteúdo intelectual do documento; • traduzir a análise do assunto para a linguagem especifica, utilizando descritores. É exigido que o profissional mantenha-se bem informado (cultura geral) sobre as atualidades nas diferentes áreas do conhecimento humano. Bibliotecário de aquisição O profissional é responsável por adquirir obras de relevância, levando em conta as necessidades de seus usuários e as características exigidas. Sempre que for necessário obter novas obras, deve-se solicitar o material, aprovar o pedido, verificar a disponibilidade do documento no mercado, comprá-lo, negociar condições de pagamento etc. Durante a aquisição deve-se levar em conta não apenas os aspectos comerciais do negócio, mas também o valor informacional que a aquisição trará ao acervo da unidade. Após adquirir o documento, inicia-se o processamento técnico para incorporá-lo ao acervo e disponibilizá-lo. Por fim, o processo deve ser acompanhado por um bom sistema de Disseminação Seletiva da Informação (DSI), que promoverá uma boa divulgação das novidades informacionais. São exigências da função: 1) analisar as sugestões de usuários/ pesquisadores; 2) controlar orçamento, ou verificar a possibilidade da aquisição; © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 53 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 3) analisar a quantidade a ser adquirida, ou se já faz parte do acervo; 4) gerenciar a licitação ou orçamentos para compra; 5) analisar fornecedores, condições de pagamento, prazo etc. Em grande parte das instituições, o profissional não atua somente na aquisição, acumulando outras funções. Isso ocorre porque a maioria das bibliotecas não necessita ou não tem recursos suficientes para o desenvolvimento integral de um profissional nessa função. Bibliotecário de periódicos Suas principais funções são comprar, receber, avaliar e controlar as coleções de periódicos provenientes de assinatura (compra), doação ou permuta, mantendo atualizadas as informações necessárias às consultas do material pelos usuários. A rapidez na recuperação e o contato imediato com a informação vêm-se tornando fatores determinantes na aquisição de periódicos eletrônicos em ambientes universitários, principalmente pelo acesso às novidades nas áreas científicas e tecnológicas. A assinatura permite o acesso a periódicos por área de atuação e a periódicos de acesso livre. No Brasil, as FAPs e o CNPQ possibilitam o acesso dos pesquisadores a portais como Web of Science e Scielo (Scientific Eletronic Library). São exigências da função: 1) intermediar contato com fornecedores, editores etc.; 2) pesquisar necessidades e orçamentos de aquisição de periódicos; 54 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 3) catalogar e indexar periódicos e artigos; 4) controlar a circulação dos documentos; 5) elaborar relatórios e estatísticas. Em grande parte das instituições, o profissional acumula outras funções. Isso ocorre porque a maioria das bibliotecas não necessita ou não tem recursos suficientes para o desenvolvimento integral de um profissional nessa função. Bibliotecário de sistemas O bibliotecário de sistemas gerencia, insere e organiza as informações de uma biblioteca de forma a facilitar o acesso do usuário. Deve oferecer a maior gama possível de possibilidades e mecanismos que permitam a recuperação da informação desejada. Para isso, é vital uma boa indexação de termos. Assim, mediante bom treinamento ao usuário quanto à utilização do sistema, é possível dar autonomia a ele, otimizando o tempo e permitindo que ele auxilie outros usuários. O bibliotecário de sistemas deve possuir senso crítico ao elaborar, indexar e disponibilizar os termos das diferentes áreas do conhecimento. Assim, estabele critérios para organizar e interpretar a informação nos suportes existentes na biblioteca, viabilizando conexões entre assuntos para facilitar a pesquisa. São exigências da função: 1) manter contato constante com colaboradores e utilizadores (usuários) do acervo; 2) manter-se informado e buscar novas tecnologias e novidades da área no que se refere a base, banco e estru- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 55 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL tura de dados, sistemas operacionais, programação, novas tecnologias na área de catalogação etc.; 3) participar do planejamento e da seleção dos sistemas (softwares etc.) da unidade; 4) manter um canal de comunicação aberto entre colaboradores para assuntos técnicos sobre informática; 5) supervisionar o fluxo de informações do sistema para fins estatísticos, dando suporte, manutenção e desenvolvimento do sistema aos setores (VIEIRA, 2014). Bibliotecário jurídico Esse bibliotecário deve conhecer a fundo o mundo jurídico e suas informações, nas esferas municipais, estaduais, federais e internacionais. Deve tornar-se íntimo dos termos e das definições usadas pelos profissionais da área: lei, decreto, instrução, medida provisória, emenda constitucional, súmula, jurisprudência etc. Por conseguinte, deve conhecer as técnicas de organização utilizadas pela classe jurídica, dispondo melhor seus documentos, facilitando sua pesquisa etc. Também é importante ao bibliotecário jurídico elaborar sistemas de gerenciamento do conhecimento jurídico, e não apenas organizar seus acervos. De acordo com a Associação Americana de Bibliotecários Jurídicos, esse profissional deve: 1) ser eficiente na pesquisa em qualquer suporte informacional; 2) ser astucioso quanto às vantagens ou desvantagens de uma ou várias fontes de informação; 56 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 3) ser eficaz na organização da informação, quanto a sua localização e utilização em qualquer suporte; 4) especializar-se na utilização das fontes informacionais (jurídicas ou não); 5) conhecer o sistema legal e a profissão jurídica; 6) ter conhecimento biblioteconômico do ciclo documentário em sua totalidade; 7) ter liderança e pensamento crítico no que se refere à administração geral; 8) trabalhar em grupo para alcançar objetivos comuns; 9) promover e defender a necessidade da biblioteca na organização (VIEIRA, 2014). Bibliotecário consultor O bibliotecário consultor presta consultoria aos gestores ou proprietários de empresas ou acervos nas tomadas de decisões relativas à organização e à disseminação da informação. Também opina sobre o impacto dessas informações sobre os resultados atuais e futuros. O foco da consultoria é definir a melhor alternativa na área da Biblioteconomia para agilizar o acesso à informação num ambiente particular ou empresarial, diminuindo incertezas e riscos no processo natural de competição existente. Os serviços de consultoria normalmente diagnosticam e formulam soluções para determinado assunto (problema) ou especialidade. Tais soluções podem ser em qualquer área do conhecimento humano. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 57 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL As consultorias mais comuns são nas áreas jurídica e empresarial, mas é comum também a organização de acervos de outros tipos: objetos, correspondências, fotografias etc. Suas habilidades devem estar focadas nos métodos e instrumentos utilizados, no compartilhamento de ideias e informações e na gestão dos recursos disponíveis. Esse profissional deve ainda detectar as melhores formas de coletar dados para um posterior diagnóstico, observando políticas e valores da organização. Além disso, deve manter-se alinhado à cultura organizacional e respeitá-la para garantir uma boa relação com a empresa-cliente. Assim, com resultados positivos, poderá ser contratado novamente pela mesma organização ou por outras que venham a conhecer seus bons resultados. São exigências da função: 1) Conhecimentos específicos em alguma área; 2) Habilidade no relacionamento interpessoal; 3) Independência; 4) Automotivação; 5) Boa comunicação escrita e verbal; 6) Capacidade analítica, de autenticidade e ética (VIEIRA, 2014). Bibliotecário da área da saúde O bibliotecário especialista na área da saúde é fundamental para difundir informação aos profissionais desse ramo. Atua em diversos setores da saúde, como indústria farmacêutica, bibliotecas especializadas e entidades pesquisadoras. Contribui em estudos acadêmicos, no atendimento a pacientes 58 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL e no desenvolvimento científico, pesquisando fontes tradicionais ou eletrônicas, que ajudem a esclarecer o problema, seja na área médica, terapêutica, farmacêutica, veterinária ou de enfermagem. O profissional dessa área deve buscar atualização constante, devido à produção crescente de pesquisas científicas, divulgadas principalmente em formato eletrônico. As informações levantadas pelo bibliotecário devem ser avaliadas pelos profissionais da saúde, quanto à relevância e à necessidade de aprofundamento bibliográfico. Nos Estados Unidos há especialização para bibliotecários da área da saúde desde 1939. Já no Brasil esses cursos começaram a ser oferecidos na década de 1980, pela Unifesp (Curso de Especialização em Informações em Ciência e Saúde para Bibliotecários e Documentalistas). São exigências da função: 1) localizar informações impressas ou eletrônicas; 2) administrar e criar produtos que facilitem a disseminação da informação; 3) selecionar e comprar livros, periódicos etc., em formato impresso ou eletrônico; 4) organizar o uso da informação 5) facilitar o acesso à informação. 6) treinar usuários e pesquisadores (VIEIRA, 2014). Bibliotecário da área da música O bibliotecário especialista em música deve ter amplo conhecimento sobre o tema, desde compositores e estilos musi- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 59 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL cais, até músicos e intérpretes nacionais e internacionais, além de, preferencialmente, ter conhecimento sobre partituras. O campo de atuação vai de bibliotecas especializadas a rádios e televisão, e os suportes desse tipo de informação são variados: LPs, CDs, DVDs, livros, partituras etc. O acervo é destinado aos estudiosos, pesquisadores e interessados em música, preocupados em ampliar seus conhecimentos ou por simples prazer. São exigências da função: 1) trabalhar para o avanço dos objetivos de sua organização; 2) reconhecer a diversidade de músicas, usuários e frequentadores da biblioteca (equipe, comunidade etc.) e incentivar seus esforços musicais; 3) avaliar continuamente a eficácia e o potencial dos materiais e serviços fornecidos; 4) comunicar-se com eficácia, participando de sua comunidade profissional; 5) ler partituras; 6) ter formação em nível superior em Música e Biblioteconomia; 7) desenvolver e empregar sistemas de distribuição de informação conforme a necessidade do usuário; 8) avaliar constantemente a qualidade das fontes de informação; 9) criar índices, catálogos, instrumentos de pesquisa, exposições e bibliografias (impressos ou eletrônicos) para melhorar o acesso a coleções. 60 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Bibliotecário coordenador informacionais de bibliotecas/unidades O bibliotecário coordenador é o representante da biblioteca, e é responsável por gerenciar, liderar, motivar, treinar e orientar os colaboradores. É sua obrigação também avaliar, exigir, contratar, demitir etc. Para uma melhor gestão, é necessário estabelecer metas e planejar ações a curto, médio e longo prazos. O plano de ação deve levar em conta o gerenciamento dos recursos disponíveis por certo período. Os recursos podem ser tecnológicos, materiais, financeiros, físicos e humanos. A gestão deve ter múltiplos olhares sobre a unidade, buscando identificar: • pontos positivos: que devem ser destacados, dando o crédito aos responsáveis pela atividade (seja diária ou ligada a uma ação pontual); • pontos negativos: fazendo mudanças e tomando medidas que possam sanar o problema, ou melhorar um estágio da ação. Em geral, o coordenador é o elo entre os colaboradores da unidade e os tomadores de decisões estratégicas. Por esse motivo, deve usar bom senso e discernimento entre os lados envolvidos, colaborando nos resultados e no cumprimento das obrigações diárias. Para que o gestor não se perca é necessário que tenha clara a missão da instituição a qual pertence. Ele deve implantar um programa de gestão da qualidade que permita acompanhar os resultados e formar uma equipe envolvida em todo o processo e com vistas nos resultados. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 61 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL São exigências da função: 1) ser empreendedor, estando ligado às necessidades, às atualizações e ao planejamento da unidade. 2) ser um líder, preocupado com a questão social, procurando ajudar a todos, preocupando-se com as dificuldades financeiras, não permitindo injustiças; 3) empenhar-se genuinamente na harmonia das relações de trabalho, fator básico para alcançar bons resultados em qualidade e produtividade; 4) monitorar as necessidades da unidade, dos funcionários e dos usuários; 5) ter voz ativa, saber delegar tarefas e resolver eventuais conflitos internos entre funcionários, usuários etc.; 6) avaliar com precisão e constância os colaboradores e suas funções, e, se necessário, trocar funcionários de departamento, e até demitir ou contratar; 7) ser exemplo para os colaboradores, para que se espelhem em suas atividades. Com as leituras propostas no Tópico 3. 3, você vai conhecer mais sobre o Bibliotecário Gestor. Antes de prosseguir para a próxima unidade, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. Vídeo complementar –––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso 62 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL Graduação, a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo (Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão "Vídeos" e selecione: Introdução à Bibilioteconomia – Vídeos Complementares – Complementar 2. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. BIBLIOTECÁRIO Uma lei federal regula o exercício da profissão de bibliotecário, é a Lei 4.084 de 1962. Sugerimos que você a leia na íntegra. Em seguida, assista ao vídeo Briquet de Lemos – Biblioteconomia, uma palestra do professor Briquet de Lemos que traz interessantes fatos históricos e reflexões sobre a profissão do bibliotecário na fala. Por fim, leia um texto sobre as condições e a obrigatoriedade do Depósito Legal de publicações para a Biblioteca Nacional. • BRASIL. Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/1950-1969/L4084.htm>. Acesso em: 31 out. 2017. • BIBLIOO. Briquet de Lemos – Biblioteconomia: passado e futuro (vídeo). Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=7_pOPyLExkA>. Acesso em: 31 out. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 63 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL • BIBLIOTECA NACIONAL. Depósito legal. Disponível em: <https://www.bn.gov.br/sobre-bn/deposito-legal>. Acesso em: 31 out. 2017. 3.2. BIBLIOTECA ESCOLAR A biblioteca escolar normalmente está dentro do ambiente físico de uma escola. Os textos a seguir retratam particularidades desse espaço e da atuação do bibliotecário escolar. • PINHEIRO, M. I. S. Biblioteca escolar na visão das crianças do ensino fundamental. Revista ACB, v. 22, n. 1, p. 31-37, abr. 2017. Disponível em: <https://revista.acbsc.org.br/ racb/article/view/1199>. Acesso em: 31 out. 2017. • CASTRO FILHO, C. M. Editorial. Biblioteca Escolar em Revista, v. 5, n. 2. Disponível em: <http://www.revistas.usp. br/berev/article/view/128711>. Acesso em: 31 out. 2017. • OLIVEIRA, I. R.; CAMPELLO, B. S. Estado da arte sobre pesquisa escolar no Brasil. TransInformação, v. 28, n. 2, p. 181-194, maio/ago. 2016. Disponível em: <http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/2416/2260>. Acesso em: 31 out. 2017. 3.3. BIBLIOTECÁRIO GESTOR O bibliotecário gestor pode trabalhar em uma grande biblioteca, em uma rede de bibliotecas, ou até mesmo em um sistema de bibliotecas. Sua atuação exige conhecimentos administrativos e estratégicos. Normalmente realiza os planejamentos e coordena os recursos físicos, financeiros e humanos. Além disso, busca parcerias e financiamentos para novos projetos. 64 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL • SOUZA, T. L.; OLIVEIRA, R. I. S.; ROSÁRIO, M. H. S. Gestão da informação e do conhecimento: a gestão da qualidade nos serviços da biblioteca. Biblionline, v. 12, n. 1, p. 78-85, 2016. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/index. php/biblio/article/view/28146>. Acesso em: 31 out. 2017. • FERREIRA, M. C. S. B.; RIBEIRO, R. M. R. (apresentação). Organização e funcionamento de biblioteca. Disponível em: <http://sites.uefs.br/portal/sites/bibuefs/arquivos/treinamentos/APRESENTACaO%20FINAL.pdf>. Acesso em: 31 out. 2017. • SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS (SNBP). Gestão de bibliotecas. Disponível em: <http://snbp.culturadigital.br/gestao-de-bibliotecas/>. Acesso em: 31 out. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação é uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) O primeiro curso de Biblioteconomia do Brasil foi criado em 1911 em qual instituição: a) Prefeitura do Rio de Janeiro. b) Biblioteca Nacional. c) Museu Nacional. d) Prefeitura de São Paulo. e) Faculdade de Ciências Políticas. 2) O bibliotecário que atua com o processamento técnico, normalmente realiza quais atividades: a) Catalogação, classificação e indexação. b) Referência, atendimento ao usuário e catalogação. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 65 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL c) Basicamente atendimento ao usuário. d) Catalogação e indexação. e) Aquisição e ação cultural. 3) Os serviços de consultoria normalmente realizam diagnósticos e formulam soluções para determinado assunto (problema) ou especialidade. Essas soluções podem ser: a) Em qualquer área do conhecimento humano. b) Apenas as relacionadas à Biblioteconomia. c) De áreas das ciências humanas. d) De áreas da saúde. e) De áreas tecnológicas. 4) Confira as afirmativas a seguir, e marque a alternativa correta: I - O bibliotecário especialista na área da saúde é fundamental na difusão da informação. II - O bibliotecário especialista na área da saúde é capaz de auxiliar os profissionais desse ramo. III - Nos Estados Unidos há especialização para bibliotecários da área da saúde desde 1939. a) Apenas I é verdadeira. b) I e II são verdadeiras. c) I e III são verdadeiras. d) Apenas II é verdadeira. e) I, II e III são verdadeiras. 5) A gestão deve ter múltiplos olhares sobre a unidade de informação, buscando identificar pontos positivos: I - Que devem ser destacados, dando o crédito aos responsáveis pela atividade (seja diária ou ligada a uma ação pontual); II - E os pontos negativos, fazendo mudanças e tomando medidas que possam sanar o problema, ou melhorar um estágio da ação. III - Pontos negativos não devem ser considerados pelo gestor. a) I e III estão corretas. b) I e II estão corretas. c) Apenas I está correta. 66 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL d) Apenas II está correta. e) I, II e III estão corretas. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões autoavaliativas propostas: 1) b. 2) a. 3) a. 4) e. 5) b. 5. CONSIDERAÇÕES Chegamos ao final da segunda unidade, na qual você conheceu características da Biblioteconomia como campo científico e profissional. Percebemos que há uma forte tendência técnica no trabalho do bibliotecário, mas que também devemos nos empenhar na perspectiva humanista. Vimos algumas possibilidades de atuação profissional e algumas das especialidades existentes (bibliotecário de referência, de processamento técnico, de aquisição, de periódicos etc.) e suas competências. Percebemos que a atuação profissional deve acompanhar as demandas e especificidades de cada unidade. Veja agora o Conteúdo Digital Integrador, que ampliará seu conhecimento sobre o assunto. Na próxima unidade, você aprenderá sobre o conceito de "informação", da Ciência da Informação e sua interdisciplinaridade. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 67 UNIDADE 2 – A BIBLIOTECONOMIA CIENTÍFICA E PROFISSIONAL 6. E-REFERÊNCIAS CLARETIANO. Biblioteconomia: sobre o curso. 2017. Disponível em: https://claretiano. edu.br/graduacao/biblioteconomia . Acesso em: 15 nov. 2017. FONSECA, E. Introdução à biblioteconomia. São Paulo: Pioneira, 1992. OLIVEIRA, I. R.; CAMPELLO, B. S. Estado da arte sobre pesquisa escolar no Brasil. TransInformação, v. 28, n. 2, p. 181-194, maio/ago. 2016. Disponível em: <http:// periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/2416/2260>. Acesso em: 31 out. 2017 PINHEIRO, L.V.R. Campo interdisciplinar da ciência da informação: fronteiras remotas e recentes. In: PINHEIRO, L.V.R. (Org.) Ciência da informação, ciências sociais e interdisciplinaridade. Brasília: IBICT, 1999. p.155-182. SNBP – SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS. Gestão de bibliotecas. Disponível em: <http://snbp.culturadigital.br/gestao-de-bibliotecas/>. Acesso em: 31 out. 2017. SOUZA, T. L.; OLIVEIRA, R. I. S.; ROSÁRIO, M. H. S. Gestão da informação e do conhecimento: a gestão da qualidade nos serviços da biblioteca. Biblionline, v. 12, n. 1, p. 78-85, 2016. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/index.php/biblio/article/ view/28146>. Acesso em: 31 out. 2017. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUCKLAND, M. K. Information as thing. Journal of the American Society for Information Science, v. 42, n. 5, p. 351-360, jun. 1991. CASTRO, C. A. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva histórica. Brasília: Thesaurus, 2000. FONSECA, E. N. A Biblioteconomia brasileira no contexto mundial. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1979. NUNES, H. Da biblioteca ao leitor: estudos sobre a leitura pública em Portugal. Braga: Universidade do Minho, 1996. RUSSO, L. G. M. A Biblioteconomia brasileira, 1915-1965. Rio de Janeiro: INL, 1966. VIEIRA, R. Introdução à teoria geral da Biblioteconomia. Rio de Janeiro: Interciência, 2014. 68 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Objetivos • Compreender a evolução e origem da Ciência da Informação. • Conhecer as áreas afins da Biblioteconomia. Conteúdos • O conceito de informação. • Ciência da Informação e interdisciplinaridade. • Arquivologia e Museologia. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referência de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresentados; siga a linha gradativa dos assuntos para observar a história da informação e da Ciência da Informação. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no Conteúdo Digital Integrador. 69 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO 1. INTRODUÇÃO A Ciência da Informação é uma área de pesquisa relativamente nova, que se relaciona com diversas disciplinas e áreas do conhecimento, com influências que começaram antes mesmo de sua criação na metade do século 20. Muitas escolas de Ciência da Informação ao redor do mundo, em diferentes países e contextos sociais, nasceram dos departamentos de Biblioteconomia e de Documentação, recebendo, assim, influência de pioneiros como Paul Otlet, Melvil Dewey e Shiyali Ramamrita Ranganathan. A Ciência da Informação também está notoriamente ligada ao desenvolvimento científico e tecnológico após a Segunda Guerra Mundial, representado por movimentos importantes para o pensamento moderno, com disciplinas como a Cibernética e a Computação. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador. 2.1. INFORMAÇÃO Quando usamos o termo informação em Ciência da Informação, devemos ter sempre em mente que informação é o que é informativo para determinada pessoa (Smit, 2012). O que é informativo depende das necessidades de compreensão e habilidades do indivíduo, embora essas sejam fre- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 71 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO quentemente compartilhadas dentro da comunidade de discurso (CAPURRO; HJORLAND, 2007). Assim, a informação presente nas instituições coletoras de cultura (como as bibliotecas, arquivos e museus) varia de acordo com seus objetivos. Dessa maneira, não devemos distinguir as instituições pelo tipo de documento por elas mantido. Essa distinção é totalmente ultrapassada. É inútil distinguir as instituições pelo tipo de documento que nelas predomina, por mais que isso continue sendo observado na prática e reiterado pelo senso comum. O que importa é a função exercida por esse documento nos diferentes ambientes. Por mais que as bibliotecas continuem estocando livros e periódicos, os arquivos acumulem documentos administrativos, e os museus, objetos, a distinção pelo material não se sustenta. A função atribuída a esses documentos determina uma diferenciação mais justificada. De toda forma, por mais que as instituições tenham objetivos e critérios específicos de formação do estoque informacional, nelas predomina um objetivo comum: todas se preocupam com a organização da informação a fim de disponibilizá-la. A oferta de informação Atualmente sabemos que simplesmente disponibilizar a informação não garante que ela seja comunicada e gere conhecimento. No entanto, se a informação não for disponibilizada, nenhum conhecimento novo será gerado. Sobre a disponibilização da informação, relembramos Paul Otlet, visionário da Ciência da Informação. Ao assistir à sua biografia no filme O homem que queria classificar o mundo (2002), você 72 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO irá perceber inclusive que nem tudo que ele vislumbrou foi ainda implantado. Otlet imaginava que a farta distribuição de informações era condição necessária e suficiente para melhorar a sociedade e a qualidade de vida do cidadão. No entanto, percebemos que apenas divulgar não garante a melhoria da qualidade de vida. Para isso, a informação acessada precisa ser interpretada e apropriada pelo indivíduo. É preciso internalizar e transformar a informação em conhecimento. Nessa perspectiva, os projetos envolvendo bibliotecas, arquivos e museus abertos ao cidadão são importantes para disponibilizar informação. Contudo, são insuficientes para melhorar as condições de vida do cidadão, pois, para isso, é necessária uma maturidade educacional do indivíduo. Relembrando um antigo provérbio chinês , as instituições coletoras de cultura (bibliotecas, arquivos e museus) podem fornecer o peixe, mas não podem a priori ensinar a pescar, o que é objetivo de outras instituições da sociedade. Nesse ponto, duas atitudes por parte das instituições coletoras de cultura são possíveis: • centrar atenção no sistema informacional optado por elas e educar o usuário para que entenda como a informação foi tratada, de acordo com quais princípios, regras e procedimentos, esperando com isso torná-lo apto a usar o sistema informacional; • ou analisar a questão do ponto de vista do usuário e adequar a informação documentária a esse (MORRIS, 1994). Quando o usuário consegue entender a informação documentária ou o sistema informacional que lhe está sendo trans- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 73 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO mitido, estabelece uma efetiva comunicação com o estoque informacional. Assim, pode avaliar a informação disponibilizada e, consequentemente, selecionar o que melhor atende a seus anseios, necessidades ou desejos. Entre os diversos entendimentos do assunto, duas vertentes distinguem-se: a informação vista como coisa ou objeto, por exemplo, no caso dos bits e da teoria matemática da comunicação (SHANNON, 1948); e a informação entendida como conceito subjetivo, cujo significado, ou conteúdo informacional, depende da interpretação e do contexto (CAPURRO; HJORLAND, 2007). 2.2. A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E SEUS PARADIGMAS Após essa breve reflexão sobre a nossa matéria-prima, a informação, estamos prontos para iniciar os estudos em Ciência da Informação. Podemos afirmar que a Ciência da Informação é fruto de outras ciências e disciplinas: Ao visitar escolas de ciência da informação na América do Norte eu tenho sido sempre apresentado aos professores nos seguintes termos: "Este é o Dr. A, ele ensina linguística para a ciência da informação. E aqui está o Prof. B, o qual ministra cursos de ciência da computação para cientistas da informação. Dr. C é um estatístico que tem um curso de estatística para a ciência da informação". E isto continua até eu ser compelido a perguntar: "E quem ensina ciência da informação?" A resposta usual é que a ciência da informação é uma mistura peculiar de linguística, comunicação, ciência da computação, estatística e métodos de pesquisa, juntos com algumas técnicas da biblioteconomia, tais como indexação e classificação. Qualquer integração destes elementos tem que ser alcançada, se isto for possível, pelos estudantes por si próprios (BROOKES, 1980, p. 128) 74 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Compreende o que estamos falando? Textos publicados atualmente sobre Ciência da Informação, no Brasil e no mundo, mostram que a situação descrita por Brookes ainda perdura. Diante dessa complexidade, muitos autores entendem e conceituam a Ciência da Informação como disciplina composta por três paradigmas: físico, cognitivo e social. Tal divisão não segue uma linha histórica, no sentido de primeiro surgiu este paradigma e depois o outro. Na verdade, esses paradigmas se entrecruzam com diferentes intensidades e em diversos períodos. As datas mencionadas mostram apenas graus de predominância. Paradigma físico Data aproximadamente de 1945 até meados da década de 1970. Representado por pesquisadores como Vannevar Bush (1945), que propôs o memex e Michael Buckland (1991), autor da conceituação de informação-como-coisa. O pós-guerra é considerado o marco inicial da Ciência da Informação, que se implementou em oposição à Biblioteconomia. Esta já não conseguia prover o acesso à informação, cada vez mais volumosa e diferenciada para usuários cada vez mais especialistas e exigentes. A ênfase recaia sobre a informação, o objeto da atividade de produção, sua organização e busca. De acordo com esse paradigma, o conhecimento é objetivo e especializado, e independe do sujeito cognoscitivo. Engenheiros, matemáticos e físicos concebem um tratamento da informação mais detalhado, voltado às suas necessidades informacionais. Esse enfoque poderia ser chamado "tecnocentrista", uma vez que esse processo de busca da © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 75 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO informação é determinista, não dinâmico e tampouco interativo, não sofrendo intervenção de elementos psicológicos e físicos. A relevância da informação recuperada é objetiva, podendo ser medida. De acordo com o paradigma físico, a informação é representada por unidades, com características de "objetos" (BUCKLAND, 1991) que podem ser armazenados em algum lugar e transmitidos por canais. Nesse paradigma, a capacidade de compreensão da informação transmitida não é discutida. Paradigma cognitivo O período mais marcante foi de 1980 até meados da década de 1990. O entendimento do sujeito é resgatado, na condição de agente transformador da informação em conhecimento. Instaura-se uma epistemologia individualista (o conhecimento do indivíduo), que trouxe consigo o pensamento de que a realidade do mundo material sempre é uma construção mental. Sendo assim, a produção do conhecimento depende da mente humana, conceito-chave desse momento. Esse período foi centrado no usuário, mas sempre um usuário individual, isolado, não inserido numa dimensão coletiva. Nesse paradigma, o sujeito é o produtor de conhecimento que visa seu bem-estar e o desenvolvimento da humanidade, que se torna possível por meio do desenvolvimento dos indivíduos. O paradigma cognitivo opõe-se ao paradigma físico, mas continua pressupondo a existência de estoques informacionais. 76 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Trata-se, em suma, de iluminar a outra ponta do contínuo informação produzida, informação estocada e organizada, informação recuperada e utilizada. Se o paradigma cognitivo trouxe novamente o usuário ao centro das atenções, do qual ele estava em grande parte separado no paradigma físico, o momento seguinte resgata a historicidade desse usuário. Paradigma social Ganhou destaque a partir de 1990. O paradigma social tem sua origem na obra de Jesse Shera (década de 1970) e atualmente é representado pelas teorias de Rafael Capurro e Søren Brier. Capurro afirma que a Ciência da Informação tem utilizado diversas ferramentas e práticas das ciências sociais e da filosofia, dentre elas: hermenêutica, análise de discurso, análise de domínio e redes sociais. Complementarmente ao paradigma social, como uma vertente mais orientada para a filosofia Capurro também cita a semiótica, de Charles Sanders Peirce, e a hermenêutica, representada por nomes como Wittgenstein, Wersig, Winograd e Flores, Aristóteles e Heidegger (CAPURRO, 1991). A cultura individualista do paradigma anterior gerou o seu antídoto: os movimentos sociais e a busca por um projeto humanista alternativo. O ser humano como sujeito histórico relaciona-se tanto com a natureza como com a sociedade. A excessiva valorização da subjetividade aponta para a necessidade de um conhecimento interpretativo (e não mais descritivo), sustentado pela tríade sujeito-objeto-contexto. Segundo esse paradigma, o usuário relaciona-se com a informação de modo contextualizado. Procura entendê-la em fun- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 77 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO ção tanto de suas redes de significados individuais, quanto do contexto no qual vive, dos valores que o movem e da necessidade informacional determinada por esse contexto. Torna-se evidente que o indivíduo procura por informações, elaborando perguntas de acordo com aquilo que tanto o contexto social quanto seus conhecimentos individuais permitem, determinando um escopo dentro do qual a resposta será considerada útil, ou válida. Nesse sentido, o modo de formular a pergunta determina a resposta, inserindo a busca de informação, a sua apropriação e seu uso na relatividade contextual da qual decorrem. Nesse momento, a Ciência da Informação apresenta-se, de fato, como uma ciência social influenciada pelas tecnologias da informação e da comunicação (as TICs) e inserida nos propósitos da sociedade da informação. A compreensão dos contextos de produção e de uso da informação (social, organizacional ou profissional) constitui condição necessária para o trabalho com a informação e abre espaço para o papel do poder da informação. Com as leituras propostas no Tópico 3. 1, você encontrará material para aprofundar-se um pouco mais sobre o que é paradigma. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. 78 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO 2.3. A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO A principal característica da Ciência da Informação é sua interdisciplinaridade, o que favorece a reflexão de problemas de várias áreas. Para Capurro (2003) a Ciência da Informação teria duas raízes: a Biblioteconomia clássica (em termos mais gerais, os estudos relacionados com a transmissão de mensagens) e a computação digital. As raízes da Ciência da Informação também estão na separação entre Documentação/Bibliografia e recuperação da informação. O autor também destaca que o termo "documentação" foi substituído ao longo do tempo por "informação" no nome das entidades profissionais, das escolas de Documentação e Biblioteconomia e dos estudos produzidos. Tal mudança terminológica trouxe implicações teóricas e práticas, inclusive negativas. Em síntese, a Ciência da Informação é uma ciência social cujo objeto é a informação, tendo seu início no campo da informação científica e tecnológica, passando a atuar também nos campos educacionais, sociais e culturais. Apresenta interfaces com Biblioteconomia, Ciência da Computação, Ciência Cognitiva, Sociologia da Ciência e Comunicação, entre outras áreas. Outras abordagens sobre a constituição da Ciência da Informação incluem ainda áreas do conhecimento como a Administração, que busca fornecer formas otimizadas para a operação do fluxo da informação registrada, e a Editoração, na produção de documentos impressos e eletrônicos. Também podem ser citadas Linguística, Lógica, Psicologia, Estatística e Economia. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 79 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Os termos information science e information retrieval foram adotados para substituir o antigo termo documentation. Assim entendemos a Ciência da Informação, como a aplicação de áreas especializadas, como arquivos, bibliotecas e serviços de informação corporativa, nas quais as bases teóricas da Biblioteconomia e da Documentação estão relacionadas às da Ciência da Informação. Dentre as abordagens mais consistentes sobre Ciência da Informação está a de Saracevic (1996). Saracevic é um teórico de produção relevante no campo da Comunicação. Ele considera como objeto da Ciência da Informação tanto o comportamento, as propriedades e os efeitos da informação em todas as suas facetas, quanto os vários processos da comunicação que afetam e são afetados pelo homem. De acordo com ele, a Ciência da Informação estuda: 1) a dinâmica e a estática do conhecimento, ou seja, suas fontes, organização, criação, dispersão, distribuição, utilização, expressão bibliográfica e obsolescência; 2) os aspectos comunicacionais relacionados ao homem enquanto produtor e usuário de informação; 3) os problemas da representação simbólica da informação, como na classificação e indexação; 4) e, por extensão, o funcionamento de sistemas de informação como as bibliotecas e os serviços de armazenagem, recuperação e processamento de dados. Para Mendonça (2000), o campo da construção teórica da Ciência da Informação está situado entre o tecnológico e o humano, pois os avanços tecnológicos afetam o conceito e o 80 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO uso da informação, que por sua vez influem na estruturação do conhecimento. Com as leituras propostas no Tópico 3. 2, você encontrará material para aprofundar-se um pouco mais sobre o que é Ciência da Informação. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. 2.4. MUSEOLOGIA E ARQUIVOLOGIA NO BRASIL Biblioteca, arquivo e museu são as três principais instituições coletoras de cultura. Tais instituições são conhecidas pela expressão "3 Marias" (SMIT, 2012), com a finalidade de chamar a atenção tanto para a irmandade que as une como para os mútuos desconhecimentos. Segundo Smit, as três irmãs ignoram-se em boa parte, o que contribui para sua falta de visibilidade social e retarda ou impede operações colaborativas. Os desafios que envolvem todas atualmente diante dos documentos audiovisuais e eletrônicos mostram claramente os problemas acarretados pela mútua ignorância. As novas representações informacionais como sites, blogs, repertórios e bases de dados, quando permeadas de qualidade (e confiabilidade), atualizam a questão, pois geralmente integram escrita, iconografia, som, gráficos e filmes, e não se enquadram na clássica distinção entre as três irmãs. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 81 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Museologia Na Museologia, a informação é o eixo das ações museológicas (BRUNO, 2010) e não necessariamente da Museologia enquanto disciplina. Tal distinção é extremamente importante, pois nos ajuda a compreender a diferença entre a abordagem da informação feita pelos profissionais da Museologia e pelos da Ciência da Informação. Ainda é muito comum encontrarmos publicações que definem a Museologia apenas a partir do museu. Esse tipo de definição costuma traçar uma espécie de genealogia dos museus e apontar, para cada época, um perfil de museologia (ARAÚJO, 2012). De fato, não se pode separar a experiência histórica dos museus da constituição do campo da Museologia. No Brasil, um campo mais ou menos homogêneo compondo o contexto teórico e o prático (de maneira ampla) criou-se a partir da profissionalização da Museologia, que se consolidou pela criação dos cursos de graduação junto a universidades e pelas leis de regulamentação da profissão. Confira a seguir uma citação da lei que regulamenta o exercício da profissão de museólogo no Brasil, sendo tal exercício privativo: I – dos diplomados em Bacharelado ou Licenciatura Plena em Museologia, por cursos ou escolas reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura; II – dos diplomados em Mestrado e Doutorado em Museologia, por cursos ou escolas devidamente reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura; III – dos diplomados em Museologia por escolas estrangeiras reconhecidas pelas leis do país de origem, cujos títulos 82 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO tenham sido revalidados no Brasil, na forma da legislação; IV – dos diplomados em outros cursos de nível superior que, na data desta Lei, contem pelo menos 5 (cinco) anos de exercício de atividades técnicas de Museologia, devidamente comprovados. Parágrafo único. A comprovação a que se refere o inciso IV deverá ser feita no prazo de 3 (três) anos a contar da vigência desta Lei, perante os Conselhos Regionais de Museologia, aos quais compete decidir sobre a sua validade (BRASIL, 1984). Candido (2013) estrutura a Museologia nas seguintes áreas, delimitando-a: Museologia Geral (inclui Teoria Museológica, História dos Museus, Administração de Museus), Museologia Especial (inclui os diversos textos e contextos museológicos) e Museologia Aplicada. Ao tratar da informação no museu devemos retomar a já citada afirmação: "a informação é o eixo central das ações museológicas" (BRUNO, 2010, p. 171), ou seja, muito do que faz o museu está relacionado à informação. Dessa maneira, os museus elaboram novas informações com base no estudo de seus acervos, desenvolvem distintos procedimentos técnicos para a preservação, salvaguarda e comunicação dos suportes da informação e, partindo de sua historicidade, geram novos indicadores documentais, que, por sua vez, também se constituem em meios de informação (BRUNO, 2010). A título de exemplo pode-se observar que a história dos museus é muito influenciada até a década de 1950 pelas ideias de "poder" ou do "belo". Tornavam-se peças de museu objetos relacionados a pessoas ou situações historicamente importantes (caneta empregada na assinatura do tratado de paz, pente utilizado pela rainha, brinquedo que foi do príncipe, baixela de prata utilizada pelo senhor de engenho etc.). © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 83 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Mais recentemente a Museologia inclui outras variáveis: os brinquedos utilizados pelas crianças da classe baixa, os vasos de flor feitos a partir de latas de óleo ou o martelo utilizado pelos operários de determinada fábrica. Assiste-se assim a uma mudança de critérios do que é "informacional". Arquivologia Na teoria arquivística, todo documento produzido ou recebido carrega poder informacional. Atualmente, com o desenvolvimento da tecnologia da informação, a produção de documentos arquivísticos transformou-se por completo. A partir do final do século 20, o aumento da massa documental e as novas formas de produção de documentos (advindas das tecnologias de informação e que vêm influenciando a Arquivística) têm feito os profissionais da área a repensar os conceitos e princípios arquivísticos. Assim, delineia-se melhor os objetivos e objetos de estudo da Arquivologia, firmando-se enquanto área. Os primórdios da Arquivologia datam do século 16, quando rotinas da profissão começam a ser desenvolvidas e regulamentadas (FONSECA, 2005). Assim, a Ciência da Informação posiciona-se como grande área que abarca as demais, buscando garantir que a informação institucionalizada e registrada tenha condições de ser acessada e disseminada de modo rápido e eficaz. Nessa conjuntura, a Arquivística tem a finalidade de estudar os processos em que se produz, organiza e utiliza a informação. As outras disciplinas colocam em prática esses procedimentos. 84 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Para entender melhor os períodos da Arquivística, Schmidt (2012) elaborou o seguinte quadro: • Arquivologia clássica ou tradicional: a fase de confecção de manuais; • Arquivologia moderna: divide-se em records and archives, records management e sistemas de séries; • Arquivologia contemporânea: divide-se em records continuum, pós-custodial, arquivística integrada, arquivística funcional ou pós-moderna, diplomática arquivística ou contemporânea e estudos sobre tipologia documental e identificação. A Arquivística pós-custodial tem como principais representantes os portugueses Armando Malheiros da Silva e Fernanda Ribeiro. Eles entendem a Arquivologia como uma disciplina inserida em uma ciência maior, a Ciência da Informação, que abrange também outras disciplinas como a Biblioteconomia. Schmidt (2012) acredita que na perspectiva informacional pós-custodial podemos constituir um paradigma científico para o campo arquivístico. Essa visão contraria as antigas atribuições custodiais, patrimonialistas e tecnicistas, preocupando-se mais com os pontos científicos e com o acesso a informação do que com a custódia ou guarda dos documentos. Outra questão, bem diferente, diz respeito à ênfase, percebida na literatura arquivística, quando esta assume que não há seleção e que todo documento produzido ou recebido por uma instituição deverá ser encaminhado ao arquivo. A referida afirmação procede para quase todos os casos, mas sempre há documentos que – produzidos ou recebidos – não acabam adquirindo estatuto arquivístico, por exemplo: mala © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 85 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO direta recebida; documentos menores; controles internos, que normalmente nem são conhecidos da instituição; minutas de documentos descartados (mas que, caso preservados, permitiriam analisar opiniões divergentes no encaminhamento de determinado tema). Antes de realizar as questões autoavalitivas propostas no Tópico 4, você deve realizar as leituras no Tópico 3. 3. Nele você encontrará material para aprofundar-se um pouco mais sobre a Museologia e Arquivologia. Vídeo complementar –––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso Graduação, a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo (Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão "Vídeos" e selecione: Introdução à Bibilioteconomia – Vídeos Complementares – Complementar 3. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. PARADIGMA A compreensão do que é a Ciência da Informação não é consensual. Contudo, a partir de três paradigmas pudemos compreender melhor suas características. Você sabe o que é um pa- 86 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO radigma? Os materiais a seguir ajudaram você a entender esse conceito. Sugiro que assista aos dois vídeos primeiro e depois realize a leitura do artigo. • PIMENTA, M. O que é paradigma: exemplo real com um grupo de macacos. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WVV7SjgKn1o>. Acesso em: 3 nov. 2017. • CORTELLA, M. S. Novos paradigmas da educação. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=GQPXp7KOYAM>. Acesso em: 3 nov. 2017. • VIEIRA, D. C.; ARDIGO, J. D. Paradigmas da biblioteconomia e ciência da informação: estudo de caso em uma unidade de informação especializada. Revista ACB, v. 20, n. 1, p. 124-137, abr. 2015. Disponível em: <https:// revista.acbsc.org.br/racb/article/view/993>. Acesso em: 3 nov. 2017. 3.2. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Uma definição clássica diz que a Ciência da Informação tem como objeto a produção, seleção, organização, interpretação, armazenamento, recuperação, disseminação, transformação e uso da informação (BORKO, 1968). Nas leituras a seguir acompanhe outros entendimentos sobre a Ciência da Informação. • ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ANCIB). Institucional. Disponível em: <http://www.ancib.org.br/front-page>. Acesso em: 3 nov. 2017. • SILVA, J. L. C.; FREIRE, G. H. A. Um olhar sobre a origem da ciência da informação: indícios embrionários © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 87 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO para sua caracterização identitária. Encontros Bibli: revista eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 17, n. 33, p. 1-29, jan./abr. 2012. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/ view/1518-2924.2012v17n33p1>. Acesso em: 3 nov. 2017. • SMIT, J. W. A informação na Ciência da Informação. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v.3, n.2, p.84-101, jul./dez. 2012. Disponível em: <www. revistas.usp.br/incid/article/view/48655>. Acesso em: 3 nov. 2017. 3.3. ARQUIVOLOGIA E MUSEOLOGIA A Museologia e a Arquivologia, juntamente com a Biblioteconomia compõe no Brasil a grande área denominada Ciência da Informação. São consideradas "As três Marias", uma irmandade que não dialogou muito até agora. Nas leituras a seguir, conheça mais sobre essa interface da Biblioteconomia. • FINAMOR, M. S.; DE PAULA, C. P. A. Bibliotecário e arquivista: contribuições estratégicas nas organizações. Informação@Profissões, v. 5, n. 2, p. 228-245, jul./dez. 2016. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/ index.php/infoprof/article/view/20925>. Acesso em: 3 nov. 2017. • BRASIL. Lei nº 7.287, de 18 de dezembro de 1984. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de Museólogo. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7287.htm>. Acesso em: 3 nov. 2017. 88 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO • BRASIL. Lei nº 6.546, de 4 de julho de 1978. Dispõe sobre a regulamentação das profissões de Arquivista e de Técnico de Arquivo, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/19701979/L6546.htm>. Acesso em: 3 nov. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação é ferramenta importante para você testar seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) No Brasil, dentro da composição das agências de fomento à pesquisa, a Ciência da Informação fica no arcabouço das Ciências Sociais Aplicadas, englobando a: a) Arquivologia e Arquivística. b) Arquivística, Biblioteconomia e Museologia. c) Museus e arquivos. d) Bibliotecas e escolas de Biblioteconomia. e) Escolas de Biblioteconomia. 2) A Ciência da Informação está notoriamente ligada: I - ao desenvolvimento científico e tecnológico. II - ao período pós Segunda Guerra Mundial. III - A disciplinas como a cibernética e a computação. a) I e III estão corretas. b) I, II e III estão incorretas. c) II e III estão corretas. d) I, II e III estão corretas. e) Apenas I está correta. 3) O paradigma social tem suas origens na obra de: a) Jesse Shera. b) Ranganathan. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 89 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO c) Smit. d) Otlet. e) La Fontaine. 4) Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia são as instituições conhecidas como coletoras de cultura. Foram batizadas por Johanna Smit de: a) "Três Marias". b) "Três irmãs". c) "Três áreas". d) "Três coletoras". e) "Marias". 5) Paul Otlet representou a Documentação, que deu início à Ciência da Informação, mas nem tudo o que ele vislumbrou foi implementado. Qual o nome do filme proposto nesta unidade que conta as ideias e a vida de Paul Otlet? a) A documentação e a classificação do mundo b) A documentação c) O homem da classificação d) O homem da documentação e) O homem que queria classificar o mundo Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões autoavaliativas propostas: 1) b. 2) d. 3) a. 4) a. 5) e. 90 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO 5. CONSIDERAÇÕES Nesta seção encerramos a terceira unidade. Nela você pôde compreender a relação da Ciência da Informação com a Biblioteconomia, a Museologia e a Arquivologia. Vimos que uma definição clássica da Ciência da Informação é que essa ciência tem como objeto a produção, seleção, organização, interpretação, armazenamento, recuperação, disseminação, transformação e uso da informação. Consideramos que a Ciência da Informação é uma disciplina interdisciplinar, que surgiu após os impactos e necessidades pós Segunda Guerra Mundial, especialmente no que tange as questões informacionais. Discutimos os paradigmas em Ciência da Informação, e vimos que ela vai muito além da Biblioteconomia, sendo inclusive consideradas áreas distintas por muitos pesquisadores. Percebemos que a Ciência da Informação tem um vínculo muito forte com a Biblioteconomia, seja como complemento, substituição, ratificação ou rompimento com ela. Acompanhe as indicações do Conteúdo Digital Integrador, pois elas ampliarão seu entendimento sobre o assunto. Na próxima unidade, você aprenderá sobre as tendências da Biblioteconomia no Brasil e no mundo. 6. E-REFERÊNCIAS ARAÚJO, C. A. A. Museologia: correntes teóricas e consolidação científica. Museologia e Patrimônio, v. 5, n. 2, p. 31-54, 2012. Disponível em: <http:// revistamuseologiaepatrimonio.mast.br/index.php/ppgpmus/article/view/159/199>. Acesso em: 3 nov. 2017. BARRETO, A. A. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva, v. 8, n. 4, p. 3-8, 1994. Disponível em: <https://bibliotextos.files.wordpress.com/2012/03/a-questaoda-informac3a7c3a3o.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 91 UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO BELLOTTO, H. L. Arquivística: objetos, princípios e rumos. São Paulo: Associação de Arquivistas de São Paulo, 2002. Disponível em: <https://bibliotextos.files.wordpress. com/2012/03/arquivc3adstica-objetos-princc3adpios-e-rumos.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2017. BRASIL. Lei nº 7.287, de 18 de dezembro de 1984. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de Museólogo. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L7287.htm>. Acesso em: 3 nov. 2017. CAPURRO, R.; HJORLAND, B. O conceito de informação. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12, n. 1, p. 148-207, jan./abr. 2007. Disponível em: <http://bogliolo.eci.ufmg.br/downloads/CAPURRO.pdf> . Acesso em: 3 nov. 2017. CRUZ, C. H. B. Vannevar Bush: uma apresentação. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 14, n. 1, p. 11-13, mar. 2011. Disponível em: <http:// www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-47142011000100001&lng=e n&nrm=iso>. Acesso em: 3 nov. 2017. MICHELOTTI, D. V.; KONRAD, G. V. R. A teoria do conhecimento em Arquivologia e suas implicações, a partir da identificação de seu (s) objeto (s) de estudo. Ágora, v. 26, n. 53, p. 315-346, jul./dez. 2016. Disponível em: < http://oaji.net/ articles/2017/2526-1483694526.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2017. ORTEGA, C. D., LARA, M. L. G. A noção de documento: de Otlet aos dias de hoje. DataGramaZero, v. 11, n. 2, abr/2010. Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/ brapci/index.php/article/download/12626>. Acesso em: 3 nov. 2017. RIBEIRO, E. S. Informação e o profissional da área da museologia: uma discussão epistemológica. Informação@Profissões, v. 5, n. 2, 2016. Disponível em: <http://www. uel.br/revistas/uel/index.php/infoprof/article/view/26583>. Acesso em: 3 nov. 2017. TOGNOLI, N. A Arquivística e a Ciência da Informação: um diálogo possível?. La Diplomatica, out. 2011. Disponível em: <http://ladiplomatica.blogspot.com. br/2011_10_23_archive.html>. Acesso em: 3 nov. 2017. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORKO, H. Information Science: What is it? American Documentation, v. 19, n. 1, p. 3-5, jan. 1968. BROOKES, B. C. The foundation of Information Science. Journal of Information Science, v. 2, p. 125-133, 1980. 92 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 3 – INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO BRUNO, M. C. O. Informações em museus: alguns argumentos e muitos desafios. In: SEMINÁRIO SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO EM MUSEUS, v. 1, 2010, Anais... São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2010. BUCKLAND, Michael K. Information as Thing. Journal of the American Society for Information Science, v. 42, n. 5, 1991. BUSH, V. As we may think. Atlantic Monthly, v. 176, n. 1, p. 101-108, 1945. CANDIDO, M. M. D. Gestão de Museus, diagnóstico museológico e planejamento: um desafio contemporâneo. Porto Alegre: Medianiz, 2013. CAPURRO, R. Epistemologia e Ciência da Informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO – ENANCIB 5. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2003 FONSECA, M. O. Arquivologia e ciência da informação. Rio de Janeiro: FGV, 2005. MENDONÇA, Ercília Severina. A linguística e a ciência da informação: estudos de uma interseção. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 50-70, 2000. MORRIS, R. C. T. Toward a user-centered information service. Journal of the American Society for Information Science, v. 45, n. 1, p. 20-30, 1994. SCHMIDT, C. M. S. Arquivologia e a construção do seu objeto científico: concepções, trajetórias, contextualizações (Tese de doutorado). Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação. Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2012. SHANNON, C. E. A Mathematical theory of communication. The Bell System Technical Journal, v. 27, p. 379-423, jul./out. 1948. SMIT, J. W. A informação na Ciência da Informação. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 3, n. 2, p. 84-101, jul./dez. 2012. SARACEVIC, T. Ciência da informação: origem, evolução e relações. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 1, n. 1, p. 41-62, jan./jun. 1996. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 93 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Objetivos • Conhecer os conselhos regionais e Federal. • Analisar as tendências da Biblioteconomia no Brasil e no mundo. • Reconhecer a identidade profissional do bibliotecário e seu campo de atuação. Conteúdos • Conselho Federal e Regional de Biblioteconomia. • Associações de classe. • Identidade profissional e os rumos da Biblioteconomia. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referência de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresentadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresentados; siga a linha gradativa dos assuntos para observar como a atuação do profissional bibliotecário transformou-se no panorama brasileiro. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no Conteúdo Digital Integrador. 95 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 1. INTRODUÇÃO O campo da Ciência da Informação encontra-se em expansão e, fortemente articulado, acadêmica e institucionalmente, às áreas de Biblioteconomia e Documentação. Ao longo dos anos, todos os programas de pós-graduação sofreram transformações nas suas áreas de concentração e linhas de pesquisa. Em grande medida, por causa da exclusão das denominações Biblioteconomia e Documentação anteriormente utilizadas. Na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES), sobrepõem-se registros dos programas de pós-graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Os cursos de mestrado em Biblioteconomia (Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal da Paraíba e Universidade de Brasília), implantados na década de 1970, por exemplo, integram o quadro da pós-graduação em Ciência da Informação. A Ciência da Informação por sua vez nasceu mais próxima do contexto pós-moderno, o que lhe garantiu maior "flexibilidade" e "tolerância" para consolidar-se como ciência. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma sucinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteúdo Digital Integrador. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 97 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 2.1. CONSELHOS, ASSOCIAÇÕES E SINDICATOS DA CLASSE A partir de 1962, desenvolveram-se e regulamentaram-se a profissão do bibliotecário e as instituições com curso de Biblioteconomia no Brasil. A Lei nº 4.084, de 30 de junho de 1962 (BRASIL, 1962), delibera sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício, só sendo permitido: a) aos Bacharéis em Biblioteconomia, portadores de diplomas expedidos por Escolas de Biblioteconomia de nível superior, oficiais, equiparadas, ou oficialmente reconhecidas; b) aos Bibliotecários portadores de diplomas de instituições estrangeiras que apresentem os seus diplomas revalidados no Brasil, de acordo com a legislação vigente. Parágrafo único. Não será permitido o exercício da profissão aos diplomados por escolas ou cursos cujos estudos hajam sido feitos através de correspondência, cursos intensivos, cursos de férias etc. São atribuições dos bacharéis em Biblioteconomia, a organização, direção e execução dos serviços técnicos de repartições públicas federais, estaduais, municipais e autárquicas e de empresas particulares concernentes às matérias e atividades seguintes: a) ensino de Biblioteconomia; b) fiscalização de estabelecimentos de ensino de Biblioteconomia reconhecidos, equiparados ou em via de equiparação; c) administração e direção de bibliotecas; d) organização e direção dos serviços de documentação; e) execução dos serviços de classificação e catalogação de manuscritos e de livros raros e preciosos, de mapotecas, de publicações oficiais e seriadas, de bibliografia e referência. 98 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Ainda de acordo com a Lei nº 4.084 são atividades dos bacharéis em Biblioteconomia os serviços concernentes a: a) demonstrações práticas e teóricas da técnica biblioteconômica em estabelecimentos federais, estaduais, ou municipais; b) padronização dos serviços técnicos de biblioteconomia; c) inspeção, sob o ponto de vista de incentivar e orientar os trabalhos de recenseamento, estatística e cadastro das bibliotecas; d) publicidade sobre material bibliográfico e atividades da biblioteca; e) planejamento de difusão cultural, na parte que se refere a serviços de bibliotecas; f) organização de congresso, seminários, concursos e exposições nacionais ou estrangeiras, relativas a Biblioteconomia e Documentação ou representação oficial em tais certames. A Lei nº 4.084 também regulamenta as atividades dos conselhos regionais e Federal de Biblioteconomia. Art 8º A fiscalização do exercício da Profissão do Bibliotecário será exercida pelo Conselho Federal de Biblioteconomia e pelos conselhos regionais de Biblioteconomia, criados por esta lei. Art 9º O Conselho Federal de Biblioteconomia e os conselhos regionais de Biblioteconomia são dotados de personalidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e patrimonial. Art 10. A sede do Conselho Federal de Biblioteconomia será no Distrito Federal. Associações em Biblioteconomia A filiação ao Conselho Federal e Regional é obrigatória para o exercício da profissão de bibliotecário no Brasil. Esses profissionais também podem filiar-se a associações de classe. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 99 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Febab A Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab) foi fundada em 26 de julho de 1959. É uma sociedade civil, sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade de São Paulo, com prazo de duração indeterminado. É constituída por entidades-membro – associações e sindicatos de bibliotecários e cientistas da informação, instituições filiadas e pelos órgãos: 1) deliberativos: Assembleia Geral e Conselho Diretor; 2) executivo: Diretoria Executiva; 3) de fiscalização: Conselho Fiscal; 4) de assessoria: comissões brasileiras e assessorias especiais. Desde seu nascimento, a principal missão da Febab é defender e incentivar o desenvolvimento da profissão. A Febab tem como objetivos: 1) congregar as entidades para tornarem-se membros e instituições filiadas; 2) coordenar e desenvolver atividades que promovam as bibliotecas e seus profissionais; 3) apoiar as atividades de seus filiados e dos profissionais associados; 4) atuar como centro de documentação, memória e informação das atividades de biblioteconomia, ciência da informação e áreas correlatas brasileiras; 5) interagir com as instituições internacionais da área de informação; 100 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 6) desenvolver e apoiar projetos na área, visando o aprimoramento das bibliotecas e dos profissionais; 7) contribuir para a criação e desenvolvimento dos trabalhos das comissões e grupos de áreas especializadas de biblioteconomia e ciência da informação. A Febab surgiu da proposta apresentada por Laura Russo e Rodolfo Rocha Júnior no 2º Congresso de Biblioteconomia e Documentação, em Salvador, sendo fundada em 26 de julho de 1959. Abecin A Associação Brasileira de Ensino de Biblioteconomia e Documentação (ABEBD) foi desativada em 2001 e passou a denominar-se Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (Abecin). A Abecin é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação sem fins econômicos, fundada em 2 de junho de 2001. As finalidades da Abecin são: 1) fortalecer e integrar a atuação das instituições públicas e privadas e dos profissionais de educação superior que tenham como missão precípua a formação, no nível de graduação, de profissionais capacitados a atuar em Ciência da Informação; 2) contribuir para o aperfeiçoamento do Ensino em Ciência da Informação; 3) promover o intercâmbio de Educadores na área de Ciência da Informação; © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 101 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 4) defender os interesses das Instituições que a integram; 5) promover cursos, seminários e reuniões periódicas de educadores responsáveis por atividades de ensino, visando a integração do ensino da área de Ciência da Informação; 6) estimular a elaboração de trabalhos acadêmicos, tendo em vista o princípio da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão; 7) estimular reuniões regionais de dirigentes de instituições de ensino na área de Ciência da Informação; 8) promover, trienalmente, o Encontro Nacional de Educação em Ciência da Informação (Enecin); 9) promover, em sessão paralela ao Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD), o Seminário Nacional de Avaliação Curricular (Snac); 10) manter cadastro, serviços e produtos de divulgação sobre a área de atuação; 11) incentivar a construção da memória da Abecin. Ancib e Enancib A Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (Ancib) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em junho de 1989 graças ao esforço de alguns cursos e programas de pós-graduação da área no país. Desde o início, a associação admite sócios institucionais (os programas de pós-graduação em Ciência da Informação) e sócios individuais (professores, pesquisadores, estudantes de pós-graduação e profissionais egressos dos programas). 102 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO As atividades da Ancib estruturam-se em duas frentes: os programas de pós-graduação stricto sensu, que são representados pelos seus coordenadores, e o Encontro Nacional de Pesquisa da Ancib (Enancib), fórum de debates e reflexões que reúne pesquisadores interessados em temas especializados da Ciência da Informação, organizados em grupos de trabalho. Até 2017 já ocorreram 15 edições do Enancib. Os trabalhos enviados para esse encontro podem versar sobre 11 temáticas. A formação dos atuais grupos de trabalho da Ancib é resultado da discussão realizada pelo Fórum dos Coordenadores de Grupos de Trabalho, ocorrida durante o VI Enancib, que teve lugar em Florianópolis, no dia 30 de novembro de 2005. Atualmente os 11 grupos de trabalho são: 1) GT 01 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação; 2) GT 02 – Organização e Representação do Conhecimento; 3) GT 03 - Mediação, Circulação e Apropriação da Informação; 4) GT 04 – Gestão da Informação e do Conhecimento; 5) GT 05 – Política e Economia da Informação; 6) GT 06 – Informação, Educação e Trabalho; 7) GT 07 – Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação; 8) GT 08 – Informação e Tecnologia; 9) GT 09 – Museu, Patrimônio e Informação; 10) GT 10 – Informação e Memória; 11) GT 11 – Informação & Saúde. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 103 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO A Ancib também coordena a revista Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, cujo público-alvo compreende cursos e programas de pós-graduação da área, bem como professores, pesquisadores, estudantes de pós-graduação e profissionais egressos dos programas, além de interessados na temática Ciência da Informação. Sindicatos Há praticamente um sindicato em cada estado brasileiro. Vamos apresentar aqui o Sindicato dos Bibliotecários no Estado de São Paulo (SinBiesp). O SinBiesp é uma organização sem fins lucrativos criada em 22 de agosto 1985, que representa legalmente os bibliotecários atuantes no Estado de São Paulo e apresenta como principais objetivos: Defender a categoria profissional liberal dos Bibliotecários, composta de profissionais autônomos, servidores públicos, trabalhadores assalariados e aposentados; Propor e participar de negociações coletivas; instaurar dissídios coletivos de trabalho; Amparar a classe através de serviços de assessoria jurídicas e promover apoio às iniciativas que priorizem a educação, o desenvolvimento e a valorização do profissional no mercado de trabalho (SINBIESP, s.d.). A missão institucional do SinBiesp é: • representar legalmente os bibliotecários atuantes no Estado de São Paulo; • defender esses profissionais nos seus interesses junto a entidades representativas dos setores empregadores e junto a empresas em particular; 104 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO • promover e apoiar iniciativas que priorizem a educação, o desenvolvimento e a valorização do profissional no mercado de trabalho, com o fim de uma melhor atuação do bibliotecário visando o acesso e a democratização da informação para a sociedade brasileira. 2.2. IDENTIDADE PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO E SEU CAMPO DE ATUAÇÃO O Ministério do Trabalho (MTb) elaborou a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). O CBO é ferramenta fundamental para: as estatísticas de emprego-desemprego, o estudo das taxas de natalidade e mortalidade das ocupações, o planejamento das reconversões e requalificações ocupacionais, a elaboração de currículos, o planejamento da educação profissional, o rastreamento de vagas, os serviços de intermediação de mão-de-obra. Em 1994 foi instituída a Comissão Nacional de Classificações (Concla), organismo interministerial com papel de unificar as classificações usadas no território nacional. A partir daí iniciou-se um trabalho conjunto do MTb e do IBGE no sentido de construir uma classificação única. Veja no Quadro 1 as descrições da ocupação dos profissionais da informação. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 105 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Quadro 1 Descrição das atividades dos profissionais da Informação Fonte: Ministério do Trabalho (s.d.) O CBO estabelece também as características de trabalho dos profissionais da informação, confira no Quadro 2. 106 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Quadro 2 Características de trabalho dos profissionais da informação Fonte: Ministério do Trabalho (s.d.) Com as leituras propostas no Tópico 3. 1, você vai acompanhar alguns textos na íntegra sobre a profissão de bibliotecário. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 107 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 2.3. A ÉTICA DO BIBLIOTECÁRIO O que discutimos até este momento, faz-nos pensar sobre a vocação do bibliotecário. Agora é importante refletir sobre a ética profissional, que fundamenta a profissão. O Conselho Federal de Biblioteconomia estabelece o Código de Ética do Profissional Bibliotecário. O Código de Ética Profissional fixa normas de conduta para as pessoas físicas e jurídicas que exercem atividades profissionais em Biblioteconomia. Assim, os principais deveres do profissional de Biblioteconomia no exercício de suas atividades são: a) dignificar, por meio dos seus atos, a profissão, tendo em vista a elevação moral, ética e profissional da classe; b) observar os ditames da ciência e da técnica, servindo ao poder público, à iniciativa privada e à sociedade em geral; c) respeitar leis e normas estabelecidas para o exercício da profissão; d) respeitar as atividades de seus colegas e de outros profissionais; e) contribuir, como cidadão e como profissional, para o incessante desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o país (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2002). Completando, o Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes, observar as seguintes condutas: a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao público, não se recusando a prestar assistência profissional, salvo por relevante motivo; 108 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade; c) orientar a técnica da pesquisa e a normalização do trabalho intelectual de acordo com suas competências (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2002). Não se permite ao profissional de Biblioteconomia, no desempenho de suas funções: a) praticar, direta ou indiretamente, atos que comprometam a dignidade e o renome da profissão; b) nomear ou contribuir para que se nomeiem pessoas sem habilitação profissional para cargos privativos de Bibliotecário, ou indicar nomes de pessoas sem registro nos CRB; c) expedir, subscrever ou conceder certificados, diplomas ou atestados de capacitação profissional a pessoas que não preencham os requisitos indispensáveis ao exercício da profissão; d) assinar documentos que comprometam a dignidade da Classe; e) violar o sigilo profissional; f) utilizar a influência política em benefício próprio; g) deixar de comunicar aos órgãos competentes as infrações legais e éticas que forem de seu conhecimento; h) deturpar, intencionalmente, a interpretação do conteúdo explícito ou implícito em documentos, obras doutrinárias, leis, acórdãos e outros instrumentos de apoio técnico do exercício da profissão, com intuito de iludir a boa fé de outrem; i) fazer comentários desabonadores sobre a profissão de Bibliotecário e de entidades afins à profissão; j) permitir a utilização de seu nome e de seu registro a qualquer instituição pública ou privada onde não exerça, pessoal ou efetivamente, função inerente à profissão; l) assinar trabalhos ou quaisquer documentos executados por terceiros ou elaborados por leigos, alheios a sua orientação, supervisão e fiscalização; © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 109 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO m) exercer a profissão quando impedido por decisão administrativa transitada em julgado; n) recusar a prestar contas de bens e numerário que lhes sejam confiados em razão de cargo, emprego ou função; o) deixar de cumprir, sem justificativa, as normas emanadas dos Conselho Federal e Regionais, bem como deixar de atender a suas requisições administrativas, intimações ou notificações, no prazo determinado; p) utilizar a posição hierárquica para obter vantagens pessoais ou cometer atos discriminatórios e abuso de poder; r) aceitar qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão por sexo, idade, cor, credo, e estado civil (CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA, 2002). Além de evitar atuação com falta de ética é extremamente importante não estacionar na tão conhecida "zona de conforto”. Aquele estado comportamental em que a pessoa atua numa situação de ansiedade neutra, empregando um conjunto limitado de comportamentos para oferecer um nível estável de desempenho, geralmente sem a sensação de risco. De acordo com o professor e bibliotecário Briquet de Lemos: [...] zona de conforto é o lugar, ou a posição na vida, onde encontramos segurança, paz, tranquilidade, prazer (mesmo que limitado) e aquele reconhecimento social que não implique cobranças ou constante comprovação [...] uma espécie de hedonismo, em que a pessoa está interessada em evitar tudo que lhe possa causar desprazer, como, por exemplo, cumprir o horário de trabalho, prestar contas ao chefe, seguir regras e procedimentos de sua atividade profissional, redigir projetos e relatórios, atender a clientes, ler e estudar (atividades sobremodo cansativas), fazer cursos (a não ser que contribuam para melhorar o currículo e, por conseguinte, o salário) evitar competir, etc. (BRIQUET DE LEMOS, 2015, p. 346). 110 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Com as leituras propostas no Tópico 3. 2, você irá se aprofundar sobre a ética no desempenho da profissão de bibliotecário. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. 2.4. TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL E NO MUNDO A consciência profissional desenvolve-se como uma ferramenta, com a qual o indivíduo procura construir o sentido de sua vida em sociedade, e também tornar sua profissão cada vez mais competente e responsável perante essa mesma sociedade (BRIQUET DE LEMOS, 2015, p. 354). Iniciamos essa subseção citando Briquet de Lemos, pela necessidade de que todos os profissionais, estudantes e professores da área no Brasil e no mundo discutam sobre uma consciência profissional. Uma vez que não é inata, ela é construída por meio de experiências e estímulos que acumulamos no transcorrer da vida. Por outro lado, o indivíduo pode encontrar essa consciência antes mesmo de se formar bacharel em Biblioteconomia. Para o autor, a participação e a existência de associações profissionais, que se colocam em um plano diferente dos sindicatos, podem ser um indicativo de graus de consciência profissional. Ele ainda ressalta que altos salários e status na profissão não revelam consciência profissional, pois, nesses casos, pelo menos no Brasil, verifica-se certo grau maior de adaptação à já referida zona de conforto. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 111 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Para Briquet de Lemos "talvez a consciência profissional dependa mais de elementos construtivos externos à profissão do que de elementos estritamente técnicos que dão forma à profissão" (2015, p. 349). Uma alternativa seria construir cursos de graduação com reconhecida vigência social, ou seja, pensar as necessidades sociais antes de pensar os currículos, principalmente ao considerar que o mundo, e não só o Brasil, vive em constante mudança. Mudanças que as vezes a própria academia reluta em admitir (BRIQUET DE LEMOS, 2015). O autor ainda alerta que esse não é um problema exclusivo da Biblioteconomia, mas de praticamente todas as formações do ensino superior, pois presenciamos um real distanciamento entre a academia e as práticas profissionais. Para refletirmos sobre um nova Biblioteconomia, vamos acompanhar a opinião do bibliotecário Chico de Paula (PAULA, s.d.), em artigo da revista eletrônica Biblioo: [...] os pressupostos da Nova Biblioteconomia: 1) O fazer biblioteconômico não diz respeito necessariamente ao bibliotecário, mas a todos os indivíduos que estejam engajados com o processo de democratização da informação, especialmente o incentivo à leitura. 2) As exigências legais têm por um lado contribuído com o fazer biblioteconômico, mas por outro têm limitado esse fazer. Um exemplo é o caso da biblioteca escolar em que a lei (12244/10) veio garantir a exigência de bibliotecas e bibliotecários em todos os estabelecimentos de ensino do país em um prazo de dez anos, mas limita a participação dos "professores-bibliotecários" nesse processo; 3) A relação entre os profissionais da informação tem de ser estreitada, especialmente com os arquivistas e museólogos, constituindo estas categorias desarraigas politicamente, pois 112 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO em geral não conta com instituições políticas que os congregue, como um sindicato, por exemplo. 4) O bacharelado em Biblioteconomia como exigência legal para o exercício da profissão de bibliotecário tem sido, em algumas situações, um entrave ao processo de democratização do conhecimento. Por isso conclamamos uma discussão ampla em relação à possibilidade de garantir a alguns profissionais, em situações específicas, a possibilidade de se tornar bibliotecário mediante um complemento nos estudos, como acontece em países mais avançados. 5) A Biblioteconomia tem de fazer o caminho inverso de sua trajetória histórica no Brasil, caminhando em direção a humanização e se afastando do tecnicismo exacerbado. É com essas reflexões povoando nossas mentes que construímos esse número especial da Biblioo em comemoração ao dia de hoje, o Dia do Bibliotecário. Esperamos que todas as matérias e a contribuição de todos os entrevistados e colaboradores possam não só celebrar nossa profissão, mas também promover o debate que é o melhor caminho para crescermos. [...] Curiosidades Você sabe qual é o símbolo da Biblioteconomia? Sabe o seu significado? Veja a Figura 1: O símbolo de Biblioteconomia é a lâmpada de Aladdin e um livro aberto. O anel de grau do bibliotecário deve ser feito em ouro, com uma Figura 1 Símbolo da Biblioteconomia. pedra preciosa ametista violeta (uma variedade de quartzo encontrada no Brasil, Uruguai, Sibéria e no Ceilão). Na lateral do anel, deve haver a lâmpada de Aladdin e o livro aberto, ambos em platina. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 113 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Mas o que significa esse simbolismo? De acordo com o Conselho Regional de Biblioteconomia 14ª Região (CRB – Santa Catarina), a ametista é uma clássica pedra que representa a amizade e reforça a memória, preservando-a de alucinação e defendendo-a contra a embriaguez. Já a lâmpada de Aladdin há muito tempo simboliza a perene vigília, a atividade intelectual e o trabalho árduo de pesquisa e das investigações lítero-científicas. Por fim, o livro aberto representa a oferta indiscriminada da educação e da cultura. Com as leituras propostas no Tópico 3. 3, você irá pensar um pouco mais sobre os rumos da Biblioteconomia. Antes de prosseguir para o próximo assunto, realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo estudado. Indicação–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Leia a matéria “A nova Biblioteconomia” na íntegra, que se encontra disponível em: <http://biblioo.cartacapital.com.br/a-nova-biblioteconomia/> Acesso em: 17 jun. 2017. Depois, reflita se você concorda com a opinião do autor. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Vídeo complementar –––––––––––––––––––––––––––––––– Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar. • Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível de seu curso Graduação, a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo (Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a lista de vídeos. • Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e selecione: Introdução à Bibilioteconomia – Vídeos Complementares – Complementar 4. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 114 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição necessária e indispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. LEGISLAÇÃO DE BIBLIOTECOMONIA Nesta unidade vimos a legislação que regula a profissão de bibliotecário. Retome a Lei nº 4.084 e observe as atribuições dos conselhos regionais e Federal. Veja também o que a Lei determina sobre anuidades e taxas. Em seguida leia a Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país. No site do Ministério do Trabalho há um relatório completo para a profissão de bibliotecário. Leia e fique a par de todas as características de sua futura área de atuação. • BRASIL. Lei nº 4.084/1962, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 30 jun. 1962. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1950-1969/L4084.htm>. Acesso em: 2 nov. 2017. • BRASIL. Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010. Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 24 mai. 2010. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/ lei/l12244.htm>. Acesso em: 2 nov. 2017. • MINISTÉRIO DO TRABALHO. Profissionais da informação. Disponível em: <http://www.mtecbo.gov.br>. Buscar por: "Profissionais da Informação". Acesso em: 2 nov. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 115 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 3.2. ÉTICA PROFISSIONAL A ética não é exclusividade de uma profissão, ela é essencial na ação de qualquer profissional, inclusive enquanto indivíduo vivendo em sociedade. As leituras abaixo discutem a ética de modo geral e na profissão de bibliotecário. • CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução CFB nº 42 de 11 de janeiro de 2002. Dispõe sobre Código de Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia. Disponível em: <http://www.cfb.org.br/wp-content/uploads/2017/01/Resolucao_042-02.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2017. • ARANALDE, M. M. A questão ética na atuação do profissional bibliotecário. Em Questão, v. 11, n. 2, p. 337-368, jul./ dez. 2005. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/index.php/ EmQuestao/article/view/124>. Acesso em: 2 nov. 2017. • ANGELIN, P. E. Profissionalismo e profissão: teorias sociológicas e o processo de profissionalização no Brasil. REDD: Revista Espaço de Diálogo e Desconexão, v. 3, n. 1, jul/dez. 2010. Disponível em: <http://seer.fclar.unesp. br/redd/article/viewFile/4390/3895%3E>. Acesso em: 2 nov. 2017. 3.3. RUMOS DA BIBLIOTECONOMIA Prever algo não é tarefa fácil, mas com base nas modificações já ocorridas e com os novos rumos do desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação, podemos sair de nossa zona de conforto e procurar inovar dentro da profissão. Realize as leituras a seguir, e reflita como você pode contribuir. 116 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO • PAULA, C. A nova biblioteconomia. Biblioo, s.d. Disponível em: <http://biblioo.cartacapital.com.br/a-nova-biblioteconomia/>. Acesso em: 2 nov. 2017. • HENN, G. O futuro da biblioteconomia. Bibliotecários Sem Fronteiras, 10 ago. 2015. Disponível em: <https:// bsf.org.br/2015/08/10/o-futuro-da-biblioteconomia/>. Acesso em: 2 nov. 2017. • ZAREMBA, J. Biblioteconomia: tecnologias digitais ampliam campos de atuação. Extra – Globo. 11 set. 2015. Disponível em: <https://extra.globo.com/noticias/educacao/profissoes-de-sucesso/biblioteconomia-tecnologias-digitais-ampliam-campos-de-atuacao-17464659. html>. Acesso em: 2 nov. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação é uma ferramenta importante para você testar oeu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) Qual lei, de 30 de junho de 1962, delibera sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício? a) Lei nº 4.084. b) Lei nº 1.244/10. c) Lei nº 4.000. d) Lei nº 1.000. e) Lei de Diretrizes e Bases. 2) O exercício da profissão de bibliotecário, em qualquer de seus ramos, só será permitido: a) aos profissionais da informação. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 117 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO b) aos profissionais educadores. c) aos bacharéis em Biblioteconomia, portadores de diplomas expedidos por Escolas de Biblioteconomia de nível superior, oficiais, equiparadas, ou oficialmente reconhecidas. d) aos profissionais arquivistas. e) aos museólogos. 3) Qual é o símbolo de Biblioteconomia? a) A lâmpada de Aladdin e um anel. b) A lâmpada de Aladdin e um livro aberto. c) Um livro aberto e uma pena. d) Um livro aberto e uma pedra na cor verde. e) Um anel. 4) De acordo com Briquet de Lemos (2016) o que pode ser um indicativo geral de consciência profissional? I - A existência de Associações Profissionais. II - A participação em Associações Profissionais. III - Associações Profissionais que se coloquem em um plano diferente dos sindicatos. IV - Altos salários e status na profissão. a) Apenas I, II e III estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) I, II e IV estão corretas. d) Apenas I e III estão corretas. e) III e IV estão corretas. 5) De acordo com a Lei nº 4.084 a sede do Conselho Federal de Biblioteconomia é: a) no Distrito Federal. b) em São Paulo. c) no Rio de Janeiro. d) em Curitiba. e) em Salvador. 118 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões autoavaliativas propostas: 1) A 2) C 3) B 4) A 5) A 5. CONSIDERAÇÕES Chegamos ao final da última unidade, na qual você conheceu a legislação da área de Biblioteconomia com seus conselhos, associações e sindicatos. Refletiu sobre as tendências da atuação, bem como a importância da ética e da consciência profissional. Consideramos contextos e trouxemos reflexões, algumas com respostas polêmicas outras ainda a serem construídas. Veja agora os Conteúdo Digital Integrador que ampliará seu conhecimento sobre o assunto. Lembre-se de ler as Considerações Finais. 6. E-REFERÊNCIAS Figura Figura 1 Símbolo da biblioteconomia. Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_ kY309L9iZ2k/TDPcHlt-wwI/AAAAAAAAG7E/wwdNFl6PPrM/s1600/image_preview. png>. Acesso em: 2 nov. 2017. © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 119 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO Sites Pesquisados ANGELIN, P. E. Profissionalismo e profissão: teorias sociológicas e o processo de profissionalização no Brasil. REDD: Revista Espaço de Diálogo e Desconexão, v. 3, n. 1, jul/dez. 2010. Disponível em: <http://seer.fclar.unesp.br/redd/article/ viewFile/4390/3895%3E>. Acesso em: 2 nov. 2017. ARANALDE, M. M. A questão ética na atuação do profissional bibliotecário. Em Questão, v. 11, n. 2, p. 337-368, jul./dez. 2005. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/ index.php/EmQuestao/article/view/124>. Acesso em: 2 nov. 2017. BARBOSA, M. L.. A sociologia das profissões: em torno da legitimidade de um objeto. BIB, n. 36, p. 3-30, jul./dez. 1993. Disponível em: <http://www.anpocs.com/index. php/edicoes-anteriores/bib-36>. Acesso em: 2 nov. 2017. BRASIL. Lei nº 4.084/1962, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 30 jun. 1962. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Leis/1950-1969/L4084.htm>. Acesso em: 2 nov. 2017. _____. Fundação Capes. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/>. Acesso em: 2 nov. 2017. BRITISH LIBRARY, JISC. Informe Ciber: comportamiento informacional del investigador del futuro. Anales de Documentación, nº 11, p.235-258, 2008. Disponível em: <http:// revistas.um.es/analesdoc/article/view/24921/24221 >. Acesso em: 2 nov. 2012. CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução CFB nº 42 de 11 de janeiro de 2002. Dispõe sobre Código de Ética do Conselho Federal de Biblioteconomia. Disponível em: <http://www.cfb.org.br/wp-content/uploads/2017/01/Resolucao_042-02.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2017. _____. Homepage. Disponível em: <www.cfb.org.br/index.php >. Acesso em: 01 mar. 2017. MINISTÉRIO DO TRABALHO. Profissionais da informação. s.d. Disponível em: <http://www. mtecbo.gov.br>. Buscar por: "Profissionais da Informação". Acesso em: 2 nov. 2017. PAULA, C. A nova biblioteconomia. Biblioo, s.d. Disponível em: <http://biblioo. cartacapital.com.br/a-nova-biblioteconomia/>. Acesso em: 2 nov. 2017. SINBIESP. Sobre o SinBiesp. s.d. Disponível em: <http://www.sinbiesp.org.br/index. php/sinbiesp/objetivo>. Acesso em 2 nov. 2017. ZAREMBA, J. Biblioteconomia: tecnologias digitais ampliam campos de atuação. Extra – Globo. 11 set. 2015. Disponível em: <https://extra.globo.com/noticias/educacao/ profissoes-de-sucesso/biblioteconomia-tecnologias-digitais-ampliam-campos-deatuacao-17464659.html>. Acesso em: 2 nov. 2017 120 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRIQUET DE LEMOS, A. A. De bibliotecas e biblioteconomias: percursos. Brasília: Briquet de Lemos, 2015. WERSIG, G. Information science: the study of postmodern knowledge usage. Information Processing & Management, v. 29, n. 2, p. 155-166, 1997. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante da fragilidade e precariedade da informação não registrada, a humanidade desde a Antiguidade formalizou a necessidade de estocar essa informação e disponibilizá-la para as várias categorias sociais: cidadãos, sábios, estudantes, poderosos, cientistas, gerentes etc. Assim nasceram instituições como bibliotecas, museus, arquivos e, depois, os centros e sistemas de documentação ou informação. Mais tarde, sintetizando traços dessas várias instituições, nasceram os centros de memória. Por fim, com as novas tecnologias, entre elas a internet, uma nova variedade de "instituições" passou a disponibilizar informação para uma miríade de pessoas: sites, blogs, repositórios, bancos de dados etc. A visão tradicional da informação, por um lado, caracteriza-a por seu caráter quantificável e, por outro, associa-a de forma excessivamente mecânica ao conceito de comunicação. Quanto à Ciência da Informação, Wersig (1997) entende-a como uma "ciência pós-moderna", que tem como um de seus principais atributos a interdisciplinaridade, caráter que a "liberta" das "amarras disciplinares" do paradigma positivista e lhe oferece um olhar multifacetado e temático. Contudo, tal fragmentação em diversas vertentes do saber ou mesmo a diversida- © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA 121 UNIDADE 4 – PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS NO BRASIL E NO MUNDO de de profissionais e pontos de vista dificultam a construção de uma identidade. Esta disciplina não esgota o assunto, mas sim desperta em você um olhar mais amplo sobre a Biblioteconomia, suas origens e relações, para que, como profissional, você identifique as potencialidades e necessidades dos espaços de atuação em que trabalhará. Neste Conteúdo Básico de Referência, você pôde obter as informações básicas necessárias para o desenvolvimento da disciplina, que se efetivaram com o estudo do Conteúdo Digital Integrador. Para obter maiores informações sobre a metodologia de ensino e a avaliação, você poderá consultar o Guia Acadêmico do curso. Por fim, desejamos a você sucesso na continuidade dos estudos, uma vez que os ensinamentos aqui adquiridos constituem apenas o primeiro passo de uma carreira bem-sucedida. 122 © INTRODUÇÃO À BIBLIOTECONOMIA
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