Instalações Hidráulicas e Prediais Instalações Prediais de Esgoto Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Eduarda Pereira 1ª Edição Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Sumário Instalações Prediais de Esgoto Para Início de Conversa... ................................................................................ 4 Objetivo .......................................................................................................... 4 1. Estudo da concepção do sistema ............................................................. 5 2. Estudo das contribuições e dimensionamento das instalações ............................................................................................... 11 3. Estudo das soluções para o destino dos efluentes finais Referências ................ 16 ......................................................................................................... 19 Instalações Hidráulicas e Prediais 3 Para Início de Conversa... Objetivo Por muito tempo, a humanidade viveu sob condições precárias de higiene. As instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário tal qual conhecemos hoje nem sempre foram dessa forma, evoluindo desde as civilizações antigas até os dias atuais. Durante a Idade Média, por exemplo, muitas epidemias foram relacionadas à falta de higiene e ao descarte incorreto do esgoto sanitário produzido nas edificações. Apresentar a concepção do sistema e dispositivos de esgotamento sanitário predial. Essas instalações representam um conjunto de elementos essenciais para uma habitação que proporcionam aos seus usuários condições mínimas de conforto, higiene, segurança e economia, cuja função principal é a de coletar, transportar e dar uma destinação final aos efluentes produzidos na edificação, sendo de grande importância para os indivíduos o meio ambiente e saúde coletiva. Instalações Hidráulicas e Prediais Dimensionar a contribuição de UHC e diâmetros dos condutores e dispositivos. Apresentar o modo de interligação da rede de esgoto ao seu deságue final. 4 1. Estudo da concepção do sistema De acordo com Creder (2006), o projeto de instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário envolve as seguintes atividades: O projeto de instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário deve atender às recomendações estabelecidas pela NBR 8160:1999 - Sistemas prediais de esgoto sanitário (ABNT, 1999). O sistema predial de esgoto sanitário é constituído pelo conjunto de tubulações e acessórios com a função de coletar e transportar os esgotos gerados em uma edificação para uma destinação apropriada, garantindo o encaminhamento dos gases para a atmosfera e evitando o seu retorno para as instalações (ABNT, 1999). ▪ Definição dos pontos de recepção dos esgotos. ▪ Definição dos pontos de destino e coletor predial. ▪ Definição e localização das tubulações de coleta, transporte e ventilação. ▪ Definição e localização dos dispositivos de inspeção. ▪ Definição da contribuição em Unidades Hunter de Contribuição. ▪ Especificação de materiais, equipamentos e dispositivos a serem utilizados. ▪ Elaboração de plantas. A referida norma estabelece que esta instalação deve ser projetada, de modo a: ▪ Evitar a contaminação da água, garantindo a sua qualidade para o consumo, tanto no interior dos sistemas de suprimento e equipamentos sanitários quanto em ambientes receptores. ▪ Permitir o rápido escoamento da água utilizada e dos despejos produzidos, evitando vazamentos e formação de depósitos no interior das tubulações. ▪ Impedir que os gases produzidos pelo esgoto sanitário atinjam áreas de utilização. ▪ Impedir o acesso de corpos estranhos ao interior do sistema. ▪ Permitir a fácil inspeção dos componentes da instalação. Instalações Hidráulicas e Prediais Para isso, é necessário que o projetista disponha de informações coletadas na concepção do projeto como a descrição dos projetos de arquitetura, estruturas e demais instalações da edificação como água fria, água quente, águas pluviais, gás, combate a incêndio, instalações elétricas, bem como o tipo de sistema de coleta que atende a localização e demais dados que sejam pertinentes ao projeto. Ao projetar o sistema de esgoto sanitário de uma edificação, é importante que você saiba diferenciar os tipos de esgotos gerados e que devem ser tratados e removidos pelas instalações. O tipo principal são as águas residuárias domésticas, que compreendem os despejos 5 líquidos ou efluentes de esgoto provenientes das habitações, prédios, estabelecimentos comerciais, indústrias, hospitais e outros. Podem ser dividas em (MACYNTIRE, 2021): ▪ Águas imundas ou negras: águas que contêm dejetos como material fecal, elevada quantidade de matéria orgânica com grande quantidade de micro-organismo. ▪ Águas servidas: águas que resultam de operações de lavagem e limpeza de cozinhas, banheiros e tanques. Tubo de queda Coluna de ventilação Ramais de descarga Ramal de ventilação Ramal de esgoto Além destas, as instalações ainda podem sofrer a ação das águas de infiltração que representam a parcela de água do subsolo que penetra nas tubulações em função da falta de estanqueidade. As principais partes que formam uma instalação de esgoto sanitário estão apresentadas na Figura 1. Figura 1: Partes constituintes de uma instalação de esgoto sanitário Fonte: Carvalho Júnior (2020, p. 173). São os principais componentes (CARVALHO JÚNIOR, 2020; MACYNTIRE, 2010; ABNT, 1999): ▪ Aparelhos sanitários: aparelho destinado ao uso de água para fins higiênicos ou receber dejetos e águas servidas. ▪ Dispositivos desconectores: são dispositivos dotados de fecho hídrico e que impedem a passagem de gases no sentido oposto ao deslocamento dos esgotos. Todos os aparelhos devem ser protegidos Instalações Hidráulicas e Prediais 6 por desconectores. Basicamente, são representados por ralos sifonados, caixas sifonadas, sifões e caixas retentoras. O fecho hídrico é a camada líquida que veda a passagem dos gases, contém uma altura (H) que representa a profundidade da camada líquida que separa os compartimentos de entrada e saída dos aparelhos. Veja exemplos de dispositivos dotados de fecho hídrico na Figura 2. Símbolo H H H a) b) Figura 2: a) Fecho hídrico de um sifão, b) Fecho hídrico em uma bacia sanitária. Fonte: Adaptado de Macyntire (2001). ▪ Ramal de descarga: é a tubulação que recebe diretamente os efluentes vindos dos aparelhos sanitários como lavatórios, bidês, banheiras, ralos, tanques e que devem ser ligadas à caixa sifonada Instalações Hidráulicas e Prediais para proteção da instalação contra os gases (Veja Figura 1). Você deve se atentar para os ramais das bacias sanitárias que devem ser ligados diretamente nas caixas de inspeção para edificações térreas ou nos tubos de queda (Veja Figura 1) para instalações em pavimento superior. ▪ Ramal de esgoto: é a tubulação que recebe os efluentes dos ramais de descarga diretamente ou a partir de um desconector, deve ser ligado ao coletor público por meio de caixas de inspeção ou tubos de queda. Atenção especial deve ser dada ao ramal da pia de cozinha, que possui elevada quantidade de gordura e, desta forma, deve ser ligado diretamente uma caixa de gordura em pavimentos térreos ou tubos de gordura em pavimentos superiores. ▪ Tubo de queda: é a tubulação vertical existente nas edificações a partir de dois pavimentos que recebe os efluentes de ramais de esgoto e ramais de descarga. Deve ser instalado sem desvios e com diâmetro uniforme, não deve ter diâmetro menor que ao da maior tubulação a ele ligada. Geralmente o ramal da bacia sanitária possui diâmetro de 100 mm, assim o tubo de queda deve possuir 100 mm ou mais de diâmetro. ▪ Tubo de gordura: é a tubulação vertical que deve ser prevista em edificações a partir de dois pavimentos para receber os efluentes de pias de cozinha e máquinas de lavar louças e descarregá-los em uma caixa de gordura coletiva. Devem possuir diâmetro mínimo de 75 mm. 7 ▪ Coluna de ventilação: é tubo ventilador vertical com extremidade superior aberta para a atmosfera, que deve se prolongar por no mínimo 30 cm de telhados ou lajes de cobertura ou 2 m acima do terraço de lajes com outras finalidades. ▪ Ramal de ventilação: é a tubulação de ventilação que liga o desconector, ou ramal, ou ramal de esgoto a uma coluna de ventilação ou tubo ventilador primário. Deve ser ligado à coluna de ventilação no mínimo a 15 cm acima do nível de transbordamento da água do mais alto dos aparelhos sanitários. A ventilação de uma instalação de esgoto sanitário é muito importante, pois possibilita o escoamento do ar da atmosfera para o interior das instalações e vice-versa, fazendo a troca gasosa e evitando a ruptura dos fechos hídricos (CARVALHO JÚNIOR, 2020). ▪ Subcoletor: é a tubulação que recebe os efluentes de um ou mais tubos de queda ou ramais de esgoto. Deve possuir diâmetro mínimo de 100 mm e declividade mínima de 1%, intercalados por dispositivos de inspeção. ▪ Caixas de inspeção: são dispositivos utilizados com a finalidade de inspeção, limpeza e desobstrução das tubulações. Devem ser previstas Instalações Hidráulicas e Prediais em localizações como os pés do dos tubos de queda, ramais de esgoto e sub-ramais em trecho reto longo, mudanças de nível. Além disso, devem ser localizados em áreas não construídas de forma a facilitar o acesso. Para garantir a acessibilidade destes dispositivos, devem ser respeitadas as seguintes condições: ▪ A distância entre dois dispositivos de inspeção não deve ser superior a 25 m. ▪ A distância entre a ligação do coletor predial com o coletor público e o dispositivo de inspeção mais próximo não deve ser superior a 15 m. ▪ Comprimentos entre trechos de ramais de descarga e esgoto de bacias sanitárias, caixas de gordura e caixas sifonadas, medidos entre os mesmos e os dispositivos de inspeção, não devem ser superiores a 10 m. ▪ Caixas de gordura: destinadas a reter, na sua parte superior, gorduras, graxas e óleos contidos no esgoto, formando camadas que devem ser removidas periodicamente, evitando que escoem livremente nas tubulações e obstruindo-as. ▪ Caixas de passagem: dispositivos que permitem a junção de tubulações do subsistema de esgoto sanitário. ▪ Coletor predial: é o trecho de tubulação situado entre a última inserção do subcoletor, ramal de esgoto ou de descarga, caixa de inspeção e o coletor público ou sistema particular. Deve ter diâmetro 8 mínimo de 100 mm e distante no máximo 15 m do coletor público. ▪ Coletor público: é a tubulação da rede coletora que recebe a contribuição vinda do coletor predial. Veja a disposição dos elementos constituintes de uma instalação de esgoto sanitário na Figura 3. Ventilação DN 50 Máquina de lavar roupas DN 50 Lavatório DN 40 Banheira DN 40 Ramal esgoto banheiro DN 75 Tanque DN 40 Pia DN40mm Materiais utilizados Ramal esgoto lavanderia DN 75 Chuveiro DN 40 Vaso sanitário DN 100 Ramal esgoto cozinha DN 50 Subcoletor DN 100 Coletor predial DN 100 Figura 3: Disposição dos componentes de uma instalação de esgoto sanitário Fonte: Carvalho Júnior (2019, p. 166). As instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário são dividas em (AZEVEDO NETTO, 2015): Instalações Hidráulicas e Prediais 1. Esgoto primário: compreende os trechos das tubulações e dispositivos conectados ao coletor público nos quais há acesso aos gases provenientes do coletor ou fossa séptica. Fazem parte o coletor predial, os subcoletores, caixas de inspeção, tubos de queda, ramais de descarga, ramais de esgoto, tubos e colunas de ventilação, desconectores. São os desconectores que fazem a divisão entre o esgoto primário e secundário. 2. Esgoto secundário: compreende os trechos das tubulações em que não há o acesso de gases. São os ramais dos aparelhos, exceto de vasos sanitários e mictórios. Os materiais a serem utilizados na execução das instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário devem ser especificadas em função do tipo de esgoto a ser conduzido, sua temperatura, efeitos químicos e físicos e de acordo com os esforços solicitantes (ABNT, 1999), sendo o cloreto de polivinila (PVC) o material mais utilizado para a tubulações e conexões. Este é um dos materiais mais versáteis, além de possuir baixo custo de manutenção e longa vida útil, apresenta ainda resistência mecânica, estabilidade dimensional, isolamento térmico, resistência à corrosão, leveza e facilidade de transportes, porém apresenta limitações como o alto coeficiente de dilatação, o que faz com que sejam utilizados líquidos em temperaturas de até 60 ºC. 9 Bolsa Cotovelo 90º com visita Cotovelo 90º L DN B dn L DN H H DN DN DN Luva M L Junção simples 45º Curva raio curto 90º L Curva raio longo 90º Tê sanitário curto dn L h Na Figura 5, conheça as principais conexões utilizadas nas instalações de esgoto sanitário. H DN L H H H dn h DN L DN DN L Curva raio curto 45º Curva raio longo 45º Cruzeta sanitária Tê sanitário longo h1 h L L1 L L2 Instalações Hidráulicas e Prediais h H DN L DN Figura 4: Tubulações de esgoto sanitário da série reforçada. Fonte: Dreamstime. H dn1 H H dn2 H h2 dn De acordo com a NBR 5688 – Tubos e conexões de PVC-U para sistemas prediais de água pluvial, esgoto sanitário e ventilação – Requisitos (ABNT, 2010), os diâmetros convencionais das tubulações de PVC utilizadas em instalações de esgoto sanitária são de 40, 50, 75, 100, 150 e 200 mm e comprimentos de 1,2 e 3m nos tipos ponta-bolsa e em comprimentos de 6m para o tipo ponta lisa. Vale ressaltar que essas tubulações e conexões são comercializadas em dois grupos: a série normal e a série reforçada. A série normal é composta pelas tubulações de cor branca, enquanto a série reforçada é caracterizada pela cor cinza, indicada para ser utilizada em trechos da instalação onde ocorrem os maiores impactos. Veja exemplos da série reforçada na Figura 4. DN DN Figura 5: Tubulações de esgoto sanitário da série reforçada Fonte: Adaptado de MACYNTIRE (2017). 10 2. Estudo das contribuições e dimensionamento das instalações O dimensionamento das instalações consiste na determinação dos diâmetros das tubulações para transporte da vazão de esgoto sanitário, desde os ramais de descarga até os trechos antes da conexão com o coletor público. Por sua vez, a vazão de esgoto varia em função da contribuição de cada aparelho sanitário, sendo determinada por meio das Unidades Hunter de Contribuição (UHC) (VERÓL, MIGUEZ, 2019). A UHC, também conhecida como unidade de descarga, é um fator probabilístico que representa a frequência habitual de uso, vazão típica e simultaneidade de funcionamentos dos aparelhos sanitários. O valor de uma UHC corresponde a uma descarga de 0,15 l/s, cada aparelho sanitário utilizado na instalação possui um valor de contribuição de UHC específico (AZEVEDO NETTO, 2015), conforme estabelecido pela NBR 8160 (ABNT, 1999), veja Tabela 1. Aparelho sanitário Número de UHC Diâmetro nominal mínimo do ramal de descarga (DN) Bacia sanitária 6 100 Banheira de residência 2 40 Bebedouro 0,5 40 Instalações Hidráulicas e Prediais 1 40 De residência 2 40 Coletivo 4 40 De residência 1 40 De uso geral 2 40 Válvula de descarga 6 75 Caixa de descarga 5 50 Descarga automática 2 40 De calha 2 50 Pia de cozinha residencial 3 50 Preparação 3 50 Lavagem 4 50 Tanque de lavar roupas 3 40 Máquina de lavar louças 2 50 Máquina de lavar louças 3 50 Bidê Chuveiro Lavatório Mictório Pia da cozinha industrial Tabela 1: UHC dos aparelhos sanitários e diâmetro mínimo dos ramais de descarga Fonte: ABNT (1999, p. 16). 11 Ramal de descarga O dimensionamento do ramal de descarga da instalação é realizado em função apenas da contribuição do aparelho a ele ligada de forma imediata, segundo os valores apresentados na tabela 1. Na referida tabela é possível observar o diâmetro mínimo a ser adotado para estas tubulações, de acordo com o número de UHC. Para os aparelhos não listados na Tabela 1, a NBR 8160 (ABNT, 1999) recomenda a adoção dos valores apresentados na Tabela 2. Diâmetro nominal mínimo do tubo (DN) Número máximo de UHC 40 3 50 6 75 20 100 160 Tabela 3: Dimensionamento de ramais de esgoto Fonte: ABNT (1999, p. 17). Diâmetro nominal mínimo do ramal de descarga (DN) Número de UHC 40 2 50 3 75 5 De acordo com a NBR 8160, os trechos horizontais previsto para coleta e transporte de esgoto sanitário devem possibilitar o escoamento por gravidade, dessa forma são é recomendada uma declividade mínima de 2% para tubulações com diâmetro nominal igual ou inferior a 75 mm e de 1% para tubulações com diâmetro nominal igual ou superior a 100 mm (ABNT, 1999). 100 6 Tubos de queda e gordura Tabela 2: UHC para aparelhos não relacionados na Tabela 1. Fonte: ABNT (1999, p. 17). Ramal de esgoto O diâmetro do ramal de esgoto é determinado em função da soma das contribuições de UHC, de acordo com os valores estabelecidos na Tabela 3. Instalações Hidráulicas e Prediais A NBR 8160 (ABNT, 1999) recomenda que os tubos de queda possuam diâmetro uniforme ao longo de sua extensão e em alinhamento reto. Porém, quando esta última recomendação não puder ser atendida, as mudanças de direção devem ser realizadas com uso de peças com ângulo central igual ou inferior a 90%, de preferência curvas de raio longo ou duas curvas de 45º. 12 Este fator influencia o dimensionamento da tubulação, pois quando a tubulação for retilínea o dimensionamento se dá por meio do somatório de UHC, de acordo com a tabela 4. Porém, quando houver mudança de direção, dois casos precisam ser analisados, veja-os abaixo (ABNT, 1999): a. Quando o desvio formar ângulo igual ou inferior a 45º com a vertical, o tubo de queda deve ser dimensionado, tal qual as tubulações retas por meio da tabela 4. b. Quando desvio formar ângulo maior que 45º com a vertical, o dimensionamento deve seguir a seguinte ordem: ▪ A parte do tubo de queda acima do desvio deve ser dimensionada como um tubo de queda independente, de acordo com os valores da tabela, considerando os aparelhos que contribuem para este trecho da tubulação. ▪ A parte horizontal do desvio deve ser dimensionada de acordo com os valores da Tabela 5. ▪ A parte do tubo de queda acima do desvio deve ser dimensionada considerando os aparelhos que contribuem para este trecho da tubulação, de acordo com os valores da Tabela 4. Fique atento para o diâmetro nominal adotado, pois este não deve ser inferior ao diâmetro da parte horizontal. Instalações Hidráulicas e Prediais Número máximo de UHC Diâmetro nominal do tubo (DN) Prédio de até três pavimentos Prédios com mais de três pavimentos 40 4 8 50 10 24 75 30 70 100 240 500 150 960 1900 200 2200 3600 250 3800 5600 300 600 8400 Tabela 4: Dimensionamento de tubos de queda e gordura. Fonte: ABNT (1999, p. 18). As tubulações verticais como os tubos de queda e de gordura devem permitir o fácil acesso para eventuais manutenções como as operações de desobstrução e limpeza. Dessa forma, recomenda-se utilizar conexões que permitam a inspeção junto às curvas. 13 Subcoletor e coletor predial Os subcoletores e o coletor predial podem ser dimensionados por meio do somatório de UHC e em função das declividades utilizadas (veja a Tabela 5). De acordo com a NBR 8160 (ABNT, 1999), o diâmetro nominal mínimo a ser utilizado por essas tubulações deve ser de 100 mm. As declividades utilizadas nas tubulações horizontais como essas permitem o escoamento do esgoto sanitário por gravidade, devendo ser constante ao longo do trecho. Dessa forma, os valores adotados para os subcoletores e coletor predial variam de 0,5 a 4%. Para os subcoletores e o coletor predial de prédios residenciais, deve ser considerado apenas o aparelho de maior descarga de cada banheiro para a soma do número de UHC. Enquanto para os demais casos, são considerados todos os aparelhos sanitários contribuintes (ABNT, 1999). Ramal de ventilação Para o dimensionamento do ramal de ventilação, a NBR 8160 (ABNT, 1999) especifica que essa tubulação não poderá ter diâmetro inferior aos limites determinados na Tabela 6. Grupo de aparelhos sem bacias sanitárias Grupo de aparelhos com bacias sanitárias Diâmetro nominal do tubo (DN) Número máximo de UHC em função das declividades mínimas (%) Número de UHC Diâmetro nominal Número de UHC Diâmetro nominal Até 12 40 Até 17 50 1000 13 a 18 50 18 a 60 75 1920 2300 19 a 36 75 - - 2900 3500 4200 3900 4600 5600 6700 7000 8300 10000 12000 0,5 1,0 2,0 4,0 100 - 180 216 250 150 - 700 840 200 1400 1600 250 2500 300 400 Tabela 5: Dimensionamento do subcoletor e coletor predial. Fonte: ABNT (1999, p. 18). Instalações Hidráulicas e Prediais Tabela 6: Dimensionamento de ramais de ventilação. Fonte: ABNT (1999, p. 21). Coluna de ventilação O diâmetro da coluna de ventilação deverá ser determinado de acordo com os valores apresentados na Tabela 7. 14 Diâmetro nominal mínimo do tubo de ventilação (mm) Diâmetro nominal de tubo de queda ou ramal de esgoto (mm) Número de UHC 40 8 46 - - - - - - - 40 10 30 - - - - - - - 50 12 23 61 - - - - - - 50 20 15 46 - - - - - - 75 21 10 33 247 - - - - - 75 53 8 29 207 - - - - - 75 102 8 26 189 - - - - - 100 43 - 11 76 299 - - - - 100 140 - 8 61 229 - - - - 100 320 - 7 52 195 - - - - 100 530 - 6 46 177 - - - - 150 500 - - 10 40 305 - - - 150 1100 - - 8 31 238 - - - 150 2000 - - 7 26 201 - - - 150 2900 - - 6 23 183 - - - 40 50 75 100 150 200 250 300 Comprimento permitido (m) Instalações Hidráulicas e Prediais 200 1800 - - - 10 73 286 - - 200 3400 - - - 7 57 219 - - 200 5600 - - - 6 49 186 - - 200 7600 - - - 5 43 171 - - 250 4000 - - - - 24 94 293 - 250 7200 - - - - 18 73 225 - 250 11000 - - - - 16 60 192 - 250 15000 - - - - 14 55 174 - 300 7300 - - - - 9 37 116 287 300 13000 - - - - 7 29 90 219 300 20000 - - - - 6 24 76 186 300 26000 - - - - 5 22 70 152 Tabela 7: Dimensionamento de colunas e barriletes de ventilação. Fonte: ABNT (1999, p. 12). Vale ressaltar que todos os dispositivos desconectores devem estar ligados a um elemento ventilado, respeitando as distâncias estabelecidas na tabela 8. 15 Diâmetro do ramal de descarga (mm) Distância máxima (m) 40 1,00 50 1,20 75 1,80 100 2,40 Tabela 8: Distância ao tubo de ventilação. Fonte: ABNT (1999, p. 11). 3. Estudo das soluções para o destino dos efluentes finais sépticos, filtros anaeróbios e sumidouros. Tais dispositivos devem atender às normas vigentes, como: ▪ NBR 7229: 1993 - Projeto, construção e operação de tanques sépticos. ▪ NBR 13969: 1997 - Tanques sépticos e elementos complementares. Essa solução, quando for executada de forma correta, pode representar graves riscos para o meio ambiente. Dessa forma, pode ser utilizada quando a localidade do projeto não for atendida pela rede pública, quando a rede coletora pública possuir limitações como diâmetros reduzidos ou declividade insuficiente para o transporte dos efluentes (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Veja o esquema de uma sistema individualizado na Figura 6. Dentre os serviços de saneamento, a coleta de esgoto é um dos mais precários, pois apenas uma parcela da população possui esgoto coletado e tratado, enquanto outra parcela não possui acesso à rede de coleta pública, o que corresponde a aproximadamente 45% da população brasileira. Isso resulta em 1,7 mil toneladas de efluentes coletados e não tratados e 2,4 mil toneladas despejadas a céu aberto, com regiões Norte e Nordeste em situação mais crítica (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Dessa forma, uma das principais alternativas para a destinação dos efluentes finais são os sistemas individualizados, em que cada edificação possui sistema de coleta e tratamento próprio, por meio de tanques Instalações Hidráulicas e Prediais 16 Tanque séptico Filtro anaeróbico Sumidouro Caixa de gordura Areia e cimento Base de concreto Brita Saída do efluente a) Entrada ∅ ≥ 100mm Espuma Saída ∅ ≥ 100mm Líquido Lodo Concreto b) Figura 6: a) Sistema de coleta individual de uma edificação, b) Esquema de um tanque séptico Fonte: Adaptada de Carvalho Júnior (2020). Instalações Hidráulicas e Prediais 17 O tanque séptico, também conhecido como fossa séptica, é um reservatório enterrado considerado estanque, sendo o primeiro componente deste sistema a receber os efluentes para promover o tratamento inicial com intuito de separar a parte sólida destes efluentes. Pode ser construído com alvenaria ou pré-fabricados, devendo estar afastado cerca de 20 m de fontes de abastecimento de água e permitir a facilidade de futuras ligações com o coletor predial, além de permitir o acesso com facilidade para limpeza. De acordo com a NBR 7229 (ABNT, 1993), deve-se seguir as seguintes recomendações de distâncias mínimas quanto a sua localização no terreno: ▪ 1,50 m de construções, ramal predial de água fria, limites do terreno e outros dispositivos que possam receber efluentes. ▪ 3,0 m de rede pública de abastecimento e árvores para evitar que as raízes danifiquem a sua estrutura. ▪ 15 m de poços freáticos ou corpos d’água. Por sua vez, o filtro anaeróbio é de uso opcional e deve ser instalado antes da destinação final dos efluentes para realizar um tratamento complementar aos efluentes vindos do tanque séptico. Após isso, os efluentes são encaminhados para sua destinação final, que deverá ser determinada levando em consideração a profundidade do lençol freático, taxa de permeabilidade do solo, localização de fontes de água , além Instalações Hidráulicas e Prediais do uso e ocupação do solo. De acordo com os valores de coeficiente de infiltração do solo podem ser adotadas as seguintes soluções (CARVALHO JÚNIOR, 2020): ▪ Valas de filtração para solos considerados impermeáveis que possuem coeficiente de infiltração da ordem de 20 l/m².dia. ▪ Valas de infiltração para solos que possuem coeficiente de infiltração entre 20 a 50 l/m².dia. ▪ Sumidouros para solos considerados permeáveis que possuem coeficiente de infiltração da ordem de 60 l/m².dia. As valas de filtração são utilizadas para a situação mais desfavorável de um terreno, são valas escavadas onde a filtragem dos líquidos ocorre por meio de uma camada de areia assentada entre duas valas preenchidas com brita. As valas de infiltração são canalizações prismáticas escavadas em uma determinada profundidade do solo e preenchidas com brita, a passagem do efluente pelas britas faz com que ocorra a mineralização do líquido antes de penetrar o solo e assim evitam a contaminação do solo. Outra solução são os sumidouros, considerados poços absorventes que possuem o mesmo princípio das valas de infiltração e em função disso, o fundo deve ser preenchido por uma camada de no mínimo 50 cm de cascalho ou brita. Podem ser construídos com blocos de alvenaria com juntas livres para permitir a infiltração, tijolos furados ou manilhas pré-moldadas de concreto, além disso devem ser vedados por uma laje 18 de concreto que permita inspeções ou limpezas (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Para as localidades que sejam atendidas por uma rede pública de coleta de esgoto são utilizados sistemas coletivos, onde cada edificação deve possuir a sua instalação independente dos demais prédios vizinhos, ligada à rede coletora. Dessa forma, cada edificação deverá ter um ramal predial ligado ao coletor público, exceção deve ser feita edifícios como shoppings, hotéis, hospitais e outros. Neste capítulo, você pôde compreender as finalidades das instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário, as especificações determinadas pela NBR 8160, que é o principal pilar para o desenvolvimento de projetos destas instalações, assim como pode conhecer os principais componentes de uma instalação, o dimensionamento destes componentes por meio do método das Unidades Hunter de Contribuição de cada aparelho sanitário e, por fim, analisar os tipos de destinação final dos efluentes gerados em uma habitação. As instalações hidráulicas prediais de esgoto sanitário devem ser projetadas por um profissional habilitado e registrado junto ao Conselho Regional de Engenharia, por isso é fundamental que você conheça e compreenda os principais conceitos relacionados a estas instalações. Referências ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8160: Sistemas prediais de esgoto sanitário - Projeto e execução. Rio de Janeiro, 1999. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5688: Tubos e conexões de PVC-U para sistemas prediais de água pluvial, esgoto sanitário e ventilação – Requisitos. Rio de Janeiro, 2010. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7229: Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de Janeiro, 1993. AZEVEDO NETTO, J. M. Manual de Hidráulica. São Paulo: Blucher, 2015. CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações prediais hidráulico-sanitárias: princípios básicos para elaboração de projetos. São Paulo: Blucher, 2020. [livro eletrônico]. CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. São Paulo: Blucher, 2019. CREDER, H. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006. MACINTYRE, A. J. Instalações hidráulicas prediais e industriais. 4. ed. Reimpressão. Rio de Janeiro: LTC, 2017. Instalações Hidráulicas e Prediais 19 MACINTYRE, A. J. Manual de instalações hidráulicas e sanitárias. Rio de Janeiro: LTC, 2021. VERÓL, A.; VAZQUEZ, E. L.; MIGUEZ, M. G. Sistemas prediais hidráulicos e sanitários: projetos práticos e sustentáveis. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Instalações Hidráulicas e Prediais 20
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