Instalações Hidráulicas e Prediais Introdução Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Eduarda Pereira 1ª Edição Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Copyright © 2021, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Sumário Nome Unidade Para Início de Conversa... ................................................................................ 4 Objetivos ......................................................................................................... 4 1. Estudo da Concepção do Sistema ............................................................ 5 2. Composição e Desenvolvimento dos Projetos Referências ................................... 12 ......................................................................................................... 15 Instalações Hidráulicas e Prediais 3 Para Início de Conversa... Objetivos O sistema hidráulico predial é formado por um conjunto de instalações que incluem as instalações de água fria, água quente, esgoto sanitário, águas pluviais, gás e combate a incêndio. Essas instalações são destinadas a promover higiene, conforto e segurança aos usuários das edificações, apesar de sua importância, muitas vezes, os projetos das instalações hidráulicas prediais se tornam negligenciados o que acarreta na ocorrência de inúmeras patologias e altos custos com reparos e manutenções. ▪ Apresentar a concepção do sistema predial. ▪ Fundamentar a alimentação hidráulica e o esgotamento sanitário. Um bom projeto hidráulico deve garantir que todas essas instalações funcionem de forma harmoniosa, mas, para que isso ocorra, deve ser fundamentado em informações e estudos preliminares que fazem parte do estudo da concepção do projeto. Este deve ser desenvolvido juntamente com o projeto dos demais sistemas prediais, de forma a promover a compatibilização entre os diversos projetos envolvidos na construção de uma edificação, o que evita falhas de execução, retrabalhos, atrasos no cronograma e gastos desnecessários com reparos. Diante desse contexto apresentado, venha conhecer os critérios necessários para a concepção e desenvolvimento de projetos de instalações hidráulicas prediais. Instalações Hidráulicas e Prediais 4 1. Estudo da Concepção do Sistema Os sistemas hidrossanitários passaram a ter maior destaque a partir da Revolução Industrial e da crescente urbanização, sendo contemplados nos códigos de edificações das cidades ao redor do mundo. As instalações hidráulicas prediais têm como função principal distribuir a água na edificação em quantidades suficientes para o abastecimento e sob pressão adequada em todos os pontos de utilização e aparelhos sanitários, promover a coleta e afastamento adequado de águas pluviais e servidas, assim como evitar o retorno de águas poluídas para as canalizações, a entrada de gases do esgoto e também impedir que roedores e insetos tenham acesso às instalações. Dessa forma, o objetivo principal de um sistema predial hidrossanitário é o de promover condições favoráveis para o conforto e segurança dos usuários (CARVALHO JÚNIOR, 2017). De acordo com Verol, Vazquez e Miguez (2019), o sistema predial hidrossanitário é formado por um conjunto de instalações sendo estas: ▪ Instalações prediais de água fria: São constituídas por um conjunto de tubulações, equipamentos e reservatórios destinados a abastecer os aparelhos e pontos de utilização da edificação com água potável. ▪ Instalações prediais de água quente: São derivadas das instalações de água fria e têm como objetivo principal propiciar conforto aos usuários da edificação. Instalações Hidráulicas e Prediais ▪ Instalações prediais de esgoto sanitário: São formadas por um conjunto de tubulações e acessórios destinados a coletar, transportar e dar despejo adequado aos dejetos e águas utilizados para fins higiênicos, de forma a garantir a ida dos gases produzidos para atmosfera e impedir o seu retorno para as instalações. ▪ Instalações prediais de águas pluviais: São destinadas a recolher e conduzir para o sistema de drenagem as águas da chuva que precipitam sobre os telhados e áreas descobertas. São essenciais para a durabilidade da edificação, pois evitam o empoçamento e a consequente infiltração que podem deteriorar a estrutura da mesma. ▪ Instalações prediais de combate ao incêndio: São as instalações que têm como objetivo detectar e informar onde um incêndio foi iniciado e combatê-lo prontamente, evitando que ocorra a propagação. ▪ Instalações prediais de gás: São as instalações destinadas à distribuição de gás no interior das edificações, para fins de aquecimento e consumo em fogões e aquecedores. Essas instalações estão relacionadas umas com as outras e possuem funções específicas, vale ressaltar que o sistema predial hidrossanitário conecta-se com as várias redes de infraestrutura das cidades que são essenciais para o seu funcionamento e que permitem a habitação de forma saudável. Por exemplo, as instalações prediais de água fria e quente são conectadas com a rede de abastecimento de água, a instalação predial de esgoto sanitário conecta-se com a rede urbana de 5 esgotos domésticos, por sua vez as instalações prediais de águas pluviais descarrega na rede pública de drenagem urbana (VEROL, VAZQUEZ, MIGUEZ, 2018). Cada instalação é indispensável para uma edificação fazendo com que esta apresenta uma harmonia funcional. O projeto do sistema predial hidrossanitário é indispensável para uma obra, pois evita diversos erros e futuras patologias, estima-se que cerca de 75% das patologias em edificações são originadas nas instalações hidrossanitárias, decorrentes das falhas no projeto e, por consequência, falhas de execução (CARVALHO JÚNIOR, 2017). O descaso com essas instalações, muitas vezes, se dá pelo fato de ficarem ocultas. Segundo a Norma de Desempenho das Edificações Habitacionais, a NBR 15575, (ABNT, 2015), a concepção do projeto envolve a análise das condicionantes locais, consultas às concessionárias de serviços públicos, levantamento de informações jurídicas, legais, programáticas e técnicas a respeito do projeto. A elaboração de um projeto das instalações hidráulicas prediais é precedida por estudos realizados pelos profissionais que visam embasar a sua concepção, uma das primeiras etapas é a coleta de informações que irão nortear a escolha de materiais, processos e soluções adotados pelo projetista. Segundo Carvalho Júnior (2020), é de grande importância para a concepção do projeto: Instalações Hidráulicas e Prediais ▪ Dados do contratante. ▪ Verificar se a localidade é atendida pelos serviços públicos de abastecimento de água, rede coletora de esgoto e rede de drenagem urbana. ▪ As condições topográficas do terreno. ▪ A conceituação do empreendimento e dos sistemas previstos. ▪ Analisar as demandas da edificação, principalmente em relação ao abastecimento de água, coleta de esgoto e demais necessidades das instalações. ▪ Obtenção de dados do projeto arquitetônico como plantas e cortes de todos os pavimentos. ▪ Obtenção de dados do projeto de paisagismo, caso haja, como plantas de tratamento de pisos, áreas de jardim com o intuito de prever os pontos de instalação para os equipamentos necessários. ▪ Verificação dos espaços necessários para o desenvolvimento do traçado das tubulações. ▪ Obtenção de dados do projeto estrutural, bem como as plantas de formas de forma a desenvolver um projeto que reduza ao máximo as incompatibilidades entre os diferentes sistemas; ▪ Verificação das tecnologias desejadas para uso. 6 De acordo com o mesmo autor, nos estudos para concepção do projeto, pontos importantes devem ser analisados, são eles: 1. Análise das plantas, cortes e vistas de outros projetos, verificando as dimensões, pés-direitos, portas, aberturas, janelas, forros, condições de acesso para pessoas e equipamentos, além da proximidade com outros ambientes. 2. A disposição das áreas molhadas para verificação do posicionamento das peças de utilização e aparelhos sanitários. 3. Verificar altura do entreforro para o caso de passagem das tubulações. 4. Posição dos shafts e demais espaços necessários para a passagem das tubulações. 5. Estudo da demarcação do traçado das tubulações e dutos nos pavimentos e verificação de possíveis interferências com os demais projetos. 6. Indicação de possíveis furos na estrutura para análise com o projetista estrutural. 7. Estudo do posicionamento dos dispositivos de captação como ralos, caixas de inspeção e sistemas de combate ao incêndio. 8. Estudo dos dados pluviométricos da região. 9. Estudo das pressões de serviço, máximas e mínimas. 10. Atentar para a ergonomia na instalação e utilização dos aparelhos. 11. Definição do sistema de abastecimento, bem como o posicionamento, volume e altura dos reservatórios. Instalações Hidráulicas e Prediais A concepção do projeto das instalações hidráulicas prediais é resultado da coleta de dados e das análises realizadas, dessa forma envolve a definição do sistema de abastecimento, da capacidade de utilização da edificação, dos pontos de utilização, do sistema de reservação e equipamentos, do sistema de esgotamento sanitário, além da localização das tubulações. Os produtos gerados na fase de concepção são os relatórios de condicionantes locais com as informações de disponibilidade e características de atendimento da edificação pelos serviços públicos, recomendações sobre os sistemas de serviços públicos e as diretrizes e respostas de consultas junto às concessionárias locais de água, esgoto e gás (ABNT, 2015). Dois pontos muito importantes a serem considerados são os sistemas de abastecimento de água e o sistema de esgotamento sanitário que irão nortear as demais ações na elaboração do projeto. Nas cidades, as redes de abastecimento de água potável são formadas pelas adutoras, pelas linhas alimentadoras e pelas linhas distribuidoras. As adutoras são responsáveis por transportar as águas dos mananciais para as estações de tratamento e destas para os reservatórios principais. As linhas alimentadoras abastecem os reservatórios secundários, e as 7 linhas distribuidoras e cabe às linhas distribuidoras fornecer água para a alimentação das edificações (MACINTYRE, 2017). A alimentação predial pode ocorrer por meio de três sistemas: direto, indireto e misto. Sistema direto: A alimentação das instalações hidráulicas da edificação é realizada diretamente da rede pública até os pontos de utilização. Não são utilizados reservatórios e a pode se considerar a instalação interna como uma extensão da rede pública, sendo a distribuição realizada em fluxo ascendente. Esse tipo de sistema é utilizado quando houver garantia de regularidade do abastecimento, além do atendimento das vazões e pressões mínimas. É considerado um sistema mais econômico em função de não se utilizar reservatório, a economia ocorre de duas formas: pela não construção do mesmo e pelo alívio das cargas atuantes na estrutura da edificação. Porém, as instalações ficam expostas a possíveis falhas de abastecimento da rede pública, que podem comprometer todo o sistema predial. (MACINTYRE, 2021; VEROL, VAZQUEZ, MIGUEZ, 2018, MACINTYRE, 2017). Veja, na Figura 1, o exemplo de uma alimentação predial direta. Instalações Hidráulicas e Prediais R Figura 1: Alimentação predial direta. Fonte: Adaptada de Verol, Vazquez, Miguez (2018). O sistema direto é muito utilizado nas cidades europeias em função da economia decorrente da não utilização dos reservatórios. As condições necessárias para o seu uso são raras no abastecimento das cidades da América Latina, o que faz com que as edificações que o adotem possam sofrer com a interrupção do abastecimento. Por sua vez, o sistema indireto é utilizado onde não é possível utilizar a distribuição direta, como nos grandes edifícios. Já o sistema misto é mais utilizado nas residências brasileiras. 8 ▪ Sistema indireto: A alimentação da rede é realizada por meio de reservatórios em função da irregularidade no abastecimento e da variação de pressão vinda da rede. Podem ser utilizados dois reservatórios: um inferior e um superior. Cabe ao reservatório superior alimentar a instalação por gravidade, além disso, ele é dividido em um sistema indireto, com ou sem bombeamento. No sistema sem bombeamento, a pressão da rede pública é suficiente para abastecer o reservatório superior, geralmente, para prédios de até três pavimentos. Enquanto, no sistema com bombeamento a pressão da rede pública é insuficiente para abastecer o reservatório superior, dessa forma, é utilizado um reservatório inferior que armazena a água a ser bombeada para o reservatório elevado (MACINTYRE, 2021, MACINTYRE, 2017). Veja o exemplo de uma alimentação indireta sem bombeamento e uma alimentação indireta com bombeamento nas Figuras 2a e 2b, respectivamente. Instalações Hidráulicas e Prediais Hidrômetro a) b) Figura 2: Alimentação predial indireta – a) sem bombeamento, b) com bombeamento. Fonte: Adaptado de Macintyre (2017). 9 Veja, no Quadro 1, uma comparação entre o sistema direto e o indireto: Sistema Direto Indireto sem bombeamento Vantagens Desvantagens Dispensa reservatórios. Possui menor custo da estrutura. Fica inoperante com a falta de Garante melhor qualidade da água. água. Oferece disposição de maior área útil, Passível de contaminação da pois o espaço para o reservatórios rede pública. pode ser utilizado para outros fins. Rede predial menos exposta às falhas da rede pública. Economia de energia elétrica. Passível de contaminação no reservatório. Possui maior custo. Possui maior tempo de execução da obra. Precisa de uma área maior de construção. Passível de contaminação no reservatório. Possui maior custo. Rede predial menos exposta a falhas Indireto com Possui maior tempo de execução da rede pública. bombeamento da obra. Precisa de uma área maior de construção. Quadro 1: Comparação entre o sistema direto e indireto. Fonte: Adaptado de Verol, Vázquez e Miguez (2019) Instalações Hidráulicas e Prediais ▪ Sistema misto: As partes da instalação são alimentadas diretamente pela rede pública, enquanto a outra é alimentada pelo reservatório. Este é um dos sistemas mais utilizados. Após o hidrômetro, pode-se realizar uma derivação da tubulação em que uma parte segue para o reservatório superior, e a outra passa a alimentar os pontos de utilização no pavimento térreo. Veja o exemplo de uma alimentação mista na Figura 3. Ramal externo Ramal interno até a torneira de boia TL TL Figura 3: Alimentação predial mista. Fonte: Adaptada de Macintyre (2017, p.7) 10 CI CI CI CI Ramal predial Sumidouro Fossa séptica Águas servidas Caixa de inspeção Rede coletora pública Caixa de inspeção Rua Rua Sumidouro Figura 4: Sistema individual de esgoto sanitário. Fonte: Adaptada de Carvalho Júnior (2017, p. 164) Instalações Hidráulicas e Prediais Caixa de inspeção Ramal predial Águas servidas Ramal predial Edificação Edificação Sistema individual: Nesse sistema, cada edificação possui o próprio sistema de coleta, escoamento e tratamento com uso de fossas e sumidouros, geralmente, é utilizado quando não há rede pública de coleta de esgoto sanitário. Esses elementos não podem causar a poluição do solo, prejudicar a qualidade da água, prejudicar praias ou demais locais próximos, bem como não deve ter a presença de insetos. Veja, na Figura 4, o exemplo de um sistema individual. Edificação Com relação ao sistema de coleta do esgotamento sanitário da edificação, este pode ser individual ou coletivo. ▪ Sistema coletivo: É utilizado quando há a rede pública, sendo esta responsável pela coleta e transporte do esgoto sanitário até os locais de tratamento. Cada edificação deve estar ligada à rede coletora, independentemente dos prédios vizinhos. Edificação A escolha do tipo de abastecimento a ser adotado deve levar em consideração as informações obtidas na coleta de dados e estudos preliminares realizados, além de atender aos requisitos da concessionária. Figura 5: Sistema coletivo de esgoto sanitário. Fonte: Carvalho Júnior (2017). 11 Por sua vez, a coleta de esgoto realizada pela rede pública pode ser realizada segundo os seguintes sistemas: 2. Composição e Desenvolvimento dos Projetos ▪ Sistema unitário: As águas provenientes do esgoto sanitário e as águas pluviais são conduzidas em uma mesma canalização. ▪ Sistema separador absoluto: As redes pluviais de coleta de esgoto sanitário e águas pluviais são totalmente independentes, sendo o mais adotado no Brasil. A elaboração do projeto de instalações hidráulicas prediais deve ser de responsabilidade de um profissional de nível superior, legalmente habilitado de acordo com as leis vigentes no país. Dessa forma, em todas as pranchas elaboradas em qualquer nível de desenvolvimento do projeto, devem constar os dados do profissional junto ao Conselho Regional de Engenharia (Crea). É importante que o projeto contenha todas informações necessárias à sua compreensão e posterior execução. Além, do sistema unitário e separador absoluto, também há o sistema misto ou combinado. Nele, o esgoto possui canalização própria instalada dentro das galerias de águas pluviais, porém, não é utilizado no Brasil. Veja que esses estudos relatados fazem parte da concepção do projeto das instalações hidráulicas prediais, sendo uma fase fundamental para o seu desenvolvimento. Elaborar um projeto desse porte é um processo complexo que envolve diversas etapas, além da divisão das diferentes instalações presentes na edificação, assim como a interface com os demais projetos. Segundo Carvalho Júnior (2020) e Creder (2006), o projeto completo das instalações hidráulicas prediais é composto pelo memorial descritivo, memorial de cálculo, especificações de materiais e equipamentos utilizados, plantas, perspectivas isométricas, detalhes construtivos e qualquer detalhe necessário ao entendimento dos profissionais responsáveis por sua execução. Destes elementos, o memorial descritivo e o memorial de cálculo são de grande importância, porém, muitas vezes, não recebem a atenção merecida. O memorial descritivo tem como finalidade indicar os serviços a serem executados de acordo com as normas vigentes, especificações Instalações Hidráulicas e Prediais 12 de serviços e materiais, assim como as particularidades da obra. Esse documento traz uma visão geral do projeto, das partes que o constituem, dos princípios utilizados evidenciando o atendimento às exigências desses tipos de projetos, da explicação das soluções adotadas, além de evidenciar a compatibilidade com o projeto arquitetônico e os demais projetos de distintas especialidades (CARVALHO JÚNIOR, 2020). Por sua vez, o memorial de cálculo deve ser entregue por meio de planilhas eletrônicas que destaquem o dimensionamento das instalações. O desenvolvimento do projeto deve ocorrer de forma aliada aos projetos de arquitetura, estrutura, fundações e os demais projetos da edificação para que ocorra a compatibilização entre os elementos do projeto hidráulico predial e os elementos dos demais projetos, pois isso permite que a edificação apresente a harmonia funcional desejada pelo seu usuário (VEROL; VAZQUEZ; MIGUEZ, 2018). Os projetos realizados sem essa integração entre os diversos projetos e sistemas presentes em uma edificação podem gerar atrasos e retrabalhos que poderão afetar o cronograma físico e financeiro elaborado para as etapas de construção de uma edificação. De acordo com a NBR 15575 (ABNT, 2015) um projeto hidráulico possui seis fases, nas quais serão realizadas as verificações de desempenho, sendo estas: Instalações Hidráulicas e Prediais Fase Fase Fase Fase Fase Fase A B C Concepção do produto. Definição do produto. Identificação e solução de interfaces. D E Projeto de Pós-entrega detalhamento dos projetos. das especialidades. F Pós-entrega da obra. Vale ressaltar que a fase A de concepção do produto foi detalhada no tópico anterior. Na fase B de definição do produto, ocorre o desenvolvimento do partido hidráulico com a consolidação de todas as informações obtidas, a fim de verificar a viabilidade do projeto em termos físicos, legais e econômicos. Desta fase, fazem parte a elaboração do estudo preliminar, o anteprojeto e o projeto legal. Na fase C de identificação e solução de interface, é desenvolvido o projeto básico das instalações hidráulicas prediais. Nessa fase, é onde ocorre a resolução das interfaces do projeto com relação às interferências entre os diferentes sistemas prediais, a partir disso é possível avaliar métodos construtivos e prazos de execução. Na fase D relativa ao projeto de detalhamento das especialidades, é elaborado o projeto executivo, no qual são apresentados os 13 detalhamentos dos componentes da instalação e incorporação dos detalhes necessários à produção para a caracterização dos serviços a serem executados. Nessa fase, constam as especificações dos equipamentos hidráulicos, detalhes isométricos e plantas de todos os pavimentos com o traçado final das tubulações, planta de marcação na laje com a indicação de caixas e tubulações embutidas e outros. Na fase E de pós-entrega dos projetos, constam as informações documentadas do projeto, com a apresentação do projeto, o programa básico de acompanhamento da obra com registro das atividades desenvolvidas e o jogo completo dos projetos elaborados e atualizados conforme executado em obra. Os projetos de instalações devem ser apresentados impressos em pranchas numeradas, tituladas, datadas, com identificação do autor do projeto e com selo específico. Deve ser entregue ao cliente uma cópia de cada uma destas plantas, detalhes ou esquemas verticais, em arquivo digital com extensão DWG ou DXF (CARVALHO JÚNIOR, 2017). Neste capítulo, você pôde perceber a importância das instalações hidráulicas prediais e as demais instalações que delas fazem parte, dessa forma é necessário que maior atenção seja destinada para a elaboração dos projetos. Esses projetos não estão restritos apenas ao dimensionamento das tubulações, reservatórios e etc, envolvem um processo de estudos preliminares para a sua concepção onde são analisadas as condições locais, o abastecimento das redes públicas, dados topográficos, além da interface com o projeto arquitetônico e demais projetos que fazem parte da edificação. Tal concepção é fundamental para o desenvolvimento do projeto hidráulico predial, pois permite que seja elaborado com maiores detalhes e de acordo com as necessidades requeridas, sendo este formado por um conjunto de plantas, detalhamentos, memorial descritivo e memorial de cálculo. Na fase F de pós-entrega da obra, constam a elaboração do manual do proprietário relativo ao usos das instalações hidráulicas prediais com informações e orientações necessárias para o melhor uso e preservação das instalações, além da elaboração do manual de operação e manutenção. Instalações Hidráulicas e Prediais 14 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 155756: Edificações habitacionais- Desempenho – Parte 6: Sistemas hidrossanitários. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações prediais hidráulico-sanitárias: princípios básicos para elaboração de projetos. São Paulo: Blucher, 2020. CARVALHO JÚNIOR, R. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. São Paulo: Blucher, 2017. CREDER, H. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006. MACINTYRE, A. J. Manual de instalações hidráulicas e sanitárias. Rio de Janeiro: LTC, 2021. MACINTYRE, A. J. Instalações hidráulicas prediais e industriais, 4 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. VERÓL, A. VAZQUEZ; E. L. MIGUEZ, M.G. Sistemas prediais hidráulicos e sanitários - projetos práticos e sustentáveis. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. Instalações Hidráulicas e Prediais 15
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