Fundamentos, administração e marketing LUIZ CARLOS FIOREZE 1ª Edição |Outubro| 2014 Impressão em São Paulo/SP Apresentação Este livro aborda os conceitos elementares do marketing, o composto de marketing, ou marketing mix, as funções e ferramentas utilizadas na administração de marketing, finalizando com o planejamento de marketing. Composto por quatro módulos, cada qual apresenta uma teoria que contribui para o embasamento do aluno, a fim de compreender o módulo seguinte. Ao final de cada módulo, há um questionário a ser respondido, para fixação do conteúdo. Fundamentos, administração e marketing Coordenação Geral Nelson Boni Coordenação de Projetos Leandro Lousada Professor Responsável Revisão Ortográfica Célia Ferreira Pinto MS. José Ruy Veloso Campos Coordenadora Pedagógica de Curso- EAD - Projeto Gráfico, Diagramação e Capa Ana Flávia Marcheti 1º Edição: Outubro de 2014 Impressão em São Paulo/SP Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353 Sumário Capitulo 1 - Conceitos relacionados ao marketing 09 1.1 A origem do marketingI 1.2 Conceitos de marketing ou mercadologia 1.3 Entendendo o marketing 1.3.1 NECESSIDADES 1.3.2 Desejos 1.3.3 Demandas 1.3.4 Mercado consumidor 1.3.5 Produtos e serviços 1.3.6 Benefícios 1.3.7 Valor 1.3.8 Satisfação 1.3.9 Concorrência 1.3.10 Qualidade 1.3.11 Trocas e transações 1.3.12 Relacionamento 1.3.13 Fidelidade do cliente 1.4 O Ambiente de marketing 1.4.1 Microambiente 1.4.2 Macroambiente ou ambiente geral de marketing 1.5 Orientações da empresa em relação ao mercado Questionário Referências 47 6 UNIDADE 1 Conceitos relacionados ao marketing Caro (a) Aluno (a) Seja bem-vindo (a)! Nesta primeira unidade, abordaremos a origem do marketing, bem como os conceitos básicos relativos ao marketing. Eles lhe fornecerão as bases para a compreensão dos módulos seguintes. Bom estudo! 7 8 1.1 A origem do marketing A busca por alimentos data do período Neolítico, 10.000 a.C. Nas comunidades primitivas, o ser humano preocupa-se basicamente com sua segurança e a de seu grupo e com a alimentação, que era suprida por frutos e outros vegetais extraídos das matas. Ao longo do tempo, ele aprendeu a caçar e a pescar, o que lhe permitiu diversificar sua alimentação. Nos primórdios da humanidade, o ser humano sobrevivia da coleta de frutos e raízes na mata, bem como da caça e da pesca. A necessidade de troca de objetos surgiu quando o ser humano saiu das cavernas. Com o passar do tempo, estabeleceu-se uma estrutura econômica baseada na produção individual para subsistência. O homem alimentava-se do que plantava, ou dos animais que criava. Produziam-se bens para consumo e para uso, tais como alimentos, tecidos, peças de metal. Esta produção era artesanal e sem mecanização, tornando-a pequena e de pouca variedade. Desta forma, o que as famílias não conseguiam produzir para consumo, elas necessitavam adquirir por meio do processo de troca. Durante o império Babilônico, de 2.000 a.C. a 621 a.C., o comércio se desenvolve com a ajuda da colonização dos Egípcios, Fenícios e Palestinos. Com as gradativas mudanças na estrutura de poder, as classes sociais menos favorecidas come- 9 çaram a ter acesso à terra, podendo desta forma produzir, não apenas para consumo próprio, mas também para comercializar o excedente. Conforme o comércio foi se intensificando, surgiu a moeda, facilitando bastante a realização do comércio. A pequena produção e a pouca variedade deixavam os consumidores sem opção de escolha, ou seja, adquiriam o que encontravam no comércio. Este panorama começou a se modificar com a mecanização da produção, trazida pela revolução industrial, que utilizava máquinas e veículos. A produção de bens e serviços começou a ter um impulso, tanto na quantidade quanto na qualidade do que era ofertado ao cliente. Contudo, encontrar bens e serviços não era tão fácil como hoje em dia. Foi gradual e lentamente que as empresas atingiram este patamar de oferta aos clientes. Nesta fase, não existia o marketing. As empresas utilizavam alguns princípios da economia, da administração, e mesmo estes ainda seriam mais bem desenvolvidos a partir de meados do século 20. A preocupação dos empresários era apenas com a produtividade, com a logística e com a maximização dos lucros. Os consumidores não conseguiam barganhar preço, nem opinar a respeito de suas preferências, devido à quase inexistência da concorrência. No início do século passado, a Ford produzia apenas automóveis pretos, pois esta era a cor predileta de seu 10 proprietário, Henri Ford. Este cenário começou a se modificar após o final da Segunda Guerra Mundial, com o crescimento do número de indústrias e de uma estruturação melhor nas operações produtivas e, consequentemente, na produtividade. Neste período, a economia mundial entra em um período de crescimento, proporcionando renda, e, portanto, condições para que as pessoas pudessem consumir. Este conjunto de fatores propiciou o crescimento da concorrência, dificultando a venda, pois quando o cliente tem opção, ele não tem de comprar o que o fornecedor lhe oferece, seja qual for a qualidade e o preço cobrado. Para vencer as dificuldades em realizar vendas, as empresas começaram a utilizar artifícios e argumentos de convencimento do cliente, na hora de negociar. Muitas vezes, esses artifícios eram fantasiosos, para valorizar o produto e obter êxito na venda, a qualquer custo. Não se embasavam em nenhum princípio ou técnica de vendas, mas no empirismo. Robert Bartels, da Ohio State University e outros estudiosos começaram a admitir a possibilidade de criação da teoria mercadológica como uma ciência. Em 1954, Peter Drucker, ao lançar seu livro “A Prática da Administração”, coloca o marketing como uma força poderosa a ser considerada pelos administradores. Não se tratava de um estudo detalhado sobre Marketing, porém foi o primeiro a citar esta ferramenta. 11 Daí por diante, o marketing começa a ganhar espaço nas empresas. Inicialmente de forma tímida e modesta, composto apenas por alguns vendedores e empregados, sob a direção do setor de produção ou administrativo. Na década de 1960, Theodore Levitt, professor da Harvard Business School, mais tarde considerado o pai do marketing, escreve o artigo “Miopia de Marketing”, na revista Harvard Business Review, no qual mostra a importância da satisfação dos clientes. Esta ideia transformou o mundo dos negócios, que passou a procurar a satisfação do cliente. Esta postura levou ao renascimento de várias marcas que não estavam em boa situação naquela época, tais como Sears, Marlboro e Coca Cola. Em 1967, Philip Kotler lança a primeira edição de seu livro "Administração de Marketing", no qual reuniu, revisou, testou e consolidou as bases do marketing. Depois disso, lançou vários livros relacionados ao marketing e passou a ser considerado mundialmente como um especialista no assunto. A partir da década de 70, a contribuição do marketing às empresas é reconhecida e passam a criar departamentos de marketing em todas as grandes empresas. A maioria das empresas menores não possui um departamento com este nome, porém suas tarefas são realizadas pelos demais departamentos, como o comercial, a produção, o administrativo etc. Outros setores da atividade humana, tais como o 12 governo, partidos políticos, organizações civis e religiosas, passam a adotar o marketing, devidamente adaptado as suas necessidades. Em 1982, Tom Peters e Bob Waterman, inaugurando a Era dos Gurus de Marketing, lançam o livro "Em Busca da Excelência", que foca a atenção da empresa no cliente. Este livro de marketing foi muito vendido e levou o marketing ao conhecimento da população, em geral, das pequenas e médias empresas e de todo tipo de profissional. Na década de 90 e início de novo milênio, o avanço tecnológico influenciou fortemente o mundo do marketing. A logística de distribuição e a forma de pagamento foram impactadas pelo comércio eletrônico, pela segmentação da televisão a cabo, pela popularidade da telefonia celular e da Internet. A gestão do relacionamento com o cliente, em larga escala, só foi possível devido aos serviços de atendimento ao consumidor e ao CRM (Customer Relationship Management), ou seja, o gerenciamento do relacionamento com o cliente, um sistema que envolve hardware, software, política empresarial e funcionários capacitados para abastecê-lo e utilizá-lo. A Internet chegou como uma nova via de comunicação, levando a uma constante busca pela personalização em massa, por meio do marketing direto. Outra tendência do período foi o fortalecimento do conceito de marketing societal. A satisfação do 13 consumidor e a opinião pública passaram a estar diretamente ligadas à participação das organizações em causas sociais, transformando a responsabilidade social numa vantagem competitiva para as empresas que investem em ações ligadas a estes temas. 1.2 Conceitos de marketing ou mercadologia Desde 1948, a AMA (Associação de Marketing Americana) definiu marketing. Tratava-se de uma definição inicial, que evidenciava uma visão restrita do marketing. O aumento da competição entre as empresas, proporcionado pelos avanços tecnológicos empregados nos meios de produção, máquinas e linhas de produção, bem como nos produtos, aliados ao avanço dos meios de comunicação, telefone e internet e à globalização, permitiu o enorme crescimento do consumo mundial e a consequente necessidade da ampliação e atualização do conceito de marketing. Segundo Kotler (2009, p.4): “Definimos marketing como o processo pelo qual as empresas criam valor para os clientes, e constroem fortes relacionamentos com eles, para capturar seu valor em troca”. Moreira (2008, p. 10) define Marketing como “[...] Um conjunto de tarefas relacionadas à criação, promoção e fornecimento de bens e serviços a clientes, visando satisfazer suas necessidades e desejos”. Em 14 2009, a definição evoluiu novamente e Kotler (2009, p 32) apresentou a nova definição: “Marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros”. Apresentadas estas definições, percebe-se que o marketing é um processo, ou seja, é permanente. Entende-se também que neste processo estão envolvidos vários agentes, além da própria organização, principalmente os consumidores, pois são alvos principais das ações de marketing, isto é, promoções, lançamentos de produtos, vendas, pesquisa de mercado etc. Por meio destas ações visa-se alcançar a satisfação das necessidades dos consumidores, através da oferta de produtos com benefícios embutidos. Em inglês, market significa "mercado", portanto, o marketing pode ser entendido como o cálculo do mercado ou uso do mercado. O marketing estuda os mecanismos e causas que interferem ou influenciam nas relações de trocas de bens, serviços ou ideias, entre fornecedores e clientes. A partir deste entendimento, ele atua de forma a proporcionar uma oferta e transação, de modo que elas sejam satisfatórias para ambos participantes do processo. Ao entender e identificar as necessidades dos consumidores, as empresas devem satisfazê-los e ao mesmo tempo gerar lucro para si próprias. A obtenção do lucro se torna uma consequência, pois o objetivo do 15 marketing passa a ser como entender o mercado. Assim, marketing não é apenas vender, compõe-se de um processo, ou seja, tem início, meio, porém nunca termina. Quando é concretizada a venda, ela termina, porém o processo de marketing continua, a fim de assegurar, continuamente, o maior benefício possível aos clientes em potencial. Busca-se conhecer o mercado, ou seja, suas necessidades, desejos de demandas (estes conceitos serão abordados mais adiante), para desenvolver e oferecer o produto certo, ao preço certo, propiciando sua chegada ao público que se destina, visando maximizar a satisfação do cliente, e consequentemente o consumo. Envolve assim um conjunto de atividades, que vão do início ao fim do processo, englobando a criação, o planejamento, até a elaboração dos bens e serviços. Entretanto, este ainda não é o fim, ainda há o processo de divulgação, venda, entrega, instalação/montagem. 1.3 Entendendo o marketing De acordo com Kotler, há alguns conceitos principais que são o cerne, ou seja, o foco das atividades de marketing. Trata-se de alguns fatores que fornecem motivos, instrumentos e objetivos para o seu trabalho. São eles: necessidades; desejos; demandas; produtos; serviços; valor total para o cliente; satisfação; qualidade; troca; transação; relacionamento e mercado. 16 1.3.1 Necessidades O ponto inicial de todo processo de marketing está na necessidade do ser humano. De acordo com Moreira (2008, p. 52): “Necessidades são situações de desequilíbrio inerentes ao ser humano, como fome, sede, sono, etc. [...]”. As necessidades nada mais são do que a carência de um produto ou serviço. Kotler (2009, p. 173) aponta: “[...] as necessidades humanas são organizadas em uma hierarquia, partindo das mais urgentes às menos urgentes. Em ordem de importância, são as necessidades fisiológicas, de segurança, sociais, de estima, e de autorrealização”. A partir dos estudos realizados por Abraham Maslow, psicólogo americano, desenvolveu-se a teoria da motivação, que ficou conhecida como pirâmide de Maslow, segundo a qual o ser humano possui necessidades de três níveis: fisiológicas, psicológicas e de autorrealização. As necessidades foram classificadas pelo psicólogo conforme a hierarquia, ou seja, nível de urgência em serem atendidas. Desta maneira, as fisiológicas são básicas, isto é, essenciais ao ser humano, pois estão relacionadas diretamente a sua sobrevivência. Depois de suprir estas necessidades, busca-se atender as psicológicas, que são de nível médio e dizem respeito ao conforto psicológico. Por fim, no nível 17 superior estão as necessidades de autorrealização, ligadas à satisfação pessoal com o próprio crescimento íntimo, no aspecto intelectual e espiritual. A) FISIOLÓGICAS São aquelas relacionadas à manutenção da própria vida, ou seja, necessárias ao bom funcionamento do organismo e à preservação do mesmo. Dentre elas, estão a fome, a sede, o sono, proteção (roupas, abrigo) etc. Nossas residências nos servem de abrigo contra fatores climáticos como chuva, calor, frio, ventos, entre outros. Protege-nos também contra animais, insetos e de outros humanos. Sem alimentos e líquidos nossos corpos não sobreviveriam. B) PSICOLÓGICAS Relativas às necessidades psíquicas do ser humano, tais como afeto, status, pertencer a um grupo, segurança psicológica. Para Maslow, o ser humano tem imensa necessidade de ser aceito pelas demais pessoas e sociedade, bem como receber afeto, seja de amigos, familiares, cônjuge, ou mesmo de desconhecidos. Estas demonstrações vão desde um simples cumprimento, um carinho, um elogio, um cuidado pessoal, até mesmo o reconhecimento por ter escrito um livro, por ter marcado um gol de placa, ou 18 por possuir algo valioso ou desejado, como roupas de grife, automóvel de luxo, ou uma casa de praia. C) AUTORREALIZAÇÃO Voltadas ao desenvolvimento intelectual e espiritual da pessoal, sentindo-se satisfeita, por exemplo, ao concluir um curso de línguas ou curso superior, ou ao perceber seu próprio crescimento espiritual, por meio da prática da paciência ou do amor ao próximo. 1.3.2 Desejo São carências por satisfações específicas para atender às necessidades. Segundo Moreira (2008, p. 53): “Desejo é a maneira diferenciada de atender a uma necessidade”. Os desejos humanos são continuamente moldados e remoldados conforme a cultura em que a pessoa está inserida, o país em que vive, sua religião, seu grupo familiar, seus amigos, o profissional etc. Assim, a necessidade de alimentação pode ser atendida de variadas formas, de acordo com a influência da cultura regional, como o consumo de tapioca no nordeste do Brasil, o consumo de arroz de carreteiro no sul do país. Há países em que a população se alimenta de insetos, como formiga, gafanhoto etc. A religião influencia, por exemplo, a forma de se 19 vestir, não permitindo que a mulher exponha partes do como, como pernas, rosto, colo etc. 1.3.3 Demandas São desejos por produtos específicos, respaldados pela habilidade e disposição de comprá-los. Desejos se tornam demandas quando apoiados pelo poder de compra. Deste modo, uma pessoa que receba mensalmente salário mínimo, pode ter o desejo de adquirir um automóvel de luxo, como o veiculo da figura 1, abaixo. Contudo, dificilmente o concretizará, ou seja, o desejo não se tornará demanda. Fonte: http://br.freepik.com/index.php?goto=2&k=jpg&or der=2&searchform=1&onlyv=1 Os profissionais de marketing criam necessidades ou induzem as pessoas a comprar coisas que não desejam? Os profissionais de marketing não criam necessidades: elas já existiam antes deles. Os especia- 20 listas de marketing, junto com outras forças sociais, despertam e influenciam os desejos. Os profissionais de marketing influenciam a demanda ao oferecer o produto apropriado, atraente, adquirível e facilmente disponível aos consumidores alvo. 1.3.4 Mercado consumidor O ser humano necessita de bens para consumo próprio ou para realização de atividades diversas, como lazer ou profissão. Será que todas as pessoas possuem o mesmo nível de consumo, em termos de quantidade e qualidade dos produtos consumidos? Moreira (2008, p. 43) aponta que “o mercado consumidor é definido como a reunião de indivíduos com renda e disposição para adquirir produtos e serviços que satisfaçam seus desejos e necessidades”. Há pessoas que por diversos motivos não consomem determinados produtos, seja pela renda que possui, seja pela dificuldade de acesso, seja por questões relacionadas aos hábitos pessoais etc. 1.3.5 Produtos e serviços Richard Semenik e Gary Bamossy apud Moreira (2008, p. 64) definiram produto como ”um conjunto de atributos tangíveis e intangíveis, que proporciona benefícios reais ou percebidos, com a 21 finalidade de satisfazer as necessidades e os desejos do consumidor”. Os produtos são bens físicos tangíveis, isto é, palpáveis, que podem ser vistos, sentidos, cheirados, degustados etc., tais como frutas, apartamentos, televisores, livros e celulares (vide figura 2). Entretanto, eles podem ser intangíveis, ou seja, não são palpáveis, como ideias, informações. Fonte: http://br.freepik.com/index.php?goto=2&k=jpg&or der=2&searchform=1&onlyv=1 Segundo Kotler (2009, p. 412), “serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte possa oferecer a outros e que seja essencialmente intangível, e não resulte na propriedade de nada. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico”. Os serviços são ações, atividades realizadas sobre produtos, pessoas, bens etc. É o caso do serviço de manutenção de automóveis, de corte de cabelos, de tratamento médico. Pode ser totalmente intangí- 22 vel, quando envolve apenas a atividade do serviço. Pode ser misto, englobando itens intangíveis e tangíveis, quando além da atividade utiliza-se um bem. É o caso do xampu utilizado pelo cabeleireiro na prestação do serviço ao cliente. Os temas produto e serviços serão abordados com maior profundidade na unidade 2. 1.3.6 Benefícios Os benefícios oferecidos por um produto dizem respeito aos atributos e vantagens que possui, ou que proporciona aos consumidores. Dizem respeito à matéria-prima ou tecnologia diferenciada utilizada, ao nível de sua qualidade, durabilidade, economia, à quantidade de funções e aplicações que possui, à diferenciação ou exclusividade ou à customização que oferece, e claro, aos efeitos psicológicos que proporciona aos seus consumidores, como alegria, entusiasmo, status, entre outros. 1.3.7 Valor De acordo com Kotler (2009, p. 29), “valor é a estimativa de cada produto satisfazer a seu conjunto de necessidades”. Em marketing, o conceito de valor pode ser entendido como todos os benefícios gerados para 23 o cliente, em razão do sacrifício feito por este na aquisição de um bem ou serviço. Dentre eles, estão o valor do produto, valor dos serviços, valor do pessoal e valor da imagem. Oferecer ou agregar valor é um conceito que está diretamente relacionado à satisfação do cliente, um dos principais objetivos do marketing. O conceito de marketing afirma que a tarefa mais importante da empresa é determinar quais são as necessidades e desejos dos consumidores e procurar adaptar a empresa para proporcionar a satisfação desses desejos. Com o alcance proporcionado pela internet e a explosão de redes sociais, surgiu o conceito de Marketing 3.0, em que as empresas buscam uma aproximação com os consumidores e potenciais clientes, monitorando suas opiniões sobre os serviços ou produtos oferecidos pela empresa. Desta forma, os consumidores têm papel fundamental na criação de novos produtos e serviços, adequados às reais necessidades do mercado. O marketing utiliza métodos e técnicas para desenvolver suas atividades relacionadas ao composto de marketing, que será abordado mais adiante. CUSTO TOTAL PARA O CLIENTE Kotler (2009, p. 51) ressalta que “[...] Custo total do consumidor é o conjunto de custos esperados 24 na avaliação, obtenção e uso do produto, isto é, custo de tempo, de energia física e psíquica do comprador relativos ao trabalho e a dificuldade para avaliar, obter, utilizar e descartar um produto ou serviço”. Refere-se ao custo monetário somado aos custos não monetários. VALOR TOTAL AO CLIENTE Conforme Kotler (2009, p. 51), “[...] Valor total para o consumidor é o conjunto de benefícios esperados por determinado produto ou serviço [...]”. Refere-se àquilo que o produto proporciona, como status, durabilidade, nível de qualidade, entre outros. VALOR ENTREGUE AO CLIENTE Kotler (2009, p. 51) destaca que “Valor entregue ao consumidor é a diferença entre o valor total esperado e o custo total do consumidor [...]”. Deduzem-se os custos totais dos valores recebidos, para avaliar se foi compensador para o cliente. CASO- AQUISIÇÃO DE UM TRATOR Suponha que o comprador de uma grande empreiteira deseja comprar um trator. Ele está em dúvi- 25 da entre o produto da marca X e o da marca Y. Os vendedores destas empresas concorrentes descreveram cuidadosamente suas respectivas ofertas ao potencial comprador, que tem uma aplicação específica em mente: utilizar o trator na construção de residências. Ele gostaria que o mesmo lhe proporcionasse determinados níveis de confiabilidade, durabilidade, desempenho e valor de revenda. Faz a avaliação do produto de ambas as empresas, e chega à conclusão de que aquele oferecido pela empresa X possui um valor superior no que se refere a atender suas expectativas em relação ao valor do produto. Também percebe diferenças nos serviços incluídos, como entrega, treinamento e manutenção. Ele conclui que a marca X possui o melhor valor de serviço. Além disso, os funcionários da empresa X demonstram conhecer melhor o produto e suas aplicações. E ainda são mais atenciosos. Diante disso, atribui um valor maior à imagem corporativa da empresa X. O comprador também pondera o custo total com o qual terá de arcar para efetuar a transação. Além do custo monetário, ou preço, inclui todos os custos de tempo, energia física e psíquica para aquisição. Ele conclui que o custo total para adquirir o trator da empresa X é demasiadamente elevado em relação ao valor total entregue por ela, enquanto o custo total para aquisição da empresa Y é bem baixo. Então, ele opta pelo produto desta empresa. 26 1.3.8 Satisfação De acordo com Kotler (2009, p. 53), “Satisfação é o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da comparação do desempenho esperado pelo produto (ou resultado) em relação às expectativas da pessoa”. A satisfação do cliente após a compra depende do nível de desempenho daquilo que foi adquirido em relação às suas expectativas. As expectativas se formam com os seguintes elementos: EXPERIÊNCIAS ANTERIORES Quando alguém utiliza, degusta, cheira, usa, consome determinado produto ou serviço, forma um padrão de referência a respeito do mesmo. Esta referência será utilizada pela pessoa para comparar com produto ou serviço idêntico ou similar que venha a adquirir. CONSELHOS DE AMIGOS Os conselhos ou opiniões dos amigos ou familiares, positivos ou negativos, funcionam como parâmetro para avaliação, gerando expectativa quanto ao padrão de qualidade que a pessoa encontrará. Isto varia muito quando se trata de algo particular 27 ou pessoal, como sabor, preferência, odor, música. Você já deve ter recebido alguma recomendação de um amigo, por exemplo, assistir determinado filme, por ser muito bom. Contudo, ao assisti-lo, sua opinião não foi a mesma do amigo. INFORMAÇÕES NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Revistas, jornais, internet, rádio, ou televisor também fornecem algum parâmetro, positivo ou negativo a respeito de determinado produto ou serviço. O simples fato de torná-los conhecidos ao público fornece certo grau de confiabilidade na qualidade dos mesmos. 1.3.9 Concorrência São considerados concorrentes os produtos ou empresas ou marcas que competem por um mesmo mercado. Normalmente, as comparações feitas pelos concorrentes, a respeito das diferenças de seus produtos ou serviços, fornecem informações acerca de sua qualidade, funcionalidade, durabilidade, preço, bem como do nível de qualidade de suas instalações, atendimento e serviços. 1.3.10 Qualidade 28 Para Kotler (2009, p. 256), “Qualidade de desempenho refere-se aos níveis pelos quais as características básicas do produto operam”. Para estabelecer parâmetros de qualidade foi criada, em 1947, em Genebra, a Organização Internacional para Padronização, ou seja, a ISO (International Organizatin for Standardization), que estabeleceu padrões mundiais para produção de serviços e produtos, entre outros. Apesar dos padrões de qualidade adotados pelas empresas, a avaliação da qualidade, realizada pelos consumidores, é subjetiva, isto é, varia de acordo com o julgamento de cada um, pois os critérios para análise podem variar conforme a pessoa que faz a análise do produto. Desta forma, um sorvete, um sabonete, um celular, ou um jantar em um restaurante, podem ser considerados de qualidade elevada para alguns clientes, e para outros, nem tanto. 1.3.11 Trocas e transações Troca é o ato de obter algo ou um objeto desejado dando alguma coisa em compensação. Por exemplo, pode-se permutar uma celular que a pessoa não deseja mais, por algo que lhe interesse, como um pen drive. Pode-se trocar um armário usado pela mão de obra de pintura do quarto. Transação segue o mesmo princípio da troca, 29 porém envolve valor, ou seja, pagamento. A loja entrega um refrigerador ao cliente e este paga o valor combinado à loja. Este é um ponto fundamental do marketing, pois ele visa promover transações em grande volume, por meio de suas atividades. 1.3.12 Relacionamento Atender o cliente e efetuar a venda é apenas uma pequena parte do relacionamento com o cliente. Relacionamento pressupõe algo duradouro. Pode-se, aqui, fazer uma analogia com um namoro, em que duas pessoas se veem, despertam o interesse mútuo e passam a se encontrar, se conhecer, buscando construir algo em comum. O relacionamento entre a empresa e o cliente é semelhante. A diferença está nos objetivos, enquanto o relacionamento de um casal é baseado nos sentimentos, e em alguns outros fatores, o relacionamento entre empresa e cliente é baseado na busca pela satisfação das necessidades e desejos dos clientes. Em contrapartida, os clientes têm a oferecer a recompensa financeira e a fidelidade. A empresa procura entender quais são os desejos e as necessidades do cliente, prepara o produto ou serviço e o coloca à disposição do cliente, visando sua satisfação. Se isto ocorrer, ocorre a fidelização, ou seja, o retorno do cliente, a fim de ter novamente suas necessidades sa- 30 tisfeitas. Então, se formou o relacionamento. No entanto, o relacionamento com o cliente não pode esfriar, não pode cair na mesmice, na monotonia. Há necessidade de inovação, de manter os fatores que estão bons e de aperfeiçoar aqueles que estão regulares. O ponto chave para que isto ocorra está justamente em conhecer o cliente, suas necessidades e desejos, para oferecer produtos ou serviços que as satisfaçam. Há clientes que necessitam de um atendimento rápido e gentil, outros necessitam apenas de orientações, de informações sobre os produtos. Alguns necessitam de produtos específicos, por exemplo, alimentos com baixa caloria, alguns se interessam por novidades e outros por preço baixo. Quando a empresa é pequena e atende um número reduzido de clientes, o vendedor ou atendente consegue gravar na mente o perfil de cada um, bem como suas preferências. A tendência é dar um atendimento homogêneo, ou seja, massificado, devido à grande quantidade de clientes, pois se torna difícil memorizar os hábitos de consumo de todos. Para resolver este problema, médias e grandes empresas adotam o uso de programas que registram as particularidades, hábitos e frequência de consumo de seus clientes, passando assim a adotar o gerenciamento de relacionamento com o cliente, cuja sigla em inglês é CRM (Customer Relationship Management). De acordo com Las Casas (2006, p. 27), “A base do 31 CRM é que a tecnologia deve ser usada não apenas para compilar dados, mas também para prestar serviço [...]”. O CRM deve ser administrado para estreitar as relações entre os funcionários e consumidores, possibilitando um atendimento mais pessoal, ou seja, direcionado às particularidades individuais de cada cliente. Conhecendo melhor cada cliente, a empresa pode oferecer produtos para o atendimento das necessidades específicas, conforme o perfil de cada um. 1.3.13 Fidelidade do cliente O grande desafio do marketing é conseguir a fidelização de seus clientes. Las Casas (2006, p. 14) aponta que “o conceito de fidelidade significa que os clientes continuam a comprar de uma empresa porque acreditam que ela tenha bons produtos ou serviços”. A adoção de estratégias, voltadas aos 4PS, abordadas nos próximos módulos, contribui para conquista da fidelidade do consumidor. 1.4 O ambiente de marketing As empresas não estão isoladas, onde quer que estejam instaladas. Além delas, há outras empresas, pessoas, o meio ambiente natural e outros agentes, que provocam constantes mudanças no cenário competitivo empresarial. O ambiente formado por 32 este conjunto de fatores, no qual a empresa atua, influenciando e sendo influenciada, é chamado de ambiente de marketing. O ambiente de marketing, de acordo com as mudanças que nele ocorrem, e também a falta de mudanças, oferece ameaças e oportunidades às organizações. As empresas devem estar atentas para detectá-las, planejar estratégias e tomar medidas para anular os efeitos das ameaças e para aproveitar as oportunidades. Os ambientes de marketing são os seguintes: 1.4.1 Microambiente Trata-se de um ambiente formado por fatores que influenciam e que são influenciados mais diretamente pela empresa, por apresentar uma proximidade e relação mais direta com a mesma. É o caso dos parceiros comerciais, clientes, fornecedores e até os concorrentes. Para Moreira (2008, p. 23), “o poder de influência de uma empresa sobre as variáveis que compõem o microambiente, ou ambiente-tarefa, é relativamente maior do que sobre os elementos macroambientais”. A qualidade dos produtos da empresa é influenciada pela matéria-prima recebida de seus fornecedores, por exemplo. Se a organização X realiza uma promoção de grande sucesso, ela influenciará diretamente o nível das vendas de seus concorrentes. 33 1.4.2 Macroambiente ou ambiente geral de marketing Moreira (2008, p. 23) ressalta que “o macroambiente inclui diversos elementos críticos, sobre os quais uma organização não consegue exercer controle direto. Destacam-se as variáveis econômicas, sociais, sindicais, demográficas, políticas tecnológicas, legais, ecológicas, culturais, mercadológicas”. Este ambiente é formado por fatores que influenciam a empresa, porém esta não consegue influenciá-los. Desta maneira, são incontroláveis por parte da empresa, tais como os fatores demográficos, culturais, as políticas adotadas pelo governo, a economia da região ou do país, a tecnologia etc. Por exemplo, se o governo resolve elevar a taxa básica de juros, consequentemente elevará os juros dos bancos comerciais, tornando mais cara a obtenção de empréstimos e financiamentos, tanto por parte das empresas, como por parte dos consumidores. No primeiro caso, tornará mais cara a produção, elevando seus preços. No segundo caso, tornará mais caro o financiamento para o consumidor. Ambos os casos causarão retração no consumo, prejudicando a empresa produtora e também o consumidor. O ambiente geral de marketing é formado por seis componentes: Ambiente demográfico, Ambiente econômico, Ambiente natural (meio ambiente), 34 Ambiente tecnológico, Ambiente político-legal e Ambiente sociocultural. Os participantes do mercado devem prestar muita atenção às tendências e aos acontecimentos desses ambientes e realizar ajustes oportunos em suas estratégias de marketing. AMBIENTE DEMOGRÁFICO Diz respeito aos aspectos relacionados à população. Dentre os fatores que interessam aos profissionais de marketing estão o tamanho e a taxa de crescimento da população de diferentes localidades (cidades, estados e países e até continentes), a distribuição das faixas etárias (relativas à idade das pessoas) e sua composição étnica (relativa ao povo, raça, ou grupo que compartilha mesma origem, cultura), as características das diferentes regiões, as movimentações da população entre elas, o grau de instrução da população e o padrão familiar (tamanho da família, quantidade de bebês, crianças, adolescentes, adultos, terceira idade, quantidade por gênero etc.). AMBIENTE ECONÔMICO Refere-se à “saúde econômica” do ambiente onde está inserida a empresa, ou seja, se a economia está bem e crescendo, se está parada e sem crescimento, ou se está em declínio. Esta análise é impor- 35 tante, porque pro meio dela descobre-se o círculo econômico ao qual a empresa pertence. Se a economia está crescendo, há muita produção, ocasionando a geração de mais empregos, que leva a mais pessoas empregadas, portanto, consumidores com potencial para consumir, ocasionando mais produção e assim o círculo se repete. No outro oposto, ocorre situação semelhante, porém em sentido contrário, pois se a economia está em queda, há menor produção, ocasionando o desemprego e diminuindo a quantidade de consumidores em potencial. E o círculo se repete. O poder de compra do mercado depende do nível de sua renda, dos preços, da poupança, do acesso ao crédito e também do nível de seu endividamento. Suas variações, para cima ou para baixo, geralmente causam forte impacto nos negócios, daí a importância dos profissionais de marketing monitorar estas variações. AMBIENTE SOCIOCULTURAL A sociedade, de modo geral, formada pelos amigos, vizinhos, colegas de faculdade ou do trabalho, grupos religiosos, parentes, ídolos etc., molda crenças e valores, que são aceitos pela maioria, propiciando a definição de gostos e preferências e, consequentemente, o consumo de determinado bem ou serviço, em detrimento de outro. 36 Kotler (2009, p. 162) define que “[...] cada cultura consiste em subculturas menores que fornecem identificação e socialização, mas específicas para seus membros”. Segundo ele, a cultura propicia às pessoas manterem relacionamentos e possuírem identificação cultural. A respeito da subcultura Kotler (2009, p. 162) afirma: “s subculturas incluem as nacionalidades, religiões, grupos raciais e regiões geográficas [...]”. Conhecer a cultura e subcultura é importante para a empresa, a fim de criar produtos que atendam necessidades específicas. Se alguém oferecer chimarrão a uma pessoa do sudeste ou norte, provavelmente a pessoa relutará em aceitar, pois não faz parte de seus hábitos de consumo. O mesmo não ocorre, especialmente, com os gaúchos, que consomem esta bebida tanto no inverno como no verão. Se um empresário abrisse uma loja de chás, principalmente de chimarrão, em Goiânia, você acredita que ele prosperaria? Este é um exemplo de como a cultura local pode influenciar o consumo de bens. AMBIENTE NATURAL Para aumentar o consumo de produtos ecológicos ou de produtos que não agridam o meio ambiente, tanto no processo produtivo, quanto durante 37 o uso, e também em seu descarte, depois do fim da vida útil do produto, é preciso vencer o ceticismo quanto aos motivos relacionados à introdução desses produtos no mercado e quanto ao nível de qualidade dos mesmos. Para mudar a atitude do consumidor sobre o papel de tal produto na proteção ambiental, primeiramente é necessária a conscientização sobre a importância dos hábitos de consumo do cliente e as consequências danosas como poluição do ar, das matas, do solo e das águas. AMBIENTE TECNOLÓGICO Está na essência da competitividade empresarial ser dinâmico e aceitar a inovação criativa que a tecnologia traz consigo. O computador substituiu as máquinas de escrever, assim como a copiadora substituiu o papel carbono. Há muitas empresas que resistem em adotar novas tecnologias, tanto no processo produtivo, quanto nos produtos elaborados por elas, tornando-se ultrapassadas. Isto pode ocasionar o encalhe da produção nas prateleiras e diminuição das vendas. Todavia, é possível reverter este quadro, desde que a empresa rapidamente pesquise as tendências de consumo e busque a tecnologia desejada pelo seu público consumidor. AMBIENTE POLÍTICO-LEGAL 38 As decisões de marketing são fortemente afetadas por mudanças no ambiente político-legal. Esse ambiente é formado por leis, órgãos governamentais e grupos de pressão que influenciam e limitam várias organizações e indivíduos. Às vezes, essas leis criam novas oportunidades de negócios. As leis que tornam a reciclagem obrigatória, por exemplo, deram um grande incentivo à indústria de reciclagem e incitaram a criação de dezenas de novas empresas que fabricam produtos a partir de materiais reciclados. Duas das principais tendências nesse ambiente são: o aumento da legislação que regulariza os negócios e o crescimento de grupos de interesse especiais. As leis vigentes e as medidas políticas adotadas pelas três esferas do governo (federal, estadual e municipal), de modo geral, influenciam fortemente o ambiente empresarial. Às vezes, criando oportunidades que, se aproveitadas, impulsionam o crescimento empresarial. A redução de IPI de algumas linhas de produto permite a redução do preço e o aumento do consumo destes produtos. Entretanto, a falta de uma política que vise à redução geral dos impostos cobrados, tanto da população como também das organizações, perpetua uma elevada carga tributária, danosa para o país. Esta carga gera dificuldades que ameaçam as empresas que atuam no Brasil. Há leis que incentivam a importação e a exportação, favorecendo as empresas que atuam neste se- 39 tor. Outras criam algum tipo de dificuldade, que merece a aplicação de estratégias para que a dificuldade não se torne uma ameaça. A prefeitura de São Paulo criou uma lei que restringe o tráfego de caminhões de grande porte em uma área central da cidade, em determinados horários do dia. A saída encontrada pelas empresas, que necessitam fazer entregas naquela região, foi a utilização de pequenos caminhões, a fim de fugir da ameaça ao seu negócio, criada pela lei recém-implantada. 1.5 Orientações da empresa em relação ao mercado Segundo Kotler (2009, p. 35), “há cinco conceitos distintos sob os quais as organizações podem escolher conduzir suas atividades: conceito de produção, conceito de produto, conceito de venda, conceito de marketing e conceito de marketing societal”. As empresas podem utilizar um ou vários desses conceitos na condução do marketing de sua empresa. Observe abaixo o detalhamento de cada conceito: CONCEITO DE PRODUÇÃO Kotler (2009, p. 35) aponta que o “conceito de produção assume que os consumidores darão preferência aos produtos que estiverem amplamente disponíveis e forem de preço baixo”. 40 A grande questão para as empresas que adotam esta orientação é produzir. Há preocupação com a produção em larga escala, com a quantidade e não com a qualidade dos produtos. CONCEITO DE PRODUTO Conforme Kotler (2009, p. 35), o “conceito de produto assume que os consumidores favorecerão aqueles produtos que oferecem mais qualidade, desempenho ou características inovadoras [...]”. Este conceito considera que os consumidores preferem os produtos com qualidade elevada, bom desempenho e aspectos inovadores. Desta forma, as organizações devem esforçar-se permanentemente para aprimorar seus produtos. CONCEITO DE VENDA De acordo com Kotler (2009, p.36), o “conceito de venda assume que os consumidores, se deixados sozinhos, normalmente não comprarão o suficiente dos produtos da organização”. Satisfazer a clientela é a função principal da empresa que adota esta filosofia de marketing e não produzir e vender. A empresa realiza uma pesquisa em seu mercado consumidor, para detectar suas necessidades e desejos, a fim de oferecer-lhe produtos/ 41 serviços de qualidade. Tal atitude visa à satisfação desse mercado consumidor ao oferecer-lhe valor, para fidelizá-lo, ou seja, para que os consumidores voltem a comprar e a dar boas referências dos produtos e da empresa. CONCEITO DE MARKETING Kotler (2009, p.37) afirma que o “conceito de marketing assume que a chave para atingir as metas organizacionais consiste em ser mais eficaz do que os concorrentes para integrar as atividades de marketing”. Este conceito deve integrar todas as variáveis e agentes internos e externos à empresa, que estejam relacionados ao processo de marketing. ORIENTAÇÃO PARA O MARKETING SOCIALMENTE RESPONSÁVEL OU MARKETING SOCIETAL Segundo Kotler (2009, p.44), o “conceito de marketing societal assume que a tarefa da organização é determinar as necessidades, desejos e interesses dos mercados-alvos e atender às satisfações desejadas [...] de maneira a preservar ou ampliar o bem-estar dos consumidores e da sociedade”. As empresas que adotam esta filosofia buscam oferecer um valor superior, aliando o atendimento 42 das necessidades e desejos do mercado alvo com ações que beneficiem a sociedade como um todo. Tais ações dizem respeito a medidas diretamente ligadas à sociedade local, como patrocínio de atividades de lazer, esporte, educação, saúde etc. Além disso, seu processo produtivo deve envolver responsabilidade quanto à qualidade da matéria-prima empregada na produção, bem como a origem dessa matéria-prima ser de fonte lícita, não utilizar mão de obra infantil ou escrava, não causar impactos negativos ao ambiente, como poluição do ar, solo, água. Ao adotar esta orientação a empresa cria uma imagem sustentável perante seu mercado consumidor, visto que além de oferecer produtos e serviços que satisfaçam seus clientes, cria uma imagem positiva junto a eles. 43 44 Exercícios 1- Porque é importante aos profissionais de marketing conhecer a cultura e subcultura de determinado mercado, que se pretende explorar comercialmente? 2- Quais os elementos que formam as expectativas dos consumidores? Explique cada elemento: 3- Explique o conceito de mercado consumidor, segundo Moreira: 4- Quais são os conceitos, segundo Phillip Kotler, que são o cerne das atividades de marketing? 5- Explique porque há uma hierarquia entre as necessidades da pirâmide de Maslow: 45 46 Referências bibliográficas http://asrmidia.com.br/Paginas/?Pagina=paineis-front-light-e-back-light http://br.freepik.com/index.php?goto=2&k=jpg& order=2&searchform=1&onlyv=1 http://br.freepik.com/index. php?goto=2&k=jpg&order=2&vars=2 http://www.claudiotorres.com.br/mktdigitalpequenaempresa.pdf https://www.google.com.br/search?q=figura+do+ gr%C3%A1fico+de+gantt&tbm=isch&imgil=M1 puw4PGTXaSKM%253A%253BtjgbsSBeyUhFnM %253Bhttp%25253A%25252F%25252Fportogente. com.br%25252Fportopedia%25252Fgrafico-de-gantt-73986&source=iu&usg=__Ykq5yYvcvT9naw6fqNRH-Kub8vY%3D&sa=X&ei=0ErhU_KuLKbIsASBo 4DYDA&ved=0CCIQ9QEwAg&biw=1280&bih=67 3#facrc=_&imgdii=_&imgrc=YpMb2xGPf60WaM% 253A%3BtDzLt0d0LqcXWM%3Bhttp%253A%252F %252Fdc435.4shared.com%252Fdoc%252F2BrGeeP 0%252Fpreview_html_m3292e69c.jpg%3Bhttp%253A %252F%252Fdc435.4shared.com%252Fdoc%252F2B rGeeP0%252Fpreview.html%3B507%3B199 http://integracao.fgvsp.br/ano6/06/financiadores.htm https://professores.faccat.br/moodle/pluginfile. php/15360/mod_resource/content/2/4%20Com- 47 posto%20de%20Marketing%20ou%20Marketing%20 Mix.pdf http://www.sebraesp.com.br/index.php/165-produtos-online/administracao/publicacoes/artigos/6126-a-escolha-do-ponto-de-venda-completo CASAS, Alexandre Luzzi Las. 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