Resistência dos Materiais Sumário Desenvolvimento do material Monique N. dos Santos de Alcântara Objetivos Gerais ................................................................................................. 5 Comportamento Mecânico dos Materiais 1ª Edição Para início de conversa... ................................................................................. 7 Copyright © 2023, Afya. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Afya. Objetivos ..................................................................................................... 7 1. Comportamento Elástico e Inelástico dos Materiais 2. Tensão e Deformação – Conceitos Básicos 3. Curva Tensão-Deformação ........................ 8 ........................................... 10 ......................................................................... 13 3.1 Principais Pontos Associados à Curva Tensão-Deformação ............................................................................... 15 3.2 Principais Propriedades dos Materiais Associadas à Curva Tensão-deformação 4. Ensaio de Tração e Compressão 4.1 Ensaio de Tração Resistência dos Materiais ............................................................... 20 ..................................................................................... 21 4.2 Ensaio de Compressão Referências ................................................ 18 .......................................................................... 22 ..................................................................................................... 23 2 Tensões e Deformações Axiais Tensões e Deformações Cisalhantes Para início de conversa... ................................................................................. 25 Para início de conversa... ................................................................................. 44 Objetivos Objetivos ..................................................................................................... 25 1. Tensões e Deformações Axiais: Tensões Normais em Função de Esforços Externos 1.1 Tensão Normal Média 1. Tensão Cisalhante Média ........................................... 26 ........................................................................... 26 1.2 Deformação Normal Média ................................................................. 30 2. Propriedades Relacionadas à Tensão e Deformação e Problemas Estaticamente Indeterminados .............................................................................................. 31 2.1 Módulo de Elasticidade E .................................................................... 32 2.2 Coeficiente de Poisson ν ....................................................................... 33 3. Deformações de Elementos Compostos e Elementos sob Efeitos Térmicos ............................................................... 36 3.1 Barras Carregadas Axialmente ........................................................... 37 3.2 Problemas Estaticamente Determinados 3.3 Elementos sob Efeitos Térmicos Referências ..................................................................................................... 44 ....................................... 39 ........................................................ 40 .......................................................................................................... 42 ............................................................................ 45 2. Dimensionamento de Parafusos e Conectores 2.1 Corte Simples em 1 (Um) Parafuso .................................................. 50 2.2 Corte Simples em n (Vários) Parafusos 2.3 Corte Duplo em 1 (Um) Parafuso 4. Projeto de Eixos Referências ........................................... 50 ...................................................... 52 2.4 Corte Duplo em n (Vários) Parafusos 3. Elementos Sujeitos à Torção .................................... 50 ............................................... 53 ..................................................................... 54 ............................................................................................. 57 ..................................................................................................... 61 Tensões Normais em Vigas sob Flexão Reta Para início de conversa... ................................................................................. 63 Objetivos ..................................................................................................... 63 1. Comportamento de Vigas na Flexão Reta ............................................ 64 2. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Simples ou Reta ............................................................................................. 65 Resistência dos Materiais 3 3. Tensões Normais em Vigas sob Flexã Composta Reta .............................................................................................. 72 Referências .......................................................................................................... 79 Tensões Normais em Vigas sob Flexão Composta 2. Centroide de Área e Momento de Inércia ............................................. 96 3. Tensões Normais em Vigas Sob Flexão em Seções Compostas ................................................................................. 101 Referências .......................................................................................................... 105 Para início de conversa... ................................................................................. 81 Flambagem de Colunas Objetivos Para início de conversa... ................................................................................. 107 ..................................................................................................... 81 1. Comportamento de Vigas na Flexão Oblíqua ...................................... 82 2. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Oblíqua ................................. 84 Objetivos ..................................................................................................... 107 1. Carga Crítica de Flambagem ..................................................................... 108 3. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Composta Oblíqua ......................................................................................... 87 2. Efeitos das Condições de Contorno Referências Referências .......................................................................................................... 91 ......................................................... 110 3. Curva de Flambagem de Elementos Metálicos ................................... 111 ..................................................................................................... 119 Tensões Normais em Vigas de Seções Compostas sob Flexão Deflexão de Vigas Para início de conversa... ................................................................................. 93 Objetivos Objetivos ..................................................................................................... 93 1. Introdução ao Estudo de Deflexão em Vigas ....................................... 122 1. Comportamento de Vigas sob Flexão em Seções Compostas ......................................................................................... 94 2. Formulação Via Equação da Linha Elástica .......................................... 127 Resistência dos Materiais Para início de conversa... ................................................................................. 121 Referências ..................................................................................................... 121 .......................................................................................................... 137 4 Objetivos Gerais ▪ Projetar vigas e pilares através do método das tensões admissíveis. ▪ Aplicar os conceitos básicos de elasticidade na análise do comportamento estrutural de elementos retilíneos. ▪ Otimizar seções transversais em função da distribuição de tensões e dos deslocamentos nos elementos estruturais. Resistência dos Materiais 5 Resistência dos Materiais Comportamento Mecânico dos Materiais Para início de conversa... Objetivos Para melhor compreender um material que queremos utilizar, precisamos estudar e entender suas características. O estudo de um material pode ser dividido em analisar suas propriedades físicas, químicas e mecânicas em diferentes escalas. Neste capítulo, nos limitaremos a entender as propriedades mecânicas dos materiais. ▪ Compreender os conceitos básicos e as classificações relacionadas às propriedades dos materiais. ▪ Definir o que é tensão e deformação de um material. ▪ Analisar e comparar o comportamento mecânico e classificar os materiais segundo sua curva tensão-deformação. ▪ Escolher o material que apresenta as melhores características para cada utilização na engenharia. O estudo das propriedades mecânicas dos materiais está diretamente ligado à análise da resistência mecânica, tensão e deformação do material, dentre outros pontos que podem ser verificados. O comportamento mecânico de um material pode ser descrito por dois ensaios mecânicos específicos: ensaios de tração e ensaio de compressão. Em ambos os ensaios é possível traçar o gráfico tensão x deformação, que mostra a curva que descreve a trajetória de tensão e deformação do material durante o ensaio. Com isso, podemos classificar o material estudado e conhecer melhor seu comportamento, a fim de, futuramente, utilizá-lo no campo da engenharia. Resistência dos Materiais 7 1. Comportamento Elástico e Inelástico dos Materiais Um engenheiro, atuando dentro de sua área em uma empresa, por exemplo, trabalhar a todo tempo com diversos materiais necessários para colocar em prática o que foi consolidado. No momento de escolher que tipo de material utilizar para projetar uma laje, um equipamento mecânico, um componente material ou qualquer outro elemento dentro de sua área específica, é necessário que ele conheça como é o comportamento dos materiais que estão disponíveis, para que, assim, possa realizar a melhor escolha, ou seja, aquela que apresenta as características compatíveis com o que o projeto exige e que oferece o melhor custo-benefício. Analisando as propriedades mecânicas, podemos verificar a capacidade resistente do material e estabelecer sua utilização dentro dos limites aceitáveis de deformação. Elas podem ser estabelecidas por meio de ensaios em laboratório programados, que reproduzem as condições em que o material pode ser submetido durante sua utilização. É importante destacar que os fatores que envolvem um ensaio devem ser minuciosamente considerados: a origem do carregamento aplicado, a duração de aplicação, as condições que representam o meio como a temperatura ambiente e a umidade. A carga pode ser aplicada Resistência dos Materiais comprimindo (ensaio de compressão), tracionando (ensaio de tração), flexionando (ensaio de flexão), cortando (ensaio de cisalhamento) ou torcendo (ensaio de torção) o corpo de prova (elemento que está sendo ensaiado), de forma constante ou variando ao longo do tempo. F F F F tração compressão F F F cisalhamento F torção flexão Figura 1: Tipos de tensões que podem atuar em uma estrutura. Fonte: Elaborado pela autora. O comportamento mecânico de um material vai mostrar a relação entre sua resposta a partir de um carregamento que está sendo aplicado. Quando um corpo sólido é submetido a forças que tendem a alongálo, diminuí-lo ou cortá-lo, sua forma original é alterada. Após cessar a 8 DEFORMAÇÃO ELÁSTICA DEFORMAÇÃO PLÁSTICA Pertencente à região elástica. Pertence à região plástica. Retorna ao estado inicial, quando a tensão é removida. Não retorna à posição inicial após cessar o carregamento, mantendo uma deformação permanente no material. Obedece à Lei de Hooke, sendo proporcional à tensão aplicada. Não mantém proporcionalidade com a tensão aplicada. Quadro 1: Deformação elástica x Deformação plástica. Fonte: Elaborado pela autora. Resistência dos Materiais tensão O comportamento elástico pode ser definido como a capacidade do material de retornar à sua forma original, após cessada a aplicação do carregamento que está atuando sobre ele; a deformação imposta ao material é uma deformação elástica limitada somente à região elástica do material. Já no comportamento plástico, o material recupera somente parte da deformação à qual foi submetido, não retornando à sua forma original após cessar o carregamento aplicado, mantendo, então, uma deformação conhecida como deformação plástica. Na Figura 2, você pode observar a representação da deformação elástica e plástica de materiais distintos. tensão aplicação da carga, esse corpo pode retornar à sua forma original ou não, ficando com um resíduo de deformação. Conhecendo o tipo de deformação e a intensidade que se dá no material, podemos dizer que ele mantém um comportamento elástico ou um comportamento inelástico, também conhecido como plástico. Deformação Deformação (a) Deformação elástica (b) Deformação plástica Figura 2: Deformação elástica e plástica de materiais distintos. Fonte: Elaborado pela autora. Podemos associar esses dois tipos de comportamento à movimentação da estrutura cristalina do material. Um material que possui uma estrutura cristalina – por exemplo, um metal – contém átomos que vibram em torno de uma posição de equilíbrio, em virtude de o seu núcleo ser atraído e repelido, ao mesmo tempo, pelos átomos vizinhos. Com isso, os átomos tendem a se deslocar dessa posição, e esse deslocamento pode envolver a quebra de ligações atômicas. Quando a oscilação em torno da posição de equilíbrio se mantém, sem que ocorra quebra de ligações atômicas, temos apenas uma deformação elástica do material, que retorna à sua posição original. Já na deformação plástica, ocorre a quebra 9 dessas ligações e a formação do que chamamos de defeitos cristalinos, que não deixam o material recuperar sua forma original (CIMM). Assim, em um mesmo material, podemos manter os dois tipos de comportamento. A passagem do comportamento elástico para o plástico vai depender de o material atingir sua tensão limite, também conhecida como tensão de escoamento, que delimita a região elástica da região plástica de uma curva tensão-deformação. Vamos, agora, considerar uma barra carregada, axialmente, em suas extremidades, por uma força N, gerando uma tração na barra que produz um aumento do seu comprimento inicial. N A 2. Tensão e Deformação – Conceitos Básicos É possível definir a resistência dos materiais como o ramo da mecânica em que são estudadas as relações entre os carregamentos externos aplicados em um corpo, que pode se deformar, e a intensidade das forças internas que reagem dentro do corpo (HIBBELER, 2010). Para tratarmos sobre tensão e deformação, é preciso, primeiramente, definilos e conhecer melhor sobre a estabilidade de um corpo sujeito a carregamentos externos. Todo corpo, ao ser carregado externamente por forças (ativas ou reativas), sejam elas concentradas ou distribuídas, desenvolve, internamente, um campo formado por tensões e deformações. As tensões podem ser normais ou cisalhantes. Resistência dos Materiais Figura 3: Força normal aplicada. Fonte: Adaptado de Beer (2008). Se realizarmos um corte transversal na barra e separarmos uma de suas partes, podemos verificar a atuação de esforços internos que já existiam na barra que, com essa separação, transformam-se em esforços externos para manter o equilíbrio do corpo e são equivalentes à intensidade da carga N aplicada. 10 σ Exemplo 1: Uma barra circular de diâmetro d = 12 cm é solicitada por uma força axial de compressão N = - 500 kN, conforme é mostrado na Figura 5. Qual a tensão média atuante na barra? Figura 4: Tensão normal média. Fonte: Adaptado de Beer (2008). Quando as forças externas que surgem são distribuídas uniformemente e atuam perpendicularmente à seção transversal do corpo, são denominadas tensão normal. N N d Vista lateral Seção Figura 5: Barra comprimida. Fonte: Do autor. Sendo: σ: Sigma, tensão normal média; N: Força normal (também chamada de axial ou longitudinal); A: Área normal, perpendicular à força normal. A tensão normal pode ser positiva (+), causada por força normal de tração, ou negativa (-), causada por força normal de compressão. A unidade é expressa por Pascal [Pa], ou seja, Newton [N] dividido por metro ao quadrado [m²]: Resistência dos Materiais Determinando a tensão normal média, temos: -44209706,41 -44,21MPa Agora, vamos considerar uma barra carregada, transversalmente, em suas extremidades, por uma força V, gerando um corte na barra, que pode produzir uma distorção da seção transversal. 11 V A Figura 6: Força cortante aplicada. Fonte: Adaptado de Beer (2008). Dessa forma, surge uma tensão denominada tensão cisalhante. τ A tensão cisalhante não tem sinal, ou seja, não há diferença entre sentidos de corte, diferentemente da tensão normal, que diferencia tração (+) de compressão (-). A unidade é expressa por Pascal [Pa], ou seja, Newton [N] dividido por metro ao quadrado [m²]: Exemplo 2: Uma barra de seção transversal retangular 10 cm x 18 cm é carregada por uma força inclinada N = 90 kN , conforme nos mostra a Figura 8. Determine a tensão normal média e a tensão cisalhante média. N b 60º Figura 7: Tensão média cisalhante. Fonte: Adaptado de Beer (2008). Quando as forças externas atuam paralelamente à seção transversal, tendendo a cortá-la, surge o que chamamos de tensão cisalhante. Sendo: τ: Tau, tensão cisalhante média; V: Força cisalhante (também chamada de cortante ou de corte); A: Área de corte, no plano da força cisalhante. Resistência dos Materiais Vista Lateral h Seção Transversal Figura 8: Barra retangular com força inclinada. Fonte: Do autor. Tensão normal média: 3 90000 ⋅ N ° 90000sen 60 2 ( ) N = 4.330.127 = σ= = A A 0,10m ⋅ 0,18m N = 4,33MPa m2 12 Tensão cisalhante média: 1 90000 ⋅ N ° V 90000 ⋅ cos ( 60 ) 2 = 2.500.000 τ= = = A A 0,10m ⋅ 0,18m N = 2,50 MPa m2 Observação: Na calculadora, deve-se optar por resolver os cálculos de uma só vez, pois fazer por partes, geralmente, propaga erros significativos na resposta. Tensão normal e tensão cisalhante são tensões distintas, ou seja, de naturezas diferentes quanto à orientação da força. A tensão normal advém de força “perpendicular” ao plano, enquanto a tensão cisalhante advém de força “no” plano. A tensão normal atua no sentido longitudinal do corpo, enquanto a tensão cisalhante atua no sentido transversal. Para cada um desses tipos de tensão, surge uma deformação correspondente: deformação normal e deformação cisalhante. Assim, podemos definir tensão como a relação entre um carregamento aplicado, que pode ser na direção axial ou transversal a uma barra, por exemplo, e a seção transversal da mesma. Resistência dos Materiais A deformação está associada a qualquer mudança que ocorra na configuração geométrica de um corpo, variando suas dimensões a partir da aplicação de um carregamento sobre ele. 3. Curva Tensão-Deformação A relação entre a tensão e a deformação de um material pode ser encontrada por meio da realização de um ensaio de tração. Durante a realização do ensaio, são medidos os alongamentos da barra ensaiada a partir de acréscimos da carga axial aplicada à barra, até o corpo de prova (amostras que representam o material) atingir a ruptura. Esses dados são lidos por meio de um computador anexado à máquina de testes e, com eles, é possível estabelecer a curva tensão-deformação do material. A Figura 9 nos mostra como é a configuração da curva tensãodeformação para diferentes tipos de aço ensaiados. Embora todos os materiais sejam aço e tenham o mesmo módulo de elasticidade (parte linear da curva se sobrepõe), o aço temperado, por exemplo, alcança uma tensão máxima bem mais elevada que os outros três tipos de aço representados. Em contrapartida, o aço puro, embora não atinja altos níveis de tensão, se deforma muito antes de romper que todos os outros aços do gráfico. Assim, cada um deles deverá ser escolhido para ser utilizado em determinada situação, conforme a melhor adequação às 13 necessidades do projeto. Não podemos dizer que o aço puro é melhor que o aço temperado, ou vice-versa, pois cada um atuará melhor em uma situação. Ꝺ ɛ Aço temperado Aço com alto teor de carbono capacidade de se deformar e acabam rompendo facilmente, sem aviso prévio; nesse caso, a região plástica praticamente não existe e a ruptura se dá ainda na fase elástica ou logo depois do fim dela. Já os materiais dúcteis são aqueles que admitem maiores deformações antes de romper, e suas regiões elástica e plástica são muito bem-definidas. Há, ainda, sub-regiões, que permitem acompanhar o desenvolvimento do ensaio e saber se o corpo de prova atingiu sua tensão máxima e se está próximo da sua ruptura. Na Figura 10, são apresentadas as curvas tensão x deformação para um material frágil e um material dúctil. Aço com baixo teor de carbono Aço puro r Limite de Proporcionalidade Durante um ensaio, podemos encontrar dois tipos distintos de curvas: as curvas para materiais frágeis e as curvas para materiais dúcteis. Os materiais frágeis são definidos como aqueles que possuem pouca Resistência dos Materiais Ruptura e r (a) Material frágil Figura 9: Gráfico representando a curva tensão x deformação de diferentes tipos de aço. Fonte: Adaptado de Beer (2008). r Ruptura (b) Material dúctil Figura 10: Curvas tensão-deformação. Fonte: Elaborado pela autora. Para um material dúctil, é possível identificar em sua curva tensãodeformação os principais pontos que separam as regiões elástica e plástica e que mudam o sentido da curva, informando em que estágio do ensaio o corpo de prova se encontra. 14 3.1 Principais Pontos Associados à Curva Tensão-Deformação Veja, agora, os principais pontos associados à Curva Tensão-Deformação. r rup E Limite de resistência Limite de proporcionalidade Tensão de ruptura Limite de elasticidade Limite de escoamento lp Módulo de Elasticidade O módulo de elasticidade, também conhecido como módulo de Young, é a razão entre a tensão aplicada e a deformação resultante na região elástica e está diretamente relacionado à rigidez do material. É regido pela fórmula da Lei de Hooke, em que: Região elástica Escoamento Comportamento elástico Endurecimento por deformação Estricção Comportamento plástico Sendo: σ = Tensão; ε = Deformação; E = Módulo de elasticidade; =E.ε Figura 11: Curva tensão x deformação de um material dúctil. Fonte: Elaborado pela autora. Sendo: σr = Tensão resistente ou tensão máxima; σrup = Tensão de ruptura; σE = Tensão de escoamento; σlp = Tensão do limite plástico. E ε Figura 12: Módulo de elasticidade ou Módulo de Young. Fonte: Elaborado pela autora. Resistência dos Materiais 15 Na Tabela 1, são apresentados alguns valores do módulo de elasticidade de ligas metálicas muito utilizadas como materiais nos diversos campos da engenharia. linear, como o concreto, ferro fundido e diversos polímeros. Na Figura 13, podemos verificar como fica a sua curva. Propriedades de Ligas Metálicas 2 Ligas Metálicas Módulo de Elasticidade (GPa) Módulo de Cisalhamento (GPa) Coeficiente de Poison Aço 207 93 0,30 Alumínio 69 25 0,33 Cobre 110 46 0,34 Latão 97 37 0,34 Magnésio 45 19 0,29 Níquel 207 76 0,31 Titânio 107 45 0,34 Tungstênio 407 160 0,28 Tabela 1: Módulo de elasticidade, módulo de cisalhamento e coeficiente de Poison de ligas metálicas. Fonte: Elaborado pela autora. Pode ser, ainda, que o material estudado não apresente um comportamento linear na sua região elástica. Esse tipo de material mantém um comportamento que chamamos de comportamento não Resistência dos Materiais ∆σ ∆ε Módulo Tangente 1 ∆σ ∆ε Módulo Tangente ε Figura 13: Comportamento não linear de um material. Fonte: Elaborado pela autora. Escoamento É caracterizado por compor parte da região plástica de um material dúctil, em que ocorre um grande alongamento e aumento de carregamento. A tensão de escoamento vai corresponder à tensão máxima que acontece durante a fase de escoamento. Quando não for possível observar o escoamento do material de forma clara, a tensão de escoamento irá corresponder à tensão necessária, a fim de promover uma deformação permanente igual a 0,2% ou outro valor que possa ser especificado. 16 Limite de Escoamento Estricção L α 0 0.002 0.004 0.005 0.008 0.010 Deformação, ε (mm/mm) Figura 14: Limite de escoamento. Fonte: Elaborado pela autora. Endurecimento por deformação Também conhecido como encruamento, consiste no aumento da rigidez do material, por meio do rearranjo da estrutura cristalina do material. Estricção É a fase final da curva tensão-deformação e consiste na redução da seção ou área transversal do corpo de prova durante o ensaio de tração. Resistência dos Materiais Figura 15: Fase de estricção do corpo de prova. Fonte: Adaptado de Beer (2008). Tensão máxima É o máximo valor de carga tensão suportado pelo corpo de prova durante o ensaio de tração. É o ponto mais alto atingido no gráfico. Tensão de ruptura Tensão com a qual o corpo de prova rompe após passar pelo processo de estricção da seção. 17 3.2 Principais Propriedades dos Materiais Associadas à Curva Tensão-deformação Agora, você conhecerá as principais propriedades dos materiais associados à curva tensão-deformação. Resistência à tração Relaciona a carga máxima de tração aplicada com a área da seção transversal do corpo de prova. Fluência Pode ser definida como a deformação plástica de um material submetido a uma tensão constante por um longo período de tempo, sendo essa tensão inferior ao limite de resistência do material. Está diretamente relacionada à temperatura, aumentando o efeito da fluência com o aumento da temperatura, e vice-versa. Resistência à fadiga Fadiga é a tendência que um material pode apresentar à ruptura quando é submetido a carregamentos cíclicos contínuos, mesmo estes sendo inferiores à tensão de ruptura. O material pode romper sob tensões menores àquelas obtidas pelos ensaios estáticos. Resistência dos Materiais Dureza É uma das propriedades mecânicas de um material que permite a ele resistir à deformação plástica localizada, normalmente por penetração. A palavra “dureza” também pode ser associada à resistência à flexão, risco, abrasão ou corte. Elasticidade É a capacidade que o material possui em retornar à sua forma inicial após cessada a aplicação da carga durante um ensaio, sem apresentar qualquer deformação residual. Plasticidade Está associada ao tipo de formação em que o material não retorna à sua forma inicial após cessar o carregamento, pois a tensão aplicada excedeu a tensão de escoamento do material, fazendo com que ocorresse uma mudança na sua estrutura cristalina, gerando uma deformação residual permanente. Ductilidade Está relacionada à capacidade de deformação de um material até atingir a sua ruptura, quando é solicitado por tensões muito elevadas. 18 Resiliência Representa a capacidade de um material em absorver energia quando é deformado elasticamente (regime elástico), por meio da aplicação de uma carga e, posteriormente, quando é descarregado, recuperar essa energia. Exemplo 3: E Ductilidade Figura 16: Representação da ductilidade. Fonte: Elaborado pela autora. Dada a Figura 17, contendo as curvas 1, 2 e 3 correspondendo a três materiais diferentes, marque verdadeiro (V) ou falso (F) de acordo com as afirmativas abaixo e, em seguida, relacione com a resposta correta e corrija as opções falsas: Fragilidade Está relacionada à fratura que pode ocorrer no material, sem aviso prévio, sob tensões baixas e quase nenhuma ou nenhuma deformação plástica do material. 3 2 Tenacidade Representa a habilidade que um determinado material pode ter em absorver energia até a sua ruptura. É dada pela área abaixo da curva tensão-deformação até o ponto de ruptura do material. 1 Figura 17: Curvas tensão-deformação de três materiais distintos. Fonte: Elaborado pela autora. Resistência dos Materiais 19 a. Os três materiais têm módulos de elasticidade idênticos. ( V ) b. Os três materiais apresentam módulos de resiliência idênticos. ( F ) c. O material 3 apresenta maior limite de escoamento do que 1 ou 2. ( V ) d. O material 3 apresenta maior limite de resistência do que 1 ou 2. ( V ) e. O material 1 apresenta maior alongamento uniforme do que 2. ( F ) f. O material 1 apresenta maior alongamento total (ductilidade) do que 2. ( V ) g. O material 2 tem, provavelmente, maior tenacidade do que 3. ( V ) h. O material 2 apresenta maior expoente de encruamento do que 1. ( V ) i. O material 3 é, provavelmente, mais duro do que 1. ( V ) j. Os três materiais (1, 2 e 3) são, provavelmente, materiais cerâmicos. ( F ) Justificativa das questões falsas: b) A resiliência está associada à energia que o material absorve na região elástica. Seria a área abaixo da curva tensão-deformação do ponto inicial do ensaio até o ponto de escoamento. Para as curvas 1 e 2, a região é a mesma, mas, para a curva 3, a área sob o gráfico é maior. não possuem deformação elástica ou a possuem em quantidade muito pequena, pois rompem logo após deixar a região elástica ou ainda quando estão nela. Não é o caso dos três materiais estudados, pois estes possuem região elástica e plástica bem-definidas, mantendo o comportamento característico de um material dúctil. 4. Ensaio de Tração e Compressão Podemos determinar as propriedades de um material por meio de ensaios mecânicos, utilizando corpos de prova, pois não é conveniente e econômico utilizar a própria peça estrutural para realizar o ensaio, o que seria ideal. Os ensaios mecânicos são regidos por normas técnicas, nas quais são descritas toda a metodologia utilizada e a preparação da amostra e dos equipamentos que serão necessários para a realização do mesmo. Há diferentes tipos de normas relacionadas para cada ensaio que se queira realizar e de acordo com o material estudado. e) O alongamento uniforme está relacionado à deformação na região elástica e, para os dois materiais, a deformação elástica é igual. j) Os materiais cerâmicos são materiais frágeis e, na maioria dos casos, Resistência dos Materiais 20 4.1 Ensaio de Tração O ensaio de tração consiste em submeter um corpo de prova de dimensões padronizadas a uma força de tração que cresce gradativamente e é imposta por uma máquina de ensaio. A cada incremento de força, é anotada a respectiva deformação imposta na peça, que também aumenta progressivamente de comprimento. (a) NBR 5739 (b) NBR 6152 Na Figura 19, são demonstrados a máquina de ensaio e o corpo de prova utilizado no ensaio de tração. O equipamento contém uma célula de carga responsável por aplicar a força de tração na amostra, um travessão fixo e travessão móvel, que servirá para incrementar a deformação e um computador de leitura de resultados para realizar o acompanhamento do ensaio e obter a curva tensão-deformação do material. Figura 18: Algumas das normas utilizadas para ensaios de compressão e tração em materiais. Fonte: ABNT. Há algumas formas de uma carga ser aplicada: tracionando o objeto, comprimindo ou cisalhando (cortando na direção transversal), por exemplo. Podemos verificar o comportamento mecânico do material submetendo uma amostra a um ensaio mecânico, de forma a obter os resultados de tensão e deformação correspondentes e elaborar sua curva tensão-deformação. P Força P Área (a) Máquina de ensaio lo so P (b) Corpo de prova Figura 19: Equipamento e amostra utilizada para ensaio de tração. Fonte: Elaborado pela autora. Resistência dos Materiais 21 F 4.2 Ensaio de Compressão O ensaio de compressão consiste em submeter um corpo de prova de dimensões padronizadas a uma força de compressão que cresce gradativamente e é imposta por uma máquina de ensaio. A cada incremento de força, é anotada a respectiva deformação imposta na peça, que também aumenta progressivamente de comprimento. Na Figura 20, são demonstrados a máquina de ensaio e o corpo de prova utilizado no ensaio de compressão. É importante destacar que o mesmo equipamento que realiza o ensaio de tração também pode realizar o ensaio de compressão; a única diferença será na aplicação da força normal, sendo compressiva ou trativa, dependendo da situação em que se queira avaliar. Esse equipamento também contém uma célula de carga responsável por aplicar a força de tração na amostra, um travessão fixo e travessão móvel, que servirá para incrementar a deformação, e um computador de leitura de resultados, para realizar o acompanhamento do ensaio e obter a curva tensão-deformação do material. Força P Área (a) Máquina de ensaio Corpo de prova (b) Corpo de prova Figura 20: Equipamento e amostra utilizada para ensaio compressão. Fonte: Elaborado pela autora. O ensaio de compressão é o mais indicado para avaliar essas características, principalmente quando se trata de materiais frágeis, como ferro fundido, madeira, pedra e concreto. Neste capítulo, foi possível estudar sobre o comportamento mecânico dos materiais e, com isso, compreender melhor como podemos escolher determinado material para fabricar um equipamento, por exemplo, a partir das suas características. Por meio de diversos ensaios mecânicos, mas, principalmente, utilizando o ensaio de tração, podemos gerar a curva tensão-deformação, que mostra exatamente o comportamento do material durante o ensaio e permite identificar as regiões elástica e plástica e os principais pontos Resistência dos Materiais 22 determinantes na curva, como o limite de escoamento, a tensão máxima que o material pode suportar e a tensão de ruptura. Vimos, também, que, com base na curva, é possível estabelecer propriedades dos materiais de acordo com o seu comportamento: ductilidade, fragilidade, elasticidade, plasticidade, tenacidade, fluência, fadiga, entre outros. Dessa forma, estamos aptos a realizar a melhor escolha, sempre atendendo à necessidade da fabricação ou da utilização em um fim específico, permitindo utilizar o material que melhor se adequa à situação, gerando, assim, melhores resultados. Referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Disponível em: https:// www.abntcatalogo.com.br. Acesso em: 04 dez. 2018. BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7 ed. São Paulo: Pearson, 2010. Resistência dos Materiais 23 Resistência dos Materiais Tensões e Deformações Axiais Para início de conversa... Objetivos É possível definir a resistência dos materiais como um ramo da mecânica no qual são estudadas as relações entre os carregamentos externos aplicados em um corpo, que pode se deformar, e a intensidade das forças internas que reagem dentro dele (HIBBELER, 2010). Para tratarmos sobre tensão e deformação, é preciso, primeiramente, defini-los e conhecer melhor sobre a estabilidade de um corpo sujeito a carregamentos externos. ▪ Identificar a presença de tensão normal em um corpo solicitado por força normal. ▪ Identificar a presença de deformação normal em um corpo solicitado por força normal. ▪ Calcular algumas propriedades que constituem o material em estudo a partir da análise de tensões e deformações, como o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson. ▪ Analisar o efeito de deformações em barras acopladas. Assim como é descrito por Hibbeler (2010), a resistência dos materiais depende da sua capacidade em suportar um carregamento externo sem se deformar excessivamente ou a ponto de romper. A tensão e a deformação estão relacionadas por meio de ensaios experimentais pelo diagrama tensão-deformação e, agora, vamos ver quais fórmulas e considerações utilizamos para estabelecer essa relação. Resistência dos Materiais 25 1. Tensões e Deformações Axiais: Tensões Normais em Função de Esforços Externos Todo corpo, ao ser carregado externamente por forças (ativas ou reativas), sejam elas concentradas ou distribuídas, desenvolve, internamente, um campo formado por tensões e deformações. As tensões podem ser normais ou cisalhantes. Neste capítulo, abordaremos as tensões e deformações normais ou axiais. N σ A 1.1 Tensão Normal Média Tensão normal, por definição, é a divisão da força normal pela área onde é aplicada. Força normal é a força que está atuando, normalmente, na área, ou seja, está perpendicular à área, no sentido longitudinal do corpo. Essa consideração é válida para material homogêneo e isotrópico. A tensão normal é expressa pelo símbolo grego sigma (σ): Figura 1: Tensão normal média. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). A tensão normal pode ser positiva (+), causada por força normal de tração, ou negativa (-), causada por força normal de compressão. A unidade é expressa por Pascal [Pa], ou seja, Newton [N] dividido por metro ao quadrado [m²]: Sendo: σ (sigma): Tensão normal média; N: Força normal (também chamada de axial ou longitudinal); A: Área normal, perpendicular à força normal. Resistência dos Materiais 26 Exemplo 1 Exemplo 2 Aplica-se uma força de tração de N = 350kN em uma barra prismática de seção retangular com b = 15cm e h = 25cm. Determine a tensão normal média σmed: Aplica-se uma força de compressão de N = -470kN em uma barra prismática de seção circular com diâmetro d = 10cm. Determine a tensão normal média σmed: N Vista lateral c N b 3 σmed = N = N = 350.000.N = 350.10 .N 2 = 9.333.333,3 N2 m A b.h 0,15m.0,25m 0,15m.0,25.m = 9.333.333,3Pa = 9.333kPa = 9,33MPa c h Vista lateral Seção Resistência dos Materiais N d Seção 3 σmed = N = N 2 = -470.000.N2 = -470.10 .N 2 = -59.842.258,6 N2 m A π.r π.(0,05m) 0,007854.m = -59.842.258,6Pa = -59.842kPa = -59,8MPa 27 Exemplo 3 Exemplo 4 Aplica-se uma força de compressão de N = -235kN em uma barra prismática de seção retangular vazada, com as seguintes medidas: bi = 5cm, be = 8cm, hi = 10cm e he = 18cm. Determine a tensão normal média σmed: Aplica-se uma força de tração de N = +390kN em uma barra prismática de seção T (tê) com as seguintes medidas: b = 15cm, h = 25cm, e₁ = 5cm e e₂ = 3cm. Determine a tensão normal média σmed: bi N Vista lateral c N N b c e2 h hi he be Vista lateral e1 Seção Seção N = N -235.000.N = σmed = N = A Aext - Aint be.he - bi.hi (0,08.0,18 - 0,05.0,10).m2 3 N = -235.10 .N = -25.000.00 2 m 0,0094.m2 = -25.000.000Pa = -25.000kPa = -25,0MPa Resistência dos Materiais N 390.000.N = σmed = N = A b.e2 + (h - e2).e1 0,15.0,03+(0,25 - 0,03).0,05].m2 3 N = 390.10 .N = 25.161.290,3 2 m 0,0155.m2 = 25.161.290,3Pa = 25.161kPa = 25,2MPa 28 Exemplo 5 Exemplo 7 Aplica-se uma força de compressão de N = -170kN em uma barra prismática de triangular reta com b = 12cm e h = 22cm. Determine a tensão normal média σmed: Aplica-se uma força de tração de N = +785kN em uma barra prismática de seção circular vazada, com as seguintes medidas: de = 18cm e di = 12cm. Determine a tensão normal média σmed: N N Vista lateral h c b σmed = N = -12,9MPa A N N Vista lateral Seção c di de σmed = N = 55,5MPa A Seção Exemplo 8 Exemplo 6 Aplica-se uma força de tração de N = +680kN em uma barra prismática de seção quadrada com aresta a = 21cm. Determine a tensão normal média σmed: Aplica-se uma força de compressão de N=+140kN em uma barra prismática de seção cantoneira (L) com as seguintes medidas: b = 13cm, h = 25cm e e = 3cm. Determine a tensão normal média σmed: e N Vista lateral c a Seção Resistência dos Materiais σmed = N = +15,4MPa A N Vista lateral c h e σmed = N = -13,3MPa A b Seção 29 1.2 Deformação Normal Média Deformação normal, por definição, é a divisão da variação de comprimento pelo comprimento inicial. É a variação de comprimento no sentido do comprimento inicial, ou seja, no sentido longitudinal (axial). A deformação normal pode ser positiva (+), causada por aumento de comprimento (alongamento), ou negativa (-), causada por encurtamento do comprimento (contração). A unidade é expressa como unidade adimensional (1) e pode ser considerada, também, como m/m, dividindose a variação de comprimento (m) pelo comprimento inicial (m): A deformação normal é expressa pelo símbolo grego épsilon (ε): Vejamos, a seguir, outros formatos de dimensão de deformação: Sendo: ε: Epsílon, deformação normal média; ΔL: Variação de comprimento; L₀: Comprimento inicial; Lf : Comprimento final. Exemplo 9 A uma barra prismática com comprimento inicial de 3,56m, aplica-se uma força normal trativa que aumenta seu comprimento para 3,62m. Determine a deformação normal média εmed: L0 N L0 N Vista lateral inicial εmed = L LF Vista lateral inicial LF L = L L0 = 0,06m 3,56m LF - L0 3,62m - 3,56m = 3,56m L0 = 0,0168 m = 0,0168 m ou 0,0168 m = 1,68 cm = 16,8 mm m m m Vista lateral final Figura 2: Deformação normal média. Fonte: Elaborado pela autora. Resistência dos Materiais Vista lateral final ou 0,0168 = 1,68 = 1,68% 100 ou 0,0168 = 16,8 = 16,8% 1000 30 Exemplo 10 L0 A uma barra prismática com comprimento inicial de 12,34m, aplicase uma força normal compressiva que diminui seu comprimento para 12,26m. Determine a deformação normal média ɛmed: N Vista lateral inicial LF Vista lateral inicial LF L0 = LF - L0 12,26m - 12,34m = 12,34m L0 - 0,08m 12,34m = - 0,00648 m = - 0,00648 m εmed = = L L0 L ou - 0,00648 m = - 0,648 cm = -6,48 mm m m m ou - 0,00648 = 0,648 = - 0,648% 100 εmed = N L L0 = LF - L0 L0 εmed .L0 = LF - L0 L εmed .L0 + L0 = LF L0 ( εmed + 1) = LF LF = L0 ( εmed + 1) = 6,21m(0,0305 +1) = 6,40m Vista lateral final Obs εmed = 3,05% = 3,05 = 0,0305 = 0,0305 m m 100 Exemplo 11 2. Propriedades Relacionadas à Tensão e Deformação e Problemas Estaticamente Indeterminados A uma barra prismática com comprimento inicial de 6,21m, aplica-se uma deformação positiva média de ɛmed=3,05%. Determine o comprimento final LF: No estudo das tensões e deformações dos materiais, surgem propriedades que estão diretamente ligadas a esses conceitos. A seguir, veremos dois deles: o módulo de elasticidade E e o coeficiente de Poisson ν. Vista lateral final ou - 0,00648 = 6,48 = - 6,48% 1000 Resistência dos Materiais 31 2.1 Módulo de Elasticidade E Exemplo 12 Também conhecido como módulo de Young (Thomas Young – 17731829), é a proporcionalidade entre as tensões e as deformações na região elástica. Essa relação obedece à Lei de Hooke, que assemelha a elasticidade dos materiais à rigidez das molas (F = k.x). Inicialmente, uma barra de seção circular tem um comprimento L0 = 155cm e diâmetro d = 3cm. A mesma é submetida a uma força trativa N = 180kN, aumentando seu comprimento para LF = 160cm. Determine o módulo de elasticidade E desse material: L0 N c Vista lateral inicial d Seção LF N E = tan α Vista lateral final σ = ε 3 L E = σ = N/A = N . L0 = N . 0 = 180.10 N . 1,55m ε L/L0 A L A (L - L ) π.(0,015m)2 (1,60 - 1,55)m f 0 = 7.894.085.177 N m2 Figura 3: Esquema para cálculo do módulo de Elasticidade E. Fonte: Elaborado pela autora. Ν σΕ = σ = Α = Ν - L0 ε ΔL L0 Α ΔL Resistência dos Materiais unidade: Pa = N 1 m2 obs.: Ε ≠ ε = 7.894.085.177Pa = 7.89GPa Não confundir módulo de elasticidade com deformação! 32 Exemplo 13 Inicialmente, uma barra de seção triangular tem um comprimento L0 = 856mm, base b = 5cm e altura h = 12cm. A mesma é submetida a uma força compressiva N = -360kN, diminuindo seu comprimento para LF = 852mm. Determine o módulo de elasticidade E desse material: O cientista Francês S. D. Poisson foi quem percebeu essa proporção, no início do século XIX. O símbolo utilizado é o ν = Nu (grego). L0 N Vista lateral inicial L0 N Vista lateral inicial c h N Vista lateral final Vista lateral final 3 L 0,856m E = σ = N/A = N . L0 = N . 0 = -360.10 N . ε L/L0 A L A (Lf - L0) 0,05m.0,12m (0,852 - 0,856)m 2 N =25.680.000.000 2 m = 25.680.000.000Pa = 25,7GPa 2.2 Coeficiente de Poisson ν É a proporcionalidade entre a deformação lateral e a deformação axial em um corpo, quando solicitada a força normal N, em sua fase elástica. df Seção final Variabilidade: - teórica: 0 < ν ≤ 0,50 - na natureza: 0,25 < ν < 0,35 N N Resistência dos Materiais c b Seção LF d0 Seção inicial LF N c Fórmula: ε ∆d σν = - lateral = - d0 = - ∆d . L0 = - df - d0 . L0 ε ∆L L d0 ∆L d0 Lf - L0 0 1 σunidade: 1 = 1 (adimensional) 33 Exemplo 14 Exemplo 15 Inicialmente, uma barra de seção circular tem um comprimento L₀ = 115cm e diagonal d₀ = 2,0cm. A mesma é submetida a uma força de tração, aumentando seu comprimento para LF = 120cm e diminuindo seu diâmetro para dF = 1,97cm. Determine o coeficiente de Poisson ν desse material: Inicialmente, uma barra de seção retangular tem um comprimento L₀ = 450cm e altura h₀ = 15cm. A mesma é submetida a uma força de compressão, diminuindo seu comprimento para LF = 443cm e aumentando sua altura para hF = 15,1cm. Determine o coeficiente de Poisson ν desse material: L0 N c N d0 Seção inicial Vista lateral inicial N N Vista lateral final - ) ν = – lateral = – d/d0 = – d . L0 = – (df d0 . L0 ε L/L0 d0 L d0 (Lf - L0) ε 1,15m = 0,345 = – (0,0197 - 0,0200)m . (1,20 - 1,15)m 0,0200m Resistência dos Materiais c N h0 bf df N Seção final c Seção inicial Vista lateral inicial LF LF N b0 L0 Vista lateral final ε -h) ν = – lateral = – h/h0 = – h . L0 = – (hf 0 . L0 ε L/L0 h0 L h0 (Lf - L0) c hf Seção final 4,50m = 0,429 = – (0,151 - 0,150)m . (4,43 - 4,50)m 0,15m 34 Exemplo 16 Exemplo 18 Uma barra quadrada com 550mm de comprimento e 18mm de aresta é submetida a uma força axial de 13kN. Assim, a barra aumenta seu comprimento em 350mm e diminui a aresta em 3mm. Determine o módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson desse material. Inicialmente, uma barra de seção triangular tem comprimento L₀ = 5,35m, altura h₀ = 20cm e base b₀ = 10cm. A mesma é solicitada por uma força de tração N = 720kN, aumentando seu comprimento para LF = 5,40m e diminuindo a altura para hF = 19,95cm. Determine: σΕ = σ = N A = N . L = 13.10 N 2 . 0,550m = 63,0GPa ε ∆L L A ∆L (0,018m) 350.10-6m 3 ε ∆d . L = - -3.10 m . 0,550m = 0,262 σν = - lat = - d = - ∆d ∆L d 0,018m 350.10-6m ε ∆L L -6 Exemplo 17 a. O módulo de elasticidade E do material. b. O coeficiente de Poisson ν do material. c. A medida final da base b desta barra. a) σΕ = σ = ε ε Em uma barra de alumínio com 5/8” de diâmetro, são colocadas duas marcações, afastadas entre si por 260mm. A mesma é ensaiada por uma força axial de 10kN, aumentando o afastamento das marcas para 260,17mm. Determine o módulo de elasticidade do alumínio. σd = 58 . 25,4mm = 15,875mm = 0,0159m σΕ = σ = N A = N . ∆L = π 10.10 N 2 . 260mm =77,0GPa ε ∆L L A L 4 (0.0159m) 0,17m 3 Resistência dos Materiais 3 N A N L0 =7,70GPa = . = 720.10 N . 5,35m ∆L L0 A ∆L 0,20m.0,10m (5,40 - 5,35)m 2 b) σν = - lat = - ε ε c) σν = - lat = - ε ∆h h0 = 0,2675 = - ∆h . L0 = - (19,95 - 20)cm . 5,35m ∆L L0 h0 ∆L 20cm (5,40 - 5,35)m ∆b b0 = - ∆b . L0 ∆L L0 b0 ∆L ∆b = -ν . b0 . ∆L L0 bf = b0 -ν. b0 . ∆L L0 bf = b0 -ν. b0 . ∆L = 0,10 - 0,2675 . 0,10m.(5,40m - 5,35m) = 0,09975m = 9,97cm L0 5,35m Exemplo 19 Um fio com 55m de comprimento está submetido a uma força de tração de 5500N. Sabendo que o fio é feito em aço (Eaço = 210GPa) e que seu comprimento pode aumentar no máximo 45mm, determine: 35 a. A tensão normal no fio. b. O menor diâmetro que pode ser adotado para o fio. a) σΕ = σ ∴σ = E ε = E . ∆L ∴ σ = 210.109 N2 . 0,045m = 171.8MPa 55m L m ε Ν ∴ π d2 = Ν ∴ d2= 4 . Ν ∴ d = 4 . Ν Ν b) σσ = ∴ Α = π σ π σ σ σ 4 Α d = 4 .Ν = π σ 4.5500N π.171,8.106 N m2 2 Um tubo de aço com diâmetro externo de 310mm, espessura de 10mm e comprimento de 2m é comprimido por uma força de 1400kN. Considere para o aço: E = 210GPa e ν = 0,3. Para o tubo, determine: a. A variação no comprimento. b. A variação do diâmetro externo. c. A variação da espessura da parede. 2 4 σΕ = σ = ε b) σν = NA N . L 1400.103N.2m ∴ ∆L = N . L = =1,41mm = A . E 0,009425m2.210.109 N ∆L L A . ∆L m2 ε - lat = ε ∆dext dext ∆L L L = - dextext . ∆L∴ ∆dext = - ν.dext . L ∆d ∆L ∆dext = - ν.dext . ∆L = -0,3.310mm. -1,41mm = 0,0656mm 2000mm L = 6,38mm Exemplo 20 Resistência dos Materiais a) dint = 310 - 2.10 = 290mm ∴ A = π . (0,31 - 0,29 ) = 0,009425m2 c) ∆e = - ν.e . ∆L = -0,3.10mm. -1,41mm = 0,00211mm 2000mm L 3. Deformações de Elementos Compostos e Elementos sob Efeitos Térmicos Você verá, agora, as principais deformações de elementos compostos e de elementos sob efeitos térmicos. 36 3.1 Barras Carregadas Axialmente Vimos que uma barra pode ser carregada axialmente quando é submetida a uma força de compressão ou tração, gerando tensões e deformações sobre a mesma. Agora, nosso estudo é focado no carregamento axial de mais de uma barra, estando elas acopladas, sendo que podem ou não apresentar as mesmas dimensões, o mesmo carregamento, o mesmo módulo de elasticidade e o mesmo comprimento. Uma barra carregada: Um passo importante no estudo de barras axialmente carregadas é determinar a força normal que atua em cada trecho da barra. Para isso, é necessário desenhar o diagrama de esforço normal. A seguir, são apresentados alguns exemplos de representação do diagrama. Quando a força normal é de compressão, o valor é representado no eixo negativo (para baixo); já, quando a força normal é de tração, o valor é representado no eixo positivo (para cima). a) c) 20kN Duas barras carregadas : L L1 c N L2 E1, A1 E2, A2 c NA N (kN) c 8 A L N b) 5kN . . A1 . E1 A2 . E2 . . L = (NA LB).L1 + (N2) L2 A2 . E2 A1 . E1 . A. E L = N L0 N DEN N Resistência dos Materiais N x NA + NB NB x(m) N (kN) 7 3kN/m 5kN 34kN L = L1 + L2 L = N1 L1 + N2 L2 + d) NB N Ε = σ = N/A = N . L ε L/L A L 33 18 12 L2 NA 33kN - L L1 N (kN) x(m) + NB 15kN 12kN 12 + 33kN 22kN x(m) N (kN) 33 13 18 + x(m) - 22 x Figura 4: Diagrama de esforço normal. Fonte: Elaborado pela autora. 37 Exemplo 21 Dados: Uma barra é formada por dois trechos de seção circular. O primeiro trecho é formado por alumínio e o segundo é formado por aço. L1 = 5m L2 = 3m L3 = 4m Dados: 172cm 123cm d2 = 14mm Eaço = 210GPa 20KN Determine: barra 2 barra 1 a. O diagrama de esforço normal. b. A variação de comprimento da barra. N1.L1 + A1.E1 ∆L = N (kN) 50 30 π 0,0112m2.75.109 = + 2,157.10-3 m N (kN) N m2 + 30.103 N.1,72m π 0,007m2.2109 + 1,596.10-3 m barra 3 12 7 12KN DEN x(m) ∆L = ∆L = N1.L1 + A1.E1 = =+3,75 mm (alonga) Uma barra é formada por três barras de cobre (Ecobre = 115GPa) de seção quadrada com aresta a. x(m) N .L N2.L2 + 3 3 A3.E3 A2.E2 7.103 N.5m 0,012m2.115.109 N 2 m = - 3,83.10-3 m 22kN 22 d. A variação de comprimento da barra. = + 3,043.10-3 m N m2 barra 2 c. O diagrama de esforço normal. Exemplo 22 Resistência dos Materiais a1 = 1cm a2 = 2cm a3 = 1cm N2.L2 A2.E2 50.103 N.1,23m 34kN barra 1 Determine: d1 = 22mm Ealumínio = 75GPa ∆L = 5kN + 12.103 N.3m - 22.103N.4m 0,022m2.115.109 N 2 0,012m2.115.109 N 2 m m + 7,826.10-4 m - 7,652.10-3m = - 3,83 mm (contrai) Exemplo 23 Uma coluna de concreto (Econcreto = 25GPa) tem seção retangular 6x8cm. A partir dos comprimentos LAB = 5,3m, LBC = 9,2m e LCD = 8,5m, determine: a. O diagrama de esforço normal. b. A variação de comprimento total DL da barra ABC: 38 8 kN 5 kN A LAB B 4 kN LBC C 7 kN LCD D P (kN) 5 x Exemplo 24 (BEER; JOHNSTON, 2008) ∆L =∆LAB + ∆LAC + ∆LCD =∆L1 + ∆L2 + ∆L3 3 N .L =∑ i i i=1 Ai.Ei a. As reações em A e E. b. O deslocamento do ponto c. -3 -7 ∆L = 5.103 N.5,3m 0,06.0,08m2.25.109 Duas barras cilíndricas, uma de aço e outra de latão, são unidas em C e contidas por apoios rígidos em A e E. Para o carregamento indicado na figura e sabendo que Eaço = 200GPa e Elatão = 105GPa, determine: 3.103 N.9,2m 7.103 N.8,5m N N N 0,06.0,08m2.25.109 2 0,06.0,08m2.25.109 2 m2 m m = + 2,208.10-4 m -2,300.10-4 m -4 = - 5,05.10 m = - 0,505 mm (encurta) -4,958.10-4 m Dimensões em mm 180 Resistência dos Materiais 100 D 40 kN 60 kN 40 mm de diâmetro RA Aço B E Latão Aço B Podemos considerar um elemento como estaticamente determinado quando as equações de equilíbrio não são suficientes para determinar suas reações de apoio. Como forma de resolver esse problema, considera-se a adição de mais uma equação ao sistema, denominada equação de compatibilidade, que relaciona o deslocamento ao equilíbrio do elemento. C A 3.2 Problemas Estaticamente Determinados 100 120 30 mm de diâmetro Latão RE 39 Trechos AB e BC: Cálculo das reações RA e RE: - A variação de comprimento total é nula (equação de compatibilidade): σΕΑ = 200.109 N .π.0,0202 m2 m 2 σ∆L = (7,162 + 4,775 + 2x13,473).10-10 RA - (2,865 + 8,084 +13,473).10-5 = 0 = 2,5133.108 N = (38,883).10-10 RA - (24,422).10-5 = 0 → RA = 62809.N = 62,8kN Trechos CD e DE: - Equilíbrio: Σ = -62,3 + 60 + 40 + R = 0 → R = - 37,7kN σΕΑ = 105.109 N .π.0,0152 m2 FX m2 A variação de comprimento do trecho AC: As variações de comprimento por trecho: N.L = RA.0,18 E.A 2,5133.108 N.L = (RA-60.103).0,12 Trecho AB: σ∆LBC = 2,5133.108 E.A N.L =(RA-60.103).0,100 Trecho CD: σ∆LCD = 7,4220.107 E.A N.L =(RA-100.103).0,100 Trecho DE: σ∆LDE = 7,4220.107 E.A Resistência dos Materiais E Obs.: RE é o contrário do sentido adotado, em função do sinal negativo. = 7,4220.107 N Trecho AB: σ∆LAB = E σ∆L = = 7,1620.10-10RA = 4,7746.10-10RA - 2,8648.10-5 = 1,3473.10 -9 RA - 8,0841.10 -5 = 1,3473.10-9 RA - 1,3473.10-4 (7,162 + 4,775).10-10 (62809) - (2,865).10-5 = 4,63.10-5m = 46,3µm 3.3 Elementos sob Efeitos Térmicos Quando o material é submetido à mudança de temperatura, o elemento pode sofrer alterações em suas dimensões. Caso a temperatura aumente, o material irá se expandir, provocando aumento nas dimensões do elemento; caso a temperatura diminua, o material irá se contrair, provocando diminuição nas dimensões do elemento. Para materiais homogêneos e isotrópicos, podemos calcular a variação de comprimento do elemento sujeito à tensão térmica pela seguinte fórmula: 40 Sendo: a: coeficiente linear de expansão térmica [T]-1 ∆T: variação de temperatura do elemento L: comprimento inicial do elemento δT: variação no comprimento do elemento 10 mm L T 0 No caso de elementos estaticamente determinados, os deslocamentos térmicos podem ser restringidos pelos apoios, de modo a gerar as tensões térmicas que deverão ser consideradas no cálculo do projeto. Exemplo 25 (HIBBELER, 2010) A barra de aço A-36 mostrada na figura está restringida para caber exatamente entre os dois suportes fixos, quando T1 = 30ºC. Se a temperatura aumentar até T2 = 60ºC, determine a tensão térmica normal média desenvolvida na barra. A δT δF 10 mm 1m Eaço = 200 GPa αaço = 12x10-6 oC Se ocorrer mudança na temperatura ou na deformação ao longo do comprimento, a fórmula utilizada para calcular a variação no comprimento será: δ = ∫ α . ΔT dx F B F Equilíbrio: σ+ ↑∑Fy = 0; FA = FB = F Compatibilidade: σ(+ ↑) δA/B = 0 = δT - δF Aplicando as relações térmicas e de carga-deslocamento, temos: σ0 = α∆TL - FL AL Resistência dos Materiais 41 Assim, temos: σF = α∆T AE σ= [12(10 -6)/°C](60ºC - 30ºC)(0,010m) 2[200(10 6) kPa] σ= 7,2 kN A tensão térmica normal média é: σσ = F A = Referências BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. 7,2 x 10 -3 MN = 72 MPa (0,01 m)2 Neste capítulo, vimos que a tensão normal é causada por força normal e que essa força é atuante em uma área perpendicular, ou seja, fora do plano. Vimos, também, que a deformação normal é causada por variação de comprimento em um dado comprimento inicial. Estudamos, ainda, os conceitos relacionados ao estudo das tensões e deformações do material, que são o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson. Além disso, é possível acoplar barras de diferentes propriedades, tamanhos e submetidas a diferentes carregamentos e, assim, analisar conjuntamente o efeito de alongamento ou encurtamento que o conjunto pode sofrer. Resistência dos Materiais 42 Resistência dos Materiais Tensões e Deformações Cisalhantes Para início de conversa... Objetivos Neste capítulo, falaremos sobre a tensão cisalhante, que é provocada em alguns elementos estruturais e gerada pela presença de uma força cisalhante ou um momento de torção. Sua presença é muito comum em elementos de ligação, como parafusos e soldas, conforme será visto neste estudo. ▪ Entender os conceitos básicos relacionados às tensões e deformações cisalhantes. ▪ Avaliar e calcular elementos estruturais submetidos a esforços cortantes e que provocam tensões cisalhantes no material. ▪ Identificar elementos sujeitos ao momento de torção. Geralmente, em um grupo de elementos ligados que formam um conjunto, temos, por exemplo, placas sendo ligadas por parafusos. Se impomos nessas placas uma força normal, gerando nelas uma tensão normal, nos elementos de ligação (parafusos), a mesma força normal trabalhará como uma força cisalhante, tendendo a cortá-los. Os exercícios trabalhados ao longo deste capítulo nos ajudarão a entender melhor essa tensão provocada por uma força cisalhante. Resistência dos Materiais 44 1. Tensão Cisalhante Média A tensão cisalhante, por definição, é a divisão da força cisalhante pela área. Força cisalhante (ou cortante) é aquela que atua no plano da área, ou seja, no sentido transversal ao corpo. A tensão cisalhante é expressa pelo símbolo grego τ (tau): Sendo: : tau, tensão cisalhante média V: Força cisalhante (também chamada de cortante ou de corte) A: Área de corte, no plano da força cisalhante A tensão cisalhante não tem sinal, logo, não há distinção entre os sentidos de corte, diferentemente da tensão normal, que distingue tração (+) de compressão (-). A unidade é expressa por Pascal [Pa], ou seja, Newton [N] dividido por metro ao quadrado [m²]: Exemplo 1: Seja uma viga de seção retangular 10 cm x 17 cm, carregada por uma força inclinada F = 82 kN, conforme a Figura 2. 45º 17cm τ V F 10cm A Figura 2: Corpo com carga inclinada. Fonte: Do autor. = a. Determine a tensão normal média. Resolução: Figura 1: Tensão cisalhante média. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Resistência dos Materiais N F .sen(450 ) σ= = = A A 2 )N 2 = 3.410.750 N = 3, 41MPa 0,10m.0,17 m m2 82000.( 45 b. Determine a tensão cisalhante média. Resolução: = τ Resolução: V F .cos(450 ) τ= = = A A 2 N )N = 3, 41MPa 2 = 3.410.750 2 m 0,10m.0,17 m 82000.( V P = A A 8.103N 6 N = τ = 5,93.10 = 5,93.MPa 0,090m.0,015m m2 Exemplo 2 Exemplo 3 Quando a força P alcança 8 kN, o corpo de prova de madeira mostrado na figura falha sob o cisalhamento ao longo da superfície indicada pela linha tracejada. Determine a tensão de cisalhamento média ao longo dessa superfície no instante da falha (BEER; JOHNSTON, 2008). Duas pranchas de madeira, cada uma com 22 mm de espessura e 160 mm de largura, são unidas por uma junta de encaixe colada, mostrada na figura. Sabendo que a junta falhará quando a tensão de cisalhamento média na cola atingir 820 kPa, determine o menor comprimento d admissível do encaixe, uma vez que a junta deve suportar uma carga axial de intensidade P = 7,6 kN. 15 P mm d P P' Aço 90 mm Madeira 20 mm Cola 160 mm P 20 mm Figura 3: Elementos sujeitos ao cisalhamento. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Figura 4: Pranchas de madeira encaixadas por cola. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Resistência dos Materiais 46 h Resolução: τ= = d V P P P = = → d= Atotal 7. A 7.(d .t ) 7.τ .t P 3 P 7, 6.10 .N = = 0, 0602 = m 60, 2mm 7.τ .t 7.820.103.N / m 2 .0, 022m Exemplo 4 6 mm h P/2 P/2 P/2 P/2 P/2 P/2 P/2 P/2 P Figura 5: Placas e cobrejuntas unidas por cola. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). As componentes de madeira A e B devem ser unidas por cobrejuntas de madeira compensada, que serão totalmente coladas às superfícies em contato. Como parte do projeto da junção e sabendo que a folga entre as extremidades das componentes deve ser 6 mm, determine o comprimento L mínimo permitido para que a tensão de cisalhamento média na cola não exceda 700 kPa. Resolução: = L 2.H + 6 = 2.143 + 6 = 292mm 15 kN τ= A V F/2 F/2 F = = →h= A A b.h 7.b.τ L 6 mm 75 mm B F h = = 2.b.τ 15.103N = 0,143m N 2.0,075m.700.10 2 m 3 15 kN Resistência dos Materiais 47 Exemplo 5 Uma carga P é aplicada a uma barra de aço suportada por uma chapa de alumínio, na qual foi feito um furo de 12 mm conforme mostra a figura. Sabendo que a tensão de cisalhamento não deve exceder 180 Mpa na barra de ao e 70 Mpa na chapa de alumínio, determine a máxima carga P que pode ser aplicada à barra. Alguma das chapas pode ser furada, ou seja, a força P se distribuir como um corte na área lateral de um cilindro: 1. Corte na chapa de aço: 40 mm 10 mm 8 mm 40 mm 12 mm 10 mm P 8 mm Figura 7: Chapa de aço sendo cortada pelo alumínio. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). = Paço τ= aço .π .d furo .haço 12 mm 6 N = 180.10 = .π .0, 012m.0, 010m 67,9kN m2 P Figura 6: Barra e chapa de aço e chapa de alumínio. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). 2. Corte na chapa de alumínio: 40 mm 10 mm 8 mm Resolução: V P P P τ .π d.h = τ = = →= A cilindro 2π r.h π d.h Resistência dos Materiais 12 mm P Figura 8: Chapa de alumínio sendo cortada pela chapa de aço. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). 48 = Palum. π= .π .d ext. .h alum. alum. Resolução: 6 N = 70.10 .π .0, 040m.0,008m 70,4kn m2 Tensão normal na barra σ adm= Resposta: O corte da chapa em alumínio acontece primeiro: P = 67,9 kN. Exemplo 6 Uma força P é aplicada a uma barra de aço encaixada dentro de um bloco de concreto, conforme mostra a figura. Determine o menor comprimento L para o qual pode ser desenvolvida a tensão normal admissível σadm no aço e da tensão média de aderência adm entre o concreto e a superfície cilíndrica da barra. (Despreze as tensões normais entre o concreto e a extremidade da barra.) N = A circular P P π d2 P . = → = σ adm 4 π r2 π d2 / 4 Tensão cisalhante no contato lateral τ adm = N = A cilindro P P P τ adm .π d.L = →= 2π r.L π r.L Igualando P=P: σ adm . π d2 4 = τ adm .π d.L σ adm .π d 2 = 4.τ adm .π d.L L d P Figura 9: Barra de aço contida dentro de um bloco de concreto. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Resistência dos Materiais Resposta: L= σ adm .d 4.τ adm 49 2. Dimensionamento de Parafusos e Conectores Peças ligadas por parafusos são os exemplos mais comuns da presença de tensão cisalhante média. Ligações solicitadas por tensões normais desenvolvem nos parafusos tensões cisalhantes. Vejamos, a seguir, um exemplo do corte de um parafuso: P P P' F F F V Figura 11: Corte simples em um parafuso. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Formulação: 2.2 Corte Simples em n (Vários) Parafusos P' P' F Figura 10: Corte em parafusos. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Dessa maneira, pode-se escrever uma formulação para cada um dos diversos tipos de cortes em ligações de peças. 2.1 Corte Simples em 1 (Um) Parafuso F F F F F/n F/n V Figura 12: Corte simples em n parafusos. Fonte: Do autor. Formulação: Exemplo 7 Calcule qual a tensão cisalhante nos parafusos abaixo sabendo que cada parafuso tem diâmetro igual a 5 mm e força atuante F = 12,0 kN: Resistência dos Materiais 50 Resolução: F F τ= Figura 13: Corte simples em n parafusos. Fonte: Do autor.. d = Resolução: V τ= = A F 12, 0.103 N N n= F= 2, 037.108 = 203, 7 MPa = 2 2 A nA 3.π .0, 0025 m m2 F = nA F 4F = →d= 2 d nπ d 2 n(π . ) 4 4F = nπτ 4F nπτ 4 x80 x103 N = 0,= 0146 14, 6mm N 4 xπ x120 x106 2 m Exemplo 9 Exemplo 8 Qual o diâmetro mínimo necessário para conexão abaixo contendo 4 parafusos. submetida a uma força F igual a 80 kN e sabendo que todos os parafusos são iguais com tensão cisalhante admissível τ = 120 MPa: Três parafusos de aço devem ser utilizados para fixar a chapa de aço mostrada na figura em uma viga de madeira. Sabendo que a chapa suportará uma carga de 110 kN, que o limite de tensão de cisalhamento do aço utilizado é de 360 MPa e que é desejado um fator de segurança de 2 (F.S = 2,0), determine qual o diâmetro necessário para os parafusos: F F Figura 14: Corte simples em n parafusos. Fonte: Do autor. 110 kN Figura 15: Corte em n parafusos. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Resistência dos Materiais 51 Exemplo 10 Resolução: τ V F F /3 F /3 4.F = = = = = 2 π .d / 4 3.π .d 2 CS A 3 A A 4.F .CS 4.F .CS = ↔ = d2 d 3.π .τ 3.π .τ τ adm= = d Calcule qual a força F que atua na conexão parafusada abaixo contendo um parafuso com diâmetro d = 10 mm e tensão de cisalhamento de τ = 100 MPa: 4.110.103 N .3,35 = 0,= 0208 2, 08cm 3.π .360.106 N / m 2 F 2.3 Corte Duplo em 1 (Um) Parafuso F/2 F F F/2 V F Figura 16: Corte duplo em um parafuso. Fonte: Do autor. Formulação: Resistência dos Materiais V F F Figura 17: Corte duplo em n parafusos. Fonte: Do autor. Resolução: V F /2 F = = → F = τ .2. A A A 2A N = F 100 x106 2 x 2 xπ x0, = 0052 m 2 15.708 = N 15, 7 kN m τ= 52 2.4 Corte Duplo em n (Vários) Parafusos F F/2n F F F/2n V F F F F/2n V V F F F/2n V Figura 18: Corte duplo em n parafusos. Fonte: Do autor. Figura 19: Corte duplo em n parafusos. Fonte: Do autor. Formulação: F V (2n) F τ= = = A A 2.n. A Exemplo 11 Sabendo que uma ligação parafusada é composta por parafusos com diâmetro de 8 mm e e nela atua uma força F = 70 kN, conforme nos mostra a Figura 19. Considere que essa ligação não pode ultrapassar uma tensão cisalhante máxima nos parafusos de τ = 150 MPa. Determine a quantidade mínima de parafusos. Resistência dos Materiais Resolução: V F / 2n F F = = →n= A A 2nA 2 Aτ 3 70 x10 N = n = 4,= 64 5 parafusos 2 2 6 N 2 xπ x0, 004 m x150 x10 2 m τ= Observação: A quantidade de parafusos deve ser arredondada para um valor inteiro, pois não existe quantidade de parafusos fracionada. Além disso, esse valor deve ser arredondado para cima, pois se trata de uma quantidade mínima. 53 3. Elementos Sujeitos à Torção F O fenômeno chamado de torção pode ser definido como a tensão que acontece quando aplicamos um momento sobre um eixo longitudinal Eixo de torção 0 de um elemento construtivo. Esses elementos são chamados de eixos, d pois uma das dimensões predomina sobre as outras duas. Na Figura Centro de torção T T 20, podemos ver um exemplo de torção muito comum do dia a dia. F Quando utilizamos uma chave de fenda para apertar um parafuso Figura 21: Forças conjugadas aplicadas ao redor do um centro de torção do elemento. Fonte: contra uma superfície estamos impondo na extremidade da ferramenta Adaptado de Nadal (2015). um momento que tende a torcê-la, denominado torque. O objeto de estudo deste material se resume a eixos circulares, embora a torção possa existir em qualquer tipo de seção transversal. Quando temos T um eixo circular fixado em uma de suas extremidades e submetido a um momento de torção T na extremidade livre, o eixo gira e sua extremidade livre apresenta uma rotação dada pelo ângulo φ, que é chamado de ângulo de torção. Figura 20: Aplicação de torque em parafuso por chave de fenda. Fonte: Adaptado de Nadal (2015). Um elemento submetido à torção é submetido a um par de forças conjugadas (F e –F) que formam o momento de torção. Podemos, ainda, identificar ainda o Centro de Torção e o Eixo de Torção. O centro de torção é o ponto ao redor do qual a seção transversal gira. Em caso de seções simétricas, o centro de torção coincide com o centro de gravidade do elemento. Já o eixo de torção é o lugar geométrico dos centros de torção. Resistência dos Materiais L B T A B A L Figura 22: Ângulo de torção. Fonte: Adaptado de Nadal (2015). 54 Com a aplicação do torque, ocorre uma deformação por torção no eixo circular. Antes da deformação, as linhas longitudinais e as linhas radiais formam entre si um ângulo de 90 graus, dando origem a quadrados ou retângulos. Quando o torque é aplicado, ocorre uma distorção, contudo, esta faz com que os círculos continuem circulares, e as linhas longitudinais ficam torcidas em forma de hélice, interceptando cada círculo e mantendo o ângulo de torção igual. Nas extremidades, as seções transversais continuam planas e as linhas radiais continuam retas. Isso quer significa que, de acordo com essas considerações, podemos definir que se o ângulo de rotação for pequeno, tanto o comprimento quanto o raio do eixo permanecerão alterados. Círculos continuam circulares É possível calcular a torção usando fórmulas. Caso o material seja linear elástico, podemos aplicar a Lei de Hooke. Uma variação linear na deformação por cisalhamento ocasiona uma variação linear na tensão de cisalhamento relacionada ao longo de qualquer linha radial na seção transversal. max 0 Figura 24: Tensão em uma seção transversal cheia. Fonte: Adaptado de Nadal (2015). Linhas longitudinais ficam torcidas A tensão de cisalhamento a uma distância ρ do eixo da barra é dada por: τ= Linhas radiais continuam retas Antes da deformação (a) Depois da deformação (b) Figura 23: Deformação por torção no elemento. Fonte: Adaptado de Nadal (2015). Resistência dos Materiais C T.ρ J Sendo: τ = tensão de cisalhamento T = torque interno resultante J = momento polar de inércia da área da seção transversal ρ = distância intermediária 55 A tensão máxima de torção τmáx é dada na extremidade da barra, em que o valor da distância ρ é o próprio raio c: τ max = T.c J τ min = O momento polar de inércia para uma seção maciça com raio c é: Para o caso de uma seção vazada, um tubo por exemplo, a tensão de cisalhamento se altera entre um mínimo e um máximo, de acordo com o raio interno c1 e o raio externo c2. max max 0 C1 C2 Figura 25: Tensão em uma seção transversal vazada. Fonte: Adaptado de Nadal (2015). A tensão máxima consiste na mesma fórmula apresentada anteriormente, em que o raio c é o raio externo c2. A tensão mínima é dada em função da tensão máxima: Resistência dos Materiais c1 .τ c 2 max 1 j = .π .c 4 2 O momento polar de inércia para uma seção vazada com raio interno c1 e raio externo c2 é: =j 1 .π . c 42 − c14 2 ( O ângulo de torção φ é dado por: φ= ) T.L J.G 56 A deformação de cisalhamento γmáx pode ser descrita como: γ= max τ max T.L = G J.G c.φ γ max = L A fórmula dada acima para calcular o ângulo de torção só serve para o caso de regime elástico em que o ângulo de torção é proporcional ao momento de torção aplicado no eixo circular, para material homogêneo, seção constante e momentos de torção aplicados somente nas extremidades da barra. Para os casos em que a barra possui seções transversais diferentes, materiais diferentes e momentos de torção aplicados em pontos intermediários, deve-se calcular por trechos que satisfaçam às condições de emprego da fórmula dada para o regime elástico e, em seguida, somar algebricamente de modo a obter o ângulo de torção total. TD B TB E D TC C A Li Ti .T i J i .G i φ =∑ TA Figura 26: Barra com diferentes momentos de torção aplicados. Fonte: Adaptado de Nadal (2015). Recomenda-se utilizar as unidades correspondentes ao SI (Sistema Internacional) para facilitar os cálculos por meio das fórmulas: T → N.m, c,p → m, J → m4 τ γ ,φ → → N/m 4 , radianos. 4. Projeto de Eixos Quando falamos em máquinas e equipamentos mecânicos, a presença de eixos com seção transversal circular é indispensável. A combinação de Resistência dos Materiais 57 cargas de flexão e torção resultam, na maioria das vezes, em fadiga ou tensão cíclica, além da possível existência de concentrações de tensões em dados pontos do eixo. No projeto de eixos, utilizamos as fórmulas de tensão normal e de tensão cisalhante provocadas pelo torque abaixo: = σ Mc Tc = e τ I J Caso a tensão normal admissível ou a tensão de cisalhamento admissível sejam conhecidas, é possível calcular as dimensões do eixo baseando-se nesses dados. Pela equação de transformação de tensão, temos: A equação simplifica-se a: = τ adm 2 π c3 M 2 +T 2 Isolando o raio do eixo c, obtém-se: 2 = c πτ adm 1/3 M 2 + T 2 Exemplo 12 Dados o momento de inércia e o momento polar de inércia, por meio das seguintes equações, temos: I = πc4 / 4 O eixo na figura abaixo é suportado por mancais em A e B. Por causa da transmissão de potência para o eixo, as correias das polias estão sujeitas às tensões mostradas. Determine o menor diâmetro do eixo pela teoria da tensão de cisalhamento máxima, com τmáx = 50 Mpa (HIBBELER, 2010). J = πc4 / 2 Resistência dos Materiais 58 z z 150 N A 0,050 m C x 0,250 m Resolução: 0,250 m x 950 N 200 N 7,5 N.m 650 N 0,250 m 500 N 475 N 0,150 m (b) y 400 N 0,150 m (a) 300 N B 0,250 m 7,5 N.m 475 N D 0,075 m Diagrama de momento fletor Mx y A C B 0,250 m Reações de apoio 475 N MX (N.m) 0,250 m 950 N D 0,150 m 475 N 118,75 (c) Resistência dos Materiais y (m) 59 Diagrama de momento fletor Mz A O momento de torção imediatamente à direita de C e em B é 7,5 kN.m. Resolvendo o momento fletor resultante no ponto C, temos: C B 0,250 m 0,250 m D 650 N 150 N MX (N.m) M= C 0,150 m Já para o ponto B, o momento fletor é: 500 N M B = 75N.m 75 N.m 37,5 N.m y (m) (d) Aplicando a fórmula do raio c, vista na teoria para os momentos fletor e de torção no ponto C, em que obtemos o maior valor para o par momento fletor e momento de torção, chegamos ao seguinte valor de raio do eixo: 2 = c πτ adm Diagrama de torque C A 7,5 (N.m) 0,250 m 0,250 m 7,5 (N.m) D B (118,75N.m)2 + (37,5N.m)2 = 124,5N.m 0,150 m Ty (N.m) 1/3 M + T 2 2 1/3 2 = + (7,5N/m)2 (124,5N/m)2 = 0, 0117m 6 2 π (50)(10 )N/m Assim, como o diâmetro é 2 vezes o raio, temos: y (m) -7,5 Resistência dos Materiais = d 2(0, = 0117m ) 23,3mm (e) 60 Neste capítulo, vimos que a tensão cisalhante é gerada por uma força cortante, sendo esta atuante na área, ou seja, no plano. A tensão normal e tensão cisalhante são distintas, ou seja, de naturezas diferentes quanto à orientação da força. A tensão normal advém da força “perpendicular” ao plano, e a tensão cisalhante vem da força “no” plano. A tensão normal atua no sentido longitudinal do corpo, já a tensão cisalhante atua no sentido transversal. A tensão de cisalhamento é mais difícil de enxergar, por isso, os melhores exemplos de visualização de tensão cisalhante são os casos de ligações parafusadas, em que os parafusos se encontram em corte, com quatro exemplos: Corte simples em 1 (um) parafuso; Corte simples em n (vários) parafusos; Corte duplo em 1 (um) parafuso e Corte duplo em n (vários) parafusos. Referências BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. NADAL, C. A. Torção – Aula 04. Curitiba: UFPR, 2015. Além disso, vimos que o torque, ou momento de torção, também pode gerar uma deformação por cisalhamento em elementos, conhecida também como tensão por torção. Para isso, precisamos de um momento de torção aplicado ou um par de forças conjugadas que gere esse torque aplicadas em torno de um eixo ou centro de torção de um elemento. Resistência dos Materiais 61 Resistência dos Materiais Tensões Normais em Vigas sob Flexão Reta Para início de conversa... Objetivos A resistência dos materiais fornece uma explicação sobre o comportamento de um corpo submetido a forças externas em consideração ao efeito interno causado. Este, diferencia-se do estudo da estática, no qual os efeitos externos das forças são analisados isoladamente. Para isso, é preciso observar o corpo segundo todos os esforços que podem atuar: esforço axial (tração e compressão), cisalhamento, flexão e torção. ▪ Compreender a configuração de tensões normais a partir da aplicação de momento fletor (flexão reta) ou da combinação de momento fletor e esforço normal (flexão composta reta). ▪ Calcular as tensões normais em elementos estruturais submetidos à flexão reta ou à flexão composta reta. ▪ Identificar a posição da linha neutra em seções transversais de elementos submetidos à flexão reta ou à flexão composta reta. Nos capítulos anteriores foram estudados os esforços axiais de tração e compressão, o cisalhamento e a torção sob elementos de viga. Nesta unidade trataremos da flexão reta, um tipo de flexão que surge no elemento devido a aplicação de um momento em uma direção, podendo ou não ser acompanhado de uma força normal aplicada. Veremos uma melhor explicação deste efeito de flexão através dos exercícios que serão trabalhados durante a unidade de aprendizagem. Alguns exercícios apresentados nesta unidade são retirados do livro de HIBBELER e do livro de BEER e JOHNSTON, presente na bibliografia. . Resistência dos Materiais 63 1. Comportamento de Vigas na Flexão Reta A flexão reta caracteriza-se pela aplicação de um momento fletor na seção transversal do elemento de viga em estudo. Caso seja aplicado somente um momento fletor em uma direção na seção transversal, temos a flexão reta ou simples. Se além do momento fletor ocorrer a ação simultânea de uma força normal, chamamos então de flexão composta reta, onde o momento fletor está em “composição” com o esforço normal. Quando falamos de flexão composta reta, embora seja bastante comum encontrar este tipo de flexão em vigas, já estamos entrando também no comportamento de pilares, que, em sua maioria, trabalham sob flexão composta, seja ela reta ou oblíqua. Existem quatro tipos de flexão: simples, composta reta, oblíqua e composta oblíqua. Vamos à definição de cada uma delas: у MX X Centróide Figura 01: Flexão simples ou reta Fonte: Elaborado pelo autor. Flexão composta reta A flexão composta reta ocorre por causa da aplicação simultânea de um momento fletor (pode ser aplicado tanto na direção x quanto na direção y) e de uma força normal na seção transversal de um elemento de viga. Flexão simples ou reta A flexão simples ou reta ocorre em função da aplicação de um momento fletor na seção transversal de um elemento de viga. Esse momento pode ser aplicado tanto na direção x quanto na direção y. A seguir, observe a identificação da seção transversal de uma viga sujeita a um momento fletor aplicado na direção x. у N MX Centróide X Figura 02: Flexão composta reta. Fonte: Elaborado pelo autor Resistência dos Materiais 64 Flexão oblíqua A flexão oblíqua ocorre graças à combinação do momento fletor em Iy duas direções aplicadas na seção transversal de um elemento de viga. у N MX у Centróide X Mу MX Centróide X M� Figura 03: Flexão oblíqua. Fonte: Elaborado pelo autor. Flexão composta oblíqua Figura 04: Flexão composta oblíqua. Fonte: Elaborado pelo autor. 2. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Simples ou Reta A tensão normal em um ponto P qualquer é dada por: A flexão composta oblíqua ocorre em virtude da ação simultânea da combinação de momento fletor em duas direções aplicadas na seção transversal de um elemento de viga com uma força normal. Resistência dos Materiais 65 σ у unidade = Nm.m N = 2 = Pa m4 m Sinais ? (+) tração ( - ) compr. Vetores: (gira) ( transl. ) MX M CENTRÓIDE Tensão superior X = F Em que: Mx: Momento aplicado no eixo x. Ix: Momento de inércia da seção transversal ao longo do eixo x. y: Distância na direção do eixo y (vertical) entre o ponto P e o centroide C da figura. Os sinais positivo e negativo indicam, respectivamente, se existe tração ou compressão na região onde se encontra o ponto em que a tensão é calculada devido à aplicação do momento. A seção transversal é cortada pela linha neutra (LN) que passa pelo seu centroide. Nas extremidades da seção, surgem a tensão superior e a tensão inferior, que serão os valores máximos de tensão normal de compressão e tração definidos de acordo com a orientação do momento aplicado. - + LN Tensão inferior Figura 05: Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx em corte. Fonte: Elaborado pelo autor. De acordo com o sentido do momento aplicado e utilizando a “Regra da Mão Direita”, são definidas as regiões em que ocorre tração ou compressão na seção. A convenção tomada como positiva é mostrada na imagem abaixo para os esforços normal, cortante e momento fletor. M Regra da Mão direita esq. dir. Convenção Positiva Figura 6: Convenção adotada. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Resistência dos Materiais 66 Quando um corpo é submetido à esforços de flexão, parte das fibras que o constituem são tracionadas e outra parte é comprimida. A Linha Neutra (LN) é uma linha intermediária em que a deformação e a tensão para as fibras se tornam nulas, não ocorrendo encurtamento nem alongamento das mesmas. A linha neutra vai interceptar uma seção transversal do elemento que pode ser chamada de superfície neutra. у Vista lateral da seção h x C b Ix = Tensão superior b.h3 = Ix 12 x1 h C h 3 b Ix = b.h3 = Ix 36 x r O x1 Ix = x π.r4 = Ix 4 Figura 8: Momentos de inércia tabelados. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). MX LN Vamos aos exemplos: Exemplo 1 Tensão inferior Figura 07: Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx em vista lateral. Fonte: Elaborado pelo autor. Os momentos de inércia passando pelo centroide de figuras com geometrias básicas serão mostrados a seguir. Observe: Resistência dos Materiais Considerando uma viga biapoiada de seção transversal retangular com b=17cm e h=30cm, com vão L=6m e com carga P=12kN concentrada no meio do vão, determine: b. O diagrama de momento fletor. c. As tensões normais nos pontos destacados (considerar x = 5cm) I. II. As tensões normais nos pontos indicados (dado d = 8 cm). O diagrama de tensões normais. 67 6,00 m D x B D Seção transversal Figura 09: Viga biapoiada sujeita a uma carga pontual P. Fonte: Elaborado pelo autor. a) O diagrama de momento fletor Inicialmente calculamos o momento de inércia de uma viga com seção quadrada: 18,0 6,0kN C 6,0kN 12.0 KN A Figura 10: Diagrama de momento fletor. Fonte: Elaborado pelo autor. b) As tensões normais nos pontos indicados. As tensões normais para cada ponto são encontradas aplicando-se a fórmula básica de flexão reta variando somente a distância y do ponto avaliado até o centroide da figura. O momento fletor e o momento de inércia calculados não variam. O sinal positivo ou negativo é determinado pela localização do ponto na região comprimida (sinal negativo) ou tracionada (sinal positivo). O momento máximo para uma viga biapoiada sujeita a uma carga pontual aplicada no centro do vão é: Assim, temos o diagrama de momento fletor: Resistência dos Materiais 68 Exemplo 2 Considerando uma viga biapoiada de seção transversal retangular com b=20cm e h=32cm, com vão L=6m e com carga distribuída q=7,0kN/m concentrada no meio do vão, determine: a. O diagrama de momento fletor. b. As tensões normais nos pontos destacados (considerar x = 22cm) D x B Seção transversal a. O diagrama de momento fletor. Inicialmente calculamos o momento de inércia de uma viga com seção quadrada: 31,5 21,0kN 21,0kN D C Figura 11: Viga biapoiada sujeita a carregamento distribuído q. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais Assim, temos o diagrama de momento fletor: A 7.00 KN/m 6,00 O momento máximo para uma viga biapoiada sujeita a um carregamento distribuído é: Figura 12: Diagrama de momento fletor. Fonte: Elaborado pelo autor. b. As tensões normais nos pontos indicados. As tensões normais para cada ponto são encontradas aplicando-se a fórmula básica de flexão reta variando somente a distância y do ponto avaliado até o centroide da figura. O momento fletor e o momento de inércia calculados não variam. O sinal positivo ou negativo é determinado pela localização do ponto na região comprimida (sinal negativo) ou tracionada (sinal positivo). 69 a. O diagrama de momento fletor. Inicialmente calculamos o momento de inércia de uma viga com seção triangular: O momento máximo para uma viga engastada e livre sujeita a uma carga pontual aplicada na extremidade livre é: Exemplo 3 Considerando uma viga engastada e livre de seção transversal triangular com b=16cm e h=27cm, com vão L=5m e com carga pontual P=10kN aplicada na extremidade, determine: Assim, temos o diagrama de momento fletor: 50.0 5.00m Seção transversal Figura 13: Viga engastada e livre sujeita a carga pontual P. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais ⒑0 kN 10.0 kN a. O diagrama de momento fletor. b. As tensões normais nos pontos destacados (considerar x = 20cm). 50.0kNm Figura 14: Diagrama de momento fletor. Fonte: Elaborado pelo autor. 70 b. As tensões normais nos pontos indicados. As tensões normais para cada ponto são encontradas aplicando-se a fórmula básica de flexão reta variando somente a distância y do ponto avaliado até o centroide da figura. O momento fletor e o momento de inércia calculados não variam. O sinal positivo ou negativo é determinado pela localização do ponto na região comprimida (sinal negativo) ou tracionada (sinal positivo). a. O diagrama de momento fletor. b. As tensões normais nos pontos destacados (considerar x = 12cm): 4.00 kN/m 5.00 m Seção transversal Figura 15: Viga engastada e livre sujeita a carregamento distribuído q. Fonte: Elaborado pelo autor. a. O diagrama de momento fletor Inicialmente, calculamos o momento de inércia de uma viga com seção circular: Exemplo 4 Considerando uma viga engastada e livre de seção transversal circular com diâmetro d=40cm, com vão L=5m e com carga distribuída q=4kN/m aplicada na extremidade, determine: Resistência dos Materiais O momento máximo para uma viga engastada e livre sujeita a um carregamento distribuído é: 71 Assim, temos o diagrama de momento fletor: 50.0 ⒛0 kN 50.0kNm Figura 16: Diagrama de momento fletor. Fonte: Elaborado pelo autor. b. As tensões normais nos pontos indicados. 3. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Composta Reta A tensão normal em um ponto P qualquer é dada por: As tensões normais para cada ponto são encontradas aplicando-se a fórmula básica de flexão reta variando somente a distância y do ponto avaliado até o centroide da figura. O momento fletor e o momento de inércia calculados não variam. O sinal positivo ou negativo é determinado pela localização do ponto na região comprimida (sinal negativo) ou tracionada (sinal positivo). Resistência dos Materiais 72 Onde Mx: momento aplicado no eixo x. Ix: momento de inércia da seção transversal ao longo do eixo x. N: força normal. A: área da seção transversal. y: distância na direção do eixo y (vertical) entre o ponto P e o centroide C da figura. Os sinais positivo e negativo indicam, respectivamente, se existe tração ou compressão na região onde se encontra o ponto em que a tensão é calculada por causa da aplicação do momento. O mesmo é considerado para a força normal N, na qual é adotado o sinal positivo para tração e negativo para compressão. A seção transversal é cortada pela linha neutra (LN) que passa pelo seu centroide. Nas extremidades da seção, surgem a tensão superior e a tensão inferior que serão valores máximos de tensão normal de compressão e tração definidos de acordo com a orientação do momento aplicado. A tensão máxima nas extremidades da seção será calculada por meio da composição das parcelas do momento fletor e da força normal aplicados. Observe: Tensão média Tensão superior Tensão inferior Tensão máxima superior Tensão máxima inferior Figura 17: Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx em corte.Fonte: Elaborado pelo autor. De acordo com o sentido do momento aplicado e utilizando a “Regra da Mão Direita”, são definidas as regiões em que ocorre tração ou compressão na seção. A convenção tomada como positiva é mostrada na figura abaixo para os esforços normal, cortante e momento fletor. M Regra da mão direita esq. dir. Convenção positiva Figura 18: Convenção adotada. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Quando um corpo é submetido a esforços de flexão, parte das fibras que o constituem são tracionadas, e a outra parte é comprimida. A Resistência dos Materiais 73 Linha Neutra (LN) é uma linha intermediária em que a deformação e a tensão para as fibras se tornam nulas, não ocorrendo encurtamento nem alongamento das mesmas. A linha neutra vai interceptar uma seção transversal do elemento que pode ser chamada de superfície neutra. у Vista lateral da seção Tensão superior Tensão média LN Tensão inferior Tensão máxima superior = Centróide d LN Tensão máxima inferior Figura 19: Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx em vista lateral. Fonte: Elaborado pelo autor. Seção transversal Figura 20: Viga de seção retangular submetida à flexão composta reta por momento Mx aplicado no sentido positivo.Fonte: Elaborado pelo autor. Exemplo 5 a. Tensão máxima superior e inferior A seção transversal retangular abaixo com b= 15cm e h=26cm é solicitada à Flexão Composta Reta e são aplicados Mx=40kNm e N=300kN. A distância d destacada na figura é 10cm. Calcule: ▪ Área a. Tensão máxima superior e inferior b. A Tensão Normal no ponto P; c. A posição da L.N. Resistência dos Materiais ▪ Momento de inércia 74 ▪ Tensão superior Exemplo 6 ▪ Tensão inferior A seção transversal retangular abaixo com b= 17cm e h=28cm é solicitada à Flexão Composta Reta e são aplicados Mx=25kNm e N=+400kN. A distância d destacada na figura é 6cm. Calcule: a. Tensão máxima superior e inferior b. A Tensão Normal no ponto P; c. A posição da L.N. b. A Tensão Normal no ponto P d Centróide c. A posição da L.N Através da formulação: Resistência dos Materiais Seção transversal Figura 21: Viga de seção retangular submetida à flexão composta reta por momento Mx aplicado no sentido negativo. Fonte: Elaborado pelo autor. 75 a. Tensão máxima superior e inferior b. A Tensão Normal no ponto P; ▪ Área ▪ Momento de inércia c. A posição da L.N Através da formulação: Tensão superior Exemplo 7 ▪ Tensão inferior A seção transversal triangular abaixo com b=18cm e h=30cm é solicitada à Flexão Composta Reta e são aplicados Mx=12kNm e N=-180kN. A distância d destacada na figura é 18cm. Calcule: a. Tensão máxima superior e inferior b. A Tensão Normal no ponto P; c. A posição da L.N. Resistência dos Materiais 76 ▪ Tensão superior у P N MX d Centróide x ▪ Tensão inferior Seção transversal Figura 22: Viga de seção triangular submetida à flexão composta reta por momento Mx aplicado no sentido negativo. Fonte: Elaborado pelo autor. a. Tensão máxima superior e inferior b. A Tensão Normal no ponto P; ▪ Área ▪ Momento de inércia c. A posição da L.N Através da formulação: Resistência dos Materiais 77 a. Tensão máxima superior e inferior ▪ Área ▪ Momento de inércia Exemplo 8 A seção transversal circular abaixo com diâmetro D=20 cm é solicitada à Flexão Composta Reta e são aplicados Mx=10kNm e N=+150kN. A distância d destacada na figura é 4cm. Calcule: ▪ Tensão superior a. Tensão máxima superior e inferior b. A Tensão Normal no ponto P; c. A posição da L.N. у MX d N ▪ Tensão inferior Centróide P Seção transversal x Figura 23: Viga de seção circular submetida à flexão composta reta por momento Mx aplicado no sentido positivo. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais 78 b. A tensão normal no ponto P c. A posição da L.N Através da formulação: determinada a posição da linha neutra. A flexão composta reta é muito comum também em pilares. Referências ARAGÃO FILHO, I. S.; Resistência dos materiais II – Aula 07. Notas de aula. BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. Neste capítulo, foi possível compreender como funciona a configuração de tensões normais em elementos de viga a partir da aplicação de um momento fletor em uma direção ou pela combinação deste momento com uma força normal. Quando o momento é aplicado na seção transversal da viga em uma única direção surge o efeito denominado flexão reta ou simples. Quando o momento é aplicado em uma direção juntamente com uma força normal temos a flexão composta reta. Para os dois tipos de flexão abordados, foram calculadas as tensões normais máximas, ou em um ponto específico da seção transversal, e Resistência dos Materiais 79 Resistência dos Materiais Tensões Normais em Vigas sob Flexão Composta Para início de conversa... Objetivos A resistência dos materiais fornece uma explicação sobre o comportamento de um corpo submetido a forças externas em consideração com o efeito interno causado, diferenciando-se dos estudos da estática em que os efeitos externos das forças são analisados isoladamente. Para isso, é preciso analisar o corpo segundo todos os esforços que podem atuar sobre ele: esforço axial (tração e compressão), cisalhamento, flexão e torção. ▪ Compreender a configuração de tensões normais a partir da aplicação de momento fletor em 2 direções (flexão oblíqua) ou da combinação de momento fletor em 2 direções e esforço normal (flexão composta oblíqua). ▪ Calcular as tensões normais em elementos estruturais submetidos à flexão oblíqua ou à flexão composta oblíqua. ▪ Identificar a posição da linha neutra em seções transversais de elementos submetidos à flexão oblíqua ou à flexão composta oblíqua. Ao longo do nosso estudo, vimos os esforços axiais de tração e compressão, o cisalhamento e a torção sob elementos de viga. Neste capítulo, abordaremos a flexão oblíqua, um tipo de flexão que surge no elemento por causa da aplicação de dois momentos, sendo um na direção x e outro na direção y (ou um momento aplicado fora dos eixos locais que têm projeção de componentes sobre esses eixos), podendo ou não ser acompanhado de uma força normal aplicada. Veremos uma melhor explicação desse efeito de flexão ao fazer os exercícios que serão trabalhados durante a unidade de aprendizagem. Esses exercícios foram retirados do material de aula de Ribeiro, dos livros Resistência dos materiais, de Hibbeler, e Mecânica dos materiais, de Beer e Johnston, presentes nas referências. Resistência dos Materiais 81 1. Comportamento de Vigas na Flexão Oblíqua A flexão oblíqua se caracteriza pela aplicação da combinação do momento fletor em 2 direções aplicadas na seção transversal do elemento de viga em estudo. Se além da combinação de momento fletor em 2 direções ocorrer a ação simultânea de uma força normal, chamamos, então, de flexão composta oblíqua, na qual o momento fletor está em “composição” com o esforço normal. Quando falamos de flexão composta oblíqua, embora seja bastante comum encontrar esse tipo de flexão em vigas, estamos entrando também no comportamento de pilares, que, em sua maioria, trabalham sob flexão composta, seja ela reta ou oblíqua. Existem quatro tipos de flexão: simples ou reta, composta reta, oblíqua e composta oblíqua. Vejamos: ▪ Flexão simples ou reta у C MX Centróide MX X Figura 1: Flexão simples ou reta. Fonte: Elaborado pelo autor. ▪ Flexão composta reta A flexão composta reta ocorre em função da aplicação simultânea de um momento fletor (pode ser aplicado tanto na direção x quanto na direção y) e de uma força normal na seção transversal de um elemento de viga. Observe: A flexão simples ou reta ocorre em função da aplicação de um momento fletor na seção transversal de um elemento de viga. Esse momento pode ser aplicado tanto na direção x quanto na direção y. A seguir, segue a identificação da seção transversal de uma viga sujeita a um momento fletor aplicado na direção x. Resistência dos Materiais LN X у MX N C X LN 82 ▪ Flexão composta oblíqua A flexão composta oblíqua ocorre em função da ação simultânea da combinação de um momento fletor em 2 direções aplicadas na seção transversal de um elemento de viga com uma força normal. N MX Centróide X Figura 2: Flexão composta reta. Fonte: Elaborado pelo autor. ▪ Flexão oblíqua у A flexão oblíqua ocorre em função da combinação de um momento fletor I um elemento de viga. em 2 direções aplicadas na seção transversal de y MX N C MX у MX C MX LN X Centróide X Mу X LN N Centróide X MY Figura 4: Flexão composta oblíqua. Fonte: Elaborado pelo autor. M� MY Figura 3: Flexão oblíqua. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais 83 2. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Oblíqua A tensão normal em um ponto P qualquer é dada por: σ M .y Ix σP = ± x ± Nm.m N unidade = = 2 = Pa m4 m M y .x Iy Sinais ? (+) tração ( - ) compr. Vetores: (gira) ( transl. ) Os sinais positivo e negativo indicam, respectivamente, se existe tração ou compressão na região onde se encontra o ponto em que a tensão é calculada em função da aplicação do momento. A seção transversal é cortada pela linha neutra (LN) que passa pelo seu centroide. Nas extremidades da seção, surgem a tensão superior e a tensão inferior para a direção x, e a tensão direita e a tensão esquerda para a direção y, que serão valores máximos de tensão normal de compressão e tração definidos de acordo com a orientação dos momentos aplicados. Tesão Superior M F - MX Centróide Em que: X LN + Mx: Momento aplicado no eixo x. Tesão Inferior Ix: Momento de inércia ao longo do eixo x. Iy: Momento de inércia ao longo do eixo y. x: Distância na direção do eixo x (horizontal) entre o ponto P e o centroide C da figura. y: Distância na direção do eixo y (vertical) entre o ponto P e o centroide C da figura. Resistência dos Materiais M Figura 5:Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx e pelo momento My em corte. Fonte: Elaborado pelo autor. O sentido dos momentos Mx e My é determinado de acordo com a chamada “Regra da mão direita”: 84 Vamos a alguns exemplos: M Exemplo 1 esq. Regra da Mão direita A seção transversal retangular abaixo com b= 17cm e h=28cm é solicitada à Flexão Composta Oblíqua e são aplicados Mx=25kNm, My=18kNm e N=-400kN. Calcule: dir. b. O diagrama de tensões normais. c. A tensão normal no ponto P. d. A posição da L.N. Convenção Positiva Figura 6: Convenção adotada. Fonte: Adaptado de Beer; Johnston (2008). Vista Lateral da Seção Tensão Superior + + Tensão Inferior Tensão Média - M Tensão Máxima Superior - LN = N LN + 0 Centróide ç Tensão Máxima Inferior Figura 7: Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx em vista lateral. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais 3 1 Se ão Transversal Figura 8: Viga de seção retangular submetida à flexão composta oblíqua pelos momentos Mx e My aplicados no sentido positivo. Fonte: Elaborado pelo autor. 85 a. Tensão nas extremidades 25.103. 0,14 18.103. 0, 085 400.103 16,3 MPa + − = + 11,3 .106 + 13, 4.106 − 8, 4.106 = 3,110 x10−4 1,146 x10−4 0, 0476 ( σD = + ▪ Área ) ( ) ( ) 25.103. 0,14 18.103. 0, 085 400.103 − − = + 11,3 .106 − 13, 4.106 − 8, 4.106 = −10,5 MPa 3,110 x10−4 1,146 x10−4 0, 0476 ( A=b.h=0,17 . 0,28=0,0476 m² σE = + ▪ Momento de Inércia b. A tensão normal no ponto P 3 .h ³ 0,17 x0, 28 = Ix b= = 0, 0003110 = 3,110 x10−4 m 4 12 12 h.b ³ 0, 28 x0,173 = Iy = = 0, 0001146 = 1,146 x10−4 m 4 12 12 ) ( ) ( ) 25.103. 0, 04 18.103. 0, 055 400.103 + − = + 3, 2 .106 + 8, 6.106 − 8, 4.106 = +3, 4 MPa 3,110 x10−4 1,146 x10−4 0, 0476 ( σP = + ) ( ) ( ) c. A posição da L.N Através da formulação: ▪ Tensão M .y Ix σP = ± x P± 3 3 3 M y . xP Iy ± 25.103 .y LN 18.103 . x LN 400.103 =0 σ LN = 3,110 x 10-4 1,146 x 10-4 0,0476 N A -80,4.yLN-157,1.xLN - 8,4 = 0 25.10 . 0,14 18.10 . 0, 085 400.10 + − = − 11,3 .106 + 13, 4.106 − 8, 4.106 = −6,3 MPa 3,110 x10−4 1,146 x10−4 0, 0476 No 1º ponto temos x1 = - 0,085m, onde podemos obter y1= +0,062m = +6,2 cm 25.103. 0,14 18.103. 0, 085 400.103 − − = − 11,3 .106 − 13, 4.106 − 8, 4.106 = −33,1 MPa 3,110 x10−4 1,146 x10−4 0, 0476 No 2º ponto temos x2 = + 0,085m, onde podemos obter y2= -0,270m = - 27 cm σA = − σB = − ( ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ) 25.103. 0,14 18.103. 0, 085 400.103 16,3 MPa + − = + 11,3 .106 + 13, 4.106 − 8, 4.106 = 3,110 x10−4 1,146 x10−4 0, 0476 σD = + Resistência dos Materiais ( ) ( ) ( ) 86 3. Tensões Normais em Vigas sob Flexão Composta Oblíqua A tensão normal em um ponto P qualquer é dada por: M . y M y .x N σP = ± x ± ± Ix Iy A Unidade = Sinais ? Vetores Nm.m N ( = = Pa + )tração ( gira ) m4 m3 (−)comp. (transl.) M F Em que: considerado para a força normal N, em que é adotado o sinal positivo para tração e negativo para compressão. A seção transversal é cortada pela Linha Neutra (LN), que passa pelo seu centroide. Nas extremidades da seção, surgem a tensão superior e a tensão inferior para a direção x; e a tensão direita e a tensão esquerda para a direção y, que serão os valores máximos de tensão normal de compressão e tração definidos de acordo com a orientação dos momentos aplicados. A tensão máxima nas extremidades da seção será calculada por meio da composição das parcelas do momento fletor nas 2 direções e da força normal aplicados. Mx: Momento aplicado no eixo x. Ix: Momento de inércia ao longo do eixo x. Compressão у MX Centróide LN X Iy: Momento de inércia ao longo do eixo y. Tração x: Distância na direção do eixo x (horizontal) entre o ponto P e o centroide C da figura. Mу y: Distância na direção do eixo y (vertical) entre o ponto P e o centroide C da figura. N: Força normal. Compressão LN LN Compressão Compressão Tração A: Área da seção transversal. Os sinais positivo e negativo indicam, respectivamente, se existe tração ou compressão na região onde se encontra o ponto em que a tensão é calculada em função da aplicação do momento. O mesmo é Resistência dos Materiais Figura 09: Região comprimida e região tracionada pelo momento Mx e pelo momento My em corte e pela força normal N de tração. Elaborada pelo autor. 87 O sentido dos momentos Mx e My é determinado de acordo com a chamada “Regra da mão direita”: M esq. Regra da Mão direita Exemplo 2 A seção transversal retangular abaixo com b= 15cm e h=26cm é solicitada à Flexão Composta Oblíqua e são aplicados Mx=40kNm, My=10kNm e N=-300kN. Calcule: a. Tensão nas extremidades; b. A Tensão Normal no ponto P; c. A posição da L.N. dir. Convenção Positiva Figura 10: Convenção adotada (BEER E JOHNSTON, 2008). Vista Lateral da Seção Tensão Superior + + Tensão Inferior Tensão Média - - LN = Centróide 10 3 LN + Tensão Máxima Inferior Figura 11: Região comprimida e região tracionada pelo momento My e pelo momento Mx em vista lateral Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais N Tensão Máxima Superior M Seção Transversal Figura 12: Viga de seção retangular submetida à flexão composta oblíqua pelos momentos Mx no sentido positivo e My no sentido negativo. Fonte: Elaborada pelo autor. 88 a. Tensão nas extremidades b. A tensão normal no ponto P. ▪ Área 40.103. 0, 03 10.103. 0, 045 300.103 + − = + 5,5 .106 + 6, 2.106 − 7, 7.106 = +4, 0 MPa 2,197 x10−4 7,312 x10−5 0, 039 ( σE = + A=b.h=0,15 . 0,26=0,039 m² 40.103. yLN 10.103. xLN 300.103 − − = 0 2,197 x10−4 7,312 x10−5 0, 039 σ LN = − −182,1. yLN − 136,8.xLN − 8, 4 = 0 ▪ Tensão M .y Ix σP = ± x P± M y . xP Iy ± N A 40.103. 0,13 10.103. 0, 075 300.103 − − = − 23, 7 .106 − 10,3.106 − 7, 7.106 = −41, 7 MPa 2,197 x10−4 7,312 x10−5 0, 039 ( ) ( ) ( ) 40.103. 0,13 10.103. 0, 075 300.103 + − = − 23, 7 .106 + 10,3.106 − 7, 7.106 = −21,1 MPa 2,197 x10−4 7,312 x10−5 0, 039 ( ) ( ) ( ) 40.103. 0,13 10.103. 0, 075 300.103 − − = + 23, 7 .106 − 10,3.106 − 7, 7.106 = +5, 7 MPa 2,197 x10−4 7,312 x10−5 0, 039 σD = + ( ) ( ) ( ) 40.103. 0,13 10.103. 0, 075 300.103 + − = + 23, 7 .106 + 10,3.106 − 7, 7.106 = +26,3 MPa 2,197 x10−4 7,312 x10−5 0, 039 σE = + Resistência dos Materiais ) Através da formulação: b.h ³ 0,15 x0, 263 = = 0, 0002197 = 2,197 x10−4 m 4 12 12 h.b ³ 0, 26 x0,153 Iy = = = 7,312 x10−5 m 4 12 12 = Ix σB = − ) ( c. A posição da L.N. ▪ Momento de Inércia σA = − ) ( ( ) ( ) ( ) No 1º ponto temos x1 = - 0,075m, onde podemos obter y1= +0,010m = +1,0 cm No 2º ponto temos x2 = + 0,075m, onde podemos obter y2= -0,102m = -10,2cm Exemplo 3 A seção transversal triangular abaixo com b= 18cm e h=30cm é solicitada à Flexão Composta Oblíqua e são aplicados Mx=12kNm, My=5kNm e N=+180kN. Calcule: a. Tensão nas extremidades; b. A Tensão Normal no ponto P; c. A posição da L.N. 89 y = Iy 1 ▪ Tensão P N Centróide 18 h.b ³ 0,30 x 0,183 = = 0, 0000486 = 4,86 x10−5 m 4 36 36 M .y Ix σP = ± x P± x Seção Transversal M Figura 13: Viga de seção triangular submetida à flexão composta oblíqua pelos momentos Mx no sentido negativo e My no sentido positivo. Fonte: Elaborada pelo autor. a. Tensão nas extremidades ▪ Área M y . xP Iy ± N A 12.103. 0, 20 5.103. 0, 06 180.103 − + = − 17,8 .106 − 6, 2.106 + 6, 7.106 = −17,3 MPa 1,35 x10−4 4,86 x10−5 0, 027 σA = − ( ) ( ) ( ) 12.103. 0,10 5.103. 0, 06 180.103 − + = + 8,9 .106 − 6, 2.106 + 6, 7.106 = +9, 4 MPa 1,35 x10−4 4,86 x10−5 0, 027 ( σB = + ) ( ) ( ) 12.103. 0,10 5.103. 0,12 180.103 + + = + 8,9 .106 + 12,3.106 + 6, 7.106 = +27,9 MPa 1,35 x10−4 4,86 x10−5 0, 027 σD = + ( ) ( ) ( ) b. A tensão normal no ponto P = A b.h 0,18 . 0,30 = = 0, 027 m² 2 2 ▪ Momento de Inércia Ix = b.h ³ 0,18 x 0,303 = = 0, 000135 = 1,35 x10−4 m 4 36 36 Resistência dos Materiais 12.103. 0, 08 5.103. 0, 05 180.103 − + = − 7,1 .106 − 5,1.106 + 6, 7.106 = −5,5 MPa 1,35 x10−4 4,86 x10−5 0, 027 σP = − ( ) ( ) ( ) c. A posição da L.N Através da formulação: 90 12.103. yLN 5.103. xLN 180.103 σ LN = − − + = 0 1,35 x10−4 4,86 x10−5 0, 027 +88,9. yLN − 102,9.xLN + 6, 7 = 0 No 1º ponto temos x1 = - 0,06m, onde podemos obter y1= -0,145m = -14,5 cm No 2º ponto temos y2 = - 0,10m, onde podemos obter x2= -0,021m = - 2,1 cm Neste capítulo, falamos sobre como funciona a configuração de tensões normais em elementos de viga a partir da aplicação de momento fletor em duas direções ou pela combinação destes momentos com uma força normal. Quando os momentos são aplicados na seção transversal da viga em duas direções surge o efeito denominado flexão oblíqua. Quando os momentos são aplicados juntamente com uma força normal temos a flexão composta oblíqua. Referências ARAGÃO FILHO, I. S. Resistência dos materiais II – Aula 08. Notas de aula. BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. Para os dois tipos de flexão abordados, foram calculadas as tensões normais máximas, ou em um ponto específico da seção transversal, e determinada a posição da linha neutra. A flexão composta oblíqua é muito comum também em pilares. Resistência dos Materiais 91 Resistência dos Materiais Tensões Normais em Vigas de Seções Compostas sob Flexão Para início de conversa... Objetivos O cálculo da tensão normal em vigas de seção composta será o assunto desta unidade de aprendizagem. A determinação da tensão normal, a partir da flexão em vigas que apresentam seções compostas, é feita igualmente em seções simples. Contudo, é necessário, de antemão, determinar a posição do centroide da figura e o momento de inércia para os eixos de rotação preestabelecidos. ▪ Compreender a configuração de tensões normais a partir da aplicação de momento fletor em uma ou duas direções (flexão reta ou oblíqua) ou da combinação de momento fletor em uma ou duas direções e esforço normal (flexão composta reta ou oblíqua) em seções compostas. ▪ Determinar o centroide da área da seção do elemento e o momento de inércia relacionado a um eixo. ▪ Calcular as tensões normais em elementos estruturais de seção composta submetidos à flexão reta ou oblíqua ou à flexão composta reta ou oblíqua. ▪ Identificar a posição da linha neutra em seções transversais compostas de elementos submetidos à flexão reta ou oblíqua ou à flexão composta reta ou oblíqua. Em caso de seções compostas, o primeiro passo para achar o centroide é arbitrar os eixos x e y. Após isso, a área composta deverá ser dividida em figuras simples e, por meio da utilização da fórmula apresentada ao longo da unidade, será possível calcular o centroide. E o mesmo será feito com o cálculo dos momentos de inércia, estabelecendo sempre uma relação entre os eixos de rotação em que se quer descobrir o momento de inércia com os eixos que passam pelo centroide da figura ou das partes desmembradas em figuras simples. Resistência dos Materiais 93 1. Comportamento de Vigas sob Flexão em Seções Compostas Quando analisamos o comportamento de uma viga submetida a esforços de flexão, podemos encontrar 3 tipos de situações: flexão pura, flexão simples e flexão composta. Flexão Simples ou Reta A flexão simples ou reta ocorre em virtude da aplicação de um momento fletor na seção transversal de um elemento de viga. Esse momento pode ser aplicado tanto na direção x quanto na direção y. Abaixo, segue a identificação da seção transversal de uma viga sujeita a um momento fletor aplicado na direção x. Na flexão pura, o único esforço interno atuante é o momento fletor, ou seja, somente existe a presença do momento fletor na seção da viga, sendo o esforço cortante e o esforço normal nulos. σP = + Na flexão simples, o esforço normal é nulo, mas existe a presença do esforço cortante e do momento fletor. Na flexão composta, situação muito comum em pórticos, existe a presença de 3 esforços internos: o esforço normal, o esforço cortante e o momento fletor. A seção da viga analisada pode ser formada por uma figura geométrica simples como um quadrado, retângulo, triângulo ou círculo, ou ser formada a partir de uma composição destas figuras, recebendo o nome de vigas de seções compostas. Estes tipos de vigas serão estudados nesta unidade. Abaixo, relembraremos os tipos de flexão. Resistência dos Materiais M X .y Ix Y Mx Centróide X Figura 01: Flexão simples ou reta. Fonte: Elaborado pelo autor. 94 FLEXÃO OBLÍQUA Flexão Composta Reta σP = + A flexão composta reta ocorre em virtude da aplicação simultânea de um momento fletor (pode ser aplicado tanto na direção x quanto na direção y) e de uma força normal na seção transversal de um elemento de viga. σP = + M X .y Ix Y Mx Centróide + N A Ix + M Y .X Iy Y Mx X M X .y Centróide X MY Figura 03: Flexão oblíqua. Fonte: Elaborado pelo autor. Flexão Composta Oblíqua Figura 02: Flexão composta reta. Fonte: Elaborado pelo autor. Flexão Oblíqua A flexão composta oblíqua ocorre por conta da ação simultânea da combinação de momento fletor em duas direções aplicadas na seção transversal de um elemento de viga com uma força normal. A flexão oblíqua ocorre em virtude da combinação de momento fletor em duas direções aplicadas na seção transversal de um elemento de viga. Resistência dos Materiais 95 FLEXÃO COMPOSTA RETA σP = + M X .y Ix + M y .x Iy Y Mx Centróide + Caso a forma geométrica represente uma seção homogênea de um corpo, então o centroide coincide com o centro de massa. N A Nos casos em que o corpo é homogêneo e está submetido a um campo gravitacional constante e uniforme, podemos dizer que esse ponto coincide com o centro de gravidade. X Campo gravitacional Campo gravitacional CG=CM=C C CG=CM Figura 04: Flexão composta oblíqua. Fonte: Elaborado pelo autor. 2. Centroide de Área e Momento de Inércia Antes de determinarmos a tensão normal por conta da flexão em uma viga de seção composta, precisamos conhecer qual a posição do centroide da área da figura e quais os momentos de inércia de acordo com os eixos estudados. Centroide de Área O centroide, também conhecido como centro geométrico, é o ponto associado a uma forma geométrica que determina a posição do centro de uma área. Resistência dos Materiais Campo gravitacional Madeira C CMCM Granito Figura 05: Centroide, centro de massa e centro gravitacional Fonte: Adaptado de Santos (2015). O centroide de uma área pode estar localizado sobre o eixo de simetria desta área, ou seja, a figura é simétrica com relação a um dos eixos e, 96 neste caso, o centroide ficará localizado sobre este eixo. Na Figura 6, temos um exemplo em que o semicírculo contido no plano xy possui simetria em relação ao eixo y e, por isso, o centroide C está localizado sobre ele. Para cada elemento de área à distância +x à direita do eixo y, há um elemento idêntico à distância –x à esquerda. y C C x C y Figura 07: Figuras simétricas em torno dos eixos que se encontram no centroide. Fonte: Adaptado de Santos (2015). C dA dA x -x +x Para áreas simples, formadas por uma figura geométrica única, já temos a posição do centroide tabelada, como é o caso do retângulo e do triângulo, por exemplo. Área de retângulo b 2 Figura 06: Semicírculo com simetria no eixo y. Fonte: Adaptado de Santos (2015). No entanto, a figura pode apresentar simetria com relação aos dois eixos e, neste caso, quando a área possuir dois eixos de simetria, o centroide estará localizado no encontro desses eixos, como pode ser observado na Figura 7. C b Área de triângulo retângulo h h 2 b 3 Área de um quarto de círculo 4r 3π C 4r 3π r área sob uma parábola C h 3 b b b ⒊h C 4 10 h Área de um setor circular 2r sen 3α α α C r Figura 08: Posição do centroide em figuras tabeladas Fonte: Adaptado de Santos (2015). Resistência dos Materiais 97 Em caso de áreas compostas, o processo para achar o centroide da figura recai na resolução de uma integral para cada eixo. Contudo, se for possível dividir a área em partes menores de forma simples cuja posição do centroide conhecemos, poderemos calcular o centroide da figura composta sem utilizar a integral, somente por meio do somatório das partes. Y Y C yc xc y1 X xc = Área 1 Área 2 X1 e X2 Ao dividir uma área em outras partes, é necessário: 1. Conhecer a localização do centroide de cada parte. 2. Identificar a distância desse centroide até os eixos x e y. 3. Calcular a área de cada parte. ci i ∑ y .A ∑A ci i i C1 Quando temos uma área composta por muitas figuras simples, fica mais fácil construir uma planilha: C2 y2 ∑ x .A ∑A i yc = Figura 09: Determinação da posição do centroide. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais 4. Encontrar as coordenadas do centroide ou as distâncias algébricas, usando as expressões abaixo: Elemento X Xci (m) Yci (m) Ai (m2) Xci.Ai (m3) Xci.Ai (m3) 1 2 3 ... n ∑ Figura 10: Planilha para determinação da posição do centroide. Fonte: Elaborado pelo autor. 98 Uma observação muito importante no cálculo do centroide é a atenção com os sinais negativos. Eles vão surgir em casos de regiões com furos e vazios na figura, ou quando as figuras simples estiverem em coordenadas negativas, de acordo com o sistema de eixos. Momento de Inércia O momento de inércia pode ser definido como o grau de dificuldade ou a resistência em se alterar o estado de movimento de um corpo em rotação; depende da distribuição de massa em torno de um eixo de rotação escolhido de forma arbitrária. A relação do momento de inércia com a resistência à rotação é diretamente proporcional: quanto maior for o momento de inércia de um corpo, mais difícil será para girá-lo ou alterar sua rotação. A porção de massa que se encontra mais afastada do eixo de giro contribui mais para o valor do momento de inércia. A = Área C d x´´ x x´ Figura 11: Eixos de rotação para cálculo do momento de inércia na figura. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais Podemos calcular o momento de inércia para qualquer eixo de rotação. Os valores de momento de inércia de figuras simples, passando pelo centroide desta figura, são tabelados, assim como acontece com a posição do centroide. Contudo, caso o eixo de rotação não passe pelo centroide da figura, devemos então utilizar o Teorema dos Eixos Paralelos para calcular o momento de inércia. É um teorema que permite calcular o momento de inércia em um eixo de rotação que passa por uma posição diferente do centroide da figura, com relação ao eixo que se localiza no centroide, levando em consideração a distância entre eles. O momento de inércia do novo eixo é dado por: I x= I xx + A.d 2 'x' I x "= I xx + A.d 2 x" Onde: Ixx = Momento de inércia da figura passando pelo centroide C. A = Área da figura. d = Distância do eixo de rotação em que se quer calcular o momento de inércia até o eixo de rotação que passa pelo centroide da figura. Como exemplos da aplicação do teorema dos eixos paralelos, temos o cálculo do momento de inércia da figura abaixo, com relação ao eixo de rotação x’ e com relação ao eixo de rotação y’. 99 ▪ Momento de inércia em x’ (Ix’) = I x '2 Y Y C yc xc y1 X Área 1 C1 X1 C2 X2 C y2 yc As distâncias entre os centroides de cada parte da figura e o centroide da figura composta na direção vertical são dadas pelas fórmulas abaixo: dy1 X' Área 2 b2 .h23 + ( b2 .h2 ) .dy2 2 12 dy2 dy= yc1 − yc 1 dy= yc − yc 2 2 ▪ Momento de inércia em y’ (Iy) X Y Figura 12: Determinação do momento de inércia em x’. Fonte: Elaborado pelo autor. Y O momento de inércia total é calculado a partir da soma dos momentos de inércia de cada parte da figura subdividida. I= I x '1 + I x '2 x' b1.h13 = I x '1 + ( b1.h1 ) .dy12 12 dx1= dx2 = 0 Figura simétrica no eixo y Área 1 y’ C C yc xc C1 C2 X Área 2 x1, x2 e xc X Figura 13: Determinação do momento de inércia em y’. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais 100 O momento de inércia total é calculado a partir da soma dos momentos de inércia de cada parte da figura subdividida. I= I y '1 + I y '2 y' = I y '1 h1.b13 + ( h1.b1 ) .dx12 12 = I y '2 h2 .b23 + ( h2 .b2 ) .dx2 2 12 As distâncias entre os centroides de cada parte da figura e o centroide da figura composta na direção horizontal são dadas pelas fórmulas abaixo: dx= xc1 − xc 1 já estudadas em seções simples. A única diferença é que, basicamente, irá existir uma etapa a mais antes do cálculo da tensão: a determinação do momento de inércia da seção composta que será avaliada. Veremos algumas resoluções nos próximos exemplos. Exemplo 1 A seção transversal em T abaixo é solicitada à Flexão Composta Oblíqua e são aplicados Mx=20kNm, My=10kNm e N=-350kN. Calcule: a. A posição do centroide. a. Os momentos de inércia. b. Tensões normais nos pontos destacados. c. A posição da L.N. dx= xc − xc 2 2 y Como a figura é simétrica no eixo y as distâncias dx1 e dx2 são iguais a 0 (zero). O cálculo das tensões normais em vigas submetidas a flexão reta ou oblíqua formadas por seções compostas segue as mesmas formulações Resistência dos Materiais My A 4cm Mx 3. Tensões Normais em Vigas Sob Flexão em Seções Compostas My N 4cm x B C 16cm Mx N D 12cm Figura 14: Viga de seção em T submetida à flexão composta oblíqua pelos momentos Mx e My. Fonte: Elaborado pelo autor. 101 a. A posição do centroide Y Área 1 Área 1 C1 C C2 C2 Área 2 xc = xc y . A y . A + y . A 6. (12.4 ) + 14. ( 4.12 ) ∑ = = = 10 cm A +A 12.4 + 4.12 ∑A = yc i c1 ci i i c1 1 c2 1 2 1 c2 1 2 2 2 Ou com a nova posição dos eixos x e y: X Figura 16: Posição do centroide C com eixos x e y internos aos retângulos. Fonte: Elaborado pelo autor. x . A x . A + x . A 6. (12.4 ) + 6. ( 4.12 ) ∑ = = = 6 cm A + A + 12.4 4.12 A ∑ i = yc Área 2 X Figura 15: Posição do centroide C com eixos x e y externos aos retângulos. Fonte: Elaborado pelo autor. ci C1 C yc = xc y x . A x . A + x . A 0. (12.4 ) + 0. ( 4.12 ) ∑ = = = 0 cm A +A 12.4 + 4.12 ∑A ci i c1 i 1 c2 1 2 2 y . A y . A + y . A 6. (12.4 ) + 14. ( 4.12 ) ∑ = = = 10 cm A + A + 12.4 4.12 A ∑ ci i c1 i 1 c2 1 2 2 b. Momentos de inércia Em X: Resistência dos Materiais 102 Y y1 Onde: Área 1 C1 C C2 y2 yc Área 2 x1 e x 2 dy1 = yc1 − yc = 14, 00 − 10, 00 = 4, 00 cm X1 dy1 X’ dy2 X2 X dy2 =yc − y2 c =10, 00 − 6, 00 =4, 00 cm Em Y: Y dx1 = dx2 = 0 Figura simétrica no eixo y Área 1 y’ Figura 17: Determinação do momento de inércia em x.Fonte: Elaborado pelo autor. C I= I x '1 + I x '2 x' 3 1 3 3 3 b1.h 0,12.0, 04 + ( b1.h1 ) .dy12 = + ( 0,12.0, 04 ) .0, 042 = I x '1 = 8,32.10−6 m 4 12 12 b2 .h2 0, 04.0,12 + ( b2 .h2 ) .dy2 2 = + ( 0, 04.0,12 ) .0, 042 = I x '2 = 1,344.10−5 m 4 12 12 I x ' = 0,832.10−5 + 1,344.10−5 = 2,176.10−5 m 4 Resistência dos Materiais C1 C2 Área 2 x1, x2 e xC X Figura 18: Determinação do momento de inércia em y. Fonte: Elaborado pelo autor. 103 I= I y '1 + I y '2 y' h1.b13 0, 04.0,123 2 = I y '1 = + ( b1.h1 ) .dx1 = 5, 76.10−6 m 4 12 12 3 h2 .b2 0,12.0, 043 + ( b2 .h2 ) .dx2 2 = = I y '2 = 6, 4.10−7 m 4 12 12 −6 −6 I y ' = 5, 76.10 + 0, 64.10 = 6, 4.10−6 m 4 20.103. ( 0, 06 ) 10.103. ( 0, 06 ) 350.103 M x . y M y .x N + − = − + − = −55,1 + 93,8 − 36,5 = +2, 2 MPa Ix Iy A 2,176.10−5 6, 4.10−6 9, 6.10−3 σA = − 20.103. ( 0, 02 ) 10.103. ( 0, 02 ) 350.103 M x . y M y .x N − − = − − − = −18, 4 − 31,3 − 36,5 = −86, 2 MPa Ix Iy A 2,176.10−5 6, 4.10−6 9, 6.10−3 σB = − M . y M y .x N 350.103 + − =0 + 0 − =−36,5 MPa Ix Iy A 9, 6.10−3 σC = x Posição da LN Onde: Através da formulação: dx1 = 0 dx2 = 0 c. Tensões normais nos pontos destacados My A B C Mx N D Figura 19: Composição das tensões normais. Fonte: Elaborado pelo autor. Resistência dos Materiais 20.103. y 2,176.10 LN σ LN = − − −5 10.103. xLN 350.103 0 − = 6, 4.10−6 9, 6.10−3 −919,1. yLN − 1562,5.xLN − 36,5 = 0 ▪ No 1º ponto temos x1 = - 0,02m, onde podemos obter y1= -0,0057m = -0,57 cm ▪ No 2º ponto temos x2 = + 0,02m, onde podemos obter y2= -0,074m = -7,4cm O estudo das tensões normais em vigas, a partir da flexão, pode ser compreendido como um processo lógico e objetivo. A partir do conhecimento dos momentos fletores atuantes e do esforço normal, sendo algum deles nulo ou não, podemos entender se a viga está 104 sujeita a uma flexão reta ou oblíqua, composta ou não, de acordo com a presença do esforço normal. Independentemente do tipo de seção transversal analisada, a formulação da flexão será a mesma. Em casos de seções mais complexas, que chamamos de compostas, além de determinarmos a tensão normal, vamos estabelecer, anteriormente, o centroide da figura composta, e o momento de inércia, de acordo com os eixos de rotação pedidos. E finalmente, a tensão normal em cada ponto predeterminado da figura e a posição da linha neutra onde a tensão é nula podem ser calculados para a seção estudada. Referências SANTOS, R. M. Centroide. Mecânica dos Sólidos. Professora do Departamento de Engenharia Civil da Unigranrio. 2015. Resistência dos Materiais 105 Resistência dos Materiais Flambagem de Colunas Para início de conversa... Objetivos Quando uma coluna é submetida a um esforço normal de compressão, podem ocorrer dois tipos de situações: a coluna escoa ou flamba. O fenômeno da flambagem é caracterizado pela perda repentina da estabilidade da coluna, em virtude da ocorrência de um deslocamento lateral (deflexão) súbito ao atingir a chamada carga crítica. Valores abaixo da carga crítica não provocam deflexão na coluna; já o escoamento ocorre quando é atingida a tensão de escoamento. O menor valor entre a tensão crítica de flambagem e a tensão de escoamento determina se a coluna irá flambar ou escoar, respectivamente. ▪ Compreender o comportamento do fenômeno de flambagem em elementos sob compressão. ▪ Entender e aplicar o modelo matemático associado ao fenômeno de flambagem para determinar a carga crítica ou tensão crítica. ▪ Identificar os efeitos das condições de contorno e estimar a curva de flambagem. Veremos uma melhor explicação desta flambagem em colunas, por meio dos exercícios que serão trabalhados durante a unidade de aprendizagem. Resistência dos Materiais 107 1. Carga Crítica de Flambagem Pcr P>Pcr Pcr (a) P>Pcr (b) Podemos definir a flambagem de colunas como um efeito que tende a deslocar, lateralmente, (deflexão) elementos classificados como esbeltos, quando solicitados por uma força normal de compressão. A força normal capaz de causar a flambagem de uma coluna chama-se carga crítica. As forças normais com valores abaixo da carga crítica não causam nenhum deslocamento lateral, ou deflexão, na coluna, portanto, não existe efeito de flambagem em colunas nesse caso. Atingida a carga crítica, ocorre então o fenômeno de flambagem. Resumindo: Se N < NCRIT. → Não ocorre flambagem Se N >= NCRIT → Ocorre flambagem A flambagem é um fenômeno de natureza súbita, em que o deslocamento lateral (deflexão) só ocorre quando a carga crítica é atingida. A partir do momento em que é atingida, o deslocamento lateral tende ao infinito. Figura 01: Carga crítica em colunas. Fonte: Adaptado de HIBBELER ( 2010). A carga crítica de flambagem foi estudada, primeiramente, pelo matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783) e chamada de fórmula de Euler (1757) para colunas bi-rotuladas (simplesmente bi-apoiada) e perfeitas (homogêneas, isotrópicas e sem excentricidades). A fórmula da carga crítica de flambagem é apresentada a seguir e sua respectiva unidade é N (Newton). Resistência dos Materiais 108 NCRIT. = π 2 ⋅E⋅I L 2 unidade = N / m2 ⋅ m4 =N m2 A coluna pode apresentar uma seção diferente da quadrada ou circular e, neste caso, possui lados com dimensões diferentes ou uma assimetria na seção. Assim, é importante avaliar qual a inércia será utilizada no cálculo da carga crítica de flambagem. Para a coluna, vista na Figura 1, se avaliarmos em qual inércia a seção irá flambar, teremos como resposta a menor inércia; se avaliarmos a fórmula da carga crítica apresentada acima, é possível chegarmos à conclusão que, entrando com o valor do menor momento de inércia, obteremos o menor valor de carga crítica, assim como o maior valor de momento de inércia resultará na obtenção de uma carga crítica maior. Consideramos como carga crítica de flambagem aquela que ocorre primeiro e leva a coluna a flambar primeiro, ou seja, o menor dos dois valores, pois se a coluna flamba para um valor de carga crítica menor obtida, utilizando no cálculo a menor inércia, o valor de carga crítica calculado para a maior inércia nunca irá ocorrer. Peças que estão submetidas a esforço normal de compressão podem escoar ou flambar. As colunas classificadas como robustas se associam ao fenômeno do escoamento, enquanto que as colunas classificadas como esbeltas estão propensas a flambar. A partir do momento que ocorre o escoamento de uma coluna, essa jamais irá flambar, assim como o contrário também acontece: uma coluna que flamba não escoará. Resistência dos Materiais Esses dois fenômenos acontecem isoladamente. Nas colunas submetidas ao esforço normal de tração, somente poderá ocorrer o fenômeno do escoamento. Devemos lembrar também que não é somente a flambagem que pode ocorrer nos pilares quando submetidos a esforços de compressão. Os fenômenos que podem acontecer são: flambagem, compressão e cisalhamento, como é mostrado na figura abaixo. Flambagem Compressão Cisalhamento Figura 02: Fenômenos em pilares. Fonte: Adaptado de FRANKLIN (2018). 109 P σ σu σe ruptura escoamento P L P P Le= 2L L = Le L Le= 0,5L Le= 0,7L L σe: tensão de escoamento σcrit: tensão crítica Figura 03: Curva tensão x deformação. Fonte: Elaborado pelo autor. 2. Efeitos das Condições de Contorno A fórmula de Euler para carga crítica de flambagem foi determinada para uma coluna bi-rotulada. Posteriormente, foram estudadas colunas com diferentes tipos de vínculos como é mostrada na figura abaixo: Resistência dos Materiais Extremidades presas por pinos Uma extremidade engastada e a outra livre Extremidades engastadas Extremidades engastadas e presas por pinos K=1 K=2 K = 0,5 K = 0,7 (b) (c) (a) (a) Figura 04: Fator k para diferentes tipos de vínculos em colunas. Fonte: Adaptado de HIBBELER ( 2010). Para cada tipo de vínculo, estabeleceu-se um fator k definido como o que torna equivalente a deflexão de diferentes tipos de apoios em colunas, como a biapoiada. Ou seja, é a relação entre a distância dos pontos de inflexão da deformada, em que os momentos são nulos. Com a introdução do fator k, a carga crítica de flambagem passa a se chamar de carga crítica efetiva de flambagem e fica da seguinte forma: 110 N CRIT. = 3. Curva de Flambagem de Elementos Metálicos π 2 ⋅E⋅I (k.L)2 Na vida real, é possível exemplificar os tipos de vínculos mostrados na Figura 4 com alguns sistemas estruturais utilizados no dia a dia. A Figura 5 apresenta exemplos para as situações bi-engastada (k=0,5), engastadaapoiada (k=0,7) e biapoiada (k=1,0). Quando uma coluna possui fundação em sapata, ela é considerada apoiada; já uma coluna sob uma fundação em bloco estaqueado mantém uma relação de engastamento. Na outra extremidade da coluna, temos a viga chegando nela. Se a viga é alta, considera-se a relação de engastamento; se a viga é baixa, dizemos que a viga serve somente como apoio para a coluna. A tensão crítica efetiva pode ser estabelecida a partir da carga crítica efetiva. σ= CRIT N CRIT π 2 .E.I 1 . = = 2 A ( k .L ) A π 2 .E .I = 2 ( k .L ) . A π 2 .E π 2 .E π 2 .E = = 2 2 2 A A ( k .L ) . k .L I k .L. I I A Definindo o raio de giro: r= I A iesb = k .L r x y E o índice de esbeltez efetivo: y x 4m A tensão crítica efetiva reescrita fica da seguinte forma: Figura 05: Fatores k em exemplos reais. Fonte: Adaptado de HIBBELER ( 2010). Resistência dos Materiais σ CRIT = π 2 .E iesb 2 111 A fórmula da tensão crítica efetiva acima tem as mesmas características que a equação de uma hipérbole. y= Cte x2 E descreve o que chamamos de Curva de Euler. σ σe y Peças curtas y lim Peças esbeltas Na prática, a Curva de Euler pode ser substituída pela curva teórica mostrada na Figura 7, que separa o comportamento de uma coluna classificada como robusta e de uma coluna esbelta. As colunas robustas não chegam a flambar e, portanto, neste trecho, não faz sentido existir uma relação gráfica de hipérbole entre a tensão crítica efetiva e o índice de esbeltez. Em colunas robustas, acontece o fenômeno de escoamento antes da flambagem, como vimos anteriormente, e por isso, temos um patamar bem-definido limitante no gráfico da curva teórica para a tensão de escoamento da coluna. Há, ainda, uma terceira curva, chamada de Curva Experimental, que é desenhada, na prática, em ensaios de compressão em laboratórios e demonstra o comportamento real de uma coluna. Durante o ensaio, são avaliadas as tensões críticas efetivas para diversas relações de índice de esbeltez da coluna e anotados os pontos no gráfico. Ao final, é gerada uma curva experimental, que traduz o melhor comportamento dos pontos obtidos. Figura 06: Curva de Euler Fonte: Adaptado de BASTOS (2011). A Curva de Euler é uma curva teórica, que estabelece a relação gráfica entre a tensão crítica efetiva e o índice de esbeltez da coluna determinada por uma hipérbole. Resistência dos Materiais 112 a. Os momentos de inércia nas 2 direções; b. As cargas críticas; c. As tensões críticas; d. Determine se a coluna é robusta ou esbelta; e. Em cada item abaixo diga se a coluna escoa, flamba em qual eixo ou nada acontece; σ σe Peças curtas y lim Peças esbeltas y σ σ σe σe Peças curtas y lim Peças esbeltas Peças curtas N=500kN N=800kN y y lim Peças esbeltas Figura 07: Curvas relacionando tensão crítica com índice de esbeltez. Fonte: Elaborada pelo autor. A partir da teoria de flambagem de colunas estudadas até aqui, veremos alguns exemplos de colunas submetidas a esforços normais de compressão, onde ocorre a flambagem ou o escoamento destas colunas. Exemplo 1 Uma coluna de aço A36 (E = 200 GPa e σe = 250 MPa) possui seção retangular e é solicitada por uma força de compressão N. Sabendo que a coluna possui 2,0 m de comprimento e encontra-se engastada na base e livre no topo, determine: Resistência dos Materiais N=1000kN N=1500kN f. Qual o índice de esbeltez efetivo da coluna? 12cm 8cm N Centroide y x Seção transversal Figura 08: Seção retangular submetida à carga N de compressão. Fonte: Elaborada pelo autor. 113 a. Os momentos de inércia nas 2 direções: = Ix d. Determine se a coluna é robusta ou esbelta: bx .hx 3 0, 08.0,123 = = 1,152.10−5 m 4 12 12 CRIT . X = σ CRIT .Y 65,8 MPa → menor by .hy 3 0,12.0, 083 Iy = = = 5,12.10−6 m 4 12 12 b. As cargas críticas: = N CRIT . X = N CRIT .Y π .E.I x 2 = 2 ( k .L ) π 2 .E .I Y = 2 ( k .L ) σ= CRIT .Y N .1,152.10−5 m 4 m2 = 1421, 2 kN 2 ( 2, 0.2, 0m ) π 2 .200.109 N .5,12.10−6 m 4 2 m = 631, 7 kN 2 ( 2, 0.2, 0m ) π 2 .200.109 N CRIT . X 1421, 2.103 N = = 148, 0 MPa A 0, 08m.0,12m N CRIT .Y 631, 7.103 N = = 65,8 MPa A 0, 08m.0,12m Resistência dos Materiais σ e = 250 MPa A coluna é esbelta, pois pode flambar e nunca escoar! c. As tensões críticas: σ= CRIT . X = 148, 0 MPa e. Em cada item abaixo diga se a coluna escoa, flamba em qual eixo ou nada acontece: 1. N=500kN σ atua. = N atua. 500.103 N = = 52,1 MPa → σ atua. < σ CRIT .Y → Nada acontece A 0, 08m.0,12m 2. N=800kN σ atua. = N atua. 800.103 N = = 83,3 MPa → σ atua. > σ CRIT .Y → Flamba emY A 0, 08m.0,12m 3. N=1000kN N atua. 1000.103 N σ atua. = = = 104, 2 MPa → σ atua. > σ CRIT .Y → Flamba emY A 0, 08m.0,12m 114 4. N=1500kN σ atua. = 3 N atua. 1500.10 N = = 156,3 MPa → σ atua. > σ CRIT .Y → Flamba emY A 0, 08m.0,12m Obs: Embora a tensão atuante também seja maior que a tensão crítica em x, a primeira a ser ultrapassada é a tensão crítica em y, logo a coluna flamba em y. N=500kN N=800kN N=1000kN N=1500kN f. Qual o índice de esbeltez efetivo da coluna? 12cm f. Qual o índice de esbeltez efetivo da coluna? i= esb.Y b.hy k .L 12 12 = k .L. = k .L. = 2, 0.2, 0. = 173, 2 3 b.hy /12 hy 0, 08 Iy 8cm A Exemplo 2 Uma coluna de aço A36 (E = 200 GPa e σe = 250 MPa) possui seção triangular e é solicitada por uma força de compressão N. Sabendo que a coluna possui 3,0m de comprimento e encontra-se engastada na base e apoiada no topo, determine: a. Os momentos de inércia nas 2 direções; b. As cargas críticas; c. As tensões críticas; d. Determine se a coluna é robusta ou esbelta; e. Em cada item abaixo diga se a coluna escoa, flamba em qual eixo ou nada acontece; Resistência dos Materiais y N Centroide x Seção transversal Figura 09: Seção triangular submetida à carga N de compressão. Fonte: Elaborada pelo autor. a. Os momentos de inércia nas 2 direções: = Ix bx .hx 3 0, 08.0,123 = = 3,84.10−6 m 4 36 36 115 by .hy 3 0,12.0, 083 Iy = = = 1, 71.10−6 m 4 36 36 b. As cargas críticas: 2 9 N −6 4 π 2 .E.I x π .200.10 m 2 .3,84.10 m = = = 1718,8 kN N CRIT . X 2 2 ( k .L ) ( 0, 7.3, 0m ) N 2 π .200.109 2 .1, 71.10−6 m 4 2 π .E .I Y m = = = 765, 4 kN N CRIT .Y 2 2 ( k .L ) ( 0, 7.3, 0m ) c. As tensões críticas: σ CRIT . X ℵ σ= CRIT .Y N CRIT . X A A coluna é esbelta, pois pode flambar e nunca escoar! e. Em cada item abaixo diga se a coluna escoa, flamba em qual eixo ou nada acontece: 1. N=500kN σ atua. = 1718,8.103 N 0, 08m.0,12m / 2 358,1 MPa 3 d. Determine se a coluna é robusta ou esbelta: σ CRIT . X = 358,1 MPa σ CRIT .Y = 159,5 MPa N atua. 500.103 N = = 104, 2 MPa → σ atua. < σ CRIT .Y → Nada acontece A 0, 08m.0,12m / 2 2. N=800kN σ atua. = N CRIT .Y 765, 4.10 N = = 159,5 MPa A 0, 08m.0,12m / 2 Resistência dos Materiais σ e = 250 MPa N atua. 800.103 N = = 166, 7 MPa → σ atua. > σ CRIT .Y → Flamba em y A 0, 08m.0,12m / 2 3. N=1000kN σ atua. = N atua. 1000.103 N = = 208,3 MPa → σ atua. > σ CRIT .Y → Flamba em y A 0, 08m.0,12m / 2 4. N=1500kN σ atua. = N atua. 1500.103 N = = 312,5 MPa → σ atua. > σ CRIT .Y → Flamba em y A 0, 08m.0,12m / 2 Obs: Embora a tensão atuante também seja maior que a tensão de escoamento, a primeira a ser ultrapassada é a tensão crítica em y, logo a 116 coluna flamba em y antes que possa ocorrer o escoamento. Qual o índice de esbeltez efetivo da coluna? f. Qual o índice de esbeltez efetivo da coluna? i= esb.Y 10cm b.hy / 2 k .L 18 18 = k .L. = k .L. = 0, 7.3, 0. = 111, 4 3 b.hy / 36 hy 0, 08 Iy A N Exemplo 3 Uma coluna de aço A36 (E = 200 GPa e σe = 250 MPa) possui seção circular e é solicitada por uma força de compressão N. Sabendo que a coluna possui 1,8m de comprimento e encontra-se apoiada na base e no topo, determine: a. O momento de inércia; b. A carga crítica; c. A tensão crítica; d. Determine se a coluna é robusta ou esbelta; e. Em cada item abaixo diga se a coluna escoa, flamba em qual eixo ou nada acontece; 1. N=1500kN 2. N=2000kN 3. N=3000kN Resistência dos Materiais Centroide y x Figura 10: Seção circular submetida à carga N de compressão.Fonte: Elaborada pelo autor. a. O momento de inércia: I = π .r 4 = 4 b. A carga crítica: = N CRIT π .0, 054 = 4,91.10−6 m 4 4 π .E .I x 2 = 2 ( k .L ) N .4,91.10−6 m 4 m2 = 2991,3 kN 2 (1, 0.1,8m ) π 2 .200.109 117 c. A tensão crítica: N CRIT . 2991,3.103 N 380,9 MPa = σ CRIT = = 2 A π . ( 0, 05m ) d. Determine se a coluna é robusta ou esbelta: σ CRIT 380,9 MPa σ e = 250 MPa A coluna é robusta, pois pode escoar e nunca flambar! e. Em cada item abaixo diga se a coluna escoa, flamba em qual eixo ou nada acontece: 1. N=1500kN σ atua=. N atua. 1500.103 N = = 191, 0 MPa → σ atua. < σ e → Nada acontece 2 A π . ( 0, 05m ) 2. N=2000kN σ atua=. N atua. 2000.103 N = = 254, 6 MPa → σ atua. > σ e → Escoa 2 A π . ( 0, 06m ) Resistência dos Materiais N=3000kN N atua. 3000.103 N σ atua=. = = 382, 0 MPa → σ atua. > σ e → Escoa 2 A π . ( 0, 06m ) Obs: Embora a tensão atuante também seja maior que a tensão crítica, a primeira a ser ultrapassada é a tensão de escoamento, logo a coluna escoa antes que possa ocorrer a flambagem. Qual o índice de esbeltez efetivo da coluna? iesb. = k .L π .r 2 4 2 2 k .L. = k .= L. 1, 0.1,8m. = 72 = k .L. = 4 2 π .r r r 0, 05m Iy 4 A De acordo com o apresentado nesta unidade de aprendizagem, podemos entender melhor como funciona o fenômeno de flambagem em colunas sujeitas a esforço normal de compressão. A flambagem de colunas é caracterizada pelo efeito da tendência de deslocamento lateral da coluna classificada como esbelta, a partir do momento que se atinge a carga crítica de flambagem. Vimos que o tipo de vinculação da coluna interfere diretamente no valor da carga crítica efetiva. Além disso, podemos determinar a tensão crítica efetiva e estabelecer uma relação gráfica com o índice de esbeltez conhecida como Curva de Euler. Além do fenômeno de flambagem, que ocorre em elementos esbeltos, existe 118 também o escoamento, que ocorre em elementos robustos; mas, os dois efeitos não podem ocorrer na mesma coluna, ou seja, uma coluna que escoa jamais irá flambar e uma coluna que flamba jamais irá escoar. Referências BASTOS, F. Notas de aula 15 – Flambagem. MAC, Faculdade de engenharia, UFJF. Resmat II. 2011. BEER, F.P.; JOHNSTON, E.R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. FRANKLIN, A. Análise de Flambagem em Pilares (Condições de Instabilidade). 2018. Disponível em: https://www.slideshare.net/atilfsr/ flambagem-85775403 Acesso em: 19 ago.2019. HIBBELER, Russel C. Resistência dos materiais. 7. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. MARTHA, L. F. Introdução à Análise de Estruturas. Disponível em: http:// webserver2.tecgraf.puc-rio.br/ftp_pub/lfm/civ1112-aula06.pdf. Acesso em: 19 ago.2019. Resistência dos Materiais 119 Resistência dos Materiais Deflexão de Vigas Para início de conversa... Objetivos Em nosso dia a dia, estamos cercados de diversos tipos de estruturas, como edifícios, carros, aviões, navios, entre outros, e todas estão sujeitas a sofrerem pequenas variações em sua forma quando estão em serviço. Essas pequenas variações, muitas das vezes, não são perceptíveis por um observador e estão associadas ao conceito de deflexão. ▪ Compreender o conceito de deflexões de vigas, ângulo de rotação e curvatura. ▪ Determinar a equação da curva de deflexão para cada viga com vínculos e carregamentos diferentes. ▪ Calcular as deflexões em pontos específicos ao longo do eixo da viga Nesta unidade de aprendizagem, vamos estudar a deflexão de vigas. Podemos definir deflexão como o deslocamento de qualquer ponto da viga com relação ao seu eixo. A curva de deflexão de vigas e colunas possui ângulos de rotação muito pequenos. O conceito de deflexão de vigas será melhor entendido mais adiante, pois veremos uma melhor explicação por meio dos exercícios que serão trabalhados durante a unidade. Resistência dos Materiais 121 1. Introdução ao Estudo de Deflexão em Vigas Quando temos uma viga sujeita à flexão simples, desenvolvemse deflexões e inclinações, ou seja, flechas e rotações ao longo do comprimento dessa viga. O método conhecido como Equação da Linha Elástica possibilita a formulação de uma função para determinar as deflexões em diferentes tipos de vigas, de acordo com seus vínculos e carregamentos. Considere a viga engastada e livre da Figura 1, sujeita a um carregamento concentrado P, orientado para cima, localizado na extremidade livre da viga. A viga está contida no plano xy, e todos os carregamentos irão atuar nesse plano, chamado de plano de flexão. O material da viga é baseado na lei de Hooke e as deformações são provenientes da flexão pura. y A du du P y v m1 ds A B x m1 v + dv m2 dx m2 θ + dθ ds θ v dv v x x dx x A curva de deflexão, mostrada com mais detalhes na Figura 2, identifica duas situações que ocorrem na viga flexionada: a deflexão em cada ponto ao longo do eixo e a rotação em cada ponto. B v B O’ Figura 02: Curva de deflexão de uma viga. Fonte: Adaptado de GERE (2003). P A Podemos definir deflexão ν como o deslocamento na direção y (vertical, nesse caso) de qualquer ponto da viga com relação ao seu eixo. Na Figura 1, como temos o eixo y sendo orientado positivamente para cima, a deflexão ν é positiva. x A rotação é dada pelo ângulo de rotação θ, definido como o ângulo entre o eixo x e a tangente à curva de deflexão. O ângulo θ será positivo no sentido anti-horário. Além disso, o ângulo de rotação pode ser também chamado de ângulo de inclinação ou ângulo de declive. Figura 01: Curva de deflexão de uma viga engastada e livre. Fonte: Adaptado de GERE (2003). Resistência dos Materiais 122 Para um ângulo de rotação muito pequeno, resulta-se em uma curva de deflexão quase horizontal. ds ≈ dx → coscos θ = 1 O raio de curvatura ρ representa a distância do centro de curvatura O’ até a curva. Assim, a curvatura é dada por: 1 dθ dθ k= = = ρ ds dx A convenção de sinal adotada para a curvatura é mostrada na Figura 3: y y + Curvatura Positiva 0 x Curvatura Negativa 0 x Figura 03: Convenção de sinais utilizada para a curvatura. Fonte: Adaptado de GERE (2003). A seguir, apresentaremos uma tabela com valores de pequenos ângulos em graus e radianos e seus respectivos senos e tangentes. Observando essa tabela, podemos afirmar que, para pequenos ângulos, os valores de seno e tangente são praticamente os mesmos valores do ângulo em Resistência dos Materiais radianos. Assim, é válido trabalhar com a aproximação de que, para um ângulo de até 14º, temos que sen θ é aproximadamente θ, e para ângulos de até 11º, a tan θ é aproximadamente θ. Para ângulos maiores que esses, a diferença entre os valores vai crescendo e não é mais possível garantir essa afirmação. α(graus) α(radianos) seno diferença (%) tangente diferença (%) 1 2 0,01745 0,03491 0,01745 0,03490 -0,01 -0,02 0,01746 0,03492 0,01 0,04 3 0,05236 0,05234 -0,05 0,05241 0,09 4 5 6 7 8 9 10 0,06981 0,08727 0,10472 0,12217 0,13963 0,15708 0,17453 0,06976 0,08716 0,10453 0,12187 0,13917 0,15643 0,17365 -0,08 -0,13 -0,18 -0,25 -0,32 -0,41 -0,51 0,06993 0,08749 0,10510 0,12278 0,14054 0,15838 0,17633 0,16 0,25 0,37 0,50 0,65 0,83 1,03 20 0,34907 0,34202 -2,02 0,36397 4,27 30 0,52360 0,50000 -4,51 0,57735 10,27 40 0,69813 0,64279 -7,93 0,83910 20,19 50 0,87266 0,76604 -12,22 1,19175 36,56 Tabela 1: Aproximação para pequenos ângulos. Fonte: Elaborado pelo autor. 123 Sabendo-se que tan θ é, aproximadamente, θ quando o valor de θ é muito pequeno: dν θ ≈ tanθ = dx Derivando em relação a x, temos: dθ d ²ν = dx dx ² E igualando com a curvatura: A equação acima pode ser integrada particularmente para se descobrir ν, M e EI em função de x. Outras equações podem ser escritas com base na relação entre o momento fletor M, a força cisalhante V e a intensidade do carregamento distribuído q: dV dM = −q = V dx dx As convenções de sinais para o momento fletor M, a força cisalhante V e a intensidade do carregamento distribuído q são mostradas na Figura 4: +M -M +V -V +q -q dθ 1 d ²ν =k →k = = dx ρ dx ² Se o material é elástico e linear e está de acordo com a Lei de Hooke, a curvatura é reescrita como: k= 1 M = ρ EI Em que M é o momento fletor e EI é a rigidez à flexão da viga. Organizando todo o raciocínio até aqui, a equação diferencial da curva de deflexão básica de uma viga resulta em: d ²ν M = dx ² EI Resistência dos Materiais Figura 04: Convenções de sinais para momento fletor M, força cortante V e carregamento distribuído q. Fonte: Adaptado de GERE (2003). 124 Sabe-se que deflexão ν, o momento fletor M e a rigidez EI estão em função de x e que: y "( x ) d² dx ² Uma outra forma de escrever a equação diferencial da curva de deflexão básica de uma viga de modo a simplificar é: E.I . y " ( x ) = M ( x ) Determinada a equação da curva de deflexão, podemos achar a deflexão ν por meio da utilização de um método chamado de Método de Integrações Sucessivas, que tem como objetivo integrar 2 vezes a equação diferencial da curva de deflexão: ▪ Integrar a equação da inclinação ν ' para obter a deflexão ν . Cada vez que integramos a equação diferencial, produzimos uma constante de integração. Os valores dessas constantes serão determinados a partir das condições relacionadas com as deflexões e inclinações. Após encontrarmos os valores das constantes de integração, devemos substituir nas expressões de deflexão e inclinação e, assim, serão obtidas as expressões finais para a curva de deflexão. Tais condições se classificam em três categorias, as quais veremos a seguir: a. Condições de contorno 1ª integração: ν ' = y′ ( x ) = ∫ y " ( x ) .dx 2ª integração: = ν y= ( x) ▪ Determinar as expressões para o momento fletor M na equação diferencial para cada região e integrar para obter a inclinação ν ' . ∫ y ' ( x ) .dx Na obtenção da deflexão são necessários três passos: As condições de contorno estão relacionadas às deflexões e inclinações nos apoios das vigas. Nas Figuras 5 e 6, podemos observar que, em caso de apoios de primeiro e segundo gênero, a deflexão é nula, contudo, a inclinação é diferente de zero e deverá ser determinada. Já para o apoio de terceiro gênero (apoio fixo), tanto a deflexão quanto a inclinação não existem. ▪ Escrever quais são as equações para os momentos fletores da viga. Resistência dos Materiais 125 A B A B VA = 0 VB = 0 b. Condições de continuidade As condições de continuidade surgirão em regiões intermediárias da viga, onde não há a presença de apoios, mas sabemos que a condição de continuidade deve se manter. Na Figura 7, podemos observar que no ponto C vai existir uma relação de continuidade, pois tanto a deflexão quanto a inclinação que chegam nesse ponto devido ao trecho de A a C e a deflexão e a inclinação que ocorrem no ponto C devido ao trecho de C a B possuem valores iguais. A C B Figura 05: Condições de contorno em apoio de primeiro e segundo gênero. Fonte: Adaptado de GERE (2003). A A A VA = 0 V ’A = 0 Figura 06: Condições de contorno em engaste. Fonte: Adaptado de GERE (2003). Resistência dos Materiais C B B B (V )AC = (V )CB (V ’)AC = (V ’)CB Figura 07: Condições de continuidade no ponto C. Fonte: Adaptado de GERE (2003). c. Condições de simetria Por simetria, podemos identificar que, em determinado ponto da viga, a deflexão ou a inclinação será nula ou será igual a outro ponto. Um exemplo disso é analisarmos uma viga submetida a um carregamento distribuído ao longo de todo o seu comprimento. Uma afirmação válida, nesse caso, é que a inclinação da curva de deflexão no ponto médio dessa viga deverá ser zero. 126 2. Formulação Via Equação da Linha Elástica Viga e Carregamento De acordo com o estudado até aqui, podemos entender a linha elástica como a curva que representa o eixo da viga após a sua deformação. A deflexão, nesse caso, seria o deslocamento de qualquer ponto no eixo da viga. P y y L x y L y L 1L 2 A determinação das constantes de integração é feita com base nas condições de contorno, condições de continuidade e condições de simetria da viga. y P 1L 2 L b Para a > b B w y L 1L 2 L M B L ymáx y A 2 2 Pb( L2 − b 2 )3/2 9 3EIL L2 − b 2 3 Pb( L2 − b 2 ) 6 EIL Pa( L2 − a 2 ) θB = + 6 EIL θA = − Para x < b : Pb [ x ³ − ( L ³ − B 2 ) x] 6 EIL Pa 2b 2 Para x = a : y = 3EIL − x ymáx L B L 3 − axm = O A x xmáx L M ymáx a A M x O L 2 2 ymáx M P M x O 1L 2 P ( x 2 − 3Lx ²) 6 EI ymáx L L Equação da linha elástica y= ymáx O Para descobrir qual a deflexão e a inclinação em qualquer ponto da viga, é necessário identificar a equação diferencial da curva de deflexão, ou também chamada de equação da linha elástica, e, com base em sucessivas integrações e pela determinação das constantes que surgem, estabelecer os valores de deflexão e inclinação no ponto estudado. Inclinação Máxima x L Ao flexionar a viga, ocorre, em cada ponto, ao longo do seu eixo, uma deflexão e uma rotação. O ângulo de rotação é o ângulo formado entre o eixo da viga na horizontal e a tangente à curva da linha elástica. Resistência dos Materiais L O w Para outros tipos de carregamentos e condições de apoio diferentes dos estudados aqui, existe na literatura a equação da linha elástica ou a equação da curva de deflexão para inclinação e deflexão, assim como as expressões para se calcular a deflexão máxima e a inclinação máxima de cada situação. Basta, nesse caso, substituir os valores de carregamento, rigidez, comprimento da viga e posição do ponto em que se quer calcular a deflexão e a inclinação. Deflexão Máxima Linha elástica ymáx x ML ³ 9 3EI ML 6 EI ML θB = − 3EI θA = + M 127 2 L a A L b B ymáx xmáx L w y L 1L 2 L M B y A L Pb( L2 − b 2 )3/2 9 3EIL L2 − b 2 3 Pb( L2 − b 2 ) 6 EIL Pa ( L2 − a 2 ) θB = + 6 EIL θA = − Pb [ x ³ − ( L ³ − B 2 ) x] 6 EIL Pa 2b 2 Para x = a : y = 3EIL − g. Qual o valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m da carga concentrada; h. A posição e o valor da flecha máxima; i. A posição e o valor da rotação máxima. x ymáx L B L 3 − axm = O A x ymáx x ML ³ 9 3EI ML 6 EI ML θB = − 3EI θA = + M L Figura 08: Deflexões e inclinações para vigas sujeitas a flexão simples. Fonte: Adaptado de BEER & JOHNSTON (2008). Para melhor fixação do conteúdo apresentado nesta unidade, serão resolvidos alguns exemplos, nas próximas páginas, para diversos tipos de vigas, englobando ao máximo as diferenças que podem ser encontradas diversas literaturas. Exemplo 1 Seja uma viga de aço (E = 200 GPa) em balanço com carga concentrada na extremidade livre sendo P = 50 kN. Sabendo que a viga possui seção transversal quadrada com b = 15 cm e h = 30 cm e comprimento L = 3,5 m, determine: d. A equação da linha elástica; e. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação); f. Qual a flecha e a rotação em um ponto afastado de 1 m do apoio; Resistência dos Materiais Vista lateral e deformada x P b y Seção transversal h Figura 09: Viga em balanço com carga concentrada na extremidade livre. Fonte: Elaborada pelo autor. a. A equação da linha elástica E.I . y " ( x ) = M ( x ) E.I . y " ( x ) = P.x y "( x ) = P.x E.I 128 b. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação) 1ª integração: = ∫ y ".dx P.x ∫ E.I .dx + C 1 P.x 2 + C1 y′= tgθ ≈ θ = 2.E.I 2ª integração: P.x 2 ∫ y '.dx= ∫ 2.E.I dx + ∫ C1.dx + C2 P.x3 y = + C1 x + C2 2.3.E.I Condições de contorno (pontos notáveis): Ponto A: xA= L e θA= 0 P.L2 0 = + C1 2.E.I P.L2 C1 = − 2.E.I Resistência dos Materiais Ponto A: xA= L e yA= 0 P.L3 P.L2 0= + − + C2 6.E.I 2.E.I C2 = P.L3 3.E.I Equações (validade entre x = 0 e x = L): Inclinação (rotação): θ≈ P.x 2 P.L2 − 2.E.I 2.E.I θ≈ P . x 2 − L2 2.E.I ( ) Deflexão (flecha): P.x 3 P.L2 P.L3 y= .x + + − 6.E.I 2.E.I 3.E.I P y= + x 3 − 3.L2 .x + 2.L3 6.E.I ( ) 129 c. O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m do apoio x=0 b.h3 0,15.0,303 Iz = = = 3,375.10−4 m 4 12 12 y =+ P P.L ³ 50.103.3,5³ 0 + 0 + 2.L3 =+ = =0, 0106 m =1, 06 cm 6.E.I 3.E.I 3.200.109.3,375.10−4 ( ) A posição e o valor da rotação máxima x = 2 m: 50.103 y= . 2,53 − 3 . 3,52.2,5 + 2 . 3,53 = 0, 00117 m= 0,12 cm 6.200.109.3,375.10−4 ( ) 50.103 . 2,52 − 3,5² = −0, 00222 rad = −0,13º 2.200.109.3,375.10−4 ( θ= ) d. O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m da carga concentrada x = 1 m: y= e. A posição e o valor da flecha máxima x=0 P P.L2 50.103.3,52 − = − = −0, 00454 rad = −0, 26º ( 0 − L² ) = 2.E.I 2.E.I 2.200.109.3,375.10−4 θ= + Exemplo 2 Seja uma viga de aço (E = 200 GPa) biapoiada com carga concentrada no meio do vão sendo P = 80 kN. Sabendo que a viga possui seção transversal T com bf = 12 cm, h = 14 cm, tf = tw= 3cm e comprimento L = 4,0 m, determine: Dados: Iy = 4,5 x 10-6 m4 50.103 . 13 − 3 . 3,52.1 + 2 . 3,53 = 0, 00617 m= 0, 62 cm 9 −4 6.200.10 .3,375.10 ( 3 ) 50.10 . 12 − 3,5² = −0, 00417 rad = −0, 24º 9 −4 2.200.10 .3,375.10 θ= Resistência dos Materiais ( ) Iz = 1,1 x 10-5 m4 a. A equação da linha elástica. b. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação). c. Qual o valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m do apoio. d. A posição e o valor da flecha máxima. e. A posição e o valor da rotação máxima. 130 y P L/2 L/2 bf tf tw y′ = tgθ = ≈θ h Seção transversal 2ª integração: ∫ y '.dx= Vista lateral e deformada y = Figura 10: Viga biapoiada com carga concentrada no meio do vão. Fonte: Elaborada pelo autor. a. A equação da linha elástica E.I . y " ( x ) = M ( x ) E.I . y " ( x ) = P .x 2 P.x y "( x ) = 2.E.I b. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação) 1ª integração: P.x = ∫ y ".dx ∫ 2.E.I .dx + C1 Resistência dos Materiais P.x 2 + C1 2.2.E.I P.x 2 ∫ 4.E.I dx + ∫ C1.dx + C2 P.x3 + C1 x + C2 3.4.E.I Condições de contorno (pontos notáveis): Ponto B: xB = L/2 e θB = 0 2 L P. 2 +C 0 = 1 4.E.I P.L2 C1 = − 16.E.I Ponto A: xA = 0 e yA = 0 0 = 0 + 0 + C2 C2 = 0 131 Equações (validade entre x = 0 e x = L/2): 80.103 . 4.12 − 4² = −0, 0273 rad = −1,56º 16.200.109.1,1.10−5 θ= Inclinação (rotação): θ≈ ( ) d. A posição e o valor da flecha máxima P.x 2 P.L2 − 4.E.I 16.E.I P ≈ . 4 x 2 − L2 16.E.I ( x = L/2 ) 3 P L P.L3 80.103.43 2 L y= + − = − = −0, 0485 m = −4,85 cm 4. − 3.L . = 48.E.I 2 48.E.I 48.200.109.1,1.10−5 2 A posição e o valor da rotação máxima Deflexão (flecha): x=0 P.x3 P.L2 y= + − .x 12.E.I 16.E.I P P.L2 80.103.42 − = − = −0, 036 rad = −2, 08º ( 0 − L² ) = 16.E.I 16.E.I 16.200.109.1,1.10−5 θ= + P y= + 4 x 3 − 3.L2 .x 48.E.I ( ) Exemplo 3 c. O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m do apoio I z = 1,1.10−5 m 4 x = 1 m: 80.103 y= 9 . 4 .13 − 3 . 42.1 = −0, 0333 m = −3,33cm 48.200.10 .1,1.10−5 Resistência dos Materiais ( ) Seja uma viga de aço (E = 200 GPa) em balanço com carga distribuída em todo o vão sendo q = 5 kN/m. Sabendo que a viga possui seção transversal triangular com b = 15 cm e h = 20 cm e comprimento L = 6 m, determine: a. A equação da linha elástica. b. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação). c. Qual o valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 2 m do 132 apoio. d. Qual o valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m da extremidade. e. A posição e o valor da flecha máxima. f. A posição e o valor da rotação máxima. L Vista lateral e deformada y A equação da linha elástica Resistência dos Materiais q.x ² 2 q.x ² 2.E.I As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação) b 1ª integração: h Seção transversal Figura 11: Viga em balanço com carga distribuída em todo o vão. Elaborada pelo autor. Dados: Material: Aço A36 E = 210 GPa (Módulo de Elasticidade) L=5m q = 1 kN/m E.I . y " ( x ) = y "( x ) = q x E.I . y " ( x ) = M ( x ) = ∫ y ü dx q.x ² ∫ ü E I dx + C y′ = tgθ = ≈θ 1 q.x ³ + C1 3.2.E.I 2ª integração: q.x ³ ∫ y '.dx= ∫ 6.E.I dx + ∫ C .dx + C y = 1 2 q.x 4 + C1 x + C2 4.6.E.I 133 Condições de contorno (pontos notáveis): Ponto A: xA = L e θA = 0 0 = q.L3 + C1 6.E.I 3 q.L C1 = − 6.E.I Ponto A: xA = L e yA = 0 q.L4 q.L3 0= + − .L + C2 24.E.I 6.E.I C2 = 4 q.L 8.E.I Deflexão (flecha): q.x 4 q.L3 q.L4 y= + − .x + 24.E.I 6.E.I 8.E.I q y= + x 4 − 4.L3 .x + 3.L4 24.E.I ( O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 2 m do apoio Iz = q.x 3 q.L3 θ≈ − 6.E.I 6.E.I q θ≈ . ( x 3 − L3 ) 6.E.I Resistência dos Materiais b.h3 0,15.0, 203 = = 3,33.10−5 m 4 36 36 x = 4 m: 5.103 4 y . 44 − 4.63.4 + 3.6= 0, 0217= m 2,17 cm = 9 −5 24.200.10 .3,33.10 ( Equações (validade entre x = 0 e x = L): Inclinação (rotação): ) ) 5.103 . 43 − 6³ = −0, 0190 rad = −1, 09º 6.200.109.3,33.10−5 θ= ( ) O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m da extremidade livre x = 1 m: 134 5.103 4 . 14 − 4.63.1 + 3.6= 0, 0946= m 9, 46 cm 9 −5 24.200.10 .3,33.10 5.103 . 13 − 6³ = θ= −0, 0269 rad = −1,54º 9 −5 6.200.10 .3,33.10 ( y = ( ) ) A posição e o valor da flecha máxima a. A equação da linha elástica. b. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação). c. O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m do apoio. d. A posição e o valor da flecha máxima. e. A posição e o valor da rotação máxima. L y x=0 q q q.L4 5.103.64 y =+ 0 + 0 + 3.L4 =+ = =0,1216 m =12,16 cm 24.E.I 8.E.I 8.200.109.3,33.10−5 ( ) b t h Seção transversal A posição e o valor da rotação máxima x=0 Vista lateral e deformada 3 3 3 q q.L 5.10 .6 − = − = −0, 0270 rad = −1,55º ( 0 − L³) = 6.E.I 6.E.I 6.200.109.3,33.10−5 θ= + Exemplo 4 Seja uma viga de aço (E = 200 GPa) biapoiada com carga distribuída em todo o vão sendo q = 2 kN/m. Sabendo que a viga possui seção transversal L com b = 15 cm, h = 17 cm, t = 3cm e comprimento L = 5 m, determine: Dados: Iy = 1,6 x 10-5 m4 Iz = 2,2 x 10-5 m4 Resistência dos Materiais Figura 12: Viga biapoiada com carga distribuída em todo o vão. Fonte: Elaborada pelo autor. a. A equação da linha elástica E.I . y " ( x ) = M ( x ) E.I . y= "( x ) y= "( x ) q.L x .x − q.x. 2 2 q.L.x q.x ² − 2.E.I 2.E.I 135 b. As equações de deflexão (flecha) e inclinação (rotação) 0 = 0 + 0 + C2 1ª integração: q.L.x q.x ² ∫ y ".dx = ∫ 2.E.I .dx − ∫ 2.E.I .dx + C y′= tgθ ≈ θ = 2 1 3 q.L.x q.x − + C1 2.2.E.I 3. 2.E.I 2ª integração: q.L.x 2 q.x ³ dx ∫ .dx − ∫ .dx + ∫ C1.dx + C2 ∫ y '.= 4.E.I 6.E.I = y Ponto A: xA = 0 e yA = 0 q.L.x 3 q.x 4 − + C1.x + C2 3.4.E.I 4.6.E.I Condições de contorno (pontos notáveis): Ponto B: xB = L/2 e θB = 0 2 3 L L q.L. q. 2 − 2 +C 0= 1 4.E.I 3 6.E.I q.L C1 = − 24.E.I Resistência dos Materiais C2 = 0 Equações (validade entre x = 0 e x = L/2): Inclinação (rotação): q.L.x 2 q.x3 q.L3 θ≈ − − 4.E.I 6.E.I 24.E.I q θ≈ . ( 6.L.x 2 − 4.x ³ − L ³ ) 24.E.I Deflexão (flecha): q.L.x 3 q.x 4 q.L3 .x y= + − − 12.E.I 24.E.I 24.E.I q y= + 2.L.x 3 − x 4 − L3 .x 24.E.I ( ) O valor da flecha e da rotação em um ponto afastado de 1 m do apoio I z = 2, 2.10−5 m 4 x = 1 m: 136 2.103 y= . −14 + 2.5.1³ − 53.1 = −0, 0022 m = −0, 22 cm 9 −5 24.200.10 .2, 2.10 ( ) 2.103 . −4.13 + 6.5.1² − 5³ = −0, 0018 rad = −0,11º 24.200.109.2, 2.10−5 θ= ( ) A posição e o valor da flecha máxima x = L/2 4 3 q L 5.q.L4 5.2.103.54 L 3 L y= + − = − = −0, 0037 m = −0,37 cm − + 2.L. − L . = 24.E.I 2 384.E.I 384.200.109.2, 2.10−5 2 2 A posição e o valor da rotação máxima x=0 q q.L3 2.103.53 − = − = −0, 0024 rad = −0,14º ( 0 − L² ) = 24.E.I 24.E.I 24.200.109.2, 2.10−5 θ= + Nesta unidade de aprendizagem, pudemos entender melhor o conceito de deflexão de vigas e inclinação. Para se determinar a equação diferencial da curva de deflexão de uma viga, também conhecida como equação da linha elástica, utiliza-se o Método das Integrações Sucessivas. Por meio das integrações realizadas, surgem as constantes de integração que deverão ser determinadas por meio de condições de contorno, condições de continuidade e condições de simetria da viga Resistência dos Materiais estudada. Após a determinação das constantes, é possível reescrever a equação da linha elástica e resolvê-la para encontrar a deflexão e a inclinação em qualquer ponto da viga. Alguns casos de carregamento e condições de contorno já se encontram tabelados na literatura e permitem o cálculo das deflexões e inclinações por meio da substituição dos valores de carregamento, rigidez, comprimento da viga e posição do ponto em que se quer calcular. Por fim, foram resolvidos alguns exemplos para melhor entendimento do conteúdo apresentado em uma abordagem de casos muito comuns encontrados em diversas literaturas. Referências BEER, F. P.; JOHNSTON, E. R. Mecânica dos materiais. 5 ed. São Paulo: Mc Graw Hill, 2008. GERE, J. M. Mecânica Learning, 2003. dos materiais. São Paulo: Thomson HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. 137
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